agosto 12, 2004

Recicla!

Uma minúscula notícia do Jornal de Negócios de hoje recorda-me um célebre polemista que passou pelo Adufe (ver aqui).

«Revista "Recicla" lançada pela Sociedade Ponto Verde [SPV]

A SPV lançou a revista "Recicla", uma revista de periodicidade trimestral, que aborda temas relacionados com a separação e reciclagem de embalagens usadas. Editada pela XMP - Gestão e Meios de Comunicação, o preço de capa da publicação, editada por Henrique Agostinho, director de comunicação da SPV, é de um euro.»

Boa sorte com o projecto, caro Henrique, e já agora, não se esqueçam de uma versão digital. Por todos os motívos! Mais que não seja uma colecção de ficheiros PDF, certo?

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julho 29, 2004

Penamacor e os incêndios

Torre de Penamacor - Imagem retirada de http://osestadosdanacao.blogspot.com/Curiosa a reportagem que a RTP foi fazer a Penamacor para tentar perceber porque neste concelho não houve incêndios significativos no ano passado, nem neste - até ao momento.
Centraram a reportagem essencialmente na vigilância e apresentaram-nos a nova utilização da Torre de Menagem: posto de vigilância de voluntários.

Outros factos que julgo interessantes e que vou citando de cor prendem-se com a progressiva aquisição da área florestal pelas grandes empresas de exploração de madeira/celulose e o respectivo cuidado de organização e limpeza da mata. Por outro lado, recordo um esforço significativo de criação de acessos realizados nos últimos anos na maioria das serras sejam elas de exploração latifundiária ou minifundiária. Uma prática estimulada após anos sucessivos de incêndios.

Dito isto não nos enganemos. Ainda que não conheça a realidade dos restantes concelhos vitimados pelos incêndios, muitos dos principais factores de risco estão bem presentes em Penamacor:
- Vastas áreas de serra em exploração de monocultura (eucalipto, pinheiro bravo...);
- Despovoamento progressivo do espaço e menor utilização da biomassa para uso humano;
- Abandono da exploração activa da mata por parte da população remanescente por efeito do já referido despovoamento e pelo estrangulamento do escoamento das madeiras devido ao monopólio da distribuição por um número muito limitado de madeireiros.

A vigilância contínua à distância e no local, com patrulhamentos, não é irrelevante. Nem a barragem da Meimoa é irrelevante. A criação de acessos também não, mas muito há por fazer na dinamização da exploração industrial do espaço arborizável e muito há por fazer em termos de ordenamento do território e de sustentabilidade dessa mesma exploração.
Uns carvalhos ou castanheiros ou azinheiras quebrando a vasta e crescente mancha de resinosas e eucaliptos poderiam ajudar...

Os incêndios continuam a ser um risco muito elevado em Penamacor.

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junho 21, 2004

Uma outra boa notícia que veio de Espanha

Espanha Suspende Transvases e Aprova Plano de Dessalinização

Não sei se será a solução mais eficiente para o planeta mas não acredito que seja pior que os transvases. Com o patrocínio do senhor Zapatero.

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abril 20, 2004

A cidade fantasma de Chernobyl

Este site, descoberto via Cruzes Canhoto, contém uma foto-reportagem sobre a área desabitada em torno de Chernobyl feita por Elena, uma jovem motociclista filha de um cientista nuclear russo. Absolutamente imperdível. A internet informal no seu melhor.

"Perhaps future archeologists will compare this town to Pompeii. The Soviet era is forever preserved here - in the radiation that will last for many centuries. "


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abril 16, 2004

Vamos construir a barragem no Coa ou quê?

Pois é caro António e Paulo, eu juro que não é ingratidão, mas o nosso presidente com sound bites destes «Portugal não pode ser só um museu» não ajuda a que eu me derreta definitivamente de amores... Mantenho-o mais cautelosamente na classificação "gajo porreiro" se me dão licença.

Com declarações destas até parece que temos algum movimento dominante de conservadorismo ou algum espírito ambientalista exacerbado particularmente empreendedor... As notícias mais marcantes de que me recordo em termos ambientais visam a abertura da Costa Vicentina ao avanço do imobiliário, a ocupação completamente desregrada e destrutiva da reserva natural da Serra da Estrela, a omissão sucessiva de estudos de impacte ambiental em obras do Estado, o atraso no cumprimento dos compromissos de controlo de poluição firmados pelo Estado Português, a extinção de espécies raras a nível mundial como o lince ibérico ou mesmo a ainda mais autóctone espécie das "Estações de correio" em diversos concelhos do interior do país...


Uma ruína não é um museu, caro presidente, por isso não o entendo nesse seu esquizofrénico afã. Só pode estar a falar em liberalizar ainda mais as possibilidade de edificado. Tem visto os números do INE que têm demonstrado sucessivamente a irracionalidade (em termos de desenvolvimento sustentável) vigente no sector da construção? Deve ser problema meu, de entendimento. Queira desculpar.

Parece que alguém andou a assustar o nosso presidente e ele acreditou! Mas é preciso andar distraído, muito distraído. Já agora, onde será que costuma tomar a sua bica?

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março 08, 2004

Serra da Estrela

Lembram-se dos empresários da Serra de Estrela virem a público recentemente a apresentar contas do dinheiro que "perderam" num fim de semana de estradas atulhadas com neve?
Tenho cá para mim que os "investimentos turísticos" que andam a fazer na Serra contribuirão a médio prazo para destruir qualquer vestígio de reserva natural digna desse nome e acabarão por ter um triste fim em termos de viabilização económica. Bem...quanto a este último talvez o esporádico manto diáfano da neve em queda sucessiva cubra parte dos estragos feitos e vá servindo de abono de família.
Olha para a Estrela e parece-me que andamos a tentar meter o Rossio na Betesga.
A Serra da Estrela não é a Serra Nevada e muito menos os Pirinéus ou Aspen.
Recordo-me de uma muito inquisitiva reportagem aqui há uns meses difundida na RTP 2 (Planeta Azul). Nela ficaram bem visíveis as ideias megalómanas de alguns presidentes de câmara e empresários serranos, bem como, a sua mais perfeita ignorância e falta de sensibilidade para o meio em que se propõem operar e operam! Até de um campo de golfe se falou nessa reportagem, na Serra da Estrela... O Turismo era apresentado como uma salvação, um absoluto El Dourado, uma última oportunidade para um interior pewrdido! Um dramalhão demagógico para convencer incautos. Do piorio.
Vem este grito de alma em defesa daquela que é e sempre será uma das minhas três serras muito íntimas (Sintra e Santa Marta - Penamacor - são as outras) a propósito do mais dinâmico serrano da Blogoesfera. Passem por estas outras reportagens muito actuais e bem documentadas que o João Tilly nos oferece e pasmem-se com alguns detalhes de beira de estrada.


Terei andado distraído ou os senhor da Turistrela tiveram tempo de antena a rodos em defesa de "melhores acessos" para a Torre sem que nem um jornalista demonstrasse o mínimo de capacidade crítica perante as estapafúrdias exigências face às responsabilidades omitidas pelos senhores empresários?
A Serra não está preparada para sustentar tamanho “desenvolvimento” que lhe querem oferecer. Esgotos? Sanitários? Delimitação rigorosa das zonas naturais mais sensíveis? Patrulhamento da Guarda Florestal? Limitação do acesso de viaturas privadas à torre controlando os níveis de poluição e o carrossel do para arranca a alta altitude? Transportes colectivos? Informação para os visitantes? Dinamização do espaço da Serra enquanto espaço de cultura e divulgação científica (visitas de estudo / visitas de família coordenadas pelo Parque)?...

(Adenda: a pergunta sobre os jornalistas não é retórica, procuro mesmo saber de algum jornalista que questionou a bondade da reclamação)

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fevereiro 29, 2004

Humor (ou não)

As leis são indicações de conduta que devem ser observadas (ou não).

Vizinho,
Se tens dúvidas quanto à reciclabilidade do pacote vazio de leite (já azedo), está a chover a cântaros (ou não), o ecoponto sem legendas explicativas quanto ao depósito fica no fundo da rua (ou não), está atafulhado até ao cimo (ou não), cercado por cartões, sacos de lixo, merda de cão e automóveis mal estacionados (ou não) e o fiscal do lixo anda em alerta (ou não)... Desata o saco do lixo do vizinho que já está no caixote privativo do teu prédio, enfia o pacote lá dentro e corre a ligar para a polícia do lixo denunciando o infractor.
Mais cedo ou mais tarde às multas seguir-se-ão os prémios para os milicianos.

Força Portugal!

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fevereiro 26, 2004

E quem o recicla a si senhor secretário de estado? (act.)

Leio no Diário Digital que o "Governo quer multar quem não separar lixo".

Ao longo da notícia cita-se o secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, numa entrevista ao DN com afirmações como esta: «quem tem um ecoponto ao pé de casa tem obrigação de lá pôr embalagens separadas» e esta «Queremos partilhar a responsabilidade da reciclagem, uma obrigação apenas cumprida pelas entidades públicas. Queremos que as metas gerais do País sejam cumpridas devido a um esforço de todos e não só de alguns».

Desenganem-se os leitores que por aqui passem esperando um aplauso. Os mais distraídos até poderão confundir esta palavras com as preocupações que já andaram pelo Adufe. Alguns lembrar-se-ão da polémica aqui patrocinada (entre Henrique Agostinho da SPV e João Miguel Vaz) sobre este tema.
Lembrar-se-ão também que boa parte da discussão passou por debater a eficácia dos modelos de reciclagem. Qual a forma mais expedita de aumentar os níveis de reciclagem no país? Como internalizar os custos da reciclagem no processo produtivo/ciclo económico, como estimular a selecção e qual o método mais eficaz de recolha? O que podemos aprender com os exemplos dos outros? Quais as barreiras culturais endémicas e como ultrapassá-las?
Dessa longa (mas muito incompleta) discussão ficaram várias pistas e algumas certezas, principalmente do que não fazer. Se bem me lembro não passou pela cabeça de ninguém multar o consumidor perante o acto de reciclar ou não reciclar. Fundamentalmente procurou-se algum bom senso, identificaram-se algumas dúvidas e diferentes rumos. Qualquer deles sempre sublinhando que a solução deveria envolver o consumidor e nunca hostilizá-lo.

Gostaria de perguntar ao senhor secretário de estado sobre os exemplos similares que encontra "lá fora", perguntando-lhe também dos seus resultados.
Bem sei que não temos que nos cingir a copiar o que os outros fazem, temos compromisso apenas e só com os objectivos que traçamos.
E o objectivo é aumentar a reciclagem logo, multe-se o cidadão! Esta confesso que bate inúmeros records entre os fenómenos a que venho assistindo desde que estou atento à política.

Multar como?
Vasculhando o saco do lixo?
E de quem é o saco do lixo?
Multa-se o condomínio? O bairro inteiro?
Vamos multar quem colocar o lixo no caixote sem assinar o saco?
Abre-se um inquérito para averiguar quem não pôs a lata de sardinhas no ecoponto?
Vamos pôr um polícia à paisana (talvez criar uma nova força policial?!) dentro do caixote para nos apanhar em flagrante?

Lembro-vos que este que vos fala todos os dias tem de andar com os... olhos no chão para não engraxar os sapatos na merda dos cães de estimação dos seus concidadãos. Deixar o cãozinho cagar na via pública é como sabemos punível com multa ou coima. Basta um agente da autoridade testemunhar a coisa. Parece-me imensamente mais fácil punir um emporcalhador das ruas - a merda é altamente reciclavel e amiga do ambiente se recolhida e processada racionalmente pode até contribuir para a produção de energia, vejam bem- e, contudo, nunca vi ninguem ser multado por emporcalhar a rua e, pior, não sinto qualquer mudança na densidade de "prendinhas" espalhadas pelos passeios desta linda capital europeia.

Deixando um dos meus temas de eleição lisboetas, um atentico "fetiche" que felizmente não cheira (aqui), voltemos às multas e à reciclagem.

A estupidez que adivinho é tanta - talvez uma excelente forma de minar qualquer esforço de consciencialização e de participação voluntária dos cidadãos na linha do que a SPV tem vindo a fazer - que só me apetecia que estas letras aplicassem um bom par de estalos à alma perdida que teve tão brilhante ideia. Um par de estalos redentor, construtivo, bem entendido. A bem da nação, da nossa sanidade, do equilíbrio das contas públicas, do equilíbrio ecológico e da paz entre os homens.

Terei um imenso prazer se me vir obrigado a pedir desculpas públicas do que aqui escrevi, perante a constatação de algum surpreendente mal entendido. Aqui estou atento, esperando sentado.

Posted by Rui at 07:22 PM | Comments (6) | TrackBack

Em 2003 a Reciclagem aumentou em Portugal

Segundo os números divulgados pelo Jornal de Negócios (fornecidos pela Sociedade Ponto Verde (SPV)) foram recicladas mais de 218 mil toneladas de embalagens usadas, um acréscimo de 13% face a 2002 e superior ao dobro do que se reciclava em 2000.

Adenda: Um resumo do relatório da SPV está disponível aqui.

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fevereiro 25, 2004

O apocalipse (act.)

Já muitos fizeram a referência mas para os mais distraídos repito-a no Adufe.
Eis a mais recente arma de destruição em massa identificada pelo Pentágono (esperemos que também aqui se enganem mas...)

À luz do que ali vem escrito, muito provavelmente, o barco ou alguma neo-gondola passará a ser o transporte colectivo mais popular da capital do país. Faro será uma estância de turismo subaquática, assim como a baixa, o vale de Alcântara. A verdadeira novidade é que estas mudanças se prevêem para amanhã (próximos anos) e não para um longínquo 2050. Mas as consequências não se ficarão pelas águas como muito bem notam.

Como combateremos isto? Como alteraremos o nosso modo de vida? Quem e como estabelecerá prioridades?
A ser verdade metade do que o pentágono prevê e que muitos cientistas sugerem há já alguns anos, questões como as que debatemos por aqui (sobre a mobilidade e os aspectos negativos do uso do transporte privado para "fins não essenciais") terão de ser suplantadas por outras bem mais ambiciosas que alterarão com maior ou menor intensidade (dependendo do nosso engenho e dos caprichos da natureza) o nosso modo de vida habitual. Muito provavelmente teremos de nos preparar para enfrentar tempos um pouco menos confortáveis ou porque teremos de abdicar do conforto ou porque as condições materiais deixarão de o permitir compulsivamente (no fundo esta dijunção não existe).

Palavras de ordem a ter em conta:

1. Gasto mais eficiente da energia disponível.
2. Obtenção de fontes de energia renováveis menos lesivas do equilíbrio climatérico.
3. Reversão do processo de aquécimento global do planete.

Coisa pouca e a meu ver só alcançavel com todas as mãos disponíveis: visíveis, invisíveis...
Alguém (a começar por nós, o consumidor) terá de começar a pensar num mundo novo e na melhor forma de minorar as dores de "crescimento sustentado".

Ontem os sismos, hoje o clima. Ao carnaval sucedem conversas sobre o fim do mundo como o conhecemos.

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fevereiro 13, 2004

Os erros dos outros

O Luís Bonifácio do blogue Nova Floresta a propósito do texto "STCP a Hidrogénio", onde se falava da introdução do hidrogénio enquanto combústivel para os autocarros de transporte colectivo de passageiros do Porto, deixou-me uma pergunta por e-mail relativa à urgência eólica que se abateu sobre o país esta semana:

"(...) Valerá apena investir maciçamente na energia eólica?

Eu acho que não, apesar de em alguns locais existir viabilidade face a outras fontes, de uma maneira geral um grupo de aerogeradores com dezenas de unidades possui um impacto ambiental gigantesco (Paisagistico, sonoro e destruidor da vida animal). Qual é a sua opinião?
Não será mais viável investir no hidrogénio?
Já agora, o Hidrogénio é produzido na empresa Linde situada na Nacional 1,
Cheganças - Alenquer.

Cumrpimentos,
Luís Bonifácio
"

Toda as grandes urgências e soluções milagrosas descobertas como num piscar de olhos levantam suspeitas e, de facto, a aposta eólica apresentada nos moldes em que foi notícia dá que pensar, tal como sugere o Luís.
Não deveríamos ter pelo menos o mesmo entusiasmo em promover o consumo eficiente da energia?
Será melhor ter menor dependência face aos combustíveis fosseis, sem dúvida, mas fico chocado quando nem uma linha do discurso se destacou sobre as vantagens do combate ao desperdício energético. Esta é uma preocupação que só nos trará vantagens, a todos os níveis.
Tinha piada, por uma vez, tentarmos evitar os erros que já tantos outros cometeram.

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fevereiro 11, 2004

STCP a Hidrogénio

No noticiário regional da Antena 1 - RDP (entre as 13h30 e as 14h00) apresentaram uma reportagem sobre uma nova aposta dos Transportes Colectivos do Porto cuja referência aqui hoje bem mesmo a prpósito (leiam os últimos textos do Adufe para perceberem o que digo).
Há cerca de uma semana iniciou-se ao serviço dos STCP, a primeira unidade movida a hidrogénio em carreira regular de transporte de passageiros. Uma estreia nacional. Os veículos têm piso rebaixado para maior comodidade dos passageiros, capacidade para cerca de 50 indivíduos e é operado por motoristas que receberam formação especializada. Cada autocarro transporta 40 quilogramas de hidrogénio no tejadilho, local onde se encontra toda a parafernália (baterias e afins) que transformam o combustível em energia propulsora. Cada quilograma de combustível custa cerca de 10 € e não faço a mínima ideia de qual a autonomia que disponibiliza.
Curiosamente estes autocarros produzem uma "fumaça" bem mais visível do que é habitual nos tradicionais veículos a gasóleo sendo necessário informar a população sobre as razões para tal facto. A grande diferença reside no facto dessa "fumaça" não passar de vapor de água absolutamente não nocivo.

O hidrogénio é produzido (via electrólise da água) em Portugal (não retive o local), sendo depois transportado para o único posto de abastecimento existente no país, propriedade dos STCP. Mais do que ter como objectivo reduzir custos no curto prazo, os STCP afirmam que querem desde já conhecer a tecnologia e começar a formar quadros por forma a estarem preparados para reforçar esta aposta assim que seja tomada a decisão política e/ou a tecnologia atinja um rácio custo/eficiência concorrencial com a tradicional. Fico curioso por saber como estas contas são feitas... Mas noto, acima de tudo, com agrado que, mesmo na impossibilidade de contabilizar rigorosamente custos e benefícios, os STCP percebam desde já que num momento futuro próximo as vantagens e as necessidades serão tão prementes que todo o euro gasto hoje é um bom investimento.

Quanto a Lisboa, as últimas notícias que tive falavam de um fiasco da experiência com os veículos movidos a gás natural (elevados custos de manutenção) tendo-se mencionado uma aposta em renovar a frota recorrendo a veículos movidos a gasóleo ainda que bem menos lesivos do meio ambiente do que os actualmente em circulação. Não sei sinceramente se foi esta a decisão final mas gostava que nesta cidade houvesse a presença de espírito que se revela no exemplo dos STCP.

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janeiro 29, 2004

Redução de 3% nos gastos com a defesa do ambiente

Em 2002, a despesa das Administrações Públicas ascendeu a 898 milhões de euros em acções de defesa do ambiente (menos 3% do que em 2001), o que representou 0,69% do Produto Interno Bruto (0,71% no ano anterior).

In www.ine.pt

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dezembro 30, 2003

Mapa de risco sísmico em Lisboa 2ª parte (revisto)

Continuando a busca na Internet por informação sobre o risco sísmico em Lisboa fui parar a dois sítios merecedores de destaque.
Um do (extinto?) Instituto Geológico e Mineiro onde me pedem pela Carta Geológica do Concelho de Lisboa, na escala de 1:10 000, em Formato Digital, além da assinatura de um termo de responsabilidade, entre 748,20€ a 1496,39€ mais IVA e portes de envio. Como eu não tenho o software que permita ler o mapa digital (e só por isso) continuei em busca de informação mais...acessivel e fui parar ao outro aqui (opção Intensidade Sísmica).
A informação é menos que básica, muito grosseira mesmo, mas para já é o que se pode arranjar. Se descobrirem melhor...digam coisas!


Adenda: é suposto o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil ter feito e divulgado em tempo o referido mapa, mas mais do que essa acção pontual junto da população de Lisboa convinha que se mantivesse disponível a todo o tempo, por exemplo, no seu sítio na Internet... Acreditemos que esteja mesmo em construção uma nova casa virtual porque o que hoje existe é do mais pobre que consigo imaginar, quase nem vale a pena ir...

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Em busca da carta sismológica de Lisboa (será este o nome?)

Quem tem acesso e pode disponibilizar informação sobre as zonas de risco sismico em Lisboa? Eu gostava de saber o grau de risco do sub-solo em que assenta o meu doce lar... O nosso geólogo de serviço não quer ajudar?

Primeiro achado:
Carta de Isossistas de Intensidades Máximas, no Instituto de Meteorologia.

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Presenting: Juergen Klinsmann de Shamiday

É já um ancião este gato da minha gata portista, tem pinta de leão:

Juergen Klinsman de Shamiday

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dezembro 11, 2003

Meteorologia do posto de trabalho II

O calor interior desta cidade (música) fez recuar a tenebrosa bruma que vinha de Espanha, mas a ameaça persiste no horizonte. E agora as gaivotas apresentam-se rondando os arranha céus... Ganhámos, contudo, um belo pôr do Sol.

Posted by Rui at 04:39 PM | Comments (0) | TrackBack

Meteorologia do posto de trabalho

Ai vem ela, decididamente avançando para o mar. Prepara-se para esconder os traços de gelo das esteiras dos aviões que tão singelamente destacavam o azul. Cobrir-nos-á por completo em alguns minutos. Tivemos um dia de sol, aproveitemos os últimos minutos.

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novembro 27, 2003

Nem de propósito...

Ainda quanto à água, espreitem esta que acabou de sair na TSF:

AMBIENTE
Fusão dos glaciares ameaça água potável
A fusão dos glaciares ameaça o abastecimento de água potável a milhares de seres humanos, particularmente na América Latina e na Ásia, advertiu esta quinta-feira o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Posted by Rui at 05:37 PM | Comments (0) | TrackBack

ANTOFAGASTA necessita urgentemente de filtros para a água

Um estimado leitor de ANTOFAGASTA (Chile) acabou de encomendar ao Adufe 300 filtros de água numa base mensal. Se houver interessados no negócio considerem-no desde já entregue. Para mais detalhes, nomeadamente os contactos do cliente, queiram consultar os comentários deste texto do Adufe de 6 de Outubro.
(e agora em que categoria é que eu vou pôr este texto???)

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novembro 26, 2003

Planeta Azul

A RTP2 está a repor há já algumas semanas, antes do telejornal das 22 horas, a série de reportagens do programa Planeta Azul. Tem sido um dos poucos momentos de televisão que tenho acompanhado com alguma regularidade nos últimos meses, um dos poucos programas que tenho pena de perder. Combóios Bala, Japão
Hoje abordou-se a questão da gestão dos transportes analisando-se mais pormenorizadamente a ferrovia sob o pretexto do destino da linha do Oeste. O cenário parece ser o de deixar apodrecer para depois chamar o economista que confirmará o óbito por “manifesta inviabilidade económica”.
Este tipo de raciocínios onde se cola o estudo da viabilidade económica à contabilidade de mercearia é o tipo de prática que dá má fama à economia e aos economistas.
As premissas de partida para a realização do estudo são determinantes para que, com honestidade intelectual, saibamos avaliar o que é que temos em presença quando é produzido um estudo de viabilidade financeira. Sublinhe-se que em regra essas premissas são ditadas por quem encomenda o estudo e não pelo investigador.
O raciocínio é cristalino se a isso estivermos dispostos. Porque é que lá fora, na Europa central e setentrional (esqueçamos o Reino Unido que esse só serve de exemplo para o como não privatizar e gerir a ferrovia) se tem investido continuamente na ferrovia? Se se limitassem à contabilidade de mercearia onde não está disponível qualquer lógica de visão integrada, de política de investimento concertado com a rodovia, com as diversas facetas da ocupação do território, com a educação cívica, com a gestão dos cidadãos automobilizados, entre outros, a conclusão do estudo de viabilidade ditaria muito provavelmente o desinvestimento na via férrea como temos feito por aqui.

No entanto, considerando estes aspectos e valorizando o impacto ambiental, o impacto na factura energética nacional, na estruturação espacial da população, na integração região-nação-mundo, etc, etc, vemos a ferrovia a evoluir e a crescer (e não falo da Alta Velocidade). Por cá vai enfezando de dia para dia, na maior parte do país, e mesmo nas regiões mais dinâmicas, onde ainda desempenha um papel relevante, estamos a anos luz do que se faz lá fora. Por exemplo, no Luxemburgo, para voltar, agora pela positiva, ao país referido ontem. No Luxemburgo, a integração, comboio-autocarro-comboio é simplesmente espantosa. Não conheço em pormenor o sistema implementado (suponho que haja uma gestão centralizada dos diversos operadores públicos (?) e privados) mas conheço a sua eficácia adivinhando-lhe a eficiência. Sei que funciona quase sem falha e de forma integrada (horários, sistema de tarifas). Enquanto turista achei formidável ter um autocarro com hora de saída da estação de Caminhos de Ferro coordenada com o comboio e estes com os autocarros.
Por cá, a introdução da concorrência pós-privatização da rodoviária nacional (e antes da actual situação de iminente monopólio privado) teve como resultado a interrupção das ligações existentes com grave prejuízo para a ferrovia que ficou assim sem o fundamental serviço complementar de transporte um pouco por todo o país.
O único arremedo de acção latente que paira sob a ferrovia é a tentativa de privatização das linhas suburbanas mais activas e rentáveis. Algo que não fará qualquer sentido sem que haja uma entidade coordenadora e reguladora dos transportes e da gestão do território ao nível das grandes áreas metropolitanas. Enfim, há imenso pano para mangas nestes temas. Um conjunto de problemas que terão necessariamente de subir de prioridade na agenda política nacional ao longo dos próximos anos. Deixar de cometer asneiras ano após ano seria já um bom princípio e uma grande vitória para o país.

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novembro 13, 2003

As perguntas (corrigido)

A imprensa (e em particular o Público) lembrou-se de colocar as perguntas certas apresentando o balanço do que está feito e por fazer na área da prevenção e combate ao risco de poluição marítima. Parece que está quase tudo paralizado!
Esperemos ao menos que o nosso ministro da Defesa continue a ter relações privilegiadas com a sua santinha de eleição, não vá o diabo tece-las.

Posted by Rui at 10:22 AM | Comments (0) | TrackBack

Para memória futura: Prestige

Um comprimido para a memória alinhavado pelo Leonel Vicente e a tomar ao longo deste dia que agora começa: Prestige um ano depois.

É interessante e gratificante ver este esforço por preservar na memória questões por resolver, que temos todo o interesse em não esquecer. Um esforço que passa por vários blogues desde os mais famosos a alguns bem menos visíveis. Pode ser que haja quem se decida a fazer perguntas e a obter respostas, mesmo agora, sempre agora, à distância de uma dúvida que persiste.

A propósito deste tema (o afundamento do Prestige) sugiro também um artigo que aqui deixei há alguns meses.

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outubro 28, 2003

Quem corre por gosto... - Reciclagem

O Henrique Agostinho e o João Miguel Vaz tem sabido manter um animado, educado e estimulante debate sobre várias vertentes do problema da reciclagem que tenho tido o prazer de promover no Adufe.
O João tem um referencial de exigência elevado, cultivado pela sua vivência num país onde a reciclagem é há muito tempo uma actividade aceite e generalizada (Alemanha); o Henrique tendo algum poder de influenciar directamente o que se faz por cá via Sociedade Ponto Verde, contacta com uma realidade alguns passos atrás do que se faz, por exemplo, na Alemanha.

Têm procurado encontrar um equilíbrio, confrontado conhecimentos, verificando ignorâncias. E julgo que têm tido algum prazer em esgrimir argumentos e em saber que contribuem um bocadinho para por outros a pensar (nem que seja este que vos lê e agora escreve).
Basta de conversa, em resposta ao texto publicado há algumas horas aqui no Adufe de autoria do João Vaz (Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais), o Henrique Agostinho oferece-nos algumas reflexões e esclarecimentos adicionais em seis pontos distintos:

1. A Incineração
2. O Tribunal Europeu
3. Será a incineração má
4. Quanto custa separar
5. Reduzir
6. Quercus
Segue-se o texto.

NOTA: se quiser saber mais consulte os textos da categoria "Ecologia e Natureza"

Bom dia!

É-me fácil conceder que não sei qual é a melhor solução para os RSUs.
É-me fácil conceder que não estou preparado para tomar o tipo de decisões necessárias à condução do SIGRE. Tão fácil que eu sou apenas da "comunicação" existem, aqui na SPV outras competências e outros profissionais muito melhor preparados, por isso é que são eles que negoceiam a licença com o INR e as contrapartidas com os SMAUTs e, já chega de letras.

Se insisto em falar de "levar as pessoas a separar" é porque esse é o meu trabalho, essa é a minha função. É isso que tenho de conseguir. Para o restante, para as "grandes decisões do plano do lixo", existem pessoas devidamente capacitadas que tomam as decisões e me fornecem a informação relevante.

A incineração - Não cabe à SPV fazer juízos de valor sobre a incineração. A SPV tem uma licença, uma obrigação associada à licença e cumpre-a.
Se nos perguntam quanto custaria fazer a caracterização dos resíduos a enviar para incineração a gente convém que saiba responder. Se o INR acha que a SPV deve controlar as quantidades enviadas para incineração, a SPV tem por obrigação corresponder.
A SPV é uma das poucas instituições pragmáticas no ambiente, mas para as organizações ambientalistas parece que não há fazer bem. É-se sempre culpado. Qual é o mal de fazer umas contas? Não é uma pergunta retórica.

O Tribunal Europeu - Não estamos a ignorar o tribunal, estamos a dizer que "enquanto essa decisão não for reflectida na lei portuguesa, aguardamos". A decisão do tribunal é para cumprir, mas para cumprir essa decisão é preciso esperar que o parlamento europeu reveja a directiva. Isso é que é o pormenor, é chato, é legalista, pois é, mas o Tribunal Europeu não tomou uma decisão "moral" (nunca toma) tomou uma decisão legal apontando que "tal como a lei está a incineração dedicada não conta".
Então, o Parlamento Europeu vai rever a lei.
João, vá por mim, aposto que este acórdão do Tribunal Europeu não vai chegar a fazer lei. Depois do que os estados gastaram nas inceneradoras!
É a vida! O que não quer dizer que eu fique contente, nem triste, é algo que me ultrapassa por completo.

Será a incineração má - Consta que sim, mas também há quem defenda (com "factos") o contrário. A incineração do papel é razoavelmente claro que é uma má opção. A incineração do plástico não é claro.
Quanto à comparação com o petróleo, queimar 1 Ton de plástico é pior do que 1 Ton (assumindo que são iguais) mas no grande esquemas das coisas, evitar queimar 1Ton de plástico não evita que se queime 1 Ton de compostos complexos derivados do petróleo, porque o petróleo é, 99% para queimar.
A participação da SPV na incineração é a de pau mandado. Obedece ao INR que obedece ao Ministério que obedece ao Parlamento que obedece ao Parlamento Europeu que obedece ao Tribunal Europeu. E como quem conta um ponto acrescenta um ponto, quando a ordem chegar à SPV palpita-me que vai chegar bastante limada! E não é por "culpa" do governo português, há muitas incineradoras fora de Portugal.

Quanto custa separar - Isso é fácil. De acordo com as tabelas impostas pelo INR (os municípios dizem que é pouco, os recicladores dizem que é muito, é como os ordenados, pra quem recebe é baixo) são os seguintes (versão simplificada)
- Recolher selectivamente uma tonelada de (Material) fica mais caro do
que recolher o lixo normal em:
Plástico (685 euros)
Papel (53 Euros)
Vidro (30 Euros)
É dinheiro! Se reparar-mos que em Portugal há cerca de 1200 mil
toneladas de resíduos de embalagem por ano... é caro recolher não é?

Reduzir - A SPV não tem licença para agir na Redução nem na Reutilização. Se são necessárias medidas que imponham a redução de resíduos de embalagem essas medidas tem que ser previstas primeiro na lei. No entanto temos direito de opinião, tanto a SPV como eu, e esta é a minha opinião. Quando apenas se recicla 20% das embalagens (menos) a prioridade absoluta é aumentar a reciclagem, o resto, os outros Rs são para os alemães que já reciclam 70% (começaram muito mais cedo).

Quercus - Fui mauzinho. Na outra mensagem estava bastante aborrecido com as acusações da Quercus e a manipulação dos factos. Tive de andar a correr a tentar apagar o fogo (que é um trabalho pouco gratificante, os bombeiros, mesmo quando trabalham bem, deixam sempre algo queimado) isto porque a Quercus empolou completamente um detalhe. O que é apenas um estudo (umas contas para saber quanto custa) chegou à imprensa como se houvesse crime, dano, corrupção e andássemos a mandar malas cheias de dinheiro para a fogueira. O pior é que, assim que o assunto era esclarecido, deixava de ser notícia, logo, apenas foi publicado (excepto no
Publico) a parte tabloide da notícia.

Abraço
Henrique

Posted by Rui at 10:02 PM | Comments (0) | TrackBack

Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais

João Miguel Vaz regressa "ao ataque" interpelando Henrique Agostinho e aprofundando um pouco mais os seus argumentos.
O texto de hoje intitula-se "Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais."

«Incineração, estudos, a Quercus e as eternas cinzas das centrais

Viva !
Há mais de 15 anos que me debato com a questão da incineração. Li estudos, trabalhei o assunto na Universidade em termos científicos, em público e privado discuti várias vezes sobre a incineração e a abrangente problemática dos resíduos.

O Tribunal Europeu há umas semanas atrás estabeleceu um acórdão sobre o conceito de valorização de resíduos. Este vem de encontro às pretensões com mais de 20 anos de grupos ambientalistas, incluindo a Quercus. No essencial diz o acórdão que incinerar resíduos não é valorizá-los, isso seria transformá-los em produtos com valor útil. O Henrique Agostinho desvaloriza o acórdão, pasme-se, invocando a não passagem do mesmo à legislação nacional. Quando não estamos de acordo com o Tribunal Europeu, ignoramos as suas decisões !

A propósito, lamento que o Henrique Agostinho venha menorizar uma organização que desde sempre lutou pela reciclagem, recolha selectiva, e que é uma aliada natural da SPV no essencial da questão. A Quercus merece a letra maiúscula, tal como o ACP (Automóvel Clube de Portugal), a FPF, o Benfica, o FC Porto, a Cruz Vermelha...etc. Mesmo que as instituições não nos sejam caras merecem respeito. Henrique Agostinho segue uma estranha política de confronto com agentes que procuram o bem da comunidade usando princípios de bom senso. Já lhe disse, e sou obrigado a repetir, fundamentalistas são os da ETA, os Ossamas, o rei Saudita, os Le Pen, os estalinistas, os KKK...etc, e quem procura dogmaticamente calar os outros. Penso mesmo que este tipo de epítetos só servem para envenenar discussões sérias. Fundamentalismo seria dizer não pelo não, sem apresentar um plano de resolução alternativo.

Respondendo às suas perguntas uma a uma:

- A incineração nunca será feita com material da recolha selectiva! Quem é que disse que as embalagens vão dos ecopontos para a lareira? Se é tão caro recolher em ecopontos faz algum sentido mandar a recolha para a lareira? Haverá por ventura falta de coisas (lixo indiferenciado) para mandar para a lareira? Essa acusação (que também foi feita pela quercus) é completamente nonsense.

O próprio Henrique Agostinho já aqui afirmou que é caro recolher e reciclar. Gostava de saber quais os custos/receitas de enviar o material recolhido para a reciclagem e para as incineradoras. Pode o Henrique Agostinho enviar-nos tais números ? Não nos podemos esquecer que o material recolhido selectivamente tem um poder energético muito superior aos resíduos indiferenciados. Estes estão altamente contaminados pela matéria orgânica (cerca de 30% ) e são indesejados pelas incineradoras. Logo, a dúvida é legítima, será que a SPV não se desacredita ao participar na incineração ? Eu penso que sim.

- Incineração - O que será pior? Queimar petróleo directamente numa central térmica ou fazer plástico e depois queimá-lo? O plástico é menos de 2% de todo o petróleo que se consome, importa se é queimado ou não? "..."O que será pior? Fazer aterros ou queimar o que de outra forma também seria queimado? É que o consumo de energia está lá. A incineração de RSU afigura-se-me como um mal necessário para o qual não é necessário mais investimento, mas o que sei eu do grande plano do lixo? Eu ainda ando à caça de como fazer as pessoas separar o lixo!

Pior do que os aterros é a incineração. Num estudo da Comissão Europeia afirma-se que os aterros não são o pior dos males - "a cost-benefit study conducted for the European Commission in 1997 concluded that even land filling was better and more energy efficient than incineration, for managing household waste." (http://europa.eu.int/comm/environment/wasteinc/ ).
Admito que haja outros estudos que advoguem a incineração em detrimento dos aterros, baseados em na incerteza das consequências da queima de resíduos, ou seja na dúvida. Comparar a queima de petróleo com a incineração de resíduos domésticos é um erro grave, de palmatória. Nem os lobbys da incineração se atrevem a isso. É muito pior queimar plásticos (substâncias complexas feitas através da mistura de aditivos vários ao petróleo) do que queimar a matéria prima, o petróleo. As emissões da queima de plásticos são muito mais imprevisíveis, e mais poluentes (consultar literatura específica), advindo daí substâncias altamente tóxicas cujas consequências na cadeia alimentar e na saúde humana ainda não estão bem determinadas. Porque será que ninguém quer viver junto de uma Central Incineradora ?

Mais, a queima de plásticos é por si só a desvalorização de um material complexo. Queimar resíduos é essencialmente optar pela solução mais cómoda e também por isso a mais perversa nos resultados. Senão vejamos:

* as somas avultadas de dinheiro investido na incineração deveriam ser investidas na redução e reutilização das embalagens

* a incineração perpetua os aterros, ou queimarem-se 3 toneladas de resíduos provocam-se 1 tonelada de cinzas. Estas são perigosas, tóxicas contendo dioxinas e metais pesados, e têm que ser depositadas num aterro especial

* uma incineradora emprega pouco mais de uma centena de trabalhadores, localizados centralmente. A recolha selectiva e reciclagem empregam muito mais gente, localmente, incentivando o aparecimento de uma série de indústrias de baixo impacte ambiental e que usam tecnologias simples. Os lucros da reciclagem ficam nas comunidades onde se encontram as empresas incentivando o desenvolvimento local.

* a reciclagem poupa mais energia do que a incineração pode gerar através da queima de resíduos

* incinerar serve a lógica do desperdício, não há problema em produzir resíduos pois estes são "valorizados energeticamente". As "cinzas tóxicas" são o nosso legado aos nossos filhos e netos ! - fica muito mais caro tratar do que prevenir.

- Incentivo à separação - Aceitam-se sugestões para que outro motivo haveria para as pessoas fazerem a separação que não fosse o bem comum!

Um dos pontos fortes da Sociedade Alemã "Grüne Punkt" foi a drástica redução das quantidades de lixo, em alguns Estados (por exemplo, Baden Wüttenberg) quase um 1/3 a menos. Isto provocou uma crise na indústria da incineração que se vê obrigada a importar resíduos, ou a comprar resíduos de alto valor energético, para rentabilizar os seus fornos. Ficaríamos muito satisfeitos se a introdução da SPV obtivesse os mesmos resultados. Seria óptimo que o Henrique Agostinho em vez de se preocupar com a Quercus se dedicasse a aprender como é que os outros conseguiram reduzir as quantidades de resíduos indiferenciados, ou como é que se recolhe selectivamente mais resíduos. Não somos nós que recebemos um salário para dar sugestões de carácter empírico.

Preocupa-me que um pessoa com responsabilidades, como é o Henrique Agostinho na SPV, venha mostrar-se mal preparado "o que sei eu do grande plano do lixo?" - para uma tarefa que exige estudos científicos e não puro amadorismo. Há uma vasta literatura publicada sobre o assunto, com exemplos vindos deste e do outro lado do Oceano.
Saudações Ambientais,
João Vaz »

Posted by Rui at 05:18 PM | Comments (14) | TrackBack

outubro 24, 2003

Reciclar versus Incinerar - Reply

Floresta da Serra da Estrela, NaturlinkEm resposta às críticas e sugestões que João Vaz aqui trouxe ontem à Sociedade Ponto Verde (SPV), Henrique Agostinho da SPV enviou uma resposta (que o vincula só a ele não à SPV).

Caro João, bom regresso!

Comentários:
Os ecopontos estão sujos e porcos e cheios - Verdade! Devia haver forma de controlar, reclamar e impor nível de serviço. Se os estudos indicam que os ecopontos são a melhor solução para a generalidade dos casos e ainda por cima foi esse o investimento feito, então que os ecopontos funcionem bem é o mínimo que se pode exigir. Estou solidário com essa reclamação, não estou solidário com a generalização dessa reclamação a todos os ecopontos ou com a sua utilização como desculpa para não reciclar.
Mas de facto: Faz falta uma garantia do nível de serviço nos ecopontos.O porta a porta é uma questão menos prática, os seus méritos prováveis e ainda não provados têm a desvantagem de vir tarde, a decisão de fazer a recolha selectiva via ecopontos foi tomada há alguns anos, os equipamentos comprados e instalados, pelo que enquanto não houver indicação clara que a mudança de método compensa a preocupação passará por fazer os ecopontos funcionar bem. Parece lógico?!


Os portugueses são preguiçosos - Verdade! Mas não é verdade que isso é razão para esmorecer. Há que converter, contornar essa preguiça, e consegue-se. É defeito profissional meu fazer caracterizações simplistas das populações, o que não implica que essa esteriotipização se constitua em obstáculo. Se trabalhasse na DSD (Ponto verde alemão) diria "os alemães são ordeiros" e pronto, decidia-se então que a comunicação deveria constituir-se de ordens e factos. Em Portugal o diagnostico é diferente a mensagem é diferente. Temos de apelar a outros valores, ao orgulho (pretensão/exibicionismo) à pertença (recriminação) à família (filhos), faz-se. É capaz de ter resultados mais lentos, ou mais inconsistentes, mas por outro lado os resultados tendem a perdurar por mais tempo.

O financiamento da incineração - É mentira!
A quercus "obteve" um documento de estudo onde se projecta uma série de coisas. Essas coisas implicam questões em aberto como a incineração (que está prevista na lei e para a qual a SPV tem metas)!
A quercus é contra a incineração e acha que a lei está errada, mas a SPV tem uma licença e obedece aos termos da licença. O fundamentalismo da quercus cegou-os e o seu trabalho de espionagem ficou miope.
O que se passa:
- A lei prevê a incineração e metas para a valorização. O tribunal europeu acha que não é bem assim, mas esse acórdão não foi passado à pratica em Portugal e provavelmente nunca será (o estado português gastou uns 60 milhões de contos em incineradoras, tal como fizeram outros países, não estou a ver tanta gente a esquecer tanto dinheiro).
- A SPV tem de cumprir as metas para a valorização, e para o fazer tem de contabilizar quanto é valorizado e contabilizar residuos dá trabalho e o trabalho custa dinheiro e o que a consultora fez foi contabilizar quanto custaria registar as quantidades que vão para a incineradora. A conclusão é que custa uma ninharia sem significância (um décimo do que diz a quercus).
- A SPV nunca empregou nem um tusto em incineração, o que não quer dizer que não deve perguntar-se quanto custaria e quais as implicações. Ao contrário da quercus, a SPV faz as contas para tomar decisões.
- O dinheiro não é desviado de sítio nenhum, primeiro porque não foi gasto, é tudo especulativo e em segundo porque o dinheiro não é "da reciclagem". A licença da SPV é para cumprir as metas de "valorização" entre as quais está valorização energética. Se temos essa obrigação cumprimos essa obrigação. Felizmente, até agora, isso custou zero, mas quanto poderia vir a custar? Ninguém sabia, agora sabemos.
- A incineração nunca será feita com material da recolha selectiva! Quem é que disse que as embalagens vão dos ecopontos para a lareira? Se é tão caro recolher em ecopontos faz algum sentido mandar a recolha para a lareira? Haverá por ventura falta de coisas (lixo indiferenciado) para mandar para a lareira? Essa acusação (que também foi feita pela quercus) é completamente nonsense.
Em resumo, foi mais um pseudo-escandalo na fogueira das vaidades da quercus, que convencidos que são o cão de caça do ambiente, andam a caçar-fantasmas nas empresas.

- Incineração - O que será pior? Queimar petróleo directamente numa central térmica ou fazer plástico e depois queimá-lo? O plástico é menos de 2% de todo o petróleo que se consome, importa se é queimado ou não?
Um e picos por cento? A variação diária do consumo de crude é mais do que isso! O que será pior? Fazer aterros ou queimar o que de outra forma também seria queimado? É que o consumo de energia está lá. A incineração de RSU afigura-se-me como um mal necessário para o qual não é necessário mais investimento, mas o que sei eu do grande plano do lixo? Eu ainda ando à caça de como fazer as pessoas separar o lixo!
- Incentivo à separação - Aceitam-se sugestões para que outro motivo haveria para as pessoas fazerem a separação que não fosse o bem comum!

Um abraço
Henrique

Posted by Rui at 09:21 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 23, 2003

Incenerar não é reciclar

Floresta da Serra da Estrela, NaturlinkO título é da minha autoria, o texto é do João Miguel Vaz um dos participantes na discussão sobre reciclagem que se tem patrocinado aqui no Adufe. A pretexto da notíca do Público de hoje que se apresenta em anexo, João Vaz lança uma crítica bem vincada à política de investimentos da Sociedade Ponto Verde (SPV) no campo da reciclagem / inceneração.

Caros,
Há quase mês comecei um e-mail que não terminei sobre os comentários do Henrique Agostinho. Envio-o agora, com uma actualização provocada por uma notícia do Público.
O Henrique Agostinho parte de um ponto um pouco "estafado", os portugueses são uns "ignorantes" e é difícil levá-los a fazer alguma coisa pelo ambiente, no caso pela reciclagem.
Não vale a pena ser pessimista, é preciso acreditar que podemos mobilizar as pessoas se formos criativos. Como já foi várias vezes referido, o maior inimigo da reciclagem é o seu carácter pouco lucrativo.
Tal como a amiga do Rui referiu, o que ganha ela com a separação dos resíduos ? É a pergunta que muitos fazem e para a qual o Henrique Agostinho só tem uma resposta: a consciência de que está a fazer algo pela comunidade e pelo ambiente- a minha resposta é a mesma. A minha crítica à SPV é simples: os portugueses não estão convencidos que ao reciclarem estão a contribuir para o bem de todos. A falha está na mensagem e no mensageiro: junto aos Ecopontos que eu conheço não há mensagem e o mensageiro não passou por lá. Por isso, acredito no porta-a-porta. Este sistema funciona em determinadas circunstâncias em determinados lugares.
Mais uma vez, venho chamar a atenção para os estudos já existentes que podem dar pistas à implementação bem sucedida do porta-a-porta.
No concelho de Oeiras fizeram-se várias tentativas. Confesso desconhecer os resultados em pormenor.. Li hoje esta (ver abaixo) notícia no Público e estremeci. Se realmente a SPV recolha selectivamente embalagens para depois apoiar a sua queima, então não vale a pena as pessoas andarem a separa os resíduos, para quê ? Para irem parar todas à mesma fornalha ? Para ser construídas mais incineradoras ? Para enchermos a atmosfera ainda com mais CO2, furanos e outros venenos ?
Para isso não vale a pena gastar dinheiro em contentores verdes, azuis e amarelos. Será, ou já é, o descrédito total do sistema introduzido pela SPV.

Cumprimentos,
João Vaz

Em anexo a notícia de hoje do Público.

Ponto Verde Poderá Apoiar Incineração
Por R.G.
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2003
Parte do dinheiro que está a ser aplicado na reciclagem de embalagens em Portugal pode, nos próximos anos, vir a ser investido também na incineração. Esta hipótese consta de um documento interno da Sociedade Ponto Verde (SPV) - responsável pela gestão dos resíduos de embalagem em Portugal - que a associação ambientalista Quercus tornou ontem público. Segundo a Quercus, o documento - uma versão do plano estratégico da SPV para 2003-2012 - prevê que sejam transferidos 700 mil euros anuais para a valorização de embalagens através da sua queima em incineradores.
Até agora, a SPV tem investido apenas na reciclagem, pagando às autarquias o custo adicional da recolha selectiva de resíduos. Em 2001, as autarquias receberam cerca de 18 milhões de euros da SPV. Para a Quercus, não há razão nenhuma em se transferir dinheiro para as incineradoras, que actualmente já queimam embalagens usadas, sem qualquer custo adicional.
Num comunicado, a associação também lembra que o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, através de um acórdão recente, declarou que a incineração não pode ser considerada como uma operação de valorização de resíduos. Com isto, a incineração poderá não servir para que Portugal cumpra as metas da directiva comunitária que diz que metade das embalagens usadas têm de ser valorizadas.
A denúncia da Quercus apanhou de surpresa a SPV, uma vez que se baseia num documento interno, que ainda está em discussão, não foi aprovado pela empresa e apenas traça cenários. "Eticamente, considero inqualificável o que aconteceu", disse ao PÚBLICO Lamy Fontoura, administrador da empresa. Fontoura afirma que, no âmbito do novo licenciamento da SPV - que está a ser negociado com o Governo -, a empresa pode vir a ter de assumir novas obrigações quanto à valorização das embalagens. As verbas a transferir para a incineração seriam equivalentes ao custo adicional para saber quantas embalagens estão a ser queimadas - algo que já é feito pelas empresas Valorsul e Lipor, que gerem os únicos incineradores de lixo urbano do território continental. Lamy Fontoura sustenta, ainda, que a legislação actual considera a incineração entre as opções de valorização de resíduos. "Dá-me a entender que eles [a Quercus] não conhecem a lei", afirma. "Não é de estranhar que façam confusões sobre o documento."

Posted by Rui at 10:30 AM | Comments (2) | TrackBack

outubro 17, 2003

A Aba Recicla (act.)

Depois da rajada de artigos e a discussão que por aqui passou sobre reciclagem (ver o arquivo de Ecologia e Natureza) recupero o tema fazendo eco de um texto hoje publicado na Aba de Heisenberg que reflecte sobre o tema acrescentando alguns dados.
O texto do Sérgio que recomendo conclui:

"(...) Tudo isto é algo simplista porque nem todos os alimentos podem ser postos nos mesmo tipo de embalagem. Mas não deixa de ser interessante verificar que as embalagens de vido reutilizáveis são melhores, em termos ecológicos, que as Tetra Pack, mas quase ninguém pôe leite em embalagens de vidro reutilizáveis, porque o consumidor se habituou a consider as embalagens Tetra Pack muito mais cómodas, resistentes e higiénicas. A falta de lógica disto pode ver-se com o vinho embalado em garrafas de vidro. E, finalmente, a irracionalidade do consumismo e do desperdício encontra-se no facto das garrafas de vinho não serem reutilizáveis como foram em tempos.

Mais informação (sem ser exaustivo) Reduce, Reuse, Refill, Evaluation costs of directive 94/62/EC e os comentários a este estudo. Há também uma tese de mestrado portuguesa sobre o assunto das embalagens de Paulo Jorge Trigo Ribeiro. É um estudo exaustivo que vale a pena ler, e cujas conclusões são algo diferentes das que escrevi acima."

Termino sublinhando a tese de mestrado referida. Num leitura diagonal pareceu-me muito interessante, propondo algumas respostas a perguntas sobre o impacto ambiental dos diversos tipos de materiais utilizados nas embalagens.

Paulo Jorge Trigo Ribeiro termina a sua tese lançando um desafio que assenta bem, por exemplo, à comunidade de economistas e de insdustriais:

"No seguimento do presente trabalho recomenda-se uma extensão do âmbito do mesmo e introduzir a componente económica na avaliação, o que permitirá definir mais concretamente o tipo de políticas a adoptar para reduzir os impactes ambientais de um modo mais eficaz e eficiente em termos económicos.
Seria útil desenvolver casos concretos de aplicação do conceito de eco-design em que se inclua conjuntamente as componentes ambientais e económicas, de modo a servirem como casos de estudo para demonstrar à indústria portuguesa a importância da existência de políticas inovadoras no sector das embalagens. Estes estudos teriam obviamente de ser promovidos e desenvolvidos em a colaboração com a indústria nacional."

Posted by Rui at 02:35 PM | Comments (1) | TrackBack

outubro 04, 2003

O Lixo

Finalmente, por via de uma discussão relativa à fiscalidade, as preocupações ecológicas estão em discussão cada vez mais alargada na blogoesfera. Que eu tenha notado estão dialogando O Carimbo, Catalaxia, o Liberdade de Expressão e o Católico de Direita. Falta um bocadinho de "qualquer coisa" nesta discussão mas está interessante. O Carimbo parece-me professar a opinião mais equilibrada mas estou ainda longe de me rever nela. Vou acompanhar... Mas para já, boas noites e bons livros!

Posted by Rui at 12:01 AM | Comments (0) | TrackBack

outubro 03, 2003

Uma grande adufada para o Crítico!

O Crítico musical editou recentemente dois post onde reflecte sobre o uso do automóvel nas zonas suburbanas. Sem entrar em grande verborreia nesta minha entrada, faço o destaque desses post e apresento-me como subscritor quase integral do que lá surge com mais uma achega pessoal.
Morei durante 27 anos na linha de Sintra. Nesse período fiz de pêndulo regular durante cerca de 10 anos, primeiro para frequentar uma licenciatura, depois para me deslocar para o emprego. Em 6 desses 10 anos tive possibilidade de utilizar o automóvel nas deslocações diárias. Só quando era obrigado – muito raramente e geralmente por motivos profissionais – é que o fiz. Sempre preferi o comboio.
Há menos de seis meses passei a alfacinha de facto (já o era de jure). Um estatuto de que me recordo todos os meses no dia em que tenho de pagar a prestação da casa em Lisboa, bem como todos os dias, que tenho a felicidade de ir almoçar a casa. Ou ir passear descontraidamente no final da tarde, etc… Não me lembro nestes cinco meses de ter usado o carro para me deslocar dentro de Lisboa. Minto, usei-o para transportar uma pequena mobília… De resto safo-me bem com o metro, com os autocarros e com as minhas sapatilhas. Alguma coisa tem de mudar na utilização do automóvel. O conforto, o status de usar o automóvel (???) e a ignorância das alternativas têm de deixar de ser desculpas. Gostaria de ver este problema – poluição, saturação, perda de tempo, perda de competitividade económica, acidentes – ser enfrentado com a mesma garra com que colamos fotografias de pulmões deteriorados nos maços de tabaco (não, não sou fumador activo e sim, lá chegaremos às fotografias).

Hei-de voltar a este tema.

Posted by Rui at 05:30 PM | Comments (1) | TrackBack

setembro 25, 2003

Sugestões - Reciclagem - Opinião V

Já foi publicada a 1ª parte *
Já foi publicada a 2ª parte **
Já foi publicada a 3ª parte ***
Já foi publicada a 4ª parte ****
Já foi publicada a 5ª parte *****
Já foi publicada a 6ª parte ******
Já foi publicada a 7ª parte *******

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.


Opinião de João Miguel Vaz(resposta a Henrique Agostinho ):

Caro Henrique Agostinho,

O início da minha participação nesta discussão foi determinada pela posição do Henrique Agostinho a propósito das embalagens retornáveis. Volto a citá-lo:

"Uma embalagem retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas...."

“Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue...".

Depois disso, no seu último e-mail afirma:

"Permita-me que corrija, eu não estou a defender as embalagens descartáveis nem a menorizar as reutilizáveis."

Ou seja, dá o dito por não dito ! O seu primeiro e-mail é a apologia dos descartáveis - se consomem menos material e energia no seu ciclo de vida, devem ser melhores ! - é a única conclusão possível. Isto recorrendo a afirmações especulativas ("Se calhar....".."Mas, isso ninguém sabe....") e falsas para as quais não apresentou, nem à posteriori, qualquer argumento, i.e. dados concretos de fontes credíveis.

Onde é que foi buscar os valores que apresenta "uma embalagem retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas" ? É isso exactamente que me choca, a falta de rigor e a ignorância em relação a temas sobre os quais existem estudos e onde há a possibilidade de aplicar o método científico. Henrique Agostinho procura ignorar olimpicamente toda uma panóplia de conhecimentos sobre a questão dos resíduos. Procurei, nos e-mails que lhe enviei, apresentar dados precisos que contrariam a visão errada que tem dos retornáveis. O facto de ocupar a posição na SPV há poucos meses, e daí desculparem-se algumas lacunas, devia levá-lo a ser mais cauteloso nos dados que apresenta.

O mundo dos resíduos é muito complexo e vasto. Não faca afirmações sobre o que não sabe, ou não exponha os seus preconceitos em relação a modelos de gestão de resíduos que desconhece, para não ter que depois fugir ao debate político/técnico ou dar o dito por não dito. Como lhe disse o modelo alemão, um dos mais experientes e avançados do mundo, baseia-se nos retornáveis na volumosa área das bebidas.

Pede ideias para aumentar a participação dos portugueses na arte da recolha selectiva. Pois bem, sugiro-lhe que se iniciem campanhas porta-a-porta de sensibilização das pessoas, que lhes seja explicado o porquê da necessidade de reciclar. Não basta instalar os equipamentos (muitas vezes sem explicar para quê) e fazer publicidade nos media. Efectivamente, a reciclagem só funciona quando houver um prémio real para quem recicla. Quem não separa os resíduos deve ser penalizado, talvez monetariamente. Cabe a si, é pago para isso, pensar em tais ambiciosos planos. Não é preciso ir muito longe, basta usar o "Market Intelligence" ! Copiar, adaptar e fazer melhor que os outros.
(…)

Cumprimentos, Joao Miguel Vaz

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O Repto - Reciclagem - Opinião IV

Já foi publicada a 1ª parte *
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Já foi publicada a 3ª parte ***
Já foi publicada a 4ª parte ****
Já foi publicada a 5ª parte *****
Já foi publicada a 6ª parte ******

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de Henrique Agostinho (resposta João Miguel Vaz):


Caro João,
Permita-me que corrija, eu não estou a defender as embalagens descartáveis nem a menorizar as reutilizáveis. Limito-me a menorizar esse debate.

Existem argumentos a favor de uns e argumentos a favor de outros. Ninguém tem a solução completa. Vamos limitar-nos àquilo que podemos controlar.

O facto de viver na Alemanha, onde 90% da população separa tudo, coloca-o numa dimensão do problema muito diferente da minha. Em Portugal cerca de 3/4 da população (2/3 se formos optimistas) não separa, nada! Por isso, o que me interessa a proporção reutizável /descartável quando o destino de ambas é o aterro? Estou a dramatizar é certo, mas em Portugal (onde se paga poucos impostos e conduz à velocidade que apetece ao contrário do norte da europa) as embalagens reutilizáveis também iriam parar ao aterro, por isso volto a afirmar: Preocupa-me de sobremaneira a falta de participação dos Portugueses, não me preocupam os debates inceneradora/aterro ou reutilizável/descartável.

Quero lá saber se o plástico é "downcycled", preocupa-me que ele vá para o aterro. E agradeço quem tiver ideias, planos, vontades para evitar que isso aconteça, vá digam-me!

Atenciosamente Henrique

Posted by Rui at 01:47 PM | Comments (0) | TrackBack

O que é o upcycling - Reciclagem - Opinião III

Já foi publicada a 1ª parte *
Já foi publicada a 2ª parte **
Já foi publicada a 3ª parte ***
Já foi publicada a 4ª parte ****
Já foi publicada a 5ª parte *****

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de João Miguel Vaz (resposta Henrique Agostinho):

Caríssimos,
Primeiramente, queria explicitamente dizer aos interessados neste debate que sou um defensor acérrimo da reciclagem e da recolha selectiva de resíduos.
Vivo em Hannover, Alemanha e por isso tenho à disposição uma invejável infraestrutura no que respeita à recolha de resíduos. Em casa, temos vários contentores: papel, "grüne punkt" (ponto verde), resíduos orgânicos, vidro e "restos"(tudo o que não pode ser aproveitado). Para vosso espanto, a recolha (sempre porta a porta) do ponto verde é feita de 15 em 15 dias, tal como a recolha dos restos.
O papel é recolhido semanalmente às terças de manhã, o vidro leva-se ao vidrão e o composto deposita-se numa caixa própria no quintal. Esta prática obriga as pessoas a "conviver" com os resíduos que produzem ! Os resíduos não desaparecem ao fim do dia por magia.

Sempre que visito a família em Portugal, incentivo-os a fazer o mesmo. O argumento é forte, se queremos evitar Centrais Incineradoras e Aterros, a solução passa por separar e reciclar. Permita-me a indiscrição, também separa os restos orgânicos em sua casa?
Ainda durante o meu estágio em Münster separei eu próprio o lixo dos outros, com as mãos (luvas) na porcaria. Isto inserido num estudo sobre as quantidades de cada tipo - metais, vidro, restos...etc. Sei muito bem que custa muito menos aproveitar os resíduos se estes forem separados em casa. Poupa-se tempo, energia e ambiente. Portanto, o Henrique Agostinho partilha do meu entusiasmo pela reciclagem.

Confesso-me algo surpreendido pela recusa do Henrique Agostinho em discutir assuntos que se inserem no âmbito das suas actividades profissionais e assim tentar a desqualificação do debate, invocando a complexidade do assunto e o desinteresse dos leitores. Lembro que foi o Henrique Agostinho que lançou para o texto as afirmações sobre a inutilidade dos retornáveis, e manipulando os dados tentou convencer-nos que as embalagens "usa-e-deita-fora" são as melhores do ponto de vista ambiental. (…)

É neste ponto que discordamos porque temos pontos de vista muito diferentes e acesso a outro tipo de informações e experiências. Na Alemanha, há uma quota para os retornáveis que é de 72% para todos os produtos líquidos, i.e. refrigerantes (não alcoólicos) , água, leite, cerveja...

Quando esta quota baixa são tomadas as iniciativas necessárias. No início de 2003, foi introduzida a obrigatoriedade de retornáveis para as latas de alumínio ( 25 cêntimos - 033 l; 50 cêntimos - 05 l). As empresas embaladoras e os grandes supermercados entraram em guerra com o Governo porque os "usa-e-deita-fora" são muito mais rentáveis do ponto vista comercial, mas muito piores do ponto de vista ambiental e social (emprego). Como já substanciei no e-mail anterior, os retornáveis têm vantagens ambientais indiscutíveis. Se o Henrique Agostinho tem outros dados, pode apresentá-los.
E, porque é que os retornáveis são pouco realistas? Se funcionam na Alemanha e na Suécia, onde o factor trabalho é caríssimo, porque é que não hão-de funcionar em Portugal ?

Estou plenamente convencido que os investimentos nesta área em pouco tempo reduziriam em muito a massa de resíduos que a Ponto Verde tem que tratar. (…)

Eu estou acima de tudo interessado em minimizar o uso de embalagens. A embalagem é um "mal" a evitar, porque quase sempre é uma dispendiosa (ambientalmente e economicamemte) ineficiência do sistema. Convém-se elucidar-se os leitores que a panaceia da reciclagem da maioria das embalagens de plástico é na realidade um "downcycling" e não um "recycling". Isto porque os produtos que resultam do aproveitamento dos resíduos são de menor valor que o produto reciclado em si. Um saco de plástico negro não tem o mesmo valor de uma garrafa translúcida de água. A reciclagem do vidro e dos metais pode genericamente ser considerada como verdadeira reciclagem, com o custo ambiental (essencialmente energético) que isso acarreta. Só no caso da compostagem se pode falar de "upcycling". O produto final, o adubo, tem um valor superior aos resíduos orgânicos com um "input" energético mínimo.

Posted by Rui at 12:00 PM | Comments (4) | TrackBack

A cruzada da reciclagem - opinião II

Já foi publicada a 1ª parte *
Já foi publicada a 2ª parte **
Já foi publicada a 3ª parte ***
Já foi publicada a 4ª parte ****


O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de Henrique Agostinho (resposta) a João Miguel Vaz:

Caro Rui,
Não quero entrar em polémicas.
A minha mensagem era bastante mais simples.
Os debates como o "reutilizáveis vs. recicláveis" tendem a ser estéreis. E tendem a ser estéreis porque se enredam em argumentos ora incompletos (apenas embalagens de líquidos alimentares ou apenas plástico vs. vidro), ora pouco realistas (porque os investimentos são grandes e há que rentabilizá-los).

Enfim, estes debates não ajudam, por isso, volto ao que me interessa: O importante é reciclar, o importante é conseguir a participação das populações na separação. Adorava ver mais gente interessada no "que é que se pode fazer para aumentar a participação da população", em vez de desfocar o debate para os meandros técnico/políticos cujo resultado tende a ser o afastamento das pessoas que se sentem impotentes perante problemas tão complexos. Naquilo que é um portuguesismo clássico: "a culpa é do sistema, não há nada a fazer".

No meio de todas as polémicas há um ponto unanime: "Separar é preciso!" Por isso, quem tiver ideias sobre como potenciar a participação das população, força, sou todo ouvidos! No que estiver ao meu alcance (e até está muita coisa, sou um afortunado) tudo farei para aumentar a participação das pessoas.

Foi o "prémio aos pais" do post original que me levou a intervir (é uma boa ideia mas, infelizmente como o Rui concordará, 2 contos por ano por família não são relevantes). Mais ideias houver: baldes, sacos, concursos, mais perto ficaremos de conseguir o nosso objectivo! Claro que a "realidade" é inimiga das boas intenções, mas isso é problema meu. A todos os interessados, e especialmente ao Adufe que em boa hora se interessou por este assunto, é só isso que se pede: "o que podemos fazer para aumentar a participação das pessoas?"

Por exemplo, quem lê o Adufe já começou a separar? Melhores cumprimentos

Posted by Rui at 10:33 AM | Comments (0) | TrackBack

Reciclagem - Opinião I

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O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Opinião de João Miguel Vaz:

Gostaria de preparar uma resposta mais completa a algumas afirmações do Sr. Eng. da Ponto Verde, Henrique Agostinho.
Neste momento não é possível. No entanto, e muito rapidamente, enuncio algumas contradições ao discurso de Henrique Agostinho.

Ao contrário do que afirma as embalagens reutilizáveis, caso das PET. Para a água ou refrigerantes, atingem facilmente ciclos de 60 "vidas" http://www.carolinen.de/unter_umwelt_start.html - a fonte é o "produtor" de água) - "usar-transportar -lavar-transportar-usar-..etc.
Henrique Agostinho afirma que os "retornáveis têm ciclos de 5 ou 6 vezes" i.e. dez vezes menos que o afirmado pela firma que usa os retornáveis !!!

Henrique Agostinho, escreve "O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas". Os "life cycle assessment" (ciclo de vida e balanço ecológico) são quase sempre positivos a favor das embalagens retornáveis, em detrimento dos plásticos "usa-e-deita-fora". Henrique Agostinho errou, e mais grave ainda, leva os leitores a pensar que o "usa-e-deita-fora" é o caminho certo para uma melhor prática ambiental.

É preciso explicar que os plásticos são é necessários às Centrais Incineradoras (CI's) pelo seu potencial calorífico. Tirem o papel e os plásticos às CI's e elas deixam de poder ser rentabilizadas. Na sequência, Henrique Agostinho afirma "... e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa " . Ora, há estudos sobre a "linha-ténue", onde se precisa o impacto ambiental de cada solução, e na maioria dos casos a incineração é sempre a pior solução. Desafio o Henrique Agostinho, a demonstrar em que casos a Incineração é positiva em relação à reciclagem !

Cito um estudo levado a cabo pelo Ministério do Ambiente alemão em que
Se afirma o seguinte:

"Bundesumweltministerium und Umweltbundesamt stellten im Juli 2002 die
Ergebnisse der Phase II der "Ökobilanz für Getränkeverpackungen für alkoholfreie Getränke und Wein" vor. Untersucht worden waren Mehrwegflaschen aus Glas und PET, Getränkedosen aus Aluminium und Weißblech, Glas-Einwegflaschen und Getränkekartons im Hinblick auf ihre gegenwärtige Umweltbilanz sowie ihr zukünftiges ökologisches Potenzial.
Die Ergebnisse fasste der Präsident des Umweltbundesamtes wie folgt zusammen: "Zwar sind sowohl bei Einweg- als auch Mehrwegverpackungen deutliche Verbesserungen zu verzeichnen, Mehrweg bleibt jedoch auch in absehbarer Zukunft Einweg überlegen. Getränkekartons bilden dabei allerdings eine Ausnahme."
in http://www.informationszentrale.de/index.php?scr=umwelt&id=1
http://www.umweltbundesamt.de/uba-info-daten/daten/pfand.htm

Em síntese, o estudo afirma que as embalagens reutilizáveis, ou retornáveis, têm sempre vantagem ambiental no seu ciclo de vida, balanço ecológico, com uma única notável excepção a das bebidas em "treta-pak".

Muito mais haveria a comentar. Fica para outra oportunidade.
Desde já o meu bem-haja pelo interesse !
Cumprimentos,
João Miguel C.G.Vaz, Market Analysis ? P & A Truck and Bus Room 132,
R&D Stöcken

Não percebo uma palavra de Alemão... Confio que a síntese apresentada seja fidedigna :) Amanhã há mais!

Posted by Rui at 10:25 AM | Comments (4) | TrackBack

setembro 24, 2003

Reciclagem - O início do debate

Já foi publicada a 1ª parte*
Já foi publicada a 2ª parte**

O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas é isso que quero aqui partilhar.

Volvidos alguns dias face ao comentário do Adufe às notícias do Jornal de Negócios (entrada anterior), Henrique Agostinho - o entrevistado -, Director de Comunicação da Sociedade Ponto Verde - ver resumo curricular aqui - , enviou um e-mail ao Adufe onde, a título pessoal, apresentou alguns esclarecimento, rebateu algumas das sugestões por mim feitas e sublinhou o trabalho que está em curso. O texto é reciclado na íntegra, perdão, republicado na integra, após este excerto (na entrada estendida disponível no link no final deste texto). Foi na sequência deste e-mail que vim a publicar no Adufe que surgiu um comentário de João Miguel Vaz contrapondo alguns dados apresentados como adquiridos por Henrique Agostinho.
João Miguel Vaz apresenta-se:

trabalhei como bolseiro no Instituto de Resíduos (LASU) em Münster,
Alemanha, em 1998/99. Através da prática adquiri alguns conhecimentos na área do tratamento de resíduos, sua preveção, recolha e aproveitamento.
O meu trabalho de fim de curso, ano 1998, na Universidade de Coimbra,
curso de Eng. Mecânica incidiu no tema "Queima de resíduos na Indústria do
Cimento", a famosa Co-incineração.

No post seguinte publicarei a primeira réplica de João Miguel Vaz a Henrique Agostinho. A discussão seguir-se-á nos próximos dias.

Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Não há nada como estar sempre disposto a aprender... No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

"Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam "nada", zero. Porque os outros 38% alguns separam "alguma coisa" e mesmo muito poucos separam "mesmo". Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a "culpa" o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais "outras razões".

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, < ou > 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do "prémio aos pais". Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em "regime de free-lance". Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um "negócio de escala", quer dizer que só com grandes quantidades de "lixo" separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.

E ainda há a questão do lucro. O "negócio" da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto "vasilhame com depósito" ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho."

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

"Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do "Ligeirinho" cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).
"

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio. Inicailmente divulgado aqui.

Posted by Rui at 10:29 PM | Comments (0) | TrackBack

Reciclagem - O artigo no Jornal de Negócios

Já foi publicada a 1ª parte aqui.********

No dia 9 de Setembro voltei à carga desta feita com o comentário a dois artigos do Jornal de Negócios onde se entrevistou Henrique Agostinho responsável de Comunicação da Sociedade Ponto Verde. Nesses artigos apresenta-se um balanço da situação da reciclagem em Portugal, bem como, algumas das medidas que a Sociedade Ponto Verde se prepara para lançar. Ora leiam lá, clicando no link para o detalhe aqui mesmo em baixo.

«Reciclagem em balanço: SPV recicla 116 mil toneladas, mas...
62% dos Portugueses ainda não separam as embalagens usadas» in SPV

O Jornal de Negócios publica hoje dois artigos sobre as próximas novidades que envolvem a Sociedade Ponto Verde (SPV). Refere-se (1.) o processo de atribuição de uma nova licença de funcionamento como entidade dinamizadora da recolha selectiva e reciclagem em Portugal, bem como, (2.) as iniciativas práticas cuja implementação se adivinha para breve.

(1.) Quanto ao primeiro assunto o Jornal de Negócios adianta que:
A grande mudança na próxima fase de vida das SPV será ao nível da proporção entre as receitas por kg (que determina o valor de “ponto verde”) e os custos por kg (o valor da contrapartida). Apesar de ainda não estar definido o valor final que os embaladores passarão a pagar, a única certeza “é que é preciso aumentar este valor dramaticamente, ou então a SPV não é viável financeiramente”, explica Henrique Agostinho, salientendo que “apesar de sermos uma empresa não lucrativa precisamos de receitas para financiar a actividade a que nos propomos”.

Retomando a discussão a que aqui aludi num post anterior destaco que além da então referida taxa de saneamento básico, o custo directo do nosso lixo é já em certa proporção pago no acto da compra. A SPV conclui agora que se paga pouco. Porquê?
Conhecer as razões que fundamentam esta conclusão seria muito útil. Julgo adivinhas uma delas no próprio artigo do jornal. O actual dirigente da SPV aponta que será muito difícil, atendendo – depreendo - à dimensão do nosso mercado, que surja um concorrente neste mercado pois é uma actividade que depende da “escala e que não dá lucros”. Quando fala de escala fico com uma dúvida que julgo determinante: a escala a que se refere é potencial (produção máxima de lixo se todos reciclássemos) ou a real do momento (produção histórica recente de lixo separado para reciclagem)? Atendendo à necessidade de se aumentar a taxa que reverte para a SPV para assegurar a sua viabilidade, presumo que a quantidade de lixo recolhida – e que sabemos ser apenas uma pequena fracção do “disponível” – é insuficiente para o eficiente funcionamento do sistema de que a SPV é parte. O problema da pouca eficácia na recolha é, portanto, premente e as suas consequências estão patentes no aumento do preço.

Quanto ao facto da actividade de uma empresa como a SPV não dar lucros já é outra conversa, depende seguramente da tal valorização do lixo de que falei no outro post; do seu tratamento; do enquadramento legal criado, e da própria definição de lucro que adoptamos. Na matéria em apreço, o lucro empresarial puro e duro não é determinante e se calhar nem é desejável. Mas este ponto ficará para outra ocasião.

Resumindo, depreende-se que a capacidade instalada suporta volumes muito maiores de lixo separado devendo registar maior eficiência - ser mais barato tratar cada quilograma de lixo - se "vencermos" a batalha da reciclagem.

Note-se que no post anterior em que falei deste assunto me esqueci que havia uma componente do preço dos produtos justificada pela reciclagem da embalagem. Mas quantos se lembram desse facto quando vão às compras? Qual é a percentagem do preço afecta a esse fim? Quando a contribuição para a SPV aumentar, o mais provável é que ninguém se aperceba disso não estabelecendo uma relação entre o comportamento da sociedade face à reciclagem e o impacto no seu bolso. O preço que poderia ser também visto e publicitado como o custo que de facto é, surge escondido à boa moda de um imposto indirecto plenamente inapto para ser entendido e dominado pelo comum dos mortais. Aumenta-se o preço, não para condicionar as opções do consumidor no sentido de que este se aperceba que está a comprar um bem cujo interesse não se esgota no seu consumo, mas apenas com o objectivo de garantir o saneamento da empresa SPV.

(2.) Como escrevi no início, o Jornal de Negócio foca ainda o aspecto prático da SPV anunciando as próximas medidas:

Até ao final do ano, os consumidores vão encontrar os baldes para a separação de lixo doméstico à venda em todos os supermercados, sob a chancela da Sociedade Ponto Verde (SPV). Com um custo aproximado de 10 euros por unidade, os novos ecopontos domésticos da SPV são fabricados pela Plastival – associação de recicladores de plásticos, accionistas indirectos da SPV. Em paralelo, a SPV está a trabalhar no lançamento de sacos de cores diferenciadas “cujo objectivo é fazer com as pessoas que têm condutas, não tenham de acumular o lixo em casa, separado, à espera para despejar nos dias previstos”, adianta Henrique Agostinho.
A SPV vai ainda avançar com um projecto especial com as escolas primárias, cujo objectivo é envolver as crianças e os pais. Para já, o projecto vai ser desenvolvido nas regiões de Leiria e Viseu. As crianças vão ser estimuladas a levar o lixo separado para os ecopontos que estão junto das escolas. Cada ecoponto vale pontos que dão direito a prémios. A ideia da SPV é despertar os miúdos para a reciclagem e ensiná-los a separar o lixo, de maneira a que se torne um hábito. “E assim, também os pais são envolvidos”, acrescenta.

Tudo isto me parece muito bem mas continuo a ter sérias dúvidas da eficácia destas medidas em contribuírem para um aumento rápido do volume de lixo que entra no processo de reciclagem. Porque não dar também um prémio aos “pais” quando estes reciclam? Um prémio permanente. No fundo, os consumidores iriam reaver, caso reciclassem, uma caução que seria parte da taxa paga no acto da compra da embalagem. Tudo seria mais fácil independentemente do nível de consciencialização de cada um.
Ao contrário, pede-se que se pague voluntariamente um novo caixote do lixo, novos sacos… Se as campanhas de sensibilização forem bem sucedidas tudo bem, mas não tem sido essa a experiência passada.

A única esperança que tenho de que algo de novo e substancial possa surgir com as alterações referidas nas notícias do Jornal de Negócios é que o aumento da taxa Ponto Verde sobre as embalagens não retornáveis – juntamente com mais umas eventuais achegas do legislador - torne apetecível para o embalador fabricar embalagens retornáveis, um conceito mais ambicioso de reciclagem. Onde o princípio de “prémio” ao agente que liga a produção/consumo à reciclagem está presente.

Posted by Rui at 10:06 PM | Comments (0) | TrackBack

Reciclagem - Contributos para uma reflexão

Inicia-se aqui uma série de textos sobre reciclagem. Um debate que não tenho visto praticamente em lado nenhum...>
Nos próximos dias divulgarei aqui uma troca de opiniões que se tem realizado por e-mail entre Henrique Agostinho e João Miguel Vaz e que julgo contribuirem um pouco para esse objectivo de ir um pouco além da análise superficial sobre o tema. Os interlocutores serão apresentados com mais detalhe nas próximas entradas do Adufe. Para já um enquadramento a quem não tenha acompanhado os antecedentes.

A 3 de Setembro trouxe para o Adufe pela primeira vez o tema da reciclagem.

Escrevi: "Ora bem, pagar já nós pagamos, quer directamente (através da taxa de saneamento básico de cada Câmara, através dos impostos), quer indirectamente (cof cof, infecções, cancros, intoxicações, perda de beleza do meio ambiente, etc, etc) e ainda assim o problema não se resolve, agrava-se. Em Portugal, dizem as estatísticas, o número daqueles que recicla é mínimo… Mesmo com democracia, mesmo com o mercado a funcionar. Algo está a falhar…
De certeza que há solução, ou mesmo soluções…
"

Terminei com o seguinte relato:
"Uma amiga meio a brincar, meio a sério disse-me que se recusava separar gratuitamente o lixo e posteriormente colocá-lo no respectivo ponto de recolha a custo zero. “Não há gajos que ganham dinheiro com o meu lixo? Se me pagassem uma parte do seu valor eu investia tempo e dedicação em seleccionar, acondicionar e entregar o lixo. Porque o meu lixo tem retorno, como pode ter retorno a garrafa e algumas outras embalagens”. Ainda argumentei “Então e a tua preocupação com o meio ambiente, esse seria um teu contributo activo para teres um mundo melhor”…. Está bom de ver que a moça me atirou à cara o vizinho free rider que dá cabo do esquema.
E de facto, pensando bem, porque não consideramos esta hipótese? Se além de campanhas de sensibilização (úteis para que todos percebamos o que está em jogo, que todos “lucramos” com a interiorização do princípio do não desperdício e nos consciencializamos dos custos do nosso lixo) houvesse uma retribuição equivalente a uma percentagem do valor directo do lixo depositado talvez fosse mais fácil e seguro derrotar as lixeiras e reduzir a pressão sobre o planeta. Seguramente que não seria lucrativo produzir lixo para depois ganhar o valor da reciclagem mas seria confortante perceber que o custo de não reciclar é bem maior do que o de sermos os nossos próprios lixeiros."
Texto completo aqui.
Continua...

Posted by Rui at 09:36 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 23, 2003

Sociedade Ponto Verde / Reciclagem

Tenho em carteira dois contributos sobre o tema do título. É um tema a que recorrentemente tenho dado destaque no Adufe. Assim que puder fazer uma resenha da discussão passada (e espaçada) apresentarei essas contribuições que recebi por mail. Parece-me que a nova casa me trouxe também novas visitas, leitores diferentes, pelo que para retomar o tema prefiro repetir um pouco a história. Em breve...

Posted by Rui at 12:33 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 15, 2003

Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Não há nada como estar sempre disposto a aprender... No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

"Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam "nada", zero. Porque os outros 38% alguns separam "alguma coisa" e mesmo muito poucos separam "mesmo". Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a "culpa" o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais "outras razões".

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, < ou > 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do "prémio aos pais". Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em "regime de free-lance". Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um "negócio de escala", quer dizer que só com grandes quantidades de "lixo" separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.

E ainda há a questão do lucro. O "negócio" da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto "vasilhame com depósito" ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho."

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

"Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do "Ligeirinho" cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).
"

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio.

Posted by Rui at 12:48 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 09, 2003

A Reciclagem II - (mega post – um pouco mais 1000 palavras!)

Correndo o risco e tendo bem presente que "Se não receio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo" cá vai disto.

«Reciclagem em balanço: SPV recicla 116 mil toneladas, mas...
62% dos Portugueses ainda não separam as embalagens usadas» in SPV

O Jornal de Negócios publica hoje dois artigos sobre as próximas novidades que envolvem a Sociedade Ponto Verde (SPV). Refere-se (1.) o processo de atribuição de uma nova licença de funcionamento como entidade dinamizadora da recolha selectiva e reciclagem em Portugal, bem como, (2.) as iniciativas práticas cuja implementação se adivinha para breve.

(1.) Quanto ao primeiro assunto o Jornal de Negócios adianta que:
A grande mudança na próxima fase de vida das SPV será ao nível da proporção entre as receitas por kg (que determina o valor de “ponto verde”) e os custos por kg (o valor da contrapartida). Apesar de ainda não estar definido o valor final que os embaladores passarão a pagar, a única certeza “é que é preciso aumentar este valor dramaticamente, ou então a SPV não é viável financeiramente”, explica Henrique Agostinho, salientendo que “apesar de sermos uma empresa não lucrativa precisamos de receitas para financiar a actividade a que nos propomos”.

Retomando a discussão a que aqui aludi num post anterior destaco que além da então referida taxa de saneamento básico, o custo directo do nosso lixo é já em certa proporção pago no acto da compra. A SPV conclui agora que se paga pouco. Porquê?
Conhecer as razões que fundamentam esta conclusão seria muito útil. Julgo adivinhas uma delas no próprio artigo do jornal. O actual dirigente da SPV aponta que será muito difícil, atendendo – depreendo - à dimensão do nosso mercado, que surja um concorrente neste mercado pois é uma actividade que depende da “escala e que não dá lucros”. Quando fala de escala fico com uma dúvida que julgo determinante: a escala a que se refere é potencial (produção máxima de lixo se todos reciclássemos) ou a real do momento (produção histórica recente de lixo separado para reciclagem)? Atendendo à necessidade de se aumentar a taxa que reverte para a SPV para assegurar a sua viabilidade, presumo que a quantidade de lixo recolhida – e que sabemos ser apenas uma pequena fracção do “disponível” – é insuficiente para o eficiente funcionamento do sistema de que a SPV é parte. O problema da pouca eficácia na recolha é, portanto, premente e as suas consequências estão patentes no aumento do preço.

Quanto ao facto da actividade de uma empresa como a SPV não dar lucros já é outra conversa, depende seguramente da tal valorização do lixo de que falei no outro post; do seu tratamento; do enquadramento legal criado, e da própria definição de lucro que adoptamos. Na matéria em apreço, o lucro empresarial puro e duro não é determinante e se calhar nem é desejável. Mas este ponto ficará para outra ocasião.

Resumindo, depreende-se que a capacidade instalada suporta volumes muito maiores de lixo separado devendo registar maior eficiência - ser mais barato tratar cada quilograma de lixo - se "vencermos" a batalha da reciclagem.

Note-se que no post anterior em que falei deste assunto me esqueci que havia uma componente do preço dos produtos justificada pela reciclagem da embalagem. Mas quantos se lembram desse facto quando vão às compras? Qual é a percentagem do preço afecta a esse fim? Quando a contribuição para a SPV aumentar, o mais provável é que ninguém se aperceba disso não estabelecendo uma relação entre o comportamento da sociedade face à reciclagem e o impacto no seu bolso. O preço que poderia ser também visto e publicitado como o custo que de facto é, surge escondido à boa moda de um imposto indirecto plenamente inapto para ser entendido e dominado pelo comum dos mortais. Aumenta-se o preço, não para condicionar as opções do consumidor no sentido de que este se aperceba que está a comprar um bem cujo interesse não se esgota no seu consumo, mas apenas com o objectivo de garantir o saneamento da empresa SPV.

(2.) Como escrevi no início, o Jornal de Negócio foca ainda o aspecto prático da SPV anunciando as próximas medidas:

Até ao final do ano, os consumidores vão encontrar os baldes para a separação de lixo doméstico à venda em todos os supermercados, sob a chancela da Sociedade Ponto Verde (SPV). Com um custo aproximado de 10 euros por unidade, os novos ecopontos domésticos da SPV são fabricados pela Plastival – associação de recicladores de plásticos, accionistas indirectos da SPV. Em paralelo, a SPV está a trabalhar no lançamento de sacos de cores diferenciadas “cujo objectivo é fazer com as pessoas que têm condutas, não tenham de acumular o lixo em casa, separado, à espera para despejar nos dias previstos”, adianta Henrique Agostinho.
A SPV vai ainda avançar com um projecto especial com as escolas primárias, cujo objectivo é envolver as crianças e os pais. Para já, o projecto vai ser desenvolvido nas regiões de Leiria e Viseu. As crianças vão ser estimuladas a levar o lixo separado para os ecopontos que estão junto das escolas. Cada ecoponto vale pontos que dão direito a prémios. A ideia da SPV é despertar os miúdos para a reciclagem e ensiná-los a separar o lixo, de maneira a que se torne um hábito. “E assim, também os pais são envolvidos”, acrescenta.

Tudo isto me parece muito bem mas continuo a ter sérias dúvidas da eficácia destas medidas em contribuírem para um aumento rápido do volume de lixo que entra no processo de reciclagem. Porque não dar também um prémio aos “pais” quando estes reciclam? Um prémio permanente. No fundo, os consumidores iriam reaver, caso reciclassem, uma caução que seria parte da taxa paga no acto da compra da embalagem. Tudo seria mais fácil independentemente do nível de consciencialização de cada um.
Ao contrário, pede-se que se pague voluntariamente um novo caixote do lixo, novos sacos… Se as campanhas de sensibilização forem bem sucedidas tudo bem, mas não tem sido essa a experiência passada.

A única esperança que tenho de que algo de novo e substancial possa surgir com as alterações referidas nas notícias do Jornal de Negócios é que o aumento da taxa Ponto Verde sobre as embalagens não retornáveis – juntamente com mais umas eventuais achegas do legislador - torne apetecível para o embalador fabricar embalagens retornáveis, um conceito mais ambicioso de reciclagem. Onde o princípio de “prémio” ao agente que liga a produção/consumo à reciclagem está presente.

Posted by Rui at 09:13 AM | Comments (3) | TrackBack

setembro 03, 2003

O outro défice

O outro défice
ou
Por que raio hei-de pôr o lixo no Eco-Ponto?

Os produtos reciclados tem valor económico directo – são matéria prima para fazer papel reciclado, vidro, metal, combustível, etc - além de um valor dificilmente quantificado pelos prejuízos que se evitam pelo seu processamento (mais) eficiente.
Mas quem quantifica esta última parcela do custo sabendo que a unidade de medida tem de ser monetária? Este passo é fundamental para implementar o princípio do poluidor-pagador por exemplo… Aparte o apoio técnico que um grupo de engenheiros, economistas e afins pudessem dar, a tarefa no final é iminentemente política. E como sabemos há quem faça escola no governo de grandes países (grandes poluidores) em desprezar esse custo na factura da administração do planeta. O paradigma mais popular desta opção política é sem dúvida o presidente dos Estados Unidos da América mas tem muita companhia. Provavelmente para estes lideres o valor económico directo é desprezável (quando comparado com o apurado na produção de futuro lixo) e o “indirecto” não se enquadra nas premissas dos estabilizadores automáticos providenciados pela estreita lógica de omnipotência do mercado.

Ora bem, pagar já nós pagamos, quer directamente (através da taxa de saneamento básico de cada Câmara, através dos impostos), quer indirectamente (cof cof, infecções, cancros, intoxicações, perda de beleza do meio ambiente, etc, etc) e ainda assim o problema não se resolve, agrava-se. Em Portugal, dizem as estatísticas, o número daqueles que recicla é mínimo… Mesmo com democracia, mesmo com o mercado a funcionar. Algo está a falhar…
De certeza que há solução, ou mesmo soluções…
A indústria da reciclagem já existe, mas o bem lixo não respeita (ou parece não respeitar) as premissas de uma qualquer matéria prima. Este é oferecido, não sem esforço, por quem o produz a um intermediário que o vende. Quanto vale um quilo de papel, um litro de óleo alimentar queimado?…
Sem pensar o estado destas coisas, o que poderíamos fazer para resolver as falhas?
Por exemplo, pagar ainda mais de taxa resolve o problema do não processamento para reciclagem? Que certeza temos em que um aumento na taxa municipal me vai estimular a separar o lixo? Se o vizinho não reciclar a taxa sobe na mesma… Não identifico uma relação directa, tenho de racionalizar a coisa e muitos de nós não estamos para isso, limitamo-nos à sensibilidade imediata para avaliarmos e escolhermos as nossas rotinas do dia-a-dia.

Uma amiga meio a brincar, meio a sério disse-me que se recusava separar gratuitamente o lixo e posteriormente colocá-lo no respectivo ponto de recolha a custo zero. “Não há gajos que ganham dinheiro com o meu lixo? Se me pagassem uma parte do seu valor eu investia tempo e dedicação em seleccionar, acondicionar e entregar o lixo. Porque o meu lixo tem retorno, como pode ter retorno a garrafa e algumas outras embalagens”. Ainda argumentei “Então e a tua preocupação com o meio ambiente, esse seria um teu contributo activo para teres um mundo melhor”…. Está bom de ver que a moça me atirou à cara o vizinho free rider que dá cabo do esquema.

E de facto, pensando bem, porque não consideramos esta hipótese? Se além de campanhas de sensibilização (úteis para que todos percebamos o que está em jogo, que todos “lucramos” com a interiorização do princípio do não desperdício e nos consciencializamos dos custos do nosso lixo) houvesse uma retribuição equivalente a uma percentagem do valor directo do lixo depositado talvez fosse mais fácil e seguro derrotar as lixeiras e reduzir a pressão sobre o planeta. Seguramente que não seria lucrativo produzir lixo para depois ganhar o valor da reciclagem mas seria confortante perceber que o custo de não reciclar é bem maior do que o de sermos os nossos próprios lixeiros.

Posted by Rui at 08:46 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 08, 2003

O frango e a galinha

Há dias vi apresentarem num documentário (National Geographic?) o "frango do mar"; referiam-se aos salmões de aquicultura.
Fiquei impressionado com os risco que as mal reguladas indústrias de aquicultura representam para a preservação das espécies selvagens - biodiversidade - e para a saúde humana. De panaceia ou mesmo solução para a sobrepesca, os ambientalistas passaram a encarar esta indústria com olhos mais preocupados. Os viveiros apresentam-se como geradores de novas doenças, promovem a degradação das espécies selvagens pelos cruzamentos acidentais entre indivíduos "domesticados" e os outros endurecidos e preparados pela selecção natural... E os métodos científicos de engorda e embelezamento (o salmão quer-se rosado, certo?) podem conter aditivos pouco saudáveis para os humanos. Onde é que já ouvimos esta histório? A era da inocência quanto à aquicultura terminou.
Enfim, a conclusão que retirei é que há muito para fazer numa indústria nova e com potencialidades interessantes. Mas tudo é mais complexo e merecedor de cautelas do que inicialmente se pensava. Fiquei-me também como "frango" do mar na cabeça...
Se o salmão é o frango, então as douradas são os patos de aviários marítimos e por aí adiante até esgotarmos a crescente lista de espécies que são já criadas em cativeiro...
Agora o que eu não sabia é que já há muito tempo temos a "Galinha do mar". O nosso companheiro, camarada, amigo - escolha alegremente a que melhor convier que eu garanto boa conotação - da Oficina de Ideias apresentou-me a Tremelga. Um parente dos tubarões que muitas vezes serve para ir borda fora mas que na Caparica tem lugar reservado entre as melhores caldeiradas... Se for como a galinha do campo - a genuína - o tempo adicional de cozedura justifica a preferência ao frango! Fiquei com saudades de uma bela caldeirada!

Posted by Rui at 10:53 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 07, 2003

Ar fresco!!!!

A Francisco Amaral não se deve importar, tem lá tantas no blogue dele!

Acabei de chegar a casa... Abri a torneira e ia-me escaldando... Os legumes cozidos para acompanhar o salmão grelhado vão ficar de molho no lava loiças. Mais uns minutinho e devem estar no ponto!

Posted by Rui at 10:49 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 05, 2003

Terra de fogo - From Nasa

Nua, só com um véu...

Posted by Rui at 07:53 PM | Comments (0) | TrackBack

Ladino o Pardal

Enquanto houver milho em Portugal...

Haverá sempre torgas nas serranias!

Posted by Rui at 07:39 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 04, 2003

Agronomia popular aprendida nos pinhais da Benquerença... (não é sobre fogos, prometo)

Há zonas do país onde a floresta é uma indústria na qual participam grandes e pequenos proprietários todos conscientes do que fazem. Tomemos o exemplo do pinheiro. No acto da venda a árvore é valorizada individualmente regateando-se o preço. A árvore tanto pode valer 10 como 40 euros dependendo do porte, cubicagem, etc. Noutras zonas, a esperteza de uns e a sandice dos outros levam um pinhal a ser vendido a olho, por atacado, sem que se saiba sequer quantas árvores de vendem. Não é raro com uma venda desaparecerem no camião do madeireiro o pinhal vendido e os vizinhos. Os proprietários vitimizados são muitas vezes idosos, pouco sabedores de como funciona o resto do negócio ou então (no caso dos integralmente roubados) estão ausentes, são herdeiros de um país que não podem cuidar. Às leis do mercado faltam aqui algumas premissas básicas para que funcione eficientemente…
Voltemos ao pinho. É plantado de raiz segundos leis da geometria agronómica ou, então, mais artesanalmente, é seleccionado caso nasça após um abate das antigas árvores que largaram pinhões. Todos os anos o pinheiro cresce e é conveniente moldar a árvore aos intentos. Tratando-se de um pinheiro bravo, bom para lenha, mobiliário ou pasta de papel, leva-se a árvore ao “ginásio” cortando os galhos mais baixos, canalizando forças para que cresça em altura e em diâmetro.
No início, quando a sua sombra não impede o sol de alimentar outros arbustos, é importante derrubar giestas, carapeteiros, urzes e estevas. Ao fim de poucos anos, esses concorrentes deixam de ser preocupação, o sol escasseia por debaixo e o pinhal consegue-se manter limpo com pouco esforço, a coberto do risco de pequenos fogos. Sobram as pinhas e a caruma que em muitos casos são fonte de rendimento e causa de cobiça; basta que para tal não seja muito penoso o passeio entre a lareira e o pinhal. Dependendo da terra, da qualidade dos genes, da densidade das árvores, do clima e outros que tais, em 20 e poucos anos podemos ter um belo pinhal pronto para abate e nova cultura, de pinheiros ou outras árvores.
O interior que eu conheço melhor é o do exemplo dos espertos e dos ensandecidos. Poucos há para cuidarem da serra porque poucos há com força para erguerem um malho ou controlarem uma moto serra. Entre os que sobram, os que não emigraram e a prole que resta, parece grassar uma fobia serôdia de trabalhar no campo. Estamos num beco sem saída, aparentemente, nem os ucrânianos nos valem.
Os pinhais vão ficando ao abandono. Se assim falo dos pinhais é porque dos soutos ou carvalheiras já pouca história conheci. Um sobreiro aqui um azinheira ali. Entre doenças e vistas curtas os Quercus são quase só monumentos em ruínas do esplendor de outrora. Nas serranias onde o granito e o xisto não surgem descobertos de terra, dominam as resinosas e os outros, os perfumados da Austrália. O eucaliptal das grandes celuloses que vai enchendo as serras (ordenado, desertificando) surge como único exemplo algo perturbador de uma ligação cada vez mais distante entre o homem da raia e a floresta.

P.S.: Há alguns anos que se fala de uma reforma do imposto sobre prédio rústicos. Espero que o Estado esteja em condições de assumir a propriedade de largos milhares de hectares de terra e que tenha, depois, vocação de povoador, pois nesta zona que melhor conheço, ganharia não o imposto mas a terra.

Posted by Rui at 07:35 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 01, 2003

42º em Lisboa

Estamos a 1º de bater o recorde histórico de 1981 informa a Protecção Civil...
E quando falamos em 42º a referência não é a baixa da cidade é a estação meteorológica do INMG ali para o lado do aeroporto.

Posted by Rui at 07:16 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 30, 2003

Até de noite...

Imagem do Incêndio
Foto de António José/Lusa

Cheira a madeira queimada na noite de Lisboa.

Posted by Rui at 06:49 PM | Comments (0) | TrackBack

Está confirmado... Hoje respira-se rezina...

«Durante as primeiras horas do dia o vento soprou do quadrante Leste, o que contribuiu para transportar os fumos dos incêndios activos a norte de Lisboa para a região da capital.» in TSF-Online

Posted by Rui at 06:46 PM | Comments (0) | TrackBack

Hoje nem a manhã se safa...


Canícula...smog...a bruma de Hades... Quero um céu azul só para mim.
Na cidade carburamos entre velas, êmbolos e pistons... O pinhal desaparece. Tenho medo das férias... de passar pela A23 e ver o day after do incêndio.
Não consigo o distanciamento que os Marretas já uma vez me relataram face aos fogos que vêm ao passar no comboio ou no automóvel pelas terras da Beira Baixa.



De facto, se fossemos inocentes não haveria blogues caro Abrupto (ma non tropo)...

Se a Norma Jean tivesse tido um blog teria chegado aos sessenta?

Posted by Rui at 06:43 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 26, 2003

Afinal ainda cá volto...(e com um boneco!)

Então não é que o concelho de Penamacor - um dos mais pobres da nação admita-se - vai entrar na rede da economias renováveis?!
Andava vagueando pela net em busca outros benqueridos - é assim que se chamam os lá da tera :)) - e dou com este atraente Portal das Energias Renováveis da empresa Enerlink e por lá se diz a páginas tantas que:

Parque eólico vai avançar
Penamacor Energia Arranque da construção do equipamento está previsto para 2004 Presidente da Câmara diz que a economia da região vai beneficiar a vários níveis, como a criação de emprego.

Deverá arrancar já no próximo ano a construção do parque eólico de Penamacor. Com um total de 35 aerogeradores, o parque vai nascer numa cordilheira entre Penamacor, Meimoa e Benquerença e será ligado à rede eléctrica nacional na subestação de Ferro, já no vizinho concelho da Covilhã.

Quem se interessa por este assunto encontrará nestas páginas extensa informação que me parece estar actualizada.
Agora é que é. Vou para a terra dos sonhos (não um blog com este nome?).

Posted by Rui at 06:05 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 21, 2003

Portugal sem carros (act.)

Continuando a explorar esta interessante página, www.carfree.com , [ ver post a baixo] encontro dados por paí­s, identificando sí­tios onde a decisão polí­tica vedou o acesso aos automóveis.
E que referências temos ao nosso Portugal?
Na página Carfree Places identificam-se oito cidades com algum tipo de espaço ganho aos automóveis.
O maior detaque vai para Óbidos com uma classificação mais avançada fruto das grandes limitações ao trânsito automóvel no interior da cerca.

Também referenciadas nesta página temos:
- A Baixa de Lisboa (Rua Augusta)
- Os centros históricos de Santarém, Évora, Faro, Tavira, Coimbra e Viseu.

De memória, consigo já identificar algumas lacunas (Vila Real por exemplo). O que é certo é que temos muito que aprender com os nossos vizinhos. Com Marrocos por exemplo. São várias as medinas com acesso reservado a peões e transportes públicos...
Temos de nos habituar a uma cidade diferente e exigi-la.

Posted by Rui at 04:58 PM | Comments (0) | TrackBack

Veneza


Andava eu numa pesquisa na net e, completamente a despropósito, surge-me uma página curiosa com dicas para combater o domínio do automóvel no interior dos centros urbanos. A página é muito light, vai apresentando, com corzinhas e lindos bonecos, exemplos que visam atrair-nos para as vantagens do projecto. Uma alternativa interessante aos geralmente maçudos e encriptados trabalhos dos académicos...
Tem substrato.

Posted by Rui at 04:57 PM | Comments (1) | TrackBack

Sem carros

Qual é a maior cidade de mundo onde é completamente interdito o trânsito automóvel?

Posted by Rui at 04:51 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 15, 2003

La verdad del Prestige?


A internet é de facto um meio cheio de virtudes.
Eis um cativante contributo para que não morra tão cedo a discussão sobre "as verdades" que envolvem alguns casos que nos atormentaram e que não ficaram bem esclarecidos no curto tempo em que tiveram direito à ribalta.
Na Espanha a discussão continua...

Vamos treinar o castellano? Ora espreitem esta animação:

http://www.milinkito.com/prestige/prestige.html

Posted by Rui at 03:42 PM | Comments (0) | TrackBack