O Terras do Nunca sublinha que faz parte da comunidade dos amantes de marmelada. Era de facto uma das referências que trazia na memória sem identificar o dono quando falei de Marmelada e geléia uns posts abaixo :)
Publicado por Rui em outubro 6, 2003 08:51 PM | TrackBackânimo
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Segunda-feira, Outubro 06, 2003
A ÚNICA MAS NÃO PROIBIDA MAÇÃ
Não! Ninguém, ou melhor, nenhum mafarrico me tentou e muito menos um qualquer anjo me expulsou.
Acabei de me deliciar com a primeira - e única - maçã bravo esmolfe que este ano, também pela primeira vez, vingou de entre a copa das duas jovens macieiras.
Na Calçada da Ajuda, com o Vale das Árvores tão distante, o longe torna-se perto por uma simples ..."trincadela"!
( Para o ano, por certo, juntaremos ao licor de amora, de poejo, de tangerina e de lucia lima e à marmelada e geleia dos nossos marmelos, para não falar do doce de figo e de tomate, a compota de..... maçã!
Obrigado, jmf, por me teres dado esta oportunidade!
Como vês.... já que não vens pisar as uvas na ânimo, vai a ânimo levar-te uma colherzinha de geleia à tua escolha: de marmelo ou.... de amora?!
O quê, nunca provaste geleia de amora,João?! Tantas que as nossas terras têm, João! ¶ 9:30 PM
OH QUE RIJA MARMELADA
OH QUE BELOS MARMELOS
Não quero distrair os leitores do belo texto do Celestino, aqui mais a baixo. Mas... ao preparar-me para outras tarefas menos blogantes mas mais colaborantes, com a cozinha por companheira, eis que descubro aqui e ali uma atmosfera bem cheirosa e que me reporta à atarefada noite de Sábado na cozinha da adega do bisavô Luís!
Que rica marmelada fizemos, eu no descasque e Maria nos temperos! Como ninguém me convidou nem sabem o que perdem: para além da dita, que tal umas colherzinhas de uma geleia de cardinalício e cristalino vermelho a escorrer, a escorrer... pelos cantos dos gulosos lábios abaixo?! ¶ 7:50 PM
O MOSTO E A MEMÓRIA
O teu texto a saber a mosto pegou-se-me às pernas. É verdade, às pernas. O teu lagar, agora licoroso e silencioso, lembrou-me o fim da pisa das uvas.
Quando nós saíamos do lagar do Ti Manel Pinheiro, meu sábio tio há tanto
ido, com as pernas vermelhas de mosto, coladas de graínhas e de cascas de
uvas, apoquentadas por uma ou outra mosca oportunista. Que bom que era pôr as pernas e os seus pedestres apêndices dentro de um balde de água morna que a Ti Teresa carinhosamente nos aquecia, na panela de ferro com tripé. Aquilo demorava a descolar, mas no fim sabia tão bem! Ficar outra vez com as pernas fresquinhas e lisas, como se tivessem saído de um caríssimo tratamento de beleza. E ríamo-nos dos pés todos tortos dos velhotes, com aqueles calos coroados por uma espécie de calva que os apertões das botas neles desenhavam. E dos dedos dos pés todos encavalitados uns nos outros.
Depois vinhamos cá para fora e, antes de comer a bucha que a Ti Teresa nos
preparava, punhamo-nos a contar estrelas, a observar o percurso da Via
Láctea tão visível por esta altura, ou a medir a sombra do Bando dos Santos,
espécie de fantasma ali sempre postado frente ao nosso Vale. Mal eu
adivinhava que na sua encosta do outro lado havia um Brejo nessa altura
verdejante de milho, ou talvez já loiro das espigas.