outubro 30, 2003

A qualidade do jornalismo

Ora desgarrados, ora em polémicas organizadas, as reflexões sobre a comunicação social vão-se sucedendo na blogo-esfera.
A Gin sente-se incomodada com o jornalismo que temos; em média é suficientemente mau para concordar com o impedimento do acesso da imprensa a um julgamento.

A propósito…
Eu gostava da TSF porque sendo uma empresa privada encarnava boa parte da definição de serviço público em rádio.
Deu cursos de formação e conseguiu formar jornalistas espectaculares, assumiu a informação como prioridade. Investiu forte e aguentou-se, deu lucro, tinha tudo para continuar a servir de referência, para ser um viveiro de bons jornalistas…
Abriu antena a novos comentadores. Recriou a rádio em directo, deu voz política aos ouvintes demonstrando que isso poderia ser feito sem comprometer a emissão, apostando sempre em alguma pedagogia pela boa educação sem paternalismos.
Em vários períodos (ou pelo menos a partir do anoitecer) oferecia um outro serviço de difusão de novos sons e ambientes tendo durante muitos anos cativado vários tipos de ouvintes. Do (por vezes) humilde taxista ao mais intelectual dos intelectuais.
Hoje sinto que se perdeu muito e continua a perder-se a cada noticiário esforçado, a cada Idade da Inocência, a cada fim de semana que se passa sem a Íntima Fracção, sem o Carlos Amaral Dias, sem o flashback, sem os sons do mundo traZidos pelo Mário Dias, a cada nova hora em que o Anibal Cabrita se submete à playlist desencantada.

Porque é que gostávamos da TSF? Continuo a recolher contribuições. Daqui a uns dias tentarei fazer uma síntese ou dar destaque aos contributos recolhidos. Já há alguns aqui.
Hoje, tenho de concordar com o Rui do Bisturi: se quero noticiários abrangentes - com mais do que cinco ou seis notícias, com uma equipa de jornalistas capaz de dar resposta em qualidade e quantidade ao “ir ao fim da rua, ir ao fim do mundo” - se quero ouvir música portuguesa, se quero alguma sobriedade de emissão, só vejo na Antena 1 (uma rádio pública) uma aproximação àquilo que me faz falta e que me atrevo a dizer, nos faz falta.

Publicado por Rui em outubro 30, 2003 10:49 AM | TrackBack
Comentários

Eu também lamento as mudanças na TSF, mas... trocar a TSF pela Antena 1? É pior a emenda do que o soneto! À excepção do período conduzido pelo Sena Santos, a informação da Antena 1 é de uma pobreza franciscana. E uma rádio que copia o Fórum TSF, que macaqueia o Pessoal e Transmissível, e que navega à vista da grelha da TSF não merece qualquer respeito. E para ser sincero, a música da Antena 1 não é muito melhor do que a música da TSF.

Afixado por: Mariano Serra em outubro 30, 2003 03:10 PM

Sabes ... custa-me ter dito o que disse sobre a comunicação social. Pensar que alguma vez eu poderia a vir a aceitar a ideia que os jornalistas não devem ser autorizados a entrar seja onde for, é muito complicado para mim.
Disse o que disse, porque lamentavelmente é o que começo a sentir.
Gostei das tuas observações sobre a tsf ... caraças, devo estar a ficar muita velha.
Abraço

GIN

Afixado por: GIN em outubro 30, 2003 09:16 PM

Viva... não sei se será o local mais correcto para fazer este tipo de questão, mas faço-o já próximo do desespero!gostaria de saber se vocês como conhecedores da TSF me poderiam facultar o nome da musica clássica que surge no genérico da idade da inocência..até a jornalistas da TSF já perguntei sem resposta até hoje...

agradecia potencial resposta (que agradeço encarecida e antecipadamente) para joaopedropina@sapo.pt.

Afixado por: João em julho 24, 2004 10:49 PM
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