Um põe fotografias, outro resiste à imagem mas dá-lhe com a letra de Madonna...
Nem quero ver como isto vai andar quando chegarmos ao Verão.
Alguém quer ir até ao Chiado, aos 10%? Atenção que levo a Mónica (e respectivo coelho azul)!
Disseram-me que o "Então vá" que têm colado como tique lisboeta para terminar uma conversa afinal não é tão alfacinha quanto isso.
Pensando bem lembro-me de na Beira-Baixa se preparar o fim de conversa com um "Vá atão!" que era polidamente rematado pela outra parte com o "Atão vá!".
Tias de Lisboa uma ova!
Então vá.
...
"Uma ova"... de onde virá esta?
Esqueceram-se dos Açores meus amigos e notem que o conceito de residente excluiu, em muitos casos, os estudantes deslocados.
Devido à estrutura etária não ser tão envelhecida, são essencialmente concelhos dos Açores que registam o menor rácio de pensionistas por residentes.
Com apenas 11 pensionistas por 100 residentes temos Vila Franca do Campo seguida de Lagoa (11,3), Vila do Porto (11,4), Ribeira Grande (11,5) e finalmente, já no continente, Paços de Ferreira (12,8).
Mantendo-nos na demografia mas piscando o olho à sustentabilidade do sistema de segurança social - quase - vamos lá a saber se alguém acerta na pergunta que se segue:
Em 2000, o concelho do país que tinha o menor rácio pensionista por residente contava com 11 pensionistas por cada 100 residentes. Bem menos de metade da média nacional... De que concelho falamos?
Dica: não é Lisboa (35), nem o Porto (28), aliás, não tem nada a ver...
You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is still (just) a sigh
The fundamental things apply
As time goes by
And when two lovers woo
They still say: "i love you"
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by
Moonlight and love songs - never out of date
Hearts full of passion - jealousy and hate
Woman needs man - and man must have his mate
That no one can deny
It’s still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by
(Hupfeld)
* Título desta notícia do Público.
Políticos, economistas encartados, muitos já o haviam dito, contudo, hoje, ao vê-lo descrito pelo Banco de Portugal, a mesma realidade parece ter ganho outro calibre, outra legitimidade. Isso acontece porque o Banco de Portugal conseguiu e consegue manter uma imagem (e uma prática) de elevada competência técnica acompanhada de uma bem sustentada blindagem face a eventuais pressões políticas ou mesmo face a meras possibilidades de suspeição. Este capital de prestígio, independência e integridade é algo que também passa pela sua autonomia financeira e técnica face à tutela governamental. A missão do Banco de Portugal é clara no que concerne à produção e análise de informação. A sua tutela deixou há muito de se cingir à esfera nacional (é um "braço armado" do Banco Central Europeu), e, naturalmente, no Banco de Portugal todas as palavras e actos são medidos cautelosamente.
Quando terá sido a última vez que numa publicação do Banco de Portugal surgiu uma fotografia e um prefácio de um Primeiro-ministro? As aparências também contam como se dizia da mulher de César...
.
.
"Fotografia do Primeiro-ministro que surge nas primeiras páginas da publicação «Um Retrato Estatístico - 30 anos de 25 de Abril» do INE".
.
.
.
Em anexo a transcrição do prefácio.
O 25 de Abril de 1974 foi um momento central da nossa história contemporânea. Portugal é um país em permanente evolução desde Abril de 1974 que, após a consolidação da Democracia, tem enfrentado com sucesso o desafio do Desenvolvimento, caminhando para a construção de uma sociedade mais avançada e mais solidária. Os indicadores da mudança económica e social dos últimos trinta anos confirmam esta evolução marcante do país, que hoje possui modernas infraestruturas rodoviárias e de transportes, onde a qualidade de vida média da população cresceu de forma significativa, a esperança média de vida aumentou, e em que a generalidade da população tem acesso a todos os níveis de ensino, bem como aos meios culturais.
Como a maioria dos indicadores apresentados nesta obra salientam, a ainda jovem democracia foi o quadro político indispensável do processo de desenvolvimento da economia e da sociedade portuguesa, hoje preparada para encarar com mais confiança os novos desafios da globalização.
Para além da condição democrática é essencial reconhecer o papel decisivo que foi desempenhado pela nossa integração europeia e tudo o que esta representou de estímulo ao progresso nacional nos mais diversos domínios. Entre as muitas áreas que este livro apresenta e analisa, gostaria de destacar algumas que me parecem essenciais.
O capital educacional é um dos mais importantes instrumentos de modernização da sociedade portuguesa. Apesar do grande avanço da rede de escolas e universidades, e da escolarização dos portugueses ser bem visível nos indicadores apresentados neste livro, o grande desafio dos próximos anos é o de resolver o problema do abandono precoce do sistema educacional, que ainda marca certos estratos da sociedade portuguesa. Esta é uma batalha que terá de ser vencida e que iremos mesmo vencer.
As condições de vida dos portugueses melhoraram tão significativamente que quase que eliminaram a memória do passado, sobretudo nas geração mais jovens. Basta relembrar o assustador número de alojamentos que em 1974 não possuíam electricidade, água canalizada ou esgotos, e compará-los com os de hoje. Este é um campo onde qualquer pessimismo conjuntural não poderá apagar a mudança, seja qual for o indicador escolhido.
No entanto, as profundas mudanças inerentes à nova sociedade de informação, à inovação tecnológica, e à concorrência acrescida a nível mundial, não permitem a nenhuma sociedade um lugar garantido na escala do desenvolvimento. Outro desafio determinante para o nosso futuro é pois o do crescimento de uma activa e dinâmica sociedade civil, com uma mais saudável relação com o Estado. Esse capital social revela-se indispensável à iniciativa empresarial e à capacidade institucional que constituem factores relevantes para o desenvolvimento e a qualidade da Democracia.
Os indicadores aqui apresentados e comentados pelo Instituto Nacional de Estatística no âmbito da Comemorações dos 30 anos do 25 de Abril serão certamente um importante instrumento de balanço e deverão incentivar a reflexão presente sobre os desafios do Desenvolvimento para a sociedade portuguesa. Espero e desejo que essa reflexão alimente uma cada vez maior exigência da nossa sociedade e, muito especialmente, de uma juventude que, justamente, não vai ceder ao derrotismo e ao “pensamento débil” de todos aqueles que ainda vivem numa visão resignada e melancólica de Portugal.
José Manuel Durão Barroso
Primeiro-Ministro
O tempo é escasso mas ainda assim ficam mais alguns detalhes. No concelho de Mértola existiam, em 2001, 9181 edifícios.
A população residente na mesma data era de 8712 indivíduos dos quais 4378 eram mulheres.
Neste concelho residiam 264 idosos para cada 100 jovens e nasciam 6,3 crianças por cada 1000 habitantes. Baseando-me nas taxas de natalidade e de mortalidade então apuradas podemos dizer que por cada 10 pessoas que nasciam num ano, morriam cerca de 23.
Mértola está a desaparecer muito rapidamente enquanto concelho habitado. Ainda assim está longe de ser o concelho com os piores números a este nível... Há mais de trinta concelhos do país em pior posição.
Cálculo efectuados com base em dados do INE (disponíveis mediante registo prévio - gratuito)
À terceira o Jaquinzinhos acertou! Parabéns! (Ver comentários do post anterior).
A partir de hoje inicia-se uma nova rubrica no Adufe. Tentarei regularmente deixar aqui uma pergunta sobre o país referente a informação estatística. Havendo tempo, com a resposta poderá seguir um breve comentário. À falta dele promete-se apenas a solução.
Segundo dados do INE, de 2001, há um concelho no país onde "residem" mais edifícios do que habitantes.
Sabe qual é?
Dica adicional: em 2001 tinha 9181 edifícios e 8712 residentes...
Nota: por país, entendem-se os concelhos das colónias do Continente e Açores, assim como os da metrópole madeirense.
Querido Diário de Nanni Moretti, hoje, com o Público.
Ó xôr Belmiro, é pesquisar o nome do autor do blogue na base de dados que descobre logo o NIB para onde mandar a gratificação. Cumprimentos à família e particularmente ao seu Paulo que já dá lucro. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde também a Sonae ponto come.
Cumprimentos de um admirador pioneiro
Antes que seja contagiado pelos abandonos propostos por alguns vizinhos, atrevo-me a fornecer um contraponto para que algum virtuoso descubra a Rua Direita da questão.
Sucesso, por exemplo. Há muito que vemos sucesso como um fim alcançado, algo que correu bem. Sucede que... Sucesso é também algo que sucedeu. Recuando um pouco no uso que se fazia do vocábulo vemo-lo reduzido a um mero acontecimento, não necessariamente hiperbólico... Não é inspiradora a presença na mesma palavra do comum e do singular? Proponho que se recupere o simples sucesso, que nos venha propositadamente (propositalmente, caro Ruy?) baralhar o menu de conotações instantâneas e obrigue a avaliar se a coisa tem ou não tutano.
O sucesso mais importante da noite pública portuguesa foi o jogo de treino entre Portugal e a Suécia, uma verdadeira lástima que roçou o fracasso total.
Cócórico!

A fotografia foi tirada na Benquerença. Infelizmente para que não demore a carregar fica nesta pobre definição. O original dá um excelente papel de parede! E provavelmente um bom almoço...
Drink up, dreamers, you're running dry
Sugestão do Lutz.
Há dias em que sinto a frustração de não saber desenhar uma linha direita, uma maçã de um rosto, um garfo em riste, uma orelha, uma boca.
Outros dias mortifico-me por não ter um fio de voz, não ser capaz de um simples volteio vocal. Um corvo humano, o triste!
Hoje deu-me para querer ser poeta sem saber sequer o que isso é.
A mais que o ardina de São Pedro de Alcântara vou vendo, ouvindo e lendo antes que se me acabe o tempo da moedinha que puseram no óculo do miradouro. E posso sempre mandar um berro, no entretanto.
Vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhado, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar...*
* Verso de Guilherme Arantes do poema "Aprendendo a Jogar"
Caro Xará, muito bom dia !!
Na próxima segunda-feira, dia 16, Ipanema completará 110 anos, com larga comemoração programada pelo prefeito (alcaide) [presidente da câmara municipal ;-)]do Rio. A importância do bairro em que moro é tão grande, que de acôrdo com as estatísticas, 98% dos turistas que aqui no Rio de Janeiro aportam, elegem Ipanema como o "point", pela sua beleza, descontração, vida intensa, fama internacional,etc... cantada em prosa e versos. COPACABANA JÁ ERA !!!!!
Inúmeras são as nacionalidades que circulam pelas ruas e restaurantes do bairro ; temos norte-americanos, canadenses, quase todos os paízes europeus representados, e muito, MAS MUITO MESMO, portuguêses.
(...)
Um forte abraço brazuca,
Ruy Zananiri
Apesar de Berlusconi
Parece que no país onde mais movimentações populares houve contra a participação na invasão do Iraque (a par com a Espanha) essa mesma mole de gente que tantos têm colado a um servilismo à "causa" terrorista, a uma “excessiva” simpatia para com os palestinianos, a um grupo de radicais ingénuos guiados pelo populismo contra o populismo (interno), repudia frontalmente a chantagem.
Um italiano morreu já assassinado, o país comoveu-se e indignou-se; outros três são apresentados na engorda a caminho do caldeirão. Os raptores pedem circo, exigem que os italianos repitam o seu papel opondo-se à participação militar no Iraque na rua, responsabilizando os seus governantes também por isto, por esta forma e por este conteúdo, e estes, a acreditar nestes olhos, apesar de Berlusconi, apesar de tudo, ficam em casa. Alguém duvida que continuem a não perdoar a invasão e a saber pensar e a saber que merecem respeito? Percebem claramente onde não está o inimigo concreto e directo do dia e percebem também que são co-responsáveis pelo que é feito em nome do seu país.
Hoje, perante o recolhimento italiano, tal como ontem perante a sua invejável oposição pública a Berlusconi e à invasão nos moldes em que foi feita, tiro o meu imaginário chapéu aos italianos.
Não podendo ver o Avenida Brasil vou lendo e aqui deixando o testemunho em discurso directo do correspondnete no Hemisfério Sul. Como é Ruy?
Caro Rui,
Muito interessante a reportagem apresentada ontem no JORNAL NACIONAL da TV Globo, sob o título "504 Anos Depois, Portugal Descobre o Brasil".
Reportagem muito bem montada, evidenciando o fluxo de turistas portuguêses que arrivam ao Nordeste do Brasil (muito lindo por sinal), a uma média de 70.000 por ano, visto que, conforme depoimentos de seus conterrâneos/turistas, é mais barato, o clima é maravilhoso, e o povo muito simpático e hospitaleiro. Também, pudera, com todo êsse povo deixando aproximadamente cento e cinquenta milhões de Reais por ano, quem não é ??
Evidencia também os investimentos genuinamente lusitanos, como uma fábrica de sapatos masculinos e femininos, com produção mínima mensal de 20.000 pares, voltada exclusivamente a exportação para o mercado português, fábrica de refrigeradores e freezers para o mercado brasileiro, português e africano, assim como a construção de dois empreendimentos hoteleiro, voltado exclusivamente a tuiristas ibéricos.
Vale a pena o amigo ressaltar no seu blogue, porque acho que a turma (malta) aí, não tem conhecimento disto.
Um abraço,
Ruy Zananiri
Lê-se na Dois que daqui a poucos minutos (16h10m) se exibe um episódio (estreia ?) da série Avenida Brasil ("Com guião e locução de Francisco José Viegas e Rui Mateus Pereira"). E eu fico com pena de não poder ver. Será que vão repetir a horas de gente ocupada?
Fica a "treila" que se lê na Dois:
Quinhentos anos depois da chegada dos portugueses, podemos perguntar que país é o Brasil? Que caminhos foram traçados no mapa do actual território do Brasil desde então? Que sentidos e olhares do passado cruzam os sentidos e os olhares do português e do brasileiro de hoje?
A série tentará responder a estas e outras questões ao longo de uma viagem pelo Brasil de hoje, do litoral ao interior, da Colónia do Sacramento à Bacia Amazónica, atravessando cidades, estradas do interior, paisagens que hão-de traçar a carta de uma descoberta actual e contemporânea.
Longe de se limitar a um levantamento do património e da memória do descobrimento e povoamento português do Brasil.
Avenida Brasil irá mostrar aos telespectadores a forma como o Brasil conservou, reformulou questões tão importantes como a constituição da nacionalidade, os limites territoriais, as etapas do desenvolvimento económico, a absorção e identificação das várias tradições e migrações culturais no interior do país e, finalmente, a utilização dessas tradições no sentido de sintetizá-las, condensá-las e enriquecê-las na actualidade. Com guião e locução de Francisco José Viegas e Rui Mateus Pereira e em co-produção com a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.
Ele - O clima anda mesmo doido…
Ela – Pois é… Este calor na primavera é demais. Hoje prevêem 30 graus em Lisboa.
Ele – Bem vistas as coisas isso já nem é surpresa, de há uns anos para cá… Estava a pensar na flora…
Ela – Qual flora?
Ele – Então não ouviste que os cravos já não se dão na ilha da Madeira?
Ela – Com tanta terra fértil e humidade natural só pode ser azelhice do jardineiro. Começo a desconfiar se os que por lá temos visto ao longo destes 30 anos não terão sido sempre de plástico…
(Ah. As saudades que já tínhamos de Alberto João Jardim)
Muito interessante e elucidativo o artigo de frente hoje, na home page da AOL/BR, sôbre o lançamento do livro "A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS", de autoria de professor de história de USP, Sr. Lincoln Secco, no qual discorre sôbre o efeito democrático e causas positivas nêsses últimos 30 anos, sôbre a cronologia revolucionária, sôbre os Capitães, Tenentes e o único Coronel dos "Capitães de 25 de Abril".
Ótima referência histórica para nós brasileiros, quase ignorantes sôbre êsses acontecimentos heróicos-maravilhosos, por não termos tido mais informações à época dos acontecimentos, visto estarmos vivendo uma ditadura militar.
Vale realmente uma nota com um Cravo Vermelho no seu blogue.
Abraço,
Ruy Zananiri (Em Português do Brasil)
Então não vale caro Ruy!
Por falar em época de futebol, 50%dos residentes cá de casa estão de parabéns. Bibó Porto, carago!
E agora é hora de sair à rua em busca do cravo, da amizade e do almoço.
Que a festa de hoje nos sirva de inspiração. Fiquem bem.
Época de futebol.
Época de caça.
Época de ciclismo.
Época de touradas.
Para mim, amanhã inicia-se a época de casórios 2004.
Prometo roubar um bocado de bolo para ajudar o JMF a recuperar das fomes de refém por que passou. Talvez se arranje ainda um copito de espumante para o Tugir. Aquela malta anda demasiado séria.
E, já agora, porque não sei quando aqui regresso: Viva o 25 de Abril!
Agradeço aos que lutaram, sofreram e perseveraram em defesa da liberdade. Muito menos coragem precisamos nós para os desafios que temos pela frente. Que tenhamos engenho e arte para ir fazendo melhor este singular país.
Até breve.
No site da Marinha pode ler-se o seguinte convite:
O submarino Barracuda vai estar aberto ao público nos dias 24 e 25 de Abril, entre as 15.00H e as 18.00H. O navio da Marinha estará atracado no Ponto de Apoio Naval de Portimão, que fica situado entre o cais comercial e a marina.
O N.R.P. Barracuda vai a Portimão no âmbito da realização de exercícios de treino inseridos no seu plano de treino.
Entregue à Marinha no dia 4 de Maio de 1968, o Barracuda tem prestado ao país um serviço relevante no patrulhamento do espaço marítimo de interesse nacional, contando com um elevado número de missões nacionais e internacionais.
O submarino Barracuda tem uma guarnição composta por 7 oficiais, 15 sargentos e 30 praças e o seu actual comandante é o Capitão-tenente Farinha Alves.
Uma rara oportunidade para visitar um submarino.
A contestação à governadora do Rio sobe de tom, assim como a avaliação da segurança dos paióis militares, após a descoberta de um mini-arsenal de minas antipessoais e granadas ontem no Rio de Janeiro. Um arsenal que é apenas uma ponta do iceberg dos que se escondem nas favelas, segundo alguns especialistas citados nos jornais brasileiros. Pela imprensa vão passando alertas que visam construir um novo destino como o que Cora Rónai, articulista d'O Globo escreveu ontem no segundo caderno.
Atentem neste parágrafo que aqui reproduzo:
(...) Às vezes a gente olha para a Colômbia e se pergunta como pôde um país daquele tamanho mergulhar tão profundamente no caos. A resposta está aqui, na nossa cara: assim, passo a passo, com a conivência e a omissão das autoridades, com a incompetência estabelecida em todos os níveis da administração. A governadora e o secretário seu marido podem até não ser os únicos do lote, mas são, certamente, os que têm a pior atitude. Ou falta de. (...)
Com a colaboração de Ruy Zananiri
[Discussão na blogoesfera sobre este tema aqui e aqui.]
Submarinos
Há 91 anos que a marinha portuguesa tem algum tipo de força submarina ao seu serviço. Até há pouco tempo tínhamos três unidades da classe Albacora. Tradicionalmente um estava sempre operacional, o segundo poderia estar operacional ou então estava em pequenas reparações com a respectiva guarnição em prontidão e o terceiro provavelmente estava em revisão geral, em doca seca, intervenção que podia demorar mais de um ano. Olhando para o calendário operacional era muito raro termos três submarinos a navegar. Para se assegurar que existia sempre pelo menos um operacional parece que tínhamos de manter uma flotilha de três…
Para que eram usados os submarinos da classe Albacora? Não sou especialista mas entre a minha memória, o que me dizem, e o que leio (por exemplo neste site ) eram navios utilizados no âmbito de algumas, raras, operações da NATO (a mesma organização que agora se recusa a avalizar a prioridade submarina do governo português).
Recentemente os submarinos portugueses estiveram presentes na operação de cerco naval durante o conflito jugoslavo, tendo participado, se não estou em erro, na intervenção da Armada portuguesa na operação de resgate de cidadãos portugueses durante o conflito na Guiné-Bissau em 1998 juntamente com uma fragata. Recolhi também a indicação de que em Janeiro último, pela primeira vez na sua história, um submarino português participou numa intervenção real de combate ao narcotráfico servindo de transporte a forças de intervenção e fonte de informações.
Há muito tempo que deveríamos ter substituído os actuais submarinos, tal como ainda há mais tempo deveríamos ter unidades de patrulhamento oceânico desenhadas e apetrechadas para desempenharem funções no Atlântico, e não ao largo de Angola/Moçambique ou mesmo no interior dos rios africanos. Há muitos anos as actuais Fragatas e Corvetas (excepção feita às três da Classe Meko) deveriam ter sido substituídas em vez de verem sucessivamente aumentado o seu período de vida operacional com as mais diversas remodelações e actualizações. Como carros velhos, têm sido fonte de despesas, difíceis de reparar e manter (quem tem peças para relíquias de museu?). Só com geniais intervenções do melhor desenrascanço nacional vão passando por navios minimamente dignos desse nome. Com o tempo, o sentido da sua existência foi-se perdendo à medida que passavam mais e mais períodos encostadas no Alfeite por falta de peças ou de dinheiro para o carburante. Durante muitos anos, a base militar do Alfeite se assemelhou a um depósito de sucata sendo difícil perceber se entre as dezenas de navios ancorados algum navegava sem auxílio do rebocador. Dito isto sabemos também que agora, neste contexto muito concreto, o Estado não tem dinheiro. É mais importante do que nunca estabelecer prioridades e maximizar as vantagens do pouco investimento que se fará. Justificar a manutenção da força submarina com o combate ao tráfico de droga, armas e pessoas é absolutamente anedótico. O que não se faria no país com 770 milhões de euros se fossem gastos a melhorar as condições operacionais da PJ, da PSP, e mesmo da Marinha (acelerando as encomendas dos Navios de Patrulhamento Oceânico por exemplo) para melhorar drasticamente o combate ao tráfico de droga e afins… É só perceber as condições e os meios ao dispor destas forças para ter uma ideia da desproporção do combate.
Cabe ao governante decidir mas não pode recolher louros de duas frentes quando esta opção claramente não é a mais eficiente para dar luta a ameaças em tempo de paz.
Só uma última nota: caro Paulo Pinto Mascarenhas as qualidades de Paulo Portas como ministro da defesa resumem-se exclusivamente a uma coisa. Disponibilidade orçamental para ir fazendo o que os seus antecessores do PS e do PSD nunca conseguiram fazer devido a opção governativa de não atentar às necessidades das forças armadas. Quase tudo o que Paulo Portas fez ou anuncia vir a fazer estava decidido há muito mas encalhado nas restrições orçamentais. Novidades? Talvez as reformas para os ex-combatentes. Apenas e só.
Na qualidade de acessor assessor de imprensa do candidato presidencial Paulo Gorjão, chamo a vossa atenção para a dinâmica campanha de esclarecimento público que vai desenvolvendo no seu blogue. O primeiro tema do dia é "Audi! Tudo bem?" deixando pistas sobre a política ambiental, sobre a gestão da "coisa pública" e sobre a política de transportes urbanos, utilizando como referência excelentes exemplos práticos com que outro(s) "político(s)" pré-candidato(s) nos confrontam diariamente...
O segundo tema é "Quantos submarinos são preciso para apanhar uma lancha rápida?". Sobre este tema e despindo a qualidade de acessor assessor pronunciar-me-ei mais tarde pois também me interessa.
Notas adicionais: À comunidade farmacêutica deixo o recado que a organização da pré-campanha está disponível para ser patrocinada por algum fortificador de memória. Numa pré-campanha que se adivinha longa e cheia de foguetório todas as esperanças de sucesso assentam em eleitores com memória (e bons níveis de auto-estima).
Força Gondomar!
P.S.: A pré-campanha usará 308 slogans diferentes, tantos quantos os concelhos do país, e ponderamos mesmo multiplicá-los pelos nomes das freguesias.
Adenda: Revisão de texto a cargo de Cristiano Braga (ver comentários). Públicos agradecimentos.
Os textos em resposta ao desafio deste texto continuam a chegar. Os Amantes enviam-nos este texto já por lá publicado que com muito gosto aqui reproduzo.
Ser amante 30 anos depois de Abril
Os amantes de há 30 anos escondiam-se de vergonha, amantes eram unicamente os que viviam um amor proibido e que praticavam o adultério.
Os amantes de hoje, são todos os que se amam, são os namorados, são os casais e continuam a ser os que vivem amores proibidos em adultério. É mais democrático hoje, a palavra já abrange todos os que se amam, e não apenas que se amam clandestinamente.
30 anos depois, a liberdade chegou também a forma como falamos dos afectos, depois de ter mudado também a forma como os vivemos. Há 30 anos, divórcios, separações, relações homossexuais, uniões de facto, pais e mães solteiros etc… etc… eram sempre olhadas de soslaio, hoje são cada vez mais aceites. A democracia também chegou aos afectos. E até o sexo é mais democrático. Homem e mulher estão hoje em pé de igualdade, há 30 anos isso seria impensável.
Há quem abra a porta e quem acene que não. Na realidade é proibido o motorista da Carris deixar entrar (ou sair) passageiros fora dos cais estabelecidos. Imagino que seja assim por razões de segurança, porque sempre foi assim, para garantir a fluidez do trânsito, para salvaguardar a comunidade de taxistas.
E se não fosse assim? Imaginem que os autocarros da carris estavam autorizados a tomar e largar passageiros sempre que circulassem em faixas Bus e desde que o veículo se tivesse imobilizado devido ao trânsito e suas regras, por exemplo, sempre que os autocarros parassem num sinal vermelho.
Imaginem também que sempre que um autocarro circulasse junto ao passeio, mesmo numa via não reservada a transportes públicos, poderia tomar passageiros nas mesma condições, ficando a decisão a cargo do motorista que melhor pode avaliar o tempo de imobilização esperado - quantos de nós não decoramos ao segundo o tempo que um determinado sinal vai estar vermelho? -e as condições da segurança.
Para sair (em regra é mais moroso e poderá atrapalhar de facto o resto da circulação de forma significativa) talvez fosse mais eficiente os passageiros esperarem pela paragem mais próxima.
Implementando este sistema acho que todos ganhariamos mobilidade no interior da cidade e o serviço da Carris ganharia seguramente mais adeptos.
Foi uma ideia que me ocorreu hoje quando vinha para o emprego circulando num autocarro conduzido por um dos motoristas que abre a porta fora das paragens em situações de congestionamento - apenas para tomar passageiros. Fê-lo em segurança e todos ficaram contentes, todos menos o taxista que vinha a trás. Pareceu-me tê-lo ouvido businar uns impropérrios. Mas caro taxista para mim os seus interesses verão sempre depois dos do autocarro. Demasiadas vezes aliás os taxis constituem constrangimento grave à circulação na cidade. Os pruridos que temos em regulamentar o autocarros são ridículos face ao liberalismo, de facto, com que vêmos tantos taxistas tratar o código da estrado e as mais elementares regras da boa conduta entre cidadãos
O Jumento lembrou bem e eu aproveito para comemorar.
Há 183 anos era abolido o Santo Ofício em Portugal. Terminara formalmente a inquisição. Tarde de mais infelizmente. Que permaneça morta e enterrada para sempre mas bem viva na memória dos que buscam a justiça.
Passo pelo Aviz e reparo que também o Francisco José Viegas se dedica aos dicionários, no seu caso reconstruindo o vernáculo. Adopto com a máxima concordância esta sua entrada.
Onde em Portugal se escreve “substâncias estupefacientes” no Brasil deve escrever-se “substâncias entorpecentes”. O Houaiss ajuda-me: estupefaciente vem do latim stupefaciens, entis: 'que entorpece'.
Dito isto baralhemos e voltemos a dar. Estupefacto e entorpecido. Em ambos os casos narcotizado. Benditos sinónimo e benditos sinônimos!
* Se o leitor aqui veio parar na esperança de encontrar um Dicionário da Língua Portuguesa, para que não saia daqui completamente defraudado com esta simples entrada, procure algo mais substancial aqui, aqui ou (a pagar mas do melhor que há) aqui.
O título deste post é o nome do livro que Maurício de Souza (sim, o pai da Mónica que me inspira há largos meses) apresentará na 18ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Mónica e a sua turma farão uma homenagem à cidade. Será que vai chegar a Portugal, caro Ruy?
Governo português investe 800 milhões de euros em sofisticado equipamento de busca e salvamento. Esta decisão foi tomada na sequência da seguinte peça de informação dos serviços secretos a que o Adufe teve acesso em rigoroso exclusivo:
"Na mais improvável fossa abissal que ladeia a plataforma oceância do país esconde-se a retoma."
Adenda: Sobre a Marinha, excelente reportagem esta publicada na Visão da semana passada.
A informação mais recente apresenta sinais contraditórios quanto à robustez da retoma económica. Com efeito, em Março o indicador de clima agravou-se ligeiramente, prolongando o comportamento do mês anterior. Por seu turno, e com base na informação até Fevereiro, o indicador de actividade económica não se distanciou do valor alcançado no final do ano passado, e a restante informação quantitativa continua a evidenciar comportamentos diversificados. Quanto à procura interna, registou-se uma melhoria do indicador quantitativo do consumo privado, mas que foi acompanhada por uma evolução ligeiramente desfavorável no indicador qualitativo no mês subsequente. Por outro lado, observou-se nova contracção do indicador de formação bruta de capital fixo, embora com uma recuperação do material de transporte. Na componente externa, as exportações portuguesas apresentaram uma desaceleração no primeiro mês de 2004, e as importações aceleraram significativamente durante o mesmo período. Os preços no consumidor inverteram em Março a tendência de desaceleração dos últimos meses. No mercado de trabalho, os indicadores mantiveram-se globalmente desfavoráveis.
in INE
Estamos a quatro dias do 25 de Abril e continua-se a publicação das participações que vão chegando à caixa de correio do Adufe a propósito deste repto aqui deixado em finais de Março.
Hoje o contributo do Blogs-Fora-Nada. Uma imagem de 25 de Abril de quem tinha seis anos na altura. Agredeço desde já a todos os que participaram com textos e comentários contribuindo para melhorar a qualidade da memória dos 30 anos do 25 de Abril aqui pelo Adufe. Entretanto as "inscrições" mantêm-se abertas...
30 anos
Era dia de passeio, o primeiro desde que entrara para a escola primária. O farnel estava preparado do dia anterior, numa marmita de alumínio baço e tampa vermelho vinho. Bebida, laranjada colocada numa pequena garrafa vestida com um entrançado plástico vermelho e preto. A excitação era grande, demasiada para adormecer.
Nessa noite outros não dormiram, percorreram quilómetros, encomendaram-se a santos e a ideais, colocaram o destino das suas vidas nas decisões e acções tomadas, e alteraram assim também o destino de um país.
O dia amanheceu para um país diferente, mas eu não o sabia nessa altura. O dia de passeio acabou a ser dia feriado, a escola fechada, a televisão ligada o dia todo. Um vizinho de quem eu gostava como um avô, passou esse dia na sala de casa dos meus pais, sentado em frente à televisão tentando não perder nada do que estava a suceder. Ainda hoje o revejo, de samarra vestida, sentado curvado na ponta do sofá, palito sempre no canto da boca e a boina que lhe deu o cognome na cabeça.
O Boininha, como todos o conheciam, tinha feito campanha pelo Humberto Delgado e com isso conseguido ter direito a alguns problemas, que poderiam ter sido bem maiores não fosse ele tão arraia-miúda.
Existem imagens que ficam vincadas na memória, marcadas como a ferro quente em madeira frágil, mesmo que o tempo desgaste a madeira, ficam sempre marcas, cicatrizes do que existiu. Lembro-me de ver, na televisão, a abertura da prisão, os presos a saírem, recordo imagens que mais tarde confundi com outros locais, a porta da prisão e de uma garagem pública, para mim enorme, pareciam o mesmo sítio. Precisava de situar os acontecimentos nos locais que conhecia.
O passeio acabou a ter lugar algum tempo depois, e se nas cidades pequenas não se viam ainda diferenças, na estrada nacional e no Porto notavam-se os movimentos das tropas que despertavam a nossa curiosidade. Não tenho a certeza mas é provável que nunca antes eu tivesse visto um militar em seu uniforme.
Apesar da meia dúzia de anos que tinha na altura, comecei a perceber outras diferenças, não que o antes tivesse sido difícil para mim, mas porque o depois me concedia coisas que antes não existiam. Os comícios políticos, os autocolantes da propaganda partidária, as músicas que simbolizavam a revolução, os slogans gritados aos quatro ventos, algum vocabulário entretanto aprendido, as pessoas que falavam, trocavam ideias, outras que se encolhiam, tentando perceber se aquele sol era de pouca dura, se a repressão viria mais forte depois, ou se a mudança estava ali para ficar.
Auto-gestão foi uma das palavras novas que aprendi, repetida muitas vezes à medida que os empregados das têxteis da zona tomavam conta das fábricas, se organizavam em comissões e geriam a empresa por sua conta. Não sei com que resultados, era pequena demais para me aperceber de tal, mas a avaliar pela situação alguns anos depois, nenhuma delas vingou.
Muita gente vendeu, naqueles tempos que se seguiram, os seus bens, temendo as nacionalizações. Outros aproveitaram esse pânico e compraram. Lembro-me bem disso porque assim ganhamos vizinhos novos na freguesia, pessoas que vinham de fora e que se instalavam à medida que algumas das maiores casas mudavam de mãos.
A escola também foi alvo de mudanças, a separação de sexos que ainda se mantinha foi abolida, mesmo antes do final do ano lectivo. Os rapazes que costumavam espreitar por cima do muro do recreio passaram a compartilhar a nossa sala de aula e as nossas carteiras. Apenas me recordo de um, a que chamavam ratinho, tão pequenino era. Tinha o dobro da minha idade mas ainda não sabia ler e era efectivamente ladino como um rato. Dos outros praticamente nem me lembro, no ano lectivo seguinte mudei de freguesia e de escola, mudei de professores e de colegas, e todas essas recordações ficaram empoeiradas.
Passaram 30 anos, as recordações próprias que tenho do 25 de Abril de 74 quase nada têm a ver com a revolução, e contudo estão fortemente ligadas a ela. Muitas das recordações da minha infância perderam já as datas, perderam o tempo em que aconteceram, perderam o antes e o depois. 1974 continua mais definido que qualquer outro ano, lembro-me dos dias de sol desse verão, dos passeios que fazia com os meus pais como se percorrêssemos outro país, lembro-me de ter começado a descobrir outras músicas que antes estavam banidas e agora tocavam livremente na rádio. Mais do que recordações dessa altura eu tenho imagens, como se a minha mente se tivesse divertido a fotografar eventos para mais tarde recordar.
Neste dia de bloguice gratificante o Adufe termina onde começou, no Brasil.
E o nosso correspondente brasileiro (Ruy Zananiri) destaca da revista de imprensa brasileira a crónica de Arnaldo Jabor (O crime no Rio vive do nariz dos otários) no segundo caderno d'O Globo (afinal o acesso é gratuito mas exige registo prévio). A crónica de Jabor de certa forma zurze alguns pontos que surgem na epístola da Alessandra Sampaio ao apresentar o conceito de "pós-miséria", vincando o afastamento de qualquer ideia romântica sobre o criminoso e a racionalização do crime.
Um excerto de Jabor:
"Os criminosos cariocas têm a mesma vantagem dos terroristas — não têm rosto e ninguém sabe de onde vêm. Eles são microempresas privadas, filiais da grande multinacional do pó. Nós somos o Estado incapaz. Eles agilizam métodos de gestão. Eles são rápidos e criativos. Nós somos lentos e burocráticos. Eles lutam em terreno próprio. Nós, em terra estranha. Eles não temem a morte. Nós morremos de medo. Eles estão no ataque. Nós, na defesa. Nós nos horrorizamos com eles. Eles riem de nós. Nós os transformamos em superstars do crime. Eles nos transformam em palhaços. A droga e as armas vêm de fora. Eles são globais. Nós somos regionais. "
Há um fascínio pelo que se passa no Brasil que vai bem além dos laços emotivos e históricos. Esta dedicação que por aqui passa e que o Ruy ajuda a patrocinar tem um interesse egoista muito relevante. Há uma diferença de dimensão, de violência entre o que se passa no Brasil e em Portugal ,à nossa escala, o diagnóstico de Arnaldo Jabor serve-nos de barrete para enfiar bem enfiado.
Ainda hoje ouvimos os números que atestam um aumento signifcativo da criminalidade organizada em Portugal geralmente associada ao tráfico (de drogas e de pessoas). Lá como cá combatemos o problema com meias políticas. Nem nos decidimos por uma revolução legalizadora, nem enfrentamos o boi pelos cornos optando (como apenas fingimos fazer) pelo combate e pela proibição. There's is a war como dizia Cohen. Por uma via ou por outra temos de regressar a essa guerra.
Publicado em 20 de abril de 2004
Arnaldo Jabor
O crime no Rio vive do nariz dos otários
Não adianta mais dizer “que horror!”. Enquanto procurarmos uma solução para o crime no Rio, não haverá solução. Não haverá solução enquanto não entendermos que somos parte do problema — nós, a polícia, a burocracia, a lei, as Forças Armadas, governos central e estadual. “Solução” é um conceito antigo e obsessivo; só um processo amplo, multidisciplinar, um processo lento, caro, difícil poderá ir melhorando a coisa toda.
São 650 favelas, com mais de 30 mil armas pesadas (calcula-se), aumentando o número cada dia, chegando de barco pela Baía, de aviãozinho, de caminhão. Algum sucesso, algum avanço, só virá se desistirmos de defender a “normalidade” de nosso sistema, pois não há mais normalidade alguma; precisamos é de uma urgente autocrítica de nossa ineficiência. Já escrevi várias vezes sobre isso e aqui repito frases de outros artigos. Nada avançou nos últimos anos.
A nossa secular irresponsabilidade está em questão. Nós é que temos de nos reformar, subverter nossas cabeças, nossas polícias, nossos poderes. A defesa pública está engarrafada numa rede de burocracia corrupta, leis antigas, velhos conceitos que são facilmente superados pela eficiência leve e imaginosa dos bandidos.
Nós ainda falamos dos criminosos como se fossem “desviantes” de nossa moral, como gente que se “perdeu” da virtude e caiu no “pecado”, no “mundo do mal”. Não se trata mais de crime contra a virtude. O que surgiu foi uma nova sociedade periférica, feita de fome e funk, de rancor e desejo de consumo. E são estranhas anomalias do desenvolvimento torto. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, como um monstro “Alien” que se esconde nas brechas da cidade. Não há mais a idéia de “proletários” ou de “infelizes” ou de “explorados”. Estamos perplexos com o mistério da miséria. Não basta denunciarmos contradições e injustiças. Estamos diante de uma espécie de Pós-Miséria. Isso. A “pós-miséria” está gerando uma nova cultura, se é que esta palavra se aplica à vida esmagada tentando existir. Hoje não adianta mais o papo de luta de classes, de “conscientização”, “cidadania”. Os miseráveis se conscientizaram sozinhos, em outra direção. E quem disse que eles ainda querem que nós os “salvemos”? Parte da miséria está armada. Eles ainda têm muito a tirar de nosso mundo: granas, assaltos, vinganças. Mas, mesmo assim, continuamos sonhando com um mundinho limpo, com uma utopia de Ipanema. Dançou, gente boa.
A verdade é que o Brasil sempre teve a “cultura do desrespeito” à lei. Nossa sociedade foi montada na transgressão à ordem, no horror à coisa pública, aos direitos da maioria; somos uma sociedade de contraventores, de sonegadores, de pequenos psicopatas light , uma sociedade de malandros cariocas. Agora é tarde. Isso que está acontecendo é a realidade previsível, não é uma anomalia.
A verdade é que a única coisa que aumentou a renda dos morros foi a cocaína. Como disse o policial Hélio Luz, com desalento: “O pó é uma companhia multinacional que diminui o desemprego dos miseráveis”... Fazer o quê? Ganhar 200 reais para ser limpador de privada de branco? Ora... Os criminosos cariocas têm a mesma vantagem dos terroristas — não têm rosto e ninguém sabe de onde vêm. Eles são microempresas privadas, filiais da grande multinacional do pó. Nós somos o Estado incapaz. Eles agilizam métodos de gestão. Eles são rápidos e criativos. Nós somos lentos e burocráticos. Eles lutam em terreno próprio. Nós, em terra estranha. Eles não temem a morte. Nós morremos de medo. Eles estão no ataque. Nós, na defesa. Nós nos horrorizamos com eles. Eles riem de nós. Nós os transformamos em superstars do crime. Eles nos transformam em palhaços. A droga e as armas vêm de fora. Eles são globais. Nós somos regionais.
A luta contra o trafico, é obvio, começa lá longe, nas fronteiras. Por lá entram as armas e o pó. Não adianta subir e descer de morros. Temos de fechar fronteiras. Mas não temos nem guarda-costeira.
A luta contra o crime não é mais uma luta policial; não é mais a Lei contra o Pecado. Não. O crime cresceu tanto que se tornou um problema de estado-maior. Sim. Trata-se de uma luta política e, mais que isso, uma luta policial-militar. Acho que tem de haver, sim, uma séria articulação das Forças Armadas com as polícias. Tem de haver generais estudando estratégias e logísticas de cercos e ataques. Meses de estudo, planos secretos, dinheiro, muito dinheiro, e milhares de homens com armas modernas. E tudo isso coordenado com campanhas de esclarecimento e de proteção às comunidades que eles “protegem”. “Ahh... — alguns vão gritar — o Exército não foi treinado para isso!” Pois, que seja treinado. Trata-se de uma guerra. Ou não? Não combateram a guerrilha urbana, com implacável ferocidade e competência?
Aposto que outros dirão: “O Exército não é para crimes comuns; é para guerras maiores...” Para quê? A invasão da Argentina? Não podemos enfrentar o crime do século XXI com uma polícia do seculo XIX.
No fundo, muitos não admitem a ação das Forças Armadas, porque desejam ocultar a derrota de um sistema legal e policial. A guerra é reconhecimento do fracasso da política. Pois que seja. Nosso fracasso tem de ser assumido.
Crime hediondo é que o combate ao crime e a miséria não seja uma prioridade nacional, crime é que não haja alocação de bilhões de reais para se fazer uma guerra política e social, e não meras operações policiais inócuas. A tragédia das periferias brasileiras me lembra um terremoto ignorado, para o qual ninguém enviou patrulhas de salvamento. Já houve um terremoto e todos nós tentamos esquecê-lo, subindo grades em nossas casas, com os socialites cheirando o pó malhado de otários, perpetuando esta miséria.
O crime começa e acaba no nariz das classes dominantes.
Este site, descoberto via Cruzes Canhoto, contém uma foto-reportagem sobre a área desabitada em torno de Chernobyl feita por Elena, uma jovem motociclista filha de um cientista nuclear russo. Absolutamente imperdível. A internet informal no seu melhor.
"Perhaps future archeologists will compare this town to Pompeii. The Soviet era is forever preserved here - in the radiation that will last for many centuries. "
Brasil, Portugal, Europa e agora Benquerença.
Ainda não sei se poderei estar presente mas é com grande satisfação que trago aqui hoje novidades da Benquerença. Coisas boas para variar.
E as novidades são as que constam da renovada página do Festival Rock Benquerença 2004. Quanto ao local posso-vos assegurar que está a ficar um brinquinho - passei por lá na Páscoa. As últimas infraestruturas da nova zona de lazer e desporto estão quase concluídas, os arruamentos também e pela amostra no site a organização sabe o que faz relativamente ao festival.
O espetáculo decorrerá de 23 a 25 de Julho e conta com a participação de 12 bandas: Painted Black; Moonspell; Mata Ratos; Hidance; Omited GR; Dr. Feelgood; Toranja; The Last Hope; Moços do Adro; Blasted Mechanism; Tara Perdida; Micro. Parabéns aos organizadores pela iniciativa e pelo ar fresco que dão a respirar. Para mais detalhes (como chegar, imagens do local, deixar questões) é passar pela página.
O parlamento mais produtivo do mundo.
É caso para pensar seriamente em fugir. Mais de cinco votações por minuto durante todos os minutos ao longo de duas horas.
O parlamento grossista europeu.
Inscrito nos recordes do Guiness seguramente!
Grato pela informação prestada pelo senhor deputado.
Este pequenos exemplos ajudam a perceber a dimensão do erro que se está a cometer por essa Europa fora. Não vamos longe assim. Ou melhor, espero que não consigamos ir muito mais longe por esse caminho. A bem de todos nós.
Discutir esta abstracção e a respectiva aberração precursora destas palavras não será tema de campanha.
Acho que esta carta merece aqui um cravo de Abril...

Boa noite!
O homem da classe média alta, fez com que os seus próprios filhos se viciassem nesta máfia das drogas, alimentando os bandidos com um cigarrinho de maconha, traficando um mix de produtos, não só com as drogas e armas.
É muito cruel saber que perdemos o direito de ir e vir na hora que quisermos, pois o Brasil lutou tanto pela democracia e com o voto direto e deixou a história para trás.
Quando um País se torna escravo da violência encontrolável, deveria no mínimo unir a UNIÃO MAIOR de todas as forças governamentais, para que se implante uma solução imediata e progressiva, diminuindo esta desigualdade social que chega a nos envergonhar diante dos nossos próprios filhos!
Quando um filho de 07 anos se depara diante de um Pai desempregado há 04 anos, o que se passa na cabecinha desta criança?
Como terá uma perspectiva de futuro, profissão se o próprio Pai não consegue?
Não podemos perder os nossos ídolos, pois é através deles que nos espelhamos para o futuro e quando vejo um governo sem ídolos, sem líder, fico envergonhada em ter que contar, se sobreviver, esta história para os meus futuros filhos e netos.
A Máfia do tráfico só acabará quando desigualdade social amenizar e o governo deveria se conscientizar que quando não temos a capacidade de gerar empregos, não poderemos exigir impostos e encargos para esta classe tão prejudicada e não privilegiada.
Eu acho que deveria num primeiro momento liberar geral os camelos, no intuito de gerarem empregos e outros, bem como planos de vendas direta e indireta nos diversos canais, desde porta a porta até nas indústria, facilitando desta forma a capacidade do ser humano evoluir e ter perspectiva de futuro, se sentir importante, útil a sociedade e não se desesperar e caí neste beco
sem volta.
Embora ficasse uma poluição visual, mas de outra forma estabelecia salários que suprissem as necessidades básicas de um ser humano.
As drogas só chegam nos morros devido a liberação da polícia federal nas fronteiras, percebe?
Falamos tanto da cultura, educação e pergunto :
Estes policiais não estudaram?
Pois, é conflitante quando ganância supera toda a nossa existência de leadade, desigualdade, etc.
Jesus lutou tanto, se sacrificou por todos nós, e o que me parece é que esquecemos de toda a história de vida e morte!
Enfim, Deus é soberano e nos trará a Luz seguida de vitória e paz.
Um abraço,
Boa noite. (sic)
Alessandra Sampaio (Brasil)
Parece que vamos ter mais notícias sobre o sistema do futebol em breve...
A quantos pontos estará o Sporting do Porto?
O Ruy Zananiri continua mandando os seus despachos do Brasil sobre a situação no Rio de Janeiro. Hoje selecciono uma crónica de Joaquim Ferreira dos Santos editado no Globo - a Globo que me perdoe mas reproduzo em anexo mitigando a infracção com o convite a outras crónicas que por lá se podem ler. Mais daqui a pouco passará pelo Adufe um depoimento nascido da mesma emoção, desta vez enviado por uma amiga do Ruy que ele (com o seu acordo) sugere que chegue aqui a esta outro canto da portugalidade.
Pelo que leio O Globo vem fazendo um excelente trabalho escrito - bem menos sensacionalista do que o que por vezes perpassa na TV (e na própria Globo também). A crónica "Esculacho" de Joaquim Ferreira Santos é um exemplo excelente da complementariadade à notícia. O melhor tempero para nos apurar os sentidos sobre o que é a refrega. Estamos longe, felizmente, do conflito armado concreto que existe no Rio de Janeiro, mas parte da inquietação que transparece da crónica de Joaquim Ferreira dos Santos é-me demasiado familiar no meu quotidiano. O "chico espertismo", a perda de referências quanto ao papel da autoridade (exercício e percepção), o desenrascanço, o alheamento fatalista. Talvez seja só a luz que me ilude a semelhança ou talvez não.
Esculacho
Aconteceu embaixo da minha varanda e, mesmo com o desfrute da cena a partir de uma trincheira tão confortável, permitam mesmo assim que eu me conceda o título de correspondente de guerra — pois é uma pequena história da guerra carioca que eu vou contar.
Embaixo da minha varanda, no outrora pacato distrito das Águas Férreas, o barulhento bairro do Cosme Velho de hoje, 20 policiais preparavam-se para subir a ladeira atrás de assaltantes. Normal. Uma daquelas cenas que todo carioca já deve ter visto embaixo de sua varanda. A novidade é que desta vez, nove horas da noite, aproximou-se do grupo de policiais uma senhora de seus 60 anos, chegando visivelmente cansada das agruras de um dia pesado. Perguntou aos homens da lei se podia subir a ladeira, uma das entradas para o Morro do Cerro Corá. Um policial, risinho abafado, disse que sim, desde que ela não tivesse medo de tiro.
Meio que ofendida pelo gracejo fora de hora, meio que irritada de participar de uma fotografia que ela vê diariamente nos jornais, a mulher subiu na frente dos policiais. Conseguiu calma, ou raiva, suficiente, para responder ao PM que tinha mais medo deles do que das balas dos bandidos. Disse aquilo como se fosse um desabafo natural, previsto em lei e nada ofensivo às regras do jogo urbano. Também normal. Em seguida, marchou para casa.
Os policiais deram a impressão de que o depoimento da senhora procedia. Ficaram mudos. Pareciam já ter ouvido algo semelhante antes. Não puxaram das algemas para estancar o evidente crime de desacato à autoridade. Nenhum deles gritou “teje presa”. A senhora, por sua vez, parecia saber — afinal, havia um sujeito de bermudas civis e fuzil entre os PMs — que esse negócio de autoridade definitivamente perdera muito da liturgia do cargo. E a noite acabou assim. Normal. O normal carioca, embora desta vez sem mortos ou feridos de qualquer dos lados. Apenas uma adrenalina de leve para não incomodar o sono.
Machado de Assis morou logo ali, onde hoje tem uma loja de café. A casa da Cecília Meireles ainda fica do outro lado da rua. Eram cronistas melhores, sem dúvida. Tinham estilo e refinamento superiores aos dos colegas-vizinhos do século XXI. Sem querer inventar desculpa, sem tirar o corpo fora, é preciso dizer que, convenhamos, eles também viam cenas bem mais inspiradoras das suas varandas.
Ninguém é obrigado a acreditar naquela história de que a borboleta batendo as asas na Indonésia mexe com as folhas das amendoeiras da Glória. Poesia. Lao Tse total. O que se mexe a quilômetros com cada tiroteio no Rio, no entanto, é diferente. Mesmo não atingidos diretamente, etéreos que são, os bons princípios, os códigos de civilidade, o respeito às normas, os manuais de educação foram todos desafinados pelo ricochete das balas. Por ondas, como se asas malignas de borboleta fossem, elas passaram a dar o tom de faroeste das relações vigentes.
(Vocês estão ouvindo ou a gritaria no restaurante, o latido do pitbull no corredor, o Geninho mandando seus zagueiros quebrarem o Felipe e o aleluia da igreja ao lado não deixam?)
A velhinha debocha da polícia do Garotinho, o Garotinho debocha do ministro da Justiça e a cantora Adriana Calcanhotto, no último elogio que ouvimos, debocha de todos dizendo que cariocas são bacanas, eles não gostam de sinal fechado.
Pode parecer desvario, coisa de quem mora léguas distante do bangue-bangue na Rocinha. Mas será que eu me faria entender se dissesse que temo tanto o fogo cruzado quanto a bicicleta dos entregadores de farmácia nas calçadas? As balas dos traficantes no Vidigal matam e o técnico Abel, o suposto chefe de disciplina rubro-negra, esbravejando palavrões, invadindo o campo para pegar o juiz, não — mas eu me faço entender se digo serem todos farinha do mesmo saco?
A sobrevivência física ficou uma necessidade tão prioritária, que nem atentamos mais para a lei das selvas em que ela jogou todo o resto. Estamos vivos, e é bom repetir porque não é façanha pouca diante do que se lê nos jornais, estamos vivos e isso às vezes dá até um certo constrangimento, pode parecer crônica leve de segunda-feira, de ficar reclamando das coisas que não dizem respeito ao ato do coração continuar batendo. Estamos vivos, sem dúvida, mas eu acabei de ver o guarda da esquina fumando um cigarrinho-amigo, levando um papo maneiro com aquele flanelinha que cobra R$ 10 para estacionar carro de turista aos pés do Corcovado — e isso evidentemente não pode acabar bem.
São ricochetes de uma guerra que está matando concretamente muitos e deixando todos feridos com seus estilhaços boçais seja na fúria dos pitboys, no trânsito enlouquecido, no futebol do carrinho por trás, na paquera cafajeste que puxa o cabelo das moças e — minha figura preferida na perda de referências do que é certo ou errado — no guarda que apita, furioso, decibéis criminosos embaixo do sinal luminoso que está ali fazendo a mesmíssima coisa que ele, mas na santa paz. Somos todos vítimas e cúmplices dessa estupidez provocada pelas balas que explodem não necessariamente na nossa rua, mas reverberam na grosseria geral e dão o tom chinfrim da coisa. Como dizem os bandidos na hora do esculacho, “perdeu, perdeu”.
A velhinha sabia que não tem jeito. Na ladeira carioca você acaba encontrando uma bala ou outra, e a nossa heroína foi em frente, deixando o destino decidir a parada, que ela tinha mais o que fazer. Diariamente estou num táxi em que, para cortar caminho, o motorista cruza à esquerda sobre uma faixa dupla, na frente de uma cabine da PM. Eu me finjo de morto, o motorista, de esperto e o PM, escondido na cabine, finge também ter coisa mais importante a resolver. Normalíssimo, todos na sua, cantando baixinho o “entrega na mão de Deus e vai”. Há crimes monstruosos no quarteirão adiante e o espanto diante dos delitos sem vítimas fatais vai se anestesiando. Perdemos geral.
Tempos atrás, diante de um problema sem solução, só restou ao poeta tocar um tango argentino. Pelo que vejo da varanda, a esperança agora é que uma borboleta cheia de poesia bata as asas na Indonésia e mude a direção das balas para longe de nossas cabeças.
Excerto de um texto recentemente publicado na Rua da Judiaria:
Para Cada Pessoa Há um Nome *
Para cada pessoa há um nome
outorgado sobre ela por Deus,
a ela dado pelos seus pais.
Para cada pessoa há um nome
concedido pela sua estatura
e pelo seu sorriso
e pela sua forma de vestir.
Para cada pessoa há um nome
vertido pelas montanhas
e pelas paredes que a circundam.
Para cada pessoa há um nome
dado pela roda da Sorte
ou por aquilo que os vizinhos lhe chamam.
Para cada pessoa há um nome
inscrito pelas suas falhas
ou pelos seus desejos.
Para cada pessoa há um nome
entregue pelos seus inimigos
ou pelo seu amor.
Para cada pessoa há um nome
derivado das suas celebrações
e da sua ocupação.
Para cada pessoa há um nome
apresentado pelas estações
e pela sua cegueira.
Para cada pessoa há um nome
que ela recebe dos mares
e que lhe é dado pela sua morte.
Zelda, poeta israelita falecida em 1984. Este poema, Para Cada Pessoa Há um Nome, tornou-se sinónimo da necessidade de recordar as vítimas do Holocausto e anualmente é recitado em cerimónias oficiais em Israel. Hoje, no 27º dia do mês hebraico de Nisan, comemora-se o Yom HaShoah, o Dia Memorial do Holocausto. Porque não se pode esquecer a História.
(...)
*Em hebraico, palavra “nome” (shem) possui um simbolismo impar, por ser utilizada no discurso corrente e litúrgico como referência directa a Deus – HaShem, literalmente “O Nome”.
Encontro inspiração nas cabeças dos dedos indicadores, pronto, foi revelado o meu segredo! Três cabeças pensam melhor do que uma ;-)
Provavelmente se me inspirasse nos polegares oponíveis tudo seria diferente, mais humano, mais evoluido, mas enfim, prefiro o dedo revolucionário da indignação!
Rui
Agora quem adufa é a moça!
Não é que o Rui busca inspiração nas pontas dos dedos das mãos!!!!!
Estive a observá-lo e não resisti a editar este post... junta os indicadores, olha bem para eles e desata a escrever sem parar...
:)
Curioso, não?
Mónica
Adenda II: A discussão segue animada na caixa de comentários. Por isso volto a dar destaque de "primeira página" a este texto.
A notícia editada hoje no Público sobre a falência dos parques de estacionamento junto às estações da CP na linha de Sintra informa-nos sobre uma evidência que podíamos bem ter evitado comprovar.
Nem mesmo na linha de Sintra, onde apenas o ultra congestionado IC 19 serve de via de acesso rodoviário à cidade, as pessoas optam por deixar o carro no estacionamento da sua estação. É muito mais carro, mais moroso (na linha de Sintra não tenho qualquer dúvida) mas mesmo assim não há mudança na atitude privilegiando-se o popó.
As mentes brilhantes, provavelmente do liberalismo económico, sub-valorizaram os animal spirits dos cidadão pendulares construíram os parques de estacionamento junto das estações e exigiram pagamento. Com forte probabilidade a medida seguinte será colocar parquímetros e reforçar o policiamento nas redondezas do estacionamento tentando forçar coercivamente a viabilidade financeira dos parques. Espero sinceramente que não se vá por esse caminho que em nada contribuirá para cativar mais utentes para o combóio. Na melhor das hipóteses encarecerá os custos dos utentes regulares podendo mesmo desmotivá-los dessa opção. Hoje, estes, por livre iniciativa já usam o comboio e deixam o carro fora do parque para pouparem mais alguns euros no final do mês, não sem prejuízo de alguns minutos de sono que perdem para poderem arranjar lugar disponível.
Pela amostra do que tem sucedido, os automobilistas da Linha de Sintra continuarão a achar que o que se paga a mais por estacionar em Lisboa é compensado pelas vantagens que encontram no automóvel e manterão os seus hábitos de anos.
O hábito… Em Sintra (como em qualquer braço de polvo urbano onde o comboio está instalado há muito) o hábito não é irrelevante para avaliar e implementar um sistema de gestão dos transportes local. Contrariamente ao que se passa na margem sul onde o combóio surgiu como novidade, onde a estrada de acesso à cidade é paga (talvez os custos por isso sejam há mais tempo interiorizado e percebido pelos utentes) e onde as pessoas se sentiram e sentem motivadas para fazer mais contas perante (menor rendimento per capita?), os parques integrados no passe dos transportes públicos surgem mais atraentes e bem sucedidos. Apesar destes palpites é difícil explicar as diferenças de comportamento. Sei é que a solução de viabilização local de cada parque de estacionamento junto de estações por si próprio pode, neste caso de Sintra, não ser a solução mais eficiente. Seguramente não é, como o provam já vários anos de fracasso, um contributo para cativar novos utentes para o combóio.
Antes de mais elaborações e como solução imediata, faria sentido, mais do que aumentar o policiamento e introduzir parquímetros em torno de todas as estações, evidenciar aos utentes as vantagens e o interesse colectivo da utilização do combóio de uma forma distinta. Como? Sem gastar um tostão em investimento adicional. Proponho que se financie a gestão dos parques de estacionamento dissuasores com parte das verbas recolhidas pelos parquímetros localizados no interior da área de maior congestionamento, ou seja , com parte das verbas da EMEL (empresa pública municipal do concelho de Lisboa). Aliás, a gestão da Emel deveria ser integrada com as gestão das empresas responsáveis pelos parques dissuasores. Poder-se-ia manter a exploração privada desses parques, poderia até haver uma dotação (custo por carro/hora estacionado) tanto maior quanto maior a taxa de utilização desses parques por forma a aproximar ao máximo as condições de mercado.
Os que tivessem necessidade absoluta ou capacidade financeira ou teimosia e continuassem a trazer carro para Lisboa financiariam uma melhor fluidez da circulação contribuindo para que outros optassem por um transporte que não concorresse com o deles pelo acesso à cidade no IC 19, na A5, na A8… O ideal, em zonas de hábitos arreigados, seria mesmo lançar promoções durante alguns meses onde o estacionamento nos parques junto das estações desse direito a viagens de comboio, a bilhetes de autocarro (urbanos e/ou suburbanos) ou metro. Implementadas estas medidas e garantida a capacidade de reforço da oferta de combóio caso houvesse correspondência da população, se necessário, para garantir a sustentabilidade do sistema, deveríamos encarecer os parquímetros no interior da cidade.
Espero que a nova autoridade para a gestão da mobilidade da área urbana de Lisboa tenha competências, capacidade política e esclarecimento para avaliar sugestões como esta e implementar as que ofereçam melhores garantias de sucesso por menos ortodoxas que pareçam.
Foi publicado o Despacho n.º 7746, II Série - Nomeia a Comissão de Análise dos Institutos Públicos - 19 de ABril de 2004. Querem ler a lei? Paguem as centenas de euros (ou serão milhares) que a Imprensa Nacional Casa da Moeda continua a cobrar!
Ai valha-me São Sinfrónio! Será que vem aí o Santo Ofício dos institutos públicos? Como dizia um colega, o presidente da comissão até tem Polaco no nome! Virá ministrar a extrema unção?
E o INE? É preciso ver que o INE se aproxima da idade da reforma compulsiva, para o ano faz 70 aninhos.
Continua a publicação de contributos recebidos por e-mail onde se revêem estes últimos 30 anos e identificam os momentos históricos em que a vida política portuguesa se pautou pela elevação e pelo exemplo para o futuro. O que temos a agradecer à democracia, aos nossos representantes políticos, à nossa experiência democrática?
Recebido do Luis Novaes Tito(Tugir):
Caro Rui
Não será uma grande contribuição que, por especial falta de concentração no momento, estou ralo de descritivos.
Envio-te o texto do Post que publiquei em 29 de Fevereiro, na sequência de um outro Post do Gabriel, do Cidadão Livre.
É só uma anotação, mas reflecte tudo o que mudou em Portugal nos anos a seguir ao 25 de Abril. Isto nunca seria possível no tempo de Salazar ou de Marcelo Caetano.
De notar que se hoje o Fantasporto é um acontecimento cultural já consagrado, naquela altura dava os primeiros passos e talvez, mesmo sem a consciência de Mário Dorminski, a atitude do então Presidente da Assembleia da República, foi determinante para essa consagração.
Um abraço
Luís Novaes Tito
[00.063/2004]
Gabriel, o que foste fazer...?!
Avivar fantasmas, que tão bem se enquadram com o Fantasporto.
Na altura, era eu adjunto do Presidente da Assembleia da República e Manuel Tito de Morais o meu querido Presidente.
Uma das minhas competências era a de despachar com ele o expediente (centenas de cartas por dia) e quando chegou a vez da carta de Mário Dorminski disse-lhe na brincadeira:
- Então Tito, fazemos um intervalo na real e vamos ao fantástico?
Olhou para mim com aquele olhar verde que só Tito de Morais sabia fazer quando o absurdo normal era mais forte que a alma do irracional, e respondeu:
- Então Luís, qual é a dúvida? Claro que vamos! Diz ao Mário que tem de fazer soar o Maria da Fonte.
Assim foi em 1984.
LNT
O correspondente do Adufe no Brasil - acho que posso atribuir-lhe o título, caro Ruy Zananiri - informa-nos com uma detalhada revista da imprensa das últimas notícias sobre a crise nas favelas do Rio. Sociólogos, antropólogos, advogados, polícias, políticos discutem, discutem...
Discutem-se as leis, a despenalização, a eficácia da polícia, as razões para a erupção recente de violência com uma intensidade sem precedentes entre os grupos de traficantes rivais e a polícia do Rio, discutem o envio das Forçar Armadas para controlar a situação...
Talvez haja quem ache "pitoresco", mas prefiro considerá-lo particularmente simbólico da dimensão do problema. Falo do código de conduta no interior de cada uma das favelas. Um código que condiciona brincadeiras de crianças, a indumentária, o vocabulário autorizado. Peço-vos que atentem no artigo da Globo que deixo em anexo.
Adenda: O GNT, disponível na TV Cabo, tem oferecido ampla cobertura sobre os acontecimentos no Rio de Janeiro.
14/04/2004 - 09h27m
Viva Favela: poder do tráfico influencia até jeito de vestir dos mo
Toque de recolher, comércio fechado e até proibição de certas marcas. O "Viva Favela" fez uma reportagem falando dos códigos de conduta impostas pelos traficantes nas favelas do Rio de Janeiro. Os exemplos citados são chocantes. Numa favela na Zona Oeste carioca, a palavra "terceiro" é proibida já que é uma referência à facção criminosa rival dos chefes do tráfico na aérea. A palavra não é permitida nem mesmo nas brincadeiras entre as crianças. As crianças, aliás, são pressionados pelo poder paralelo até nas escolas: alunos que moram em favelas de facções rivais não participam de trabalhos de grupo juntos, por exemplo. Numa favela da Zona Norte, os traficantes proibirao aos moradores criarem cães. Isso porque os animais atrapalhavam os criminosos na hora da fuga. No dia-a-dia, os moradores devem seguir rigorosos códigos de conduta. Na maioria das favelas, quem anda de carro tem que passar por uma blitz dos traficantes e quem pretende receber uma visita motorizada tem que pedir permissão antes. Motoqueiros não devem usar capacete, já que isso dificulta a identificação. Insufilm, nem pensar. Durante a noite, os veículos devem andar com a luz interna acesa e com os faróis baixos e o carros não devem ser trancados.
O tráfico influencia até o modo de vestir dos moradores. Roupas de determinadas cores ou grifes pode até ser proibidas, por fazer menção aos rivais. O Terceiro Comando usa TCK. Já o Comando Vermelho usa a Quebra Vento. A roupa preta não é bem vista por lembrar roupas de policiais do Bope.
Publico hoje mais um contributo recebido por mail:
Com o 25 de Abril de 1974, Portugal enveredou por um caminho - que se deseja, mas ainda não alcançado - que deveria colocar a sociedade portuguesa ao nível das mais avançadas da Europa.
Não me recordo da situação social pré-revolução, já que era muito jovem, mas pelo que contam os mais velhos era lamentável. Os trabalhadores não tinham direitos, a não ser o de trabalhar, as sanções disciplinares podiam incluir uma semana sem ordenado - mas o trabalhador tinha de continuar a laborar. Não existia nenhuma protecção social, quem ficava desempregado estava sujeito a passar fome. A PIDE tratava de manter os portugueses "na linha" - que o digam os que tiveram o desagradável privilégio de serem obrigados a uma visita às instalações.
Cometeram-se erros, é certo, mas é errando que aprendemos. Estamos melhor do que antes, mas certos sectores da nossa sociedade tentem fazer passar a ideia que não. É preciso relembrar o passado para que este não se repita no futuro. Infelizmente parece que em Portugal se tenta "apagar" o
passado.
Quantos dos nossos jovens sabem o que é o 25 de Abril, como era antes e o que se passou depois?
Só espero que as conquistas de Abril não estejam a sofrer uma inversão, por
ignorância dos portugueses que têm "memória curta".
Cumprimentos,
Jorge Guimarães Silva
Quando finalmente te decidires a visitar Tomar, como deve ser, passa pelo Blogue do Leonel em jeito de roteiro turístico preliminar: Tomar
O conflito do médio oriente está quase resolvido e desconfio perceber nas entrelinhas que a guerra contra o terrorismo para lá caminha... Tudo isto eu leio na fé da Liberdade de Expressão. Afinal de contas dois mais dois são igual a quatro.
Era Sábado, regressávamos inesperadamente à Benquerença para velar o meu avó Manuel falecido na sexta-feira santa. Apagara-se ao fim de quase 82 anos e após longos anos de sofrimento e invalidez num corpo e mente de quem se construiu a si próprio. O pior dos destinos para qualquer self-made man. A morte viera-lhe como um favor e era com isto em mente que entravamos no concelho de Penamacor vindos de noroeste.
É curiosa a fronteira noroeste do Concelho, há um pedaço do Fundão entalado entre a Covilhã e Penamacor. Não há placas limítrofes a avisar mas há um estreitamento impressionante da faixa de rodagem. Para quem percorre aquela estrada, o Fundão é um garrote que parece evitar o namoro da grande serra da Estrela com o vale da Malcata, onde nasce a cova da beira...
Foi pouco depois de regressarmos a estrada digna desse nome que nos surgiu no meio da via a ovelha e o cordeiro recém nascido. Titubeava ainda o nascituro.
Não havia rebanho à vista, apenas algumas terras cercadas. À nossa frente, parado, um jipe de onde saiam dois curiosos como nós. Saiam do carro coçando a cabeça. Impávidos, mãe e filho permaneciam estacados na estrada como estátuas, apenas a cria dava sinais de vida tremendo largamente. Ali ficámos alguns instantes reverenciando talvez o único milagre incontestável (matrixs à parte).
Avaliada a situação, seria?, as ovelhas afastaram-se finalmente da estrada metendo por caminho de terra batida. Houve então tempo para a fotografia...
Por detrás da cerca a que levava o caminho, iniciou-se uma corrida ligeira de pequenos cordeiros aparecidos sabe-se lá de onde que vinham cumprimentar o mais novo que esperava de fora. E não pensem que atribuo sentimentos aos animais... Espreitem a outra fotografia...
Chegou então a pastora, de pick up, repondo a ordem naquele caos, terminado a privacidade estrita e integrando a família.
Nós partimos para uma última homenagem de alguma forma confortados pela demonstração do grande esquema das coisas.
O Emmanuel Souza envia-nos por mail as notícias mais recente do Brasil na questão da violência na Rocinha - Rio de Janeiro.
Em anexo fica a notícia mais recente da Globo recebida na caixa de correio.
Outra fonte aqui.
17/04/2004 - 01h39m
Cerco a Dudu se fecha
Globo Online
RIO - Ele o bandido mais procurado do Rio hoje. A polícia cercou nesta sexta o Complexo do Alemão, numa superoperação para prender o traficante Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu - que, na Sexta-Feira da Paixão, invadiu barbaramente, com seu bando, a Rocinha, deflagrando a guerra pelo controle das bocas-de-fumo da favela. O prêmio para quem der informações sobre o esconderijo do traficante subiu de R$ 2 mil para R$ 5 mil. O Disque-Denúncia (2253-1177) já recebeu 470 telefonemas, com detalhes repassados à polícia. Cartazes com a foto de Dudu e, em destaque, a palavra "procurado" podem ser vistos em postes na área do Alemão.
Policiais dizem que Dudu estaria ferido, protegido por traficantes aliados, mas que o cerco está se fechando. O chefe do tráfico na Rocinha, e adversário de Dudu, Luciano Barbosa, o Lulu, morreu em confronto com policiais do Bope, na tarde da quarta-feira. O medo, que domina a favela desde que, no começo do ano, Dudu fugiu da cadeia e passou a ameaçar o rival, aumentou. O temor é que, sem Lulu, a guerra se intensifique - em vez de diminuir -, com a disputa violenta pelos pontos de venda de drogas na Rocinha.
De acordo com denúncias, Dudu escondeu-se na favela da Grota, Vila Cruzeiro ou Fazendinha, no Alemão. Ele tem aliados em outras favelas: Borel, Jacarezinho e Vidigal, de onde partiu na Sexta-Feira Santa para invadir a Rocinha.
No caso muito concreto destas declarações vejo muito pouco conteúdo político digno de comentário. Concordo com Pacheco Pereira, há minutos na SIC: estamos perante especulação jornalistica na qual caiu redondo, diga-se, o inconfundível Pedro Santana Lopes, dizendo que ficára surpreendido com as declarações e que iria pedir esclarecimentos aos intervenientes (o Ministro da Administração Interna e o Primeiro Ministro) - o tipo já é presidente e ninguém se apercebeu...
Deixando o humor e regressando às declarações e cavalgada que se lhe seguiu ontem e hoje. Sejamos inteiramente honestos: as premissas das declarações são distintas logo não são comparáveis... O ministro respondeu com racionalidade a uma pergunta inteligente. Disse o que é exigível ouvir-se de qualquer governante. Vi as simplificações ou descontextualizações, que só contribuem para um maior receio e calculismo dos políticos, ser aplicado a "vítimas" socialistas em tempos de governo PS e fiquei revoltado.
Ganhamos muito em dar valor às palavras resistindo a oportunismos de ocasião. Eu sei que o Ministro (FL) já tem imagem de trapalhão e incompetente, em sei que há uma natural hipersensibilidade a tudo o que envolva o iraque e assuntos conexos logo, facilmente se lhe colam as declarações que se lhe atribuem conferindo-lhe outro sentido, em suma, a tentação era forte mas não serve a democracia e nem sequer é necessária ao combate político. Acredito mesmo que são contraproducentes em termos imediatistas, talvez nem sempre, mas: o tipo que quiser contar a história ao amigo corre o risco de se aperceber estar a criticar algo razoável... Ouvi em minha casa pessoas politicamente não fundamentalistas perguntarem onde estava a incoerência... Quão estúpidos são os portugueses? Há À tentações em que eu também já devo ter caído aqui no Adufe que convém combatermos, engrandece-nos a todos e é higiénico.
Como muito bem notas, João, recentrando a questão (ler caixa de comentários no País Relativo), o nosso PM dá-nos inquestionáveis motivos de crítica. Usemo-los e denunciemo-los como muito bem vêm fazendo no País Relativo. Abraços!
A menina de 7 anos que no ano passado foi baleada na cabeça, com um tiro desferido por um jovem que “brincava” com uma caçadeira, enquanto se encontrava no recreio da escola (Centro de Bem Estar Social do Pendão em Queluz), continua com a bala na cabeça. A criança começou a queixar-se que vê duas imagens, os pais foram informados que a bala poderia resvalar e cegá-la e os médicos consideram que ele deveria ser operada para retirar a bala. O pai tem 59 anos e é reformado, recebendo 208 euros, a mãe está desempregada e recebe 350 euros de subsídio de desemprego e o Hospital de Sta. Maria continua a enviar as contas.
Os pais não sabem que fazer – “às vezes atrasamos as consultas porque não temos dinheiro” – diz a mãe.
Existe Seguro escolar obrigatório mas não cobre estas situações: “Exclusões – As ocorrências que resultem de actos danosos cuja responsabilidade, nos termos legais, seja atribuída a entidade extra-escolar;”
Força Portugal!
Hoje entre as 18 e as 19 horas, a jornalista Maria Flor Pedroso (MFP), da Antena 1, aproveitou muito bem a entrevista que lhe concedeu o ministro da administração interna para lhe perguntar três vezes:
"Enquanto Ministro da Administração Interna pode informar-nos em que medida, com base em que meios é que o Primeiro Ministro pode afirmar que Portugal hoje é um país mais seguro do que Espanha?"
Três vezes Figueiredo Lopes se contorceu. Ainda estou à espera de ouvir a resposta...
Adenda: o Ministro está em directo na Sic Notícias neste momento (22:04)
P.S.: MFP tem uma das mais agradáveis vozes da rádio portuguesa. É esta a minha homenagem no dia mundial da voz :-)
Pois é caro António e Paulo, eu juro que não é ingratidão, mas o nosso presidente com sound bites destes «Portugal não pode ser só um museu» não ajuda a que eu me derreta definitivamente de amores... Mantenho-o mais cautelosamente na classificação "gajo porreiro" se me dão licença.
Com declarações destas até parece que temos algum movimento dominante de conservadorismo ou algum espírito ambientalista exacerbado particularmente empreendedor... As notícias mais marcantes de que me recordo em termos ambientais visam a abertura da Costa Vicentina ao avanço do imobiliário, a ocupação completamente desregrada e destrutiva da reserva natural da Serra da Estrela, a omissão sucessiva de estudos de impacte ambiental em obras do Estado, o atraso no cumprimento dos compromissos de controlo de poluição firmados pelo Estado Português, a extinção de espécies raras a nível mundial como o lince ibérico ou mesmo a ainda mais autóctone espécie das "Estações de correio" em diversos concelhos do interior do país...
Uma ruína não é um museu, caro presidente, por isso não o entendo nesse seu esquizofrénico afã. Só pode estar a falar em liberalizar ainda mais as possibilidade de edificado. Tem visto os números do INE que têm demonstrado sucessivamente a irracionalidade (em termos de desenvolvimento sustentável) vigente no sector da construção? Deve ser problema meu, de entendimento. Queira desculpar.
Parece que alguém andou a assustar o nosso presidente e ele acreditou! Mas é preciso andar distraído, muito distraído. Já agora, onde será que costuma tomar a sua bica?
Ontem à hora do lanche consegui o feito de estar descansadamente em casa a comer um belo iogurte e a ver televisão já em modo “chinelos e lazer”.
Ainda que seja ouvinte regular do RDP Regiões - todos os dias úteis em FM, depois do noticiário das 13horas na RDP Antena 1 - há já muito tempo que não via o regiões televisivo. Quis o destino - esse jeitoso bode expiatório – que precisamente ontem este que vos escreve tivesse de assistir a umas quantas intervenções laudatórias a António de Oliveira Salazar (A.O.S.). Será que passaram no Telejornal?
A peça foi desencadeada por um folheto anónimo que tem circulado por Santa Comba Dão. No dito defende-se o regresso da estátua de A.O.S. ao largo fronteiro ao tribunal, local de onde fora alijada uma antiga estátua de Salazar, aos primeiros sinais do 25 de Abril de 1974.
Transmitidos os factos, acrescentou-se a pesquisa: reflectiria o folheto o sentimento dos residentes? À falta de melhor – que é a regra e não a excepção – os jornalistas perguntaram ao povo que apanharam pelas ruas. Todos (terão sido quatro ou cinco, os entrevistados) falaram do estadista António de Oliveira Salazar – julgo que, exceptuando uma entrevista a Girinovsky, é a primeira vez que ouço falar do senhor nestes termos.
Todos os entrevistados discorreram sobre a naturalidade do senhor sublinhando bem vincadamente que era “um dos nossos”. Houve quem advogasse que se têm de gramar com uma estátua de Sá Carneiro que nem era da terra, também podem reclamar uma estátua de Salazar. Outra entrevistada, falando do estadista, colocou-o acima do exemplo sanguinário do Marquês de Pombal que, lembrou, merece ainda hoje estátua no coração da capital. Mas o pior, e notem que me esforço por não qualificar desbragadamente o que relato até este ponto do texto, o pior dizia, foi a frase lapidar que é nos meus ouvidos tão antiga quanto a apologia da revolução: “Ele a mim nunca me fez mal nenhum”.
Terá sido este o cerne da ditadura? Investir na propagação das condições para que o “Ele a mim nunca me fez mal nenhum" abafasse tudo o resto? Enquanto se perguntasse se "há mal" em vez de se procurar se "vem bem" tudo seguiria o curso desejado. A ditadura foi perdurando baseando-se mais no medo e na menorização dos anseios da população, apequenando-a por todos os meios, do que por qualquer edificação intelectual ou material.
“Ele a mim nunca me fez mal nenhum" disse a senhora, a nossa concidadã de Santa Comba Dão, mas disse-o também o vencido da vida não ficcionado do Jardim do Campo Pequeno, disse-o uma simpática idosa em Trás-os-montes, disse-o a senhora de boas famílias da Ilha de São Miguel, disse-o o retornado de Moçambique amargurado pelo que perdeu, disse-o mecanicamente o filho da grande fortuna que foi nascer ao Brasil com os pais fugidos da fúria vermelha. E a ti, pessoalmente, Salazar fez-te algum mal?
Parte de Portugal no bom espírito “Com o mal dos outros podemos nós muito bem”.
Com o mal destes outros todo o cuidado é pouco. Por eles Salazar e outros da sua laia continuam a fazer-nos mal, todos os dias, mesmo à velhinha de taubaté. O mundo não é suficientemente grande caros portugueses incólumes da ditadura, ninguém passa despercebido se demasiada gente se fizer distraída. Há causalidade para quase tudo - escapam talvez os mistérios religiosos ou da religiosidade ou simplesmente os mistérios.
Investir na democracia, na sua maturação, deve ser também uma tarefa iminentemente egoista. Está é uma evidência histórica com sucessivas provas de restar por curto prazo na memória dos homens. Este é o único caminho que temos. Se nos desagradam os representantes, o problema são eles, não o regime. É sobre eles que devemos agir. É sobre eles que podemos agir pacificamente, dentro da lei , pela lei. É essa a diferença da democracia que prezo.
E, dito isto, segue hoje uma adufada para a crónica de Miguel Sousa Tavares no Público sobre o ambiente.
Anteontem o governo com pompa e circunstância anunciou a caça ao crânio nacional. Quem conseguir publicar mais de 100 artigos em revista científicas internacionais terá em Portugal um El Dourado financeiro. Condições para investigar se verão depois. Cem artigos...
A quantidade como medida de sucesso jé é de si um lema preocupante mas não nos fiquemos por aqui. Neste caso cem artigos poderão representar uma piscadela de olho, não apenas a investigadores, mas muito provavelmente a recordistas do Guiness!! E ler estas duas postas (esta e esta) do Pedro Adão e Silva (PAS) no País Relativo.
É que uma centena de artigos científicos é uma enormidade. Um artigo científico numa boa revista demora largos meses, por vezes mais de um ano, até ser aprovado. Pelo menos na área de Economia, Econometria é assim. Algumas das maiores sumidades mundiais, com longas carreiras, em diversas matérias (ver este post!) não passam das dezenas de publicações submetidas a conselhos científicos internacionais.
Confesso que fiquei espantado ontem quando ouvi alguns cientístas crédulos na eficácia e honestidade desta medida. O PAS deu o mote e eu acho que deveriamos escrever um artigo científico onde se estudasse a distribuiçãos dos artigos pelas áreas do saber.
Demonstre-se também a demagogia fácil e a ignorância persistente e acrítica de quem toma por boa as "boas" notícias. Um belo momento na blogoesfera informativa este patrocinado pelo País Relativo!
O Ruy Lira Zananiri, a mais recente "conexão" brasileira criada por este blogue envia-me um breve relato a anunciar a principal matéria do próximo Globo Reporter...
Há exactamente dois anos foi editado em Portugal um livro de um escritor Angolano (José Eduardo Águalusa editado pela Caminho), com o título "O Ano em que Zumbi Tomou o Rio". Se bem me lembro, José Eduardo Agualusa esteve a viver durante alguns anos no Brasil (em vários pontos do país) antes de escrever o seu romance.
Para quem não saiba, na sua carreira além de escritor foi jornalista, entre outras coisas, suponho. Não sei se o Ruy conhece Águalusa ou sequer se este romance está editado no Brasil... De qualquer forma, o livro, olhado numa perspectiva informativa, antecipa ou clarifica aos olhos do ignorante alguns detalhes e a dimensão do problema das favelas e da organização social do Rio de Janeiro e do Brasil. Além disso é um excelente romance, para meu gosto. Escreve-se na contracapa:
"Os morros do Rio de Janeiro estão a arder. Aproxima-se o dia em que a guerra descerá sobre os bairros ricos da cidade. Um antigo coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola, que trocou o seu país pelo Brasil, fugindo às armadilhas de um amor feros e ao tormento da memória, prepara esse dia. Um jornalista mergulha no incêndio dos morros cariocas em busca de respostas a perguntas que poucos se atrevem a colocar. Tudo isto acontece agora.
Zumbi, o mítico herói de Quilombo de Palmares, voltou a tomar o Rio."
Muitas vezes me tenho recordado deste romance nestes dias de maior visibilidade mediática. Ouvem-se os motores dos helicópteros sobre os morros do Rio aqui em Lisboa caro Ruy. Será um rumor apenas, mas ouvem-se nos telejornais.
O Paulo Gorjão interroga-se sobre o post anterior:
"Fica a interrogação no ar sobre o que teria acontecido se, em vez de ser Jorge Sampaio, tivesse sido Durão Barroso a pegar no adufe...
Um ataque cardíaco?"
Opções de resposta:
1. Versão quem tem cu tem medo: "Quando e se eu alcançar a minha independência financeira ou voltar a trabalhar no privado respondo livremente a essa pergunta."
2. Versão Revolucionária: "Se esse morcão se atreve a tocar-me no instrumento nem sei o que lhe faço!"
3. Versão Evolutiva: "Pergunta do cidadão: Já viram o que este primeiro ministro está a fazer ao nosso país?
Resposta do INE: Em seis trimestres levou a taxa de desemprego a subir dos 4,5% para os 6,6%. Abril é Evolução!"
Ele: Muita gente vem aos blogues a esta hora da noite!
Ela: É quando os filhos estão a dormir.
Ela: Ou as mulheres...
Ela: Ou os maridos...
Ela: Não me estás a ver aqui na sala, pois não? Ó pra mim a ir dormir!
Ele: dois cliques: Iniciar - encerrar.
Chega ao pé de mim e diz-me que a alma também está torta, tudo está torto!
Aos 5 para a meia-noite procuro paz e serenidade para uma noite bem dormida... A alma está torta! Esta agora!
"Não vês que estão todas tortas?" reafirma! Entra-me pela sala com espírito justificativo e os braços carregados prontos para a demonstração:
"Se não estivessem todas tortas as botas ficavam direitas!"
Descubro finalmente que temos um sapateiro dos diabos. Posso dormir descansado... Fiquem bem!
"Para os filhos dos homens que nunca foram meninos"
.
Começa assim o primeiro livro das Publicações Europa América de que tenho memória. Livro de bolso, 10ª edição, notam-se bem os mais de dez anos passados desde que o li pela primeira vez. O papel amareleceu, o próprio livro parece ter encolhido... 535$ diz a etiqueta que não me ajuda a recordar onde o terei comprado. Lembro-me de ter gostado muito de ler os Esteiros de Soeiro Pereira Gomes... Foi um dos vários livros miniatura em texto integral que coleccionei da Europa América. Uns livrinhos que insistiam, pelo preço, em desacreditar os que tanto apregoavam a carestia e a inacessibilidade da letra de forma ao menos abonado...
Soube depois que essa acessibilidade fora um desígnio acarinhado pelo editor Francisco Lyon de Castro desaparecido esta semana em pleno uso das suas faculdades, laborando na sua editora de Mem Martins. Talvez o corpo de alguns dos seus livros mais emblemáticos não sirva de herança física, não embeleze escaparates, mas cumpriu e cumpre uma importante função...
Outros títulos da minha adolescência tardia que estimo e me trazem boas recordações lidos pela mão da Europa-América:
Mensagem de Fernando Pessoa
Sonetos de Florebela Espanca
Utopia de Thomas More
Albergue Nocturno de Máximo Gorki
Contos de Eça de Queirós
Os Pescadores de Raul Brandão
As Novelas do Minho de Camilo Castelo Branco
História Concisa de Portugal de José Hermano Saraiva
E, mais recentemente, o septeto de JRR Tolkien, com design cuidado e apelativo, devorado a quatro mãos num ai ou dois. Minto! Resta-me ler ainda "As Aventuras de Tom Bombadil".
Pacientemente, Homero e Niezsche esperam a sua vez na estante, entre outros...
Em boa hora o empreendedor comunista fundou esta editora que se junta a tantas outras em diversos países no ranking das que mais livros dão a ler e mais pessoas ganham para este prazer. Que o seu exemplo perdure.
Bem haja!
Adenda: sugiro que passem por aqui...
Inicío hoje a publicação dos textos recebidos (ainda podem mandar) a propósito deste singelo repto. O que vos apetece dizer sobre o assunto? Vá lá não tenham medo... nem mesmo da "banalidade".
Eis o que nos diz o Vila Condense
Caro Adufe
O júri vilacondense, reunido junto ao rio Ave, apresenta a sua votação:
30 anos de Democracia – o que ganhámos
Algumas pistas.
1 – pluralidade – jornais, revistas, televisões, um sem fim de hipóteses para ser melhor informado e exercer o
2 – direito de voto – fantástico, apesar de tudo, o que ainda permite sentir-me pleno cidadão neste país integrado na
3 – Europa – que nos obrigou a ser mais competitivos, mais responsáveis e a dizer “menos ais”, porque temos uma
4 - nova geração de portugueses - que desponta, com brio, capacidade e, especialmente, com qualidade.
Cumprimentos
Dupont
Adenda: melodia de fundo para esta crónica sugerida pela Giesta: 125 azul dos Trovante.
Foi no Domingo que zarpámos em direcção à Benquerença. O dia nasceu ameno como aliás nasceriam os restantes ao longo das férias que se iniciavam. Lisboa-Benquerença com paragem para juntar o útil ao agradável em Abrantes. Útil porque convém esticar as pernas pelo menos uma vez numa tirada de 300 quilómetro e agradável porque a cidade é acolhedora e havia por lá um abraço em dívida.
Na aproximação a Abrantes, já abandonada a A23, sintonizámos a Rádio Tágide e lá ouvimos o nosso amigo blogguer António Colaço, já próximo da 20ª hora da sua maratona de 25 horas em presença non-stop na Galeria Municipal de Abrantes, entrevistando um ancião do Distrito que havia ganho uma medalha pelo seu espírito inventivo. Havia inventado um novo apanhador...seria de fruta?
Enquanto subiamos a ladeira em direcção à praça forte da cidadela de Abrantes batemos continência no famoso quartel onde o Avô Branco assentou praça há mais 50 anos. Lembro-me de espreitar há muitos anos a sua cédula militar onde se apresenta garboso numa fotografia em cima de um belo cavalo. A mesma cédula onde com o conluio das autoridades fingiu que sabia ler e escrever. Olhando para a sentinela ao portão que desaparece à medida que o automóvel desfaz a rotunda em direcção ao topo da cidade vinga o dito antigo “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
Tantas vezes passámos por Abrantes, juntos ou cada um por si. Lembro-me de admirar a cidade nas viagens do comboio ascendente em direcção a Castelo Branco e mais recentemente de a cruzar em direcção ao Rossio ao Sul do Tejo, sempre a caminho de Castelo Branco, vítima de uma autoestrada que teimava em se ir fazendo. Mas, naquele dia, neste dia, visitávamos com algum descanso o centro histórico e sentímos um pouquito do pulsar da cidade. Começava a cheirar a almoço, as ruas tinham pouca gente... Vimos as primeiras andorinhas. Bem podíamos estar em Avis (faltavam as laranjeiras) ou mesmo numa parte do planalto urbano de Penamacor... Assomando-nos ao parapeito da fortaleza (parcialmente encerrada a visitas) o Tejo cirandando e as três torres da central do Pego desenganaram-nos.
A paragem e o passeio eram contudo essencialmente patrocinados pela visita à Galeria Municipal de Abrantes. Fomos então em busca da exposição Abril Ânimos Mil organizada pela alma responsável pela revista (agora blogue) que merecia ser parabenizada. Fomos dar com o local muito perto da Travessa do Tem-te-bem, já bem junto ao Largo da Câmara Municipal.
Lá dentro, a recepção ficou a cargo de Mário Viegas, Sempre!, vimos serigrafias, pinturas, esculturas naturais, fotografia, tudo num espaço pequeno, luminoso e acolhedor. Provámos os licores e o bolo finto, trocámos dois dedos de conversa com o António Colaço, off the air e on the air pois foi-nos impossível recusar “conceder-lhe” a nossa primeira entrevista para a rádio (a rádio Tágide – boa música celta por lá ecoou enquanto nos acompanhou no resto da viagem! ) e, por fim, bebido o cafezinho no café do Largo, deixámos Abrantes muito satisfeitos por nos termos oferecido tal paragem. Este foi sem dúvida um auspicioso início de férias. 
******
Nota: a exposição Abril Ânimos Mil tem entrada livre, conta com a colaboração de mais de uma vintena de artistas e mantém-se aberta ao público até 30 de Abril.
******
Nota II: Já foste ao teu blogue ver as notícias que interessam? Não, fui ao teu!
Para acabar de vez com o mistério - se bem que isto de ir fazer uma pesquisa na net tira o "romantismo" à coisa - o Nuno Peralta deixa-nos o caminho directo para a receita do Baião-de Dois, aqui.
Olhando para a receita parece-me muito interessante...
Um dos ingredientes do Baião-de-Dois é queijo de coalho. Quem gosta de queijo de coalho (coalhada) ponha o dedo no ar!
Fiquei com saudades da minha avó que durante bons anos me aturou enquanto neto lambão que tentava atacar a coalhada antes de ela fazer os queijos...
Observar toda a arte da minha avó a formar e escorrer o queijo (ficar a ver acalcar a coalhada no acincho) e no final comer/beber a mistura das sobras da coalhada com o soro, temperada com algumas colheradas de açúcar, era um pitéu que rematava em beleza algumas manhãs das férias da páscoa.
O Adufe começou há pouco mais de 9 meses com esta pergunta:
1. O que é um baião-de-dois?
Hoje, há poucos instantes, o leitor Ruy Zananiri ofereceu-me - finalmente - uma resposta. É um pequeno momento histórico para este blogue :-)
Regresso a casa lentamente e a esta outra casa também. Lidos os comentários, respondidas algumas interpelações e quase absolutamente nada lido nos blogues cá do burgo... Iniciativas várias surgiram nos últimos dias por aqui. Destaco uma em que ainda fui a tempo de participar (As Livrarias da Natureza do Mal) e uma outra a que chego atrasado: os 20 anos da Íntima Fracção (parece que o Francisco tem uma prenda por lá).
Mas afinal o que é o Baião de Dois?
"O Baião-de-Dois, é uma comida típica da Região Nordeste do Brasil.
Saudações,
Ruy Zananiri"
Com tantos nordestinos (do Brasil) a viverem em Lisboa haverá algum que disponibilize a receita?
Regresso a casa lentamente e a esta outra casa também. Lidos os comentários, respondidas algumas interpelações e quase absolutamente nada lido nos blogues cá do burgo... Iniciativas várias surgiram nos últimos dias por aqui. Destaco uma em que ainda fui a tempo de participar (As Livrarias da Natureza do Mal) e uma outra a que chego atrasado: os 20 anos da Íntima Fracção (parece que o Francisco tem uma prenda por lá).
Talvez vos fale das férias, já me passou pela cabeça quase só falar delas nos próximos dias em pequenos contos mas não sei se o farei...
Houve contemplação, intriga, doença, alegria, ternura e morte, não necessariamente por esta ordem.
Talvez o melhor mesmo seja dar um tempo. Digo-vos que não houve internet, nem jornais, escassa TV e escassos livros. Houve sim muito alimento sensorial recolhido de ambas as encosta da Estrela. Apesar de tudo, queria mais uma semaninha de férias. Será que se vende no supermercado?
Não se admirem se o ritmo do regressado adufe for um pouco menos frenético nos primeiros dias. Ainda não acabei as arrumações de primavera. Fiquem bem.
Amigos, se tudo correr bem regresso depois da Páscoa, entretanto fui mais uma vez ao baú. A que se segue tem exactamente 7 anos e com ela fecho os proto-blogs... Talvez se lhe sigam algumas "sequelas" mais actuais :-)
Querido filho...
Sortelha Velha, 3 de Abril de 1997
Querido filho, nora e netos, espero que convosco esteja tudo bem, que nós por cá, felizmente, vamos indo.
Muito estimamos a tua carta, meu filho, que cá recebemos pelo Entrudo.
Eu e o teu pai só agora tivemos um bocado para descansar, pois desde que a neve se foi temos andado sempre num andor.
Estou certa que tentaste telefonar cá para casa agora pela Páscoa, mas os telefones estão avariados desde que arderam os fios no incêndio da semana passada, que queimou metade da serra. Dizem que ainda esta semana os põem a trabalhar... Logo vos telefonamos.
Então a nossa Maria está-se a dar bem com o emprego novo no Ministério? E o Carlitos já foi para a Alemanha com a selecção de natação? E a Aninhas continua a ter boas notas?
A Ti Joaquina do Ti Inácio disse que vos viu às compras em Lisboa quando aí esteve para o baptizado do neto. Contou-me que andáveis todos engripados. Pois a malina cá em casa só atacou o teu pai: tombou-o na cama por três dias, mas já está fino, graças a Deus. O que lhe valeu foi o chá de rebentos de pinho que lhe dei; olhai que é remédio santo!
Por cá o tempo vai bem, mas estes calores fora de época trazem-nos em cuidados: as culturas estão todas adiantadas, está tudo muito viçoso e como em Abril ainda é tempo de virem as geadas pode-se abrasar tudo.
Mas se não houver azar vamos ter um ano de fruta como já não há memória: então as cerejas hão-de ser ao preço da chuva e de primeira qualidade.
Perguntas pela ribeira: a ribeira vai grande, sim senhor. Desde que temos a barragem, corre todo o ano, até corre mais no Verão porque o resto do ano trazem-na fechada. Precisas é de vir cá de férias mais de dois dias e fora da época das festas para veres o que isto mudou nos últimos anos.
Se vierdes com mais tempo, o teu pai diz que quer levar-vos à barragem para vos mostrar o calibre dos peixes que já se lá pescam.
Por falar em barragem, os malandros trazem a água do regadio fechada. Não disseram nem ai, nem ui e fecharam a água quase por um mês. Dizem que é para limpezas, mas se demoram muito e se entretanto não chover, lá se nos secam também as favas e o resto da horta.
O que andamos cá a fazer? O que haveria de ser, meu rico filho? O teu pai andou o mês de Fevereiro a semear pinhos no Cu da Raposa e a limpar o pinhal da sorte da Fonte Nova. Se não fosse eu a pôr-lhe tino nem cuidava de lavrar o Olival Basto. Apanhando-se na serra perde-se com aquilo! Este ano diz que viu um lince! Disse-mo a mim e ao povo todo! Diz que o viu na barroca do Chinquilho a correr atrás de um coelho.
Eu nem sei o que seja o animal, mas o teu pai andou cá uns dias pasmado a dizer que era um lince, o bicho mais lindo que viu na serra.
Mas já chega de chouchices.
O pinhal da Fonte Nova para o ano está pronto a cortar e eu tenho andado a ver se arranjo um madeireiro de confiança, mas está difícil. O Ti Aniceto, por exemplo, vendeu um pinhal há dois anos e só agora é que lho cortaram. O homem bem os ameaçou que vendia outra vez aquelos pinhos a outro madeireiro, pois era um crime não se estarem já lá a fazer pinhos novos.
Sabes qual foi a paga dos madeireiros? Foi ameaçarem o homem com a justiça dizendo que têm três anos para os cortar, depois de os comprarem. O mais que lhe fizeram foi deixarem lá a lenha toda, de tal forma que não há pinho que vingue no meio de tantos galhos caídos.
Se o Ti Aniceto for pagar a uns homens para lhe limparem a terra, gasta mais do que lhe deram pelos pinhos! Mas cá nos havemos de desenrascar.
Ontem acabámos de limpar as oliveiras do Chão da Porfia, que, apesar de não ter tornado a chover, ainda estão bem verdinhas. Na parte baixa, ao pé do ribeiro, até já têm chora. De certeza que vão dar mais azeite do que as do Olival Basto.
É verdade, no cabeço do Chão da Porfia, arrancámos aqueles toros velhos de carrascas e plantámos meia dúzia de cordovil. Se se derem tão bem como as outras cordovil, daqui a uns anitos já dão bom azeite que ainda é o que vai dando alguns tostões. É isso, o mel e os subsídios.
O Manel da Fisga o ano passado plantou dez hectares de tabaco que trouxe arrendados: assim que mamou o subsídio deixou a plantação com tudo por colher e agora ainda goza com os outros.
Quem aqui esteve também no gozo foi um dos Catarinos Trambalazanas. Veio cá para a burricada e desapareceu outra vez. Ainda dizem que o denunciaram e que veio cá a polícia, nesse dia, a ver se o caçava, mas nós não vimos nada.
A cunhada dele diz que ele já enterrou o dinheiro todo do subsídio na Espanha. O sócio, o carteiro, é que parece que já por lá tem um quinta grande; se calhar anda a preparar outra golpada.
A fabriqueta que eles começaram a construir aqui, diz que vai voltar a ser apoiada pela CEE, mas desta vez parece que é para um depósito de leite, vamos a ver...
Cá para o nosso lado é que pinga pouco, um subsídio para o gasóleo, um pouco pelas oliveiras e mais nada. Mas isto de viver à custa de subsídios também é um engano, não é verdade? Os miúdos do povo que não se metam nesse vício senão quando aquilo se acabar não sabem fazer nada. Mas a malta jovem agora já tem mais estudos, por isso não há-de ser nada.
Quem por aqui anda com grandes ganas é o João José: reformou-se da França, já fez uma casa e veio para cá com a família. O filho parece que é engenheiro-agrónomo e anda aí de redor dos engenheiros do emparcelamento. É um rapaz simpático e conversador com toda a gente.
Diz que vão comprar uma grande propriedade para plantar beterraba sacarina. O teu pai também já se convenceu de que são gente honesta e trabalhadora e que vão ganhar bom dinheiro porque há para aí uma fábrica de açúcar nova a pagar bem.
Ele anda a falar em fazer-se sócio e eu não sei se lhe hei-de dar para trás ou para a frente. O que é que achas? Sabes alguma coisa disso de açúcar de beterraba? E da fábrica?
No sábado passado houve uma burricada e a festa foi animada no alto de Santa Rachada. Esteve cá a televisão e até deu à noite no telejornal, vocês não viram aí nada? Eu ainda lá apareci mais o teu primo Alfredo. Prometeram que se houver burricada para o ano tornam cá.
Enfeitaram-se as carroças e os burros, fizeram um cortejo na aldeia - até passaram à nossa porta - e, depois, foram para o monte onde se juntaram com os das aldeias dos Cabeços. Aliás, foram, não; fomos, que nós também lá chegámos. Comemos lá todos e no fim fizeram um teatro a imitar as lides cá da terra do tempo dos antigos e de agora. Não sei é se chegou a haver corrida com os burros porque tivemos que nos vir embora para aproveitarmos a boleia no tractor do Ti Álvaro Farrusco.
Olha que ainda veio muita gente! A festa foi organizada pela gente nova e por dois ou três mordomos, à revelia do senhor padre... Diz lá ao Carlitos e à Aninhas se não querem vir para o ano que nós arranjamos-lhes burro, carroça e decoração!
Bom, a carta já vai longa e ainda não tem o tamanho da nossa saudade. Se o telefone se puser bom, se calhar ainda falamos antes de esta aí chegar, senão, cá vai ela.
É verdade, vocês aí também vêem o cometa?
O Ti Álvaro Farrusco diz que aquilo ainda vai cair numa sorte dele como caiu um, quando ele era pequeno, na palheira do seu pai! Como vês ele está na mesma. Manda dizer que está de mal contigo e que não lhe apareças pela frente sem trazeres uma garrafa daquela pinga que lhe deste aí em Lisboa.
Beijos para todos destes que muito vos amam.
Joana Barros e Jerónimo Fraga
Ouve: os dois cheques que seguem são para o Carlitos e o outro para a Aninhas. Diz-lhes que é a Bica da Páscoa dos avós.
Adeus
Há dois livros repetidos cá em casa. Os Bichos de Torga e O Riso de Deus de Alçada Baptista. Foram estas algumas das conclusões da "operação estante nova" que concluímos ontem no lar doce lar. É sempre divertido arrumar livros. Há sempre surpresas, partidas da memória, um qualquer pedaço de história que se desprende de um bilhete de cinema feito separador, de um postal, de uma anotação à margem completamente a despropósito do livro - a data de um exame, um aniversário, o nome de um grupo que se descobria naquele instante pela rádio...
Inconscientemente juntei Mia Couto, Agualusa e Manuel Rui aos portugueses. Muito próximo, mas ao lado, coloquei os brasucas... Quando me apercebi pus-me a coçar a cabeça...
Em Março, o Adufe bateu o record de visitas (16777), de page views (32576) e de hits (123694) - estatísticas do webalizer 2.01. A todos os que aqui passaram ofereço esta singela guloseima. Fica aqui com a garantia de que não engorda... Só dá saúde!
Bem hajam e não se acanhem se tiverem sugestões, críticas e comentários... é só dar ao dedo! 
Com o alto e involuntário patrocínio da Giesta.
É neurótica a Primavera, não é só o mar como dizia a Mafaldinha.
Contam-me que nos Açores se combinam as duas formas: o vai e vem das ondas e o chove e faz sol diário da meteorologia. Haverá outras compensações...
Por aqui sou alvejado por um raio de sol que se escapa por uma nesga de céu.
Estou quase de férias e o Adufe vai poder descansar uns dias.
Já tenho saudades de ser contemplativo caramba!
O Frederico Duarte Carvalho do Para mim tanto faz "importou-se" com a pergunta que aqui deixei (e deixo) em busca de opiniões:"O que houve de bom nestes 30 anos de democracia?".
Passem pelo Para Mim Tanto Faz e encontrarão por lá a sua opinião. Os tópicos são:
1- A PIDE.
2 - A Economia.
3- A Guerra Colonial.
4 - A Liberdade.
O Carlos do Ideias Soltas lembra-me que:
"Se estiver interessado em divulgar o sítio para se poder subscrever, online, a petiçãoo a favor do empréstimo gratuito de livros pelas bibliotecas tem o endereço num post de 15 de Março do antigo Ideias Soltas com o link. O link directo para o post é este."
É só dar um pulinho a este blogue de Beja e pronto, toca a assinar ou pelo menos a ficar mais informado :-)
Ainda um aparte: Talvez uma qualquer forma de caução para quando pedimos um livro emprestado numa biblioteca não seja despropositada (há por aí muitos espertos, não é verdade?) mas, obrigar as bibliotecas a reter na fonte por empréstimo de livros, é levar a defesa dos direitos de autor a um novo cúmulo do ridículo. Taxas de utilização por livro lido? Então temos que acabar com as feiras do livro manuseado, já que depois da primeira venda o autor deixa de receber sempre que cada novo leitor adquira o livro... Voltando ao texto de hoje de manhã, não percebo porque é que até nisto há-de ser o paizinho União Europeia a impor-nos o "melhor" método...
Texto da Petição que está aqui. COntava com quase 4000 subscrições há poucos instantes.
To: Governo Português e Comissão Europeia
Em defesa do empréstimo público nas bibliotecas portuguesas!
A Comissão Europeia, a 16 de Janeiro de 2004, decidiu pedir a formalmente informações a Espanha, França, Itália, Irlanda, Luxemburgo e Portugal no que se refere à aplicação a nível nacional do direito de comodato público harmonizado nos termos da Directiva 92/100/CEE relativa ao direito de aluguer, ao direito de comodato e a certos direitos conexos aos direitos de autor em matéria de propriedade intelectual.
Isto significa que há o risco de ser instituída uma taxa sobre o empréstimo de livros e outros documentos nas bibliotecas portuguesas, sejam elas públicas, escolares, universitárias ou outras.
Num país como Portugal, em que as dificuldades económicas e os incipientes hábitos de leitura dificultam o acesso de vastos sectores da sociedade ao conhecimento e à cultura, uma medida dessa natureza seria catastrófica, asfixiando os trabalhos em curso de promoção da leitura e constituindo um passo na direcção errada, no caminho da requalificação dos portugueses, para enfrentarem com sucesso os desafios da designada sociedade do conhecimento.
Estas medidas acabariam por «matar a galinha dos ovos de ouro» com efeitos nefastos para os próprios autores. As bibliotecas, caso tenham de desviar parte do seu orçamento para o pagamento de taxas por empréstimo, começariam a adquirir menos livros. Os autores deixariam de contar com as bibliotecas para divulgar as suas obras. Deixariam de contar com as bibliotecas para adquirir as suas obras. No mercado livreiro português, com tiragens que raramente ultrapassam os 3000 exemplares, as bibliotecas representarão, em muitos casos, pelo menos 10% das vendas.
Acompanhando o movimento europeu de contestação a esta tomada de posição da Comissão Europeia, a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD, solicita a divulgação / e apoio ao presente manifesto, exigindo ao Governo de Portugal que mantenha as isenções relativas a Bibliotecas, Arquivos e Museus, contempladas no Decreto-lei nº 223/97, de 27 de Novembro.
Manifesto em favor do Empréstimo Público
Considerando que
As bibliotecas, arquivos e museus do sector público bem como instituições desta natureza que pertencem a entidades de carácter cultural ou científico sem fins lucrativos e a instituições de ensino integradas no sistema educativo:
1 – Garantem aos cidadãos o acesso livre e ilimitado ao conhecimento, a formas de expressão do pensamento, à cultura e à informação;
2 – Exercem uma função importante no desenvolvimento e manutenção de uma sociedade democrática, ao facilitarem o acesso a um amplo e variado leque de conhecimentos, ideias e opiniões, de acordo com as directrizes da IFLA/UNESCO para o desenvolvimento de serviços de bibliotecas públicas, 2001;
3 – Fomentam a aquisição e desenvolvimento de hábitos de leitura, especialmente entre a população infantil e juvenil;
4 – Realizam um trabalho primordial no desenvolvimento dos sistemas educativos ao disponibilizarem as ferramentas necessárias para a aquisição e adopção de conhecimentos a todos e a cada um dos diversos estádios de formação;
5 – Desempenham um trabalho indispensável de apoio à investigação que se realiza através de todo o tipo de instituições, ao colocar à disposição dos utilizadores as obras e criações necessárias para o desenvolvimento do seu próprio trabalho;
6 – Actuam como montras da produção cultural existente, ao albergarem nos seus fundos e colecções e ao colocarem à disposição do público as obras criadas por intelectuais, cientistas e artistas. Estes criadores beneficiam, assim, do uso gratuito de um canal de publicidade e difusão das suas ideias, condição indispensável para os avanços da ciência e da técnica;
7 – Asseguram a difusão, conservação e acesso às obras de vária índole, independentemente de interesses comerciais imediatos, da capacidade de distribuição das mesmas e dos mecanismos ditatoriais do mercado;
8 – Oferecem serviços no quadro do respeito pelos direitos de autor, servindo, por outro lado, como canais para difundir entre os seus utilizadores um conhecimento sobre esta matéria e formando-os no respeito pelas obras e prestações protegidas;
9 – Não possuem fins lucrativos, económicos ou comerciais, directos ou indirectos, procurando obter como único benefício o desenvolvimento cultural, educativo e profissional daqueles a quem servem e, por extensão, a melhoria do nível educativo e da competitividade da sociedade em geral;
10 – Pertencem a todos e a cada um dos cidadãos uma vez que o seu financiamento se baseia nos impostos pagos por esses mesmos cidadãos.
Expressamos a nossa convicta necessidade de:
1 – Assegurar o justo equilíbrio entre os interesses dos autores, editores e sociedade em geral através do quadro legislativo em matéria de direitos de autor;
2 – Garantir os interesses culturais da sociedade, uma vez que esta progride e desenvolve-se mediante a promoção da investigação e inovação e da facilidade de acesso ás criações intelectuais. Este, e não outro, é um dos pilares básicos dos limites estabelecidos no enquadramento legal que regula a propriedade intelectual;
3 – Manter o actual limite do empréstimo que contempla a vigente lei da propriedade intelectual, Decreto-Lei nº 332/97, de 27 de Novembro, instrumento eficiente de uma política de promoção cultural que, aliás, está em consonância com o enquadramento legal criado pela Directiva 92/100/CEE sobre comodato;
4 – Insistir no valor dos serviços de empréstimo que as instituições inicialmente referidas disponibilizam e que são um elemento que beneficia o titular como cidadão e como criador. Os serviços de empréstimo são uma ferramenta indispensável de captação e criação de leitores, e portanto de consumidores das suas obras;
5 – Realçar a importância dos serviços de empréstimo prestado pelas citadas instituições enquanto ferramentas indispensáveis de apoio à educação e investigação;
6 – Destacar a relevância do investimento que os organismos públicos realizam em fundos documentais para estes centros, com benefício directo para criadores e todo o sector editorial em geral. Este investimento é o reconhecimento social pela importância do trabalho dos autores e editores e do seu contributo para o desenvolvimento cultural;
7 – Reconhecer que, para determinado tipo de obras, a sua aquisição por parte das instituições já referidas é condição indispensável para garantir a sua edição;
8 – Evitar qualquer tipo de penalização contra os serviços de empréstimo público já que essa penalização seria prejudicial para o objectivo pretendido, que não é outro que não seja o benefício de toda a sociedade a que se dirige.
Por tudo isto expressamos a nossa veemente recusa a toda a possibilidade de que o empréstimo público realizado nas bibliotecas, arquivos, museus e centros similares, que actualmente beneficiam da excepção contemplada na Lei da Propriedade intelectual, seja sujeita ao pagamento de qualquer compensação económica e solicitamos que os responsáveis públicos portugueses defendam a manutenção do actual regime a favor deste tipo de instituições, exactamente nos mesmos termos em que hoje estão contemplados na legislação Portuguesa.
Hoje parece ser o dia das siglas enigmáticas no Adufe. Resolvamos mais esta:
Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva - APCH!
Pois é, já temos uma em Portugal e, muito brevemente,com página na net: www.apdch.com - Rua Bartolomeu Dias, 222 cv/drt, 2620-090 Póvoa de Santo Adrião. Tel. 21 937 00 05
A minha amiga Helena, psicóloga, recomenda-me esta promoção e ofereceu-me um pequeno folheto onde muito sucintamente a APCH dá pistas de como despistar e distinguir Comportamento Hiperactivo, Comportamento Impulsivo e Falta de Atenção. Assim que a página estiver concluída terei muito gosto em fazer por lá uma "reportagem" de que darei conta no Adufe.
Se houver tempo ainda aqui deixarei o resumo dos sinais caracterizadores dos diferentes quadros referidos que leio no prospecto.
Acordei a ouvir na rádio que a União Europeia se prepara para multar Portugal por não ter transposto uma directiva comunitária. Até aqui tudo bem, quem não cumpre com o compromisso deve arcar com as consequências mas... O compromisso em questão, mais do que a multa, deixou-me perplexo. Até melhor argumento trata-se de mais uma exagero do centralismo europeu, um exemplo da Europa que eu não quero.
Um dos problemas da União Europeia e do centralismo é precisamente o exagero, os despropósito quanto às competências que são assacadas por Bruxelas. A menos que seja da preguiça matinal não consigo encontrar o mínimo cabimento para que haja directivas comunitárias onde se regule a forma como cada país deve ceder os livros das bibliotecas! Aqueles senhores não têm mais nada para fazer?! Por este andar, o modelo Federal que tantos repudiam (penso por exemplo no dos EUA) parecer-lhes-á cada vez mais apetecível por dar mais garantias de flexibilidade no ajustamento às especificidades estaduais/nacionais (e por lá nem há nações!) do que esta equívoca experiência para a qual me parece que vamos caminhando alegremente a nível Europeu.
Se se tratasse de garantir que todos os residentes na UE devessem ter iguais direitos de acesso ao saber acomodado nas bibliotecas compreenderia, agora obrigar e no limite punir um país por não respeitar uma directiva comunitária que impõe um regulamento às bibliotecas é um excelente motivo para juntar aos que me fazem olhar com crescente desconfiança para este “modelo” de Europa unida.
Seria muito bom se as próximas eleições servissem para debater sob este ou mais estimulante pretexto o que queremos e como queremos estar na Europa mas infelizmente só se fala em cartões amarelos ao governo e em como tem sido árdua e valorosa a governação…
Se há coisa que não precisamos na Europa e na política interna é motivos para descrer.
"En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivía un hidalgo de los de lanza en astillero, adraga antigua, rocín flaco y galgo corredor.
(...)
Aquí yace el caballero
bien molido y mal andante
a quien llevo Rocinante
por uno y otro sendero.
Sancho Panza el majedero
yace también junto a él,
escudero el más fiel
que vio el trato de escudero.
(...)
Yace aquí el Hidalgo fuerte
que a tanto estremo llegó
de valiente, que se advierte
que la muerte no triunfó
de su vida con su muerte.
Tuvo a todo el mundo en poco;
fue el espantajo y el coco
del mundo, en tal coyuntura,
que acreditó su ventura
morir cuerdo y vivir loco."
Excertos de Don Quijote de La Mancha de Miguel de Cervantes Saavedra
Não percebo! Depois de uma noite de Blogóscares ninguém apresenta um agradecimento de jeito à lá Hollywood anos 80?!
Cá vai:
Dedico este prémio aos meus pais, aos meus avós, bisavós e trisavós, sem os quais eu não estaria aqui (dah!). À minha namorada e esposa, aos meus vizinhos, aos meus amigos de ontem, de hoje e de amanhã, aos fãs que me hão-de parabenizar, ao boby, o cão que nunca tive nem hei-de ter enquanto não me dedicar à agricultura e tiver terras para estrumar, à Dona Alzira que me há-de ajudar nas limpezas quando um dia tiver putos, aos blogueres esquerdoides que quando muito levam com um Cervantes em cima, aos pastéis de nata e travesseiros que comi e comerei, aos meus netos, bisnetos e trinetos que sem mim nunca existirão e ainda ao meu rico neurónio de estimação que insiste e presiste em habitar o conturbado mundo interior da minha caixa craniana na mais comovente prova de ternura auto-inflingida a que sobrevivo desde o início dos tempos. A todos agradeço e dedico o inestimável e inimitável prémio que recebi hoje secretamente na academia dos blogóscares. (Já posso dizer não é Miguel?) Um muito sonoro prémio invisível.
(Moral da história:Se Sancho Pança fosse músico tocaria seguramente um Adufe).
...a cerimónia de entrega dos Blogóscares 2004. Alô reporter na Origem do Amor?
Sabiam que houve um jornal nacional que telefonou para o INE a pedir para o retirarem da amostra de um inquérito? Não lhes dava jeito responder... Uma maçada.
Gostava de poder acreditar que se tratava de uma investigação jornalística para avaliar a qualidade das estatísticas ou a premiabilidade permeabilidade dos estaticistas mas, muito provavelmente, era apenas algum administrativo preguiçoso ou chocado por ser metido no "saco" da Indústria Transformadora (2212 Edição de Jornais - CAE Rev. 2.1)
Um jornal que não aceita ser entrevistado... Muito irónico.
Até parece mentira mas garanto-vos que não é.
Está-me a parecer que no próximo Domingo, quando as 25 horas de Ânimo non-stop já estiverem a rolar (começam às 17h de Sábado) vou passar por Abrantes e deixar lá um abraço (e um copito de licor vazio) ao António Colaço...
A caminho da Beira Baixa, de terras de Penamacor.
Por falar em Penamacor, é famosa pela sua antiga prisão, hoje convertida em Museu e edifício de funcionalidades públicas menos agrestes. A vista que se tem lá do cimo, do "alpendre" do antigo edifício, é das mais impressionantes do país. Destaca-se a imensa charneca a anunciar o Alentejo com um horizonte de largos quilómetros e a irregularidade geológica que é Monsanto, de punho fechado ali mesmo à beira.
E agora de volta ao stress. Nunca mais é Sábado...
Hoje foi a vez de chegarem ao Diário de Notícias:
"Director do INE denuncia «mal-estar generalizado»
MÁRCIO ALVES CANDOSO
A polémica no INE está para lavar e durar. Horas antes de ver aceite a sua demissão (mas duas semanas depois de a ter pedido), Henrique Albergaria, então ainda director regional do centro do organismo português de estatística, escrevia aos agora pares uma carta contundente sobre o que, na sua opinião, está a degradar a situação interna no INE. Denuncia o «mal-estar generalizado que germina [no INE] há bastante tempo, e que a nova Direcção teve a inabilidade de exacerbar, tanto por decisões erráticas que foi tomando como por óbvias dificuldades de comunicação». Em causa, recorde-se, estão algumas decisões recentemente tomadas no interior do INE, que retiram, lato senso, competências às direcções-regionais daquele instituto.
Na mira de Henrique Albergaria, na carta a que o DN teve acesso, estão essencialmente as conclusões do relatório produzido pelo consultor externo Roland Berger. O ex-director chama-lhe «retrato parcial e tendencioso», feito «em total sintonia com os desejos e a visão de quem lhe encomendou o trabalho», o que lhe delapidaria «irremediavelmente o capital de independência e credibilidade»."
"Henrique Albergaria acusa a Roland Berger de «ignorar» a existência de estudos internos anteriores, nomeadamente as Linhas Gerais da Actividade Estatística Nacional e Respectivas Prioridades para 2003-2007, um documento que o signatário considera «notável», e cuja omissão se apresenta como «uma das partes mais intrigantes do relatório». «Seja por complacência para com o adjudicante ou por simples insuficiência analítica, a verdade é que algumas das conclusões do relatório são de tal maneira toscas que acabam por contaminar todo o relatório», afirma Henrique Albergaria, um quadro com 12 anos de INE. Contesta essencialmente que a instituição esteja «virada para dentro», como alegadamente afirma a Roland Berger, e nega que os trabalhadores da casa estejam mais preocupados com prioridades pessoais e de carreira, outra das alusões menos simpáticas do estudo em referência. No entanto, não nega que a situação remuneratória e de carreiras tem «vindo a degradar-se nos últimos anos», o que explicaria alguma focalização no tema por parte dos trabalhadores (cerca de 800) do INE.
Algumas partes da carta são igualmente contundentes para a direcção de José Mata, que apelida de se ter tratado de «uma escolha infeliz», tanto pelo «insensato e ineficiente modelo centralizador que quer implementar», como por «características pessoais de um presidente que nunca parece à vontade em qualquer decisão que implique concertação e diálogo»."
O Jornal de Negócios apresenta hoje um pequeno estudo onde se compara a taxa de juro efectiva praticada por um banco (por exemplo para remunerar um empréstimo à habitação) e o valor do respectivo indexante contratado com o devedor.
Este comparativo utilizou como meses de referência Abril 2003 – Abril de 2004 e conclui que todos os bancos sem excepção ficaram aquém de reflectir na taxa de juro que exigem aos seus devedores as variações efectivas verificadas na taxa indexante prevista no contrato de crédito.
As justificação para as disparidade funda-se essencialmente nos métodos de arredondamento que podem gerar disparidades nas taxas de juro para o mesmo indexante, entre os diversos bancos, da ordem dos 41,7 pontos base, quase meio por cento. Num cenário de baixa continuada de taxas de juro e em que o lucro dos bancos, vulgo spread, em muitos casos é inferior a 1% -100 pontos base - estes acréscimos não são nada negligenciáveis.
Impunha-se alguma disciplina e intervenção do regulador na normalização das fórmulas de arredondamento. Não é por estes complexos subterfúgios que se deve fazer a concorrência. O cliente é, nesta situação muito concreta, demasiado ignorante para avaliar as diferenças. Vale-lhe, esporadicamente, uma manchete na imprensa: “Bancos Retêm parte da Descida das Taxas de Juro” .
Talvez quando as taxas de juro comecem a subir e haja vantagem directa dos bancos em mudar os métodos (ajustando muito mais rapidamente a taxa dos empréstimos às de mercado) surja alguma acção do regulador para acomodar esses interesses apresentado-a então como acção moralizadora e em prol da transparência e dos direitos dos clientes. Temos todo o direito à suspeita. Já agora a maior instituição de concessão de crédito (CGD que até é do Estado) está entre os que mais penalizam o devedor num cenário de descido das taxas de juro (juntamente com o Barcklays Bank para a simulação da Euribor a 6 meses). No outro extremo temos destacado o BNC Imobiliário seguido do BPI e do Montepio Geral.
Entretanto… Vá amortizando o empréstimo.
Mas qual regulador Rui? O Banco de Portugal? A voz da minha consciência inspirada no Fantasma da Ópera vai cantando: Poor fool you make me laugh ah ah ah ah …
É estranho este som. Se caísse aqui sabendo-me apenas no interior de uma casa, no escuro da noite, e ouvisse este som - tec tec tec - poderia pensar ter ido parar a uma qualquer barraca de zinco, fustigada por um temporal.
Nesta zona da cidade, a caixa dos estores fica de fora de casa, à janela. Acresce que estas casotas de recolha dos estores são quase todas de lata.
Têm longas conversas entre elas em noites de chuva como a de hoje. Aliás, são bem mais tagarelas com a vizinhança que a maioria dos que habitam as casas que abrigam.
Lá estão elas: tec tec tec.