Se as aves raras que estão no ministério da Saúde acreditassem que os portugueses eram inteligentes alguma vez teriam promovido as manchetes do dia sobre as listas de espera?
A lista de espera de há dois anos está "quase a acabar". E a que se foi formando desde então há-de durar poucos meses, prometem. Mais oito ou nove no máximo. 150 mil esperavam em Abril (data da última contagem pública segundo o jornal Público), alguns, então, já esperavam há quase dois anos!
GLQL actualizada como: Se o denonesto soubesse a vantagem de ser honesto
Publicado por Rui em agosto 5, 2004 05:32 PM | TrackBackEspanta-me que nenhum órgão de informação tenha desmontado esta notícia.
O combate às listas de espera constitui um dos maiores fracassos do ministro, estando muito mediatizado.
LFP aproveita a época de férias para lançar esta mentira na tentativa que junto do grande ppúblico se transforme numa verdade.
Se associarmos vários factos:
1. - LFP, funcionário dos Mellos:
2. - Decisão de nomear o Tribunal Arbitral no caso das dívidas do Estado ao Amadora Sintra, quando havia pareceres do Tribunal de Contas e da Inspeção Geral de Finanças que dispensavam esta nomeação e findamentavam uma decisão favorável ao Estado.
3. - Casos de promiscuidade: NetSaúde, Novartis.
4. A falta de transparência sistemática dos dados da saúde: contas dos hospitais SA, Mortes por onda de calor (2003), número de doentes em lista de espera.
Leva-nos a duvidar sobre a bondade das políticas de LFP.
Mas o pior está ainda para acontecer se houver estabilidade do governo de Santana Lopes.
Num futuro próximo vão-se escrever vários bestsellers sobre a saúde.
Quer do lado do governo quer do lado de quem critica não parece haver muita inteligência. Atiram-se números à sorte: a lista dos 100, a lista dos 120, a lista dos 150, etc. Ainda não ouvi ninguém falar em Prazo Médio de Espera. Aí sim podíamos verificar se a medida está a ter sucesso.
Afixado por: Bruno em agosto 6, 2004 12:31 PMMas há uma diferença entre ter 125.000 pessoas com um Tempo Médio de Espera de 5,5 anos e ter agora as mesmas pessoas com um tempo médio de 1 ano e meio ou lá o que é.
Olha que mesmo o meu amigo médico bloquista me diz que 'pese embora os maus caminhos a coisa até funcionou'.
Um abraço
j.
Sim senhores, tempo médio, é isso mesmo. E é isso mesmo que não é indicado pelo Ministério. Apresentam o sucesso da anterior lista de espera e o "desejo" para actual (os tais oito ou nove meses).
Além do "desejo" gostava de conhecer já qual o tempo médio de espera da actual lista, até porque se bem me lembro já houve outros "desejos" para ela há uns anos.
Se por ventura o tempo de espera for o sugerido pelo JCD é muuuito mau sinal. Qual a rotação da lista de espera actual? Os mais de 150 mil representam o quê relativamente à totalidade dos que se inscreverem desde junho de 2002?
Esta falta de transparência faz-me crer, julgo que com razoabilidade, num grande engodo. Se as coisas estivessem de facto a correr bem porquê não sublinhar os números que ignoramos?
Bingo, caro JCD. Porque a nova lista terá no máximo dos máximos doentes que esperam há dois anos. A "antiga" lista tinha pessoas que esperaram cinco, seis e sete anos. Era aí que eu queria chegar: ainda não vi ninguém fazer esse racíocinio que o JCD e que no entanto me parece básico (mas a questão de ser básico pode ser defeito da minha formação que é de Gestão ao passo que este pais foi entregue a caros juristas).
Afixado por: Bruno em agosto 6, 2004 02:57 PM1. - As cirurgias têm graus de complexidade diferente.Por outro lado, a capacidade instalada varia de especialidade para especialidade.Há especialidades com capacidade de resposta razoável enquanto que noutras áreas a capacidade é deficitária. Esta capacidade também varia de região para região.
Uma coisa é fazer varises outra coisa é fazer transplantes renais.Uma coisa é operar num hospital com recursos outra é operar num hospital com dificuldades de instalações, equipamentos ou de recursos humanos(por exemplo anestesistas).
2. - É importante saber o número de doentes em programa (n.º de inscritos no SIGIC) e o tempo médio de intervenção por especialidade.
3. - Quando o ministro vem dizer que acabaram as listas de espera induz o público num erro: leva-os a entender que acabaram os doentes em espera cirúrgica e isto não é verdade.Nem é honesto.
O que ministro está a fazer é o balanço de um programa especial por ele desenvolvido para o combate às listas de espera, chamado PECLEC .
A contabilidade deste programa: Inicio: X n.º de doentes, operados: Y, num determinado intervalo de tempo, resultado: estão por operar Z nº de doentes.
Enquanto se desenvolvia este programa, ia-se, entretanto, constituindo outra lista de doentes em espera cirúrgica (por falta de capacidade de resposta do sistema).
4. - Para as coisas serem claras, o que o ministro deveria ter feito era dizer o número actual de doentes inscritos por especialidade (n.º de doentes em espera cirúrgica) e o tempo médio de espera previsto (seis meses).
5. - Ele não fez isto porque para cumprir este programa é necessário aumentar a capacidade de resposta dos hospitais (investimento).
Notas:
1. - A forma mais inteligente de discussão é quantificar os problemas, apresentar números. Há entidades especializadas no estudo destes problemas da saúde como OPSS, que estima que existem actualmente cerca de 170 00 doentes em espera.
2. - Ser médico e do Bloco de Esquerda não lhe dá nenhum crédito especial. Nem todos os Bloquistas são como o Francisco Louçã.
3. -É decepcionante verificar que a mentira já se tornou verdade.
Há que reconhecer ao ministro da saúde o mérito de conhecer o povo com quem lida.
4. - Os programas especiais de combate às listas de espera têm custos elevados. Basta dizer que a actividade é desenvolvida fora do horário normal de funcionamento dos serviços (pagamento de horas extraordinárias).
5. - Um ponto positivo: o inesgotável interesse pelas coisas da saúde e o grande empenho com que as pessoas se lançam na discussão destes problemas.