São vários os blogues (os seus autores) em sintonia. Falo de sintonias difusas, não organizadas e, particularmente, penso em sintonias raras vezes sublinhadas por não girarem em torno da política, de alguma causa ou de algum choque.
Lost in Translation (um filme) de que já aqui falei, traz-nos uma dessas sintonias que ameaça atingir o ponto de popularidade que levará a ser "bem" gostar do filme. Esta é uma consequência caricata, mas há muito inscritas nos genes, que atinge todos os fenómenos de sedução que assumam um determinado patamar de popularidade.
A partir de certo momento o importante parecer ser o demonstrar de que se gosta e não o satisfazer a curiosidade do porque se gosta ou do porque gostam. Contentamo-nos com uma simulação da sensação de pertença e não com a coisa a sério. Em última análise a ilusão da maravilha descoberta poderá fazer esquecer a dita.
Estas reacções às sintonias são sempre um pouco perturbantes, não as encontro apenas em relação a filmes e não trazem sempre a garantia de uma elite iniciadora que sabe prezar a honestidade e que apenas promove o que preza.
Em certas circunstâncias, somos terrivelmente enganados pelos que colocámos em pedestais oferecendo-lhes a nossa muito vulnerável credulidade.
Falo num "nós" e penso nos portugueses. Se fizer algum sentido falarmos dos portugueses diria que um dos nossos maiores e mais recalcados defeitos é o da credulidade. Acreditamos demasiado depressa e desacreditamos com igual facilidade. E entre estes extremos tendemos a dizer mal da vida, do triste fado.
Falta-nos demasiadas vezes cultivar o respeito por nós próprios, olhar para dentro, para um fado mais antigo e universal. Quanto mais procuramos o que "está mal", o que resolver e como emendar, vasculhando exemplos no estrangeiro, em algum suposto bom aluno, mais deviamos ir perdendo as dúvidas que o nosso principal obstáculo está dentro de nós. Ora aqui está um discurso também já demasiado banalizado!
Lost in Translation...
Talvez até venha a surgir o típico movimento oposto, dos que se demarcam para assim também estarem na onda, talvez alguém venha aqui com brios elitistas degradar a qualidade do "produto" em virtude da banalização da crítica laudatória. Talvez tenhamos mil pretextos para esquecer o essencial.
Teremos seguramente oportunidade de ganhar com o exercício de fechar os olhos, ignorar a algazarra eufórica da partilha superficial e (re)ver o filme. Olhar para ele, perceber porque na sua simplicidade nos toca tão intimamente. Uma pequena ajuda para recuperarmos o sentido da nossa humanidade.
Porque nada se perde.
A imagem foi descoberta n'A Praia. Um blogue onde esta semana encontro por lá outras sintonias.
É pena o Ter Voz estar no limbo, talvez eles podessem melhor esclarecer isto.
Pelo que eu percebi até agora nada mais me resta do que tomar um anti-ácido (com o Paulo já somos dois só hoje) e concordar com o João Miranda:
Soares tem razão. Agora que o líder do PS faz demagogia securitária, o espírito de Abril está mesmo na lama.
Adenda II: Confesso que fui à procura da luz. Porque raio decidiu a concelhia do PS atirar-nos à cara este cartaz, recorrendo exactamente ao mesmo nível de intervenção política que Pedro Santana Lopes nos habituou?
Ainda que não tenha encontrado justificação para a evidente demagogia formal da intervenção da Concelhia do PS de Lisboa, prontamente apoiada pelo Secretário Geral, esta apresenta argumentos um pouco mais dignos no Forum Cidade. Contudo, a imagem que fica não é de todo a que transpira das palavras mais racionais publicadas no blogue, mas antes a de uma incómoda semelhança com o que Santana Lopes tem de pior. E já agora, provar ou não o agravamento da criminalidade violenta é quase o que menos interessa e leva tipicamente a um ror de manipulações e altercações balofas entre partidários. Se há sugestões de acção cuja execução se insira nas competências da Câmara e leve à diminuição do problema invista-se por aí. O que leio, salvo uma referêcnia a "o reforço de verbas na área social", é a defesa de mais esquadras e isto soa-me mais a paleativo do que a profilaxia.
Adenda I: contributo para definir o que era/é o espírito de Abril:
Paz, Pão,
Povo e Liberdade
Todos sempre unidos
No caminho da verdade
(...)
Canta Povo canta
Por um Portugal em paz
Por uma democracia
P'lo nascer de um novo dia
(...)
Canta Povo canta
Trabalhando pelo pão
Com toda a tua vontade
Tu ganhaste a liberdade
(...)
Tens a liberdade
Dá a mão ao teu irmão
Pelo bem da nossa gente
Construindo sempre em frente
(...)
Nós vamos fazer um país
mão na mão há-de nascer vontade
assim vamos todos cantar povo
cantar paz, cantar pão, liberdade
(...)
Desencanto e desilusão
se quisermos vamos por-lhes fim
Às vezes é preciso dizer não
Agora é urgente dizer sim
(...)
Excertos do Hino do PSD e da JSD que podem ser encontrados na versão integral aqui.
Hoje, com a calma que falta durante a semana, enquanto aguardo pela excessiva chuva que se preve para o Sábado, quedei-me alguns longos minutos pela Rua da Judiaria.
Deambulei um pouco pela blogoesfera e demorei-me por ali como se me assegurasse de ter encontrado um bom refúgio para algum momento de temporal.
É bonito, tem tutano para vários gostos e inspira serenidade. As minhas costelas judaicas ouvem com respeito e admiração o rabino.
Como se valesse de alguma coisa, apregou que podia muito bem ser o melhor blogue de Janeiro.
Just for the record: fora da Blogoesfera este é o comentador político em melhor forma no momento. No momento e há já muito tempo. É sempre um gosto ouvi-lo, por exemplo na Sic Notícias.
Agora mais a sério:
Tenho lido e lendo tenho reparado que é muito raro gostar do estilo e mesmo de boa parte do conteúdo do que escreve Mark Kirkby no Pais Relativo, mas desta vez tenho que dizer que assinaria de bom grado este texto.
Como já aqui disse em tempos, entre os meus amigos, foram os eleitores do PSD os primeiros a sentirem-se defraudados com o que se passou no dia a seguir às eleições e nos meses imediatamente subsequentes com as sucessivas e espectaculares quebras de compromisso eleitorais e revelação das agendas ocultas. As diferentes expectativas deles e as minhas em boa parte explicaram a rapidez da sua desilusão… Numa perspectiva muito pessoal há pouco tempo esgotei toda a reserva intelectual que fui sustentando em relação a este governo. Foi neste entretanto que o elenco que o Mark hoje apresenta foi nascendo, ganhando mais foros de uma acção concertada do que da inicial solução de emergência com que as medidas foram sendo apresentadas. Bem vistas as coisas nada de muito surpreendente se passou, as condições eram propícias a mexidas profundas em várias áreas. O que não era claro – tenho o defeito/qualidade de renovar periodicamente a crença na boa fé das pessoas – eram as intenções que a médio prazo se reflectiriam nas medidas. Reformar o “país”, agilizar e requalificar a função pública, valorizar o papel do Estado pondo em pé de igualdade os desígnios Menor Estado e Melhor Estado? Claramente o objectivo Melhor Estado há muito que deixou de ser credível, fruto da obsessão do défice, da prioridade com preocupações em alargar a possibilidade de politização dos cargos intermédios da função pública, da incapacidade em compreender que a tarefa exigida é incompatível (ou incomportavelmente dispendiosa em termos sociais e veremos se eleitorais), com o desfasamento entre o chicote e a cenoura. Por exemplo, entre a redução de poder dos trabalhadores e a capacidade de integração de profissionais qualificados e motivados. O rumo começou a ser percebido com a lei da rolha nas contratações (e renovações de contratos a termo) na função pública e com a sua perenidade teórica volvidos que são quase dois anos de governo.
Ser democrata não é negar o direito ao exercício do poder recebido em eleições logo no dia seguinte às mesmas. Em boa parte, o trabalho subsequente, mais do que de defesa do programa eleitoral que saiu derrotado deverá passar pela denúncia dos desvios aos compromissos assumidos pelos que venceram, sempre que isso aconteça. O partido da oposição deverá avaliar se é razoável reconsiderar o programa que viu ser derrotado, deverá avaliar princípios, estimular o debate interno e externo por forma a encarar uma reforma do que defendia ou a sustentação do que não conseguiu fazer vingar nas eleições que perdeu. Saltar para uma crítica a toda a linha ao mais pequeno suspiro do Governo é tão contraproducente e disparatado quanto sustentar a irresponsabilização do poder executivo sobre problemas correntes ou decisões estratégicas quando são já volvidos dois anos de exercício em maioria absoluta.
Hoje não é tempo para recatos da oposição nem para descilpas de mau governante por parte do executivo. Estamos no tempo certo, a quase dois anos do início da legislatura e clarificado que está o que se pode esperar deste governo avaliando a sua acção até aqu, cabe à oposição ter feito o trabalho de casa e começar a preparar a alternativa, afincadamente.
Há que dizer que não como faz o Mark e complementá-lo com as contrapropostas (procurando ainda contributos ) mas exigindo desde já que se respeite o país. Entre o tempo de dizer já basta – que é este – e o tempo de mostrar o que aprendemos e propomos ao país deverão ir poucos instantes. Esperemos que o PS esteja à altura para tanto e os eleitores receptivos e esperançados na mudança.
O Paulo verbalizou aquilo por que todos esperavam há largos meses: a sociedade civil começa já a organizar-se para lançar o nome de Guilherme Silva para as Presidênciais de 2006. Mas não apenas de Guilherme Silva...
Analisemos ainda a candidatura de Guilherme Silva para logo de seguida considerarmos o duelo que se adivinha.
As razões ponderosas e poderosas estão todas lá, no muito preciso texto do nosso spin doctor: integridade, capacidade de liderança, anos e anos de provas dadas ao serviço da Região Autónoma da Madeira e do Continente.
Depois de os Açores, na figura de Mota Amaral, terem alcançado o segundo lugar mais elevado da hierarquia do Estado ao presidir à Assembleia da República (o mais próximo que temos de um vice-presidente) é agora a vez de se chegar mais longe, de se reforçar a integridade nacional como defendem elementos activos da sociedade civil que organizam a candidatura de Guilherme Silva.
Por razões mais que evidentes, esta corrida deveria ser protagonizada por Alberto João Jardim mas, por razões ainda mais evidentes, tal não é possível: falta-lhe a constância irrepreensível alheia a excessos tão inata em Guilherme Silva. Por outro lado, Alberto João Jardim é absolutamente indispensável na Madeira sob pena de desencadear cataclismos de diversas naturezas que não interessa aqui explorar.
Dito isto, resta verbalizar um outro anseio que estranhamente tarda em assumir letra de forma. Há largos meses, pouco depois dos primeiros passos no sentido do lançamento da candidatura de Guilherme Silva, a oposição começou a preparar um adversário à altura.
Aquilo que Guilherme Silva tem em tarimba política, o candidato da oposição compensa com uma ascensão fulgurante na cena mediática particularmente notada nas últimas semanas com o incremento de exposição televisiva. Continental, com provas dadas no combate ao eterno padrinho de Guilherme Silva - uma vertente que a oposição explorará amiúde durante a campanha -, José Manuel Fernandes é o candidato natural da oposição.
Como diria o Paulo, acresce que, do ponto de vista de Ferro Rodrigues , há muito mais a ganhar com uma figura ligada aos media, entidades avalizadoras, para boa parte da população, da própria integridade ética e comportamental dos lideres socialistas do que com Guterres que, quando muito, mais não fará do que representar o papel de Cavaco na primeira vitória de Sampaio para a presidência. José Manuel Fernandes detém igualmente uma larga experiência de liderança, dispõe de um púlpito tão ou mais notório do que Guilherme Silva e nada deve invejar em coerência, integridade argumentativa e capacidade evangelizadora àquele que será, seguramente, o candidato com que disputará a segunda volta das presidenciais daqui a pouco mais de dois anos.
Um conterrâneo benquerido passou por aqui e deixou-me os contactos que faltavam para poder promover condignamente a festa que se avizinha ali bem perto da raia de Espanha para o próximo Verão. Música! Ora espreitem lá a lista de bandas que se apresentarão entre 23 e 25 de Julho de 2004 na Benquerença.
Organização: CASM - Clube dos Amigos da Serra da Malcata
Iniciativa apoida pela Junta de Freguesia de Benquerença e Câmara Municipal de Penamacor
Em 2002, a despesa das Administrações Públicas ascendeu a 898 milhões de euros em acções de defesa do ambiente (menos 3% do que em 2001), o que representou 0,69% do Produto Interno Bruto (0,71% no ano anterior).
In www.ine.pt
O Blo.gs já reconhece o Adufe outra vez...
Não percam o editorial de hoje do JMF no Público. Uma dialéctica muito interessante sobre o erro e o engano. Seguindo aquela lógica nunca mais cometerei erros na vida, na pior da hipóteses, serei sempre enganado por outros. Por tipos como o JMF do editorial de ontem no mesmo jornal!
Hoje está um sol lindíssimo em Lisboa! Por cima das nuvens.
O Blo.gs parece que resolveu ostracizar pontualmente o Adufe, diz que:
Couldn't resolve host 'adufe.weblog.com.pt'.
Fica o Adufe ao postigo, entreaberto no weblog.com.pt e na mailing list deste blogue.
Sob o signo do T (não confundir com T Club) alguns dos amigos do Ter Voz assinam a título pessoal um novo blogue: Tugir. Ainda em testes mas a prometer entrar em velocidade de cruzeiro lá para Fevereiro/Março.
Lá se vai a minha oferta de colaboração no Público, querem ver?
Espantam-me as crescentes semelhanças de método e de conteúdo que noto entre José Manuel Fernandes (JMF) e Luis Delgado. O director do Público (JMF) andará em alguma competição com Luis Delgado julgada frente a um eventual "espelho meu"? Assim parece...
Ah! As reticências...
Ora leia lá o Editorial de JMF, caro leitor, ontem (28 de Janeiro de 2004). Leu? E então? Será que só eu senti um jeito de Luis Delgado? A frase final rematada com as tais reticências é de uma desonestidade chocante num jornal que se dá ao respeito e respeita os leitores.
Podia terminar por aqui mas permito-me mais um pouco de chuva sobre o lago.
O director do Público pode gostar que se aumentem as propinas, eu até posso gostar que se aumentem as propinas (em termos!), agora estabelecer paralelos entre a lei inglesa que Blair conseguiu fazer aprovar ontem e a portuguesa é já bastante desonesto. Mas há pior... Bem pior é comparar o nível de preços das propinas dos dois países da forma simplista adoptada por JMF.
Insinuar que por cá ficamos muito aquém do sacrifício que é exigido aos ingleses é ofensivo. Ofensivo da nossa inteligência, entenda-se.
O director do Público sabe, e eu sei que ele sabe, que preços não são estritamente comparáveis, nem mesmo entre dois países que possuam a mesma moeda.
É necessário corrigir das diferenças do poder de compra, algo que é aproximado por um instrumento económico aferido em todos os países: as paridades de poder de compra*.
A desonestidade de José Manuel Fernandes reside precisamente nas más contas. Não fez as que se impõem para não ficar a comparar alhos com bugalhos.
A propina hoje é no Reino Unido de 1600 € diz o director do Público, o dobro da nossa propina máxima, acrescenta. Mas nada diz quanto a outros factores que nos permitam enquadrar a comparação. Quanto ganha um pai de um estudante britâncio? Ou um trabalhador-estudante? E quanto custa um Ford Focus 1.6 zetec cá e no Reino Unido? E um bilhete de cinema? E uma carcaça?
O nível da fonte de rendimentos médios tem um diferencial da mesma ordem de grandeza que separa o valor das propinas nos dois países? E os preços do cabaz de compras de uma família média britânica face a uma portuguesa também?
José Manuel Fernandes não fez as contas. Converteu libras em escudos - a tão intuitiva "moeda antiga" - mas não se deu ao trabalho de comparar o comparável.
Não lhe dou o benefício da dúvida porque tenho-o como jornalista inteligente e experimentado. Já o provou por diversas vezes, mesmo em calculatória. Resta-me então acusa-lo de desonestidade intelectual.
O que sabemos é que há por lá, no texto, umas reticências e algumas frases bombásticas que embrulham o jornal numa triste bandeira de demagogia.
"(...)Apesar de ir bastante à frente de Portugal - na tradição de qualidade, na organização, também na forma como subsidia as suas universidades -, o Reino Unido tem ainda um longo caminho a percorrer, em especial no que respeita à autonomia das suas instituições e à possibilidade destas escolherem os seus estudantes (lutando pelos melhores) sem interferência do Estado, sem sistemas de quotas e sem qualquer comando centralizado. Mas com a medida ontem aprovada vai na direcção certa - e está a discutir, em moeda antiga, propinas de 900 contos ano, cinco vezes mais do que a nossa vilipendiada propina máxima... " texto em itálico da autoria de José Manuel Fernandes publicado in Público
* Adenda: Notem que estou a dar de barato que os "produtos" - ensino superior público - são em si comparáveis o que é já uma hipótese demaiado forte.
In the jungle, the mighty jungle
The lion sleeps tonight
In the jungle, the mighty jungle
The lion sleeps tonight
(Chorus)
Imbube
Ingonyama ifile [The lion's in peace]
Ingonyama ilele [The lion sleeps]
Thula [Hush]
Near the village, the peaceful village
The lion sleeps tonight
Near the village, the peaceful village
The lion sleeps tonight
(Continua - fonte no final)
(Chorus)
Ingonyama ilele [The lion sleeps]
Hush, my darling, don't fear, my darling
The lion sleeps tonight
Hush, my darling, don't fear, my darling
The lion sleeps tonight
He, ha helelemama [He, ha helelemama]
Ohi'mbube [lion]
(Chorus)
Ixesha lifikile [Time has come]
Lala [Sleep]
Lala kahle [Sleep well]
Near the village, the peaceful village
The lion sleeps tonight
Near the village, the peaceful village
The lion sleeps tonight
(Chorus)
My little darling
Don't fear, my little darling
My little darling
Don't fear, my little darling
Ingonyama ilele [The lion sleeps]
Música popular Africana. Letra retirada daqui. A versão que tenho na memória é a de Brian ENo, em Agosto de 1975.
Estranho a ausência de comentários do nosso Spin Doctor às declarações de Miguel Cadilhe feitas nas Cortes a convite da casa museu João Soares.
Miguel Cadilhe falou como poderia ter falado um cadidato a presidente do PSD ou talvez como poderia ter falado um Senador....
Talvez os ecos não tenham chegado à Bélgica.
Adenda: Segue-se a recomendação do Paulo; tudo o que há para dizer sobre o assunto está muito bem dito na grande queijaria. Citando:
"(...)Entretanto, depois de Carrapatoso, já há algum tempo, no DN,e Cavaco doucement , é agora Cadilhe que, tendo trabalho e serviço na API para mostrar, apesar de todas as campanhas ignóbeis nomeadamente das bandas do Semanário, vem dizer que estando solidário com o Governo, não é este o seu Governo. Em suma, e no interior do PSD, começam a ser dados metodicamente todos os passos para acabar com aquilo que Pacheco designaria por masturbação da incompetência e irresponsabilidade. (...)"
É proibido. Não fica bem. É uma falha de segurança gravíssima. Vai contra as regras mas alguém abriu a porta e... O que é certo é que uma estudante de dança Israelita acabou de entrar pela sala dentro e tentou vender as telas de colegas seus...
Na sala há uma fotomontagem onde uma pequena criança está a mijar para cima do capacete de um militar enquanto este aponta a sua metralhadora. Ficamos a saber que a farda do soldado é israelita...
Ah! Algumas das telas eram pinturas surrealistas como é natural.
Conhecer ou não conhecer alguém através da net? Porquê? Para quê?
O que é esse conhecer afinal?
Pode ser muita coisa. Cada um terá as suas experiências...
Deixo-vos um excerto da reflexão da Cláudia em jeito de teaser. O excerto é de um único texto mas eu recomendo vivamente também este outro sobre Sexo na Cidade.
" (...) It’s always fun to know other people, especially if they share the same interests; the internet provides a wider audience for meeting new people of any nationality, race and creed; and I’m not questioning the social software suitability for the maintenance of close social bonds but, to be honest, I wouldn’t call the people I’ve met through the internet “friends”. They are just internet acquaintances. Some are really interesting and I’m happy to have found them, but there’s no real significant attachment. I’m just concerned about the decreasing ability of people to socialize “normally”; the building of relationships seems more and more difficult. Maybe we need a cultural shift on the relationship building dynamics. The offline social capital and civic engagement are probably not that easily replaceable by software. And not half as fun, I must say :-) (...)"
In O Mundo de Cláudia
O weblog.com.pt está em franco crescimento, talvez mesmo toda a blogoesfera portuguesa.
Digo-o olhando para as estatísticas do serviço onde a generalidade dos blogues do top 25 registaram no último mês um número de visitas, em dias sucessivos, nunca vistas.
Por aqui, além da onda que tem apanhado também o Adufe, noto com particular interesse o dinamismo no crescimento da Mailing List da casa.
Após alguns meses em que ninguém se inscreveu, surgem em duas semanas mais sete novos leitores interessados em saber quando o Adufe é actualizado. São leitores diferentes. Tentarei dar mais atenção aos avisos, que não são automáticos e por vezes ficam por enviar, e tentarei também manter a hospitalidade sem que me pese algum tipo de responsabilidade demasiado castradora.
Acrescento ainda, em jeito de explicação, que quem quiser inscrever-se terá apenas de escrever o seu e-mail na caixa ali da coluna da direita reservada para esse efeito. Passará a receber um aviso com o título do novo texto no Adufe e, por vezes, um breve resumo do texto.
Caso desejem ser removidos da lista usem e abusem do e-mail de serviço do Adufe que garanto tratar do assunto assim que ler a caixa de correio.
Como diz o outro:
Grato pela sua preferência.
E gostei de dançar à chuva depois do filme, com o meu amor, pelas ruas desertas de Lisboa.

Gostei do livro de estilo de Sofia Coppola no seu último filme, ao nível do da BBC...
Gostei da perninha que o Herman José fez em Lost in Translation (o tal filme da Sofia) ao representar um muito original Talk Show Host nipónico.
Gostei do som, dos silêncios, da provocação opressiva que é a cidade de Tóquio que nos foi mostrada.
Gostei da privacidade que o autor concedeu às personagens, um campo onde a realidade é cada vez mais ficção.
Belíssima comédia. Nada de novo na mensagem... ou melhor, não teria nada de novo não concorresse a forma para o conteúdo. Como te hei-de dizer que te amo?
As good as it get's!
O JMF anda para aí a gabar-se do computador dele ter bloqueado um mail do ICEP que poderia muito bem trazer uma eventual oferta de emprego. Pois aqui o je recebeu mensagens do mail pessoal do JMF - o outro, o do Público! - do Público-Online, do Expresso (não digo de quem) e d'A Capital (também é segredo).
Tudo num único dia!!!
A todos peço que mandem outra mensagem, desta vez sem virus, com a respectiva proposta, ou então, podem sempre telefonar, mandar fax ou pombo correio que a malta aqui também é toda ouvidos (e orelhas).
Assunto das mensagens:
JMF: Hi!
Publico On-Line: Test
Expresso: Mail Delivery System
A Capital: test (notem a minúscula)
Entre muitos outros...
As melhoras!
Já há uns meses que não se via um infecção tão generalizada na internet... Moral da história: quando mandas uma carta ao director de um jornal deves esperar o inesperado.
Os resultados do Inquérito ao Investimento de Outubro de 2003 revelam que ocorreu um agravamento das intenções de investimento do primeiro para o segundo semestre desse ano. As estimativas apontam para que em 2003 tenha ocorrido uma quebra do valor da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial de 21,6%, uma taxa que representa uma significativa revisão negativa face aos resultados do Inquérito de Abril/Julho do mesmo ano (-13,4%). A primeira previsão para a evolução do investimento das empresas no ano de 2004 aponta para uma recuperação desta variável, dada a taxa de variação prevista, na ordem dos 1,4%. in INE
O que está a falhar nas inspecções de veículos?
Este fim de semana disseram-nos que poderá andar mais de um milhão de veículos com inspecções obrigatórias feitas mas indevidamente aprovadas.
Disseram-nos que o elo mais fraco são os inspectores por estes serem trabalhadores como os outros. Ou seja, por poderem ser trabalhadores a prazo, com contratos precários e/ou cada vez mais facilmente dispensáveis graças às maiores facilidades de despedimentos presentes no novo código de trabalho. Pessoal mal formado e/ou mal alimentado, gerido por patrões que lhes impõem o crime como condição de emprego (espero que seja crime!).
Mas são o elo mais fraco do quê? Dos interesses em jogo, evidentemente.
O interesse do cliente, particularmente quando é dono de uma grande frota de veículos comerciais (ligeiros ou pesados) que escolhem o centro de inspecções, não de acordo com o preço, que é fixo, mas de acordo com a maior ou menor probabilidade de um mesmo veículo ser aprovado ou reprovado na inspecção. E o interesse do dono do centro.
O dono do centro de inspecção deveria agir no respeito do alvará do Estado. Deveria prestar serviços ao Estado cumprindo as suas obrigações... Mas o dono do centro de inspecção não é do Estado, é um privado com privados interesses que, não podendo fixar preços, continua a ter preocupações de viabilidade financeira do seu centro, continua a ter de pagar maquinarias e trabalhadores, continua a querer o seu lucro, a sua remuneração do risco em que incorre e do investimento feito. Acresce que o dono do centro é por vezes (aparentemente muitas vezes) alguém com uma muito privada concepção de direitos e deveres cívicos.
Todo o edifício se desmorona, já pela segunda vez com repercussões públicas - sim a notícia não é nova se tiverem memória...
O que fazer?
Inspeccionar mais os centros de inspecção?
Interiorizar no aparelho do Estado a fiscalização dos veículos?
Como disse a notícia não é nova e as medidas anteriormente tomadas (que levaram a alguma concentração dos centros de inspecção) não parecem ter garantido os resultados desejados.
Tudo isto era tão previsível quando surgiram pela primeira vez os centros de inspecção técnica de veículos... A iniciativa privada, particularmente em situações de mitigação das regras de mercado - que julgo serem incontornáveis neste caso - tende a produzir estes efeitos se não for regulada. O equilíbrio exige uma intervenção activa e permanente do Estado, uma ideia que tantas vezes é iludida pela "privatização" de serviços.
A continuar a ser este o cenário mais previsível sempre que o Estado delega o provimento de bens públicos na iniciativa privada, saberemos que privatizar será também sempre um grave erro. A pior solução.
Neste caso de consequências criminosas. Como noutros.
Sempre detestei carpideiras. São a última ofensa possível à memória de qualquer morto. Saibamos exigir respeito e preservar a serenidade possível neste luto colectivo. Escolhamos as palmas ou o silêncio mas nada mais do que isso.
Ponto final. Nova página.
Sobre "contabilidade analítica", ver o excelente artigo de Paulo Gorjão (Post 236)
Só estava à espera de um artigo em português do Paulo para fazer isto... Um post à la Bloguítica! :-) Que é também um modesto contributo para se mudar de assunto...
Até ao final do dia continuo a recolher opiniões sobre as duas hipóteses para a Bloga!? Digam de vossa justiça (ler este texto).
Entretanto, mesmo com este precalço, temos novos blogólicos confessos com "gritos lancinantes" à espera da nova Bloga!? para libertarem as suas angústias :-)
A morte em directo.
A morte dá sempre em directo.
É essa a oferta que a vida lhe faz.
Sempre.
A outro nome:
MIKLOS FEHER
Pensar, prever, esperar o inesperado. Tudo isto parece distante da poesia. Talvez contrário ao fado...
Não é preciso muito, não é preciso vivermos na obsessão planificadora da nossa vida...
Poderemos viver a vida como se todos os dias fossem o último?
Carpe diem não é bem isso.
O meu dia é hoje também uma perspectiva de amanhã. É alegre pelo minuto que vivo e pelo que ainda quero viver. É triste quando penso que um deles será o último; quando vejo aqueles que amo deixarem de ter tempo.
Pelo que sei hoje é bom que continue a ser assim, que seja sempre assim até ao fim. É bom que não me fuja essa tristeza!
Fazer uma conta, perspectivar uma despesa, projectar uma obra, seduzir alguém, tentar alcançar um sonho, acomodar um filho, tentar ser um pouco mais do que um homem de mãos nuas, ao frio...
Há momentos em que não tenho dúvidas sobre o que faço aqui. São apenas breves instantes que me valem pelas longas horas de angústia e incerteza. Momentos de paz onde nada é sinistro.
Sinistro... Sinistro pode ser não ter uma ambulância num estádio de futebol durante um jogo. Comer o lombo mas não conseguir chupar o crânio. Ter mão para abrir com violência uma lata de comida para o bichano e não ter "estômago" para ajudar um velho mais ou menos sujo que acabou de cair na calçada branca e aí jaz sangrando.
Sinistro é ver-me a fazer poses, sentir-me esquivo, fugindo de um abismo quando mergulho nele, a pique, julgando que voo.
Sinistro é não querer voar ou querer fazê-lo sem pensar em combustível.
O meu dia é hoje também uma perspectiva de amanhã. É alegre pelo minuto que vivo e pelo que ainda quero viver.
Pensar, prever, esperar o inesperado. Tudo isto parece distante da poesia. Talvez contrário ao fado...
Como frisa o Terras do Nunca, a questão dos direitos de autor é pouco atraente, particularmente na blogoesfera. A verdade é que, conhecendo um pouco melhor a legislação em vigor, temos de concluir que muito poucos proprietários de blogues não terão telhados de vidro.
(Adenda: ler também o Contra Factos que citando o NYTimes nos alerta para os riscos que poderão advir de um edifício legislativo demasiado protector e restritivo no campo dos direitos de autor.
Seria interessante não só reflectir sobre o que fazemos, como fazemos, e as suas consequências, mas também pôr alguns dos autores a pensar se não haverá algo a ganhar na sindicância que os blogues (muito pouco orientados para o lucro) fazem da sua obra. Um jornal como o Público teria mais a ganhar ou a perder em processar um blogue (poderia ser o Adufe!) por este promover/criticar/por vezes republicar algum do seu material?
No fundo a questão passa por perceber se o blogue rouba leitores ao autor. Mas esta é uma discussão económica, mais do que de direitos de propriedade. Aí, não há dúvidas, deverá ser o autor a poder decidir se quer ou não ser sindicado.
Como lembra o João do Terras do Nunca perguntar-lhes não custa (muito) e se a resposta demora talvez possamos admitir um consentimento.
Na Blogoesfera julgo que podemos ao menos reconhecer que há um sentido ético no que diz respeito à citação das fontes (salvo raríssimas excepções). Talvez venha a ser tempo de comecçarmos a pedir licença directamente e talvez seja também tempo dos media nacionais saberem que posição preferem assumir perante os blogues. Para já vai-nos servindo a todos a omissão (militante ?) de uns e outros.
Além de recomendar vivamente a leitura do texto de opinião do Terras do Nunca sobre a questão dos direitos de autor e o seu respeito/desrespeito na blogoesfera sublinho aqui uma dica que o João deixa e que vai passar a figurar na lista de favoritos do Adufe: o Gabinete do Direito de Autor.
Adenda: ler também o Contra Factos.
Reproduzo a mensagem que o Paulo Querido me enviou há pouco.
Eu voto por uma Bloga?! 2.0 mas gostava da vossa opinião... Usem a caixa de comentários.
Mensagem do Paulo:
Houston, we have a problem... :(
os backups da base de dados para trás de dia 23 foram apagados, o disco anda demasiado carregado.
isto significa que não é possível (lamento... lamento mesmo) recuperar o blog assim, a partir da base de dados.
A única forma de o recuperar é criá-lo de novo e depois os posts antigos serem re-introduzidos na base de dados um por um, copiando e colando os textos a partir das páginas do blog (essas continuam no ar).
Já os comentários... foram-se sem hipótese de recuperar :(((
Acredita que lamento mesmo o sucedido. Houve alguns problemas nos últimos dias, o disco está pelos cabelos e procedi a limpezas a fim de aguentar a coisa até à semana que vem, em que vou fazer um upgrade à máquina.
É triste para mim. Muito triste. Gostava do Bloga, acho o conceito giro e fico lixado por não o poder recuperar a partir dos backups.
Enfim, é recuperável mas com muito trabalho de copy+past. Eu do meu lado posso fazer o possível: criar de novo o blog e tentar dar uma mão no que puder.
Vamos a isto?
Outra hipótese, lembrei-me agora, é... criar um novo Bloga, explicar o que aconteceu e em vez de copiar tudo à mão pura e simplesmente fazer uma espécie de versão 2.0 e ter a versão 1 noutro endereço, por exemplo http://antigobloga.weblog.com.pt. Isso manteria o projecto, ficava com o arquivo histórico na mesma (excepto os comentários... ) e dava menos trabalho do vosso lado.
Os templates terão de ser mais ou menos reconstruídos, mas a style-sheet é recuperável.
Diz-me o que acharem melhor.
Um abraço.... sentido.
O texto do João (jornalista) do Terras do Nunca O cão a seu dono voltou a reavivar uma preocupação que me gera algum desconforto. Eis a dúvida:
Imaginemos que o João escrevia um artigo de opinião no jornal. Eu criticava-o com um texteco no blogue e de seguida mandava o artigo original a que tinha acedido gratuitamente na net para anexo.
O artigo vale por si como uma peça (com direitos de autor integrais) ou é apenas uma citação do jornal?
E se em vez de ser um artigo do João-jornalista-do-jornal fosse de um outro João-opinativo?
E, finalmente, voltando ao João-jornalista: se em vez de um artigo de opinião fosse uma notícia assinada?
Sou tentado a pensar que no segundo caso poderei vir a ser alvo de procedimento judicial com sério risco de perder a causa mas nos outros não sei que pensar...
E agora para comemorar o acontecimento (ver texto em baixo) vou limpar a casa... a 2:
A revista Única do Expresso através da Gente fez hoje uma referência à iniciativa do António Colaço e da sua Ânimo (Os Ânimos de Ouro). Tendo quatro dos doze eleitores votado no Adufe, acabei por ganhar a "taça", uma original lembrança que muito estimo, bem como, mais importante, um outro tipo de convívio com alguns blogueres (e não blogueres) presentes no "jantar de gala" :-).
Ganhou também o Adufe uma referência impressa na media-esfera real, a primeira de que tenho conhecimento.
Destaco aqui o evento e respondo agora de uma outra forma a uma pergunta que o António me fez no jantar "Mas afinal de que Beira Baixa és tu?" ...
Republico um texto já aqui editado a 4 de Agosto de 2003.
Ignorando a lenda de Mem Martins
Fonte da imagem: Viajar-Clix
“Can you tell me where my country lies?”
said the unifaun to his true love’s eyes.
“It lies with me!” cried the Queen of Maybe
- for her merchandise, he traded in his prize.
Excerto de «Dancing With The Moonlit Knight», Genesis,
Álbum SELLING ENGLAND BY THE POUND, 1973
I
(...) Acabaram as aulas. A turma saiu da sala e dispersou-se rapidamente.
Distribui duas ou três «boas festas», mais uns quantos votos de «boa viagem» e ala para os beirais da serra; conforto e descanso é que se desejam, para corpo e alma. Mas este ano a serra é a de todos os dias; este ano, para variar, é Sintra que enfrenta a memória de outras férias passadas num vale à raia de Espanha, num buraquinho da Cova da Beira.
Talvez porque o ambiente e o cenário sejam propícios a nostalgias, talvez porque a saudade seja forte e genuína, despeço-me da Pena, fecho os olhos e recordo.
II
A aldeia
A sudeste, por entre meandros de vales contínuos que, caprichosamente, se sobrepõem e, em determinados pontos, prolongam o horizonte, adivinham-se terras de Espanha.
A noroeste, bem visível, surge a Estrela imponente e desafiadora. Não sei se as montanhas têm perfil mas se tiverem é assim que, daquela aldeia, se vê a Estrela.
Nos outros extremos erguem-se os amparos que completam a identidade do vale - rivalidades de duas montanhas que se aventuraram há milénios numa prova de resistência entre blocos de granito e maciços de xisto. Da distância escavada nasceu um vale largo, plano, fértil, muito raro.
Na noite da véspera de Natal, enquanto se celebra a cerimónia da missa do Galo, a grande maioria dos homens da aldeia fica no adro da Igreja em torno do secular madeiro de troncos de carvalho, pinheiro e castanheiro. Os «rapazes do ano» - os que esperam a incorporação num dos três ramos das forças armadas - descansam, finalmente, do grande andor em que viveram nos últimos dias. Passaram parte do mês acarretando camionetas e mais camionetas de toros e troncos para fazerem o mais alto, mais duradouro e mais brilhante madeiro em todo o vale da Ribeira da Meimoa; uma autêntica estrela a anunciar O menino! Mas que descanso permite a sua idade quando há o vinho novo pronto a provar, quando o contraste da fogueira monumental com o noite gélida entorpece os corpos apelando ao movimento constante tão bem satisfeito numa moda? E que dizer então quando os deveres religiosos estão cumpridos e o adro se completa com as «raparigas do ano»? Confesso que a “malta” de hoje raramente vai em modas e, também nesta aldeia, começa a ser mais cerveja do que tintol, ainda assim, mantém-se como uma das muitas seculares tradições desta noite, a troca, em torno do grande lume, de todos os primeiros olhares que ainda há para trocar. A promessa de amor (outra das tradições sobreviventes) já terá lugar, muito provavelmente, no aconchegante conforto do bafio da uma boate [isto não se escreve assim, pois não?] da aldeia - o bafio é o universal, nada tem de típico ou de pitoresco.
Voltemos às tradições. A que aqui me trouxe foi a de contar e ouvir contar histórias.
Todo o dia é bom dia para contar histórias, mas no Natal os avosinhos e avosinhas, perdão, as avosinhas e os avosinho parecem mais embuidos do espírito, o que, adjuvado pela existência de uma plateia mais estimulante e atenta - os jovens rebentos da família emigrada - torna mais provável esse momento de sempre espantosa beleza.
Me proponho contar-vos uma história, mas tenho de vos esclarecer que é, em última análise, uma composição das várias versões que fui ouvindo, em vários natais, pela boca de cada um dos meus avós . Em memória deles e pela minha memória, cá vai.
III
A querença
Há muitos, muitos anos - à distância a que se fazem as lendas - os homens desta região ficaram em paz e sossegaram os corações. Então, abandonaram os seus castros altaneiros e foram-se fixando um pouco por todo o vale.
No início, seriam apenas três, as famílias que formaram o núcleo original da aldeia cuja história vos conto. Juntos, partilhavam todas as tarefas, alegrias e tristezas fazendo-o com tanto amor e desinteresse, que impressionaram todos quantos passaram por aquele local do vale: o mais verdejante e bem amanhado, bem perto da generosa ribeira que a Malcata já então oferecia.
Era tamanho o bem querer transparecente da relação entre aquelas gentes, que não tardaram em ser conhecidos por todos os ajuntamentos do vale como os benqueridos.
Mas não termina aqui a história deste povo, como em muitos outros fados também o deles reservava provações. Sucessivamente, sofreram com as pragas de gafanhotos vindos de Espanha e sofreram com as pestilências e enxames de insectos oriundos dos muitos pântanos que pontuavam o vale. Só o ferrenho sentimento de entreajuda lhes permitia sobreviver a tais reveses, reconstruindo o sonho tantas vezes derrubado. No entanto, mais uma vez, o destino acrescentaria crueldade e tragédia às provações anteriores. Um dia, enquanto se entretinham com as ceifas, não se aperceberam dos subtis sinais que alertavam para a desgraça. No fim da manhã, surgiu um estranho mas discreto ruído que se avolumou lentamente. Contudo, só já perto do sol posto, associaram a agitação em que andaram os estorninhos, durante boa parte da jornada, a algo incomum, diverso da rapina. Adivinharam a tragédia quando viram o cimo da pequena colina, que os separava de suas casa, cobrir-se de um imenso tapete negro. Este perigo, quase invisível aos sentidos e implacável, tomou-lhes as casas, os animais e os filhos indefesos que por lá ficaram.
O horror e o desgosto não mudou estas gentes... Fê-los mudar de ninho mas não mudou o que os unia. Em resposta à tragédia, também o seu sentimento se acrescentou. Escolheram um local mais seco e de terras menos dadas às formigas; aproximaram-se da serra, ficando a meio caminho entre a floresta e a ribeira e seus pântanos. Mais uma vez sobreviveram e, finalmente, foram mais longe. Criaram raizes naquele lugar e chegaram a ver uma aldeia crescente em gente de geração própria e vinda de terras alheias. Vinham de terras onde se ouviram histórias de um lugar de gentes santas que haviam vencido, com o seu amor e determinação, todos os espinhos que se podem esperar em domínios da lavoura e pastorícia.
Hoje, não merecerá mais o seu nome do que qualquer outro lugar do país. É uma aldeia vulgar, distinta, talvez, pela forma como concentra tantas particularidades do universo da ruralidade portuguesa. Poucas haverá que possam testemunhar tão variados aspectos da história do interior deste país. Poucas haverá que possam continuar a significar na história do interior deste país.
Não sei se és a minha terra, mas quero-te bem Benquerença.
Mem Martins, de 18 a 26 de Dezembro de 1995
(excerto de um texto publicado em 1996 no DN Jovem)
Se hoje o Sporting vencer justamente em Belém, Fernando Santos não é o pior treinador do mundo.
"Olha, esteve alguém da RTP a ler o Adufe", digo eu, admirado.
"Podia ser pior", diz a Ana aqui bem em frente rematando: "podia ser da TVI".
Este Adufe tem andado muito intolerante. Voltem sempre, são todos muito bem vindos.
Eu hoje vou ao hipermercado.
O Paulo Gorjão tem estado em cima do acontecimento e coloca questões extremamente pertinentes sobre a forma e o método de encarar o SIS.
A questão da nomeação do responsável máximo desta organização (não só a actual como as que lhe antecederam) demonstra quão mal o poder político lida com esta organização (ou com as forças armadas num nível ligeiramente diferente). A sensação com que fico enquanto cidadão (lembram-se da triste história Veiga Simão?) é que por muito bons que sejam os operacionais estão longe de ter condições efectivas de cumprir com a missão que lhes deveria caber. Correndo o risco de fazer um genaralização (ligeiramente) exagerada, atrevo-me a afirma que o SIS, as Forças Armadas e a Justiça têm servido demasiadas vezes de gritantes exemplos da total incompetência e sentido de Estado dos sucessivos políticos responsáveis, muito provavelmente pelo menos desde o 25 de Abril. O amadurecimento democrático do pais terá inevitavelmente de passar por aqui.
Deixo-vos as perguntas do Paulo:
(...) Com quem e’ que – neste caso Margarida Blasco – e’ casado(a)? Qual e’ a actividade profissional que exerce? A que tipo de interesses politicos e economicos (ou outros) podera’ estar (ou esteve) ligado(a)? De que tipo de associacoes faz (ou fez) parte? Clubes desportivos? Ordens profissionais? Maconaria?
Tudo isto deveria ser averiguado previamente e so’ entao se deveria nomear o(a) candidato(a) a director(a). A razao que sustenta esta opiniao e’ muito simples. O ser e o parecer sao igualmente importantes. O merito da escolha deveria estar acima de qualquer duvida quer do ponto de vista profissional, quer pessoal.
in Bloguítica
Ontem disse aqui que a Bloga!? era a experiência mais ultra-liberal da blogoesfera. Pouco depois o relativo João d'a Metamorfose puxou dos galões e lembrou o seu Cão de Guarda que há meses tem mil donos. Estive quase a dar-lhe razão mas...
Espreitei o sítio e descobri que tenho de contrariar o João.
O que torna a Bloga!? ainda mais liberal é a total responsabilização de cada um dos seus membros (que pode ser qualquer um). Se é verdade que na Bloga!? os códigos de escrita não são públicos (têm de ser enviados aos "membros" que se propõem enquanto tal, via e-mail) é também verdade que nem no Cão de Guarda, nem no projecto IF no Ar, os membros têm a possibilidade de alterar o template, mudar a palavra-chave ou... apagar o blogue.
Na Bloga!? a liberdade de acção era total e os requisitos de entrada que determinavam o acesso à casa eram tendnecialemnte nulos, menos no início por sermos poucos e virtualmente nulos no final: veja-se que no momento do seu trágico fim (?) mais de 50 pessoas conheciam os códigos e estavam em condições de dissemina-los a quem bem entendessem. Que eu saiba em nenhum momento qualquer outro blogue se atreveu a correr o risco de colocar a sua existência nas mãos de perfeitos desconhecidos. Como já disse surpreende-me que o projecto tenha durado tamto tempo com razoável estabilidade.
Se for possível recuperar a Bloga!? o objectivo seguinte é transformá-la verdadeiramente num Blogólicos Anónimos com um sistema de acesso exactamente igual ao do Cão de Guarda mas mantendo a possibilidade de publicitação do respectivo blogue-membro para quem o desejar. Vejamos se é tecnicamente possível no Movable Types.
O TMA informa que aderiu ao weblog. Temos agora os doces da avozinha em "Portugal":
Após a concretização da mudança de habitação, e a abertura de entradas de blogs na weblog.com.pt, achei por bem, aderir ao projecto do Paulo Querido.
Assim, e para radicalizar a todos os níveis a vida da avozinha, mudou de casa e de morada no seu blog.
Continuará a fornecer os melhores doces do país e além fronteiras.
Um abraço a todos os que continuam a devorar com prazer os doces desta avozinha.
O PRIMEIRO GOMO DA TANGERINA
Todos vieram
ver a menina
ao primeiro gomo da tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor nos lábios
gestos sábios
Fruta esquisita
menina aflita
ao primeiro gomo da tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa a hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo
Ah, que se lembre
Sempre a menina
do primeiro gomo da tangerina
p’la vida dentro
é esse o centro
da parede da vitamina
que a faz crescer sempre menina
A terra é grande
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morre
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo
Sérgio Godinho
um poeta cheira a poesia. a poesia cheira a água, quando não cheira a terra ou outro elemento qualquer. porque a poesia é a raiz que prende o poeta à vida. seja a vida gasolina ateada, gomo de tangerina, urinol deslavado ou cafeína. e se pela poesia o poeta se prende à vida, isso é porque na poesia ele a exala com a fragrância que quer.
(no seguimentos desta pergunta)
Parece que anda aí um coro de blogues a cascar na pobre moça do texto imediatamente abaixo.
Não fazia ideia...
"Eu hoje vou fazer a depilação"
O que é a arte afinal?
Da meia hora diária que em média gasto a ver televisão, 20 minutos passo-os na 2:.
Ontem não deu, lá perdi o final inconfundível do magazine da Anabela Mota Ribeiro.
"Eu hoje vou ler um livro" disse ela um dia. Noutro "Eu hoje vou ao cinema". Será que já algum dia disse "Eu hoje vou fazer um filho"?.
Nesse dia acharei aquela máxima intimista que finaliza o programa absolutamente genial. Até lá reservo-me o direito de tecer considerandos igualmente muito íntimos sobre bom gosto, paternalismo, Carlos Pinto Coelho e "África, mãe África".
Disse.
Aos poetas de serviço pergunta-se:
A que cheira um poeta?
(não esquecer de ler os comentários do texto lincado).
---- Campanha de deseducação. ----
Antes que haja desmaios, descabelamentos e outras coisas ainda piores entre os mais viciados dos viciados (ver texto anterior) segue um momento de humor:
Recebi por e-mail esta "estatística" que é já um clássico:
Se 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool,isto
significa que 77% dos acidentes são causados por pessoas que bebem água.
Filhos da p... desses gajos que bebem água!!!
Não pude deixar de imaginar uma outra hipótese. Será que esses 77% não são gajos com pressa de chegar ao bar?
---- Fim da campanha de deseducação. ----
Viciados não stressem (demasiado) mas algum de nós apagou a Bloga!?
Foi a mais ultra-liberal das experiências da blogoesfera portuguesa que durou mais de dois meses (nasceu a 6 de Novembro) e contava hoje com 52 blogues associados. Qual estrela extinta à milhões de anos a sua imagem chega ainda à blogoesfera mas a sua matéria dissipou-se.
Segue troca de mails tida com o Paulo Querido:
Rui
Viva
Paulo, mais um pedido para a longa lista.
Julgo que este é mesmo mais indicado para aqui do que para o fórum.
O blogue: http://bloga.weblog.com.pt
Problema: desde dia 21 de Janeiro deixou de ser possível aceder aos comentários.
Menssagem de erro:
An error occurred: Invalid entry ID '56790'
Outra questão quando entramos no editor deixámos de ter disponível a possibilidade de gerir o blogue (Novas entradas, Gestor do Blogue, etc.).
Nota que têm acesso a este blogue cerca de 40 blogger neste momento pelo que é possível que algum tenha feito uma azelhice. Pessoalmente não faço ideia do que possa ter provocado este estado das coisas. Consegues descobrir o que é que está mal?
Paulo:
Poizé.... algum ou alguem APAGOU o blog do sistema :P Está em páginas mas nada funciona, claro: não há base de dados.
Agora vai ser lindo, recuperar isso. Trabalho para umas horitas, a sacar tudo dos backups :( Felizmente tenho backups.
Acho melhor o Bloga! ficar congelado até sábado. Neste momento vou para fora de Lisboa em trabalho e só venho amanhã à tarde. Só amanhã lá para o serão posso ver isso.
Aguentem-se os Bloga-eiros :( :(
um abraço
Votava neste senhor para Presidente da República. Este artigo podia muito bem ser parte do seu compromisso eleitoral.
E assim resolvo a "minha" questão com as pré-presidênciais.
O artigo citado surgiu no Diário de Notícias de terça Feira e foi republicado pelo Paulo Gorjão no seu Mar da Tranquilidade.
Ontem quando abrimos os estores estava um casal de pardais a namorar no parapeito. Era tanto amor que não se assustaram com os quatro olhos esbugalhados bem fixos neles, admirados com tanta ternura.
Poucos segundos depois aproximaram-se mais dois machos pretendentes e iniciou-se um zaragata de todo o tamanho com a pobre "pardala" a assistir.
Hoje vejo os primeiros pombos a arrulhar em pose cortesã. Volteios e revolteios de um macho de penas lustrosas em torno da imperturbável fêmea...
Será que os pássaros andam baralhados com as mimosas em flor? Vestiram algum casaco especial e não dão pelo frio?
Faz de conta que é primavera em Lisboa.
(...)"A TSF sobe a nível nacional (+0,1 por cento), mas perde nas grande cidades: Lisboa (-0,6 por cento) e Porto (-0,3 por cento)." in Telefonia Virtual
(...)
E só mais uma coisinha: é de notar que estas audiências surgem na sequência de uma enorme campanha publicitária de promoção da "nova" TSF e ainda de outros factos que lhe deram muita publicidade, como por exemplo o rapto de Carlos Raleiras no Iraque. Com isto tudo era de esperar um bocadinho mais. Ou não?
JPH in Glória Fácil
Esta semana tem sido e vai continuar a ser de muito trabalho para mim. Já passa novamente das 19 horas e ainda por aqui ando a tentar pôr a bom uso o dinheiro dos contribuintes. Este intervalinho para o blogue é, por exemplo, muito terapêutico e incrementador da produtividade. Ó se é.
Como dizia, já passa das 19 e começa a apetecer-me com moderada intensidade estar noutro lugar, mas consola-me olhar pela janela e constatar que no ministério da segurança social quatro quintos das luzes permanecem acesas. Ah! Valentes funcionários públicos!
Há três dias que saio daqui por volta das 20 horas e ao olhar para lá as mesmas luzes permanecem acesas. Tanto quanto vejo os trabalhadores do admirável edifício são asilantes, ou então... Não! Chega de pensamentos maledicentes e volta mas é ao trabalho Rui Manuel.
O Paulo Pereira do Blogue Social Português defende a comunicação global na blogoesfera e dá-nos uma dica muito útil, o Technorati beta.
O IVA e o Diário da República
O meu amigo Sérgio voltou a mandar-me uma colaboração aqui para o Adufe. Se bem se lembram já me tinha indignado com os preços a pagar para acedermos à lei do país - acesso ilimitado ao Diário da República electrónico custa 1500€ se bem percebi -, agora vejam o que se passa com a tributação de IVA face ao mesmo produto...
Estou-te a enviar isto para verificares ao ponto a que chegou o nosso sistema fiscal.
Sobre o mesmo serviço - fornecimento das leis publicadas no país - recaiem taxas de iva diferentes, consoante a forma como a informação é transmitida. Assim, neste caso, para o Estado interessa mais, para efeitos de tributação, a forma como o serviço é prestado e não o próprio serviço que está a ser prestado.
Para saberes mais sobre as taxas de iva em toda a Europa sobre os vários meios de transmissão de informação (livros, cd's, dvd's, jogos, internet, etc.) vai ao site Amazon.co.uk.
Sérgio
Ainda se as taxas estivessem invertidas com o suporte papel a pagar mais do que o electrónico... Um nadinha incoerente com o regime de benefícios fiscais à proliferação de material informático nas casas de cada um por exemplo.
Quantas palavras novas são inventadas por ano na língua portuguesa?
No saboroso jantar de Sexta-feira diziam-me que no inglês nascem, em média, duas palavras por dia. Não sei bem quem e como consegue fazer esta conta... Talvez comparando as actualizações dos dicionários e dividindo pelo tempo decorrido entre duas sucessivas. Talvez.
Mas acho a pergunta que deixei ali no início interessante. Poderiamos ter uma grosseira aproximação ao dinamismo da língua. Grosseira porque seguramente haverá sempre muitas palavras "ilegais" que tardarão em ser referenciadas, em ter direito a documento oficial. Paguem ou não a contribuição social, terão de fazer prova de registo criminal limpo, aquém e além mar.
Sem estes preceitos identificaria de imediato anos típicos e atípicos. Os atípicos seriam os anos de novo romance de Mia Couto, nesses seguramente a produção de palavras aumentaria exponencialmente. Retiremos o condicional e ficamos com uma verdade.
E agora dorminhemos sobre o assunto.
Dorminhar - acto ou efeito de dormir, próprio de quem o faz por ser dorminhoco, c.f. dormir (entrada a incluir na próxima versão do Houaiss se assim os escritores o entenderem ;-)
Eu, Frank Capra Character da Silva fui hoje pela hora de almoço protagonista de uma exaltação pública em plena Av. Morais Soares, bem junto ao Chile. Tudo se passou num passeio apinhado de gente e de outros animais.
Quem assistiu diz que foi assim:
"O cão é seu? Então a m*** do cão também é sua!
Pois bem... começa assim a notícia de hoje!
São 14h, está uma tarde agradabilíssima para passear o ricky... mijadela aqui, mijadela ali... deixando tudo marcadinho e perfumadinho.... ai que bom ser cão!
Oopsss... tenho que fazer mais alguma coisa.... hum, hum.... aaaaahhhhh... assim posso andar mais levezinho e ficar elegante. Tal como a minha jovem e perfumada dona!
Vamos continuar a passear! Eh lá, quem é este?
- Desculpe-me, mas a menina deixou cair ali qualquer coisa!
- Eu não!
- Sim, deixou sim... se o cão é seu, a m*** do cão também é sua!
- Mas eu conheço-o de algum lado para se dirigir a mim? A rua por acaso é sua?
- A rua é pública, tanto é minha como sua. Todos somos responsáveis por ela! E aquela merda ali no chão devia estar no seu bolso ou no lixo e não nos sapatos de desgraçado que topar com ela.
- E o que é que eu tenho a ver com isso? Se calhar são pessoas como você que andam a abandonar cãezinhos como este!
- Se eu abandono cães ou não a senhora não sabe, mas eu sei que o seu cão encheu o passeio com a m**** que lhe pertence! Por nunca ninguém ter a ver com isso é que as coisas estão como estão! E admira-me que sendo uma rapariga nova não queira ter cuidado com o que é seu e de todos também! Mas a educação não vem com a juventude, não é?
- Anda Ricky, vamos, anda!
Um transeunte:
- O Sr. teve muita coragem... se todos reagissem assim esta gente, mal educada, andava na linha!
Mónica"
Este fim-de-semana uma jornalista da TSF identificou uma gafe a Durão Barroso envolvendo números. Não terá sido uma gafe com o calibre do PIB de Guterres mas ficou-me no ouvido pela sofisticação, não da gafe, mas da capacidade crítica da jornalista.
Os senhores jornalistas que me perdoem mas estou tão fartinho de ver incorrecções escandalosas em jornais sempre que se entra no campo da numeração e da contabilização que a gafe me pareceu um preciosísmo.
Vamos à gafe.
A propósito do rebaptismo de um "novo" programa do Governo de incentivos à ciência e tecnologia, já apregoado por Mariano Gago ainda este era Ministro, o nosso primeiro falou numa verba total do programa de um bilião de Euros quando, na realidade, deveria ter dito mil milhões de Euros, informou a jornalista. Provavelmente, Barroso terá sido vítima de algum lapso freudiano associado ao embuste do anúncio, digo eu, ou, para ser mais simpático, terá deixado passar algum resto de aculturação à cultura americana que trouxe da sua experiência lectiva em terras do Tio Bush. Tudo isto é detalhe, o que me interessa agora é o meu espanto.
O espanto de reconhecer na jornalista a sapiência da diferença entre a norma Europeia e a Americana.
A jornalista sabia que um bilião em Portugal deveria ser um milhão de milhões e não um milhar de milhões!
Provo-me mais uma vez que ainda tenho muito que batalhar para deixar de ser um tonto injusto e preconceituoso. Uma adufada muito positiva para quem reparou na diferença.
Texto assinado pelo mais recente pseudo colaborador:
Vírgule Decimal Símbulus Europea da Silva.
Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas
O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura
[refrão]
[refrão]
Retalhos da Vida de um Médico, poema de Ari dos Santos, musicado por Tozé Brito e cantado por Carlos do Carmo como música-tema de uma adaptação televisiva do romance homónimo de Fernando Namora retirado de empréstimo daqui (a visitar!!)
Os posts desta semana foram influenciados por Karl Popper, Friedrich Hayek, Michael Oakeshott, Charles Darwin, Adam Smith, Robert Axelrod, Benoit Mandelbrot, Daniel C. Dennett, Contra a Corrente, Jaquinzinhos, Coluna Infame, Blog da Causa Liberal, Dona Aida e Filosofia de Ponta.
Nota prévia: Caro João, permita-me uma pequena chantagem. Se lê e se inspira semanalmente em tão vasta obra, permita-me pedinchar um pouco de paciência para mais uma prosa de leitura apenas um pouco mais do que instantânea. MAS se quiser um troco à sua resumida posição que relembro é: "as licenças de maternidade prolongadas causam discriminação" deixo-lhe o resumo da minha na última frase deste texto, seis palavrinhas num paradoxo que me inspira.
A lápide; os factos da vida:
"(...)Eu não atribuo direitos a ninguém. Limito-me a constatar um facto da vida: os empresários têm o poder de se recusarem a ter preocupações sociais. Enquanto existir alguma liberdade, os empresários têm o poder e os incentivos para discriminar as mulheres se elas tiverem mais direitos sociais que os homens.(...)"
Eu sou trabalhador João, eu tenho direito a confrontar os meus deveres de paternidade com a liberdade supostamente imanente da simples existência do universo que parece atribuir aos empresários. Se eles têm a liberdade de discriminar e eu não tenho o poder para conseguir sustentar-me e tratar dos meus flhos condignamente, só me resta lutar contra esse direito "divino", contra esse "facto da vida", criando um da minha própria autoria: os pais esforçado que amam os filhos não tolerarão que para sempre que lhes seja negado exercer esse amor. Que tal? Serve-lhe?
Há duas formas de procurar um equilíbrio (que o seu modelo de liberdade nitidamente não resolve):
- um é encontrar um meio termo entre as vontades (supostamente) antagónicas e inconciliáveis.
- outro é destruir ambos os "agentes económicos" pela ilusão de um "admirável e simplista mundo melhor" inculcado na cabeça de desesperados ou dos ditosos, tanto faz.
Quantas vezes terão de existir revoluções, cabeças cortadas, perseguições, até que se perceba definitivamente que nem sempre o meu bem (a minha liberdade) é o bem comum e que, por isso, no longo prazo (ou no curto...) o mal comum há-de vir bater-me à porta se não contribuir para o eliminar, para o controlar?
No grande esquema das coisas esta é a mais maniqueista das ideias que ainda ninguém conseguiu rebater. Talvez por vivermos de ciclos condicionados pela regularidade da nossa própria finitude, não sei.
Mas deixemos os princípios filosóficos esconderem-se atrás da cortina e deixemos o palco para a nossa polémica. Reconciliemo-nos por uns instantes.
No meu texto "A Maternidade, a Paternidade e as Empresas (act.)" fui tão extenso, passei por tantos registos (diagnóstico, ironia, novos diagnósticos, defesa do diabo, crítica e proposta) que o João se perdeu, não percebeu o que era, de facto, a "minha" proposta.
Sentiu-se assoberbado (ou imaginou-me assoberbado) pela complexidade da sociedade. Desconfio mesmo que não leu até ao fim. Só assim percebo a omissão a tantas questões que agora me atrevo a achar que considera incómodas, questões de facto e de jure que aqui abordei.
Mea culpa.
Ainda assim respondeu-me.
Só posso agradecer-lhe a consideração e denotar a esperança de entendimento que imagino sempre numa réplica que recebo ou que ofereço.
Perdoe-me a imodéstia, mas adianto-lhe que merecia melhor resposta caro João. E desde já o aviso (e me preparo) que este que segue já vai longo e ainda está longe do seu fim, mas renovo-lhe o meu pedido das primeiras palavras.
Lendo-o com atenção, João, tenho de lhe fazer um outro pedido mais ou menos solene: deixe-me problematizar o que é complexo, por favor.
Não conheço outra forma civilizada de procurar o esclarecimento. A menos que prefira a opção de solução trágica de que falei acima... O mote para essa solução já teve muitas canções no passado e terá (tem!) muitas disponíveis no presente.
Há um modelo económico dito neo-liberal, que certamente o João conhece, que tem até como um dos seus pilares a hipótese do ajustamento racional dos comportamentos dos agentes económicos (que é o mesmo que dizer de todos nós). Uma hipótese que justifica porque no longo prazo seja impossível manter um lucro não disputado, por exemplo. Uma hipótese que é fulcral para que o modelo tenha em si uma solução que aproxime também, em alguma medida, o conceito humanista de justiça.
Não há dúvida que alguém tem que praticar e usar da razão (mais que não seja para controlar a irracionalidade), porque raio não posso eu fazer esse esforço?
Quem diz eu, diz você ou qualquer outro indivíduo que se proponha pensar além do seu umbigo e das suas ligações económico-sociais mais directas...
Imagine-me um aprendiz de filósofia-política, ou de Economia, mas deixe-me pensar o complexo, admita-me a insatisfação com algumas características ou consequências promovidas pela "simplicidade" do laisser faire laiser passer. E diga-me se discorda do que identifico como problema ou se apenas discorda do que imagino para sua solução. Alguém tem que estudar o complexo, alguém tem de sugerir e debater os modelos que tanto amamos... Mesmo correndo o risco de alguma arrogância ou do inevitável erro e contrição.
Permita-me agora ser mais sintético ou, pelo menos, mais preciso.
Pressupostos: há um conceito de vitalidade associado a uma sociedade. A inexistência de condições que assegurem condignamente a opção de constituir, sustentar e expandir uma família gerando novos cidadãos com plena capacidade de exercício dos seus deveres e direitos dita a sua extinção. Esta ideia tem um valor mais utilitarista do que axiomático. Explicando: contribuir para afastar o cenário terminal fundado na possibilidade de gerar seres humanos de pleno direito, pressupõe assegurar um caminho histórico que propicie estabilidade e felicidade social: uma sociedade saudável, digamos.
A família: a ideia de família evoluiu muito e é hoje uma multiplicidade de tipos. Não existindo um modelo perfeito de família nem se defendendo que algum deva ser imposto, há um conjunto de condições cuja verificação, ou não, é determinante para o surgimento de algumas capacidades ou problemas sociais.
A criação dessas capacidades e a prevenção desse problemas é uma preocupação que deve ser encarada colectivamente pela comunidade, nomeadamente através da regulação da sociedade pela intervenção do Estado.
A ideia de maternidade ou paternidade facilmente se pode considerar bem mais lata do que uma qualquer propriedade própria de pais genéticos ou de famílias nucleares tradicionais. Toda a criança tem direito a um tutor e ao seu quinhão de afectos. Em última análise e faltando tudo o resto terá de ser a Comunidade a garantir esse provimento.
O ideal é reconhecidamente o cenário em que alguém capaz tenha amor e capacidade para auxiliar na formação cívica e humana da criança. A disponibilidade para essas tarefas é tanto mais importante quanto menores forem as capacidades já adquiridas pela criança. Naturalmente, será particularmente importante nos primeiros anos de vida.
O país que temos:
Como já disse temos uma das mais elevadas taxas de actividade entre a população feminina em idade fértil por motivos diversos, mas aos quais não são alheias características históricas herdadas pela organização do mercado de trabalho e do modelo económico preponderante, assim como, aspectos de natureza cultural.
Por outro lado, a taxa de actividade de homens em idade fértil é tão alta como na generalidade dos países com quem temos as parcerias económicas mais relevantes.
São tipicamente os homens e as mulheres em idade fértil que têm a seu cargo a educação, formação e a primeira responsabilidade de protecção e defesa dos direitos das crianças deste país.
Perante todos estes aspectos e constatando que o modelo de organização do trabalho vigente não proporciona aquilo que sempre se considerou um acompanhamento fundamental nos primeiros anos de vida de uma criança – e que era assegurado há não muito tempo pelo afastamento da mulher do mercado de trabalho - o Estado interveio sob a forma de lei forçando a internalização, por parte do esquema de organização do trabalho, de um conjunto de direitos, entre os quais o de dos pais trabalhadores (a existirem dois nessa condição) disporem de um período de tempo que poderão, se assim o entenderem, destinar ao acompanhamento da criança recém nascida.
Pergunto neste momento ao João para que nos entendamos: há alguma discordância quanto a isto, além do problema da discriminação da mulher que idetifica?
Quanto à discriminação (se por ventura for exclusivamente esse o problema):
Temos uma lei que não discrimina. Seja justo ao menos com a lei, João. A lei está feita para homens (pais) e mulheres (mães) em perfeita igualdade. É a estatística da coisa, a cultura de fazer prevalecer a importância da maternidade sobre a da paternidade que leva mais mulheres a gozar a licença do que homens. Não é a imposição da lei, é a livre escolha de pais e mães perante a opção que a lei estatuiu que assim cria a maior probabilidade de serem mulheres e não homens a gozarem a licença, tornando-se assim vulneráveis ao raciocínio estritamente económico do empresário que culminará numa discriminação negativa no acto da contratação, segundo o João.
O que a lei estabelece (a existência de uma licença) é tido como um bem com vantagens duradouras para os envolvidos – pergunte aos país e mães que gozam esse direito - e para a sociedade como um todo. Se não perceber como pode ser um bem para a sociedade podemos trocar umas ideias.
Dito isto, fica para mim claro que o princípio em que se baseia a intervenção do Estado e que culmina nesta e noutras leis relativas aos direitos de paternidade e das crianças não deve ser questionado, como já disse.
Agora, a existência de uma licença para um dos pais não será a melhor forma de atingir o fim porque poderá constituir uma discriminação? Além de ser um mal muito menor do que aquele que resolve, talvez até um mal que se atenue caso paulatinamente a proporção de homens a gozar a licença aumente e a de mulheres diminua, admito que não deva ser negligenciado. Elogio o João Miranda por, através do seu contributo bem fundado no racionalismo de inspiração económica-utilitarista, ter alertado para o facto, promovendo assim uma possível solução pela reflexão advinda.
Já fiz algumas sugestões que poderiam mitigar o problema, julgo que sem prejuízo maior. Basta para isso ter a paciência de reler o meu outro texto (lá mais para o final). Mas sou todo ouvidos se o João encontrar melhor solução.
Diga-me agora onde é que o Adufe peca, é impositivo, cerceia liberdades (como a de amamentar ou não, viajar ou não, ter ou não ter filhos etc) nos termos a que aqui se refere:
Em todo o processo, as condições particulares de cada indivíduo são ignoradas porque o Adufe não tem forma de as determinar. O Adufe não sabe o que cada pessoa quer da vida, mas tem a ousadia de planear as suas vidas. Não sabe se os homens querem cuidar dos filhos, se as mulheres querem que os homens cuidem dos filhos, não sabe que mulheres são casadas e que mulheres estão sozinhas, não sabe quem ó homossexual, quem é estéril, quem prefere viajar, quem simplesmente não gosta de amamentar, quem não quer ter filhos, quem não quer pagar os filhos dos outros, quem é divorciado, quem amamenta, quem é contra a amamentação, quem finge que amamenta, quais são as avós que cuidam netos, quem tem avós, quem trabalha, quem finge que trabalha ...
Ora, uma solução que não tem em conta todas estas particularidades da vida humana é uma má solução. A não ser que o Adufe seja omnisciente, jamais conseguirá compatibilizar os interesses e os valores de todos.
itálico in Liberdade de Expressão.
Não queira com tanta pressa importar o mínimo denominador comum em direitos dos trabalhadores que existe à face da terra, que é aquilo a que leva a sua cegueira pelo modelo económico e de organização social que defende.
Nem veja papões medonhos em toda e qualquer interferência do Estado no seu precioso modelo ideal. Incorpore-o enquanto agente válido sugerido e sustentado pelos próprios agentes económicos. Incorpore-o no sistema e experimente o deslumbramento de encontrar uma mais promissora e completa forma de organização humana.
Sabendo que o ponto de partida de cada um de nós face ao outro, em termos de riqueza, conhecimento e capacidade congénita, talvez, é desigual, o que distingue o seu cúmulo do liberalismo, de um modelo esclavagista, João?
O liberalismo em roda livre só contribuirá para ampliar as diferenças e negar-se a si próprio numa velocidade em progressão exponencial. Felizmente não há NENHUM país do mundo que siga a risca as premissas do seu modelo. Nem aqueles que por vezes cita como exemplares no seu blogue. Não há sociedade que eu conheça que veja irracionalidade em tudo o que passe por questionar o ajustamento gerado pelos automatismos do modelo liberal. O modelo não gera valores, há preceitos morais sem os quais não podemos conviver que têm de ser acomodados de outra forma, ultrapassando o modelo liberal.
Caro João, por vezes, nem sempre, note, mas por vezes, a hierarquia de valores que o equilíbrio do livre mercado dita é simplesmente incompatível com a condição de um homem livre.
A liberdade com liberdade se paga.
Se em todos os "blind meetings" para que fosse convidado recebesse tantos mimos não queria eu outra coisa...

Quiseram o António Colaço e demais leitores da Ânimo premiar o melhor blogue de 2003.
Foi um belo pretexto para uma noite bem passada entre boa comida e boa gente; gente dos blogues e não só!
Pusemos bonecos nos nomes, provamos de alguma forma que é muito fina a armadura que nos afasta quando vagueamos pelas calçadas impessoais de boa parte da nossa vida.
Com afectos e sinceridade podemos dar muito ânimo à existência de cada um. Uma banalidade pouco banalizada?
O licor foi o símbolo, assim como a bela embalagem recheada que eu e o João Pedro Henriques tivemos o prazer de receber.

Um último brinde aos que estiveram ontem em Campolide e aos que com gosto lêem e/ou escrevem, a todos os que andam nesta surpreendente blogoesfera.
P.S.: Um nota final para o Frederico, jornalista, que também por lá esteve e que tem um blogue com pronúncia do norte com quem partilho o gosto pela leitura do Abram os Olhos (o blogue em que votei na eleição da Ânimo).
P.P.S.: Já me esquecia de agradecer os simpáticos parabéns que me têm chegado: do LT do JGS, do Marujo e de todos os que passaram pela caixa de comentários.
Dentro de mais alguns momentos notícias do encontro de amigos de ontem promovido pela Ânimo...
Notícias em primeira mão é ir lá, à Ânimo.
O Jaquizinhos passou por aqui e perante o meu estado de desacorçoamento depois de ontem ter passado pelo Liberdade de Expressão tenta chamar-me para o campo do esforço intelectual. O pretexto mais próximo é a medição das consequências do aumento da licença de maternidade em vários planos: a das preocupações com o planeamento familiar e com o planeamento das empresas. Pergunta-me o JCD:
Rui, mas porque é que o bom senso te soa atroz?
Tens alguma dúvida que o aumento do período de maternidade "aumenta os incentivos à discriminação" e que "Ninguém gosta de contratar empregados que podem passar 4 meses e meio sem trabalhar."?
Uma coisa é acharmos que a medida é boa porque protege as mães em maternidade. Outra é reconhecermos que quanto maior é a protecção à maternidade, maior é o incentivo à não contratação de mulheres em idade de serem mães.
Diz-me lá: contratavas uma mulher para tomar conta do teu negócio, sabendo que ela se ia ausentar por 4 meses? E se fossem 12?
Eis a resposta.
Deixa-me fazer uma síntese.
1. O problema já existia – existindo licença de maternidade haverá sempre incentivo para que não se contratem mulheres em idade de procriar – portanto, com a nova proposta do Ministro estamos a falar da magnitude do incentivo e não de um novo problema.
2. Por outro lado, ter uma mãe (os pais!) junto do filho nos primeiros anos de vida é reconhecido como um dos aspectos mais importantes para o são desenvolvimento da criança e da família. A crescente sensibilização para o reconhecimento da importância desse facto parece contudo inversamente correlacionada com o surgimento de condições objectivas que permitam aos pais dispor de tempo para essas tarefas. O modelo de organização social, a forma como se equilibram as relações laborais parecem caminhar cada vez mais para a impossibilidade desse objectivo sem que com isso se ponham em causa as ditas relações laborais. Num país onde a percentagem de mulheres empregadas a tempo inteiro, em idade fértil, atinge um dos mais altos níveis do mundo dito desenvolvido, o problema surge acrescido. O equilíbrio de mercado parece assim identificar um elo mais fraco sistemático. Faltará aos empregados engenho e arte para inverterem esse caminho?
Numa conferência sobre a população a que assisti há três anos em Helsínquia, uma das conclusões mais repetida nos estudos feitos na Europa ocidental apontava para um desejo estável das mulheres quanto ao número de filhos pretendidos. O número de filhos efectivamente tidos diminuía contudo sistematicamente. Os estudos, a carreira e as obrigações profissionais surgiam como o principais motivos para essa discrepância. Notem que falo de países onde há maiores tradições de trabalho parcial nos mais diversos sectores de actividade económica. Cá o problema é tendencialmente mais grave.
3. Temos finalmente o problema da viabilização da actividade económica das empresas que contratam jovens em idade fértil que poderão ter de se ausentar durante um longo período.
Dito isto vamos à resposta:
O que é o bom senso? Ora o bom senso de que fala o JCD tem em conta apenas um destes problemas, uma das partes. Se eu considerar como razoável, desejável, inevitável (!) a internalização de alguns custos sociais na função de custos de qualquer empresa observarei o meu bom senso de outra forma, com outra premissas. Ter jovens mães com direito a licença de maternidade não é um factor exógeno, deve ser interpretado como um dos aspectos da responsabilidade social de uma empresa (não dispare já JDC, leia mais um bocadinho).
A forma como o Liberdade de Expressão e o Jaquinzinhos põe os empresários a encarar o problema é diversa, dão-lhes o direito de recusarem essas preocupações limitando o âmbito do seu bom senso a um problema microeconómico onde a maternidade (ou qualquer matéria de responsabilidade social : creches, refeitórios,etc) como uma imposição exógena ao problema económico. Pôr as coisas nestes termos (e notem que ainda não estamos a discutir o que poderia ser um decisão equilibrada para os interesses em conflito), pôr as coisas nestes termos, dizia, é que me parece totalmente desprovido de bom senso. O meu bom senso tentará assim não ser nem o bom senso do empresário, nem o bom senso dos pais, mas algo que resultará duma tentativa de equilíbrio dos dois.
Que soluções?
Um dos argumentos possíveis é garantir a internalização do custo “licença de maternidade/paternidade”, ou seja, algo que seguramente o Jaquinzinhos chamaria saltar da frigideira para o fogo, pois exigiria uma intervenção adicional do Estado que, perante, a efectivação da discriminação das jovens férteis, obrigaria as empresas a contratar uma quota de jovens proporcional ao seu peso na população activa… Digamos que não vou tão longe, a solução seria potencialmente gravosa em termos de eficiência na alocação de recursos humanos… Mas já agora vejam bem: se os empresários achassem a ameaça desta imposição como real e se fossem absolutamente racionais deveriam pensar duas vezes antes de discriminarem negativamente as jovens. Mas como sabemos o espírito de curto prazo domina entre a maioria da classe empresarial: enquanto o pau vai e vem folgam as costas, por isso... Outro aspecto em que se reflectem as vistas curtas do algum empresariado (e este na minha opinião bem mais nefasto) é a incapacidade de verem oportunidades naquilo que apenas consideram como imposições do Estado. Será que nunca passaria pela cabeça do JCD e do Liberdade de Expressão reverter aquilo que consideram uma falta de bom senso (apenas imaginam como uma perda de competitividade imposta sem apelo nem agravo à empresa) como uma potencial oportunidade que se poderia traduzir num ganho de produtividade? A satisfação no trabalho e o rendimento de cada trabalhador vai bem além das horas trabalhadas, ou passadas na empresa. Assim como as necessidades do trabalhador e a sua satisfação passam hoje por muito mais do que o vencimento ou o prémio de produtividade no final do ano. Mais uma vez ponho em causa a racionalidade de tantos e tantos empresários. A lentidão com que o mercado se apercebe desses ganhos comparativos em gerir uma empresa com balanço social é inacreditável. Algures no modelo de mercado deve existir uma falha, talvez haja assimetria de informação, falta de estatura dos gestores, não sei, mas impressiona-me que haja bons resultados em termos de rácios de produção em algumas empresas socialmente conscientes sem que haja, contudo, uma disseminação desse fenómeno. Talvez no longo prazo o mercado livre lá chegue, talvez mas prefiro não deixar os meus bisnetos esperarem para ver. O Estado vai apelando repetidamente através da consertação social para os aspectos de responsabilidade social sem grandes resultados. A tentação para legislar aumenta, naturalmente.
Bom, mas recentremo-nos no assunto retendo que o custo para a empresa de ter de suportar um trabalhador que se ausenta por alguns meses para ter um filho (por exemplo 6 em vez dos obrigatórios 4) poderia ser revertido numa boa campanha que lhe estimularia a produtividade dos empregados e poderia até servir de moeda de troca em termos salariais ou de atracção adicional para quadros que lhe interessasse contratar. Um bocadinho de criatividade e boa gestão de custos poderia ser surpreendente. A questão é que este mundo quase ainda não existe e as empresas não têm tipicamente preocupação de planeamento familiar.
Temos outros problema enquanto comunidade: criar condições para a manutenção da população do país, atenuando um envelhecimento galopante, bem como, a educação familiar prestada às crianças, ambos aspectos que põem em risco a qualidade de vida e o bem estar social.
Como intervir? Qualquer solução para ter sucesso exigirá alguma revolução de mentalidades junto dos empresários. Disso não tenho dúvidas. Esse tipo de revoluções não se decretam por lei mas podem ser estimuladas. Nomeadamente através do código de trabalho.
Hoje temos licenças obrigatórias de 4 meses e um período com direito à redução de duas horas do horário de trabalho ao longo do primeiro ano de vida do bebé (acho que é isto). Ora bem, se o problema é a discriminação negativa a que as mulheres são sujeitas e não a necessidade de haver um período de maior acompanhamento por parte dos país aos filhos pequenos, não me chocaria liberalizar o gozo do direito e a criação de várias opções negociáveis sujeitas a algumas restrições que poderia melhor ajustar as vontades específicas dos país e dos empregadores.
Vejamos por pontos alguns problemas/soluções:
1. O aleitamento. Este aspecto distingue algumas das mães (nem todas podem aleitar) dos pais. Logo será difícil e não desejável contrariar em absoluto esta discriminação em qualquer medida criada. Podemos é contrabalançá-la com outra discriminação idêntica a favor do pai. Num ápice deixaríamos de ter discriminação. Nos primeiros 4 meses e meios ninguém vai trabalhar, nem pai nem mãe e a empresa que pague o vencimento, que tal? Bem, tentemos algo menos abrupto…
2. O contacto com os país nos primeiros meses é tido como demasiado importante para poder ser recusado por estes. Para evitar abusos no relacionamento com o empregador o carácter não negociável de um período de tempo de possibilidade de presença com os filhos parece-me correcto. É triste mas se calhar é melhor. As alternativas em que se apela ao bom senso entre as partes têm resultados conhecidos como já referi acima.
3. O factor idade tem muitos outros aspectos onde se valoriza a juventude em prejuízo das faixas etárias mais envelhecidas pelo que encarar a paternidade como uma discriminação negativa pode até ter um efeito interessante na gestão de recursos humanos. Uma vantagem comparativa para quem já formou família ou já não terá tantas probabilidade de o fazer. Quantas vezes ouvimos a frase” Velho de mais para recomeçar, novo de mais para se reformar?” Podíamos juntar outros ditados populares à nossa história :-)
4. Resta então atenuar o ónus tido por tantos como negativo que recai sobre a jovem potencial mãe. Ora julgo que a lei já permite que seja o pai e não a mãe a gozar a licença e se assim for, à luz da lei, não há discriminação nenhuma. Havendo essa possibilidade, o empregador não tem já hoje tanta certeza quanto à relação sexo/licença de paternidade… Logo, à luz da lei, não há discriminação nenhuma, aumentar o prazo (como propõe o ministro) não seria, teoricamente, um agravar da situação como pressupus no início e pressupuseram JCD e o João Miranda.
5. Mas temos a estatística e esta diz-nos que em regra são as mães a usufruir da licença. Isto acontecerá por razões culturais, talvez até seja recomendado fisiologicamente, mas também pode acontecer por excessiva rigidez da lei que não permite que o período da licença possa ser intercalado entre os pais. A lei permite que sejam os pais a escolher, não permite que por exemplo estes dividam a ausência permanente de um deles por um período dos dois em part time, por exemplo. Julgo que a lei também não prevê uma maior flexibilidade nas formas de relacionamento laboral nos primeiros três anos de maternidade que poderiam passar por uma maior facilidade em acordar o regime de trabalho (por exemplo, o direito do trabalhador em requerer um regime a tempo parcial com perda proporcional do vencimento, ou mesmo a licença sem vencimento).
Enfim, acho que há muitas reformas necessárias e até testadas noutros países (mais e menos liberais) que poderíamos explorar tentando equilibrar o balanço económico e social da nossa vida em comum. Dando uma ajudinha a pais empregados e empregadores. Esse é o esforço de bom senso que defendo.
Logo mais à noite na Valenciana (Campolide) hei-de provar um licor do António Colaço e conhecer este e mais alguns bloggers que se atrevam. Como me increvi no Jantar pode ser que ganhe um carro de alta cilindrada; é um dos prémios a sortear entre os participantes como podem ler na ânimo. Se tal acontecer, disponho-me desde já doa-lo ao Estado para que este possa reduzir as já famosas despesas orçamentadas para a renovação da frota dos quadros dirigentes dos Hospitais S.A.
Já há muito tempo que não ia a um "blind date", ou deverei dizer um blog blind date? :-)
Fantástico papel de parede! O blogue ainda está em aperfeiçoamento mas a amostra é digna de se ver: o Adzivo mudou-se para o Sapo.
(E agora para dizer bem de alguém...)
Com muito gosto assinaria por baixo o texto: Texteis Chineses do CAA no Mata-Mouros
Excerto:
A liberdade de comércio é um bem inalienável, mas não pode valer por si só. A liberdade é um todo e não se pode segmentar em parcelas caprichosas.
O que torna esta questão dos texteis chineses quase perversa é o facto desses produtos terem proveniência num país desprovido das mais elementares liberdades políticas ou outras. Existem fortes suspeitas que algumas das principais fábricas de texteis chineses "empregam" prisioneiros, alguns de cariz político, forçados a trabalhar em regime de escravidão.
Um liberal não pode aceitar uma coisa destas. A China é ainda uma tirania, com muitos laivos comunistas, mas que se arroga possuir alguma liberdade económica. (...)
Outro texto a não perder no mesmo blogue e do mesmo autor é ABORTO - PSD impõe disciplina de voto: assim se vê a força do PP
Excerto:
(...)Ora, quem não luta por princípios seus, na política como no resto, acaba sempre por se ver a defender os princípios dos outros. Essa é a força do CDS-PP nesta coligação, como o tema do aborto tão bem espelha. Dando o ar de que lutam convictamente pelas suas ideias, os centristas preenchem o espaço acefalamente deixado vazio pelo PSD. E ganham terreno todos os dias, nomeadamente junto dos "pragmáticos" de serviço.
Durão é desmentido numa questão essencial por Guilherme? Não faz mal - desde que a coligação permaneça estável e os lugares que importam continuem assegurados.
E se o João Miranda fosse um gigantesco comediante? O maior humorista do Portugal e arredores? Tão tolos que pareceriamos ao pé dele...
Hoje está num daqueles dias em que me faz duvidar em absoluto de sua verdadeira personalidade. É quase impossível não acreditar que se decidiu a ridicularizar o liberalismo com o seu ultra-liberalismo. Mas se assim fosse eu estaria a achar que o João é mais maquiavélico que o maior paradigma dos príncipes renascentistas (não é um elogio, notem bem).
O pior é que a alternativa é achar que, por exemplo, isto (ou todos os restantes textos de hoje, para não ir mais longe), é simplesmente atroz.
Outro dia menos avassalador tentarei ter energias para contraditar o João, noutra base, mais argumentativa. Hoje rendo-me.
Apetece-me dizer como a outra do Magazine da Dois: "Eu hoje vou fazer um filho!"
P.S.: Quase a despropósito, um dia quis comprar "A Minha Luta" de Hitler e não me a venderam (Bertrand). Muito a medo, depois de me olhar de alto a baixo o livreiro achou-me merecedor uma resposta comunicada numa a voz cheia de tremeliques: "Não estou autorizado a vender esse livro". Eu achei muito mal. Para que conste.
Fizeram os dias assim
Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas
Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam
Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam
Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!
Não nos venham pedir contas
Não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Não vão ser gastos assim!
Fonte: aqui.
Trovante : Fizeram os dias assim
Música: Manuel Faria
Letra: Luís Represas
In: "Sepes" 86
versos de segunda (jeito de jj)
Sempre estive ao lado do Presidente. Acho que até há pouco tempo tem desempenhado bem as funções mas...
O mas vem da repetição de argumentos, da demonstração da ausência de poderes que reaviva de uma forma que não tem correspondência com a realidade constitucional.
O presidente repetiu-se no apelo quando veio da última vez em directo ao país (casa Pia) e repetiu-se agora com maior ou menor intensidade argumentativa ao afirmar que o actual rumo da governação não está a resolver os problemas, não se apresenta satisfatório quanto ao que se exige de um governo da república.
Se na primeira repetição se justificou e desculpou pela razões objectivas e emotivas que transpareceram, nesta última (que não é a segunda, é apenas mais uma de muitas no mesmo sentido que temos ouvido praticamente desde o final do primeiro ano da actual legislatura) já acho que contribui mais para a desvalorização do papel do presidente do que o oposto.
E passo a explicar. É difícil imaginar o presidente a ser mais contundente na critica que faz ao governo e ao balanço da sua acção do que tem sido nos últimos meses (pelo menos desde o discurso do 25 de Abril). À oposição dedica algumas fórmulas de retórica sobre a disponibilidade para o consenso, no entanto, em nenhum ponto desmascara alguma oportunidade real de consenso tentada pelo executivo e rejeitada pela oposição. Eles não são os maus da fita segundo o presidente. A sua insatisfação, o seu verbal murro na mesa dirigisse agora como ontem essencialmente ao governo. Notem bem que disse agora como ontem. Ora já ontem, noutros discursos (uma pesquisa no adufe leva-los-á a alguns deles) havia ficado claro que o PR não está satisfeito com o governo a quem deu posse. Hoje repetiu com ênfase e teve como resposta pela enésima vez o total desrespeito intelectual por parte dos destinatários.
Em nenhum momento os destinatários acusaram o toque e /ou mudaram o rumo, alteraram o diagnóstico feito pelo presidente. Assim sendo, cada nova repetição adivinha-se que não passará de mais uma oportunidade para o PR promover sorrisos amarelos bem disfarçados por parte de quem olimpicamente o menoriza. Promovendo também a descrença e a desconfiança dos cidadãos que esperam dele algo mais do que prestar-se a bombo da festa com voz grossa e mãos de manteiga (ai as metáforas...).
Em suma: ou o PR se cala de vez, ou enfrenta directamente quem teima em redizer e reinterpretar o que ele diz assim transformando politicamente um cartão amarelo num assobio de um árbitro de bancada ou se propõe substituir o governo se determinadas e bem claras condições não se verificarem em tal data.
Continuar assim é que não.
A sabedoria popular por vezes entra em guerra consigo própria. Bem vistas as coisas tudo o que sabemos tem o seu quê de sabedoria popular. Recordo hoje dois exemplos que ouvi ou li nas últimas 12 horas e que me recordaram outras duas desmistificações feitas à medida:
A república das Bananas. Como toda a gente sabe é uma coisa ruim que nos transporta mentalmente para um país organizado por algum antepassado nosso num estágio muito primitivo da evolução. Ao afirmarmos viver numa identificamo-nos com os macacos.
A desmistificação: numa concepção meramente utilitarista a banana é um fruto evoluido pois a banana não tem caroço. (Notem que cito a sabedoria popular).
O enterrar a cabeça na areia como a avestruz. António Costa (PS) usou hoje esta metáfora para classificar como medrosos (como é perigosa esta palavra!) os partidos que suportam o executivo, assim como o próprio executivo. Referia-se à congratulação quase efusiva com que os representantes destes partidos receberam as violentas críticas que o PR fez à governação do país. Naturalmente não interpretaram violência alguma, nem sequer a menor crítica ao governo nas palavras do presidente. Dito isto atentemos que António Costa teria estado muito bem se ninguém soubesse que a avestruz de facto não enterra a cabeça na areia.
Se olharmos para a avestruz com atenção poderemos notar que esta está na realidade a encostar o ouvido ao chão para antecipar eventuais perigos que façam vibrar o solo. Uma atitude cautelosa, previdente e potencialmente fulcral para a vida da ave.
Está na altura de imitarmos as bananas renovando as nossas metáforas, apoiando-nos noutro nível da sabedoria popular. Imaginem que havia alguém no PSD que já tivesse observado atentamente uma avestruz? Tínhamos piadola para a abertura do Telejornal e poucos ouviríamos o que disse o PR.
Só hoje (o technorati parece ter semi-ressucitado) vi a lista de blogues da Espuma dos Dias lá bem no fundo do blog e achei brilhante o nick com que baptisou o Terras do Nunca: separatista do DN.
O nome parece cada vez mais perfeito, se avaliarmos pela intervenção do JMF e a compararmos com uma suposta imparcialidade do jornal onde trabalha, um jornal cada vez mais "Capitão Gancho". Mas não há justa causa de despedimento. O "separatismo" não se confunde com deslealdade ou falta de profissionalismo. Os blogues, nesse sentido, são um excelente instrumento de liberdade e expressão para quem trabalha num jornal.
É possível e recomendável dar largas aos neurónios e demonstrar inteligência. Tantas vezes dúvido das capacidades de alguns jornalistas ao ponto de os imaginar inimputáveis que é reconfortante ler exemplos como o JMF na blogoesfera.
E o JMF tem dado o melhor dos exemplos de como é possível intervir por aqui sem ser desleal consigo próprio e com quem lhe paga para escrever num jornal.
Sabe separar muito bem as esferas, imagino que não sem algum esforço (como aliás acho que já reconheceu há tempos). Nesse sentido é um louvável e paradigmático separatista. Assim haja gente nos jornais, entre os que mandam, que tenha essa mesma capacidade de análise do fenómeno blogger e da intervenção de profissionais das notícias.
P.S.: Eu até compro o DN de vez em quando só para ver se apanho algum texto assinado pelo JMF (para donativos ao Adufe contacte via caixa de correio)...
Ass.: 7 instrumentos
O primeiro a dar-me a notícia foi o Paulo Gorjão: temos um Clube do Chiado. Vê-se bem que não leio o Espesso...
Trata-se de um grupo de reflexão organizado sob a forma de grupo com direito a estatutos e orgãos eleitos que se autoclassifica como congregando cidadãos de centro esquerda - falo da rosa dos ventos política bem entendido.
Parece que é composto por militantes de partidos e nesta fase (?) propõe-se discutir o país, a Europa e tentar influenciar a política que se faz por cá.
A que propósito vem esta campanha?
Hoje, por e-mail, um colega faz-me chegar o link com um breve comentário inscrito no próprio assunto da mensagem: "Isto é mesmo para ti".
O que via ele naquele Clube para dizer tal coisa? Imaginava-me a militar num Clube do Chiado? Gosto de ler Eça e bastas vezes circulam por aqui ideias de esquerda, de centro esquerda e afins... Mas que diabo, temos por aí um partido há muitos anos, porque achou ele que o Clube do Chiado é que tem a minha cara?
Dediquei-me a ler as letras miudinhas do dito clube e na declaração de princípios encontro, bem no final, aquilo que julgo ser a principal distinção que este meu colega (um homem às direitas) encontrou para me imaginar como membro. No ponto II Acção e Método lê-se como 3ª modalidade de acção:
"A terceira modalidade são os weblogs, em que um conjunto restrito de membros do clube se organiza para iniciar um debate permanente sobre um tema ou uma política, acessivel a todos na internet e selectivamente aberto a outros intervenientes, de acordo com os critérios dos membros responsáveis por cada um dos weblogs que possam vir a ser criados e mantidos pelo Clube".
E esta hem? É melhor não dizer mais nada não vá cristo descer à terra!
Mas ainda acrescento que o meu colega anda distraído poís há por aí já bons blogues políticos com chancela bem vincada por este mares.
Quando virmos por aí a direita encartada de símbolo ao peito a apanhar das boas dos liberais com e sem consciência social que por aqui andam é que vai ser do bom e do bonito. A propósito, já haverá (finalmente) algum blogue com chancela dos partidos do actual arco governativo?
São 23h25 e tudo está bem! Dlim Dlão
Hoje apeteceu-me ser guarda noturno... Deixa-me cá ir espreitar ali a viela dos blogues que já se faz tarde...
(...) O que é assustador é que os políticos que chegam ao poder não fazem a mínima ideia do que é viver no interior para além do pitoresco elogio que endereçam a quem cá vive. (...)
O Carlos Alves do Ideias Soltas lá do seu baixo alentejo pensou também um pouco sobre a "descentralização" e oferece-nos algumas perplexidades e sugestões neste seu texto: Quero ser eu, quero ser eu a esquartejar! .
A tese Federalismo, Liberalismo e a União Europeia do Rui da Catalaxia. Um bom texto de reflexão. Gostava de ver esta tese claramente defendida por algum partido português e europeu.
Ajudaria a clarificar muita coisa e abriria a possibilidade para um entendimento e para alguma acção bem mais democrática e respeitadora da cidadania do que as bizarras movimentações de comadres em que se está cada vez mais a tornar a "descentralização" e a definição da uma União alargada. Se não o são assim parecem.
Escreveu Mário Garcia (queres ver que fomos colegas pá!):
Francisco Pereira de Moura, meu Professor no 2º ano de Economia, ensinou-me sempre a ter o máximo de cautela ao ler Relatórios e Estatísticas, e a nunca desprezar nem as notas de rodapé, nem os anexos técnicos, e principalmente as metodologias de trabalho e de agregação de variáveis.
Pergunta o leitor a que propósito vem isto? Vem a propósito desta "verdade" que a Mário em muito consegue Desacreditar.
Recebido por e-mail. Se calhar até é de algum blogguer mas não tenho a fonte.
Trata-se de um testemunho dramático. Do mais dramático que já li no género: "Ai tu não trancas o carro no semáforo depois admira-te!"
Temo que esteja eivado de alguma xenofobia mas com a segurança não se brinca. Tenham cuidado. Podia acontecer connosco!!
Não costumo acreditar neste tipo de avisos e muito menos costumo reencaminhá-los, mas achei que era importante alertar-te, até pela credibilidade da pessoa de quem recebi e do texto.
Tem muito cuidado ao parar nos semáforos onde ficam aqueles malabaristas
com fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao show, outro malabarista vem
por trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O condutor, assustado e com o carro em chamas, sai a correr desesperado. Nesse momento, surge um terceiro malabarista, que vem pela direita e atira um chimpanzé domesticado para dentro do carro, vestindo um fato com isolante térmico. Este chimpanzé, treinado na cidade do Cairo (Egito) e alimentado com damascos gigantes da Nova Guiné, rouba o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel.
Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem voos rasantes sobre a cabeça do condutor, distraindo a sua atenção para o que está a acontecer dentro do carro! Quando o chimpanzé abandona o carro, eles fogem numa trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana rumo a outro semáforo.......
O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo meu, passou por
isso, então resolvi dar o alerta.
So’ lhe resta pedir a demissao" até rimava numas estrofes ali em baixo aí se rimava...
O concidadão João César das Neves, economista, antigo paladino do Cavaquismo e eterno cavaleiro do catolicismo de armadura e montada, em tempos, fez uma proposta de saneamento da classe política que retive na memória.
Se bem me lembro rezava assim (naturalmente acrescentarei o meu pequeno ponto):
Quem se quer propôr a político (fixemos o momento de não retorno na candidatura a um cargo do aparelho de Estado) deveria passar por um momento de reflexão no qual tentaria avivar ao máximo a sua memória focando-se nas eventuais faltas à lei que tenha tido durante a sua existência. Refiro-me a falta conhecidas publicamente e, particularmente, a faltas ainda não conhecidas.
Concluida a reflexão deveria propor a uma entidade superior do nosso quadro judicial (imaginemos o Tribunal Constitucional ou outra instituição de alto gabarito) a avalição dos seus pecados. Deveria confessar-se e aguardar pela penitência.
A penitência poderia passar por um "indulto" compensador para o erário público, se disso se tratasse (ajustar-se-iam, por exemplo, as contas fiscais) e, posto isso, o cidadão seria reabilitado e sairia virgem e inatacável da barra desse tribunal. E ai do orgão de comunicação social que fizesse notícia escandalosa (ou tentasse) com matéria anteriormente "indultada" e já publicitada no decurso do público processo de contrição.
Naturalmente, se o Tribunal considerasse as faltas demasiado graves e sucessivas, de acordo com o enquadramento legal em vigor (imaginemos crimes passíveis de pena de prisão superior a 3 anos), dificilmente o cidadão poderia exercer qualquer cargo político.
Quem, tendo passado por este crivo fosse considerado apto para servir a pátria no aparelho do Estado, viesse a incorrer em alguma infração no decurso de funções deveria ser exemplarmente punido por uma lei particularmente penalizadora, naturalmente. Bem mais do que hoje.
Imaginem os ministros (bispos afinal!) que poderiam te-lo sido sem cairem em desgraça. Imaginem a arrecadação fiscal que não teríamos tido com considerável antecipação. Imaginem o que não se ganharia em transparência, em compaixão, em tolerância, em auto-estima...
Começar de novo. Um fundador contributo do cristianismo à sociedade dos homens.
Será que não há por aqui nada que se aproveite para o nosso dia-a-dia? Para podermos começar de novo?
Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu deixava, eu deixava todo o mundo passar
Gentes de terras distantes
Todos de papo para o ar.
Nessa rua, nessa rua tem um quiosque
Que se chama, que se chama Pião
Dentro dele tem ruído
Que ensurdece o maior folião!
Quando quem passa troca um olhar
O quiosque vira canção
O pião assobia a melodia
E o passante se rende à emoção.
Se essa rua, se essa rua fosse minha
Não tinha tristeza, não.
Não jogava xadrez com a morte
Faria do afecto minha oração.
Brincadeirinha... Paz e amor! Porque não?
“Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Só pra ver, só pra ver meu bem passar
Nessa rua, nessa rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
Tu roubaste, tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
Foi porque, só porque te quero bem”
Eles variaram...
A Cathy lança um desafio que eu estendo um pouco mais a este lado do Atlântico. Vamos brincar escrevendo uma variação do clássico popular? Como disse em baixo, para desanuviar, não há nada como assobiar. Faz de conta...
Ora deixem-me cá escrever uma piadola em jeito de trocadilho com o nome do nosso ministro da Educação que é para desanuviar e manter a tradição latina de troçar com o nosso fado.
Assim uma coisa bem básica, à moda do taxista que há em nós. Portanto, David Justino...
Take 1:
O Golias está para o Isaltino assim como o David está para o Justino... ná, não serve esta.
Take 2:
Oeiras, Oeiras, terra de carneirada,
Todos comem o teu queijo e ninguém se lembra de nada.
Ainda se fosse em Ponte de Lim(i)a(no), mas em Oeiras... Esta também não serve.
Take 3: Take 3?! Livra!? Já não basta o ex-autarca-modelo e o agora ministro... É melhor ficar por aqui que o meu taxista interior está meio adormecido. Só lhe dá para exigir um regime fiscal só para mim!!!
Desisto dos trocadilhos e dos seríssimos textos da blogoesfera portuguesa. Depois de dar um pulinho aos despenseiros vou ler mais um pouco da "Fantasia para Dois Coronéis e uma piscina" do Mário de Carvalho. Lá, naquele país, é que se está bem. É bem azulinha a água, ó se é, até se vê o fundo, os peixinhos, as pedras e tal.
Notem bem que estes números (ver texto anterior) não reflectem qualquer défice orçamental, apenas conseguem aproximar o desequilíbrio estrutural entre origem e destinos dos valores monetários que se encontram à disposição das Câmaras.
Assim, os 10 concelhos onde as receitas correntes se apresentavam claramente excedentárias face às despesas de igual natureza, segundo os dados divulgados pelo INE foram, em 2001:
1º Oeiras (Despesa corrente inferior à receita corrente em 36516 mil euros)
2º Cávado
3º Sintra
4º Cascais
5º Porto
6º Braga
7º Matosinhos
8º Seixal
9º Lisboa
10º Almada (Despesa corrente inferior à receita corrente em 15325 mil euros)
E com isto terminam por hoje as curiosidades estatísticas, há muito prometidas e muito pouco cumpridas, aqui no Adufe.
Pegando em dados estatísticos facilmente acessíveis (Retratos Territoriais do INE) fiz uma conta muito simples.
Utilizando dados de tesouraria (receitas totais iguais a despesas totais) fui ver quem é que registava os maiores desequilíbrios positivos e negativos ao nível de despesas correntes versus receitas da mesma natureza.
Em 2001 (são os dados mais recentes), os 10 concelhos com os maiores desequilíbrios negativos foram os seguintes:
1º Ourique (Despesa corrente superior à receita corrente em 1982 mil euros)
2º Celorico de Basto
3º Mourão
4º Alcácer do Sal
5º Mação
6º Celorico da Beira
7º Sines
8º Ferreira do Alentejo
9º Santiago do Cacém
10º Monforte (Despesa corrente superior à receita corrente em 925 mil euros)
A minha colega aqui do lado que me dá o prazer da sua companhia há já mais de dois anos, traz na carteira o novo horário da Carris que julgo poderá ser útil aos lisboetas mais desprevenidos que insistem em usar transportes públicos zelando, com algum sacrifício, pelo bem de todos. Heróis, companheiros, amigos... cá vai.
13 de Janeiro das 14:00 às 17:00
15 de Janeiro das 17:00 às 20:00
20 de Janeiro das 20:00 às 23:00
22 de Janeiro a partir das 22:00
27 de Janeiro até às 8:00
29 de Janeiro das 8:00 às 11:00
Para Fevereiro há mais. Mais greves como é evidente...
É só para dizer ao Perras do Nunca que não se demore, que há por cá muita gente deste lado. Aqui, por exemplo, já se escrevem texto novos, sem necessidade de canibalizar os antigos; ainda que se escreva mais do mesmo demasiadas vezes...
Somos tantos que parecemos gralhas a palrar.
Afinal temos de continuar a tagarelar. Como escreve o Mário de Caravalho logo no início do seu último romance (Fantasia para dois Coronéis e uma piscina, Caminho, 2003):
"(...) O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O Pais não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.(...)"
Temos de demonstrar que o pessímismo do narradar é exagerado... trocando umas ideias sobre o assunto. Não se demore Serras do Nunca!
Pronto! Vou encerrar o episódio de dificuldades de comunicação, chamemos-lhe assim (inépcia tecnológica?). Desliga-se a firewall e tudo funciona como dantes. Mas a firewall está cá por algum motivo...
Mas como explicar que a firewall não embica com as "Novas Entradas" da "Bloga?!", apenas com as do "Adufe"?
Houve de facto uma alteração que fiz com a firewall nos últimos dias. Exclui uma série de IP's que ela me indicou como suspeitos (potenciais troianos e afins - a lista surge ali em baixo e muitos devem ser inofensivos). Será que entre os Ip's que bani se inclui algum relevante para comunicar com o servidor onde está o http://adufe.weblog.com.pt? Devo estar a dizer disparates mas enfim. Tenham paciência.
De qualquer forma obrigado a todos.
O Adufe segue dentro de momentos.
Caro Adufeiro,
Acho que tem uma situação levemente confusa em mãos.
Eventuais ataques à sua máquina pessoal onde faz a edição do blog não põem em causa a integridade do adufe.
Porque o adufe está alojado no weblog.com.pt e a segurança aí é assegurada pelo gestor do serviço (e não é nada má :)).
O mais certo é ser um problema temporário que o Paulo Querido poderá ajudar a resolver se for na máquina dele ou que tem a ver com a configuração da sua firewall.
Nestas coisas as explicações são, frequentemente, mais simples e não mais complicadas.
Em suma, tenha calma e fale com quem o pode ajudar.
Nota: As firewalls registam como "ataques" ou tentativas de acesso coisas perfeitamente inocentes como sejam, por exemplo, comunicações de rotina entre dois computadores destinadas, pro exemplo, a verificar que o outro ainda está on-line.
Este foi o comentário do Irreflexões à estrada anterior.
Destaco aqui o contributo do Irreflexões ao meu apelo porque chama a atenção para alguns ponto relevantes. Para potenciais falso problemas.
Tanto quanto sei até ao momento o problema que tenho enfrentado está localizado na minha máquina. Estou neste momento a usar outra ligação e como vêem acabo de editar uma nova entrada...
O único aspecto absolutamente estranho e que me levou a publicitar o problema tem a ver com um evento para o qual ainda não encontrei justificação. Na mesma máquina, com a mesma ligação, com a mesma configuração do computador consigo entrar e publicar um blogue do weblog.com.pt (o Bloga!?) mas não consigo publicar novas entradas (e apenas isso) no Adufe. Parece-me a mim (posso estar enganado) que a ser algum conflito da firewall, ou coisa que o valha, deveria suceder com os dois blogues, alojados no mesmo sítio cujos procedimentos de edição (cookies carregados e afins), suponho, que sejam idênticos. Ou não serão?
A meio gás o Adufe regressa...
(Inicialmente publicado dia 9 de Janeiro de 2004)
O Adufe inicia hoje uma acção de protesto e contestação exigindo junto do Ministério das Finanças um regime fiscal mais favorável para o seu autor. Leia-a o manifesto em anexo!
O autor além de ser bom rapaz e de estar a pensar contribuir para combater a curva demográfica desfavorável à saúde financeira do sistema de segurança social nacional e à própria actividade económica da pátria mãe, é ainda um trabalhador por conta de outrem extremamente dedicado.
A exigência passa por reclamar a isenção de pagamento de impostos por parte de um dos elementos que auferem um rendimento regular e que incorporam o agregado familiar do autor do Adufe. Não se pede mais do que a transposição para os trabalhadores por conta de outrem do regime mais favorável concedido aos empresários proprietários de taxis que viram o rendimento obtido por um dos seus veículos ser isentado do pagamento do imposto devido, comparável ao Imposto Sobre o Rendimento que incide sobre os trabalhadores por conta de outrem (fazendo fé na veracidade da notícia de hoje do Jornal de Notícias).
Enquanto não se iniciarem negociações directas, bipartidas, de carácter semi-secreto entre um representante do ministério das Finanças e do autor do Adufe, este blogue não deixará de se manifestar publicamente reclamando igualdade de oportunidades (direitos e obrigações) entre os cidadãos e agentes económicos deste país.
Tenho dito!
Última actualização: A situação já foi resolvida
Actualização IV: Noto via Mata Mouros (CAA) que o jornal Público de hoje trouxe à baila o tema da "regionalização" à lá Durão Barroso / Paulo Portas. Ainda esta semana abordei o tema realçando a minha inquietação. Convido-vos a passarem por aqui.
Actualização III: Cá estou eu outra vez sempre no mesmo "post".
Antes de mais agradeço a todos os que tentaram ajudar-me ao longo destes dois dias. A tensão arterial está controlada, o princípio de apoplexia que alguns adivinhavam ainda não deu sinais de iminência.
De qualquer forma, para os mais desconfiados de que há aqui algo mais do que azelhice ou capricho dos computadores e suas linguagens, deixo informação dos senhores que foram identificados por uma sofrível mas esforçada Firewall - que me acompanha desde que há Adufe - como potenciais invasores troianos e afins ao longos dos últimos meses. Estes operadores encontram-se teoricamente banidos de contactar este vosso amigo.
Pelo sim pelo não acautelem-se com os seguintes IP's suspeitos:
67.165.102.53
194.65.184.55
12.225.152.153
68.56.92.166
80.201.162.153
217.129.59.180
213.22.38.97
213.22.96.235
66.66.99.248
67.161.123.95
81.84.46.225
Actualização II: Entretanto expus a situação no Fórum do weblog. Para mais detalhes dê um saltinho aqui.
Actualização: continua tudo na mesma. Consigo editar textos velhos, consigo até editar e publicar novos textos em outros blogues que usam a mesma ferramenta e estão alojados no weblog.com.pt mas não consigo publicar textos novos no Adufe. Seja um mistério da técnica ou obra de alguma mão de artista o Adufe está a falar-vos do fundo de um poço.
Num comentário a este texto alertam-me para um eventual ataque ao blogue/computador. Diz o leitor Nulo: "Não perca a calma, respire fundo, porque isso é só o princípio. A seguir apoderam-se completamente do blog, apagam todo o conteudo e deixam o cadaver a pairar na blogoesfera para servir de prova que eles não dormem e andem aí. Logo à noite o Grande Ayatolla da Marmeleira citará o seu caso como paradigma da intervenção necessária. Arranje outro que este já foi!!!"
Já não seria a primeira vez na blogoesfera nacional, mas tanto quanto sei não tenho ainda dados para confirmar esse cenário.
Caro Nulo. Nunca me iludi muito quanto ao meio. On-line, off-line, há uma batalha permanente e gente para tudo. Mas tem um quê de poético este precalço (?) que me permite manter o Adufe se canibalizar mensagens velhas (lembro que só estou impedido de editar mensagens absolutamente novas). Como diz hoje o nosso companheiro da Marmeleira: As cinzas são um bom adubo.
Entretanto diverto-me a arranjar um nome para um eventual novo blogue. E para já, entretenho-me com outros compromissos.
Texto nº 997 do Adufe: pelo 2º dia o mistério continua. Nunca me tinha acontecido, segue a descrição do problema:
Meus amigos, não sei se já aconteceu este fenómeno a alguém mas fica aqui o meu relato.
Não consigo escrever novas entradas no Adufe. Apenas consigo reeditar entradas/textos antigos. Entro no editor do blogue e tudo está disponível excepto a opção "Nova Entrada" que depois de escolhida me leva para uma página onde apenas se vê o cabeçalho do Movable Type. A página fica a carregar mas nada, nicles, népia.
Enfim, o Adufe está em coma.
Fiquem bem.
(Estes ficaram e de que maneira :-) A avaliar pelas imagens.)
Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias – 2003
Em Junho de 2003, 38,3% dos agregados domésticos portugueses possuíam computador e 21,7% tinham acesso à Internet em casa. A proporção de indivíduos com idade entre os 16 e os 74 anos que utilizou computador e que acedeu à Internet foi de, respectivamente, 36,2% e 25,7%. Fonte INE
(...)
Os agregados de Lisboa e Vale do Tejo são os que apresentam níveis de posse mais elevados, acima da média nacional, respectivamente, 44,7% e 26,9%. Por outro lado, os agregados do Alentejo são os que apresentam os mais baixos níveis de posse de computador (31,1%) e de Internet (16,6%).
(...)
é entre as camadas mais jovens da população que se regista maior utilização de ambas as tecnologias – 71,2% dos indivíduos do escalão etário dos 16 aos 24 anos utilizaram computador e 56% utilizaram Internet no período de referência; os estudantes e os empregados são, ao nível da condição perante o trabalho, quem apresenta proporções de utilização mais elevadas, respectivamente, 96,9% e 41,6% para o computador e 83,5% e 28,2% para a Internet; por nível de ensino, os indivíduos que têm os níveis de ensino superior e secundário foram os que mais utilizaram computador (89,9% e 81,3%) e Internet (77,6% e 66,5%).
(...)
Grande parte dos utilizadores de Internet (81,9%) usou este meio para pesquisa de informação sobre bens e serviços. Mais de 1,5 milhões de utilizadores (77,5%) acederam à Internet para enviar/receber e-mails e cerca de metade (49,4%) leu/fez download de jornais/revistas online, enquanto 43,4% jogaram/fizeram download de jogos, música, vídeo e imagens. De realçar que mais de um terço dos utilizadores de Internet (38%) esteve ligado às autoridades/serviços públicos no sentido de obter informações através de sites de organismos da Administração Pública.
(...)
Cerca de 183 mil indivíduos, 2,3% dos indivíduos dos 16 aos 74 anos, a que corresponde 9% dos utilizadores de Internet nos três meses de referência, compraram/encomendaram bens ou serviços através da Internet para uso privado (utilização fora da actividade profissional) no mesmo período. Para o pagamento dos mesmos, a maioria dos que efectuaram comércio electrónico forneceu os dados do seu cartão de crédito ou de débito através da Internet (57,3%).
Os bens e serviços mais comprados/encomendados online foram acções na bolsa/serviços financeiros/seguros (43,1%), livros/revistas/jornais/material de e-learning (39,9%), bilhetes para espectáculos/eventos (25%), viagens e alojamento (24,3%) e filmes/música (23,3%).
Dos indivíduos que não utilizaram comércio electrónico nesse período, 10,6% já alguma vez tiveram esta prática. Para os utilizadores de Internet nos três meses de referência que nunca efectuaram comércio electrónico, entre as razões mais apontadas para nunca terem comprado/encomendado bens ou serviços através da Internet salientam-se a preferência pelo contacto pessoal com o vendedor e com o produto (83,6%), a força de hábito/fidelidade aos comerciantes/fornecedores habituais (60,9%), o facto de não terem necessidade (59,4%), os problemas de segurança/preocupação em fornecer dados do cartão de crédito através da Internet (44,0%) e os problemas de privacidade/preocupação em fornecer dados pessoais através da Internet (40,8%).
in INE (para mais dados pesquise o destaque à comunicação social no página do INE)
A esquerda dialoga onde bem calha, a direita só o faz à porta fechada, secretamente.
Moça: Rui, achas que os compositores de música clássica gostariam de ver excertos das suas obras como toques de um ordinareco telemóvel?????
Como o Paulo Gorjão parece não ter certezas quanto à sua opção pela newsletter atrevo-me a ir além das piadolas que já aqui deixei.
Acho muito nobres as justificações que aponta para a existência de uma newsletter, terão a sua utilidade mas parece-me que o Paulo, se de facto não tem qualquer objectivo mercantilista para um futuro próximo, perde mais do que ganha.
Porquê os conteúdos disponíveis apenas na Newsletter? Porquê forçar o leitor a ter que receber os seus textos no e-mail?
Eu por exemplo gosto de os ler no blogue, não tenho interesse em recebê-los no correio, em esgotar ainda mais facilmente a minha quota de megabytes no servidor. E além disso até prezo alguma aleatoriedade na leitura, uns dias apetece-me ler outros não, acho piada ir visitar alguém em vez de ter uma consulta ao final do dia.
É uma mania minha, mas desde que o Bloguítica passou a ter newsletter passei a ler apenas fragmentos e em breve advinho que deixarei em absoluto de ler o Paulo. Estou fartinho do formato e-mail, leio demasiados todos os dias. Gosto de passear pelos templates dos blogues, espreitar as novidades.
Quanto ao retorno basta ter um endereço de e-mail disponível e introduzir comentários no blogue. A ferramenta do Movable Type, por exemplo, pode ser teimosa exigindo que só se consiga fazer um comentário mediante a indicação de um contacto, por exemplo (facilmente ultrapassável).
Então e a polémica como fica? Exclusivamente bilateral?
Em suma, tenho pena que sejam estas as regras do novo jogo da Bloguítica...
P.S.:Aqui no Adufe, por exemplo, quem quiser ser avisado da existência de um novo post pode fazê-lo registando-se num campo para o efeito, disponível na coluna da direita.
O meu amigo Nuno Peralta aconselha a leitura de "uma análise sóbria e séria sobre as fugas de informação no Processo Casa Pia." e remete-nos para o artigo desta semana no Público de JPP.
Séria e sóbria?! Poupa-me Nuno. Como o próprio JPP a linhas tantas diz: "abriu-se uma avalancha de processos de intenção e de fugas de informação, de teorias conspirativas, que acaba por negar qualquer fundamento do processo Casa Pia." O que ele escreveu no Público em nada se distingue do que supostamente identifica "friamente". O texto está carregado de processos de intenção, de interpretações, de "parece ser".
É mais uma opinião que facilmente seria rebatida por uma conspiração da conspiração da conspiração.
Já sabemos com o que contar da comunicação social, dos políticos. Conhecemos também as regras do jogo da defesa e da acusação, neste como em tantos outros processos. Ainda não vimos a prova nem o julgamento feitos pelos juízes.
Abafemos o ruído e foquemo-nos no que falta, interpretemos tudo o que temos para interpretar depois.
Já escrevi e rescrevi, amarrotei éne folhas de papel virtual até estas palavras que lêem. Tudo porque me espantei de novo com a minha emoção à flor da pele.
Tenho tido muito pouco tempo para a música, para a melomania. Nas minhas antigas noites de estudo, de uma forma subliminar (o rádio murmurava), era a Íntima Fracção que me fazia reganhar energias sempre por via de um momento sublime que me era oferecido por um som... O som de um combóio, de uma tempestade, de um grão de voz, uma emoção que vinha de um sítio sem olhar, sem reflexo e, contudo, de alquimia.
Hoje, enquanto vos escrevo, regresso ao tempo das cassetes. A "cassete" são 40 megabytes em formato MP3 que me fazem correr este risco do excesso de palavra. Regresso ao trabalho, sempre aqui em frente ao computador, regresso aos textos, às fórmulas, espremo números tentando não lhes alterar o sabor, mais por gozo do que por vontade de academismo. E de novo a Íntima Fracção...
Antes que se escoem os pouco mais de 40 minutos de música, antes de acabar de ler os poemas do alinhamento que a Cristina aqui publicou, abandono os blogues por alguns instantes mas volto a deixar-vos a dica para uma Íntima Fracção a ouvir de preferência no nosso mais íntimo prime-time.
Adufada do dia vai para o nosso colega João das "Terras do Nunca". Bem sabemos que o João é jornalista, parte interessada numa guerra estranha a que vamos assistindo. Dito isto não perde mérito nenhum aquilo que escreveu e que traduz em absoluto o que senti ontem quando estava bem refastelado a assistir ao telejornal:
"É engraçado. Os deputados da Nação apenas se indignaram com o processo Casa Pia no dia em que saiu a notícia mais idiota e verdadeiramente inofensiva de toda esta história."
Para lerem o resto não é preciso assinar nenhuma newsletter, basta clicar aqui.
Se atentarmos ao exemplo de "regionalização" que estamos a construir e às opções do passado que a ela levaram, bem como, à forma como se chegou a elas, a única sugestão que podemos oferecer a nós próprios é a de uma reflexão.
Perante a tradicional reacção epidérmica de gregos e troianos parece-me esse o melhor caminho para considerar o nosso futuro coléctivo.
Pensemos muito bem antes de nos levantarmos, por exemplo, contra uma ideia de Federalismo à escala europeia - que é ainda um quase nada por poder ser muita coisa.
Recusar liminarmente qualquer forma de Federalismo, às vezes apenas porque a palavra historicamente não está no nosso ideário de estimação, e permitir a vitória do discricionarismo, poder-nos-á levar, numa escala global, a soluções igualmente superficiais e irresponsáveis de consequências bem mais graves. Notem que o igualmente da frase anterior se refere à história da "regionalização" em presença no nosso país.
Enquanto país pequeno absolutamente virado para o relacionamento com o exterior a vários níveis, integrado num poderoso e dinâmico bloco económico, deveriamos ser os primeiros a propor uma ideia Federal para a União Europeia, discutindo afincadamente o modelo.
Digo isto porque me baseio num preconceito, que julgo não fundamentalista, de considerar que o Federalismo tem algo de inseparável na sua concepção: a ideia de um espaço onde a primazia do direito da comunidade resulta da individualidade dos Estados e não de uma uniformização absoluta dos cidadãos através da mais primitiva das ideias de democracia.
A ideia do poder imanar da soma dos votos é historicamente mitigada por uma outra acepção de igualdade, geralmente reflectida num senado comunitário onde o toda a comunidade tem que assumir que está perante uma agregação de estados que se mantêm unidos de livre vontade.
Neste momento, perante os riscos e desafios da União Europeia em franco alargamento e amadurecimento, parece-me evidente que federalizar é o melhor caminho para confrontar os grandes países da União (e os pequenos) com as suas reais motivações e dedicação perante o projecto comum.
O modelo Federal pode ser um excelente argumento e meio para consciencializar cidadãos e políticos da presença de uma união pela livre vontade de Estados individuais. Construir outra coisa que não valorize este facto como um pilar fundador é, muito provavelmente, caminhar para a repetição de erros do passado numa escala original.
Não quisemos a regionalização. Depois de a plantar, Cavaco Silva arrependeu-se e ceifou-a.
Volvido um ciclo político, a actual maioria de direita percebeu que é necessário responsabilizar os concelhos, descentralizar. Mas o dramatismo com que os mesmo enunciaram no passado recente os riscos da regionalização não esteve presente na compreensão da entropia embutida na actual legislação descentralizadora que está em vigor. Reconhecer o erro do passado era ferir demasiado o orgulho pelo que se arranjou um triste remedeio.
Com a lei actual, o político ou melhor o politiqueiro suplantará o interesse das populações que o líder concelhio melhor deveria conhecer. Esse conhecimento, que poderá e deverá de facto ser útil na gestão e na participação em organismos supra concelhios, não serve como se demonstra a cada dia de novas notícias sobre quizilias locais sobre mapas e lealdades, para perspectivar, construir racionalmente a geografia das regiões.
Pelo que leio, o país dos concelhos anda em polvorosa. Disputam-se mais ou menos rasteiramente sedes de Áreas Metropolitanas, chantageiam-se agrupamentos já alinhavadas com o peso dos residentes que faltam para se cumprir a lei, encostam-se concelhos limítrofes e sem alternativas de aliança à parede vergonhosa, edificada sobre um vazio de visão de serviço público.
E apenas começamos a ver o tal triste remedeio que é a legislação estabelecida pelo actual governo. A criação de pseudo-regiões, a la carte, que daqui a poucos anos, concluído mais um ou dois ciclos eleitorais, poderão não passar de retalhos dispersos e desconexos, sem continuidade geográfica e afinidade económica de qualquer espécie, vai-nos fazer ter muitas saudades do futuro que negámos.
Entretanto voltámos a perder tempo, uma nova geração passou e adivinho como raros os exemplos deixados para o futuro.
Tudo está sempre nas mãos dos homens, mesmo a actual lei poderia funcionar com bons Homens, mas alguma inteligência e perspicácia nos caminhos da lei são demasiadas vezes determinantes para distinguir um sucesso de um fracasso.
A bagunça que vai passando discretamente pelos jornais faz adivinhar o pior.
Não resisto a fechar as "operações blogueiras" com um destaque no prime time da blogoesfera à quinta adufadela do dia que está ali mais abaixo. E o destaque é:
Se bem percebi a administração fiscal é convidada a periodicamente, digamos, semanalmente, sortear um contribuinte, não para ser inspeccionado pelos auditores das finanças mas para se deslocar, por exemplo, a um estúdio de televisão e apresentar todas as facturas passadas em seu nome com data do ano anterior. O prémio do contribuinte será equivalente ao somatório dos valores de todas as facturas legalmente aceites que conseguir apresentar.
Continuação do texto anterior
Eu bem que me fartei de procurar na internet a página promocional que vi anunciada num cartaz muito atraente que encontrei no Café 1º de Janeiro da freguesia de Benquerença, Penamacor.
Dizia-se lá que Penamacor ia ter o primeiro festival de Verão em finais de Junho de 2004.
De memória recordo-me da presença em cartaz dos Moonspell mas sei que, para paragens tão a leste do circuito festivaleiro e sem tradições na matéria, o cartaz era de arromba. Infelizmente não fixei a página promocional e faltam-me mais dados mas assim que os tiver virei aqui convidar-vos a conhecerem a minha terra de estimação.
O local dos espetáculos é a praia fluvial desta fotografia.
A pedido de vária(s) família(s) (esta) cá está o Adufe a promover a música nacional, ou quase.
Ai São Bento, ai São Bento... foi a música cantada por um muito castiço grupo local da região do Dão (infelizmente não retivemos o seu nome) que nos levou, a mim e à minha moça, a uma voluntária quarentena de rádios nacionais em favor do que voga pelas ondas das rádios beirãs.
Foram várias as viagens entre Lamego e Castelo Branco em que fomos ouvindo a voz do passado, as escolhas cristalizadas das preferências da comunidade emigrante em fugaz regresso à terrinha que inundava os nossos favoritos programas de discos pedidos. Rádio Lafões, Rádio Limite...
Ficámos absolutamente fãs, eu particularmente! Desconfio que a paixão se justificou para crescente semelhança com a nova TSF que torturantemente insisto em ouvir.
A viagem de circunvalação à Serra da Estrela, empreendida em pleno dia de Natal, foi memorável e a entrada na A23 pelas terra da Guarda, onde a bruma parecia anunciar a entrada num qualquer reino perdido, fez-se ao som d'"As Baleias" de Roberto Carlos esse modelo perene para tantos "conjuntos" e agrupamentos nacionais c-o-n-t-e-m-p-o-r-â-n-e-o-s.
(Continua)
O economista Miguel Frasquinho na sua crónica quinzenal do Jornal de Negócios apresenta-nos uma ideia que só não é peregrina por já ter provas dadas de bom sucesso em alguns países dispersos um pouco por todo o planeta.
O desafio que aborda é o de combater a evasão fiscal e, após alguns brandos considerandos sobre a eficácia da publicidade do Ministério das Finanças e das medidas de incentivo à facturação (deduções à colecta em sede de IRS através de facturas de restauração entre outras), apresenta-nos o sorteio.
Se bem percebi a administração fiscal é convidada a periodicamente, digamos, semanalmente, sortear um contribuinte, não para ser inspeccionado pelos auditores das finanças mas para se deslocar, por exemplo, a um estúdio de televisão e apresentar todas as facturas passadas em seu nome com data do ano anterior. O prémio do contribuinte será equivalente ao somatório dos valores de todas as facturas legalmente aceites que conseguir apresentar.
Um pequeno senão que se calhar há alguns anos poderia dar aso a manchetes de indignação é a companhia de países e cidades onde se aplica actualmente esta promoção do respeito pela tributação: Paraguai, Costa Rica, Taiwan e algumas zonas da China continental. Mas que diabo, mais que não fosse pela auto-estima tão em baixo, quem somos nós para termos complexos de superioridade perante este companheiros de luta?
A ideia é tão hollywoodesca, tão básica e tão simples que pela minha parte acho mesmo que vale a pena tentar. Não resolverá em absoluto o problema mas só lhe vejo vantagens. Quem vota contra?
Em anexo deixo-vos a crónica supra citada.
Miguel Frasquilho
A morte e o pagamento de impostos
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Um dos provérbios mais conhecidos nos Estados Unidos tem a sua origem numa frase de uma carta escrita em 1789 pelo então Presidente Benjamin Franklin (1706-90) a Jean-Baptiste Leroy e é o seguinte: “In this world nothing is certain but death and taxes”.
Um dos provérbios mais conhecidos nos Estados Unidos tem a sua origem numa frase de uma carta escrita em 1789 pelo então Presidente Benjamin Franklin (1706-90) a Jean-Baptiste Leroy e é o seguinte: "In this world nothing is certain but death and taxes".
Isto é, nada no mundo é certo excepto a morte e o pagamento de impostos.
Desde o século XVIII que esta máxima se tornou célebre entre os norte-americanos, pelo que não é surpreendente que a dimensão da economia paralela, subterrânea ou "informal" (designação mais "chique" e hoje tão em voga) nos EUA seja a menor de entre os países da OCDE, correspondendo a menos de 9% do PIB – que compara com os 22,5% de Portugal ou Espanha, 27% em Itália, 28,5% na Grécia, ou mesmo 12,5% no Reino Unido, 15% na França e 16% na Alemanha (os dados são da OCDE).
Penso que em raras ocasiões no passado a questão da fraude e evasão fiscal terá estado tão em cima da mesa, em Portugal, como hoje se verifica. Com toda a propriedade – como os números acima documentam.
É provável que seja neste ano de 2004, que agora iniciamos, que o cruzamento de dados entre o fisco e a segurança social seja levado a cabo de forma efectiva pela primeira vez, o que acalenta esperanças de que a luta contra essa fraude e evasão possa começar a ter mais resultados.
Mas é preciso não ter ilusões: a questão da fuga aos impostos é, antes de tudo, uma questão cultural e de mentalidades. Se, em média, qualquer americano toma o pagamento de impostos tão certo como a morte (já desde o século XVIII...), em Portugal, a resposta à pergunta "O que é que toma como certo na vida?", por certo não incluiria o pagamento de impostos... Na verdade, julgo mesmo que se alguém no nosso país respondesse que tomava o pagamento de impostos como certo, seria alvo de chacota generalizada.
Porque o que é considerado um feito é fugir sempre que se pode, é não pagar quando é devido, ou ludibriar a administração (fiscal, neste caso) e gabar-se disso – o que, em geral, é visto com admiração por aqueles que nos rodeiam. Alguns casos são bem conhecidos. E são, também, em minha opinião, de uma total falta de vergonha e pudor da parte de quem os propagandeia. E, além disso, quantas investigações a casos de fraude e evasão fiscal o leitor se lembra de serem bem sucedidos?... É que, para "ajudar à festa", existe a convicção de que a impunidade – essa sim! – é que é quase certa... ao contrário do que acontece noutras paragens.
É por isso que, em meu entender, medidas como o famoso PEC (pagamento especial por conta), apesar de fazer muito justo pagar pelo pecador, é certamente melhor e menos injusto do que nada fazer e continuar a deixar que muitos contribuintes, quer individuais, quer colectivos, não cumpram com as suas obrigações fiscais (mas claro que espero que seja uma medida transitória e que sistemas mais eficazes e fiscalmente mais justos sejam entretanto desenvolvidos).
É certo que frases como "se todos pagarmos, todos pagamos menos" ou "é no pagamento de impostos que o seu dinheiro deve estar" (como alguns anúncios mais conhecidos da administração fiscal hoje publicitam) são deontologicamente correctas e duvido que alguém questione a sua justeza.
O problema é quando toca no bolso de cada um. Na verdade, há uma irresistível vontade de aplicarmos as máximas que acabei de referir apenas aos outros e não a nós próprios, pensando "se todos os outros pagarem menos eu, não haverá grande diferença" (o que significa apanhar uma boleia – "free ride" na literatura anglo-saxónica). Só que, se todos pensarmos assim, o caso muda de figura, e é assim que chegamos a toda a fraude e evasão que hoje existe, bem como toda a injustiça fiscal que daí deriva.
Bem sei que muitos poderão argumentar que este problema tem a dimensão que tem porque os serviços públicos que deveriam corresponder à carga fiscal que suportamos deixam muito a desejar – por outras palavras, que o montante de impostos que pagamos é excessivo para a qualidade dos serviços que o Estado nos presta. Não posso deixar de concordar, mas também é verdade que não é por isso que devemos deixar, por nossa iniciativa, de fugir ao pagamento de impostos.
Os anúncios que puxam à consciência de cada um deverão continuar - mas, como já referi, os resultados práticos não serão brilhantes. O mesmo acontece, por exemplo, com a possibilidade de deduzir, em sede de IRS, facturas de pagamentos do IVA de determinados bens e serviços – desde logo porque o montante máximo que pode ser deduzido é baixo (Eur 50) e, como tal, desincentivador de pedir as tais facturas. Já uma fiscalização maior e medidas coercivas exemplares são, sem dúvida, desejáveis e ajudarão a mudar em muito o actual panorama (aliás, sem uma actuação eficaz das autoridades, o cruzamento de dados entre o fisco e a segurança social estará votado ao fracasso...).
Mas existem também outras formas de tentar combater a fraude e evasão fiscal – através de um convencimento real dos contribuintes e não "à força". Por exemplo, a realização de concursos ou lotarias fiscais com uma periodicidade a definir, com grande cobertura mediática e em que, mediante a apresentação de facturas de compras efectuadas, os contribuintes ganhariam prémios, quer monetários, quer em espécie (como automóveis), naturalmente de acordo com o montante da(s) factura(s) em questão.
Em alguns países da América Latina (Paraguai e Costa Rica) e na China (em regiões como Pequim e Shanghai, que hoje são apontadas como referências em termos de sucesso económico) e Taiwan, expedientes deste género já foram colocados em marcha, precisamente com o intuito de combater a fraude e fuga fiscal e de tentar incutir uma mentalidade diferente entre os contribuintes.
Sei que muitos leitores poderão estar agora a pensar – "mas que ideia mais disparatada!" ou "desceríamos ao terceiro mundo!". Bom, em primeiro lugar, tenho sérias dúvidas de que, do modo como em geral encaramos esta matéria e face a ela nos comportamos, tenhamos lugar noutro mundo qualquer que não seja o terceiro. Por outro lado, se é verdade que países como o Paraguai ou a Costa Rica poderão não ser o exemplo acabado de sucesso económico, já o mesmo não sucede com a China ou Taiwan – cuja trajectória recente nada fica a dever a muito país ocidental...
Além disso, qual a diferença de um expediente deste género relativamente a jogos populares bem conhecidos como a lotaria, o totoloto ou o totobola? Na verdade, estamos a falar de jogos cujo produto, para além de poder proporcionar prémios a jogadores afortunados, tem igualmente uma vertente social, pois contribui para melhorar a vida de muitos que não são favorecidos.
Ora, o que aqui está em questão é uma possibilidade (e não mais do que isso!) de aumentar a receita fiscal combatendo a fraude e a evasão de forma não-coerciva e tentar ajudar a que a carga fiscal possa descer para todos, actuando com eficácia acrescida e diminuindo a injustiça. Para além de que – assim estou convencido – a possibilidade real de ganhar prémios actuaria sobre os contribuintes portugueses (é a mentalidade infelizmente reinante no país) com uma eficácia que não tem comparação com qualquer anúncio publicitário – por mais bem feito e apelativo que fosse.
Faltaria sempre "a cenoura", que aqui seria a possibilidade de ganhar um prémio. E, claro, não nos devemos esquecer que, à semelhança do que acontece nos outros jogos populares tradicionais já referidos, os próprios prémios distribuídos são tributados, angariando receitas adicionais para o Estado.
Resultados de experiências do género já realizadas? Não são ainda muito conhecidos (dado que se trata de experiências na sua maioria recentes), mas em Shanghai, por exemplo, o número de facturas admissíveis a concursos mais do que triplicou após os primeiras lotarias fiscais apresentadas na televisão – e o número de contribuintes que pedem factura literalmente explodiu.
Ora é evidente que a fraude e evasão fiscal fica, deste modo, muito mais dificultada... além de que tal poderia ajudar a mudar a "tal" cultura ou mentalidade que faz com que, vergonhosamente, só a morte seja encarada como certa no nosso país.
Obviamente, repito, trata-se apenas de uma ideia que aqui deixo (e não mais do que isso!), que ainda por cima nem é original, que – claro! – não invalida todos os procedimentos actualmente em marcha a que já me referi e que, se for caso disso, poderá ser pensada com maior profundidade e detalhe de modo a poder ser colocada em prática. Mas bem que poderá ser uma ajuda – e ainda por cima "simpática", porque não é coerciva – no combate a um dos maiores flagelos da economia portuguesa, com reflexos marcantes em termos de justiça fiscal e social. Quer apostar, caro leitor? in Canal de Negócios /Jornal de Negócios, 7 de Janeiro de 2004
A nossa conterrânea Cláudia (minha amiga há vários anos) mantém no seu mundo um weblog em inglês que vale muito a pena ir espreitando. Hoje oferece-nos uma pequena reportagem sobre a sinagoga de Tomar. É pena haver tão poucos weblogs de portugueses assim (contra mim falo!). Espreitem e vejam lá se entendem o que quero dizer.
Ah! E pensem duas vezes antes de disparar quanto ao facto de estar em inglês, please!
A ATTAC foi criada em França em 1998 com o objectivo de se bater pela implementação da Taxa Tobin, um instrumento de regulação dos mercados cambiais. Desde essa altura a ATTAC alargou em muito o seu âmbito de actuação e constituiu uma rede de plataformas em quatro dezenas de países por todo o Mundo. (...)
Aqui, como em todo o mundo, a ATTAC bate-se por uma globalização solidária, contra a guerra, a exploração e a discriminação. Integramos o movimento do Fórum Social que irá em Junho ter a sua primeira expressão em Portugal. Esta é uma luta de milhões, em que cabe sempre mais um.
in ATTAC
Ideias consensuais (a negrito) mas porque caminhos?
Mais uma associação que chega à blogoesfera através da criação de um blog. Através do Grão de Areia, a ATTAC - Portugal visa promover a discussão. Sejam bem vindos!
Aos leitores do Jaquinzinhos que aqui cheguem recomendo como resposta à réplica do Jaquinzinhos a leitura do meu texto ao qual ele responde: este.
Noto que ficam por responder no concreto as perguntas que lhe fiz quanto às técnicas de medição de pobreza que sugere; o Jaquinzinhos limita-se novamente a destacar as lacunas das medidas relativas que eu já admiti quando não enquadradas com indicadores complementares.
Ser liberal implica não querer medir a pobreza? Diga lá que medida é essa que usa nos exemplos que refere (EUA e Reino Unido) para demonstrar que esse problema é irrelevante nas sociedades liberais e depois conversamos. Arranjar um ou dois exemplos com base em "dados" históricos fundados em indicadores que permitem comparações a 100 anos num tema como a pobreza, permitindo conclusões inapeláveis é algo que me interessa, caro Jaquinzinhos. Não me diga que é a medida do Banco Mundial, 2 (ou 1) dólares por dia?
Tinha piada eu escudar-me no exemplo histórico das tão pouco liberais sociedades escandinavas (que até há bem poucos anos davam a pobreza como inexistente) para apresentar uma alternativa, absolutamente livre de pobreza, ao modelo liberal.
Quanto à política da coisa, sublinho apenas que tal como aqui poderia recusar os alinhamentos simplificadores e abusivos de que sou alvo (por recusar a inutilidade das medidas relativas) também o Jaquinzinhos se afirma um puro liberal ao não se rever nos últimos parágrafos do post [que] acabam por ser uma boa introdução para um tratado da incompreensão do liberalismo...
Estou certo que um puro marxista não se revê em nenhum dos regimes implementados ao longo do século XX em nome do marxismo...
Na senda dos perdidos e achados há outro mistério que perdura há algumas semanas. Que é feito dos nossos amigos da resistência islâmica?

Por falar em Carlos Vaz Marques, só agora reparo no "drama" que se desenrola entre o autor e o seu blogue. Lê-se o seguinte na caixa de comentários do último post do Outro eu:
Antes de mais, tenho de pedir desculpas a todos aqueles que aqui têm vindo em vão. Não queria acabar com o blogue mas também não tenho tido a dispobilidade suficiente (ou será a disposição) para manter o ritmo de actualização que desejaria. Por isso, as desculpas. E também um agradecimento a quem me fez chegar comentários por esta ou outras vias. Escrevo isto, na altura em que era minha intenção poder voltar, pelo menos temporariamente ao blogue. Acontece que, com uma ausência tão prolongada, me esqueci por completo da senha necessária para aceder às ferramentas de escrita. O que não deixa de ser irónico. O Outro, eu vinga-se do indesculpável ostracismo a que o votei, fechando-me as portas. Prometo continuar a tentar descobrir a chave para voltar a entrar. Não sei se o conseguirei. O compasso de espera mantém-se, portanto. Agora, forçado. Um abraço a todos. Bom ano.
cvm | Email | Homepage | 04-01-2004 13:44:38
Boa sorte. Lembrete: há sempre a possibilidade de fazer um outro blogue logo ali ao lado...
Quando via o "Por outro lado" de Ana Sousa Dias na extinta RTP 2 confirmava que estava perante uma excelente entrevistadora. Ao nível do Carlos Vaz Marques, por exemplo.
Congratulo-me por saber que a 2 vai manter o programa, ainda que noutro horário. Nem sempre a mudança implica perdermos as pérolas que achámos.
Ontem assisti à apresentação do novo canal e ainda que de sociedade civil tenha visto ou vislumbrado muito pouco (Público e Rádio Renascença ?) pareceu-me que a 2 tem uma grelha de programas e respectivo horário pejado de bom senso, pelo menos no que se refere ao prime time. Algo que existiu muito irregularmente na história da RTP 2 que conheci desde os anos 80.
Se esta sensação de sensatez for a principal consequência de uma luta política em tantos rounds tenho que admitir que valeu a pena.
Adenda: Mas devia haver outro caminho... Não habia nexessidade como diria o saudoso Herman...
Indicador de clima e indicadores de confiança nos consumidores e nos serviços em degradação
Com os dados recolhidos em Dezembro interrompeu-se a tendência recente de recuperação na série do Indicador de Clima. Os resultados agora apurados, além de terem conduzido a uma revisão em baixa do valor de Novembro, fixaram o Indicador no nível mais baixo dos últimos quatro meses. O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma evolução marginalmente negativa, interrompendo o movimento ascendente observado desde Maio do corrente ano. No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do Indicador de Confiança, tendo-se registado um novo mínimo da série iniciada em Abril de 2001.
Fonte: INE
Hoje vai ser um dia rico em dados económicos. Destaco alguns nacionais referidos pelo Canal de Negócios que nos permitirão fazer mais um balanço macro-económico da conjuntura. Voltarei a este assunto daqui a pouco...
06-01-2004
Banco de Portugal O Banco de Portugal publica o Boletim Económico de Dezembro.
INE Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores de Dezembro
A propósito d'Os comprimidos ali de baixo, os meus "comprimidos" favoritos são:
1. Ouvir Música.
2. Uma conversa com um amigo.
3. Mais música.
4. Um copito de três a acompanhar uma boa refeição (Prosac? Prosit! - Mas também pode ser um sumo de fruta não fermentado)
5. Um chocolate.
6. Uma musiquita.
7. Um belo filme.
8. Assistir a um espetáculo ao vivo (do futebol ao teatro).
9. Ouvir Música.
10. Cozinhar.
11. Fazer barulho escrevendo no adufe.
12. Música!!!!
13. Ler um livro.
14. Andar de bicicleta.
15. Não ter medo de chorar.
16. Ouvir MÚSICA!
17. Não ter medo de rir.
Estes são apenas alguns "princípios activos" cujas combinações e dosagens variadas me permitem ir gerindo uma bela farmácia.
não é como as mais:
"Jorge Sampaio faz comunicação ao país às 20h00". Foi só 1:3, não é caso para tanto caro Presidente. Eles até já estão habituados...
O que é que nos faz tomar comprimidos? Quando digo comprimidos, refiro-me especificamente àqueles comprimidos que brincam com os neurónios, que tentam pô-los a conversar entre si, naquele que julgamos ser o “tom” certo que vai bem com a nossa pele. Comprimidos humorísticos, digamos.
Não fujo deles como o diabo da cruz, mas para lá caminho. Não lhes acho graça, pronto. E pior, sou tentado a combatê-los, a apresentar-me como um naturista ao dispor exemplificando alternativas razoáveis e eficazes.
Mas a que propósito é isto para aqui chamado agora? Por um pequeno nada que li nesta esfera, mas que podia ter ouvido na minha família.
Bem sei que pode ser uma ironia ligeira com intenções paliativas mas o textozinho da Bomba Inteligente onde retrata o choque de um amigo perante a primeira evidência da inexorabilidade de uma primeira perda e, particularmente, o remate do seu texto (a saber: "Mas nada de dramas: um comprimido de Cipralex de manhã e meio Triticum meia hora antes de deitar para os dias serem curtos, meu querido"), voltaram a pôr-me a pensar na nossa voragem por anti-depressivos, ansiolíticos, calmante e afins (já não falo nas drogas ilegais).
O que mais me espanta, choca e move a exteriorizar a opinião é a banalização com que tanta gente trata o dito comprimido. Por vezes sou testemunha de conversas mirabolantes nos mais improváveis locais (no transporte público; quando espero para pagar o jornal; quando estou a pôr gasolina...). Conversas que julgava acessíveis apenas a iniciados em farmácia. Pessoas de todas as raças, credos e condições trocam comprimidos e experiências como eu trocava cromos para completar a minha caderneta do “Era uma vez o espaço”. Não me alegra esta democracia de "negócios" às claras onde a dimensão da moca (ou mocada) do dito comprimido é a moeda de troca. Fragmentos como os que seguem são a paga do benemérito fornecedor, geralmente um esforçado amigo: "Não me deu a fome o dia todo"; "É melhor do que passar três horas a pedalar no ginásio, dormi que nem um anjinho"; "Depois de tomar fiquei com uma energia fenomenal!"; "É que parece que nem me lembrei do acidente o dia todo, tudo me parecia mais distante..." ou ainda “Já nem me lembro do nome dele! Vamos ao Blues ou ao Lux?”
O que é que tu tens a ver com a vida das pessoas ó Rui Manuel? Nada… Mas que diabo… eu vivo com elas, estou rodeado por elas, posso ao menos tentar inquietá-las com a minha inquietação. Assusta-me, numa perspectiva mais filosófica, e entristece-me, numa perspectiva mais concreta, a falta de consciencialização de tanta gente que adere ao "clube dos comprimidos humorísticos". O atira-para-trás-das-constas-tudo-o-que-é-doloroso-o-quanto-antes não seria inteiramente desprezível se não escondesse tantas vezes a necessidade de uma acção, de uma prova de humanidade, de uma demonstração de garra e de determinação. Há sempre os malditos efeitos secundários. Mais quen ão seja o de nos impedir de crescer.
Vamo-nos deixando morrer anestesiados, estupidificados, perdendo a maravilha do conhecimento vivendo permanentemente no limiar da “percepção alternativa”. Enfim - uso demasiadas vezes esta palavra -, resisto qual selvagem inadaptado a este abominável mundo novo feito de fugas e mais fugas. Pequenas atitudes de pequenos indivíduos que são cada vez mais o problema, um problema cada vez maior do que todos aqueles de que fugiram inicialmente.
Para desanuviar: cá para mim é bastante provável que seja gente apanhada dos carretos pelo uso abusivo de inúmeras “drogas humorísticas” que depois tem brilhantes ideias como estas de que nos falou Maria do Carmo Vieira no de hoje (artigo em anexo).
Uma nota final para o Terras do Nunca me dar uma ajuda; vai em inglês e tudo que é para dar mais estilo: I don’t dig drugs. Am I right or am I left?
Paz e amor meus irmãos!
Bilbiografia recomendada: CORREIA, Clara Pinto (2002), "A Arma dos Juízes", Relógio D'Água.
Errar É Próprio dos Homens. Persistir no Erro É Próprio dos Loucos"
Por MARIA DO CARMO VIEIRA
Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2004
O que é o vento? "É uma massa de ar em movimento".
Esta definição, dada por um professor do 1ª Ciclo, foi considerada pelos intervenientes, na abertura da sessão do 2º Encontro de Investigação e Formação - Criatividade, Afectividade, Modernidade - Escola Superior de Educação, realizado em Novembro de 2001, uma profunda "agressão traumática" para as crianças. Quanto não seria mais eficaz, diziam, referir o moinho que roda com a ajuda do vento, as árvores e as flores que baloiçam e muitos outros exemplos que se iam dando através da leitura de um poema, considerada a estratégia mais correcta, mais delicada e a menos traumatizante para explicar aos alunos, ainda crianças, o "que era o vento".
Ouvi a leitura do dito poema, e a conclusão do "pedagogicamente correcto", paralisada de estupefacção e lembrei-me do testemunho de uma colega do 1º Ciclo, Manuela Castro Alves, no II Encontro Internacional "O Desafio de Ler e Escrever", realizado em Julho de 2001, demonstrando, com exemplos vários, quanto se subestimava a inteligência e as capacidades das crianças, na aprendizagem da leitura e na criação do estímulo para a mesma. Assim, "com a preocupação quase exclusiva de levar as crianças à memorização de determinados fonemas, os manuais de iniciação à leitura apresentam frases", cujo conteúdo é verdadeiramente anedótico. Eis alguns exemplos: "um perú atira a pêra à parede" (para dar o valor do r entre vogais), "Um pai pula no tapete" (para introduzir o trissílabo), "uma mula deita a lata de tomate à lama" (porque até à altura se tinham trabalhado as vogais e as consoantes t, m, l e d e era preciso articulá-las, mesmo à custa do insólito), uma noiva leva um ramo formado por "uma dália, uma túlipa e uma violeta" (só porque não tendo sido trabalhada a função do s no final das palavras, ela não podia aparecer com um ramo de rosas ou de outras flores...). Destacava ainda a mesma colega a infantilização a que estes manuais sujeitam as crianças, utilizando em vez "de carros, pópós, titis para tias, pipis para frangos, tautau para pancada, dói-dói para ferida, etc.
Uma outra colega do 1º Ciclo, Carmelinda Pereira, da Escola de Algés, informou-me de que o actual esvaziamento de conteúdos nos programas do Secundário, nomeadamente na disciplina de Português, acontecera já no 1º Ciclo, reduzindo ao mínimo o grau de exigência, bem como os conhecimentos a adquirir pelos alunos, facto que levou muitos professores a fotocopiar os manuais antigos.
No seguimento do que já aconteceu no 1º Ciclo, compreende-se a insistência dos proponentes destes novos programas de Língua Portuguesa nos textos ditos "profissionais" e nos textos dos media. Assim, a televisão, para alegria dos alunos, poderá estar presente na sala de aula, com, e cito o programa, "telejornais, reportagens, entrevistas, publicidade" etc, etc, tendo os alunos igualmente acesso a "documentos em suporte de papel", de que destaco, "notícias, pequenos anúncios, publicidade, desenhos humorísticos, horóscopos, palavras cruzadas". Eis, pois, o tão apregoado lúdico nas aulas.
Ao referir expressamente a Escola Básica de Algés quis chamar a atenção para o facto de ter sido uma Escola muito amada pelo grande violinista e maestro, Yehudi Menuhin. Onde quer que esteja, continuará a olhá-la com a mesma ternura com que os meninos lhe chamaram "Sr. Amendoim", aquando da sua visita a Portugal, em 1998. Bem a propósito virão as suas palavras, agora que se teima em anular e amaldiçoar a arte, nela se incluindo a literatura, privilegiando-se desastradamente no Ensino o texto informativo: "É a arte que pode estruturar a personalidade dos jovens cidadãos no sentido da abertura de espírito, do respeito pelo próximo, do desejo de paz. É a cultura, de facto, que permite a cada pessoa enriquecer-se com o passado para participar na criação do futuro. (...) a arte é uma antena preciosa para captar o futuro que não pode ser reservado só a alguns."
Convém acrescentar que a escola Básica de Algés está integrada no projecto MUS-E, cuja "principal função é a de melhorar as condições e as possibilidades educativas de crianças desfavorecidas, através da música, das artes e de várias disciplinas". Na origem está a Fundação Internacional Yehudi Menuhin.
Recuperando a definição de vento, acima mencionada, a qual foi de imediato criticada e substituída por um poema, e relembrando a polémica em torno das notas de exame nas disciplinas de matemática e física do secundário, será interessante recuar até aos finais do século XVI e ouvir as admoestações dos Superiores Gerais de Roma para os Provinciais jesuítas portugueses, focando "o feitio português avesso" às matemáticas e às ciências experimentais. Nesse sentido, e em defesa da eficácia da missionação, advertiam: "Desejamos ardentemente que os nossos religiosos nessa Província Portuguesa cultivem os estudos de Matemática, não somente para exercerem o magistério dessa Faculdade, mas sobretudo para poderem ser enviados à missão da China".
Demagógico seria aceitar o argumento fácil de que os portugueses são pouco aptos para a matemática e ciências experimentais. Onde ontem existia a repressão, impedindo todo o tipo de contestação e perseguindo os dissidentes, "inclinados a novidades ou de inteligência demasiado livre", hoje existe o paternalismo das Ciências da Educação, duvidando das capacidades de professores e alunos e privilegiando a forma em detrimento dos conteúdos. Daí a utilização de argumentos do tipo "impedir aulas de seca", "flexibilização de opções" ou "adequação dos autores às salas de aula", para justificar alterações que anulam a curiosidade, a reflexão, o esforço e o desafio. Não admira, pois, que a competência e actualização científicas dos professores sejam, neste momento, relegadas para lugar de pouco destaque, relevando-se o que se chama de "formação em metodologia de projecto", "formação em avaliação" ou "formação em gestão e desenvolvimento curricular".
O que é grave nas alterações programáticas propostas, e destaco o caso que melhor conheço, ou seja o da disciplina de Português do Secundário, não é apenas a pobreza dos seus conteúdos e a ausência de articulação nos aspectos literários, mas o facto implícito de tomarem como adquirido a falta de conhecimentos que os alunos evidenciam ao terminarem o Ensino Básico. Esta situação não pode, no entanto, justificar as alterações agora propostas, as quais visam, no fundo, perpetuar, até ao final do Secundário, a ignorância dos alunos, com a anuência do Ministério e a indiferença de muitos professores.
Preparam-se, neste momento, os manuais de Língua Portuguesa para os 11º e 12º anos. O Ministério, em nome da qualidade do Ensino, ainda vai a tempo de impedir a repetição dos erros cometidos. A Escola exige-o.
Professora do ensino secundário
in Público, 5 de Janeiro de 2004
Na TSF apresenta-se a notícia da chuva de meteoritos que aconteceu esta noite como um facto natural e esperado há muito pelos meteorologistas portugueses. Diz-se ainda que em Espanha, onde houve também centenas de avistamentos de bolas de fogo, - até passaram a entrevista de uma angustiada cidadã de Palência - as autoridades ainda não comentaram o assunto. Silêncio absoluto enquanto o pânico se abeira.
Entre os nuestros hermanos sabesse apenas que a companhia de aviação Iberia espera relatos dos seus pilotos...
Estão a ver a imagem? Qual britânico fleumático, o bom meteorologista português explica que estamos a atravessar uma qualquer cintura astral ou a ver os destroços do satélite xpto... Entretanto, na casa ao lado, o coitado do espanhol desesperado, talvez mesmo aterrorizado, pede aos pilotos que lhe digam se mirou alguma coisa.
Isto é que é uma bela forma de aumentar a nossa auto-estima! Mais uma, caro mestre! :-)
É claro que há outras explicações alternativas que qualquer bom português médio poderá sugerir, explicações aliás que escapam por completo ao entendimento espanhol e que poderão justificar todo este silêncio, querem ver?
- Deus é benfiquista e chora lágrimas de fogo!
- Deus é sportinguista e exulta com maravilhoso foguetório!
- Ou então é tripeiro... daí a previsibilidade do espetáculo... Esperemos que nesse caso sejam foguetes antes da festa.
Como toda a gente sabe a derrota do Benfica por 3:1 frente ao Sporting - treinado por um Engenheiro que, dizem-me (TSF), até hoje, nunca tinha ganho um jogo oficial onde defrontasse um "grande" - no novo estádio da luz, terá consequências gravíssimas na auto-estima de mais de 6 milhões de portugueses e, consequentemente, terá reflexos na recuperação do consumo privado.
E é preciso ver que as consequências sobre a auto-estima não se resumem ao dia de hoje: durante pelo menos um ano aquele será o estádio onde o Benfica "mamou" três do Sporting.
Por outro lado, adivinha-se a depressão em que entrará no nosso ministro Bagão Felix. Um facto que também não augura nada de muito positivo... Desempregados deste países: acautelai-vos!
Enfim, a retoma económica ficou hoje muito mais longe. É imperioso ganharmos o europeu para salvar o país.
Ainda que economicamente incorrecto permitam-me dar liberdade ao meu animal spirit: VIVA O SPORTING!
Entre o Rossio e Benfica (linha de Sintra) aos soluços:
"(...) Volta-se a ouvir o pouca-terra.
«O que faço eu aqui?» pergunta Bruce Chatwin num livro aqui ao meu lado.
Vejo as cúpulas redondas e bicudas do reaparecido aqueduto como que nascendo da terra.
Ali fora há gente na rua a viver - no talho, na mercearia, a comprar frangos assados para o jantar...
«Herois do Bar» pisca o neon (...)"
Tentei com o clix e com a netcabo e 99% dos blogues alojados no blogger americano estão incontactáveis. Só tive sucesso com A Espuma dos Dias.
Será que vale a pena gastar uma chamada de valor acrescentado para perguntar à malta da netcabo porque é que o seu sewrviço não funciona? Pelo que nos diz o Rui Carmo nos comentários desta mensagem nem por isso...
Adenda: parece que a netcabo já tem um serviço de apoio on-line...
Com estes fanicos do blogger começo a encontrar alguma justificação para a newsletter do Paulo Gorjão...
Adenda: em boa hora o Aviz arranjou este espelho que está operacional.
Regressa à teoria do bloco central de que nos falou há tempos avalizando que tudo se confirma. Ao ler "Sinceramente" do Aviz - o retrato que encerra - e ao ler os últimos posts que aqui publico (a publicidade na estrada e a esperteza saloia do DN) fico com a sensação de representar o papel do louco que se preocupa com a poda quando a árvore já arde.
Prefiro tentar conservar ainda a minha sanidade. Na Casa Pia da nossa vida nada de surpreendente me assaltou nos últimos dias, porquê falar disso então? No meio do lodo, das vingançazinhas colaterais, da contra-informação, estamos entregues à capacidade dos senhores doutores juizes em lidar com este complicado processo justiçando quem foi abusado sexualmente. Este caso já é bem mais do que isso mas esse pedido de justiça permanece e não vejo que esteja definitivamente comprometido, ainda.
Adenda II: a propósito do "problema" com o blogger recomendo a leitura deste post e dos respectivos comentários.
Diário de Notícias de ontem, manchete: Economistas apontam retoma já para Junho.
Manchete do suplemento Negócios do mesmo jornal: Retoma económica a partir de Junho.
Achei muita piada ao já da primeira manchete. O que eu me ri. Tiremos essa pequena palavra da manchete e digam lá se não temos uma notícia muito mais sóbria e honesta. O suplemento de Negócios até deu o exemplo mas a tentação sensacionalista foi mais forte.
Agora leiam a mesma manchete substituindo o já por um só. Também fica gira, não fica? São (somos) tão inteligentes...
O blo.gs está meio marado. O blogger está definitivamente K.O.
A blogoesfera está a entrar na atmosfera de Marte e ninguém nos avisou?
1. Dizia-me a minha moça, há pouco, quando vinhamos pela N10, de Coina em direcção à A2 - Lisboa que estava um placard na beira da estrada (seria da prevenção rodoviária?) a informar que basta um instante de distracção para se perder a vida num instante...
O primeiro pensamento que tive foi de que se tratava de humor negro, imaginei-me a olhar para o placard e a morrer nesse mesmo instante, vítima de um despiste ou então de um choque frontal fruto do despiste de outrém que não evitei por estar a ler a mensagem de beira da estrada.
2. É tempo de sermos coerentes com o que exigimos de nós e de quem regula o que vemos à beira da estrada. A publicidade visível nas vias de circulação faz parte do grande problema que é conduzir um carro neste país. Talvez seja impossível imputar-lhe mortos mas podemos sempre admitir que ao prejudicar a concentração e o entendimento da sinalização de trânsito é bem provável que seja responsável por uma ou outra mortezinha por atropelamento, um ou outro choque frontal em contra-mão ou alguns comezinhos engarrafamentos devido a chapa batida...
3. Quantas vezes enquanto peão, em Lisboa, deixo de ver o trânsito que supostamente devo encarar de frente (está no código meus amigos) para ter que gramar com um mupi todo colorido que me esconde uma bela passadeira?
Ah! Mas como são cada vez mais giros estes mupis! Lembram-se daquela da capa da revista que mudava conforme o angulo de visão? Era só andar mais 10 metros com o carro e via-se o fenómeno por completo, bastava não tirar de lá os olhos, era só um instante...
Parece que somos quase pioneiros no mundo em novas modalidade de publicidade urbana...
4. Então e os filmes que podemos assistir ao volante da nossa viatura quando entramos em Lisboa, por exemplo, pelo viaduto Duarte Pacheco? Bem sei que é frequente haver filas e que uma distração nessas circunstâncias não passa de chapa ou plástico amolgado, quando muito um motard estropiado por um ligeiro e inadvertido chega-para-lá mas convenhamos, apreciar as pernas da moça da cerveja apresentadas num ecrãn com alguns metros não é espectáculo que possamos apreciar todo o dia. Eleva o moral logo pela manhã, mas é capaz de não ser uma informação auxiliar para a condução muito recomendável.
5. É fundamental estar concentrado na condução, não falar ao telemóvel, de preferência não falar com ninguém enquanto se conduz. É fundamental não reduzir os nossos níveis de concentração para potenciar a rapidez de resposta, não beber... É isto que nos dizem, e bem. É verdade! Acrescento agora esta chata perseguição que ajudo a fazer ao exagero, à excessiva densidade de anúncios urbanos, particularmente aqueles que têm como único alvo o condutor. Esses não deviam poder existir, nem sob o pretexto do semáforo! Há situações em Lisboa onde o campo de visão em cruzamentos é brutalmente reduzido pelos semi-pórticos publicitários, já repararam? Nunca tiveram de esticar o pescoço por causa do maldito mupi que impede ver o carro que se apresenta pela direita?
6. Deveria ser fundamental ter sinalização adequada: sintética, precisa e bem visível.
Já não nos bastam as incoerências da sinalização, ainda temos de conduzir num permanente onde está o wally em busca da sinalética que nos interessa?
Pela minha parte reconheço que já por várias vezes me desorientei no trânsito de uma cidade que desconheço por não ver na fracção de segundos que tenho disponível os sinais de trânsito que me interessam. Uma vez entrei em contra mão por não ter visto um sentido proibido que se escondia por detrás de um semi-pórtico que informava a temperatura, a hora e a marca ideal de comprimidos anti-gripais.
7. De quem é a responsabilidade de tanta poluição visual no interior das cidades? Das câmaras municipais é de certeza. Lisboa é um exemplo gritante do abuso nesta matéria. É a cidade mais poluída que conheço neste ponto muito particular. O que a câmara ganha ao vender o espaço compensa o que nós perdemos? Compensa os riscos que corremos? E que diabo, bem vistas as coisas até luto pela liberdade do meu olhar!
A Semiramis pegou na sugestão que lhe fiz e expôs as suas dúvidas e as suas certezas sobre os efeitos da liberalização dos combustíveis.
No fundamental, que é a incerteza do cenário futuro, estamos de acordo, mas há um aspecto que me parece, conjunturalmente curioso. Olha para a imprensa, para as reacções dos media, para a expectativa criada e quase me esqueço que já existia liberalização parcial do preços. Havia apenas um tecto fixado administrativamente. Ou estarei errado?
Ficarei também muito satisfeito no dia em que, após a fase de amadurecimento da economia nacional, que paulatinamente vem ocorrendo, assistir a uma saudável intervenção do Estado em defesa da livre concorrência demonstrando valorizar prioritariamente o interesse nacional e preterindo o interesse muito específico de algum grupo de interesse habitualmente bem instalado junto do poder. Não passa de um palpite mas julgo que mais cedo ou mais tarde a evolução dos preços no mercado da distribuição de combustíveis possibilitará ao Estado (via Governo) dar provas dos interesses que defende. Talvez me engane e não se chegue a essa prova de fogo se, por exemplo, na vizinha Espanha surgir algum exemplo nesse sentido e caso esse exemplo venha a ter divulgação pública significativa por cá.
Acrescento ainda que estou completamente às escuras quanto à forma, critérios e evolução histórica da atribuição de concessões de exploração de novas gasolineiras em Portugal. Não sei muito bem até que ponto por essa via é possível assegurar a fundamental pressão saudável de um potencial novo entrante nesta indústria. Um factor que se pode revelar determinante na resolução da nossa indeterminarão ao nível global e regional.
Assusta-me ainda a perspectiva, que a Semiramis também admite, de existir a razoável probabilidade de as distorções de preço (preço dos combustíveis acima do preço médio nacional) proliferarem nas zonas de menor competição, onde possam existir monopólios locais. Assusta-me por fazer todo o sentido e por ir afectar regiões do país particularmente vulneráveis e agrestes para o desenvolvimento económico.
Assusta-me ainda o carácter pontual, aparentemente quase desprezável, no grande esquema das coisas, que essas situações assumirão. Longe da vista, longe do coração: longe da eventual vontade política em garantir a igualdade de oportunidades a todos através da garantia da concorrência em todo o país?
Convinha começar desde já a pensar numa resposta para estas situações. Admitir um desvio máximo face ao preço médio nacional a partir do qual o Estado deva intervir? Estimular a introdução de novos concorrentes em zonas cujo preço por sistema registe valores acima da média nacional?
Temos mais perguntas que respostas mas há um policiamento a fazer: exigir que o Estado não se demita de garantir o regular funcionamento do mercado.
Adenda: recomendo a leitura de um muito irónico texto do JMF que só agora vi. O JoãoMF chama-lhe "Abençoado mercado livre!".
Ainda que a sua primeira frase pareça ignorar o aumento do ISP que levaria a uma subida de um cêntimo no preço no anterior enquadramento do mercado, o remanescente do breve texto remete-me para o que digo ali acima algures no segundo parágrafo: já há bastante tempo que ninguém estava proibido de descer os preços...
Este lugar onde imperam os freixos à beira da ribeira, perto de um velho açude, teima em me trazer bons momentos ano após ano. Não sei até quando mas neste natal voltei a estar bem por ali (aqui).

(ao som de Pompa e Circunstância de Elgar) Qual São Jorge enfrentando o Dragão, qual Bilbo Baggins enfrentando o Dragão, qual Rui Rio enfrentando... o Dragão. Eis que Rui MCB e o seu adufe enfrentam o dragão do ridículo, todos os dias, neste vosso blogue. Deixo-vos a pose, a determinação, a coragem tão bem expressa nesta imagem tantas e tantas vezes repetida ao longo dos últimos meses. Digam lá se não somos ridiculamente ferozes?

Para quem tenha ficado com dúvidas esclareço que se usou o plural majestático!
Deixei de conseguir editar a Bloga!? para escrever textos. É possível que algum dos 41 sócios inadvertidamente (ou não) tenha mudado a password. Se alguém souber explicar o que se passa agradecia.
Mesmo que tenha sido hoje o seu fim, foi uma experiência gira completamente livre que ainda durou uns tempinhos, não acham?
Caros viciado, se a Bloga foi tomada de assalto podemos sempre fazer outra;-)
Mas aguardemos por alguma explicação...
O Adufe esteve ontem fechado para inventário e hoje regressa como se fosse o primeiro dia.
Sobre o dia anterior agradeço as simpáticas referências do Leonel e do trio do Mata-Mouros. São pequenos nadas que dão algum incentivo para aqui vir conversar. Dão-nos a sensação de estar entre amigos. Fico também grato aos que me leram, que comentaram, que polemizaram comigo. Agradeço igualmente aos que põem "blogues" no ar.
A todos os que se dão a conhecer e fazem da palavra tijolo para tanta construção.
Entre ontem e hoje (e agora refiro-me realmente ao dia de ontem e ao dia de hoje) reaprendi a importância das palavras. A palavra é uma das raras formas, talvez a única, que transmite o essencial do que nos destingue de tudo o que nos rodeia. Através dela podemos ser absolutamente tudo o que alguma vez poderemos ser. Ela tem um poder avassalador e permanece com essa condição desde o primeiro dia. Ainda estavam longe os perigos agora bem reais da aniquilação instantânea de todo o planeta e já ela nos chamava para a responsabilidade, já ela punha à prova a nossa capacidade de lidar com um poder fascinante, com um poder cujo exercício exige permanentes cautelas.
Tenho uma amiga que me diz que por vezes anunciar é meio caminho para não fazer. Procuramos no anuncio uma resposta, um suporte, ouvimo-nos para tentar entender o que queremos, até onde estamos dispostos a ir. Tentamos perceber o que nos assusta, afastamos um fantasma, fugimos dele atirando-o pela boca fora.
Neste mudar de ano, ordenamos o caos listando afazeres, reflectindo, procurando renascer. Por aqui, pelo Adufe, anuncia-se pouco do que se propõe para o futuro, do mesmo modo que anuncio pouco para o que tenciono fazer no resto da minha vida. Anuncio apenas a vontade de continuar vivinho da silva procurando dar algum sentido a esta viagem que também passa pela blogoesfera.
Este blogue é também um diário de pequenas partes da minha vida. Digo-o porque já baralhei alguns leitores por não encontrarem um fio condutor, não verem o Adufe corresponder a uma expectativa que criaram. Não há linha editorial clara, não há um propósito bem definido. Este blogue continuará a servir como mais um espaço para deixarmos palavras para os outros e tantas vezes para nós próprios.
(publicado inicialmente hoje às 12h58m, agora com uma gralhas a menos)
Antigamente, havia neve onde eu estava. (...) Com a idade, essa neve vai-se transformando numa lembrança ridícula como quase todas. (...)
in Aviz, 1 de Janeiro de 2004
(não sei se alguém entende este post mas fica mesmo assim).
Quando a mulher que acabava de fumar apagou o cigarro no chão, no corredor onde os doentes aguardavam uma consulta, compreendi que o egoísmo, a soberba, a indiferença, são muito mais fortes que o respeito. E apeteceu-me dar-lhe um estalo. É por isso que me custa-me escrever tudo isto, por ser um lugar comum, algo tão evidente, claro, fácil de saber e, no entanto, ainda haver tanta gente a escolher a estupidez.
in Abram os Olhos, 19 de Dezembro de 2003
Do que seremos em 2004, uma parte já está guardada numa gaveta oculta.