julho 10, 2004

Calma minha gente! (act.)

Sampaio:
Sim, a decisão foi política mas se bem entendo o presidente que temos não foi exclusivamente conjuntural. Não foram as pessoas, os líderes em questão que a determinaram. A palavra de honra, o compromisso, a responsabilização do sistema de democracia representativa e das consequentes legislaturas deverão ter sido os valores finais em que Sampaio apostou. Apostou. O futuro nos dirá se os tomadores desse legado são merecedores de tal aposta. Modestamente, já aqui deixei perceber que poucos políticos me mereceriam menos esse benefício da dúvida que Pedro Santana Lopes e Paulo Portas, mas não sou Presidente de República nenhuma.

Sampaio discursou para os manuais de ciência política, ou, mais comedidamente, para a jurisprudência do histórico da democracia portuguesa.

Sampaio não traiu ninguém. Não fez nenhum ataque pessoal a ninguém.
Nesta história entre traidores e traídos restam-nos José Manuel Durão Barroso na qualidade dos primeiros e o eleitorado português do PSD na qualidade dos segundos.
Sampaio julga-se perante a sua consciência como o presidente de todos os portugueses, interpretando esse compromisso de uma forma bastante mais literal que Mário Soares, por exemplo.
Querem-se líderes capazes do magistério quando as funções o exigem e outros capazes de acatar respeitosamente as decisões legítimas de órgãos de soberania.

Não estou arrependido de ter apoiado Jorge Sampaio. No limite imagino-me a tomar tal posição caso o Presidente violasse a Constituição e colocasse em causa o Estado de Direito.
Quando nele votei sabia que uma situação hipotética como esta não tinha uma solução automática. Nada disso foi posto em causa. Nada disso estava em causa como disse o PS, PSD e o CDS.

Em caso de dúvida num fora-de-jogo beneficia-se o "meu partido” acreditavam os líderes socialistas. Daqui os maus fígados, as promessas de ódio eterno, a quebra de amizades de décadas, as piadolas de Ana Gomes chamando-lhe um presidente de direita. É muito triste ver esta injustiça ser verbalizada - ainda que a quente - por membros do secretariado do PS, secretário-geral incluído.

Um dos aspectos que sempre me atraiu enquanto simpatizante do PS é a capacidade de encontrar por lá gente que em momentos decisivos colocou a avaliação do interesse nacional acima dos interesses partidários. Mário Soares fê-lo em momentos decisivos, enquanto primeiro-ministro, por exemplo.
Felizmente, até hoje, tenho sentido satisfação e orgulho nas decisões tomadas. Hoje não estou satisfeito, mas nem por isso me sinto humilhado.

Dito isto, consigo achar que Jorge Sampaio errou na apreciação que fez do interesse nacional. E errou na apreciação das suas capacidades reais de fiscalização do exercício da actividade governativa.

O novo governo apresentará na assembleia um novo programa. Não será Sampaio a escrevê-lo. Imagine-se que é aprovado e que é substancialmente diferente do anterior. Será esse o único momento razoável para o presidente agir à luz dos valores que privilegiou na decisão que tomou.
Legitimando a Assembleia da República como o fez, estando esse programa sufragado, o Presidente, para se manter coerente, não deverá voltar a pronunciar-se de outra forma que não as utilizadas até aqui: com discursos, com recomendações, com murros na mesa, com um veto mais ou menos esporádico, ponto final. Por isso temo o pior. Ninguém saberá para quem e em nome de quem governará este novo governo e se executará o novo programa. Por isso preferia a responsabilização do eleitorado, preferia que se vincasse a relevância do cumprimento do mandato executivo e a sua supremacia sobre qualquer outro cargo internacional.
Mas também aqui é preciso não perder a perspectiva: o PSD e o CDS/PP, os seus dirigentes, são e serão os principais responsáveis pela governação que vierem a fazer do país ao longo de toda a legislatura. Foram eles que se coligaram, foram eles não defenderam eleições e é também sobre as suas decisões que o eleitorado (particularmente os que os sufragaram favoravelmente em 2001) o deverá julgar. Em última instância resultará da vantagem ou desvantagem percebida para o país que se julgará a bondada da decisão de Jorge Sampaio. Uma má experiência poderá levar-nos a uma nova interpretação do semi-presidencialismo e a uma maior partidarização do exercício do seu poder.

Ferro Rodrigues: por tudo o que passou e se fez passar surgiu por vezes com uma aura de inimputabilidade temporária com a qual íamos convivendo perante a sua forma emotiva de viver a política.
Aos inimputáveis como sabemos não convém que se mantenham em cargos de responsabilidade. A saída neste momento, e desta forma, assumindo uma afronta pessoal feita pelo seu amigo e camarada Jorge Sampaio, lida assim, não enobrece o Partido e terá que ser adicionada a outras atitudes a quente de Ferro Rodrigues no tal estado de "inimputabilidade temporária".
Pelo que já aqui disse e apesar deste tortuoso caminho, aguardo agora com esperança que o partido finalmente encare o seu passado recente e se renove, evoluindo com a sua experiência e afastando, de uma vez, o falso receio da descaracterização ideológica para a qual caminhou de forma veloz quando mais a temeu.

Ao leitor:
Durante o discurso tentei imaginar Pedro Santana Lopes obrigado a pronunciar-se perante matéria idêntica no eventual exercício do cargo de Presidente da República. Lembram-se como era provável este cenário há coisa de um dois meses? Uma Primeiro-Ministro Socialista demitia-se a meio da sua primeira legislatura para assumir funções de Secretária Geral das Nações Unidas. Havia uma maioria parlamentar PS/PL (Partido Liberal entretanto nascido da blogoesfera) que, contudo, perdera de forma significativa umas eleições Europeias... Gostava que o leitor fizesse esse mesmo exercício de substituir os personagens e que o eleitor tomasse o exemplo de Sampaio como referência num dia futuro que se proponha a votos perante um Pedro Santana Lopes look-alike.

Não por concordar com a sua decisão mas pela lição dos compromissos que não se podem invocar no supremo interesse da nação aprecio a externalidade positiva deste exemplo de Sampaio.


Uma última nota:

Com este precedente, com a atitude de Durão Barroso e de Sampaio, e apesar do crescente culto da personalidade do líder durante as campanhas eleitorais, a ignorância que temos em relação a tantos deputados e ao seu trabalho e a absoluta nulidade política que tantos outros “demonstram” no parlamento e no interior dos seus próprios partidos, valoriza-se como problema. Ao cuidado de um partido que se digne.

P.S.: Desde já me ofereço para que a malta de esquerda possa fazer a catarse um pouco às minhas custas, apesar da profunda desilusão que me acompanhou desde que ouvi hoje Jorge Sampaio. Quanto mais depressa passar o estado depressivo melhor. Há muito trabalho pela frente minha gente!

Publicado por Rui em julho 10, 2004 12:37 AM | TrackBack
Comentários

eu que estava irritado senti-me muito melhor depois de ler este post. o que não faz com que deixe de considerar sampaio um fraco.

Afixado por: pfig em julho 10, 2004 12:35 AM

Interessantes as suas ideias, mesmo se discordo aqui ou ali.

Por exemplo, eu penso que Sampaio se tornou num frouxo, o que me surpreende. Conheci-o, era eu muito jovem, há mais de 30 anos, quando pela primeira vez dei o contributo possível numa luta política em que, então, estávamos do mesmo lado da barreira. E ele teve atitudes de muita coragem. Mas envelhecemos todos, não é?

E, como dizia um dos meus professores, "nascemos incendiários e morremos bombeiros".

Sampaio perdeu a chama.

Afixado por: Vale de Soure em julho 10, 2004 12:50 AM

Muito obrigado Rui por ser uma alternativa de clareza e reflexão ao autêntico circo e desrespeito pela figura do Chefe de Estado que está a alastrar-se na blogosfera.

Afixado por: Miguel Tomar Nogueira em julho 10, 2004 12:53 AM

Concordo contigo, Rui.

Acho que não devemos entrar em "histeria".

Às vezes, "escreve-se direito por linhas tortas" e "há males que vêm por bem"...

É pena é que estejamos a perder tempo, adiando o inadiável.

Afixado por: Leonel Vicente em julho 10, 2004 01:02 AM

É bom encontrar gente que sabe parar, escutar e pensar antes de escrever. É bom ver que ainda há quem se lembre de quem causou este terramoto todo.
Se "queimarem" o Presidente, ele é só mais uma vítima da ambição política do artista que agora se chama José Manuel Barroso.

Afixado por: Vi em julho 10, 2004 01:07 AM

Pois é, custa para muitos aceitar o que jamais pensariam que um militante socialista fosse capaz de fazer: colocar o País à frente do partido. Mas, é por isso que um Presidente da República deve ser imparcial e ter como conduta o interesse nacional, dentro da legalidade constitucional. Foi o que fez Sampaio: ponderou e concluiu que, para bem da situação político-social do País, o melhor é que não hajam rupturas desnecessárias e que a coligação vá até ao fim do seu mandato para então os portugueses dizerem de sua justiça.
Com a saída de Ferro, ficou provado que o PS apenas via umas hipotéticas eleições antecipadas numa perspectiva de sobrevivência pessoal do seu líder e não num âmbito de interesse nacional...

Afixado por: Peixoto em julho 10, 2004 01:25 AM

Na verdade não concordo muito com o discurso da continuidade política. Mas, tal como referiu a VI, gostei de ler o teu post porque ele revela a capacidade de parar, pensar, descentrar das suas próprias opiniões e ter em conta outros pontos de vista.
Quanto à postura de Ferro Rodrigues, mesmo tendo em conta o que me dizem quem o conhece pessoalmente, que o caracterizam como uma pessoa correcta, não me parece que tenha feito um bom papel no PS. Não o reconheço como um político capaz de levar o PS a ocupar o espaço que é necessário que ocupe. Penso que isso foi por diversas vezes dito no meu blog.
Em relação a Sampaio, não me move o respeito pela figura do presidente. O presidente merece o respeito por aquilo que é e, neste caso concreto, Sampaio tem sabido ser um bom presidente. A situação não era fácil e fosse qual fosse a decisão que tomasse seria sempre acusado de ter errado. Custa é assistir a pessoas com responsabilidade política, que são tb responsáveis por serem incapazes de se apresentarem como alternativa credível, atirarem com acusações a Sampaios e fazerem birras de meninos mal educados.
Sobre o que se passou na blogosfera em torno desta crise, acho que começo a considerar perniciosa a forma como se têm vindo a extremar posições. Não há debate sério, há apenas provocações de parte a parte. Não se aprende nada, não se trocam pontos de vista, apenas se faz, para usar as tuas próprias palavras, a catarse dos diversos mal estar pessoais.
Abraço blogueiro
GIN

Afixado por: GIN em julho 10, 2004 02:08 AM

Finalmente!
Deambolei pela blogosfera e finalmente encontrei uma analise perfeita da situacao. Este post foi excelente!

Atila

Afixado por: Atilla em julho 10, 2004 02:12 AM

Os meus Sinceros parabéns!
Até agora,na Blogosfera,foi o único texto(sob a situação das não-eleições antecipadas) que li que se pode apelidar de correcto,bem educado,claro e totalmente lúcido(tb n "frequento" muitos blogs).
Subscrevo-o na totalidade.
1 abraço

Afixado por: pedro em julho 10, 2004 03:51 AM

De há uns dias a esta parte tenho andado numa ambivalência expectante. Por um lado a razão diz-me que a solução melhor seria a que acabou por ser adoptada pelo presidente. Por outro lado o coração dizia-me que não, não é justo nem ético que assim acontecesse, todos para eleições e quanto mais cedo melhor. Acabei a receber a decisão do presidente com um sabor amargo e a sensação de ter sido traída. Está a doer-me um bocado e vai custar-me um pouco o regresso ao ram-ram.
Parabéns pela sua análise.

Afixado por: Ardelua em julho 10, 2004 04:17 AM

Uma análise muito boa, sobretudo no que diz respeito à reflexão sobre o discurso do Presidente. Consegue fazer uma avaliação lúcida da situação, sem cair em maniqueísmos ridículos do tipo "a democracia está em perigo" ou "sucessão monárquica". Os portugueses não estão habituados a pensar que votam em partidos para eleger deputados na Assembleia da República que, por sua vez, formam (ou não) maiorias. Claro que a "cara" na qual se vota é importante e a atitude de Durão reprovável, mas o que aconteceria numa situação idêntica noutro país europeu com uma democracia plenamente estabelecida? Muito provavelmente o mesmo. Por estranho que possa parecer a alguns, a "externalidade positiva" de que fala fez-me soltar um suspiro de alívio...

Afixado por: Fernando em julho 10, 2004 05:34 AM

Vais me desculpar Rui, mas na minha modesta opinião este teu Post é a rendição aos traidores.
Espero que daqui a alguns anos não te arrependas sinceramente da imbecilidade que Sampaio fez hoje. Contra mim falo. Mas mais vale contra mim do que contra as filhas que tanto sacrifício tenho feito para criar.
Fica a minha sincera e já resfriada convicção.
Sampaio revelou o pior que a senelidade pode revelar. Em política não se beijam os inimigos.

Afixado por: LNT em julho 10, 2004 05:48 AM

Ainda mais Rui
O teu post é a antologia da demagogia mais perigosa que já vi noutros tempos. Só resultante de nunca teres sabido do que gente, como esta que Sampaio insiste em manter no poder, é capaz de fazer. Deus (sei que te diz algo) me permita o engano.
Para teu bem , caro Rui, ainda tenho esperança que o Presidente que já te vi tantas vezes criticar, enquanto eu o defendia, não esteja tão debilitado que consiga ter força suficiente para sair da cruz em que se está a crucificar.
Paz à sua alma.
Quem me dera poder emigrar, este país já não me interessa. Não tem remédio.

Afixado por: em julho 10, 2004 06:01 AM

Consequências directas:

Don Giorgio Coelhone, Padrinho da Ilha de Contensega, cuja capital é Mangualdini: «I´ll make him an offer he can´t refuse...»

Cliquem aqui, os Mangualdenses.

Os outros podem clicar aqui.

Afixado por: João Tilly em julho 10, 2004 09:37 AM

Parabéns, pela sua excelente análise.
Também votei sempre em Sampaio e não estou arrependida, foi um senhor de Estado.
Ninguém é dono de ninguém. As pessoas dos partidos, tanto à esquerda como à direita, não podem usar o voto do eleitor, como trunfo, de interesse exclusivamente pessoal como as reacções a quente parecem mostar.
Atenção, fui estudante trabalhadora, vivo num t2 continuo fiel aos meus ideais de justiça e de verdade. Estou reformada e trabalho num bairro desfavorecido a custo 0

Afixado por: em julho 10, 2004 10:44 AM

Li atentamente a sua opinião que tão bem sabe explanar. Relativamente à afirmação de Jorge Sampaio de que vai continuar a ser Presidente de todos os portugueses, se fosse a ele não teria tal certeza. É que quem nele votou viu através da sua decisão ruir todas as expectativas que construiu em redor da mesma e isso jamais lhe perdoarão. Não creio que o carinho dispensado e a popularidade que então gozava continue a ser a mesma, disso não tenho a mínima dúvida, fazendo com que termine o seu 2º. mandato da pior forma que um político possa desejar. Ele irá sofrer as
consequências de todos os actos que lesarem o povo que o elegeu, cometidos no decurso dos restantes 2 anos que faltam para se cumprir a legislatura.

Afixado por: congeminações em julho 10, 2004 11:09 AM

Acho que se fosse Mario Soares ali a decisão tinha sido outra......

Palavra de honra ?

Em muitos políticos isso é coisa que não existe.

Afixado por: Mário em julho 10, 2004 11:30 AM

Sampaio não tomou nenhuma decisão especial, limitou-se a fazer aquilo que fez há dois anos atrás. Nessa altura o PS RECUSOU O CONVITE PARA FORMAR GOVERNO. Porque é que a esquerda achava que agora teria que tomar uma decisão diferente?
A declaração de Ferro Rodrigues é uma vergonha, demonstra um republicanismo atávico, que acha que um presidente tem de estar, em primeiro lugar, ao serviço do partido que o apoiou.
O facto de termos um Primeiro.Ministro chamado Santana Lopes não augura nada de bom, mas pior seria termos Ferro nesse lugar.

Afixado por: Luís Bonifácio em julho 10, 2004 12:35 PM

Excelente post, Rui. Apesar de não concordar com algumas das opiniões, parece-me extremamente bem explanado e longe das loucuras que por aí se dizem e escrevem. Já ouvi de tudo, e das opiniões da esquerda democrática (nem vale a pena referir a outra, a de Louçã, Carvalhas e Ana Gomes, por exemplo), a sua é a mais acertada que li até agora. Parabéns

Afixado por: Nelson Santos em julho 10, 2004 01:06 PM

Caro Rui:
Discordo quando diz que foi uma decisão errada. Na minha opinião, se analisar a médio/longo prazo foi a melhor decisão que podia ter tomado. Aliás, como é possível querer eleições antecipadas, apenas para "tirar" do poder a actual maioria, sem reflectir sobre o que isso implicaria em termos futuros? Quer dizer, ficávamos todos contentes por a coligação deixar de ser Governo independentemente de isso significar colocar como PM Ferro Rodrigues, aliado ao BE ou ao PCP! Para más coligações já nos basta a actual!
No imediato a decisão do PR permite que, em caso de necessidade de eleições antecipadas, o PS tenha tempo para encontrar uma liderança capaz, que venha a surgir como uma verdadeira alternativa de poder. E se estas não se vierem a verificar, há toda a probabilidade de em 2006 o PS vir a conquistar uma maioria absoluta (caso se confirmem as "qualidades" que muitos apontam a Santana Lopes).

Afixado por: hugo em julho 10, 2004 02:50 PM

Os meus parebéns pelo seu artigo. Gosto da sua reflexão.

Eu sempre acreditei que esta seria a decisão de Sampaio. Simplesmente porque o acho fraco... incapaz de assumir a decisão, a acção.

Não acho no entanto justo o exercico final que propõe, ou seja, se Santana tomasse a decisão, a mesma que gostava que Sampaio tivesse tomado, já não era credivel?

No final gostava de adiantar um pensamento um pouco mais retorcido... e se Sampaio toma esta decisão antevendo a atitude de Ferro e assim resolvendo o "problema" do PS, ao mesmo tempo que "encrava" o PSD ao colocar Santana no Governo?

Elaborado demais talvez...

Afixado por: Tay em julho 10, 2004 03:05 PM

A decisão de Sampaio acabou por completo com as ilusões que tinha acerca dele. Já me tinha desiludido na questão dos touros de morte e nas suas frases infelizes durante a Presidência Aberto dedicada ao Ambiente. Este foi apenas o golpe final.
Mas, como diziam os antigos, o que não tem remédio, remediado está. Espero apenas que o muito trabalho que há pela frente para pôr o país em ordem não aumente ainda mais até 2006...

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em julho 10, 2004 03:58 PM

Lili Caneças a ministra da cultura, já!

Afixado por: mr em julho 10, 2004 06:05 PM

Em Portugal (segundo a Constituição), o PR não pode passar de um árbitro sem poder executivo.
Ora o presente árbitro errou clamorosamente num momento crucial da 'partida' a favor de uma equipa e quer agora passar os quinze minutos finais a controlar e a 'prejudicar' essa mesma equipa marcando faltas no meio-campo.
É um àrbitro sem categoria, que vai terminar a época no esquecimento !

Afixado por: Luis Filipe em julho 10, 2004 06:57 PM

Fico grato pelos comentários - como sempre - independentemente das suas direcções e sentidos, concordância ou não.

Um breve esclarecimento ao Tay:o que eu quiz dizer com aquele exemplo era tão só que duvido muitíssimo que confrontado com uma situação similar o presidente Santana tivesse coragem para não favorecer o seu partido convocando eleições antecipadas mesmo perante uma maioria parlamentar. Aliás, acho que muito poucos políticos teriam coragem para o fazer. Chamar fraco a Sampaio, neste momento, não me parece muito justo. Quanto ao resto mantenho tudo o que escrevi ontem à noite.

Afixado por: Rui MCB em julho 10, 2004 11:21 PM

Lamento discordar do artigo e da maior parte dos comentários.
O único que põe o dedo na ferida é o Luís Filipe.
É que o Presidente podia escolher entre duas decisões constitucionais, convidar o Santana ou marcar eleições. Mas o Presidente não fez uma nem outra.
Nomeou o Santana com poderes limitados arrogando-se o direito de se imiscuir no que o governo faz e até obrigar o governo a cumprir um dado programa.
Nada disto está previsto na Constituição.
No fundo o Presidente quer exorbitar os seus poderes. Isto lembra mas é um golpe de estado.

Afixado por: O Raio em julho 11, 2004 01:52 AM

Rui, depois desta crónica, o Marcelo que se cuide, como analista político estás-lhe a ganhar aos pontos!!!

Afixado por: NunoP em julho 11, 2004 11:18 AM

Quando vi a referência feita ao "Partido Liberal entretanto nascido da blogosfera", lembrei-me que já tinha visto um PL noutro lado...
Foi aqui: http://www.cidadevirtual.pt/liberal/PartidoLiberal.htm

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em julho 11, 2004 12:51 PM

Críticas ao Presidente

São completamente desadequadas as críticas a uma decisão legítima do Presidente, ao não dissolver o Parlamento, ainda que dela se possa discordar. São politicamente erradas e vão por um caminho pouco sensato. A demissão de Ferro Rodrigues não tem fundamento político, por ser incoerente, depois do PS ter andado a dizer que respeitaria a decisão do Presidente, qualquer que ela fosse. Faltou racionalidade. O resultado das Europeias não podia ser tomado como factor de peso para dissolver o Parlamento. O PS não pediu a demissão do primeiro-ministro e não seria agora o Presidente a fazer a revisão da história. Ao Presidente não lhe compete derrubar o Governo.

Demissão de Ferro Rodrigues

“Saiu a Sorte Grande ao PS”, é esta a forma como o Partido viu a saída de Ferro Rodrigues. Há silêncios ensurdecedores. O silêncio com que o PS em peso disse a Ferro Rodrigues que se está nas tintas para a sua demissão, é ensurdecedor. Não houve críticas ao anúncio da sua saída, não houve lamentos, não houve gente desgostosa nem gente feliz, não houve nada. Nem sequer os elogios da praxe, formais mas vazios, que estes momentos costumam impor. Só o Silêncio

Afixado por: Proveta em julho 11, 2004 02:56 PM

Ainda bem que há socialistas serenos e lúcidos, como o Rui. Parabens pela frontalidade e pela justeza da sua análise. Abaixo o unanimismo! Sobre a decisão de Sampaio e o "amuo" de Ferro, faço minhas as palavras do Proveta, que me antecedeu no comentário. Ferro, por mais honesto que seja, tem errado, e não conseguia sair do labirinto. Finalmente, abre-se o caminho para o futuro do PS. Larguemos as emoções do futebol,
é tempo de pôr o pés no chão.

Afixado por: Evaristo em julho 11, 2004 06:44 PM

É curioso como a esquerdita pretende falar e escrever em nome dos eleitores do PPD/PSD. Essa esquerdinha que nem segurar um líder no largo rato consegue, aliás estão no largo do rato porque fazendo jus ao nome sempre que há problemas são os primeiros a abandonar o barco.
Os esquerdotes achavam muito bem o cago para Vitorino, desdenham-no para o Zé Manel. Afinal têm o que queriam, o Zé Manel foi para a Europa deixando lugar a outro líder no seu partido.
Estavam à espera de quem?
Da Dra. Manuela? Do Dr. Mendes? Do Dr. Pereira não podia ser pois esse também vai assumir um cargo internacional.
Tenham juízo e arrumem bem a vossa casa, ou melhor, deixem-se continuar assim que assim ´~ao chegam a lado nenhum, o que é muito bom para o país.

Afixado por: PPD em julho 11, 2004 10:47 PM


No meio de toda esta polémica só não consigo entender como é que há gente que considera que a decisão de Jorge Sampaio denota alguma fraqueza.

A decisão seria inevitavelmente duramente criticada, de um lado ou de outro. Depois de extensos contactos o senhor Presidente limitou-se a ser coerente sobre o que sempre disse acerca de cenários de dissolução.

Ser coerente é, no meu entender, um acto de coragem.

Teria sido muito mais fácil agir em conformidade com aquilo que o partido de origem de Sampaio pretendia.

Estou, hoje, orgulhoso do meu presidente por ter sido capaz de decidir com imparcialidade.

Afixado por: Nuno em julho 12, 2004 05:39 AM

É bom ver que na esquerda há gente sã, capaz de evitar esterismos e birras e analizar as situações tentando colocar-se na situação das pessoas que tem de tomar decisões. Mais uma vez o PS demonstrou que não tem interesse na estabilidade do país. O PS existe exclusivamente para o seu próprio umbigo e tem ódio da democracia quando ela não o serve. Ferro Rodrigues e Ana Gomes são personagens sem as quais a democracia ficará privilegiada quando desaparecerem do mapa político. Quanto a Santana Lopes, Deus nos livre e guarde...

Afixado por: Irascível em julho 12, 2004 03:20 PM

"histerismos"! Vivo no Brasil há tempo demais...

Afixado por: Irascível em julho 12, 2004 03:22 PM

"histerias"! Vivo no Brasil há tempo demais...

Afixado por: Irascível em julho 12, 2004 03:23 PM

Não considero cobarde a decisão de Sampaio. Ter-lhe-ia sido muito mais fácil decidir o contrário, uma vez que toda a esquerda e alguma direita se manifestaram a favor de eleições antecipadas.
O Santana é um demagogo inculto e palerma, é verdade, mas às vezes há males que vêm por bem. Talvez esta decisão imunize de vez o país contra este tipo de gente.
Talvez não fosse má ideia a criação do cargo de Vice-Primeiro-Ministro que substituiria o PM em casos deste tipo. Todos saberiam à partida com o contavam.

Afixado por: Fernando em julho 13, 2004 05:58 PM
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