fevereiro 09, 2004

XII. PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguêla ainda.

Dá o sopro, a aragem --ou desgraça ou ânsia--
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância --
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

in Mensagem, Fernando Pessoa

Publicado por Rui em fevereiro 9, 2004 07:59 PM | TrackBack
Comentários

Fernando Pessoa é sempre Fernando Pessoa.
Mas hoje já nem o mar nos resta.
Se escrevesse hoje ele só deixaria a saudade. Essa mantém-se intacta.

Afixado por: Nilson em fevereiro 9, 2004 07:00 PM
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