setembro 07, 2003

Pouco para dizer... (act II)


A Íntima Fracção é para ser ouvida com atenção. Não serve: a escuta dentro de carros em movimento que não sejam muito silenciosos; a escuta em rádios colocados sobre os balcões de restaurantes de bitoques; a escuta em balcões de roulottes de venda de cachorros ou farturas; a escuta em pequenos rádios a pilhas sem qualidade aúdio; a escuta em salas de jogos electrónicos. Não serve, mas aceita-se.
A Íntima Fracção é feita para ser ouvida com headphones no quarto; na sala, em boas aparelhagens; nos carros parados ou a andar lentamente; em rádios portáteis na praia (à noite) ou no meio do campo; num quarto escondido e perdido no meio da cidade; sózinho, a olhar para a janela; com as lágrimas ou a esperança a rebentar. A Íntima Fracção é para ser gravada e ouvida quando se quiser. A IF serve para desenhar com os ouvidos.

Francisco Amaral - Íntima Fracção

Mais texto e um pouco da história da Íntima Fracção numa excelente iniciativa da Janela Indiscreta e amplificada na Retorta.

A primeira vez que passei palavra sobre a IF andava eu na faculdade, escrevendo no boletim da Associação de Estudantes e logo aí me cruzei com alguns ouvintes que quiseram partilhar a cumplicidade, o segredo, o encantamento.

Pela minha parte prefiro "num quarto escondido e perdido no meio da cidade", às escuras, deitado na cama, de olhos bem abertos. Como ontem, mesmo que apenas pouco mais de meia hora.
Tudo acaba, tudo recomeça. Espero que o Francisco Amaral continue a ter espaço na rádio portuguesa, comigo a poder ouvi-lo, já agora. Espero que fique na TSF mas se por lá não o quiserem, estou disposto a ir atrás! Já não seria a primeira vez ("Sexo dos Anjos" de Julio Machado Vaz e Aurélio Gomes).

Publicado por Rui em setembro 7, 2003 08:19 PM | TrackBack
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