outubro 12, 2004

As palavras dos outros (act.)

Talvez fosse melhor investigar um pouco mais...

Luís Salgado Matos, Investigador de Ciências Políticas, no Público de hoje [4 de Outubro]:

Lemos no Público de quarta-feira passada: «A ideia do (Ministro das Finanças) é 'abrandar' as regras do sigilo bancário e tornar públicas as declarações de rendimentos dos contribuintes». Esta publicitação daria a Portugal um regime único no mundo.

(...)
Em nenhum país, porém, o fim do sigilo fiscal significou a publicidade das declarações do imposto pessoal de rendimento

Só que não é verdade. Existe pelo menos uma terra em que qualquer cidadão residente pode pedir informações sobre os rendimentos declarados de outros residentes junto dos balcões das repartições de impostos. Se julgam que falo da Finlândia estão absolutamente correctos. Penso até que não será caso único. E macacos me mordam se a Finlândia não é país independente desde 1917.
Lá para Março ou Abril os tablóides publicarão os rankings daqueles que mais rendimentos declararam em 2004. Listas absolutas, listas por sectores de actividade, listas por áreas geográficas. Tudo tendo por base os dados do Vero (impostos).

in Fennia - Sob a Estrela do Norte

E ainda:

"(...) A Noruega é outro dos países onde existe publicidade dos rendimentos declarados e o Paulo informa que as listas saíram (presumo que nos tablóides) na semana passada. Pessoalmente se nada tenho contra o acesso de outros à informação não me agrada ver estas listas publicadas em jornais para consumo voyeur. Proponha até uma pequena alteração que me parece da mais elementar reciprocidade: que cada cidadão assista o direito de saber quem consultou a sua declaração de impostos. Parece-me justo."
in Fennia - Sob a Estrela do Norte.

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outubro 06, 2004

Going down

Indicador de Clima interrompe recuperação. Indicador de confiança dos consumidores regista evolução marginalmente negativa

Em Setembro, o Indicador de Clima interrompeu a tendência favorável que vinha registando nos últimos meses. Este mês a evolução do Indicador ficou a dever-se aos contributos negativos da Indústria e dos Serviços que conseguiram suplantar os comportamentos registados no Comércio e na Construção.
O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma evolução marginalmente desfavorável interrompendo o movimento ascendente iniciado em Maio do corrente ano.

in INE

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setembro 28, 2004

Record de preço

Já repararam que as energias renováveis estão mais rentáveis a cada dia que passa?
Os prazos de retorno de investimento nesse tipo de energia (solar, eólica, etc) diminuem a cada nova subida do preço do petróleo.
Uma maravilha.

Posted by Rui at 12:57 PM | Comments (0) | TrackBack

Eu pobre? Eu até vou à bola! (act.)

Haverá utilidade em saber em termos estatísticos quantas famílias portuguesas têm água canalizada, casa de banho, aquecimento, sistema de esgotos, cozinha, máquina de lavar roupa, televisão, rádio, automóvel, frigorífico, acesso a cuidados de saúde, acesso a meios de ensino, acesso à justiça, nível de instrução, emprego, posse da residência, capacidade de fazer face aos encargos da água, electricidade, renda, gás, salubridade no meio em que residem (poluição), sensação de perigo (risco associados à violência), capacidade mínima de comer uma refeição de carne ou peixe dia sim dia não?

Para mim há e uma família que se verifique estar em privação destes ou da maioria destes indicadores (e de outros que em 30 segundos não me ocorrem) e ainda em cima disto tem um nível de rendimento corrente inferior ao dos restantes 60% dos portugueses levanta-me a fortíssima suspeita de estar numa situação de pobreza extrema. E então se estiver abaixo dos 50% ou dos 40% ainda pior...

No nosso caso nacional acresce que também me parece que o simples facto de se ter um rendimento corrente inferior a 60% da mediana (e particularmente se isto ocorrer num mesmo agregado familiar de forma continuada no tempo) já é fonte de preocupação e muito provavelmente estará associado a um outro indicador: a incapacidade de fazer face aos encargos familiares contraídos ao longo de um mês. Digamos que não estamos propriamente no Luxemburgo e receber menos de 60% do rendimento mediano é por si só um bom indicador de aproximação a situações de pobreza porque estará muito mais próximo de um nível de indigência (um "tipo de pobreza" de que quase só africanos, asiáticos e especialmente americanos têm tido coragem de falar mas que também há por cá).

É claro que isto para o Jaquinzinhos deve ser uma anacletíce.
Podemos discutir como encarar a pobreza mas quanto ao resto...
Só não vê o país que tem quem não quer ver, caro amigo, e um rendimentozinho mínimo garantido pode fazer toda a diferença para muito boa gente.
Talvez a nossa diferença aí seja outra: se em 100 houver 10 falhas na atribuição do rendimento eu olho feliz, para quão melhor estão os 90.; você só verá o desperdício do investimento nos 10 e enquanto advoga (?) outras soluções vai-se perdendo muito compatriota. Primeiro o penso rápido e os paleativos depois a profilaxia do mal.
A este nível se eu deitar para o lixo 4 milhões em 40 e se com isso eu vir a proporção de portugueses abaixo deste limiar abstracto de pobreza diminuir, dou o dinheiro por muito bem empregue. Mas isto, como disse, até já é outra questão.
Resta primordial, sempre, o problema de querer ver a pobreza.

Posted by Rui at 10:45 AM | Comments (3) | TrackBack

setembro 21, 2004

Silva Lopes

Directo para o arquivo do Adufe.
Um manual de interpelações a candidatos ao poder político.

Entrevista com Silva Lopes: Não Se Vê Nada Que nos Possa Ajudar a Sair da Recessão
Por JOSÉ MANUEL FERNANDES E GRAÇA FRANCO (RR), fotos de Miguel Madeira
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004

Economista, ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal, um dos homens que entre 74 e 77 evitaram que o país entrasse em bancarrota, Silva Lopes é hoje presidente do Montepio Geral. É uma das vozes mais respeitadas entre os economistas portugueses e as suas opiniões são conhecidas - e temidas - pela sua independência e frontalidade. Durante perto de uma hora, foi com que vamos conversámos para o programa "Diga Lá Excelência", do PÚBLICO e da Rádio Renascença e com transmissão na "Dois".

P. - Nos últimos oito anos o nosso PIB per capita aproximou-se dois pontos da média europeia (passou de 73 para 75 porcento da média da UE). Entretanto a Espanha e a Grécia avançaram oito pontos e a Irlanda aumentou 32 pontos. O que explica este nosso fracasso relativo?
R. - Porque desde a década de 60 que o ritmo de crescimento da economia portuguesa tem vindo a baixar. Essa década foi a década de ouro - nunca desde D. Afonso Henriques tínhamos crescido tanto.

P. - Mas esse período também foi um período de ouro da economia europeia...
R. - É verdade, mas nós crescemos mais. Aliás, nos últimos 50 anos, tirando a Irlanda, nenhum país cresceu tanto como nós. O problema é que o ritmo de crescimento tem vindo a descer. A economia tem perspectivas de evolução a longo prazo mas também tem períodos de cíclicos de crises - em Portugal temos tido crises mais ou menos de dez em dez anos e a que acabamos de viver foi mesmo a segunda pior dos últimos 50 anos. Mas depois das crises vem regra geral um período de crescimento mais forte. Ora o problema é que se saímos crise de 82/84 quando os preços do petróleo baixaram e de 93/94 por causa da baixa das taxas de juro, desta vez não se vê nada que nos possa ajudar a sair da recessão.

P. - Para este ano já se prevê algum crescimento, na casa de um por cento, em boa parte atribuível ao Euro 2004 - o que é irrepetível - e, para mais deverá ser um crescimento baseado no consumo...
R. - Ora esse é que é o problema. Se tivéssemos crescido porque aumentou a nossa capacidade produtiva e a nossa capacidade competitiva, estávamos no bom caminho. Mas olhando para o melhor trimestre, o segundo trimestre que foi o do Euro, o que vemos é que tivemos um crescimento do PIB de 1,5 por cento e dos gastos de 2,7. Esta diferença de 1,2 por cento significa endividamento externo.

P. - Foi desperdício? Ou foi investimento?
R. - Há muito investimento que é desperdício. Já não quero falar da estafada questão dos estádios, mas há, por exemplo, no centro do país, três grandes hospitais à distância de 40 km uns dos outros apenas porque cada cidade queria o seu hospital.

P. - Está a falar de investimentos públicos. E no investimento privado também não há desperdício?
R. - Claro que há. E posso dar um exemplo: neste momento as famílias portuguesas são, em toda a Europa, as que têm mais casas secundárias, o que não deixa de ser estranho quando somos os mais pobres. Ora interrogo-me se comprar casas secundárias para as utilizar poucos dias por ano será o mais racional. Bem sei que é uma escolha dos consumidores, mas...

P. - ...continuamos a ter de crescer. O ministro das Finanças veio dizer ao país que acabou a obsessão com o défice e que a prioridade vai ser o crescimento. O que é um Governo pode fazer para estimular o crescimento?
R. - Quando falamos em crescimento podemos olhar para o gasto ou podemos olhar para o aumento da capacidade concorrencial. Quando aumentamos o gasto, empurramos o crescimento do PIB porque isso põe dinheiro no bolso das pessoas e estas podem comprar mais serviços. Mas há um problema: é que se a maioria desse gasto estimula a produção interna, boa parte dele vai para novas importações.

P. - No primeiro semestre deste ano o saldo comercial com o estrangeiro já se agravou em 20 por cento...
R. - Exactamente. A curto prazo, aumentando um pouco o endividamento, podemos sustentar assim o crescimento. A longo prazo é que não: não podemos viver assim sempre, temos de desenvolver capacidade produtiva. Ora aí as coisas correm mal.

P. - Mas esse é um dilema de todo o mundo desenvolvido, que está a perder capacidade produtiva para outras economias. A França, a Alemanha, os Estados Unidos...
R. - Pois é, e agora é que podem falar de meu pessimismo. O Mundo está provavelmente perante uma ameaça como nunca houve: a ameaça da China e da Índia.

P. - O Mundo ou o Ocidente?
R. - O Ocidente, claro, para eles tem sido bom mas também correm alguns riscos. Veja que os chineses, em meu entender, como recebem em dólares que vão acabar por se desvalorizar as suas exportações para os Estados Unidos, em parte não estão a vender, estão a oferecer. Isto para além de financiarem a colossal dívida dos EUA. Claro que isso pode durar muitos anos, e já li economistas americanos que defendem que falam em 20 ou 30 anos porque os chineses têm interesse em criar uma base industrial e em atrair investimento estrangeiro e novas tecnologias.

P. - Ora é essa base industrial que a Alemanha tem dificuldades em manter e Portugal não consegue construir...
R. - O problema é que a China vai roubar isto tudo. Vejam os têxteis, mas vejam também as empresas informáticas, as de metalomecânica... Isto é um choque de comércio livre como o Mundo não teve até agora. Como todos os economistas sou a favor do comércio livre, mas o que se passa é brutal.

P. - Mesmo que fosse contra o comércio livre haveria alguma coisa que pudesse fazer contra ele?
R. - Podia voltar ao proteccionismo, mas seria um desastre.

P. - Ainda esta semana, no "Washington Post", um economista com o renome de Samuelson, dizia que os governos têm muito poucos instrumentos para influenciarem o crescimento...
R. - É verdade, porque os Governos abdicaram desses instrumentos, mas podem voltar a tê-los. Se é verdade que o proteccionismo seria mau, também é verdade que há diferenças entre as aproximações mais liberais e as mais intervencionistas. Eu, por exemplo, não compreendo que o Mundo tolere os paraísos fiscais. E não haver mais colaboração fiscal está a dar cabo do Mundo inteiro.

P. - Mas até a própria Europa tolera que um dos seus membros seja um paraíso fiscal, o Luxemburgo...
R. - Pela simples razão que o dinheiro que não vai para o Luxemburgo vai para as ilhas Caimão ou para a Suíça. Portanto, teremos problemas enquanto não se acabar a sério com os paraísos fiscais, o que não está na mão de Portugal, talvez estivesse um pouco na mão da Europa, mas ainda faltam os Estados Unidos. E no G7, onde isso se poderia resolver, a verdade é que vários países se mostram interessados na sua manutenção, talvez por causa da influência política daqueles que deles beneficiam.


Só as Empresas Abertas à Concorrência Internacional Deviam Receber Incentivos
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004

Sem apresentar uma receita para o crescimento, Silva Lopes sublinha a necessidade de haver mais concorrência e considera que o peso dos salários dos funcionários públicos é excessivo e estes gozam de privilégios socialmente injustos face aos do sector privado.

P. - Bagão Félix disse que pretende reduzir os benefícios fiscais que a banca, por exemplo, tira dos "off-shore". Como é que vai conseguir fazer isso?
R. - Não conheço bem os pormenores jurídicos, não sei como é que se resolve o problema, e reconheço que se os bancos deixarem de beneficiar da zona franca da Madeira podem levar o dinheiro para outros paraísos fiscais. Daí que esteja de acordo com o objectivo do ministro mas tenha algumas dúvidas sobre como é que vai conseguir concretizá-lo. Há casos que não se resolvem sem ser à escala mundial... E o resultado é que na prática não temos soberania fiscal, o que é muito grave porque pode faltar dinheiro para sustentar o estado de bem-estar.

P. - Mesmo sem a total soberania fiscal, que modos há de fomentar o crescimento?
R. - Esse tema é fundamental se pensarmos que, tomando períodos que diluam os ciclos recessivos, o nosso crescimento passou de 6,4 por cento na década de 60 para 1,9 nos últimos quatro anos e tem vindo sempre a descer. Ora 1,9 por cento já é abaixo da média europeia. Todos os anos os economistas escrevem milhares de páginas sobre as causas do crescimento e a verdade é que não sabemos muito bem quais são. Muitos falam de investir ou de fomentar o investimento, nomeadamente em algumas áreas...

P. - Isso seria o tal "Estado estratega"?
R. - Não sei, até porque as ideias clássicas de que podia favorecer, ou apostar, na indústria química, ou nos têxteis, isto é, ter uma política industrial, estão hoje em desuso porque se percebeu que o Estado não tem capacidade para saber quais são os sectores de futuro. Mesmo assim há incentivos que se podem dar, no quadro da UE, mas só os daria a sectores abertos à concorrência externa. Os que têm o mercado interno garantido não levariam incentivos nenhuns. Infelizmente conceder esses incentivos não é fácil e mesmo se o sector industrial até beneficiou do PEDIP isso não impediu que o nos está a suceder.

P. - Porque estamos a ficar sem indústria?
R. - Estamos. Se desaparecesse o têxtil e o calçado e aparecessem coisas na área das tecnologias, seria óptimo. Só que isso não sucede. E porquê? Em parte por causa da China, da Índia, dos países de Leste que atraem os grandes investimentos, mas também porque os grandes grupos económicos, quase todos, trocaram a indústria pelos bancos, pelos centros comerciais, pelo imobiliário. Também por isso é que era contra a política de baixar o IRC - que o anterior Governo defendia e este parece que já não, e ainda bem - porque isso iria poupar sobretudo os bancos, a Portugal Telecom, a EDP, que podem pagar muito mais impostos do que pagam.

P. - São empresas que, à excepção dos bancos, não estão sujeitas a verdadeira concorrência.
R. - Claro, e o problema é que os governos têm protegido isso. Porque é que não se liberalizou o mercado do gás e vendemos gás 50 por cento mais caro do que Espanha? Para além de que em sectores formalmente liberalizados, como as telecomunicações, não há verdadeira concorrência. Os reguladores parecem estar mais interessados na saúde das empresas do que nos interesses dos consumidores. É por isso que costumo dizer que o poder económico domina o poder político.

P. - Há ainda a autoridade da concorrência...
R. - Mais uma vez estou pessimista. Ela até pode tentar fazer o melhor serviço, mas a verdade é que não tem poder político - e isso não tem nada ver com as pessoas que lá estão, que podem ser as melhores.

P. - E isso é porque os "lobbies" estão dentro do Estado, como já tem dito, mas porque o poder político quer estar bem com os grupos económicos?
R. - O que verifico é que governos, sejam do PS ou do PSD, tem querido estar bem com os grupos económicos.

P. - Que vantagem é que isso lhes traz?
R. - Pergunte-lhes a eles. Mas sendo assim não há concorrência a sério. Veja, por exemplo, o que se passa com a Associação Nacional de Farmácias. Alguém compreende que alguns medicamentos de venda livre não possam ser vendidos fora das farmácias? Isto é um problema de poder e o mesmo sucede noutros países.

P. - Já disse que os grupos económicos têm hoje mais poder do que no tempo do anterior regime, mas também tem dito que os sindicatos da administração pública são um "lobby" muito poderoso...
R. - Os sindicatos da administração pública, das empresas públicas e das monopolísticas são os mais perigosos. Veja o caso dos médicos: podem andar a fazer greves sempre porque não perdem o emprego. Já na indústria têxtil, onde a seguir ao 25 de Abril havia sindicatos muito poderosos, hoje ninguém os ouve, porque aí perceberam que para manter os empregos dos seus associados tinham de baixar as suas reivindicações. É isso que sucede nas empresas sujeitas à concorrência, onde não tenho nada contra os sindicatos, que se têm portado muito bem. Os da função pública, que têm as costas quentes, podem fazer o que muito bem entenderem.

P. - Isso não é transformar a função pública no bode expiatório de todos os males?
R. - Fui funcionário público grande parte da vida, conheci muito boa gente, mas há algo que não podemos escamotear: nós gastamos 15 por cento da riqueza nacional para pagar os salários da administração pública quando a média europeia é 10,4 por cento. É cinquenta por cento mais e temos dos piores serviços públicos. Por outro lado, para qualificações iguais os funcionários públicos ganham bastante mais do que os do sector privado. Aí uns 20 por cento a mais e ainda beneficiam de duas coisas muito importantes: um sistema de pensões muito mais favorável e que, no meu entender, tem de ser revisto, e segurança no emprego. São privilégios que, do ponto de vista da justiça social, são inaceitáveis. Esta situação não se pode manter, o país não pode suportar gastar 15 por cento da sua riqueza para ter maus serviços e suportar privilégios relativos quando não tem os serviços correspondentes. Isto não tem nada contra nenhum funcionário público, que os há muito bons.


Em Portugal Temos 30 por Cento de Professores a Mais
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004

P. - Tem dito que o estado do ensino é uma das suas preocupações fundamentais. Porquê?

R. - Primeiro, porque é um factor importante para o crescimento económico, apesar de não ser, nem de perto nem de longe, o único. Mas hoje considera-se internacionalmente que uma pessoa que não tem o 12º ano não serve muito para a vida activa. Ainda recentemente um empresário da construção civil me dizia que os seus empregados de Leste eram melhores do que os portugueses porque um indivíduo com o 12º ano arruma melhor os tijolos, organiza melhor o trabalho, do que alguém sem estudos. Nunca tinha pensado nisto...

P. - É porque têm mais ginástica de pensar...
R. - Exactamente. Ora, em Portugal, entre os 24 e os 65 anos, só 20 por cento dos portugueses têm o 12º ano - na Europa a média é 67 por cento. Até a Turquia está à nossa frente. E já não é só herança do passado: hoje mais de metade dos alunos não acabam o 12º ano e muitos nem sequer o básico. Assim nunca recuperaremos a "herança do passado" e nos aproximaremos da média europeia. Ora o que é que vai ser o país no futuro com uma população desta? Mais: se olharmos para a qualidade, os exames comparativos, os PISA, mostram que atrás de nós, nos países estudados, só ficam o México e o Luxemburgo, e este por causa da percentagem de imigrantes, muitos deles portugueses.

P. - É por investir pouco?
R. - Não. Nós já gastamos com a educação mais do que a média da OCDE. Temos 30 por cento de professores a mais em relação à média e as turmas mais pequenas dos 27 países comparados. Temos o menor número de aulas para os alunos e as menores cargas horárias para os professores. Por fim, sobretudo no fim da carreira, temos alguns dos professores primários mais bem pagos da Europa. Mais: nunca ninguém me explicou porque é que não há concursos verdadeiros para professores, porque é que se utilizam as notas das universidades venham, eles de uma escola boa e exigente ou de uma universidade manhosa e perdulária nas notas. Isto resolvia-se bem com um teste: porque é que não se resolve? E o que é que anda um aluno a fazer matemática no 10º ano se não teve aproveitamento no 8º e no 9º? Anda a fazer com que os seus colegas não aprendam como podiam aprender, porque o professor tem de se ocupar dele em vez de puxar pelos outros. Por fim, ainda se andam a formar mais professores quando não há lugar para eles, gasta-se o dinheiro todo com salários e não se compram computadores. É um desastre completo. Nem daqui a 30 ou 40 anos nos livramos dos erros que andamos a fazer hoje.

Os Benefícios Fiscais dos PPR Só Servem para Desviar as Poupanças de Umas Aplicações para Outras
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004

P. - É a favor de não se cumprir o défice, como parece que vai acontecer este ano?

R. - A realidade é que o défice tem de ser superior, e se não for é através de receitas extraordinárias. Estas têm uma vantagem: a União Europeia aceita essa batota, porque outros também a fazem, mas é uma ficção. Essas custam-nos dinheiro, são uma má solução, pelo que apoio integralmente o discurso do ministro. Se tivermos de apresentar um défice de cinco por cento que passe em Bruxelas, prefiro isso a um défice disfarçado com receitas extraordinárias.

P. - O que pensa então de Manuela Ferreira Leite?
R. - Que fez coisas muito positivas, pois conseguiu conter o crescimento da despesa pública, mas fê-lo numa base conjuntural, não estrutural. Congelou salários, mas não chegou a concretizar uma reestruturação da administração pública que evite a subida constante das despesas.

P. - E de Bagão Félix?
R. - Até agora, pelas intervenções da última semana, o que anunciou é muito positivo. Não sei se consegue levar por diante tudo, por causa do ciclo eleitoral, mas se conseguir será muito bom. De resto, a única coisa com que não concordo é com as taxas moderadoras, pois concordo com a redução dos benefícios fiscais.

P. - Mesmo com a retirada à classe média dos benefícios associados aos PPR, PPA, etc?
R. - Sim, se possível combinado, como ele disse, com algum ajustamento nos escalões do IRS. É também bom que o Governo tenha abandonado a ideia do choque fiscal e esteja a colocar a ênfase no IRS. Eu presido a uma instituição que faz PPR e se calhar não devia estar a dizer isto, mas os PPR não contribuem nada para a poupança nacional. Só servem para desviar as poupanças de umas aplicações para outras, para as que dão benefícios fiscais.

P. - E porque está contra as taxas moderadoras?
R. - Primeiro por questões ideológicas. Se bem que quando falo de salários possa parecer à direita, quando falo de modelo social europeu, não sou liberal. Mas também por razões práticas, nomeadamente por implicar recorrer às declarações de rendimento que, muitas vezes, são completamente falsas, o que agravaria mais a injustiça fiscal. Finalmente, porque os ricos vão pouco ao sistema nacional de saúde e esta medida acabaria por cair sobre a classe média, que já é a que paga mais impostos e agora também pagaria mais pela saúde. Isto para mim não é aceitável.

Posted by Rui at 12:02 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 17, 2004

One penny for your thoughts

Eu vou ali já venho.

Posted by Rui at 12:49 PM | Comments (2) | TrackBack

agosto 12, 2004

DÉFICE DA BALANÇA COMERCIAL AUMENTOU 25,8% ATÉ MAIO (corrigido)

Nos primeiros cinco meses de 2004, as variações homólogas registadas nas saídas (+3,5%) e nas entradas
(+10,0%) determinaram um aumento do défice da balança comercial de 25,8%.

NOTA PRÉVIA
(...) Refira-se ainda que devido a terem sido detectados problemas ao nível da informação anteriormente disponibilizada referente ao fluxo das
expedições (Comércio Intracomunitário), foram introduzidas as devidas correcções relativamente aos dois anos em observação.

in INE

*********

Note-se que esta revisão é mais importante em volume do que em termos relativos; a taxa de cobertura da balança comercial de 2003 (Janeiro a Maio) é revista em baixa (de 70,4% passa para 70,2%) como se pode ver pela comparação destes com estes dados. É possível que haja algum impacto nos dados do PIB a divulgar em Setembro. Veremos. Entretanto no próximo dia 17 temos os resultados definitivos do comércio internacional de 2003.

O dado mais significativo é, sem dúvida, a variação homóloga da balança comercial cujo défice até Maio aumenta mais de 25% contra o aumento de cerca de 16% calculado até Abril.
Tanto as exportações como as importações apresentam mais dinamismo, contudo, estas últimas têm crescido com maior intensidade (particularmente Combustíveis, Máquinas e Aparelhos, Veículos e Outros Materias de Transporte, Calçado e produtos Alimentares), daí o aumento do défice.
Isto é bom? É mau? It's hard to say...

Posted by Rui at 05:25 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 10, 2004

Fisco

Informatizar por aí na GLQL (Economia/Política)

Posted by Rui at 11:34 AM | Comments (0) | TrackBack

Amestrando

Ficar a trabalhar até estas horas para conseguir pintar o país às cores.

Um cluster para aqui, outro para ali... Confrontar k-means com método de ward... E se forem 7 ou 8 ou 9 clusters. Mais de noventa variáveis de síntese a conversar umas com as outras.
"Divirto-me" quase brincando ao cálculo combinatório com tantas variantes possíveis.
Mais seriamente, escolhem-se umas quantas variantes que se tenham revelado parcimoniosas quando confrontadas com algum conhecimento empírico e, por fim, olha-se para os bonecos, para os vários quadros coloridos, tudo para confirmar se há estabilidade na "regionalização" e parece haver. A dissertação compõe-se.
A luz ao fundo do tunel! "Ao fundo" de umas meias-férias que se avizinham entre os cristais líquidos do portátil e a paisagem bucólica do interior das Beiras.

O Prof. Daniel Bessa ainda me há-de explicar como é que chegou às suas 18 regiões em que compartimentou o país para implementar medidas específicas de política económica.

Posted by Rui at 03:31 AM | Comments (4) | TrackBack

agosto 04, 2004

Tendências de recuperação...

Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores
Julho de 2004

Indicador de clima e indicadores de confiança dos consumidores e dos serviços mantêm tendência de recuperação

Em Julho, o Indicador de Clima evoluiu favoravelmente. Com as indicações agora recolhidas e atendendo à revisão do valor apurado em Junho, registou-se a quinta recuperação consecutiva do indicador.
O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma melhoria em relação a Junho.
O indicador de confiança dos Serviços manteve a evolução recente, tendo recuperado face a igual período do ano anterior.

Fonte: INE para mais detalhes é saltar até aqui.

Posted by Rui at 11:12 AM | Comments (3) | TrackBack

julho 28, 2004

A Danone junta-se ao Sporting

A propósito da notícia relativa ao Artigo 35º temos mais um famoso a juntar-se à lista dos cumpridores de uma lei que não vai ser preciso cumprir:

Cobertura de prejuízos
Danone Portugal reduz capital em 7,09 milhões
A sociedade Danone International Brands Portugal – Produtos Alimentares vai reduzir o seu capital social em 7,09 milhões de euros, de forma a cobrir prejuízos no âmbito do artigo 35º do Código das Sociedade Comerciais, de acordo com anúncio hoje publicado.

in Jornal de Negócios

Posted by Rui at 05:20 PM | Comments (2) | TrackBack

Reforço nas intenções de investimento para 2004

1º Semestre de 2004
Reforço nas intenções de investimento para 2004

Os resultados do Inquérito ao Investimento de Abril de 2004 revelam uma melhoria das intenções de investimento para 2004 face ao previsto no segundo semestre do ano passado. As estimativas apontam para que em 2004 ocorra um reforço do valor da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial de 5,6%, uma taxa que representa uma revisão positiva face aos resultados do Inquérito de Outubro/Janeiro de 2003 (1,4%). Quanto ao investimento realizado em 2003, verificou-se também uma revisão da respectiva taxa de variação, passando-se de -21,6%, taxa apurada ainda em 2003, para -11,1%, o resultado do presente inquérito (Abril/Julho de 2004). in INE

Breve comentário na GLQL.
Foi ainda publicado por lá outro post: O ciclo das citações virtuosas (Política)

Posted by Rui at 11:36 AM | Comments (0) | TrackBack

julho 22, 2004

Em prol da reciclagem dos capacetes de mineiro

Eu nem tenho palavras... Leiam, leiam e pasmem-se.

Correio da Manhã:

Inédito - Carruagens sem luz geram queixas
CP DEIXA UTENTES DA LINHA ÀS ESCURAS
A política de contenção de despesas parece ter chegado à CP. Desde ontem que os comboios da Linha de Cascais circulam de luzes apagadas, com o sistema de ar condicionado no mínimo. Conclusão: os passageiros transpiram queixas. Dizem que não conseguem ler o jornal, apesar de ser dia, pois os vidros são fumados.
Pedro Catarino

Os passageiros não percebem a razão de viajar sem luz
Paulo Conceição, 36 anos, apercebeu-se que estava escuro assim que entrou na carruagem no Cais do Sodré que o levaria a Paço de Arcos, onde esperava apanhar um belo sargo para o jantar. “Apercebi-me de que estava escuro mas pensei que ligassem as luzes quando o comboio começasse a andar”, afirmou este pescador desportivo. Mas enganou-se. Não ligaram.

O mesmo pensou Osvaldo Sousa, 50 anos. “Viajo com regularidade nestes comboios e achei estranho estarem apagados. A única vantagem que encontro para esta medida é que com as luzes desligadas está mais fresco”. Se o ar condicionado estivesse a funcionar normalmente não iria notar essa vantagem.

Luís Salgueiro, 28 anos, chegou-se para o banco junto à janela para conseguir ler um livro. A custo. “Quando apanhei o comboio das 08h00 da manhã achei realmente escuro”, confessou.

Um outro passageiro, que não se quis identificar, referiu que se tinha queixado a um revisor, que lhe deu razão. Mais: o próprio admitiu que “tinha dificuldade em ver as senhas”.

Um passageiro, que se identificou como sendo da CP, afirmou ao CM que “o maquinista se tinha esquecido de ligar as luzes”. Mal voltou a sentar-se as luzes acenderam-se. Manobra de diversão, porque o CM sabe que houve ordens internas para desligar as luzes durante o dia.

Nota das Relações Públicas da CP diz que “foram efectuados ensaios de material que implicaram redução de energia nas composições. Esses ensaios duraram mais tempo do que o previsto. Neste momento [15h30] está tudo normalizado”. À hora que o CM abandonou a estação (17h00), os comboios ainda circulavam de luzes desligadas.

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julho 21, 2004

Síntese Económica de Conjuntura - Junho de 2004

"No segundo trimestre o indicador de clima melhorou significativamente, revelando expectativas mais favoráveis dos agentes económicos, e de forma generalizada aos principais sectores. O indicador de actividade, com informação disponível até Maio, registou apenas uma ténue intensificação do crescimento, mas no prolongamento da forte aceleração que se verificara no primeiro trimestre. Estas evoluções favoráveis tiveram a sua contrapartida na recuperação da procura interna, tanto do consumo como do investimento, sendo ainda incerta a contribuição da procura externa líquida (sic)."
in INE

Posted by Rui at 03:35 PM | Comments (0) | TrackBack

Sugestão de leitura

No suplemento de hoje do Diário Económico, entre outros, o artigo do Finantial Times sobre uma velha dialéctica que mantém a actualidade:
"Empresas lucrativas priviligiam pessoas"

Posted by Rui at 11:59 AM | Comments (4) | TrackBack

julho 20, 2004

A quem enfiar o barrete

Suponhamos que baixavam o IRS e eu passava a receber mais...digamos 200 euros por mês de vencimento.
Considerando alguma liberdade na convenção da nomenclatura económica apetece-me perguntar o seguinte a propósito das rígidas e incontestáveis teorias económicas que tanto defendem a supremacia das vantagens da reduçao do IRC sobre o IRS:

Se eu usar esse dinheiro para investir na bolsa isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro para amortizar o empréstimo da casa reduzindo o endividamento familiar (e não só) isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro na compra de um computador portátil (prestações) para começar a fazer consultoria económica nas horas extra isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro para adquirir um seguro de vida ou um Plano de Poupança Reforma isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro para substituir a canalização do gás do prédio - com os outros condóminos - isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro para pagar as propinas de um curso superior (público ou privado) para os meus filhos isso é uma despesa de consumo?

Se eu usar esse dinheiro para comprar lâmpadas economizadoras de energia isso é uma "despesa de consumo"?

Serve este post como desabafo em relação às tantas certezas sobre o monopólio da racionalidade económica colocada nas mãos dos empresários portugueses. Nem todo o dinheiro extra para as famílias se esvai num consumo desenfreado e nefasto para o país (em correia de transmissão directa e linear com as importações), nem todo o dinheiro extra nas mãos dos empresários tem no investimento eficiente o destino garantido. Esta dicotomia é no mínimo passível de discussão e julgo que nunca ninguém poderá honestamente ter a certeza absoluta da supremacia de uma alternativa sobre a outras em todos os momentos históricos.

Provavelmente, em média, haverá vantagem do empresário em reproduzir o capital extra directamente em riqueza por via do investimento, mas será esse o maior problema - o do financiamento - que hoje afecta a economia nacional? Não! É aliás muito frequente nos últimos anos termos na escassez de procura o principal obstáculo destacadíssimo à dinamização de novos investimentos.
A situação não é tão simples que se possa analisar exclusivamente por esta via; há certamente efeitos de perda de competitividade empresarial ao nível de alguns sectores da economia por via de desvantagens fiscais face a concorrentes externos que são gravosos mas esse não é, também, na minha modesta opinião, o principal estrangulamento do desenvolvimento económico nacional.

Hoje, Julho de 2004, tenho sérias dúvidas da vantagem de um "choque fiscal" directo sobre as empresas via redução do IRC, relativamente a um desagravamento da carga fiscal sobre as famílias.
Irrita-me solenemente tamanha simplificação.

Já uma simplificação que não me faz grande confusão é a da resposta quanto à folga para uma redução de impostos, seja ela qual for: é recomendável?
Perante o cenário actual, não.
Mexa-se no cenário de forma racional recorrendo a políticos integros e técnicos capazes ao nível do aparelho do Estado e talvez venha a ser possível nos próximos 4 a 6 anos.

Posted by Rui at 04:31 PM | Comments (1) | TrackBack

julho 19, 2004

Cantinho do Centro de Emprego

Quase todas as cidades medievais tinham uma Rua Direita. As que chegaram aos nossos dias - lembro-me de Viseu em formato de crescente trepando uma colina - destacam-se, no entanto, pela sua sinuosidade e pouca rectidão. Talvez naqueles tempos fossem mesmo as mais direitas das ruas hoje são anacrónicas. Guardamo-las e tratamo-las como memórias do passado e móbil de valorização do futuro.
Temos agora arquitectos, especialistas da eficiência e da eficácia, sabedores da importância do enquadramento, utilidade...
Também hoje se corta a direito, mas nem sempre com vantagens sobre o passado. E é aqui que não honramos a nossa memória e ofendemos aqueles com que partilhamos o mundo.

Jovem economista de 26 anos procura emprego:

Habilitações académicas:
Licenciatura em Economia (ISEG).
Pós-graduação em Avaliação Económica de Medicamentos (ISEG).

Experiência profissional:
6 meses nas funções de controller e reporting interno e para a casa-mãe em ambiente de multinacional da indústria farmacêutica.
3 anos no Instituto Nacional de Estatística, nas funções de análise macroeconómica de curto prazo (emprego actual).

Outros conhecimentos:
Domínio da língua inglesa falada e escrita.
Conhecimentos informáticos em ambiente Office, programas de análise estatística, SAP R/3 e Hyperion.

Contacto: job4me@iol.pt

Adenda: Para que fique claro a oferta de "mão-de-obra" não é do autor do Adufe... Pelo menos por enquanto.

Posted by Rui at 02:50 PM | Comments (12) | TrackBack

julho 08, 2004

Polegar para cima (act.)

Há quem diga - muita gente mesmo - que Adam Smith foi o pai da Economia. Fez o primeiro exercício relativamente abrangente de sistematização de pensamento, esboçando-lhe de forma brilhante alguns dos princípios e limites; garantiu-lhe esse primeiro passo para que viesse a aspirar ser ciência.

Ora Adam Smith e a sua Riqueza das Nações não têm sequer 300 anos.
Vejam quantos anos têm Hipocrates...

Por onde me ensinaram os fundamentos de Economia, foram-me avisando da sua juventude enquanto ciência (enquanto campo de pensamento auto-consciente), do seu impulso decisivo sustentado por um Filosofo Político, das suas fantásticas capacidades em complementar a análise histórica e dos admiráveis novos caminhos da explicação e previsão, caminhos instáveis e experimentais. Falaram-me ainda dos inseparaveis irmãos Macro e Micro.

Leio as palavras do Paulo Gorjão a pretexto das declarações de hoje de Vitor Constâncio - "A ciência económica não é mais do que uma questão de fases pessimistas e optimistas..." - e apetece-me dizer que há ainda um quê (dos grandes) de Astrologia nesta Astronomia, e muita psicologia social.

E há também poderes do passado que não se sabe muito bem (matéria sob estudo permanente) o que valem hoje no condicionamento da actividade económica. Nomeadamente, o poder do Estado e do impacto das suas crises de legitimização democrática.
Serão substancialmente distintas as preocupações dos agentes económicos perante um cenário Santana ou um cenário Ferro, baseando o futuro na experiência passada? Talvez...

Mas talvez, para alguém se decidir ou não da realização/adiamento de um investimento, seja mesmo mais determinante a opinião de um economista reputado e muito bem informado quanto aos fundamentais da economia além e aquém fronteiras. Talvez.

Posted by Rui at 11:50 PM | Comments (0) | TrackBack

Bem-Vindo!

Pela amostra dos três primeiros posts temos um novo blogue interessante e interessado em Economia e generalidade conexas.
Saúda-se o Pura Economia.

Posted by Rui at 11:10 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 05, 2004

Stand-by

Em Junho, o Indicador de Clima manteve-se estável face ao apurado no mês anterior.
O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma melhoria em relação a Maio.
O indicador de confiança dos Serviços manteve a evolução recente, tendo recuperado face a igual período do ano anterior.

in INE

Posted by Rui at 11:35 AM | Comments (0) | TrackBack

junho 21, 2004

Retórica...

Estou sem tempo para o comentário que queria fazer mas não deixo de recomendar a leitura da "análise" da discussão que por aqui andou (e ali, e acolá, etc) sobre dumping e afins, feita pelo Américo do Retórica e Persuasão: "Exame de economia"

Posted by Rui at 11:13 AM | Comments (0) | TrackBack

Síntese Económica de Conjuntura

A conjuntura de Maio apresenta sinais positivos quanto à evolução da economia nacional, em sintonia com a fase do ciclo económico vivida na economia mundial, em especial na União Europeia. De realçar a recuperação dos indicadores de actividade e clima, embora o último ainda se encontre em terreno negativo. Essa recuperação parece estar a ser impulsionada pela actividade na construção e nos serviços, enquanto na indústria o indicador tem-se mantido estável. Contudo, a evolução globalmente positiva da actividade poderá estar a ser influenciada beneficamente quer pelo acréscimo de dias úteis dos últimos meses, quer pelo esforço de ultimação dos preparativos para a realização em Portugal de eventos de projecção internacional. Os sinais positivos são visíveis tanto no consumo privado como na formação bruta de capital fixo. Na componente externa verificaram-se variações positivas nas importações e nas exportações, embora de forma menos intensa na última, reflectindo uma potencial perda de quota nos principais mercados de destino. No mercado de trabalho alguns sinais são menos desfavoráveis. A inflação aumentou em Maio, em parte reflexo da subida dos preços dos combustíveis. in INE

Posted by Rui at 11:06 AM | Comments (0) | TrackBack

junho 20, 2004

Quem policia o polícia?

Às 17 perguntas do João Miranda respondo apenas com uma "pergunta" (além da do título).
Imagine por uma vez que o mercado de concorrência perfeita é inatingível. Só hoje, por um instante. Admita que é uma referência que pode ser aproximada mas tão utópica quanto tantos outros modelos disponíveis em vários campos do pensamento.

O alpha e o ómega: O João tem a certeza que os mecanismos de ajustamento previstos na teoria para uma situação de perfeita concorrência se mantêm sempre como a resposta mais válida para resolver os conflitos/relações entre agentes quando as premissas não se verificam?

Posted by Rui at 04:07 PM | Comments (0) | TrackBack

junho 18, 2004

Consultório dos leitores

Desculpem o título, mas segue resposta a algumas perguntas aqui deixadas pelo leitor Luís S. ainda a propósito da questão do dumping.

«Como determina o que é uma acção continuada de dumping (numa grande superfície ou noutra empresa)?»

Determino por aquela que eu estiver disposto a admitir como disruptora da concorrência pela inovação, capacidade de gestão e de produtividade dos concorrentes de um determinado mercado.
Proíbe-se a venda abaixo do custo se ele persistir no tempo e tiver um impacto na concorrência de tal forma que for conduzindo a uma tendencial situação de monopólio. Haverá situações de identificação mais simples e outras mais complexas. A própria avaliação do estágio de desenvolvimento concorrencial de cada mercado sectorial deverá ser considerada na definição e identificação de práticas de dumping prejudiciais para a concorrência. A definição terá de ser normativa e basear-se nestas linhas orientadoras e o recursos à jurisprudência que se for construindo parece-me um bom princípio de funcionamento.
Dois exemplos:
1º - peguemos em duas lojas vizinhas (para o efeito é irrelevante a dimensão ou o que vende, podem até ser prestadores de serviços). Uma vende os produtos com uma margem de 1% sobe o custo. A outra oferece os produtos a custo zero. Ao fim de dois meses a primeira fecha as portas porque não vendeu sequer uma caixa de fósforos e deixou de conseguir cumprir com os seus compromissos (pagamento da renda, consumíveis, etc). Se os consumidores fossem racionais saberiam que este seria o desfecho e saberiam também que muito provavelmente no dia em que uma das empresas falisse a outra aumentaria os preços… Contudo, a empresa faliu mesmo pois todos ficaram à espera que o vizinho fosse lá comprar a pagantes enquanto eles levavam o que queriam de borla na loja ao lado. A loja da margem de lucro a 1% foi vítima de uma acção continuada de dumping (que durou apenas dois meses). No final, os preços aumentaram e os consumidores perderam. Não me perece que fosse impossível identificar esta situação com alguma antecedência após a denúncia da empresa em risco de ruína.
2º - Um hipermercado todos os dias pratica dumping sobre um produto diferente. Neste caso a prova das consequências nefastas sobre o mercado que referi pura e simplesmente não se conseguem provar. A abrangência, duração e severidade da prática tem efeitos que se diluem no mercado. Do ponto de vista do consumidor esta situação traduz-se num ganho e não numa perda.


«Se se criam barreiras, ao estabelecimento e livre gestão de novas lojas ou unidades produtoras, por decreto ou lei, como pretende garantir o livre acesso de investidores a esse mercado, evitando assim o que chama de "concentrações sucessivas da capacidade produtiva/quota de mercado"?»

Mas essa é outra questão caro Luís. Um dos exemplos mais gritantes de condicionamento legal à entrada que considero completamente anacrónico é a situação das farmácias como já destaquei no Adufe. Não conheço exaustivamente todos os casos de limitações à entrada por imposição legal, mas por princípio sou contra. As limitações de que fala são sem dúvida um forte contributo para as concentrações mas há outros e nem todos necessariamente maus pois não creio que por definição uma concentração seja má para o mercado (e para os consumidores).

«Porque é que a "sustentabilidade das empresas estabelecidas" deve ser um objectivo? Deverão ser sustentadas mesmo nos casos em que estas são ineficientes, inclusive em situações de monopólio administrativo?»

Falo em sustentabilidade dentro das regras de livre e leal concorrência respeitadora das normas de conduta estabelecidas a cada momento pela sociedade em que se inserem. Era apenas e só isto que queria dizer. Não é sustentável (para um mercado saudável) uma empresa vender produtos abaixo do preço de custo (nos moldes do 1º exemplo lá de cima) e não deve ser permitido se isso tiver como principal motivação a ruína dos concorrente numa lógica de pocker onde o objectivo é não deixar o adversário ir a jogo, em vez de permitir que todos paguem para ver.

Cumprimentos

Posted by Rui at 04:50 PM | Comments (4) | TrackBack

Sobre a resposta do intermitente

O Miguel (do Intermitente) respondeu prontamente à minha pergunta sobre dumping.
Diz-nos que é bastante difícil detectar quando uma empresa está a recorrer ao dumping. Não nego que seja difícil, é precisamente essa uma das razões que mais deverá contribuir para uma vigilância eficaz da autoridade da concorrência devendo esta estar dotada de meios e recursos técnicos e legais (possibilidades de auditoria) que perante suspeitas razoáveis possa distinguir suspeitas de dumping de outras razões justificativas de descidas atípicas de preços. A acção do regulador deverá ser tendencialmente desencadeada por uma queixa que deverá ser tratada de acordo com a gravidade da interferência no mercado que produz. Uma campanha de vendas numa grande superfície durante 15 dias é totalmente diferente de uma acção continuada. Deverão ser estas últimas as que merecem cuidado.
O risco de permitirmos situações de "rendas de monopólio" de que fala o Miguel, ou mesmo de carteis oligopolistas justifica essa acção regulatória. Tanto mais quando se assiste em vários sectores a concentrações sucessivas da capacidade produtiva/quota de mercado num número escasso de operadores/detentores do capital.
Concorrência pelos preços sim, mas em termos. O mercado não garante por si (considerando o regulador exógeno ao mercado) que o "triplo" objectivo:
- da sustentabilidade das empresas estabelecidas (o dumping pode vir do lado do entrante),
- do acesso em condições de concorrência leal de novos entrantes (eventualmente mais competitivos e mais inovadores),
- e da garantia de ganhos duradouros/sustentáveis para os consumidores.

Posted by Rui at 12:38 PM | Comments (3) | TrackBack

Pergunta intermitente

A propósito das dúvidas do Paulo e dos esclarecimento do Intermitente.
Caro Intermitente,
segue pergunta.

A capacidade de uma empresa instalada num mercado sustentar uma prática de dumping durante um período longo de tempo não pode constituir objectivamente uma barreira à entrada por parte de uma empresa que se tenta instalar no mercado e que baseou o seu plano de negócio na informação histórica existente?


Glossário:
Definição de dumping considerada: colocação no mercado de produtos ou serviços abaixo de preço de custo; prática a prazo insustentável para qualquer empresa em mercado livre.

Por período longo de tempo podemos entender, simplificadamente, o suficiente para, pelo menos, manter a prática durante um ciclo produtivo, ou em alternativa, considerando-se a manutenção da prática por um período suficiente para destruir qualquer prossibilidade de concretização ainda que aproximada do calendário de retorno previsto para o investimento realizado pelo entrante.

Posted by Rui at 01:42 AM | Comments (0) | TrackBack

junho 17, 2004

Mandar

A não perder o texto de Luís Nazaré sobre este assunto...

(regulação)

Posted by Rui at 06:45 PM | Comments (0) | TrackBack

junho 06, 2004

A acreditar no Expresso ... (acrescentado)

Campanha, futebol... Tudo muito giro, mas o que me captou a atenção nas notícias do fim-de-semana foi um artigo que surge no suplemento de economia do Expresso...

Governo controla reguladores

OS REGULADORES estão revoltados com uma proposta de lei-quadro que lhes retira autonomia. O projecto deveria ter ido à reunião de secretários de Estado desta semana, mas foi suprimido da agenda à última hora. Inserido na Reforma do Estado, o documento é considerado «um retrocesso na independência dos reguladores». O projecto de lei ainda não é de conhecimento geral, mas as entidades que já leram o texto, embora prefiram não o comentar, não escondem a preocupação.

in Expresso On-Line

A acreditar nesta notícia do Expresso (só disponível na integra a pagantes) percebe-se uma muito suis generis lógica "de mercado" neste governo de direita.
Reguladores sim senhor, desde que o poder executivo possa pôr e dispôr das suas cúpulas ao sabor de cada nova legitimação eleitoral, ou até mesmo, quem sabe, a cada nova remodelação governamental!
Um dos factos mais chatos para o governo é que apesar dos raros reguladores já instituídos e dotados de uma razoável independência, há pelo menos um - a Comissão do Mercado de Valores Imobiliários - que tem feito um excelente serviço as it is! Mexer em equipa que ganha para quê? Para destruir o prestígio e eficácia do regulador? É uma dúvida legítima, pelo menos tanto quanto admitir que estamos apenas tentar criar mais tachos, talvez arranjando lugares que substituam os que se vão perdendo com as privatizações? Por tachos entendam-se formas de manipular a regulação a bel prazer dos grupos de pressão compostos pelas empresas reguladas e não "apenas" o tachinho muito particular de quem leva mais uns tostões para casa com ou sem o devido mérito... Na notícia admitem-se dois regimes de regulação consoante o Estado seja ou não ainda um jogador directo no mercado do sector. Caso seja, há mais independência política, de outra forma, falamos apenas de alguma autonomia. É curiosos como só surge determinante este raciocínio dicotómico relativo à propriedade das empresas e em nada se considera os aspectos de regulação face aos consumidores, transversais e indiferentes à propriedade do provedor de serviços ou bens. Admitamos que a notícia é ainda vaga por desconhecinto detalhado da proposta que se preparou para levar a Conselho de Ministros.

O que falha no modelo por que se tem regido a CMVM? NADA! O prestígio e reconhecimento internacional das associações de reguladores, o sucesso das auditorias e respectivas investigações (que fizeram com que crimes como o inside trading deixassem de ser letra morta do Estado de Direito passando a efectivar-se em sentenças e condenações de muito distintos e poderosos prevaricadores) avalizam o seu trabalho e confortam qualquer deputado da nação e português informado que se digne usar da justiça na sua apreciação.
Seguramente - imagino já os argumento! - o nosso bom governo tem receio de criar uma impenetrável e pouco democrática tecnocracia com tanta independência aos reguladores. Daí tamanhas preocupações em restringir a autonomia e independência dos que já existem e de outros reguladores que virão.

Diz-se no Expresso que apenas o Banco de Portugal escapa caso se transforme este rumor em lei. A bem dizer não escapa. O Banco de Portugal está virtualmente fora da alçada do poder governativo graças ao Banco Central Europeu e ao nosso compromisso com a moeda única. Quem quiser alterar as políticas terá de convencer os parceiros da União...
Atreva-se o Ministro a mexer na cúpula do banco sem motivos aceitáveis além dos que poderão advir de algum desconforto por este não secundar as suas apreciações quanto ao ciclo económico e veremos que tipo de reacção e consequências advirão do BCE, dos nosso parceiros Europeus e do Mercado...

Já com os outros reguladores o governo dispõe-se a arriscar... Mas a que custo? Qualquer mercado precisa de um regulador. Esta é uma evidência que mesmo o mais impedernido neo-liberal (genuíno) tem vindo a conceder. A premissa de que definido democraticamente o papel do regulador, o seu corpo executivo possa variar ao saber dos ciclos e infra-ciclos políticos não me parece mesmo nada transparente e edificador de um mercado saudável visando o bem estar económico e social.

Ainda a obra da regulação dá os primeiros passos neste país e já um governo da república reage cioso do seu poder?
Tremo só de pensar que o que se está em vias de implementar no Instituto Nacional de Estatística - que não sendo regulador exige igual estatuto de independência, assim esteja clarificada a sua missão -, se insira também na mesma lógica que se explicita na notícia citada relativa aos reguladores...
Quanto ao INE, meus amigos, é muito relevante restruturar a casa, o dispositivo territorial, a aposta na formação e por aí adiante, mas é igualmente determinante saber como se alinhavará o relacionamento dos futuros directores e trabalhadores do INE com o poder político. Quão independentes e eficazes queremos que sejam as estatísticas?
Há inúmeros modelos bem sucedidos de organização das estatísticas e dos reguladores sectoriais um pouco por todo o mundo ocidental sustentados por uma saudável separação de competências e restrição de possibilidades de interferência de curto prazo por parte do poder político.
Vamos nós inventar a roda ainda antes de sabermos andar?

As provas circunstânciais são já demasiado numerosas e é impossível não identificar um padrão que em nada serve o país e que deve ser denunciado e combatido tenazmente. Demasiadas vezes a mulher de César é avistada na companhia de suspeitos galãs... Que Estado queremos afinal?
Que mandato deram os portugueses a este governo? Que letras miudinhas surgiam inscritas no programa eleitoral do PSD /CDS-PP em Abril de 2002? Quem é que genuinamente votou nestes partidos e estava à espera destas "inovações" que nada têm a ver com desenvolvimento do mercado ou do país?
Por este andar não tardaremos a ter de questionar o regime em que vivemos.
Espero que o facto o adiamento da paresentação da referida lei-quadro se justifique por uma reponderação e não apenas por uma percepção de última hora da sua inoportunidade conjuntural.

A ser verdade esta notícia... Começo a perceber a desmesurada simpatia que Alberto João Jardim granjeia junto do actual Primeiro Ministro ou junto de Dias Loureiro, para citar apenas alguns exemplos.

Pergunto-me sobre o que pensará o Partido Socialista (ou quem actualmente lidera o partido) deste rumo sugerido pela coligação em matéria de regulação económica. Alguém que me esclareça?
Antecipadamente agradecido.

(publicado inicialmente às 2h06m AM)

Adenda: ainda sobre o tema da regulação e a notícia do Expresso (e o comentário de Nicolau Santos no mesmo jornal) pronunciou-se Luis Nazaré (ex-responsável pela Anacom (então ICP)) no Causa-Nossa; fica a ligação.

Posted by Rui at 11:05 PM | Comments (0) | TrackBack

junho 03, 2004

Então e o negócio Engenheiro Belmiro?

Não fora o Almocreve que já citava a Grande Loja e esta passava-me ao lado:

"Conselho de Redacção do «Público» demite-se
Em solidariedade com a editora da Secção Nacional, o Conselho de Redacção (CR) do jornal «Público» apresentou a demissão. Em comunicado, este órgão levanta a hipótese de ter existido acto de censura por parte da direcção do jornal."
In TSF

Passo dois dias sem comprar o Público e cai o carmo e a trindade. Curiosamente sob pretexto de uma pergunta que nunca ouvi colocada alto e em bom som nos media portugueses.
Atrevo-me a republicar a notícia da TSF que em breve desaparecerá no ciberespaço e faço votos que Ana Sá Lopes, companheira de blogoesfera e admirável jornalista, encontre um espaço e um jornal que a mereçam. Os leitores agradecem.
Entretanto espanto-me com a durabilidade de José Manuel Fernandes à frente do Público. O Público tem sido um jornal de referência nacional cada vez mais apesar de JMF. É algo que se intui e que se expõe de tempos a tempos.

Com este puxar dos galões e potencial recurso a censura descabida devia o senhor Engenheiro Belmiro de Azevedo (ainda não vendeu o jornal pois não?) avaliar fria e serenamente se não está em boa hora de servir-se de melhor director. Ou será que espera outros dividendos deste cada vez mais evidente prestar de "servicinhos" personificado pelo Director?
Arranje outro! Um que esteja mais de acordo com o livro de estilo/Estatuto Editorial do dito jornal e com os interesses de investidor avisado.

Imaginar que nos dois jornais mais relevantes do país domine o absoluto servilismo ao poder instituido - seja ele qual for -, tendo que constatar que apenas podemos dispor de imprensa engajada (mas não assumida), é um péssimo indicador de imaturidade democrática e um mau sinal para a liberdade de expressão.

Os emprateleiramentos sucedem-se ao som do toque do telemóvel que venha sussurrando vozes de ministros?

Era bom que fossem poucas as barreiras à entrada de um novo título mas sabemos bem que não o são... Ainda assim...

TSF:

MEDIA
Conselho de Redacção do «Público» demite-se
Em solidariedade com a editora da Secção Nacional, o Conselho de Redacção (CR) do jornal «Público» apresentou a demissão. Em comunicado, este órgão levanta a hipótese de ter existido acto de censura por parte da direcção do jornal.

22:34
02 de Junho 04


Em causa está uma notícia sobre Manuela Ferreira Leite. Na abertura da Secção Nacional do «Público» estava escrito que a ministra das Finanças não tinha explicado por que não estaria isenta de coima fiscal mas, nesse mesmo dia, a ministra desmentiu a notícia através de uma nota pessoal dirigida ao director do jornal.

José Manuel Fernandes pensou em publicar a nota da ministra, tendo este trabalho sido dado pela editora da Secção Nacional, Ana Sá Lopes, ao jornalista João Ramos de Almeida.

O director propôs ser ele mesmo a escrever o artigo mas, Ana Sá Lopes considerou que isso não fazia qualquer sentido e pediu ao jornalista para tratar a informação.

A notícia foi paginada mas nunca chegou a ser publicada, porque a direcção decidiu retirar o artigo. Ana Sá Lopes demitiu-se.

José Manuel Fernandes falou com a editora e disse-lhe que tinha perdido a confiança nela e já há muito tempo que não confiava em João Ramos de Almeida. Disse ainda que a notícia não tinha sido publicada porque a ministra não queria que fosse o jornalista a tratar do assunto.

O Conselho de Redacção questiona, em comunicado, se se trata de censura, considerando que a notícia é inatacável e deveria ter sido publicada.

Outro comunicado foi, entretanto divulgado, assumindo a demissão de funções porque o director disse que não se reunia mais com aquele órgão.

Posted by Rui at 08:11 PM | Comments (6) | TrackBack

Indicadores de Confiança

Indicador de clima e indicador de confiança dos serviços mantêm tendência recente de recuperação.Confiança dos consumidores recupera ligeiramente.

Em Maio, o Indicador de Clima recuperou face ao mês anterior, mantendo a tendência dos últimos meses. O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma ligeira melhoria em relação a Abril.
O indicador de confiança dos Serviços manteve a evolução recente, tendo recuperado face a igual período do ano anterior.

In INE

Posted by Rui at 11:15 AM | Comments (3) | TrackBack

maio 24, 2004

Síntese Económica de Conjuntura - 1º Trimestre de 2004

O indicador de actividade acelerou fortemente no primeiro trimestre, mas parte significativa deste movimento ficou a dever-se ao anormal número de dias úteis de Março, de mais 15% do que o do mesmo mês do ano precedente. Este acréscimo afectou a generalidade dos indicadores quantitativos, com maior ou menor intensidade, empolando as tendências de recuperação da actividade. Efeito que não se fez sentir nos indicadores qualitativos, que revelaram evoluções bastante mais suaves, e nem sempre no mesmo sentido. Globalmente, o indicador de clima económico não melhorou face à média do quarto trimestre do ano precedente, mas em Março e Abril apresentou evoluções mais favoráveis.

in INE ou aqui para o relatório completo se tiver pré-registo no site.

Posted by Rui at 11:23 AM | Comments (0) | TrackBack

maio 20, 2004

Keynes e esta Lisboa que eu amo

Keynes saiu-se um dia com esta para refutar as virtudes do "equilibrismo" de longo prazo da teoria neoclássica:

No longo prazo, estaremos todos mortos.

Pois agora e a propósito do centralismo que o Gabriel do Blasfémias também vê nas últimas notícias sobre o INE, temos uma versão aportuguesada:

"No longo prazo e antes de morrermos, havemos todos de ir viver para Lisboa"

É uma alternativa, mais um "equilibrismo".

Posted by Rui at 02:11 PM | Comments (1) | TrackBack

maio 15, 2004

Uma, duas, três nuvens

Estamos na iminência do 3º choque petrolífero?

Bem vistas as coisas este texto da Grande Loja do Queijo Limiano mais não faz do que colar as várias nuvens que vamos encontrando dispersas na imprensa económica internacional. E isso é que é assustador.
Há mesmo uma tempestade enorme a formar-se no horizonte. Sem se alterarem as premissas actuais a profecia é muito provável. Excelente prosa!

Posted by Rui at 10:58 PM | Comments (0) | TrackBack

maio 13, 2004

Ontem, uma pessoa que eu conheço...

...teve de fugir juntamente com a generalidade dos colegas, dos respectivos postos de trabalho, aqui bem no centro da capital.
Incêndio?
Todos atrasados para irem a alguma Manif?
Haviam-lhes dito que a retoma vinha ao virar da esquina e correram a saudá-la?
Noupe! A inspecção geral de trabalho ia a caminho depois de ter acabado a visita a outro escritório da firma e depois de ter multado em conformidade trabalhadores e entidade patronal por os primeiros se encontrarem a trabalhar bem depois do horário estabelecido por lei sem indicação expressa do segundo.
Eles andam aí... E as multas são bem pesadas... Mesmo para o trabalhador.

Posted by Rui at 10:48 AM | Comments (2) | TrackBack

maio 11, 2004

Qual é...

Qual é o grupo financeiro a operar em Portugal que tem em Badajoz o seu novíssimo representante para fazer o apoio de atendimento permanente aos segurados do seu plano de seguro de saúde, residentes na zona do Alto Alentejo?

O primeiro a acertar também tem direito a bicicleta virtual...

Posted by Rui at 12:59 AM | Comments (3) | TrackBack

maio 10, 2004

Mas quando é que alguém acende a luz?

Défice da balança comercial aumenta 12.8 % até Fevereiro

Nos dois primeiros meses de 2004, as variações homólogas registadas nas saídas (-4.3 %) e nas entradas (+0.2 %), determinaram um aumento do défice da balança comercial de 12.8 %.
in INE

Para consolo a balança comercial com a Espanha continua a melhorar e depois de ter destronado a Alemanha, a Espanha mantem-se solidamente como o nosso principal parceiro comercial.
Por este andar (quebra das exportações para a Alemanha de 15,5% em termos homólogos) o nosso segundo maior importador vai deixar de ser a Alemanha. Vive la France!

Posted by Rui at 09:37 PM | Comments (1) | TrackBack

abril 21, 2004

Síntese de Conjuntura Económica de Março de 2004

A informação mais recente apresenta sinais contraditórios quanto à robustez da retoma económica. Com efeito, em Março o indicador de clima agravou-se ligeiramente, prolongando o comportamento do mês anterior. Por seu turno, e com base na informação até Fevereiro, o indicador de actividade económica não se distanciou do valor alcançado no final do ano passado, e a restante informação quantitativa continua a evidenciar comportamentos diversificados. Quanto à procura interna, registou-se uma melhoria do indicador quantitativo do consumo privado, mas que foi acompanhada por uma evolução ligeiramente desfavorável no indicador qualitativo no mês subsequente. Por outro lado, observou-se nova contracção do indicador de formação bruta de capital fixo, embora com uma recuperação do material de transporte. Na componente externa, as exportações portuguesas apresentaram uma desaceleração no primeiro mês de 2004, e as importações aceleraram significativamente durante o mesmo período. Os preços no consumidor inverteram em Março a tendência de desaceleração dos últimos meses. No mercado de trabalho, os indicadores mantiveram-se globalmente desfavoráveis.
in INE

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abril 01, 2004

Os Bancos são nossos amigos (act.)

O Jornal de Negócios apresenta hoje um pequeno estudo onde se compara a taxa de juro efectiva praticada por um banco (por exemplo para remunerar um empréstimo à habitação) e o valor do respectivo indexante contratado com o devedor.
Este comparativo utilizou como meses de referência Abril 2003 – Abril de 2004 e conclui que todos os bancos sem excepção ficaram aquém de reflectir na taxa de juro que exigem aos seus devedores as variações efectivas verificadas na taxa indexante prevista no contrato de crédito.
As justificação para as disparidade funda-se essencialmente nos métodos de arredondamento que podem gerar disparidades nas taxas de juro para o mesmo indexante, entre os diversos bancos, da ordem dos 41,7 pontos base, quase meio por cento. Num cenário de baixa continuada de taxas de juro e em que o lucro dos bancos, vulgo spread, em muitos casos é inferior a 1% -100 pontos base - estes acréscimos não são nada negligenciáveis.


Impunha-se alguma disciplina e intervenção do regulador na normalização das fórmulas de arredondamento. Não é por estes complexos subterfúgios que se deve fazer a concorrência. O cliente é, nesta situação muito concreta, demasiado ignorante para avaliar as diferenças. Vale-lhe, esporadicamente, uma manchete na imprensa: Bancos Retêm parte da Descida das Taxas de Juro” .

Talvez quando as taxas de juro comecem a subir e haja vantagem directa dos bancos em mudar os métodos (ajustando muito mais rapidamente a taxa dos empréstimos às de mercado) surja alguma acção do regulador para acomodar esses interesses apresentado-a então como acção moralizadora e em prol da transparência e dos direitos dos clientes. Temos todo o direito à suspeita. Já agora a maior instituição de concessão de crédito (CGD que até é do Estado) está entre os que mais penalizam o devedor num cenário de descido das taxas de juro (juntamente com o Barcklays Bank para a simulação da Euribor a 6 meses). No outro extremo temos destacado o BNC Imobiliário seguido do BPI e do Montepio Geral.
Entretanto… Vá amortizando o empréstimo.


Mas qual regulador Rui? O Banco de Portugal? A voz da minha consciência inspirada no Fantasma da Ópera vai cantando: Poor fool you make me laugh ah ah ah ah …

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março 31, 2004

Quantos portugueses percebem o que se pode inferir desta notícia?

Se forem poucos estamos perante uma evidência: "Da sua credibilidade: Como destruir a estatística, a economia e o jornalismo em três tempos"

Eis a notícia da TSF:

"Estudo estatístico dá vitória à França
Um aluno finalista da Faculdade de Economia do Porto realizou um trabalho a partir de algumas variáveis e dá a França como a selecção com maior probabilidades de ganhar o Euro 2004. (15:38 31 de Março 04)

Ricardo Magalhães utilizou variáveis que vão desde as apostas em Inglaterra à análise dos resultados mais recentes e realizou mais de duas mil simulações.
A conclusão a que chegou é que a França é a selecção que tem mais hipóteses de ganhar o Europeu de Futebol.
Em segundo lugar surge a Inglaterra com 13.5 por cento de hipóteses e Portugal partilha o terceiro lugar com igual probabilidades da Espanha.
Ricardo Magalhães adianta que este seu trabalho tem um grau de confiança de 95 por cento."

Ena pá! Um grau de confiança de 95%! Mas isso e mesmo muito alto. É quase certinho que ganha a França e que nós perdemos, pela terceira vez, a meia-final de um europeu com os tipos! Um grau de confiança de 95%... Coitados de nós. Um grau de confiança... O jornalista que escreveu isto deve ter ficado banzado quando lho disseram a ele. Já deve andar na rua a vender os bilhetes que tinha comprado.

Mas que raio será um grau de confiança de 95%? Se eu disser que a Inglaterra tem 13,5% de hipóteses de ganhar... com 95% de confiança, tudo fica mais estranho... Não acham?

Posted by Rui at 05:18 PM | Comments (6) | TrackBack

março 19, 2004

Um sinal dos blogues

Recebido na caixa de correio do Adufe:

Venho pelo presente propor dois links para o seu site que costumo consultar

Agência Financeira
www.agenciafinanceira.iol.pt
Site especializado em notícias de bolsa, economia, negócios, empresas, finanças, media e publicidade, imobiliário, emprego, carreira e formação com actualização permanente.
Inclui toda a informação financeira sobre as empresas cotadas na Bolsa de Valores de Lisboa, assim como sua cotação de acções, fundos, câmbios, taxas de juro e petróleo.

Diário Financeiro
www.diariofinanceiro.iol.pt
Jornal diário de economia, bolsa, finanças e negócios. Todas as notícias sobre media e publicidade, imobiliário, banca, advogados, saúde, turismo, automóvel, impostos, mercados financeiros e investimento.

Grato
Rui Pedro Batista

Ora digam lá se isto não é um sinal dos tempos?
Já ando com a ideia de criar uma lista de sites na net que fornecem informação económica e financeira sobre Portugal numa base regular. Para já acedo ao pedido com este pedaço de publicidade gratuita (já conhecia os sites e valem a pena a visíta). A seu tempo teremos links mais permanentes.

Posted by Rui at 05:23 PM | Comments (1) | TrackBack

março 17, 2004

Melga-Adufe

Psiu! Já entregou o IRS? Agora é uma boa hora para tentar...

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março 10, 2004

E o caloteiro fiscal do dia é...

A Giesta pegou na ideia dos estabelecimentos de restauração e sugeriu que fosse transposta para a Direcção Geral de Constribuições e Impostos. Toca a afixar a lista dos contribuintes faltosos na portaria!
Para não ficarmos com uma lista maior do que a dos combatentes perecidos em combate, se calhar o melhor mesmo é sortear o contribuinte fiscal do dia com impostos em falta e fazer assim uma mini reportagem sobre a situação fiscal de um contribuinte relapso por NUTS II, com direito a 3 minutos de publicidade a seguir ao Telejornal. Estamos a falar de um programa de 20 minutos aproximadamente com 7 contribuintes por dia. Que tal?
Sempre se dinamizava alguma investigação - não convinha mesmo nada estar a chamar caloteiro a um contribuinte "faltoso" por erro no sistema informático, não é? E depois sempre eram 2555 contribuintes inspeccionados e pressionados todos os anos.

Estão-se a rir? Acham piada? Vejam lá se não preferem a "bomba atómica"! Qual é a bomba atómica?
Era pôr os portugas todos a "chibarem-se" uns aos outros. Quem primeiro denunciasse o infractor teria direito a uma bonificação fiscal e a ter a fotografia publicada na próxima lista de suspeitos da Polícia Judiciária!! Isso sim é que era ver os portugueses a passarem ao estatuto de cumpridores! Até apanhavamos aqueles que tipos que nem na lista das finanças vêm...

Considerando as alternativas acho que prefiro mesmo o sorteio do Miguel Frasquinho, sempre é pela positiva caramba!

Posted by Rui at 11:04 AM | Comments (0) | TrackBack

março 03, 2004

O Roncinante paga impostos

Ontem foi Elisabete Miranda no Jornal de Negócios a perspectivar a questão dos benefícios fiscais e dos seus efeitos perniciosos, hoje é o Jumento a dizer-nos que a moralidade e a boa cidadania serve a todos e não apenas aos suspeitos do costume; isto a propósito da relação entre o contribuinte e o Estado e, mais concretamente, da fuga ao fisco.

A meu ver as duas questões entroncam directamente uma na outra e deverão ser sempre consideradas em conjunto quando encaramos o problema da eficácia da máquina fiscal. Quanto à primeira, cujo desenvolvimento deixarei para outra ocasião (ainda quero estudar o assunto mais a fundo), é um daqueles exemplos de situações que gostaria de ver debatidas com seriedade pelos políticos, envolvendo os representados, até porque creio que temos muitas ideias preconcebidas a merecerem um abanão (à esquerda mas também à direita).


Quanto à questão da cobrança "o Jumento é particularmente lapidar neste três parágrafos:

"(...)Quando no nosso país se discute evasão fiscal pensa-se invariavelmente nas grandes fortunas, mas o fenómeno atravessa transversalmente a nossa sociedade, corrói a nossa cultura de cidadania a todos os níveis. E os governantes só apontam o caminho do combate a evasão fiscal quando os recursos financeiros do Estado são escassos.

Combater a evasão e a fraude fiscais obriga a delimitar o fenómeno, implica um combate em todos os domínios à economia informal. Limitar ao máximo que sejam gerados fundos fora dos circuitos contabilísticos, dificultar a circulação destes dinheiros através do sistema bancário, em suma, combater os sacos azuis e as contabilidades paralelas. E para que isso seja possível, o combate à evasão deve ser feito a todos os níveis.(...)

“Apanhar” uma grande empresa com a “boca na botija” pode ser importante, e até pedagógico, mas é insuficiente. O que está em causa não é apanhar apenas o peixe graúdo, preservando a espécie; é importante reduzir o cardume ao mínimo, e se não é possível acabar com o mesmo, deve evitar-se que adquira a dimensão crítica que o permita voltar a crescer. (...)
"

No fundo, o Jumento alerta-nos para que não se confunda aquilo que poderá ser um importante trunfo de “marketing político” – a demonstração de empenhamento e eficácia em colectar “uma grande empresa” useira e vezeira em não pagar um cêntimo – com o cerne da questão no combate à evasão fiscal que é responsabilizar um número crescente de contribuintes, punindo os que persistirem na ilegalidade.
Dito isto, e salvaguardado o objectivo que deverá moldar a reestruturação da máquina fiscal, tenho de acrescentar que desconfio que o objectivo final é capaz de ganhar algo se houver uma busca pelo exemplo. Ainda acho que por cá o lema "os exemplos vêm de cima (ou dos maiores)" é particularmente relevante. Talvez seja consequência da gravidade do problema, mas acredito que há um passo prévio de conquista de autoridade moral por parte de quem executa que não pode ser equiparado na escala das prioridades com o ataque à "arraia miúda". Acredito que alcançado esse poderoso trunfo, será mais fácil ser bem sucedido na prioridade que será contaminar toda a sociedade com o sentido de responsabilidade fiscal.
No fundo, discuto um caminho que permitirá alcançar maior visibilidade, mais rapidamente, desarmando desculpabilizações de outros prevaricadores. Este aspecto psicológico do problema não me parece de todo negligenciável - a psicologia de massas está a ter um expoente máximo do seu poder condicionador em Portugal, precisamente nesta legislatura, com a questão do défice como muitos dirão no futuro, atrevo-me a vaticinar.
Voltando aos impostos e para finalizar, os protagonistas e o método que produz o acontecimento contribuem claramente para influenciar as necessidades e o curso da história.

A ler a quarta epístola intitulada: "A EVASÃO E A FRAUDE FISCAIS (IV)
QUE ESTRATÉGIA PARA O COMBATE À FRAUDE E EVASÃO FISCAIS?
".

Posted by Rui at 05:28 PM | Comments (0) | TrackBack

Confiança

O Indicador de Clima regista uma ligeira recuperação. Niveis de confiança estabilizam entre os consumidores e mantêm a tendência negativa nas empresas de serviços.

Em Fevereiro, o Indicador de Clima fixou-se num nível marginalmente mais favorável que o apurado no mês anterior.Com base na informação da nova amostra do Inquérito à Indústria Transformadora, verificase que o Indicador de Clima não registou variações significativas desde o passado mês de Outubro, mantendo-se num nível historicamente baixo.
O indicador de confiança dos consumidores estabilizou face ao mês de Janeiro.
No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do Indicador de Confiança.

Mais detalhes (fresquinhos) no sítio do costume.

Posted by Rui at 11:13 AM | Comments (0) | TrackBack

março 01, 2004

Yang

Dito por mim:

O Estado põe muitas limitações à iniciativa privada.
O Estado põe muitas limitações à iniciativa.
Não sei o que será mais difícil, se enfrentar o Estado burocrata que complica a vida ao cliente, se tentar mudar o Estado na sua própria casa. Isto só lá vai à martelada mas o meu martelo é pequeno.
Vou mas é para casa que não me pagam para isto.


Dito pela minha moça que trabalha numa multinacional:

O Patrão põe muitas limitações à iniciativa privada.
O Patrão põe muitas limitações à iniciativa.
Não sei o que será mais dificil, se enfrentar o Patrão burocrata que complica a vida ao cliente, se tentar mudar o Patrão na sua própria casa. Isto só lá vai à martelada mas o meu martelo é pequeno.
Vou mas é para casa que não me pagam para isto.

Demasiado novos para ter poder de mudança, demasiado velhos para acreditar no pai natal.

Pequeno consolo: se ainda morássemos no subúrbio, esperar-nos-ia mais de uma hora de viagem.

Ó Mónica vamos montar um negócio?

Força Portugal!

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fevereiro 19, 2004

AMIgos

Impostos AMIgos

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fevereiro 18, 2004

Curiosidade Fiscal

O Sérgio de vez em quando ajuda-me a perceber como poderia ser um Adufe colectivo. Segue contributo em itálico ao estilo BdE.

Reparei hoje, ao ler uma notícia sobre o aumento dos combustíveis no início da semana, que o ISP é um dos poucos impostos que o cidadão não tem conhecimento da sua cobrança, senão vejamos:

- IRS - descriminado no recibo de vencimento, nos extractos bancários aquando do pagamento de juros, dividendos, etc.;
- IMI (antiga contribuição autárquica) - quem paga recebe a notificação em casa;
- IMT (antiga SISA) - tem de ser paga nas finanças senão não há escritura;
- IVA - quem pede a facturazita vem lá descriminado;
- Imposto de selo - pelo menos as operações bancárias descriminam-no;
- Imposto Municipal sobre veículos - o famoso selo do carro, podemos vê-lo todos os dias se quisermos!
- Imposto Automóvel - os stands (ah a iniciativa privada) até têm gosto em mostrá-lo para as pessoas verem o seu peso no total do custo do carro;
- Imposto sobre o consumo de álcool - para quem se dá ao trabalho de ler os selos das garrafas, ele está lá, às vezes;
- Imposto sobre o consumo de tabaco - por acaso este também não é revelado ao consumidor. Proponho a sua inclusão nos maços! A bem da informação do cidadão. Até acho que seria um bom dissuador do fumador. Se as pessoas soubessem que fumam mais impostos que tabaco...
- Imposto sobre produtos petrolíferos - Quanto se paga? Como cidadão cumpridor das minhas obrigações fiscais, gostaria de o ver descriminado na factura do combustível. Se o IVA vem porque é que o ISP não? E já agora, também ponham lá a nova ecotaxa. Sempre quero ver qual a minha contribuição para a floresta portuguesa.

Sérgio

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fevereiro 11, 2004

STCP a Hidrogénio

No noticiário regional da Antena 1 - RDP (entre as 13h30 e as 14h00) apresentaram uma reportagem sobre uma nova aposta dos Transportes Colectivos do Porto cuja referência aqui hoje bem mesmo a prpósito (leiam os últimos textos do Adufe para perceberem o que digo).
Há cerca de uma semana iniciou-se ao serviço dos STCP, a primeira unidade movida a hidrogénio em carreira regular de transporte de passageiros. Uma estreia nacional. Os veículos têm piso rebaixado para maior comodidade dos passageiros, capacidade para cerca de 50 indivíduos e é operado por motoristas que receberam formação especializada. Cada autocarro transporta 40 quilogramas de hidrogénio no tejadilho, local onde se encontra toda a parafernália (baterias e afins) que transformam o combustível em energia propulsora. Cada quilograma de combustível custa cerca de 10 € e não faço a mínima ideia de qual a autonomia que disponibiliza.
Curiosamente estes autocarros produzem uma "fumaça" bem mais visível do que é habitual nos tradicionais veículos a gasóleo sendo necessário informar a população sobre as razões para tal facto. A grande diferença reside no facto dessa "fumaça" não passar de vapor de água absolutamente não nocivo.

O hidrogénio é produzido (via electrólise da água) em Portugal (não retive o local), sendo depois transportado para o único posto de abastecimento existente no país, propriedade dos STCP. Mais do que ter como objectivo reduzir custos no curto prazo, os STCP afirmam que querem desde já conhecer a tecnologia e começar a formar quadros por forma a estarem preparados para reforçar esta aposta assim que seja tomada a decisão política e/ou a tecnologia atinja um rácio custo/eficiência concorrencial com a tradicional. Fico curioso por saber como estas contas são feitas... Mas noto, acima de tudo, com agrado que, mesmo na impossibilidade de contabilizar rigorosamente custos e benefícios, os STCP percebam desde já que num momento futuro próximo as vantagens e as necessidades serão tão prementes que todo o euro gasto hoje é um bom investimento.

Quanto a Lisboa, as últimas notícias que tive falavam de um fiasco da experiência com os veículos movidos a gás natural (elevados custos de manutenção) tendo-se mencionado uma aposta em renovar a frota recorrendo a veículos movidos a gasóleo ainda que bem menos lesivos do meio ambiente do que os actualmente em circulação. Não sei sinceramente se foi esta a decisão final mas gostava que nesta cidade houvesse a presença de espírito que se revela no exemplo dos STCP.

Posted by Rui at 03:02 PM | Comments (0) | TrackBack

Pimba!

Passando pelo blogue do senhorio fico mais descansado. Se querem "escárnio e maldizer" - justas críticas e genuínos anseios seria mais adequado, digo eu - passem por aqui.
Desmitificação, denúncia, pedido de respeito em homenagem à nossa inteligência. Cacetada na PT, bem mais informada do que o que se leu aqui.

Posted by Rui at 12:48 AM | Comments (1) | TrackBack

fevereiro 05, 2004

Diário Económico vs Jornal de Negócios (corr.)

As opiniões expressas neste blogue vinculam-me apenas a mim, pessoal e individualmente no estrito cumprimento dos meus direitos de cidadania. Como sempre.

Aos iniciados e interessados em economia e análise de conjuntura, recomendo que comparem as notícias de hoje no Diário de Negócios, digo, Diário Económico, e no Jornal de Negócios sobre os indicadores de confiança do INE que aqui referi ontem.

O Jornal de Negócios perante um erro da Comissão Europeia - foi mais uma precipitação do que um erro - verificou que no prazo de menos de uma semana estaria a dizer uma coisa logo seguida do seu exacto oposto (facto que se tornou evidente assim que se souberam os números do INE). Perante isto, o JN respeitou os seus leitores, explicou o que se passava e analisou os dados como até aqui.
No Diário Económico, confrontados com o mesmo problema, não desmentiram a notícia baseada nos dados da Comissão, apresentaram gráficos em escalas hilariantes e distorceram a informação directamente passando a analisar os dados do sector dos Serviços em cadeia quando tipicamente o vinham fazendo em termos homólogos tal como o INE (descubram lá porquê).

Nota: A análise homóloga justifica-se nos Serviços devido à impossibilidade de se corrigir a sazonalidade com segurança numa série ainda com menos de três anos de dados mensais.

Por outro lado, distorcem a informação indirectamente ao contradizerem os dados recolhidos junto dos consumidores com uma citação de Teresa Gil Pinheiro com este calibre de cientificidade económica: "apesar de pessimistas [os consumidores], entra-se numa loja e estão todos a comprar".
A opinião vincula a economista que a proferiu? Sim, evidentemente. Mas também vincula quem a achou razoável para divulgação, para calibrar o nível de confiança dos portugueses.

Assim sendo pergunto, para quê gastar dinheiro do erário público a fazer inquéritos?
Ou será que estes não prestam? Se assim for, todos agradecemos que o DE e outros especialistas apresente as lacunas e exijam os meios adequados por forma a pressionar o INE (onde trabalho) e a tutela a melhorarem a qualidade da informação. Mas convenhamos que é consideração de menos centrar tal crítica num "entra-se numa loja e estão todos a comprar".

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fevereiro 04, 2004

Ligeira recuperação do Indicador de Clima. Indicadores de Confiança nos Consumidores e nos Serviços evoluem desfavoravelmente

Os dados recolhidos em Janeiro apresentam uma ligeira recuperação do Indicador de Clima fixando-se o Indicador num nível próximo do registado em Novembro de 2003.
O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma evolução negativa, interrompendo o movimento ascendente observado desde Maio de 2003.
No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do Indicador de Confiança.

in INE - Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores

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fevereiro 01, 2004

Oficial de marcenaria

Ontem de manhã fomos pedir um orçamento para um armazém com estílo - um livreiro.

O móvel tinha que ser frito e cozido ou porque a casa o exige ou porque o cliente pensa ter algum tipo de concepção estética.
A coisa correu bem em termos de conversação.
O artista - a rondar os 40 anos - apreciou o boneco (ou pôs o cliente bem disposto massajando-lhe o ego) e perante um público cordato aproveitou para dar uma aula de história da arte. Roçou ligeiramente o exagero mas no final as linguagens diferentes não impediram o entendimento.
Não sei bem como na hora e meia de conversa se passou, contudo, mais tempo a falar de política, do Estado da Nação, da história recente portuguesa e do exemplo Espanhol... O Adufe anda muito politizado - é o que me apetece e é o que aqui se lê - mas confesso que não esperava debater a monarquia, alguns traços da ditadura, a economia ou a corrupção ideológica e material de um ex-vereador comunista da Câmara de Sintra numa loja de mobílias.
A maior particularidade que retenho da conversa (e que interessará eventualmente para o Adufe) prende-se com um dos tais traços do passado que deixaram saudades no artista interlocutor: a falta de formação de novos profissionais para a indústria do mobiliário.
Queixou-se do encerramento de alguns liceus-oficina e do virtual desaparecimento de oficiais de marcenaria. Disse trabalhar com dois, ambos com mais de 60 anos, capazes de fazer maravilhas com a madeira. Rematou com esta: ganham bem mais do que muitos engenheiros.
Não lhe perguntei porque não os forma ele nem sequer lhe perguntei se não haveria a hipótese de manter a tradição na família à moda secular dos artesão...
Fiquei desconfiado que os empresários do móvel não se juntam para conseguirem formar técnicos, o Estado demora a reagir e os interessados muito provavelmente têm de ser cativados. Onde é que já ouvi esta história antes?

Enquanto consumidor, por enquanto, ainda posso escolher entre esperar mais alguns dias pela abertura do IKEA em busca do pronto a usar, massificado talvez bom e seguramente barato e o tradicional trabalho de "alfaiataria" tipicamente de elevada qualidade e bom preço. E amanhã? A continuar o rumo actual ou desaparece a segunda opção ou o bom preço passa a preço de luxo.

Pergunta ao leitor e a quem escreve: se tiveres um filho incomoda-te que ele escolha ser um oficial de marcenaria em vez de um arquitecto?

Posted by Rui at 01:51 PM | Comments (7) | TrackBack

janeiro 27, 2004

Taxa de variação do investimento empresarial para 2003 revista em baixa

Os resultados do Inquérito ao Investimento de Outubro de 2003 revelam que ocorreu um agravamento das intenções de investimento do primeiro para o segundo semestre desse ano. As estimativas apontam para que em 2003 tenha ocorrido uma quebra do valor da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial de 21,6%, uma taxa que representa uma significativa revisão negativa face aos resultados do Inquérito de Abril/Julho do mesmo ano (-13,4%). A primeira previsão para a evolução do investimento das empresas no ano de 2004 aponta para uma recuperação desta variável, dada a taxa de variação prevista, na ordem dos 1,4%. in INE

Posted by Rui at 11:22 AM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 26, 2004

As inspecções de veículos

O que está a falhar nas inspecções de veículos?
Este fim de semana disseram-nos que poderá andar mais de um milhão de veículos com inspecções obrigatórias feitas mas indevidamente aprovadas.

Disseram-nos que o elo mais fraco são os inspectores por estes serem trabalhadores como os outros. Ou seja, por poderem ser trabalhadores a prazo, com contratos precários e/ou cada vez mais facilmente dispensáveis graças às maiores facilidades de despedimentos presentes no novo código de trabalho. Pessoal mal formado e/ou mal alimentado, gerido por patrões que lhes impõem o crime como condição de emprego (espero que seja crime!).

Mas são o elo mais fraco do quê? Dos interesses em jogo, evidentemente.
O interesse do cliente, particularmente quando é dono de uma grande frota de veículos comerciais (ligeiros ou pesados) que escolhem o centro de inspecções, não de acordo com o preço, que é fixo, mas de acordo com a maior ou menor probabilidade de um mesmo veículo ser aprovado ou reprovado na inspecção. E o interesse do dono do centro.

O dono do centro de inspecção deveria agir no respeito do alvará do Estado. Deveria prestar serviços ao Estado cumprindo as suas obrigações... Mas o dono do centro de inspecção não é do Estado, é um privado com privados interesses que, não podendo fixar preços, continua a ter preocupações de viabilidade financeira do seu centro, continua a ter de pagar maquinarias e trabalhadores, continua a querer o seu lucro, a sua remuneração do risco em que incorre e do investimento feito. Acresce que o dono do centro é por vezes (aparentemente muitas vezes) alguém com uma muito privada concepção de direitos e deveres cívicos.

Todo o edifício se desmorona, já pela segunda vez com repercussões públicas - sim a notícia não é nova se tiverem memória...

O que fazer?
Inspeccionar mais os centros de inspecção?
Interiorizar no aparelho do Estado a fiscalização dos veículos?

Como disse a notícia não é nova e as medidas anteriormente tomadas (que levaram a alguma concentração dos centros de inspecção) não parecem ter garantido os resultados desejados.

Tudo isto era tão previsível quando surgiram pela primeira vez os centros de inspecção técnica de veículos... A iniciativa privada, particularmente em situações de mitigação das regras de mercado - que julgo serem incontornáveis neste caso - tende a produzir estes efeitos se não for regulada. O equilíbrio exige uma intervenção activa e permanente do Estado, uma ideia que tantas vezes é iludida pela "privatização" de serviços.

A continuar a ser este o cenário mais previsível sempre que o Estado delega o provimento de bens públicos na iniciativa privada, saberemos que privatizar será também sempre um grave erro. A pior solução.
Neste caso de consequências criminosas. Como noutros.

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janeiro 20, 2004

Inacreditável!

O IVA e o Diário da República

O meu amigo Sérgio voltou a mandar-me uma colaboração aqui para o Adufe. Se bem se lembram já me tinha indignado com os preços a pagar para acedermos à lei do país - acesso ilimitado ao Diário da República electrónico custa 1500€ se bem percebi -, agora vejam o que se passa com a tributação de IVA face ao mesmo produto...

Estou-te a enviar isto para verificares ao ponto a que chegou o nosso sistema fiscal.
Sobre o mesmo serviço - fornecimento das leis publicadas no país - recaiem taxas de iva diferentes, consoante a forma como a informação é transmitida. Assim, neste caso, para o Estado interessa mais, para efeitos de tributação, a forma como o serviço é prestado e não o próprio serviço que está a ser prestado.


Para saberes mais sobre as taxas de iva em toda a Europa sobre os vários meios de transmissão de informação (livros, cd's, dvd's, jogos, internet, etc.) vai ao site Amazon.co.uk.

Sérgio

Ainda se as taxas estivessem invertidas com o suporte papel a pagar mais do que o electrónico... Um nadinha incoerente com o regime de benefícios fiscais à proliferação de material informático nas casas de cada um por exemplo.

Posted by Rui at 11:14 AM | Comments (3) | TrackBack

janeiro 16, 2004

A Maternidade, a Paternidade e as Empresas (act.)

O Jaquizinhos passou por aqui e perante o meu estado de desacorçoamento depois de ontem ter passado pelo Liberdade de Expressão tenta chamar-me para o campo do esforço intelectual. O pretexto mais próximo é a medição das consequências do aumento da licença de maternidade em vários planos: a das preocupações com o planeamento familiar e com o planeamento das empresas. Pergunta-me o JCD:

Rui, mas porque é que o bom senso te soa atroz?
Tens alguma dúvida que o aumento do período de maternidade "aumenta os incentivos à discriminação" e que "Ninguém gosta de contratar empregados que podem passar 4 meses e meio sem trabalhar."?
Uma coisa é acharmos que a medida é boa porque protege as mães em maternidade. Outra é reconhecermos que quanto maior é a protecção à maternidade, maior é o incentivo à não contratação de mulheres em idade de serem mães.
Diz-me lá: contratavas uma mulher para tomar conta do teu negócio, sabendo que ela se ia ausentar por 4 meses? E se fossem 12?

Eis a resposta.
Deixa-me fazer uma síntese.
1. O problema já existia – existindo licença de maternidade haverá sempre incentivo para que não se contratem mulheres em idade de procriar – portanto, com a nova proposta do Ministro estamos a falar da magnitude do incentivo e não de um novo problema.

2. Por outro lado, ter uma mãe (os pais!) junto do filho nos primeiros anos de vida é reconhecido como um dos aspectos mais importantes para o são desenvolvimento da criança e da família. A crescente sensibilização para o reconhecimento da importância desse facto parece contudo inversamente correlacionada com o surgimento de condições objectivas que permitam aos pais dispor de tempo para essas tarefas. O modelo de organização social, a forma como se equilibram as relações laborais parecem caminhar cada vez mais para a impossibilidade desse objectivo sem que com isso se ponham em causa as ditas relações laborais. Num país onde a percentagem de mulheres empregadas a tempo inteiro, em idade fértil, atinge um dos mais altos níveis do mundo dito desenvolvido, o problema surge acrescido. O equilíbrio de mercado parece assim identificar um elo mais fraco sistemático. Faltará aos empregados engenho e arte para inverterem esse caminho?
Numa conferência sobre a população a que assisti há três anos em Helsínquia, uma das conclusões mais repetida nos estudos feitos na Europa ocidental apontava para um desejo estável das mulheres quanto ao número de filhos pretendidos. O número de filhos efectivamente tidos diminuía contudo sistematicamente. Os estudos, a carreira e as obrigações profissionais surgiam como o principais motivos para essa discrepância. Notem que falo de países onde há maiores tradições de trabalho parcial nos mais diversos sectores de actividade económica. Cá o problema é tendencialmente mais grave.

3. Temos finalmente o problema da viabilização da actividade económica das empresas que contratam jovens em idade fértil que poderão ter de se ausentar durante um longo período.

Dito isto vamos à resposta:
O que é o bom senso? Ora o bom senso de que fala o JCD tem em conta apenas um destes problemas, uma das partes. Se eu considerar como razoável, desejável, inevitável (!) a internalização de alguns custos sociais na função de custos de qualquer empresa observarei o meu bom senso de outra forma, com outra premissas. Ter jovens mães com direito a licença de maternidade não é um factor exógeno, deve ser interpretado como um dos aspectos da responsabilidade social de uma empresa (não dispare já JDC, leia mais um bocadinho).
A forma como o Liberdade de Expressão e o Jaquinzinhos põe os empresários a encarar o problema é diversa, dão-lhes o direito de recusarem essas preocupações limitando o âmbito do seu bom senso a um problema microeconómico onde a maternidade (ou qualquer matéria de responsabilidade social : creches, refeitórios,etc) como uma imposição exógena ao problema económico. Pôr as coisas nestes termos (e notem que ainda não estamos a discutir o que poderia ser um decisão equilibrada para os interesses em conflito), pôr as coisas nestes termos, dizia, é que me parece totalmente desprovido de bom senso. O meu bom senso tentará assim não ser nem o bom senso do empresário, nem o bom senso dos pais, mas algo que resultará duma tentativa de equilíbrio dos dois.

Que soluções?
Um dos argumentos possíveis é garantir a internalização do custo “licença de maternidade/paternidade”, ou seja, algo que seguramente o Jaquinzinhos chamaria saltar da frigideira para o fogo, pois exigiria uma intervenção adicional do Estado que, perante, a efectivação da discriminação das jovens férteis, obrigaria as empresas a contratar uma quota de jovens proporcional ao seu peso na população activa… Digamos que não vou tão longe, a solução seria potencialmente gravosa em termos de eficiência na alocação de recursos humanos… Mas já agora vejam bem: se os empresários achassem a ameaça desta imposição como real e se fossem absolutamente racionais deveriam pensar duas vezes antes de discriminarem negativamente as jovens. Mas como sabemos o espírito de curto prazo domina entre a maioria da classe empresarial: enquanto o pau vai e vem folgam as costas, por isso... Outro aspecto em que se reflectem as vistas curtas do algum empresariado (e este na minha opinião bem mais nefasto) é a incapacidade de verem oportunidades naquilo que apenas consideram como imposições do Estado. Será que nunca passaria pela cabeça do JCD e do Liberdade de Expressão reverter aquilo que consideram uma falta de bom senso (apenas imaginam como uma perda de competitividade imposta sem apelo nem agravo à empresa) como uma potencial oportunidade que se poderia traduzir num ganho de produtividade? A satisfação no trabalho e o rendimento de cada trabalhador vai bem além das horas trabalhadas, ou passadas na empresa. Assim como as necessidades do trabalhador e a sua satisfação passam hoje por muito mais do que o vencimento ou o prémio de produtividade no final do ano. Mais uma vez ponho em causa a racionalidade de tantos e tantos empresários. A lentidão com que o mercado se apercebe desses ganhos comparativos em gerir uma empresa com balanço social é inacreditável. Algures no modelo de mercado deve existir uma falha, talvez haja assimetria de informação, falta de estatura dos gestores, não sei, mas impressiona-me que haja bons resultados em termos de rácios de produção em algumas empresas socialmente conscientes sem que haja, contudo, uma disseminação desse fenómeno. Talvez no longo prazo o mercado livre lá chegue, talvez mas prefiro não deixar os meus bisnetos esperarem para ver. O Estado vai apelando repetidamente através da consertação social para os aspectos de responsabilidade social sem grandes resultados. A tentação para legislar aumenta, naturalmente.

Bom, mas recentremo-nos no assunto retendo que o custo para a empresa de ter de suportar um trabalhador que se ausenta por alguns meses para ter um filho (por exemplo 6 em vez dos obrigatórios 4) poderia ser revertido numa boa campanha que lhe estimularia a produtividade dos empregados e poderia até servir de moeda de troca em termos salariais ou de atracção adicional para quadros que lhe interessasse contratar. Um bocadinho de criatividade e boa gestão de custos poderia ser surpreendente. A questão é que este mundo quase ainda não existe e as empresas não têm tipicamente preocupação de planeamento familiar.
Temos outros problema enquanto comunidade: criar condições para a manutenção da população do país, atenuando um envelhecimento galopante, bem como, a educação familiar prestada às crianças, ambos aspectos que põem em risco a qualidade de vida e o bem estar social.
Como intervir? Qualquer solução para ter sucesso exigirá alguma revolução de mentalidades junto dos empresários. Disso não tenho dúvidas. Esse tipo de revoluções não se decretam por lei mas podem ser estimuladas. Nomeadamente através do código de trabalho.
Hoje temos licenças obrigatórias de 4 meses e um período com direito à redução de duas horas do horário de trabalho ao longo do primeiro ano de vida do bebé (acho que é isto). Ora bem, se o problema é a discriminação negativa a que as mulheres são sujeitas e não a necessidade de haver um período de maior acompanhamento por parte dos país aos filhos pequenos, não me chocaria liberalizar o gozo do direito e a criação de várias opções negociáveis sujeitas a algumas restrições que poderia melhor ajustar as vontades específicas dos país e dos empregadores.

Vejamos por pontos alguns problemas/soluções:
1.
O aleitamento. Este aspecto distingue algumas das mães (nem todas podem aleitar) dos pais. Logo será difícil e não desejável contrariar em absoluto esta discriminação em qualquer medida criada. Podemos é contrabalançá-la com outra discriminação idêntica a favor do pai. Num ápice deixaríamos de ter discriminação. Nos primeiros 4 meses e meios ninguém vai trabalhar, nem pai nem mãe e a empresa que pague o vencimento, que tal? Bem, tentemos algo menos abrupto…

2. O contacto com os país nos primeiros meses é tido como demasiado importante para poder ser recusado por estes. Para evitar abusos no relacionamento com o empregador o carácter não negociável de um período de tempo de possibilidade de presença com os filhos parece-me correcto. É triste mas se calhar é melhor. As alternativas em que se apela ao bom senso entre as partes têm resultados conhecidos como já referi acima.

3. O factor idade tem muitos outros aspectos onde se valoriza a juventude em prejuízo das faixas etárias mais envelhecidas pelo que encarar a paternidade como uma discriminação negativa pode até ter um efeito interessante na gestão de recursos humanos. Uma vantagem comparativa para quem já formou família ou já não terá tantas probabilidade de o fazer. Quantas vezes ouvimos a frase” Velho de mais para recomeçar, novo de mais para se reformar?” Podíamos juntar outros ditados populares à nossa história :-)

4. Resta então atenuar o ónus tido por tantos como negativo que recai sobre a jovem potencial mãe. Ora julgo que a lei já permite que seja o pai e não a mãe a gozar a licença e se assim for, à luz da lei, não há discriminação nenhuma. Havendo essa possibilidade, o empregador não tem já hoje tanta certeza quanto à relação sexo/licença de paternidade… Logo, à luz da lei, não há discriminação nenhuma, aumentar o prazo (como propõe o ministro) não seria, teoricamente, um agravar da situação como pressupus no início e pressupuseram JCD e o João Miranda.

5. Mas temos a estatística e esta diz-nos que em regra são as mães a usufruir da licença. Isto acontecerá por razões culturais, talvez até seja recomendado fisiologicamente, mas também pode acontecer por excessiva rigidez da lei que não permite que o período da licença possa ser intercalado entre os pais. A lei permite que sejam os pais a escolher, não permite que por exemplo estes dividam a ausência permanente de um deles por um período dos dois em part time, por exemplo. Julgo que a lei também não prevê uma maior flexibilidade nas formas de relacionamento laboral nos primeiros três anos de maternidade que poderiam passar por uma maior facilidade em acordar o regime de trabalho (por exemplo, o direito do trabalhador em requerer um regime a tempo parcial com perda proporcional do vencimento, ou mesmo a licença sem vencimento).
Enfim, acho que há muitas reformas necessárias e até testadas noutros países (mais e menos liberais) que poderíamos explorar tentando equilibrar o balanço económico e social da nossa vida em comum. Dando uma ajudinha a pais empregados e empregadores. Esse é o esforço de bom senso que defendo.

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janeiro 13, 2004

Desequilíbrios Concelhios: Top +

Notem bem que estes números (ver texto anterior) não reflectem qualquer défice orçamental, apenas conseguem aproximar o desequilíbrio estrutural entre origem e destinos dos valores monetários que se encontram à disposição das Câmaras.
Assim, os 10 concelhos onde as receitas correntes se apresentavam claramente excedentárias face às despesas de igual natureza, segundo os dados divulgados pelo INE foram, em 2001:


Oeiras (Despesa corrente inferior à receita corrente em 36516 mil euros)
Cávado
Sintra
Cascais
Porto
Braga
Matosinhos
Seixal
Lisboa
10º Almada (Despesa corrente inferior à receita corrente em 15325 mil euros)

E com isto terminam por hoje as curiosidades estatísticas, há muito prometidas e muito pouco cumpridas, aqui no Adufe.

Posted by Rui at 05:43 PM | Comments (0) | TrackBack

Desequilíbrios Concelhios: Top -

Pegando em dados estatísticos facilmente acessíveis (Retratos Territoriais do INE) fiz uma conta muito simples.
Utilizando dados de tesouraria (receitas totais iguais a despesas totais) fui ver quem é que registava os maiores desequilíbrios positivos e negativos ao nível de despesas correntes versus receitas da mesma natureza.

Em 2001 (são os dados mais recentes), os 10 concelhos com os maiores desequilíbrios negativos foram os seguintes:


Ourique (Despesa corrente superior à receita corrente em 1982 mil euros)
Celorico de Basto
Mourão
Alcácer do Sal
Mação
Celorico da Beira
Sines
Ferreira do Alentejo
Santiago do Cacém
10º Monforte (Despesa corrente superior à receita corrente em 925 mil euros)

Posted by Rui at 04:36 PM | Comments (2) | TrackBack

janeiro 12, 2004

Eu quero um regime fiscal só para mim! (act.)

(Inicialmente publicado dia 9 de Janeiro de 2004)

O Adufe inicia hoje uma acção de protesto e contestação exigindo junto do Ministério das Finanças um regime fiscal mais favorável para o seu autor. Leia-a o manifesto em anexo!


O autor além de ser bom rapaz e de estar a pensar contribuir para combater a curva demográfica desfavorável à saúde financeira do sistema de segurança social nacional e à própria actividade económica da pátria mãe, é ainda um trabalhador por conta de outrem extremamente dedicado.

A exigência passa por reclamar a isenção de pagamento de impostos por parte de um dos elementos que auferem um rendimento regular e que incorporam o agregado familiar do autor do Adufe. Não se pede mais do que a transposição para os trabalhadores por conta de outrem do regime mais favorável concedido aos empresários proprietários de taxis que viram o rendimento obtido por um dos seus veículos ser isentado do pagamento do imposto devido, comparável ao Imposto Sobre o Rendimento que incide sobre os trabalhadores por conta de outrem (fazendo fé na veracidade da notícia de hoje do Jornal de Notícias).

Enquanto não se iniciarem negociações directas, bipartidas, de carácter semi-secreto entre um representante do ministério das Finanças e do autor do Adufe, este blogue não deixará de se manifestar publicamente reclamando igualdade de oportunidades (direitos e obrigações) entre os cidadãos e agentes económicos deste país.
Tenho dito!

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janeiro 07, 2004

Foi você que ganhou o sorteio fiscal?

Não resisto a fechar as "operações blogueiras" com um destaque no prime time da blogoesfera à quinta adufadela do dia que está ali mais abaixo. E o destaque é:

Se bem percebi a administração fiscal é convidada a periodicamente, digamos, semanalmente, sortear um contribuinte, não para ser inspeccionado pelos auditores das finanças mas para se deslocar, por exemplo, a um estúdio de televisão e apresentar todas as facturas passadas em seu nome com data do ano anterior. O prémio do contribuinte será equivalente ao somatório dos valores de todas as facturas legalmente aceites que conseguir apresentar.

Posted by Rui at 11:08 PM | Comments (0) | TrackBack

Evasão fiscal: vamos a sorteio?

O economista Miguel Frasquinho na sua crónica quinzenal do Jornal de Negócios apresenta-nos uma ideia que só não é peregrina por já ter provas dadas de bom sucesso em alguns países dispersos um pouco por todo o planeta.
O desafio que aborda é o de combater a evasão fiscal e, após alguns brandos considerandos sobre a eficácia da publicidade do Ministério das Finanças e das medidas de incentivo à facturação (deduções à colecta em sede de IRS através de facturas de restauração entre outras), apresenta-nos o sorteio.
Se bem percebi a administração fiscal é convidada a periodicamente, digamos, semanalmente, sortear um contribuinte, não para ser inspeccionado pelos auditores das finanças mas para se deslocar, por exemplo, a um estúdio de televisão e apresentar todas as facturas passadas em seu nome com data do ano anterior. O prémio do contribuinte será equivalente ao somatório dos valores de todas as facturas legalmente aceites que conseguir apresentar.

Um pequeno senão que se calhar há alguns anos poderia dar aso a manchetes de indignação é a companhia de países e cidades onde se aplica actualmente esta promoção do respeito pela tributação: Paraguai, Costa Rica, Taiwan e algumas zonas da China continental. Mas que diabo, mais que não fosse pela auto-estima tão em baixo, quem somos nós para termos complexos de superioridade perante este companheiros de luta?
A ideia é tão hollywoodesca, tão básica e tão simples que pela minha parte acho mesmo que vale a pena tentar. Não resolverá em absoluto o problema mas só lhe vejo vantagens. Quem vota contra?

Em anexo deixo-vos a crónica supra citada.

Miguel Frasquilho
A morte e o pagamento de impostos
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Um dos provérbios mais conhecidos nos Estados Unidos tem a sua origem numa frase de uma carta escrita em 1789 pelo então Presidente Benjamin Franklin (1706-90) a Jean-Baptiste Leroy e é o seguinte: “In this world nothing is certain but death and taxes”.
Um dos provérbios mais conhecidos nos Estados Unidos tem a sua origem numa frase de uma carta escrita em 1789 pelo então Presidente Benjamin Franklin (1706-90) a Jean-Baptiste Leroy e é o seguinte: "In this world nothing is certain but death and taxes".

Isto é, nada no mundo é certo excepto a morte e o pagamento de impostos.

Desde o século XVIII que esta máxima se tornou célebre entre os norte-americanos, pelo que não é surpreendente que a dimensão da economia paralela, subterrânea ou "informal" (designação mais "chique" e hoje tão em voga) nos EUA seja a menor de entre os países da OCDE, correspondendo a menos de 9% do PIB – que compara com os 22,5% de Portugal ou Espanha, 27% em Itália, 28,5% na Grécia, ou mesmo 12,5% no Reino Unido, 15% na França e 16% na Alemanha (os dados são da OCDE).

Penso que em raras ocasiões no passado a questão da fraude e evasão fiscal terá estado tão em cima da mesa, em Portugal, como hoje se verifica. Com toda a propriedade – como os números acima documentam.

É provável que seja neste ano de 2004, que agora iniciamos, que o cruzamento de dados entre o fisco e a segurança social seja levado a cabo de forma efectiva pela primeira vez, o que acalenta esperanças de que a luta contra essa fraude e evasão possa começar a ter mais resultados.

Mas é preciso não ter ilusões: a questão da fuga aos impostos é, antes de tudo, uma questão cultural e de mentalidades. Se, em média, qualquer americano toma o pagamento de impostos tão certo como a morte (já desde o século XVIII...), em Portugal, a resposta à pergunta "O que é que toma como certo na vida?", por certo não incluiria o pagamento de impostos... Na verdade, julgo mesmo que se alguém no nosso país respondesse que tomava o pagamento de impostos como certo, seria alvo de chacota generalizada.

Porque o que é considerado um feito é fugir sempre que se pode, é não pagar quando é devido, ou ludibriar a administração (fiscal, neste caso) e gabar-se disso – o que, em geral, é visto com admiração por aqueles que nos rodeiam. Alguns casos são bem conhecidos. E são, também, em minha opinião, de uma total falta de vergonha e pudor da parte de quem os propagandeia. E, além disso, quantas investigações a casos de fraude e evasão fiscal o leitor se lembra de serem bem sucedidos?... É que, para "ajudar à festa", existe a convicção de que a impunidade – essa sim! – é que é quase certa... ao contrário do que acontece noutras paragens.

É por isso que, em meu entender, medidas como o famoso PEC (pagamento especial por conta), apesar de fazer muito justo pagar pelo pecador, é certamente melhor e menos injusto do que nada fazer e continuar a deixar que muitos contribuintes, quer individuais, quer colectivos, não cumpram com as suas obrigações fiscais (mas claro que espero que seja uma medida transitória e que sistemas mais eficazes e fiscalmente mais justos sejam entretanto desenvolvidos).

É certo que frases como "se todos pagarmos, todos pagamos menos" ou "é no pagamento de impostos que o seu dinheiro deve estar" (como alguns anúncios mais conhecidos da administração fiscal hoje publicitam) são deontologicamente correctas e duvido que alguém questione a sua justeza.

O problema é quando toca no bolso de cada um. Na verdade, há uma irresistível vontade de aplicarmos as máximas que acabei de referir apenas aos outros e não a nós próprios, pensando "se todos os outros pagarem menos eu, não haverá grande diferença" (o que significa apanhar uma boleia – "free ride" na literatura anglo-saxónica). Só que, se todos pensarmos assim, o caso muda de figura, e é assim que chegamos a toda a fraude e evasão que hoje existe, bem como toda a injustiça fiscal que daí deriva.


Bem sei que muitos poderão argumentar que este problema tem a dimensão que tem porque os serviços públicos que deveriam corresponder à carga fiscal que suportamos deixam muito a desejar – por outras palavras, que o montante de impostos que pagamos é excessivo para a qualidade dos serviços que o Estado nos presta. Não posso deixar de concordar, mas também é verdade que não é por isso que devemos deixar, por nossa iniciativa, de fugir ao pagamento de impostos.

Os anúncios que puxam à consciência de cada um deverão continuar - mas, como já referi, os resultados práticos não serão brilhantes. O mesmo acontece, por exemplo, com a possibilidade de deduzir, em sede de IRS, facturas de pagamentos do IVA de determinados bens e serviços – desde logo porque o montante máximo que pode ser deduzido é baixo (Eur 50) e, como tal, desincentivador de pedir as tais facturas. Já uma fiscalização maior e medidas coercivas exemplares são, sem dúvida, desejáveis e ajudarão a mudar em muito o actual panorama (aliás, sem uma actuação eficaz das autoridades, o cruzamento de dados entre o fisco e a segurança social estará votado ao fracasso...).

Mas existem também outras formas de tentar combater a fraude e evasão fiscal – através de um convencimento real dos contribuintes e não "à força". Por exemplo, a realização de concursos ou lotarias fiscais com uma periodicidade a definir, com grande cobertura mediática e em que, mediante a apresentação de facturas de compras efectuadas, os contribuintes ganhariam prémios, quer monetários, quer em espécie (como automóveis), naturalmente de acordo com o montante da(s) factura(s) em questão.

Em alguns países da América Latina (Paraguai e Costa Rica) e na China (em regiões como Pequim e Shanghai, que hoje são apontadas como referências em termos de sucesso económico) e Taiwan, expedientes deste género já foram colocados em marcha, precisamente com o intuito de combater a fraude e fuga fiscal e de tentar incutir uma mentalidade diferente entre os contribuintes.

Sei que muitos leitores poderão estar agora a pensar – "mas que ideia mais disparatada!" ou "desceríamos ao terceiro mundo!". Bom, em primeiro lugar, tenho sérias dúvidas de que, do modo como em geral encaramos esta matéria e face a ela nos comportamos, tenhamos lugar noutro mundo qualquer que não seja o terceiro. Por outro lado, se é verdade que países como o Paraguai ou a Costa Rica poderão não ser o exemplo acabado de sucesso económico, já o mesmo não sucede com a China ou Taiwan – cuja trajectória recente nada fica a dever a muito país ocidental...

Além disso, qual a diferença de um expediente deste género relativamente a jogos populares bem conhecidos como a lotaria, o totoloto ou o totobola? Na verdade, estamos a falar de jogos cujo produto, para além de poder proporcionar prémios a jogadores afortunados, tem igualmente uma vertente social, pois contribui para melhorar a vida de muitos que não são favorecidos.

Ora, o que aqui está em questão é uma possibilidade (e não mais do que isso!) de aumentar a receita fiscal combatendo a fraude e a evasão de forma não-coerciva e tentar ajudar a que a carga fiscal possa descer para todos, actuando com eficácia acrescida e diminuindo a injustiça. Para além de que – assim estou convencido – a possibilidade real de ganhar prémios actuaria sobre os contribuintes portugueses (é a mentalidade infelizmente reinante no país) com uma eficácia que não tem comparação com qualquer anúncio publicitário – por mais bem feito e apelativo que fosse.

Faltaria sempre "a cenoura", que aqui seria a possibilidade de ganhar um prémio. E, claro, não nos devemos esquecer que, à semelhança do que acontece nos outros jogos populares tradicionais já referidos, os próprios prémios distribuídos são tributados, angariando receitas adicionais para o Estado.

Resultados de experiências do género já realizadas? Não são ainda muito conhecidos (dado que se trata de experiências na sua maioria recentes), mas em Shanghai, por exemplo, o número de facturas admissíveis a concursos mais do que triplicou após os primeiras lotarias fiscais apresentadas na televisão – e o número de contribuintes que pedem factura literalmente explodiu.

Ora é evidente que a fraude e evasão fiscal fica, deste modo, muito mais dificultada... além de que tal poderia ajudar a mudar a "tal" cultura ou mentalidade que faz com que, vergonhosamente, só a morte seja encarada como certa no nosso país.

Obviamente, repito, trata-se apenas de uma ideia que aqui deixo (e não mais do que isso!), que ainda por cima nem é original, que – claro! – não invalida todos os procedimentos actualmente em marcha a que já me referi e que, se for caso disso, poderá ser pensada com maior profundidade e detalhe de modo a poder ser colocada em prática. Mas bem que poderá ser uma ajuda – e ainda por cima "simpática", porque não é coerciva – no combate a um dos maiores flagelos da economia portuguesa, com reflexos marcantes em termos de justiça fiscal e social. Quer apostar, caro leitor? in Canal de Negócios /Jornal de Negócios, 7 de Janeiro de 2004

Posted by Rui at 04:50 PM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 06, 2004

A retoma "escorregou" em Dezembro (act.)

Indicador de clima e indicadores de confiança nos consumidores e nos serviços em degradação

Com os dados recolhidos em Dezembro interrompeu-se a tendência recente de recuperação na série do Indicador de Clima. Os resultados agora apurados, além de terem conduzido a uma revisão em baixa do valor de Novembro, fixaram o Indicador no nível mais baixo dos últimos quatro meses. O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma evolução marginalmente negativa, interrompendo o movimento ascendente observado desde Maio do corrente ano. No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do Indicador de Confiança, tendo-se registado um novo mínimo da série iniciada em Abril de 2001.

Fonte: INE

Gráfico

Posted by Rui at 11:50 AM | Comments (0) | TrackBack

Informação Económica

Hoje vai ser um dia rico em dados económicos. Destaco alguns nacionais referidos pelo Canal de Negócios que nos permitirão fazer mais um balanço macro-económico da conjuntura. Voltarei a este assunto daqui a pouco...

06-01-2004
Banco de Portugal O Banco de Portugal publica o Boletim Económico de Dezembro.
INE Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores de Dezembro

Posted by Rui at 10:20 AM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 03, 2004

Uma adufada para a rainha dos Assírios (acrescentado)

A Semiramis pegou na sugestão que lhe fiz e expôs as suas dúvidas e as suas certezas sobre os efeitos da liberalização dos combustíveis.

No fundamental, que é a incerteza do cenário futuro, estamos de acordo, mas há um aspecto que me parece, conjunturalmente curioso. Olha para a imprensa, para as reacções dos media, para a expectativa criada e quase me esqueço que já existia liberalização parcial do preços. Havia apenas um tecto fixado administrativamente. Ou estarei errado?

Ficarei também muito satisfeito no dia em que, após a fase de amadurecimento da economia nacional, que paulatinamente vem ocorrendo, assistir a uma saudável intervenção do Estado em defesa da livre concorrência demonstrando valorizar prioritariamente o interesse nacional e preterindo o interesse muito específico de algum grupo de interesse habitualmente bem instalado junto do poder. Não passa de um palpite mas julgo que mais cedo ou mais tarde a evolução dos preços no mercado da distribuição de combustíveis possibilitará ao Estado (via Governo) dar provas dos interesses que defende. Talvez me engane e não se chegue a essa prova de fogo se, por exemplo, na vizinha Espanha surgir algum exemplo nesse sentido e caso esse exemplo venha a ter divulgação pública significativa por cá.

Acrescento ainda que estou completamente às escuras quanto à forma, critérios e evolução histórica da atribuição de concessões de exploração de novas gasolineiras em Portugal. Não sei muito bem até que ponto por essa via é possível assegurar a fundamental pressão saudável de um potencial novo entrante nesta indústria. Um factor que se pode revelar determinante na resolução da nossa indeterminarão ao nível global e regional.

Assusta-me ainda a perspectiva, que a Semiramis também admite, de existir a razoável probabilidade de as distorções de preço (preço dos combustíveis acima do preço médio nacional) proliferarem nas zonas de menor competição, onde possam existir monopólios locais. Assusta-me por fazer todo o sentido e por ir afectar regiões do país particularmente vulneráveis e agrestes para o desenvolvimento económico.
Assusta-me ainda o carácter pontual, aparentemente quase desprezável, no grande esquema das coisas, que essas situações assumirão. Longe da vista, longe do coração: longe da eventual vontade política em garantir a igualdade de oportunidades a todos através da garantia da concorrência em todo o país?
Convinha começar desde já a pensar numa resposta para estas situações. Admitir um desvio máximo face ao preço médio nacional a partir do qual o Estado deva intervir? Estimular a introdução de novos concorrentes em zonas cujo preço por sistema registe valores acima da média nacional?
Temos mais perguntas que respostas mas há um policiamento a fazer: exigir que o Estado não se demita de garantir o regular funcionamento do mercado.

Adenda: recomendo a leitura de um muito irónico texto do JMF que só agora vi. O JoãoMF chama-lhe "Abençoado mercado livre!".
Ainda que a sua primeira frase pareça ignorar o aumento do ISP que levaria a uma subida de um cêntimo no preço no anterior enquadramento do mercado, o remanescente do breve texto remete-me para o que digo ali acima algures no segundo parágrafo: já há bastante tempo que ninguém estava proibido de descer os preços...

Posted by Rui at 12:48 AM | Comments (1) | TrackBack

dezembro 30, 2003

A bola de cristal

O Adufe cita John Kenneth Galbraith:


"The only function of economic forecasting is to make astrology look respectable."


E cita muito bem porque só um tolo é que acredita que um sistema complexo como a economia pode ser antecipado. Mas se não pode ser antecipado, então as interferências do estado na economia são irresponsáveis porque as consequências das políticas são imprevisíveis.

in Liberdade de Expressão

Meu caro João, interpreto a frase de JKG mais como um apelo bem humorado ao culto da humildade por parte dos economistas (econometristas) e ao espírito crítico de quem por eles é aconselhado, do que como uma lei empírica que deva tolher por completo a utilidade da tentativa de projecção da realidade económica.
No fundo é o mesmo que dizer: tenhamos cautela com as previsões, olhemos para elas como indicações, como mais uma peça de informação a considerar no conjunto dos dados que levam à tomada de decisão.
É preciso ver que qualquer empresa, e não apenas o Estado, deve fazer um esforço para se projectar no futuro, em fazer previsões sobre si e sobre o meio em que se insere, (e isto também envolve economic forecast!) para melhor preparar decisões estratégicas.
Olhemos para as previsões mas não as levemos demasiado a sério, não façamos depender a nossa reputação e as nossas políticas da absoluta precisão das mesmas. As consequências que o João extrai são na minha modesta opinião excessivas e claramente enviesadas. Uma engraçada provocação :-)

Uma área onde o João Miranda deve estar mais próximo da razão (apesar de haver ainda uma acessa discussão e muita matemática a palpitar) é na previsão dos mercados financeiros: demasiadas vezes a melhor previsão é um belo de passeio aleatório. It's an "arch" question to deal with! ;-)
Como perguntava outro economista que cito de cor: se os analistas financeiros são tão bons a prever a evolução das cotações porque raio é que não são todos multimilionários?

Posted by Rui at 11:01 AM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 29, 2003

John Kenneth Galbraith

"The only function of economic forecasting is to make astrology look respectable."

John Kenneth Galbraith

Ai o que ele foi dizer...

Errata: como alguns simpaticamente me fizeram notar, o nome do citado economista tinha uma terminação errada. Está corrigido.

Posted by Rui at 04:32 PM | Comments (8) | TrackBack

dezembro 27, 2003

O meu BMW é muito mais importante que a fome do outro

O nosso amigo do Jaquinzinhos brindou-nos com mais alguns parágrafos no seu texto "Conceitos" ainda sobre a questão da pobreza.

A época não está para grandes polémicas mas li por lá uma frase e um parágrafo que quero para aqui trazer. Já se sabe como é a conversa, tal como as cerejas, puxa-se por um assunto e quando se dá conta estamos a discutir os porquês do mundo:

"
Pobre é o homem cujo vizinho comprou um BMW.

Estamos no Natal e talvez esta seja a altura ideal para olhar para este mundo e perceber porque é que os países ocidentais, com economias mais livres, criaram sociedades em que as privações dos seus cidadãos se reduziram a níveis residuais, enquanto muitos outros países que abraçaram outras teorias deixaram os seus povos em níveis de subsistência e desenvolvimento insuportáveis."

in Jaquizinhos

Na minha modesta opinião o seu Jaquim conseguiu exceder-se. Á parte a tirada do residualismo da pobreza nas economias mais livres - Como mede o nosso Jaquinzinhos a pobreza e de que pobreza fala? – já sabemos que não é a relativa; A partir de quanto é residual? Qual o período histórico com que compara a dimensão actual da pobreza nas sociedades ocidentais? Qual a evolução da pobreza de que fala o Jaquinzinhos numa perspectiva cronológica recente, digamos, os últimos 100 anos no seio das sociedade ocidentais? - fico então a saber que nós, "as economias mais livres", não tivemos absolutamente nada a ver com o passado e as suas consequências sobre a actualidade da realidade económica e social dos povos que hoje enfrentam problemas graves para assegurar o desenvolvimento dos seus países. Digo isto porque, num passe de magia, toda a responsabilidade da pobreza (dos “níveis de subsistência e desenvolvimento insuportáveis”) que grassa por bem mais de meio mundo é culpa exclusiva do "abraço a outras teorias" que não a neo-liberal...

Eu confesso que nem sabia quão abrangente havia sido a prática desse tipo de abraços teóricos nos países onde a pobreza se conta maioritariamente pelo risco da indigência e inanição total. Mas o Jaquinzinhos descobriu numa penada o culpado e a cura resumindo-se esta última numa palavra: liberalizem!
É irónico que este seja o grito que alguns dos países que tentam sair da pobreza e possuem alguma inteligência entre as suas escassas elites lançam aos ouvidos das "economias mais livres".

Pelo que vou conhecendo estou convencido que o nosso modelo económico actual, o das “economias mais livres”, é demasiadas vezes um importante factor restritivo das possibilidade de recuperação de povos que tenham caído no pecado de "abraçar outras teorias".
Muito do que somos e temos hoje foi construído e é construído às custas do outro, do que é hoje pobre. Para cada exemplo de sucesso recente (sucessos "liberais" francamente duvidosos em muitos casos por pactuarem ou se basearem num funcionamento de mercado de trabalho pleno de atrocidades e comportamentos repugnantes para o nosso entendimento de Homem) encontramos muitos outros onde pelo comportamento distinto das potências mundiais e/ou da história particular do Estado se agravou o fosso entre os mundos agravando-se também o problema da pobreza.
O modelo que tanto prezamos é cego e não necessariamente adequado às concepções de justiça exigidas pelo ser humano no relacionamento com o seu semelhante. Além disso, o modelo e os agente que o praticam possui uma muito conveniente e concorrida “porta da traição”: as “economias mais livres” e os principais arautos do modelo, quando na posse do poder político e económico, estão longe de seguir os seus tão propalados dogmas. Crendo que não está em causa a democracia como veículo adequado à implementação do modelo neo-liberal, nem os princípios básicos subscritos na Carta Universal dos Direitos Humanos, só pelo implícito receio de um desmoronamento (de alguns sectores?) das economias mais livres se compreende:
- o proteccionismo das economias mais livres em sectores onde estas são menos concorrenciais a nível internacional;
- a incapacidade de concretizar promessas de colaboração e compromisso com sociedades em vias de desenvolvimento disponíveis à mudança;
- o veneno que são algumas das ajudas caridosas que as ricas “economias mais livres” têm lançado cirurgicamente aos famintos pobres [podemos discutir por exemplo a questão da "inundação", perdão, doação de carne de vaca potencialmente infectada com BSE e/ou febre aftosa – carne que ninguém por cá queria - de que foram "felizes" beneficiários alguns países, onde finalmente o mercado mais livre da carne começava a dar os primeiros passos, lembro-me da Rússia...].

As teorias tem destas coisas, da boca dos seus mais distintos defensores e implementadores surgem as aparentemente mais incoerentes medidas que no fundo nada mais traduzem do que a capacidade e disponibilidade permanente para o discricionarismo. Um discricionarismo que é nefasto por não ser assumido, percebido e antecipado perante os cidadãos e agentes económicos. Um discricionarismo que no caso específico da mentalidade neo-liberal se manifesta quase sempre pela defesa do domínio da lei do selvagem mais forte, pela defesa sem princípios e desregulada, não-solidária e egoísta dos meus interesses particulares de curo prazo. Um discricionarismo que entendo por burro. Se atentasse a uma perspectiva mais vasta do mundo e do meu papel nele, nos levaria seguramente a outros caminhos...
Práticas discricionárias não admitidas pelo modelo teórico que, em suma, desacreditam o âmbito generalista que pretendem atribuir ao quadro teórico que defendem.

O meu BMW é muito mais importante que a fome do outro, o meu BMW ou aquele que eu não tenho e que faz de mim uma "pobre alma" no mundo onde eu vivo, não está desligado do regime político estabelecido exogenamente em alguns dos países fornecedores de matérias primas sustentáculo da indústria automóvel e de boa parte da nossa economia actual. Ter fome é estar em desvantagem, é ser incapaz, é pertencer a uma sociedade, a uma espécie onde grassa a extrema desigualdade.
Era bom que o Jaquinzinhos tivesse razão, que a solução se resumisse a uma vontade do faminto em abraçar uma teoria salvadora.

Pela minha parte e feita a breve crítica digo-vos que encontro características instrumentais na teoria neo-liberal que em ambientes maduros e regulados (a discutir se quiserem) dificilmente encontrarão alternativa mais eficaz e eficiente. O Liberalismo que conheço pelos bispos da Escola do Jaquizinhos não me deslumbra, contudo, para fazer a sua acérrima defesa tamanhas são as suas lacunas. Pode dar algum gozo ter um "clube", servir para andar às cacetadas com os "bárbaros" de Esquerda ou coisa que o valha mas não creio que faça de qualquer mente com sentido crítico racional uma pessoa iluminada conhecedora da verdade suprema que terá de espalhar pelo mundo à laia de um qualquer fanático marxista-leninista ou fundamentalista religioso.

Pela parte que me toca, não faço dessa teoria nem de nenhuma outra aquilo que elas não são: soluções globais, infalíveis e definitivas para a organização económica e social da nossa espécie. Defendo uma utilização criteriosa e combinada de várias características das teorias dominantes. O esforço intelectual a que nos votámos não foi em vão. Mas não nos deixou nada de absolutamente perfeito.

Há de facto a necessidade de exercer "jurisprudência" no governo dos organismos, há espaço para a criação, espaço onde a cartilha não se adequa, há um desafio de ajustamento entre os vários instrumentos que tenhamos em acção ou como opção.
Digo-vos, por exemplo, que acredito que o poder da transparência, da sinceridade e do envolvimento no governo de uma empresa (que poderemos ver como de inspiração liberal pura num certo sentido) tem sido largamente desprezado face ao poder do chicote (também ele tantas vezes defendido pela lógica do trabalhador manhoso prolifera na boca de neo-liberais conservadores). Olho para a forma como a AutoEuropa decidiu em conjunto enfrentar a crise e vejo um exemplo, uma excepção. É demasiado fácil confundir autoridade com autoritarismo e ainda ninguém me convenceu que sustentar uma empresa com base no autoritarismo e mecanicismo do força de trabalho seja mais vantajoso do que apostar no respeito, no compromisso. Demasiadas vezes vejo o liberalismo a “despedir” como primeira opção, raras vezes vejo-o a procurar alternativas e não compreendo a razão deste caminho quando é a própria razão que consegue ir provando em muitas desta excepções que há alternativa que estas, a médio prazo, se traduzem em ganhos bem mais interessantes (e mutuamente vantajosos) para a empresa e empregados.

Como definir os critérios para colmatar as falhas das teorias? Podemos e devemos tentar desenvolver novas teorias, novos instrumentos, observar a realidade e tentar compreendê-la mas, no final (e no entretanto), teremos sempre algum grau de discricionaridade a que recorrer para lidar com os fenómenos de natureza social onde o agente é o homem livre.
Resta-nos observar os princípios básicos da sã convivência próprios da civilização em que vivemos e defendemos (e que são muitos deles, felizmente, aceites pelas demais sociedades do planeta) e utilizar as capacidades intelectuais de que dispomos onde não se desprezem as experiências passadas e a capacidade de antecipação das consequências (que devemos humildemente reconhecer como limitada) para recomendar um percurso.

Combatendo o orgulho pessoal, cultivando a sinceridade e o tão delapidado valor da palavra de cada um (chamem-lhe honra se quiserem) e exigindo não menos que esse combate dos outros talvez cheguemos a algum mundo de patamar superior onde não faça sentido falar de pobreza.
Temos um belo caminho de pedras a percorrer!
Pela minha parte tentarei evitar os “pecados” que aqui enuncio e ser fiel aos princípios que prezo e que nesta época histórica tenho a sorte de serem a “teoria dominante” da sociedade em que vivo.

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dezembro 17, 2003

Biotecnologia em Portugal (act.)

Nuno Arantes de Oliveira é o autor de um texto diagnóstico da situação da biotecnologia e do investimento em Investigação e Desenvolvimento no nosso país.
Além de dar aqui destaque ao texto publicado no suplemento de Economia do Público da passada segunda feira que tomo a liberdade de reproduzir em anexo (o link desaparecerá em breve), sublinho os factores críticos para o sucesso da indústria da biotecnologia (sectores de investimento a longo prazo de elevado retorno e alto risco) que o autor destaca:

“(…)a sobrevivência das empresas de biotecnologia depende grandemente de dois tipos de solução: o primeiro é a intervenção de grandes empresas, por exemplo farmacêuticas, que apostem em inovação e que queiram "servir-se" das "start-ups" de biotecnologia como janela para novas oportunidades tecnológicas. Foi isto que determinou, em grande parte, a emergência da biotecnologia em países como a Suécia ou a Irlanda. O segundo factor tem a ver com a existência de investidores especializados, geralmente fundos de Capital de Risco, que se dedicam a financiar projectos empresariais jovens, de base tecnológica. Deste tipo de investidor espera-se um perfil e uma postura específicos, que lhes permitam fazer investimentos substanciais a longo prazo, compreendendo o mercado e a tecnologia que formam a base dos projectos. (…)”

Sucede que, tal como adianta o autor, nenhuma desta soluções se encontra disponível acima dos níveis críticos em Portugal pelo que é necessário fazer um esforço de captação de atenções junto de agentes externos (um esforço necessariamente coordenado pelo Estado) e, adicionalmente, fomentar o investimento continuado em investigação e desenvolvimento que atinge valores muito inferiores aos dos nossos concorrentes directos.

Há uma infra-estrutura quase invisível a completar nesta área. Além da necessária aposta na instrução vocacionada para a investigação e desenvolvimento, via sistema de ensino, creio que o Estado (que o dinheiro dos contribuintes), pode e deve ser aqui investido com fundadas esperanças de criação de valor, combinando a contratualização com os centros de conhecimento e o necessário investimento de risco.
O intuito final deverá ser o de contribuir para construir, pacientemente, uma cultura de criação de conhecimento junto do tecido empresarial português encontrando novos sectores de actividade por onde desenvolver a economia nacional. Tanto quanto sei, esta não tem sido uma aposta relevante do actual executivo, talvez indirectamente o seja na vertente de captação de investimento estrangeiro, mas pelo que se conhece da história recente das relações com o exterior (que se revelam um interesse externo insuficiente), pelo grau ainda embrionário dos agentes económicos numa actividade de ponta caracterizada por grandes riscos e grandes competitividade, parece ser um esforço insuficiente.
Falta talvez um valente empurrão?

Economia do conhecimento tarda em dar provas do seu potencial
A Infância Prolongada da Biotecnologia em Portugal
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2003

Quatro anos depois da revista Nature Biotechnology ter declarado que o país tinha "aberto as suas fronteiras" ao sector, as empresas então consideradas bons exemplos tiveram dificuldades em crescer, as "start-ups" contam-se pelos dedos da mão e não se vêem casos claros de sucesso internacional de produtos nacionais

Nuno Arantes e Oliveira*
Em Março de 2000, um artigo publicado na prestigiada revista científica Nature Biotechnology declarava no título que Portugal tinha "aberto as suas fronteiras" à biotecnologia. A peça falava do crescimento no número de doutorados em áreas científicas relacionadas com a biotecnologia, da emergência de programas de promoção do empreendedorismo, dos parques de ciência e tecnologia (C&T), e de medidas para a promoção de Investigação e Desenvolvimento (I&D) no tecido industrial. O tom era de esperança e optimismo; os problemas existentes tinham sido identificados e seriam resolvidos - a biotecnologia em Portugal poderia estar prestes a passar à fase adulta.

Passados quase quatro anos, como é que evoluiu a biotecnologia em Portugal? Mesmo as empresas que já na altura eram consideradas os bons exemplos do sector tiveram dificuldades em crescer, apesar do mérito inegável dos seus pioneiros fundadores. Poucas "start-ups" surgiram entretanto, e quase nenhumas com a intenção explícita de desenvolver novas tecnologias. A biotecnologia continua a representar uma ínfima fracção dos projectos propostos aos parques de C&T, e não se vêem casos claros de sucesso internacional entre os produtos da biotecnologia feita em Portugal. Será que o país está condenado a não ter uma verdadeira indústria biotecnológica? Será que para progredir vamos forçosamente depender da inovação produzida por outros? E será que o investimento na base científica, em particular nas ciências biológicas e afins, nunca irá trazer benefícios visíveis à economia nacional? A resposta a todas estas questões poderá ser não; mas para que o seja é útil perceber primeiro o que é a biotecnologia (ver caixa), e quais serão os factores-chave a ter em conta para que a situação melhore.

Factores críticos de sucesso...
A biotecnologia é um sector difícil e complexo. Os ciclos dos seus produtos são extremamente longos, e as receitas só surgem por vezes ao fim de alguns anos. A isto junta-se o facto de as empresas exigirem investimentos de monta, devido sobretudo aos custos do trabalho de I&D. Trata-se de um sector de alto retorno, mas de alto risco também. Por esta razão a sobrevivência das empresas de biotecnologia depende grandemente de dois tipos de solução: o primeiro é a intervenção de grandes empresas, por exemplo farmacêuticas, que apostem em inovação e que queiram "servir-se" das "start-ups" de biotecnologia como janela para novas oportunidades tecnológicas. Foi isto que determinou, em grande parte, a emergência da biotecnologia em países como a Suécia ou a Irlanda. O segundo factor tem a ver com a existência de investidores especializados, geralmente fundos de Capital de Risco, que se dedicam a financiar projectos empresariais jovens, de base tecnológica. Deste tipo de investidor espera-se um perfil e uma postura específicos, que lhes permitam fazer investimentos substanciais a longo prazo, compreendendo o mercado e a tecnologia que formam a base dos projectos.

Talvez o principal desafio que a biotecnologia enfrenta hoje em Portugal seja a angustiante indisponibilidade, ao nível nacional, de cada uma destas duas soluções. Por um lado quase não existem actores industriais de grande dimensão que procurem inovação biotecnológica, e à sombra dos quais novos projectos inovadores possam florescer. Por outro lado não existem entidades financeiras vocacionadas para a biotecnologia. Embora existam fundos de capital de risco em Portugal, nenhum demonstra uma orientação adequada especificamente à biotecnologia. Na ausência de um número suficiente de empresas ou casos de sucesso, compreende-se que seja hoje arriscado, para um investidor, dedicar-se prioritariamente à biotecnologia em Portugal.

... para sair do círculo vicioso
Como sair deste círculo vicioso, onde a ausência de empresas trava o surgimento de investidores especializados e vice-versa? Tal como noutras situações, teremos de olhar para fora de Portugal, de modo a gerar benefícios internamente. Seria positivo criar condições para que grandes multinacionais farmacêuticas se instalassem em Portugal, não para distribuir os seus produtos localmente, mas para fazer I&D de ponta. Existem zonas do país - como Oeiras - que apresentam condições favoráveis à fixação de multinacionais farmacêuticas: parques tecnológicos com boas infraestruturas, institutos de investigação biológica de alto nível, concentração de doutorados, etc.. Mas para que uma indústria de biotecnologia cresça em Portugal de forma sustentada é preciso mais. É preciso que as tecnologias que surjem nos nossos centros possam ser desenvolvidas por projectos empresariais, com objectivos ambiciosos e bem definidos. Importa que os melhores (bio)empreendedores portugueses vislumbrem soluções para que os seus projectos cresçam para além das fases embrionárias de dependência de subsídios governamentais. Para isso a melhor solução poderá ser mais uma vez a atracção de entidades estrangeiras - desta feita sobretudo fundos de capital de risco especializados - para investir, directa ou indirectamente, na biotecnologia feita em Portugal. Para tal é importante criar um clima de confiança, em que os grandes investidores da biotecnologia mundial se sintam motivados a actuar em Portugal. Isto só acontecerá se os principais actores locais, em particular o governo, fizerem da biotecnologia uma verdadeira prioridade estratégica e apontarem, de forma inequívoca, o sector como um dos principais motores do ressurgimento económico do país.

Como nota de conclusão, e correndo o risco de constatar o óbvio, há a lembrar que nenhum sector de base tecnológica florescerá em Portugal se não se mantiver e acelerar, por bons e largos anos, o investimento na investigação científica de base. O combate aos problemas aqui descritos será inútil se, em simultâneo, Portugal menosprezar a sua ciência. O crescimento no número de doutorados e outros indicadores tem sido positivo, mas de modo nenhum suficiente. Só um investimento público continuado na investigação científica, ladeado por iniciativas que atraiam indústria e capital estrangeiro, poderão permitir à biotecnologia feita em Portugal sair, finalmente, da infância em que há muito se encontra.

*Investigador de pós-doutoramento no Centro IN+ do IST

Colaboração INTELI - Inteligência em Inovação

Artigo do suplemento de Economia do Público 15/12/2003

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dezembro 15, 2003

Recomenda-se a leitura de...

O défice que me perdoe mas crescimento é fundamental!
In Canal de Negócios

António Mendonça
O défice que me perdoe mas crescimento é fundamental!
amend@iseg.utl.pt
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Tornou-se por demais evidente que o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) se revelou um instrumento ineficaz para assegurar o cumprimento das regras de coordenação das políticas orçamentais impostas pela gestão conjunta do euro.
A recente decisão do Ecofin de relaxar a aplicação de sanções à França e à Alemanha pelo não cumprimento dos limites fixados para o défice orçamental vem tornar dramaticamente evidentes duas situações de fragilidade do desenvolvimento actual do processo de integração europeia.

A primeira prende-se com a inexistência de uma política efectiva de coordenação macroeconómica a nível comunitário, suportada em objectivos estratégicos claros e num orçamento quantitativamente credível para apoiar o lançamento de projectos europeus integrados, de médio e longo prazo, orientados para a promoção do crescimento na Europa, incluindo a correcção das inevitáveis assimetrias entre países.

Com efeito, tornou-se por demais evidente que o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) se revelou um instrumento ineficaz para assegurar o cumprimento das regras de coordenação das políticas orçamentais impostas pela gestão conjunta do euro. Concebido mais para limitar as tendências laxistas por parte dos países menos desenvolvidos, entre os quais Portugal, do que para abrir caminho a uma maior integração de objectivos e de resposta conjunta a problemas, o PEC não resistiu à primeira grande prova de fogo provocada pelos efeitos da actual recessão económica sobre os países mais fortes da União Europeia.

A segunda fragilidade prende-se com o papel da actual Comissão Europeia e com a inexistência, de facto, de um verdadeiro órgão de dinamização de iniciativas de âmbito comunitário. Paradoxalmente, numa fase maior de desenvolvimento quantitativo e qualitativo do processo de integração europeia é quando se revela a total incapacidade da Comissão de antecipar a evolução dos acontecimentos e de propor as medidas necessárias para evitar chegar às situações de descredibilização do projecto de integração europeia como a que se viveu na última reunião do Ecofin.

Em vez de apelidar o Pacto de "estúpido" e deixar tudo na mesma, teria sido muito mais útil dinamizar um processo de adequação das regras do Pacto à evolução da situação económica, acomodando e integrando as inevitáveis medidas anti-cíclicas, postas em prática nos diferentes países mais afectados pela recessão e preparando o caminho para uma maior coordenação e integração das políticas orçamentais. Poder-se-á contra-argumentar que, na prática, foi isso que aconteceu na reunião do Ecofin e, em parte, não deixa de ser verdade, mas a credibilidade das decisões e dos compromissos aí assumidos seria, seguramente, maior se se tivesse evitado o desrespeito, imposto pelas necessidades dos mais fortes, das regras acordadas por todos.

As mais recentes previsões económicas, da Comissão Europeia e da OCDE, (ver Quadro 1) apontam para a inversão das tendências recessionistas ao longo de 2004 e 2005. De entre as projecções de crescimento, não deixa de ser surpreendente a revisão em alta das taxas de crescimento do produto americano que, no caso da OCDE, apontam para 4,4% em 2004 contra 2,2% para a U.E. e 1,6% para o Japão.

Se olharmos para a evolução das principais economias mundiais nos anos mais recentes é claramente visível o maior desempenho da economia americana, com excepção do ano de 2001, ano em que a recessão bateu forte. Mas também é notória a despreocupação com que os americanos têm olhado para o défice orçamental que rapidamente evoluiu de uma situação de excedente, vivida no período de expansão da presidência Clinton, para uma situação de défice crescente desde, precisamente, o ano de 2001, e que se projecta para a casa dos 5%, pelo menos até 2005 (ver Quadro 2).

Pode-se dizer que, no caso dos EUA, a política macroeconómica anti-cíclica tradicional encontra o pleno espaço de aplicação. Não apenas no plano monetário, com as mais baixas taxas de juro desde os anos 50, mas também no plano orçamental onde a entrada em recessão fez automaticamente disparar o défice para valores que, em termos absolutos, para termos uma ideia da sua dimensão, representam cerca de seis vezes o PIB português! E não se ficam por aqui os americanos no afã proteccionista dos seus interesses económicos como o demonstra a aplicação de sobretaxas à importação de aço e de outros produtos concorrentes dos produzidos em território americano ou no modo como deixam o dólar depreciar-se significativamente, dando aos europeus a ilusão de que é o euro que se está a apreciar.

Talvez seja a constatação da descolagem da economia americana que levou franceses e alemães a inverterem prioridades em matéria de política económica interna e a colocarem o combate à recessão como preocupação central. No entanto, a via seguida não foi seguramente a melhor do ponto de vista do interesse geral da União e poderá ter consequências desastrosas nos planos da credibilidade e eficiência das instituições comunitárias e da confiança recíproca entre os países-membros.

Em todo o caso não adianta "chorar sobre o leite derramado" e o que importa é seguir em frente recuperando a outra componente do Pacto que aponta precisamente para a importância de considerar o crescimento como uma preocupação central da cooperação económica no espaço da União, abrindo por esta via espaço para a afirmação das dinâmicas de inovação e competitividade que têm faltado em muitos dos sectores da economia europeia quando comparados com os seus congéneres americanos e asiáticos.

Se a recuperação da dinâmica de crescimento é essencial para o sucesso do projecto de integração europeia e de afirmação da União no contexto das tendências actuais de globalização, no caso de Portugal esta necessidade assume contornos verdadeiramente dramáticos. Com efeito, desde 2001, como é fácil constatar pelos quadros juntos, a economia portuguesa enveredou por um processo de divergência face à média comunitária que, tudo indica, terá um ponto culminante este ano com uma das maiores quebras do produto da sua história recente e continuará, de acordo com as projecções, pelo menos até 2005.

Continuar a apostar no equilíbrio orçamental como objectivo prioritário, neste contexto, corre o risco de deixar de ser obsessão para passar a ser puro suicídio. Portugal precisa de passar rapidamente para taxas de crescimento significativamente superiores à média europeia o que implica uma inversão completa de objectivos e prioridades em matéria de política económica. Todos os esforços devem ser concentrados no sentido de promover o investimento interno e externo, de apoiar as empresas e os sectores mais dinâmicos nos seus processos de internacionalização, de consolidar bases nacionais de inovação e desenvolvimento de produtos e processos de produção, de consolidar e alargar a base produtiva real da economia.

Dar prioridade ao crescimento não significa transigir em matéria de despesismo ou da necessidade de continuar a assegurar o controle do défice público mas, simplesmente, reconhecer que as reformas estruturais necessárias à criação de condições para uma efectiva consolidação orçamental só poderão ser realizadas com plena eficiência em ambiente de dinamismo económico.

In Canal de Negócios

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Eu quero uma mão invisível na Floresta!

Factor de risco para prevenção de incêndios
Portugal é o segundo país da UE com mais floresta privada

Leiam a notícia caros amigos (está em anexo).
Finalmente em alguma coisa estamos na liderança da Europa!
Só não percebo o ante-título. Factor de Risco? Deve ter sido um comuna, anti-liberal, um inimigo do mercado livre que escreveu tal coisa. Só falta dizer que o Estado tem de investir mais no interior para evitar os incêncios! No Interior! Já não bastam os milhões de euros desperdiçados em auto-estradas onde não passa nem passará ninguém nos próximos 30 anos? E pior! Ao longo da notícia cita mesmo um especialista que afirma:

«...)as causas sociais são responsáveis por 72 por cento dos fogos florestais. Lutas Craveiro sublinhou que é necessário estudar mais as causas sociais que estão na origem dos incêndios do que as causas naturais. "Desaparecem as pessoas, aparecem os incêndios", lembrou, referindo-se ao fenómeno da desertificação.»

Causas Sociais? Despovoação? Desculpas esfarrapadas para quererem nacionalizar a nossa tão querida floresta.
Defendamos a propriedade privada a todo custo! Se Deus quisesse que não ardesse ela não arderia. O Estado não tem nada que meter o bedelho. Não têm mais nada com que se preocupar? Ou onde gastar o dinheiro do contribuinte? E os senhores jornalistas também não têm mais nada que fazer?
Se eu volto a ver este tipo de discurso preparatório de mais uma cedência a essa corja que acha que o Estado por um momento que seja pode mais do que cada um de nós por si, convoco logo uma... concentração de pessoas de bem!

(O autor deste blogue sofreu um episódio momentâneo de rarefacção de oxigénio no cérebro. Encontra-se em convalescença acelerada pelo que esperamos que retome o seu juizo normal dentro de momentos.)

Nota: Inspirações incidentais em declarações de Carmona Rodrigues, Woody Allen, comunidade blogger ultra liberal, Luis Nobre Guedes, corruptores de Adam Smith, etc, etc.

Factor de risco para prevenção de incêndios
Portugal é o segundo país da UE com mais floresta privada

Lusa
Portugal é o segundo país da União Europeia com maior percentagem de floresta privada, o que dificulta a gestão do território florestal e potencia a ocorrência de incêndios. Os dados do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), relativos ao ano corrente, indicam que, na União Europeia (UE), à frente de Portugal só fica a Áustria.

O estudo do investigador Lutas Craveiro, do LNEC, indica que a floresta privada em Portugal "dificulta a coordenação entre interesses privados e interesses públicos", impedindo uma maior eficácia na prevenção de fogos florestais.

"Mais de 70 por cento de floresta em Portugal é privada", afirmou Lutas Craveiro, comparando a situação com a austríaca, em que mais de 80 por cento da floresta é privada. Na Alemanha menos de 50 por cento da floresta pertence a privados e na Grécia este valor desce até aos 15 por cento.

O especialista alerta que, dentro de 30 anos, todo o território nacional poderá ter um risco "muito alto" de incêndios. Actualmente, este risco concentra-se sobretudo no norte interior do país mas, de acordo com vários estudos, devido às alterações climáticas, deverá alargar-se a todo o território continental.

Segundo este especialista, as causas sociais são responsáveis por 72 por cento dos fogos florestais. Lutas Craveiro sublinhou que é necessário estudar mais as causas sociais que estão na origem dos incêndios do que as causas naturais. "Desaparecem as pessoas, aparecem os incêndios", lembrou, referindo-se ao fenómeno da desertificação.

Os dados do perito confirmam aquilo que já se sabe sobre os factores de risco para os incêndios, como as queimadas, o uso de fogo indevido, a negligência, acções de vingança entre vizinhos ou crime. In Público (15/12/2003)

Posted by Rui at 04:58 PM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 11, 2003

Desequilíbrios Regionais

Se houver alguém interessado... Infelizmente não poderei ir mas gostava de poder fazer algumas perguntas/ter alguns esclarecimentos. Enfim, fica a dica.

Exmos(as) Senhores(as),

Vimos relembrar que, a Ordem dos Economistas vai realizar na sua sede em Lisboa, na Rua da Estrela n.º 8, no próximo dia 12 de Dezembro, às 21 horas, uma Conferência sobre os > "> Desequilíbrios Regionais> "> , no âmbito do 16º Aniversário dos CADERNOS DE ECONOMIA e de O ECONOMISTA-ANUÁRIO DA ECONOMIA PORTUGUESA.

A sessão será presidida pelo Ministro da Economia, Dr. Carlos Tavares, e contará com a participação dos seguintes oradores: Professor Daniel Bessa (coordenador do estudo sobre as regiões e sectores deprimidos da economia portuguesa); Dr. Vasco Cal (coordenador-geral do relatório sobre a coesão económica e social - UE); Dr. Felix Ribeiro; Dr. Cadima Ribeiro. Será moderador o Bastonário, Prof. Simões Lopes.
Por razões técnicas a que somos alheios, não podemos garantir em absoluto a transmissão on-line da Conferência.
Contamos com a sua presença e participação activa.
A entrada é livre.

O Assessor do Bastonário
Pedro Meireles

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dezembro 10, 2003

Mais um para memória futura

Teodora Cardoso, uma sempre incómoda e bem informada economista da nossa "praça", atreve-se a fazer o balanço necessário. Com a inevitável brevidade que se impõe a um artigo de jornal analisa a política económica nacional dos últimos anos e chama os bois pelos nomes.
Quem quiser ler poderá fazê-lo consultando o texto que deixo em anexo. Encontra-se temporariamente disponível no Canal de Negócios.

Para abrir o apetite destaco estas palavras particularmente dedicadas ao actual governo e inspiradas pela constação das evidências:

«(...) Mesmo o aumento do desemprego em 2003 e o fraquíssimo crescimento dos nossos parceiros não conseguiram aproximar a produtividade portuguesa da europeia.

O desígnio de o fazer até 2010 insere-se num conjunto de programas do Ministério da Economia que tornam os governos Guterres num paradigma de eficácia e realismo. Outras grandes reformas, como as da administração pública ou da formação profissional, preparam-se para deixar tudo na mesma, com a possível excepção de politizar ainda mais o que devia ser despolitizado. Quanto à saúde, além de travar a melhoria de alguns serviços e acelerar a degradação de outros, vai conseguir reduzir o consumo público... porque passa a chamar-se transferências.

Por tudo isto, a viragem no sentido da “destruição criativa” de Schumpeter aparece cada vez mais longínqua. Para já, 2003 ficará para a história como o ano da “destruição destrutiva”.»

Teodora Cardoso
2003, o ano da “destruição destrutiva”
teodora.cardoso@clix.pt
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Em 1942, Schumpeter cunhou a frase “destruição construtiva” para caracterizar o fenómeno típico da evolução das economias capitalistas, onde aquilo que conta é a concorrência pela inovação.
Em 1942, Schumpeter cunhou a frase “destruição construtiva” para caracterizar o fenómeno típico da evolução das economias capitalistas, onde aquilo que conta é a concorrência pela inovação. Nos termos do próprio Schumpeter, a concorrência que importa é a “que põe em causa, não as margens de lucro ou o nível de produção das empresas existentes, mas os fundamentos mesmos da sua existência. Este tipo de concorrência está para a tradicional como um bombardeamento para o forçar de uma porta.

E faz com que se torne relativamente indiferente o facto de a capacidade competitiva tradicional reagir com maior ou menor celeridade. A poderosa alavanca que a longo prazo faz expandir a produção e baixar os preços é feita de outra massa.” (Joseph Schumpeter, Capitalism, Socialism and Democracy).

Foram precisos sessenta anos e a moeda única para que este conceito começasse a fazer sentido em Portugal. O proteccionismo corporativo e o reaccionarismo cultural que dominou as instituições portuguesas nos últimos séculos fez com que nos contentássemos com a concorrência pelo preço, mau grado o custo em termos de desenvolvimento económico que ela determinou.

A integração na UE aumentou o rendimento do país e eliminou a fortíssima restrição de financiamento externo que antes existia e, por isso mesmo, tornou definitivamente obsoleta a concorrência pelo preço.

Durante quase duas décadas continuámos, no entanto, a preferir ver na UE apenas o desafogo imediato e não as implicações futuras. Se um dia a história for contada, a forma como foram gastas as verbas da formação profissional dirá mais a este respeito que todos os comentários ou declarações políticas.

A decadência que começou a manifestar-se durante a gestão Guterres reflectiu sobretudo a resistência das corporações e dos grupos de interesses nacionais ao avanço das novas formas de concorrência que, como Schumpeter acentua, irão abalar os próprios fundamentos da sua existência.

Tornou-se aí clara a necessidade de uma liderança política forte que permitisse estimular uma ambição capaz de ver para além do acesso a cada vez mais fundos comunitários para alimentar actividades com um cunho cada vez mais parasitário.

Poder-se-ia acreditar que, com maioria absoluta no Parlamento e uma retórica de reformas estruturais e capacidade de decisão, o actual governo iria finalmente dinamizar essa mudança e multiplicar os exemplos de sucesso que, apesar de tudo, mostram ser esse o caminho certo. A realidade foi, no entanto, outra.

Em matéria de política macroeconómica, lançámo-nos no grande desígnio de “cumprir” o Pacto de Estabilidade, apenas com vista a aprofundar o afrontamento político e a preparar a necessária viragem do ciclo eleitoral. Para isso, tomámos medidas de restrição orçamental (aumento do IVA, cortes do investimento público, congelamento de salários, etc.), convencidos de que a retoma, que – pensava-se – viria na segunda metade de 2002, compensaria os seus efeitos negativos, que ficariam assim bem acantonados no campo do adversário político.

A retoma foi posteriormente adiada para 2003 e agora para 2004. Com respeito ao PEC, passámos a aderir com crescente convicção à escola italiana que leva a contorná-lo até onde a imaginação e a complacência das instituições europeias o permitam. Nos últimos tempos, até já vemos defensores da política governamental argumentar que a política orçamental não foi restritiva porque só reduziu o défice através das receitas extraordinárias. Esta parte é verdade, mas primeiro o governo aumentou o défice graças precisamente às medidas restritivas.

Quando finalmente foi suspensa a “máquina infernal” do PEC (na expressão de Charles Wyplosz), tornando indispensável retomar a discussão séria da coordenação das políticas económicas na UE, a Ministra das Finanças declarou o seu desinteresse pela matéria, uma vez que lhe basta saber o que quer para Portugal.

Acontece, porém, que quaisquer objectivos que tivermos para Portugal não serão atingidos ignorando a UE. Pior do que isso, porém, esses objectivos são cada vez mais difíceis de descortinar. Mesmo o aumento do desemprego em 2003 e o fraquíssimo crescimento dos nossos parceiros não conseguiram aproximar a produtividade portuguesa da europeia.

O desígnio de o fazer até 2010 insere-se num conjunto de programas do Ministério da Economia que tornam os governos Guterres num paradigma de eficácia e realismo. Outras grandes reformas, como as da administração pública ou da formação profissional, preparam-se para deixar tudo na mesma, com a possível excepção de politizar ainda mais o que devia ser despolitizado. Quanto à saúde, além de travar a melhoria de alguns serviços e acelerar a degradação de outros, vai conseguir reduzir o consumo público... porque passa a chamar-se transferências.

Por tudo isto, a viragem no sentido da “destruição criativa” de Schumpeter aparece cada vez mais longínqua. Para já, 2003 ficará para a história como o ano da “destruição destrutiva”.
In Canal de Negócios

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dezembro 06, 2003

Ainda cá estou

Para se ter fé não é preciso ser-se crente. Ter fé é acreditar em algo sem provas concretas que alicercem essa crença. Julgava, até ler o seu texto, que este entendimento fosse um dado adquirido no léxico português.
Quem diz estas, certamente sábias, palavras é a nossa colega bloguer Joana do Semiramis.
E são paradigmáticas as ditas, paradigma da nossa momentânea (lá está o meu optimismo) incapacidade de entendimento. Leio o que lhe escrevi em matéria de fé, leio estas linhas aqui reproduzidas que a Joana me dedicou e fico em posição de "Pensador" com o queixo nas mãos.
Lá terei que deitar fora o meu modesto Houaiss, pelo menos na sua definição filosófica de fé, mas enfim, quem sou eu, um pobre Adufe, para rejeitar os dados adquiridos da mais excelsa deusa dos Assírios (espero não ter a mitologia trocada).

Joana, perante tamanha incapacidade da minha parte em compreender e interpretar o que escreveu, deixemos então aos leitores o julgamento que bem entenderem fazer da nossa breve polémica. Havemos de ter outras oportunidades para debater outros temas. Talvez micro-temas, para ver se é mais fácil não nos enredarmos em incompreensões sucessivas.
Lamento apenas ter de lhe comunicar que partilho o seu sentimento de incompreensão face àquilo que percebeu de algumas coisas que eu escrevi. Agradeço desde já os sublinhados que me fez e que me permitiram seguramente clarificar e aprimorar as minhas técnicas discursivas facilitando debates futuros com próximos polemistas com que me venha a debater. Mas denoto ainda, para finalizar, alguma mágoa por a Joana insistir em querer colar ao esoterismo, ou deverei dizer talvez, ao âmbito do onírico, sinceras propostas de operacionalização que julgava estar a fazer. É que nem uma se escapou, nem uma micro reforma para a amostra, nem mesmo as já implementadas que citei e que julgava servirem de modelo a reproduzir (escuso-me de as repetir, estão no texto). Pelos vistos sofro do mal da governação pois, pegando na sua metáfora, ao implementar as minhas "medidas", note as aspas, mais não faria do que repetir o mito de Nero na sua Roma, agora não com a lira, mas seguramente com um Adufe.

P.S.: A história da floresta de que fala é curiosa... Imaginando-a, pelo que li, acérrima defensora da supremacia e larga auto-suficiência do mercado (por favor diga-me que desta vez não a interpretei mal pelas deduções que fiz), fico-me com esta: onde estava a mão invisível do mercado para, com a sua racionalidade automática, antecipar e precaver a potencial extinção pelo fogo, (ou, no mínimo, grave atrofiamento) do próprio mercado dos produtos florestais? As premissas da concorrência e do mercado livre estavam largamente asseguradas, o estado, omisso, permitia o maior dos liberalismo possível e imaginário, e contudo... Tudo ardeu! Ninguém, nenhum agente livre conseguiu unir-se a outrem por forma a que todos juntos, ou por entreposto prestador de serviços subcontratado, desmatassem a floresta e evitassem o mal... Esperava que ao menos agora, os proprietários florestais imitassem os armadores renascentistas recorrendo ao mutualismo, ao seguro, rejeitassem interferências externas ao sector... Não clamassem pelo socorro do Estado essa figura tão presente no nosso passado debate...

Posted by Rui at 01:30 AM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 05, 2003

Quanto custa conhecer a lei?

Se descartarmos as bibliotecas muito pouco práticas para alguns milhões de portugueses atarefados, o acesso ilimitado durante um ano, à base de dados do Diário da República custa ao bom português 550€ (?) (preços de 2003).
Bem sei que andamos em época de encontrar onde poupar mas atrevo-me a considerar estes preços de consulta via suporte digital uma afronta. Constituem uma barreira significativa de acesso a informação vital... Até as leis do mercado estão em causa! Não acha meu caro (liberal sorteado aleatoriamente da blogoesfera)?
Haveria coisa mais básica onde o acesso deveria ser livre de taxas do que o acesso à legislação que somos obrigados a conhecer? Cobrem mais pelas estatísticas não gerais, se quiserem, mas deixem as leis em paz!

Posted by Rui at 04:40 PM | Comments (6) | TrackBack

Dados da Cultura 2002

Qualquer dia temos estatísticas de blogues no INE... Para já o que há é isto:

"(...)[Em 2002] Os museus mais visitados foram o Oceanário de Lisboa, Jardim Zoológico em Lisboa, Zoo da Maia, Mosteiro dos Jerónimos, Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha, Palácio Nacional de Sintra e Palácio Nacional da Pena, que totalizaram 41% do total dos visitantes.
(...)
A partir do “Inquérito anual às publicações periódicas - 2002” foram apuradas 2 107 publicações. A tiragem total anual foi de, aproximadamente, 703 milhões de exemplares e cerca de metade tinha uma periodicidade diária e 30% semanal. No que respeita ao número de títulos por tipo de publicação, as revistas representavam 41% do total, os jornais 38% e os boletins 15%.
Quanto à tiragem, 87% dos jornais apresentaram uma tiragem média por edição que não ultrapassou os 10 000 exemplares. Este tipo de publicação foi
responsável por 70% da tiragem anual, 74% do número de edições anuais e 73% dos exemplares vendidos.

(...)
No ano 2002 foram observadas 1 917 bibliotecas, as quais dispunham de 2 580 núcleos de apoio, 3 043 salas de leitura e 99 905 lugares disponíveis. O número de utilizadores registados foi de cerca 11,9 milhões, os quais consultaram 16,3 milhões de documentos.
(...)
Em 2002, realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, diurnas e nocturnas, registando um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos. O número total de espectadores foi de 4,3 milhões, gerando receitas no valor de 22,6 milhões de Euros. O teatro foi, de todas as modalidades dos espectáculos, aquela que continuou a ter maior expressão, sendo responsável por 56% das sessões realizadas, com um total de 1,3 milhões de espectadores, representando 30% do total. O valor das receitas geradas por esta modalidade foi de 7,2 milhões de Euros, correspondendo a um preço médio por bilhete de 9,8 Euros.
(...)
Nas sessões de cinema realizadas foram exibidas maioritariamente longas metragens (503,4 mil), das quais 97% eram de origem estrangeira. Destas, cerca de 86% eram provenientes dos Estados Unidos da América. Refira-se que, no total das exibições, os filmes de origem europeia representaram cerca de 7%. O número de exibições de filmes exclusivamente portugueses atingiu cerca de 2%, aumentando esse peso para aproximadamente 3% se forem incluídas as co-produções.
(...)
Em 2002, as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a cerca de 766 milhões de Euros, traduzindo-se num acréscimo de
14% face ao ano anterior.
Nos jogos e desportos e nos recintos culturais as despesas aumentaram 34% e 21%, respectivamente. Nos restantes domínios as despesas ou registaram pequenos aumentos (artes plásticas e publicações e literatura) ou decréscimos, como os verificados nas despesas afectas à radiodifusão (-30%), música (-15%) e património cultural (-9%).
"

in INE Destaque à Comunicação Social de apresentação das "Estatísticas da Cultura Desporto e Recreio
2002"

Posted by Rui at 02:31 PM | Comments (1) | TrackBack

A fé, o optimismo e a determinação

Cara Joana para já dispenso-me de discutir detalhadamente os fundamentos primordiais da ciência económica pois até aí, face ao que disse (demasiado redutor) teria muito a dizer. Mas já que discutimos princípios básicos falo-lhe num parágrafo (e aos leitores) da forma como encaro o papel da Economia na sociedade.

Sublinho que prezo muito a vertente histórica da Ciência Económica (não será Economia essencialmente um exercício de compreensão do passado?) e considero que a capacidade da Economia e das suas mais famosas teorias em fornecerem um manual de procedimentos adequado para a resolução do dilema necessidades/recursos (para pegar na sua dicotomia) se encontra demasiado sobrevalorizada. Ainda temos muitos passos a dar nesta jovem ciência e muito provavelmente pede-se mais dos economistas do que aquilo que eles deveriam considerar-se capazes de dar. Acresce ainda que temos a mania de nos levarmos demasiado a sério. Demasiadas asneiras se fazem e fizerem em nome da Economia, o tenebroso economicismo. Mas enfim, é possível que sejamos uma das melhores hipóteses da sociedade para tentar resolver alguns dos seus problemas, para decifrar com maior ou menor probabilidade as causas e efeitos de algumas acções em sociedade. Notem que sou economista…

Respondendo a este último texto da Joana: A Alemanha do Pós-Guerra? Confesso que aqui a Semiramis foi desconcertante. Esta lição da história não percebi… Se não lesse o resto do seu texto estaria preocupado mas os pensamentos negros que me passaram pela cabeça foram felizmente desaparecendo com as suas restantes palavras. Há muitas interpretações possíveis do exemplo que deu. Não sei bem o que entender dessa referência… Se quiser ajudar a colmatar esta minha limitação disponha, se não quiser ter a paciência também não lhe levo a mal.

Em vez de continuar um taco a taco vou tentar sintetizar o que entendi do que a Joana escreveu e que me pareceu ser ponto de discórdia.
A Joana diz que não a entendi que nunca colocou o curto prazo à frente do longo prazo que tudo está integrado e tem de ser resolvido em conjunto… Ou seja, pelo que diz que estamos de acordo. Se assim é não consigo perceber o que quis dizer quando me respondeu com estas palavras que aproveito para colar à prioridade que destacou no primeiro texto:

Disse: «Você quando escreve “Estimular, promover e facultar a formação e a reflexão sobre o negócio, estimular a iniciativa privada, e o investimento público reprodutivo” parece o PR a falar. É óbvio que isso tem que se fazer (aliás, já devia ter sido começado há 30 anos), mas isso são acções que demoram muitos anos a surtir efeito. Até lá temos que viver com o que temos e geri-lo da melhor forma possível.»

Permita-me uma interpretação mais coloquial inspirada neste seu parágrafo e à luz do resto que escreveu: ok é preciso ter essa ambição à la Presidente da República, tudo isso é muito bonito mas não passa de lirismo. Temos é que controlar o défice com a realidade que temos, custe o que custar para não fazer das empresas uns aleijadinho a nível internacional. “Estimular, promover e facultar a formação e a reflexão sobre o negócio, estimular a iniciativa privada e o investimento público reprodutivo” não passam de palavras vãs muito distantes de terem consequências práticas. É preciso medidas concretas e de eficácia no curto prazo como a contenção salarial.
Foi contra esta interpretação das suas palavras que escrevi. Contra essa ideia de aquilo que demora muito tempo não dever ser a prioridade nestes tempos, este é um tempo de decisões clara e é preciso claramente conter os salários ponto final. Esta lógica é no mínimo desonesta. Como andamos há anos a tentar e não conseguimos mude-se a página, feche-se a loja e deixem-se os empresários trabalhar. Mas ao mesmo tempo a Joana disse que era óbvio que as tais medidas do PR são fundamentais… Disse-o por ser politicamente correcto? Para mim é mesmo preciso encontrar outros caminhos para pegar nesses velhas bandeiras (algumas nem tanto). Hoje! E de forma mais determinada e urgente do que aquela com que defende o equilíbrio das finanças públicas via contenção salarial e, já agora, congelamento quase absoluto de contratações. A sua aposta em absoluto no lado da oferta sem estimular minimamente a procura também não me inspira grande sucesso. É preciso que se diga como acabou já por dizer que a política de contenção se deve aplicar a que m não é produtivo esteja ou não no sector privado. São pequenas coisa que contrariam as generalizações e que são muito relevantes. Tudo o que seja 8 ou 80 no que toca à economia costuma produzir efeitos desastrosos. Mas não me alongo por aqui que o texto já vai longo.

Entretanto no meu penúltimo texto tentei perceber até que ponto acredita naquilo que diz. E aquilo que disse, se bem se recorda, passava pela demonização em absoluto da função pública e “das empresas à mesa do orçamento”, das Universidades pela sua genérica incapacidade criadora e carácter feudal e por ai fora. Generalizou abusivamente e perdeu qualquer credibilidade ao fazê-lo.
Folgo em notar agora, no seu último texto, que afinal pelo menos no que toca à Universidade a sua convicção não vai além da faculdade de Economia que conhece, admite até que em Engenharia os vícios e a capacidade dos centros de investigação não sejam tão graves. Quando falei em centros de excelência que devem continuar a ser apoiados e gerados com o estímulo do investimento público estava naturalmente a pensar além da faculdade de economia que conheço com os seus pequenos quintais, pensava naturalmente nos tais outros centros que são de excelência não por que o político queira mas porque a comunidade cientifica internacional e nalguns casos o próprio mercado o dizem. Centros que, contudo, como já disse, definham (particularmente desde que chegámos à obsessão do défice) e em muitos casos por manifesta falta de visão da iniciativa privada nacional e também do Estado perdem para o exterior a fase que poderia trazer o maior valor acrescentado para a economia nacional. A questão do Feudalismo é distinta e merece uma abordagem específica. Recomendo que não se ponho tudo no mesmo saco no sentido de se faça depender uma medida indispensável e útil a implementação de uma reforma (não vá o diabo tece-las).

Quanto à questão da reforma da administração pública noto que a Joana voltou a generalizar passando ao lado de algo mais particular que eu propunha e que se cingia à administração fiscal. Com a proverbial demora das grandes reformas passa desde já um atestado de impossibilidade a uma mexida nessa área específica? Nessa área específica acho que um simples modelo de gestão com provas dadas no privado fará sem grande esforço justificar com retorno os investimentos que se façam. Haja um mínimo de vontade política. Estamos a falar de uma cobrança, de mais cobradores, mais fiscalização mais meios humanos essencialmente e eventualmente uns toques a nível legal. É óbvio que há espaço para melhorar na administração fiscal. Faça-se uma micro reforma Joana. Deixemo-nos de mega operações de reestruturação da Função Pública as tais que andam em bolandas há 30 anos. Enquanto se discute, se arrasta o processo global cujo fim a Joana já tão bem conhece (incapacidade política de resistir aos poderes feudais dos trabalhadores e estruturas de poder internas) porque é que o poder público não há-de receber dos economistas a sugestão de ir fazendo micro-reformas? Hoje a administração fiscal, amanhã os notários, depois o enquadramentos dos medicamentos (genéricos), as lojas do cidadão... Consigo fazê-la recuperar a “esperança juvenil” de que é possível mudar o aparelho do Estado com esta matreirice de enfrentar um lobby de cada vez? Deixar de pensar o Estado com profundidade porque é preciso combater o défice e porque não há nada para pensar pois já se sabe que é mau é o maior disparate a que assistimos.
Quanto mais troco impressões com a Joana mais optimista fico, mais distante me sinto de algumas ideias fáceis (desculpe o adjectivo) em que já me revi.

Não é que seja muito relevante mas já que referiu o seu percursos digo-lhe que este meu optimismo juvenil foi sendo construído depois de acabar o curso. Passei por uma ultra dinâmica multinacional (com muito a ensinar a muitas empresas e também muito a aprender) através da qual pude contactar com empresas de todos os sectores de actividade, depois trabalhei numa PME e até já conheço por dentro uma instituição pública em profunda ebulição reformadora. Não me deslumbrei com nenhum dos mundos. Há muito para fazer em ambas as esferas e há também muitas coisas boas a funcionar, por vezes no mais insuspeito e indevidamente mal catalogado lugar. Haver quem tenho olho é que é difícil, tal como naquela multinacional de chicos-espertos de que falei num outro texto desta série de debate.
Não gostei de todos os efeitos da regulação pelo mercado – exploração laboral próximo da escravidão e destrutiva de qualquer tentativa de estruturação de uma família por exemplo - nem da lógica vigente na parte função pública que conheci (onde a avaliação de desempenho está ausente e não há o mínimo sabor meritocrático). Dai a concluir que o monstro do aparelho do Estado é imutável e não há instrumentos que estão por aplicar para o mudar substancialmente num prazo de uma ou dias legislatura já é outra história.

Em certa medida o Estado precisa de exercer o seu poder libertando-se dos condicionalismos que o tolhem. Mas que condicionalismo são esses Joana? O dos sindicatos? Sim. Sem dúvida. Há situações de aproveitamento abusivo do contrato geral do trabalho e havia já muitas formas de os limitar que foram sendo ignoradas pelos sucessivos responsáveis. Uma situação muito semelhante à tal multinacional da chicos-espertos de que falei num texto anterior (já me repito não é?).
Mas há outros condicionalismo, o das pressões dos tão beneméritos e esforçados agentes económicos de mercado que se recusam a querer e a deixar o próprio Estado liberalizar o próprio mercado. Um efeito perverso muito interessante e de raiz histórica seguramente mas não só... Há lá grande empresa que se preze que não tente manietar o Estado na implementação de medidas que reforço da concorrência? Porque é que o mercado não “regula” esta atitude dos empresários? Eles deviam perceber quão bom é, para todos, haver mais liberalismo, no entanto, parecem não o desejar para o seu sector. E aqui arranjo-lhe exemplos desta prática em todos os países do mundo independentemente do grau de liberalismo vigente. É uma falha intrínseca mesmo para países que não tiveram o tal condicionalismo histórico do paternalismo da ditadura.
A gestão do Estado é também uma responsabilidade nossa, somos nós os micro accionistas. Ainda acho que podemos fazer alguma coisa além de fechar a empresa…

O que mais me preocupa no pensamento da Joana não é o seu pessimismo mas antes as suas certezas, o carácter definitivo do seu diagnóstico que justa ou injustamente tenho ouvido na boca dos actuais governantes para justificar as maiores barbaridades como a lei da rolha na contratação de funcionários públicos por exemplo. Não atribuindo tais responsabilidade à Joana noto a evidência das semelhanças teóricas entre os dois discursos.
É a facilidade com que parece pegar em casos pessoais para extrair certezas que me apoquenta (note que os meus têm contribuído para lançar a dúvida e abandonar certezas parecidas com as que a Joana perfilha). Com o congelamento, a não renovação de contratos de trabaljo, por exemplo, o Estado perdeu anos de formação, alguns dos seus melhores profissionais e muito provavelmente a sua melhor esperança para conseguir implementar as tais reformas, ou melhor ainda, as micro-reformas que se adivinhavam com as reestruturações, revisões do código de trabalho (contratação colectiva) e afins.

Cara Joana não me chame irrealista, há sempre uma faceta da realidade que nunca conseguimos ver. Boa parte do que a Joana transmite julgo que já outras Joanas e eu próprio conhecia, mas ainda assim acredito sempre que tenha algo de novo e interessante para eu acrescentar à minha percepção do mundo (hei-de ler os outros textos seus…). O melhor que eu posso querer é ir propondo humildemente algumas boas perguntas, aventar com alguns bons exemplos, demonstrar empiricamente as falhas no raciocínio e de prática de outros, de preferência através da experiência passada e sonhar um bocadinho na esperança de ter um sonho criativo com alguma utilidade.
Achei curiosos que não sendo religioso me atribua fé. Se for um crente crítico, daqueles que duvidam todos os dias e só assim concebem viver as suas crenças, não me parece que seja grave num economista optimista e voluntarioso que vou descobrindo, até me parece recomendável.

Posted by Rui at 02:02 PM | Comments (0) | TrackBack

dezembro 04, 2003

Epístolas Económicas (Act.)

Caro Rui
Estamos a falar em 2 registos diferentes. Nós temos 2 realidades com que nos confrontar: o curto e o médio e longo longo prazo E temos que agir sobre ambas.

Cara Joana,
Onde é que eu disse o contrário?

Quando você escreve que aquele “é o melhor discurso para tais acções nunca serem implementadas, na eventualidade de alguém as tentar implementar, há já uma expectativa demasiado precária para que haja motivação empreendedora”, eu também lhe poderia responder que o seu é o melhor discurso para não fazer nem um a coisa nem outra.

Mas qual é o discurso? O afirmar que não há estancidade entre curto, médio e longo prazo e de reconhecer que não podemos esperar que se atinjam todos os equilíbrios macroeconómicos dos livros para se recuperar o tempo perdido?

Não criar os equilíbrios macroeconómicos indispensáveis agora e não implementar as medidas a médio e longo prazo, pois que com uma economia não competitiva, com défice exterior demasiado elevado, não há recursos para o fazer.

Não há recursos?!?! Agora é a Joana que parece um político derrotado a falar. O dinheiro público não pode ser melhor gerido mesmo quando estamos a combater o défice? Porque é que não põe o combate fiscal, a maior equidade quanto à base de tributação fiscal (os contribuintes abrangidos) ao nível da contenção salarial na sua escala de prioridades? Se eu gastar mais um euro na máquina fiscal e garantir que esta me devolve mais do que um Euro com aumento da base e redução da carga fiscal do contribuinte individual não vale a pena o investimento? Noto que tem passado sempre ao lado deste ponto nos seus comentários… Corrigir a forma distorcida como os agentes económicos lidam e encaram o Estado (e vice-versa) também passa por aqui!
Eu vi o actual governo a tomar opções políticas de reforçar o orçamento de alguns ministérios, como o da Defesa, por exemplo, tendo ao mesmo tempo desinvestido no apoio à ciência e tecnologia. É claro que não há os recursos financeiros ideais, não há os que estavam disponíveis em 1998 e 2000 estamos de acordo. A tarefa é mais difícil, estamos de acordo. Mas há recursos e há opções que podem ser tomadas e cujo âmbito e impacto deve ir além do curto prazo.
Quer um exemplo que eu acho feliz onde o Estado não gastou praticamente nada e está a curto e médio prazo a retirar vantagens de uma boa medida? A situação dos genéricos. Muitas mais estão por tomar.

Escreve “Repor a saúde da economia... Das finanças públicas, queria dizer?”. Uma coisa implica a outra. Você não pode ter uma economia saudável com défice excessivo e com as contas com o exterior altamente deficitárias. Gera inflação, aumentos com encargos financeiros com a dívida pública e nas empresas, pois um Estado com défices excessivos constitui um risco maior e é penalizado nas taxas de juro, aumentos de impostos e, por acção conjugada destes factores, perda de competitividade das empresas e desemprego.

O equilíbrio das finanças públicas é uma condição necessária mas não suficiente. É só e apenas isto que quero deixar bem claro. E por não ser suficiente é necessário integrar esse objectivo de equilíbrio no outro mais ambicioso de garantir a saúde da economia. Neste momento não podemos dizer “vamos primeiro equilibrar as finanças públicas e depois vamos ver o que se pode fazer quanto à economia”. Temos de coordenar os dois objectivos admitindo que nalgumas áreas do aparelho do Estado reformar significa gastar mais e noutras gastar muito menos. Isso implica desfasar no tempo o objectivo do défice? Talvez. Admito que sim. Teria de conhecer melhor as finanças públicas para o dizer com mais segurança e teria de saber até onde poderia ir em termos de reformas. Que suporte político teria, de que fibra seriam feitos os meus ministros, que tipo de expectativa teria conseguido incutir na sociedade… Muito provavelmente teríamos de assumir claramente outras metas para o saneamento das finanças públicas. Aqui a conjuntura externa também teria uma palavra a dizer. Mas havendo determinação sólida, havendo a certeza que não abandono nenhuma das metas, demonstrando que estou a dar passos no caminho do saneamento (desburocratização na justiça, saúde, educação….) não acredito em grandes penalizações “via risco da economia”. Se a expectativa for sendo alimentada antecipamos as vantagens do saneamento das finanças públicas mesmo antes de as atingirmos.

O que diz sobre a “banca portuguesa (que era no mínimo tão retrógrada quanto a administração publica de então, aliás era administração pública...)” não tem qualquer fundamento. Os bancos melhoraram muito o seu desempenho desde as privatizações mas já estavam muitos, mas muitos, furos acima da administração pública. E também a maioria das empresas públicas como a Cimpor, a EDP, a Galp, etc.. Mesmo a CGD, que é pública não tem qualquer comparação com a função pública.

Generalizei na comparação com algo que não é nem nunca foi homogéneo e dei-lhe argumentos para me rebater. Aceito o seu ponto se compararmos com o que de pior há na Função Pública. Mas mantenho que ocorreu uma modernização a um ritmo invejável e que muitos não acreditavam possível em tão pouco tempo. É apenas esse ultrapassar do sentimento de impossibilidade que tento alcançar com este exemplo. Há muitas áreas na administração pública (Institutos Públicos por exemplo) onde acredito que este fenómeno é reprodutível em igual período. E deve iniciar-se de imediato.

Quanto à formação, você sabe o que aconteceu aos FSE. Gastaram-se rios de dinheiro que apenas serviu para manter a ilusão de haver menos desemprego. Os potenciais desempregados arrastavam-se de acções de formação em acções de formação.

E será que não aprendemos nada com isso? Já houve algumas medidas deste governo na área da competitividade que me pareceram interessantes e que espero tenham bons resultados. Mas quando falo em formação não penso apenas, ou principalmente, na “reciclagem”. Falo, por exemplo, na fuga chocante de cérebros para instituições públicas e privadas no estrangeiro por não terem enquadramento institucional para desenvolver uma carreira neste país. Aqui, acho que o Estado devia em último recurso garantir o aproveitamento deste capital intelectual dinamizando alguns dos excelentes centros de investigação que já possui nas Universidades e promovendo a ponte para a esfera produtiva com parcerias público-privado. Esta é uma das áreas que aguarda por melhores dias, “à falta de recursos”.

Você vive num mundo utópico (não o digo pejorativamente, porque é utópico na medida em que você aponta coisas com utilidade prática, mas pensa que basta dizer “vamos a isso” para elas aparecerem implementadas e a funcionarem).

Pela parte da utopia até posso interpretá-la como elogio e pela parte do voluntarismo deixe que os meus vinte e muitos anos me permitam ser ambicioso. Deixe-me ahar que podemos evitar os erros do passado e começar a limpar o entulho que nos impede o caminho. Se a tarefa é difícil temos mais trabalho pela frente. Recuso ceder precocemente ao derrotismo. E sei que a minha ideia de sociedade não é garantida só pela empresa. Há valores e necessidades que não se garantem/suprem pelo mercado.

E pior, pensa que há meios humanos para isso e não haverá obstáculos a nível da sociedade portuguesa para o fazer.

Bem aqui já é quase ofensivo. Mas admito que o discurso que fiz não seja claro. Aqui lhe recomendo a leitura de alguns textos meus para perceber até que ponto tenho consciência dos obstáculos e da escassez de recursos. Mas Joana se o caminho é claro temos de batalhar para o percorrer com o que temos. Ficar parado não é opção e muito menos fingir que há outro caminho ali para as bandas do abismo.

Quanto ao Estado dinamizar o processo, apenas o pode fazer diminuindo as burocracias, criando algumas condições para que tal aconteça.

De acordo.

Não tem vocação para mais, nem saberia por que ponta começar.

Bem aqui a conversa daria para um tratado. Digo-lhe apenas novamente que não vi ainda uma supremacia absoluta do privado sobre o público. Já vi os erros do público no privado e os erros do privado no público. Raramente vi os privados suprir bens públicos. E mais amiúde tenho visto o Público suprir (desnecessariamente) alguns bens privados. Mas como imagina isto daria pano para mangas. Para já e dito isto dá para perceber que duvido que estejamos de acordo quando ao âmbito da vocação do Estado. Não se esqueça que sou utópico e que imagino um Estado mais eficaz e eficiente do que aquele que temos e imagino até que é possível obte-lo.

Mas mesmo aquilo que tem vocação para fazer, não o tem feito e continua a não fazer.
As universidades, idem. São corpos teóricos que quando emitem pareceres (há, às vezes a tentação de se adjudicarem estudos às universidades, por terem preços muito mais baratos, por razões óbvias) são absolutamente académicos, sem qualquer operacionalidade prática, que nunca proporcionam qualquer instrumento de decisão ao cliente. Metaforicamente, são como uma equipa de futebol que só sabe jogar a meio campo, mas nunca remata à baliza. As universidades portuguesas são um dos últimos restos do feudalismo em Portugal. O seu pensamento é escolástico, a sua organização elitista e corporativa.

Aqui é a Joana que cai na generalização abusiva. “As universidades são más. O Estado não presta. As empresas é que são boas.” Quem é utópico Joana? Há neste país alguns dos centros de investigação mais destacados a nível mundial em diversas áreas. Precisamos de mais, precisamos de aproveitar o que aí de produz em termos de conhecimento. A grande maioria desses centros estão integrados na Universidade. Há algo de bom e algo de mau. E há nas universidades, como nas empresas e noutras organizações, uma batalha entre bons e maus profissionais. Tentemos mexer nas regras do jogo a nosso favor, batalhando contra os interesses estabelecidos com astúcia inteligência e justiça.

Têm que ser as empresas, muitas vezes sem qualificação, incluindo gestores e trabalhadores, que têm que fazer pela vida. É este o quadro que temos. E neste quadro que temos que trabalhar.

Todos, Joana. Todos temos que ser Heróis mesmo os mauzinhos que trabalham na Administração Pública e que a gerem. Reformar o Estado e a Economia contra toda uma classe onde há todo o tipo de profissionais e motivações é um erro grosseiro. A tarefa é um pouco mais difícil. Mais cinzenta.

Todos estes textos têm sido feitos ao correr da tecla, como provavelmente os seus, e como tal poderão conter algumas imprecisões. Mas na generalidade e salvo alguns esquecimentos, contêm o fundamental que eu penso sobre este assunto.

Idem. E sabe que mais? Acho que somos ambos demasiado paternalistas um com o outro. Mas vamo-nos entendendo.

Se ler os textos que tenho afixado sobre este tema verá que não estou de acordo com a forma como o governo tem gerido este processo. Infelizmente, o que vejo na oposição como alternativa a ele é a mais completa irresponsabilidade que, no caso do PS, é complementada com a total hipocrisia.

Tentarei ler em breve procurando essencialmente pontos de consenso. Quanto ao seu último comentário tenho muitas dificuldades em atribuir com distinção o título de mais irresponsável e de mais hipócrita. Temo que no final da corrente legislatura sinta menos dificuldades pelos priores motivos e espero que até lá o PS se vá aproximando de uma política económica mais clara, determinada e sustentável.

Posted by Rui at 02:58 PM | Comments (3) | TrackBack

Indicador de clima e indicador de confiança nos consumidores em recuperação

Em Novembro, o Indicador de Clima fixou-se num nível marginalmente mais favorável que o apurado no mês anterior. Mantém-se ao melhor nível dos últimos treze meses. O indicador de confiança dos consumidores apresentou também uma muito ligeira recuperação no mês de Novembro. No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do Indicador de Confiança, tendo-se registado o valor mínimo da série iniciada em Abril de 2001.
Fonte: INE

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Ambição - A réplica 2ª Parte

Cara Joana,
Andamos os dois a fugir à teoria pelos vistos. Como a Joana escreve "(...)O futuro não se constrói com modelos teóricos. Temos que construir o futuro, mas arranjar também soluções para o presente. (...)". Estamos de acordo. Não me parece é que haja alinhamento no "quando" é que começa o futuro para as medidas que propus. Uma cronologia que anda há 30 anos (como diz a Joana e eu agora acrescento) há espera de uma oportunidade face à urgência dos problemas de curto prazo.

Voltando ao que escreve a Joana:
"(...) Você quando escreve “Estimular, promover e facultar a formação e a reflexão sobre o negócio, estimular a iniciativa privada, e o investimento público reprodutivo” parece o PR a falar. É óbvio que isso tem que se fazer (aliás, já devia ter sido começado há 30 anos), mas isso são acções que demoram muitos anos a surtir efeito. Até lá temos que viver com o que temos e geri-lo da melhor forma possível."

Este é o melhor discurso para tais acções nunca serem implementadas, na eventualidade de alguém as tentar implementar, há já uma expectativa demasiado precária para que haja motivação empreendedora.
Infelizmente, não podemos ficar à espera que o mundo volte a ser benévolo para iniciarmos o processo. Resta a questão da duração, do tempo até se verem resultados. Também aqui não acredito em nenhum preconceito. Olhando para a imagem que se criou do "modelo" Irlandês e evitando considerações mais profundas e reveladoras, se o tentássemos reproduzir teríamos de esperar uma geração até sentirmos efeitos na economia. Lembra-se do discurso inicial do actual Governo que ia neste sentido? Nada do que seria fundamental foi implementado. Tudo porque o curto prazo era demasiado urgente... Já perdemos mais 2 anos...

Quando vejo, por exemplo, a modernização que ocorreu ao nível da banca portuguesa (que era no mínimo tão retrógrada quanto a administração publica de então, aliás era administração pública...) ou quando vejo os exemplos da indústria de moldes, de desenvolvimento de software (das poucas onde o investigação e desenvolvimento é relevante) acredito que é possível saltar etapas. Há éne sectores com o mesmo grau de liberdade que tem a banca, porque não tiveram eles a mesma evolução? Falta de massa crítica ao nível da gestão? É possível o Estado dinamizar lavagens cerebrais benévolas com o apoio das organizações do sector quando as houver? É possível o Estado desenvolver parcerias com os empreendedores apoiando investimentos de alto risco em área de elevado potencial de retorno económico?
Acredito que é possível haver um empurrão com patrocínio estatal cirúrgico em alguns sectores. Mais uma vez repito, acho que se perdeu uma excelente oportunidade ao nível do contrato de trabalho para se estimular a modernização de toda a economia.

Escreveu ainda a Joana:
"Aumentar a despesa é aumentar a procura interna e com a elevada propensão marginal à importação da economia portuguesa é agravar substancialmente o défice de transacções com o exterior."

Estas verdades absolutas desculpadas por raciocínio médio macro-económico desconcertam-me cara Joana. Também o economista/decisor público pode descer à rubrica. Tentar a tal cirurgia. Evitar centrar-se nos bombásticos choques globais disto ou daquilo.
Não tenho uma teoria em que me encaixe confortavelmente e sempre que vejo na prática negações singulares destas regras passo a toma-las como duvidosas. Não há investimento público reprodutivo, multiplicador? É essa uma das suas verdades? Todo o investimento/despesa implica canalização nefasta para o défice da balança comercial? Se pensa assim, neste ponto, estamos conversados. Poderei apenas tentar mostrar-lhe alguns exemplos que negam este axioma se desejar. Ou a sua convicção vem do desempenho histórico dos sucessivos governos? Pareceu-me que é isto que pensa e perante esta experiência empírica tudo o que eu diga é teórico e inglório, dai a contenção salarial. Percebi bem?

Ainda a Joana:
Nós estamos com um nível salarial superior à produtividade média. Por isso é que temos os défices. Temos que repor a saúde da economia, senão continuaremos com uma inflação superior à média europeia, a perder competitividade no tecido económico e a aumentar o desemprego. (...)"

Repor a saúde da economia... Das finanças públicas, queria dizer?
É que passar das finanças públicas para a economia não vai lá com psedo-défices de 3% suportadas por contenções salariais, receitas extraordinárias e cortes estúpidos, em termos de eficiência dos desígnios do Estado, na despesa pública, só para imaginar um cenário bem nosso conhecido.
O que fazer? Assim que puder hei-de ler os textos da Joana com atenção em busca da sua opinião nesta matéria.
Até breve.

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Ambição - A réplica 1ª Parte

Escreveu a Joana na caixa de comentários do texto anterior:

"(...)Aliás, a questão salarial nas empresas privadas resolve-se pelos mecanismos de mercados. Se os trabalhadores ganham acima da sua produtividade, as empresas deixam de ser competitivas, vão à falência e há o desemprego, a menos que invertam a tendência, normalmente com sacrifícios e algum desemprego à mistura. É simples. (...)"

Permita-me discordar pelo empirismo como aliás sugere logo no início da sua réplica.
Não são essas as empresas que temos Joana. Ou pelo menos tenho visto muitas onde essas regras teóricas bonitinhas são completamente ignoradas. Casos quase inacreditáveis de blindagem à mão invisível do mercado.
Consigo ver exemplos tão gritantes de ineficiência no privado quanto no público. Dou-lhe o exemplo mais chocante que conheço: uma multinacional. As multinacionais são em regra (já duvido...) um paradigma de boas práticas a vários níveis, desde a gestão de topo aos procedimentos de base de qualquer colaborador. Esta é uma das realidades que temos nas multinacionais.
A outra é aquela em que o centro de controlo está tão distante e distraído (e há tantos anos que está distraido, talvez por sermos um mercado quase irrelavante) que nenhum dos mecanismos de auto-regulação funciona. Temos a velhinha teoria da agência a funcionar...
Quem gere, gere o seu salário e não os interesses do capital. Basta isto para poder levar a empresa à ruína certo? Nem sempre! Pode-se ir mantendo o barco à tona com alguma inteligência mas sem necessidade de ter golpe de asa para rentabilizar o investimento.
De forma directa (via salários e prémios) ou de forma indirecta (compadrio na contratação de Fornecimentos e Serviços Externos às empresas dos amigos - ou dos próprios gestores! - por exemplo) o capitalista é expoliado pelo suposto gestor. Pelo caminho evita-se que o report levante muitas suspeitas dentro dos critérios de análise do grupo e a empresa vai-se aguentando passando pelos pingos da chuva... Há décadas!

No longo prazo talvez o mercado venha a funcionar, talvez alguém no distante lá fora se digne vir até cá e compreenda até onde vão as manigâncias criativas dos gestores que contratou, talvez. Mas aí sou absolutamente Keynesiano. No longo prazo...
Em suma: cada caso é um caso e não atribuo, sem uma adequada análise ao mercado concreto em discussão, sector a sector, nenhuma supremacia concreta da iniciativa privada face à inciativa pública (nem o reverso, já agora).
(continua)

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dezembro 03, 2003

Ambição - Economia Pura (act.)

Recomenda-se a leitura prévia deste artigo no Semiramis.

Cara Joana,
Não será um pouco curto acreditar que mais do mesmo (só e apenas moderação salarial) resolverão o problema?
E que tal olhar para outros aspectos do problema como o nível de instrução dos gestores de boa parte do tecido produtivo nacional? Só para dar um exemplo pouco corrente.

A moderação poderá ajudar num típico fine-tunning, mas não resolverá nada.
É indispensável? Eu diria que sim: a moderação. Mas sejamos justos com a conotação da palavra. Moderação Salarial dá para tudo, dos aumentos marginais às diminuições consideráveis em termos reais. Recomendaria moderação na dose certa para não estrangular a procura interna e não criar novas falsas ilusões. Uma moderação que deveria ser medida sector a sector, ajustada às realidades do respectivo dinamismo económico e assim determinada pelos agentes económicos responsáveis.
O efeito de contenção pelo exemplo aplicado à esfera pública poderá ser pernicioso nestes casos. É muito fácil encontrar a colagem fácil e ignorante de muitos empresários de vistas-curtas. Se por exemplo a Banca apresentar fortes ganhos de produtividade porque havemos de defender a moderação salarial?
Na administração pública o Estado também deveria ser capaz de avaliar a produtividade de cada área da administração e implementar, dentro de um enquadramento de contenção, uma política salarial distinta para o que é distinto. Espero com alguma expectativa o que se prepara para os Institutos Públicos, por exemplo. Feita a ressalva admito que a meta global na administração pública devesse tender para um aumento real nulo no próximo ano. Um crescimento da massa salarial ao nível da inflação prevista (numa previsão realista!).
Agora que já brinquei ao merceeiro falta o que interessa, o que nos poderá salvar do tal cenário de recessão agravada e de mais desemprego. Falta o que é mais difícil e que não surge com passos de mágica, focando-nos apenas nos estabilizadores macro-económicos. Estimular, promover e facultar a formação e a reflexão sobre o negócio, estimular a iniciativa privada, e o investimento público reprodutivo (particularmente na área da investigação científica e no apoio a novos negócios) à custa de algum desequilíbrio de curto prazo nas finanças públicas. Só não vê quem não quer que não há investigação e desenvolvimento neste país (o anglo-saxónico R&D) em volume satisfatório além da esfera pública. Nem há perspectivas de mudança significativa desse cenário. A natureza desse tipo de investimento não se coaduna com quebras abruptas de financiamento ou desprezos legislativos de ordem cirúrgica. Deveria ser uma daquelas questões de Estado. Racionalize-se o que se quiser mas não se perca a noção da importância e do carácter fundamental desse investimento. O seu efeito multiplicador potencial é demasiado significativo para poder ser ignorado e mal amado.
Voltando ao cenário da investigação e desenvolvimento: é o que temos, ou seja, temos de investir colectivamente nesta área. Cativando os cérebros que temos e nos escapam e promovendo a implementação das descobertas junto do tecido empresarial (ainda tenho esperança que haja quem venha abrir os olhos se devidamente avisado). Como vê tudo tarefas que levam algum tempo, talvez não as gerações de que já se falou. (Veja-se a interessante perspectiva do Sérgio Figueiredo hoje no Jornal de Negócios em Editorial.)
Assim talvez conseguíssemos algo de sustentável.
O modelo de mão-de-obra barata é perfeitamente ilusório. Apostar quase exclusivamente na moderação salarial, apresentando-a como bandeira, num contexto como o actual, em que começam a haver sinais de instabilidade social, poderá ter consequências políticas e económicas pouco desejáveis, no mínimo contraproducentes... É preciso indicar outro caminho, que seja mais credível (sem abandonar a moderação...).
É pena que, por exemplo, ao nível da reforma do contrato de trabalho se tenha ficado tão aquém do que seria desejável, restando pouco mais do que uma triste imagem da fraqueza política ao nível da visão estratégica.

Mais do mesmo cara Joana? Até parece que há por aí um manual incompleto ao qual faltam as soluções para este nosso pequeno grande problema. Discutamos algo um pouco mais ambicioso para variar.
Os melhores cumprimentos.

Posted by Rui at 11:48 PM | Comments (3) | TrackBack

novembro 30, 2003

B2blog2B

Parece ser uma nova modalidade, uma nova utilização (pelo menos deste) blogue.
Depois do Angelo Ruiz ter deixado aqui uma proposta de fornecimento de filtros de água a entregar em Antofagasta - Chile, agora é o Ricardo Santos que nos deixa este pedido:
"Sou um produtor de maçã camoesa, localizado na zona do cabo Espichel, Sesimbra. Tenho cerca de 200 árvores com três variedades de macieiras camoesas.Gostaria de ter toda a informação possivel acerca desta variedade com envio por este meio ou documentação que possa consultar."

Tudo a propósito deste texto.
Quem sou eu para sonegar possibilidades de negócio? Pessoalmente não tenho maceeiras para a troca mas é possível que haja alguma informação na Meimoacoop (Cooperativa de Agricultores da Meimoa, Bequenrença, Vale da Senhora da Póvoa e arredores). Bons negócios. São deliciosas as maçãs, na minha modesta opinoão só suplantadas pelas Bravo-Esmolfe.

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novembro 27, 2003

ANTOFAGASTA II

Julgo que foi na National Geographic que li pela primeira vez uma descrição dos problemas ambientais de Antofagasta, uma zona de mineração com uma história já antiga... É só pesquisar um bocadinho na net para ficar a saber mais um pouco. Por exemplo, isto:

¿Sabes el significado de Antofagasta?
Es de origen Quechua y proviene de Anta = cobre y Pacay = esconder, lo que significaría: ESCONDRIJO DE COBRE. Sin embargo hay quienes sin dar su origen le dan como significado : LUGAR DE MUCHA SAL

Retirado da página de um residente.

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novembro 26, 2003

Planeta Azul

A RTP2 está a repor há já algumas semanas, antes do telejornal das 22 horas, a série de reportagens do programa Planeta Azul. Tem sido um dos poucos momentos de televisão que tenho acompanhado com alguma regularidade nos últimos meses, um dos poucos programas que tenho pena de perder. Combóios Bala, Japão
Hoje abordou-se a questão da gestão dos transportes analisando-se mais pormenorizadamente a ferrovia sob o pretexto do destino da linha do Oeste. O cenário parece ser o de deixar apodrecer para depois chamar o economista que confirmará o óbito por “manifesta inviabilidade económica”.
Este tipo de raciocínios onde se cola o estudo da viabilidade económica à contabilidade de mercearia é o tipo de prática que dá má fama à economia e aos economistas.
As premissas de partida para a realização do estudo são determinantes para que, com honestidade intelectual, saibamos avaliar o que é que temos em presença quando é produzido um estudo de viabilidade financeira. Sublinhe-se que em regra essas premissas são ditadas por quem encomenda o estudo e não pelo investigador.
O raciocínio é cristalino se a isso estivermos dispostos. Porque é que lá fora, na Europa central e setentrional (esqueçamos o Reino Unido que esse só serve de exemplo para o como não privatizar e gerir a ferrovia) se tem investido continuamente na ferrovia? Se se limitassem à contabilidade de mercearia onde não está disponível qualquer lógica de visão integrada, de política de investimento concertado com a rodovia, com as diversas facetas da ocupação do território, com a educação cívica, com a gestão dos cidadãos automobilizados, entre outros, a conclusão do estudo de viabilidade ditaria muito provavelmente o desinvestimento na via férrea como temos feito por aqui.

No entanto, considerando estes aspectos e valorizando o impacto ambiental, o impacto na factura energética nacional, na estruturação espacial da população, na integração região-nação-mundo, etc, etc, vemos a ferrovia a evoluir e a crescer (e não falo da Alta Velocidade). Por cá vai enfezando de dia para dia, na maior parte do país, e mesmo nas regiões mais dinâmicas, onde ainda desempenha um papel relevante, estamos a anos luz do que se faz lá fora. Por exemplo, no Luxemburgo, para voltar, agora pela positiva, ao país referido ontem. No Luxemburgo, a integração, comboio-autocarro-comboio é simplesmente espantosa. Não conheço em pormenor o sistema implementado (suponho que haja uma gestão centralizada dos diversos operadores públicos (?) e privados) mas conheço a sua eficácia adivinhando-lhe a eficiência. Sei que funciona quase sem falha e de forma integrada (horários, sistema de tarifas). Enquanto turista achei formidável ter um autocarro com hora de saída da estação de Caminhos de Ferro coordenada com o comboio e estes com os autocarros.
Por cá, a introdução da concorrência pós-privatização da rodoviária nacional (e antes da actual situação de iminente monopólio privado) teve como resultado a interrupção das ligações existentes com grave prejuízo para a ferrovia que ficou assim sem o fundamental serviço complementar de transporte um pouco por todo o país.
O único arremedo de acção latente que paira sob a ferrovia é a tentativa de privatização das linhas suburbanas mais activas e rentáveis. Algo que não fará qualquer sentido sem que haja uma entidade coordenadora e reguladora dos transportes e da gestão do território ao nível das grandes áreas metropolitanas. Enfim, há imenso pano para mangas nestes temas. Um conjunto de problemas que terão necessariamente de subir de prioridade na agenda política nacional ao longo dos próximos anos. Deixar de cometer asneiras ano após ano seria já um bom princípio e uma grande vitória para o país.

Posted by Rui at 11:55 PM | Comments (0) | TrackBack

Fogo!

Figueiredo Lopes disse ontem (ou ante-ontem) que o Estado tem de nacionalizar todas as áreas no combate aos incêndios, talvez não já em 2004 (porquê?) mas seguramente em 2005. Ou melhor, o Estado terá de ter os seus próprios meios aéreos de combate aos fogos deixando de contratar esse serviço no mercado, disse.
Uma atitude... corajosa de um ministro num governo de direita que talvez tenha resolvido deixar de ser um Diogo e começado a pensar. Contudo, alguém lhe tolhe a acção e manda a prática para as calendas, provavelmente para uma altura em que já outro estará no seu lugar... Será que o que vai arder em 2004 não compensaria ter os helicópteros e os aviões disponíveis já para o ano? E já agora, e mais importante até: porque tomou o ministro esta atitude corajosa? Um pouco de pedagogia não fazia mal a ninguém...

Posted by Rui at 12:00 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 21, 2003

Auxíliar interpretativo

As palavras que seguem vinculam-me a título pessoal e nunca a instituição onde trabalho

A análise estatística de conjuntura é muito traiçoeira. O seu principal objectivo, mais do que analisar o nível em que se encontra a economia nas suas diversas facetas, é averiguar o seu andamento face a um período de referência, seja ele o mesmo mês (trimestre) do ano anterior ou o mês (trimestre) imediatamente anterior. Pressupõe-se, portanto, que o leitor conheça o enquadramento económico. Naturalmente, a Síntese Económica do Trimestral do INE, quando se refere ao Mercado de Trabalho não nos diz que a situação é boa em absoluto, diz-nos apenas que ela está a evoluir negativamente mas a um ritmo agora menos intenso; nesse sentido, não se degradou. É possível que em breve essa menor intensidade da degradação da situação dê lugar a uma recuperação real do nível (mais emprego, menos desemprego, por exemplo) mas isso só o futuro dirá.

Opinião mais politizada:
No que toca ao mercado de trabalho o nosso Primeiro Ministro não tem ainda muito de que se orgulhar, infelizmente. O mesmo lhe acontecerá se olhar para a evolução global do sector dos Serviços, ainda claramente em queda livre, um sector que representa cerca de um quarto do valor acrescentado bruto (nestes "Serviços" não se incluem o Comércio e o Sector Financeiro) e que por razões técnicas inteiramente válidas (posso explicar se quiserem) não se encontra ainda incorporado no Indicador de Clima. Um indicador que, diga-se, tem progredido de forma particularmente positiva nos últimos meses.

Dizia eu que a análise estatística de conjuntura é muito traiçoeira. Nunca estaremos livres - conheço estas dores - da possibilidade de haver interpretações abusivas do que se escreve, mas também por isso é particularmente melindrosos fazer análise económica. Devemos evitar a todo o custo possíveis ambiguidades interpretativas fundadas no que aparece escrito. Espero que com este enquadramento que aqui fiz seja mais fácil perceber o que se escreveu e o que significam as afirmações presentes ali um pouco mais abaixo (I e II)

Posted by Rui at 06:29 PM | Comments (0) | TrackBack

Nítidas Melhorias

No terceiro trimestre registaram-se nítidas melhorias tanto no indicador de clima como no indicador de actividade económica, tendo qualquer um deles apresentado uma trajectória ascendente ao longo desse trimestre. O indicador de clima, já disponível para Outubro, continua a revelar a mesma tendência. Sendo clara a recuperação no conjunto de indicadores, deve notar-se, contudo, que apenas na indústria transformadora há evidência de ter ocorrido uma evolução positiva da actividade. Apesar da procura externa ter continuado a mostrar-se deprimida, sem retomar o dinamismo evidenciado nos primeiros meses do ano, a informação disponível aponta para um crescimento apreciável das exportações. Por seu turno, a procura interna apresentou uma quebra menos intensa do que no trimestre precedente. in SÍNTESE DE CONJUNTURA – Terceiro trimestre de 2003 (INE)

Posted by Rui at 11:06 AM | Comments (4) | TrackBack

novembro 19, 2003

Adão Esmitji

Vale a pena espreitar os textos da Joana "Semiramis". Faço esta sugestão sem que com isto me vincule no que por lá se lê... Há uns bocadinhos de confluência que talvez um dia, com mais tempo, possa evidenciar.
A propósito, leio no Semiramis citações de Adam Smith... Lembro-me de ter lido "Na Riqueza..." o mestre discorrer sobre as vantagens da gestão privada dos canais ingleses e da gestão pública das estradas, ou estarei enganado? Alguém se recorda dos argumentos?

(P.S.: O título é uma homenagem à pronúncia Paulistana da uma professora de História do Pensamento Económico que conheci)

Posted by Rui at 11:15 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 17, 2003

O défice (Americano)

Vai-se tornando popular entre os blogues americanos este contador curioso:




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novembro 13, 2003

Keynes with a little bit of Chicago... (acrescentado)

Como dizia um colega a propósito do teste: "Realmente acho que o que se pode dizer é que todos os economistas são... complicados.
Basta olhar para cada uma das opções. Não existe nem uma delas que tenha menos de 5/6 linhas!
"

Adiante! O teste junta Keynesianos e NeoClássicos no mesmo saco. Curioso...
A quem interesse tive 35 em 100 quanto ao ser ou não um discípulo da escola Austríaca. Das 25 perguntas revelei-me:
Esc. Chicago em 3
Esc. Austríaca em 2
Esc. Comunista em 0
e
Esc. Keynesiana em 20!
Nada que me surpreenda, afinal.
(original: 2003-11-13 14:51:57)

Eis as respostas!
Houve algumas indecisões e poderia ter mais duas ou três respostas em linha com Chicago, mas no final deu nisto. Falta uma quinta via, apesar de tudo! :-)

Your score is: 35 out of 100.

Each question is followed by an Austrian School answer (4 points), a Chicago School answer (2 points), a Keynesian-Neoclassical School answer (1 point), and a Socialist answer (no points)--all broadly defined.

Thank You Rui (fogueiralusa@yahoo.com) for taking the Mises Quiz "Are You an Austrian?". You will find the results below.

1. What is the correct economic status of private property?

A. Property is a naturally arising relationship between human beings and material things. Property and enforceable property rights make possible economic calculation, a wider and more productive division of labor, and therefore increasing levels of prosperity. Indeed, civilization itself is inconceivable in the absence of private property. Any encroachment on property results in loss of freedom and prosperity. The Austrian answer. http://www.mises.org/libprop.asp

B. Property is at the heart of most serious inequalities and oppressions in modern civilization. Only by regulation, transfer payments, redistribution of property, and common ownership can society arrive at fairness, justice, and human dignity for all. Socialist answer

C. Property is an important component of our social system but its status as a "right" is contingent. It must be subject to regulation and modification for the general good. The state must intervene to prevent abuses of economic power, even at the cost of reducing traditional prerogatives of owners. Keynesian/Neoclassical answer

D. Property is central to prosperity and economic growth. Accordingly, it is of the utmost importance that the state, or more abstractly the law, maintain and modify the bundle of property rights in such a way as to allocate transactions costs in such a way as to promote maximum growth and economic efficiency. Property does not arise naturally, but is the end product of the legal system. Chicago answer

Your answer: C
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: A
The Austrian answer. http://www.mises.org/libprop.asp


2. What is the proper method to conduct research in economic science?

A. The economist should not mimic the behavior of the natural scientists, because the social sciences involve human beings. Human action is characterized by intentional behavior, which involves the rational use of means to achieve desired ends. The very subject matter of economics—capital goods, money, wage rates, etc.—is not defined by physical or chemical properties, but instead by the mental or subjective attitudes that human minds take toward these things. Consequently, the proper method for an economist is to start with self-evident axioms—such as that people try to achieve the highest satisfaction at the lowest cost—and logically deduce conclusions from them. The Austrian answer: http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=3

B. Like the physicist, the economist (if he wants to be scientific) should construct a precise model that yields quantitative predictions about economic variables, such as GDP and unemployment. Then the economist should test those predictions against the actual data as collected by statistical researchers. At any given time, the best explanation or "theory" of a certain economic phenomenon is that model which yields the best fit between predictions and actual data. The Chicago answer

C. The question is misleading; economics cannot really be scientific in the conventional sense of the term. In physics we have fixed "laws" that are the same in every society and every time period. In contrast, there are no fixed laws in economics. The economist might study a certain historical episode and conclude that, say, rent control didn’t achieve its objectives when it was tried in Manhattan after World War II. Nonetheless, it may still be true that rent control could work in Paris in 2004 if the people in charge take care to avoid the mistakes of the past. There is no distinctly Keynesian answer. This is a historical school answer.

D. To be scientific, we need to modify the traditional economistic approach of viewing society as nothing but a collection of atomistic, egoistic individuals. In reality, human beings consider themselves to be part of a greater social whole. A more fruitful avenue of research would be to study the complex groups with which people identify, whether class, race, or sex. Such an analysis would reveal the undeniable power of relationships in society, and give a much better understanding of economic events than typical, simplistic economic models. The Socialist answer

Your answer: C
There is no distinctly Keynesian answer. This is a historical school answer.

For optimal results the answer must be: A
The Austrian answer: http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=3


3. What is the reason for the interest rate, and should the rate be regulated?

A. Interest payments compensate investors for their loss of liquidity when they sink cash into a business project or lend it out for a certain period; the interest rate is the price of liquidity. Interest is a monetary phenomenon, not a "real" one (as the classical economists thought). Modern economics recognizes the role of expectations or what might generically be called "confidence in the future." For example, if the interest rate jumps from 5% to 10%, this does not mean that people have become more oriented towards present consumption; it could simply reflect heightened anxiety about the economy. Government manipulation of the interest rate is certainly one of several tools needed to smooth economic fluctuations, but by itself this approach is relatively impotent. If everyone fears a worsening recession, employers will not hire more workers or build more factories, no matter how low the interest rate is pushed. Keynesian answer

B. Interest payments are a return on capital, and the interest rate in equilibrium equals the marginal product of capital. The situation is perfectly analogous to labor, where the wage rate equals the marginal product of labor. There are various technological recipes yielding output at various future dates, and consumers have preferences for consumption at various future dates. On the margin, present consumption will be preferred to future consumption, and an extra unit of capital invested will yield an increment in output (available in the future) that just makes the consumer indifferent between consuming now or waiting an additional unit of time and consuming the higher yield made possible by the productivity of capital. The government should not meddle with interest rates, for the same reasons that the government should not meddle with wage rates. Chicago answer

C. "Interest" is just a codeword for profit; a capitalist earns interest when he spends less on wages and raw materials than he earns from selling the final product. This surplus value arises from the exploited workers hired by the capitalist. Under the wage system, workers are paid the bare minimum they need to survive, even though the full product of their labor far exceeds their compensation from the employer. In this respect, the wage system is no different from traditional slavery, where the slave owner keeps the product yielded by his slaves’ toil, and from this fund only "pays" them enough to maintain their bare survival. Obviously interest is a barbaric feature of capitalist societies, and will disappear once the system of wage slavery is overturned. The socialist answer

D. Interest payments reflect the higher value of present goods over future goods. Other things equal, everyone wants to consume sooner rather than later. The current price of a computer might be $1,000, but the price of a claim to a computer delivered in one year would currently sell for less than that, say $900. An entrepreneur might invest $900 in labor and raw materials in order to sell a product next year for $1,000; his implicit interest return is due to the fact that the factors of production represent technological "claims" on future consumption goods, and thus their current price (the $900) is less than their ultimate sale price ($1,000). Obviously the government need not interfere with the market interest rate, since it merely reflects the subjective premium individuals place on a marginal present good over a marginal future good. The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=10

Your answer: A
Keynesian answer

For optimal results the answer must be: D
The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=10


4. What is the economic impact of saving?

A. In normal times, saving is not economically harmful but in a recessionary environment it can cause the economy to spiral downward. Saving reduces consumer spending and may not be translated into investment spending because of investor pessimism. This will reduce total demand in the economy and lead to unemployment. One way of
correcting this is to expand the money supply to keep interest rates low. This will support private investment and stimulate total spending in the economy. Fiscal and monetary managers need to implement policies that discourage hoarding and encourage current expenditure. As for saving over the life cycle of individuals, we need a social safety net that will provide for people in their older years. Keynesian/Neoclassical answer

B. The vast accumulation of wealth within select classes and families creates an economic oligarchy that shuts out those who cannot gain a foothold within the economic system. Inheritance taxes, and taxes on dividends, are essential to a society that values equality. After all, the yield from vast bank accounts really amounts to unearned income. No society can tolerate some people living off interest while others live paycheck-to-paycheck off the meager sums offered by minimum wages. Socialist answer

C. Saving (which means forestalling current consumption) is essential for capital formation, but there is no socially optimal ratio of consumption to saving that should predominate in society. It all depends on the social rate of time preference, that is, the extent to which people prefer goods sooner to later. Individuals may choose consumption over investment or vice- versa. Government intervention can skew these choices, subsidizing or taxing savings or consumption or both. In order to have the mix reflect the most economical choices, government should have no policy toward saving, even in the case of saving for old age. The Austrian answer. http://www.mises.org/humanaction/chap18sec9.asp

D. There is no investment, and hence no economic growth, without saving. For this reason, the encouragement of saving should be an economic priority. Inflation discourages savings, which is a major reason why a policy of stable money should be the central-banking policy. Empirical studies show that saving takes place over the life-cycle of individuals. Miscalculations can occur, which is why the government might need to encourage private retirement accounts, a system that is more efficient than Social Security because it yields higher returns. The Chicago answer.

Your answer: A
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: C
The Austrian answer. http://www.mises.org/humanaction/chap18sec9.asp


5. What is the source of economic value?

A. Physical objects such as a banana or an automobile do not possess intrinsic economic value. On the contrary, only a human mind can attribute value to such items, and only then do economists classify them as goods. An object is valuable only because there is at least one human being who believes that this object can help satisfy his or her subjective desires. For example, even if a particular root cures cancer, if no one knows this fact, then the root has no economic value, and people will not trade money for it. Consequently, value is caused by an individual's subjective desires and his or her beliefs about the causal properties of a particular item. The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=4

B. The value of a commodity is equal to the amount of total labor used in its construction. If one bicycle has the same market value as, say, 500 eggs, then we can write 1 bicycle = 500 eggs. In what does this equality consist? Obviously the bicycle is not "equal" to the eggs because of any of its physical properties. If we examine the matter carefully, we will conclude that the one thing that the two have in common is the amount of labor used in their construction. The socialist answer.

C. The value of a good is determined by the interdependence of supply and demand, or what might be called the interaction of cost and utility. In contrast to some schools of thought, which try to explain value on the basis of utility alone, the correct approach is that of Alfred Marshall, who realized that economic value is due to both subjective preferences and to objective technological conditions. To see this most clearly, consider that if the costs of production go up for a particular good, in the new equilibrium its final price must be that much higher. Chicago answer

D. Economic value is a complex matter that cannot be explained through simple formulas. To understand why the people in a particular society value some things more than others, we must study their culture and history. For example, a Native American tribe might have valued a particular animal as sacred. The white Europeans, of course, did not share this value system and thus slaughtered the animals. The same is true of a good or service on the market. Historical School (there is no distinctly Keynesian answer to this question)

Your answer: A
The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=4

You chose the Austrian Answer!


6. What is money and how does it originate?

A. Money can emerge from barter, but private interests will probably not develop it to suit the needs of a modern economy. We need central banks to sustain the financial sector. Efforts to manipulate the economy using the money supply will at best fail, and at worst cause severe problems. Monetary authorities should not increase the money supply at their discretion. They should increase it at a steady rate, matching the long term growth rate of the economy. Chicago answer

B. Money is a vehicle for exploitation that distorts real values. Money is neither necessary nor desirable, but is an arbitrary artifact of history. Social progress will lead to revolutionary social changes, including the elimination of money. This will end exploitation and result in a society that aims at satisfying real values, instead of aiming at private financial profit. Socialist answer

C. Money always emerges out of barter. The difficulties of finding trading partners under barter systems results in the emergence of commodity monies. Durable, portable, and divisible commodities, like gold and silver, typically fit the bill as money best. Money and related institutions emerge as an unintended consequence of self interested trading. The evolution of such institutions is best left to the competitive market forces that created them in the first place, as governmental intervention will result in inflation and other distortions. Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/money.pdf

D. Money is a creature of the state. Sound monetary institutions require planning and a central bank. Central banks can also stabilize markets. Central bankers can counteract booms and busts in the private sector by expanding the money supply during recessions and slowing it during booms. Public control of the institution of money is key to running the economy. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: D
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: C
Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/money.pdf


7. What causes the business cycle?

A. Variations in the money supply cause GDP growth to deviate from its general trend. Absent these variations the economy is relatively stable. Variations in the money supply cause inflationary booms and crashes. Lags in the adjustment of wages with these cycles mean that financial booms and busts will entail significant changes in unemployment rates. Chicago answer

B. Competition in the face of declining profits and increasing monopolization generates increasingly large crises under capitalism. Capitalists invest in labor saving devices to keep unemployment high and wages down. Competition leads to falling profit rates and crashes. Some capitalists will then get good deals on capital from bankrupt capitalists, raising their profitability for the moment. However, the tendency of capitalism to reduce profit rates will lead to further unemployment and another crash. Socialist answer

C. Expansion of the money supply artificially reduces interest rates. This causes a boom in consumer and investor spending. With businesses thinking longer term, and consumers thinking shorter term, a discoordination emerges in the economy. The time relationship between saving and investment, production and consumption, is disrupted. Market processes reveal that many investments are not really profitable but instead are clusters of errors. Businesses then liquidate these investments, causing a recession. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=12

D. Booms begin in excessive optimism, often prompted by technological shifts, resulting in speculative frenzies. Deficient total spending then causes recessions/depressions. When total savings exceed total investment, total spending on goods falls. This decreases the demand for labor to produce these goods. Then pessimism among business investors leads to insufficient aggregate demand and economic hard times. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: D
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: C
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=12


8. What is the right anti-recession policy?

A. Recessions serve as a reminder to society that laissez-faire is a failed policy. Policymakers should learn from recessions that it is long past time to reign in stock speculators and out-of-control corporations. More sectors should be brought under public control, even if it means nationalizing industry. We owe it to the real victims of boom and bust: the workers. Socialist answer

B. The recession reveals underlying discoordinations and malinvestments brought about through reckless monetary policy. It is an essential phase that should be permitted to run its course. Countercyclical policy is counterproductive. Future recessions can be prevented by reforming the monetary system that creates the boom in the first place. Austrian answer

C. The Federal Reserve can stimulate the economy through low interest rates, and Congress can increase aggregate demand, even if it results in deficits. Once the economy gets back on course, the Fed can permit rates to rise and Congress can curtail spending. Chicago answer

D. In addition to traditional fiscal and monetary measures, it is essential that government protect industries hit particularly hard during recession. Government should also protect workers from layoffs and provide benefits for the unemployed. Consumers should not to hoard cash but rather spend, while the business sector should freely borrow from both banks and government to restore a productive equilibrium. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: D
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: B
Austrian answer


9. How viable is socialism?

A. Capitalism is productive but capitalists themselves, left to their own devices, put profit before people, and selfishly discount the interests of workers and consumers. Institutions in society such as labor unions, minimum wages, antitrust regulation, child labor laws, safety regulations, and other legal structures, are essential to bridging the conflict between capitalists and workers/consumers. Public ownership is essential in some sectors such as utilities and education while private ownership seems to work in other sectors, provided regulation is present. In establishing such institutions, we have learned from the socialists. We should stop treating socialism as if it were some kind of bogeyman. Keynesian/Neoclassical answer

B. Socialism is an eminently viable option, one to which history is inexorably leading. But it faces resistance because of the influence that business interests exert over current political systems. How can socialism work? As with wartime planning, socialist planners can watch inventories of goods and increase (decrease) prices when inventories fall (rise), and adjust prices to match consumer demand. They can also direct local managers to carry out production and innovation efficiently. This kind of trial-and-error process conducted by people of good will can work at least as well as the market, and without the social cost. Socialism is not rocket science; it is viable and may work better than capitalism. Socialist answer

C. Experience has shown thus far that free enterprise has been more productive than most known socialist experiments. This may be due to the lack of incentives to produce or it could be due to the poor quality of planning under socialism. A completely unregulated market, however, has its share of failures as well, which is why it must be tempered in some respects. In any case, it is futile to search for a general theory that allows us to say, a priori, that all socialist planning fails. History shows us that some forms of central planning do work. Central bankers engage in planning, as do judges and regulators, and rather successfully so. The desirability of government intervention beyond its role as a rule maker and enforcer will depend upon the severity of market imperfections compared to governmental imperfections. Chicago answer

D. Common ownership of the means of production (e.g., factories) precludes markets for capital goods (e.g., factory machinery). Absent market prices emerging from exchange within a framework of private property, there is no profit and loss and thus no rational basis for directing the use of capital goods towards the most urgent consumer demands in the least-cost manner. In contrast, private owners of capital employ property and use market signals (prices, including wages and interest) as guides. Freedom of exchange results in prices that reflect consumer preferences and directs the use of capital toward the most urgent uses, while entrepreneurial judgment contends with constant change. Socialism, which requires a total state, is not a viable option to capitalism. Any step toward socialism is a step toward economic irrationality. Austrian answer. http://www.mises.org/econcalc.asp

Your answer: A
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: D
Austrian answer. http://www.mises.org/econcalc.asp


10. What is the proper size and scope of government?

A. Markets deliver ordinary consumer and producer goods in a relatively efficient fashion. However, for various economic and political reasons, private transactions for fundamental services and institutions, like law, money, and defense, fail badly. There is no sense in even discussing markets without the prior need of a state. Government must exist to enforce the 'rules of the game' for society to emerge from chaos. Government must establish and enforce basic rules for society, but avoid discretionary or destabilizing intervention into markets. Chicago answer

B. Markets fail to provide fundamental institutions and suffer from serious imperfections concerning ordinary goods and services. For example, instability in markets causes recurring crises and leads to growing inequality. We should retain markets for most goods and services, but government must have discretionary authority to intervene in every market based on observed failures. In this way, the state and market can work together in a public-private partnership model. Keynesian/neoclassical answer

C. Markets are an arena for powerful business interests to exploit workers and consumers. Capitalism impoverishes and alienates the masses while enriching a few elites. It also devastates the environment and entrenches violence. A truly humane society would abolish private property, except for personal possessions (e.g. clothing and shoes). Communal arrangements in the production and distribution of goods deliver a more just and fulfilled society for all. Socialist answer

D. Order in society can emerge through voluntary transactions between individuals. People can engage in private transactions for anything they value, including laws and security. Since all choices concern alternative future states of the world, each individual alone understands which goods best suit him or her, including protection and dispute resolution. Ideally, government would be limited to protecting rights, but government as we know it serves elites and violates rights to self-ownership, and efforts to limit governmental powers tend to fail. Private institutions for security and arbitration are more efficient and moral than public equivalents. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=16

Your answer: A
Chicago answer

For optimal results the answer must be: D
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=16


11. Who should regulate consumer products and how?

A. Empirical studies indicate that consumer preferences do not change much in response to things like advertising. Consumers react rationally to information concerning products, so consumer safety is not necessarily a big issue. Governmental safety regulations may have perverse effects that increase harm to consumers, but government might play a positive role in providing better information to consumers, insuring that retailers and others tell the whole truth and nothing but the truth. Chicago answer

B. Consumer products develop through experimentation. Consumer preferences also change and develop gradually through time. To meet them requires entrepreneurial judgment. Aside from a few innate demands concerning hunger and temperature, consumer preferences emerge as a result of interaction between many individuals. Each consumer regulates the consumer products he consumes by spending money. There is no good substitute for the market process concerning the development and dissemination of consumer goods. Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/newliberty9a.asp

C. Capitalism has within it a culture industry that manufactures false preferences. People might think that modern consumer culture satisfies them best, but this is not true. Businesses gain through wasteful competition among consumers for social status and the creation of preferences for goods that no one really needs. Capitalism alienates consumers from their true selves while businesses exploit them for profit. Proper consumer products regulation requires revolutionary changes in society. Socialist answer

D. Businesses mislead and manipulate consumers with advertising and other marketing devices, drawing them to and from products, creating an artificial sense of need, and bringing about waste. This can result in serious harm to consumers, or at least excessive prices. Faulty or dangerous products and fads are serious problems that government can and should address. There are also "merit goods" that consumers do not appreciate adequately, and should therefore get public subsidies. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: D
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: B
Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/newliberty9a.asp


12. What are wages?

A. Wages are the basis for capitalist exploitation. All value derives from labor. But capitalists pay workers less than the value of their work so as to collect profits. Common ownership of the means of production will eliminate wage exploitation by eliminating private profits. Socialist answer

B. Wages represent the discounted productivity of labor in satisfying consumer demand. Demand for consumer goods translates into demand for workers. Markets enable us to calculate the value of different types of labor, so that we can direct the use of labor to its most highly valued uses. Governmental intervention in labor markets (e.g. minimum wage laws) cause unemployment among less productive workers. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=13

C. Wages determine the income that creates demand for products. Raising wages increases demand for goods, and leads to prosperity. Capitalists will often pay workers too little to generate full employment. Government should pay subsidies to households and push for higher wages because this will increase demand and improve economic conditions. Keynesian/Neoclassical answer

D. Wages represent the productivity of workers in satisfying consumer demand. However problems with monitoring workers cause employers to pay higher wages to increase productivity. This increases unemployment among low productivity workers. Governmental subsidies can correct this failure of markets, but this is not always necessary. Chicago answer

Your answer: C
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: B
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=13


13. What causes economic growth?

A. A balanced relationship between aggregate demand and aggregate supply is the leading determinant of economic growth. Because private markets cannot always provide this, stable institutional environments are necessary. The public sector plays a vital role in securing economic growth by providing a framework of legal and financial institutions. A variety of public-sector efforts such as low-interest rates and subsidies may also play a positive role. A limited amount of regulation is necessary, but this is not necessarily true. Chicago answer

B. Private consumer demand is not enough for economic growth. Overall private spending is often too little, too manipulated by business, and rife with choices that overlook social priorities. Consumers may save too little or too much. This sometimes makes public deficit spending necessary to stimulate the economy. Also, private spending fails to supply public goods. Public spending in such areas is necessary for economic growth—particularly in education, infrastructure, and scientific research. Keynesian/Neoclassical answer

C. The capitalist process causes economic growth, but this is a non sequitur. While capitalism is the most productive system, the distribution of wealth under capitalism is wrong. Whole classes of citizens are left out. Capitalists take advantage of workers by paying them the lowest possible wage instead of the value of their labor. So capitalism delivers the goods, but to the wrong addresses. What we need are workers' democracies where productivity can go hand-in-hand with a more just distribution of wealth. Socialist answer

D. The source of economic growth is mutually beneficial, voluntary exchange. Within the exchange economy, consumers spend part of their income on goods and services to satisfy their most immediate wants. This drives current production. Consumers save part of their income according to their less immediate wants. This drives entrepreneurial investment in future production and leads to the development of sophisticated capital markets. Private contracts, competition in markets, and private institutions that allow for capital investment and accumulation are all you need to attain optimal economic growth. Austrian answer. http://www.mises.org/journals/qjae/pdf/qjae2_2_5.pdf

Your answer: B
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: D
Austrian answer. http://www.mises.org/journals/qjae/pdf/qjae2_2_5.pdf


14. What is your view of economics and the environment?

A. Pollution is a visible example of market failure. So long as business is earning a profit, it tends to overuse resources and impose the environmental costs on others. As for valuable lands, old-growth forests, and endangered species, the tendency is to poach what is valuable and otherwise disregard the social interest in preservation. This is why environmental regulations must play a role in setting aside lands, preserving species, limiting pollution, cleaning up air and water, and otherwise policing business so that its profits do not come at the expense of the natural environment. The Keynesian/Neoclassical answer.

B. The only long-term solution to the problem of the pollution and environmental degradation is a severe limit on economic development. This is precisely what local communities have done in order to preserve the quality of life. They have told developers: "this community values more than just production and material gain." Nor is it the case that people and profits are all that matter. The delicate ecosystem must be guarded in every respect, from the smallest life-form to the largest body of water and reaching upward to the earth's atmosphere. This also means controlling population. The socialist answer.

C. Most issues concerning the environment are best solved through reliance on market incentives. Courts should be attentive to the need to establish clarity concerning property lines when conflicts arise. Issues of externalities can be solved through compensation exchanges between owners, arrived at through arbitration. As for pollution, it can be minimized through a market for pollution rights, and these can be traded so that the costs of pollution are borne by the polluters. Fees for use of public lands are generally set too low so as to encourage overuse. Higher prices are the key to conservation. The Chicago answer.

D. Virtually all issues concerning the environment involve conflicts over ownership. So long as there is private ownership, owners themselves solve these conflicts by forbidding and punishing trespass. The incentive to conserve is an inherent feature of the market incentive structure. So too is the incentive to preserve all things of value. The liability for soiling another's property should be borne by the person who caused the damage. Common ownership is no solution. Because national parks, for example, are not privately owned, the goal of economical management will always be elusive. The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=6

Your answer: A
The Keynesian/Neoclassical answer.

For optimal results the answer must be: D
The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=6


15. What do taxes fund?

A. Taxes often serve corporate interests and the wealthy. Businesses want private revenue and profits, but socialized costs. This is due to the inordinate influence of business and the rich on politics. True democracy would not allow for this. Measures like campaign finance reform or public funding of elections might help greatly. Better still, movements towards community ownership of industry by the workers will make industry responsive to public needs, rather than private profit. This is important because the laissez-faire system leaves the public largely unserved in their essential needs. The socialist answer.

B. Since markets are imperfect, public spending could go to subsidize the provision of some of a variety of public or merit goods that the market would not otherwise provide. Taxes can also mitigate social costs and deter the consumption of goods that should not be made available through the market. Ideally, political competition between interest groups transfers income to those who value it most. It is possible that taxes are employed in uneconomical ways, but political competition will probably mitigate the worst examples of governmental waste. The Chicago answer.

C. Taxes make up for the deficiencies of private expenditures, which do not reflect the benefits that the general public derives from some goods. Taxes fund public goods like law and order, roads, education, and scientific research that benefit the public at large. There are also social costs (i.e., pollution) of private production that need to be countered. Taxes also fund "merit goods" whose worth is not apparent to the general public, as well as discourage some "demerit goods" that the public should not want, but does. Experts in government can and should tax demerit goods and the sources of social costs to fund public and merit goods. The Keynesian/Neoclassical answer.

D. Taxes raise money for transfers to special interests and public employees. In contrast to private businesses that supply the goods that consumers are willing to buy, public officials have no means to assess data as to what consumers truly demand, much less how to go about meeting those demands economically. Lacking the ability to act economically, public officials respond to interest groups, so tax money will necessarily end up with narrow interest groups rather than going to fund the provision of public goods. Taxes typically go to waste or to special interests that do not and should not own the funds. The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=115

Your answer: B
The Chicago answer.

For optimal results the answer must be: D
The Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=115


16. What caused the Great Depression and how effective was the New Deal?

A. The stock market crash of 1929 represented the most visible sign of a necessary correction in an economy artificially inflated by expansionary monetary policy. Instead of permitting liquidation, Hoover attempted to resuscitate the economy through interventionist measures, including protectionism, which only drove the economy further into depression. FDR built on this record and embarked on a disastrous course of central planning, which ended up saddling the US economy with bureaucracy and wage and price controls. The economy didn't fully recover until after WWII. Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/agd.pdf

B. All market economies face the problem of recurring crises, but Hoover failed to intervene in time and instead pursued a laissez-faire approach. The New Deal, for all its faults, was the right approach at the right time, an effort to deal with new economic realities. The New Deal boosted aggregate demand in the face of lost public confidence and represented a bold effort to employ both fiscal and monetary stimulus to make up for the deficiencies of the market. Where the New Deal fell short, the war made up the difference. The lesson is that active policy measures are essential to stabilize the economic system. Keynesian/Neoclassical answer

C. The Great Depression put the failures of the market in sharp relief, and the New Deal was a wrong-headed attempt to save the market from itself. Business interests worked to prevent it from going nearly far enough, however. In this sense, the New Deal wasn't so much an experiment in economic democracy and planning as an attempt to save capitalism. The main beneficiaries were corporate interests, which is exactly what we might expect from an administration closely connected to the corporate elite. Where the New Deal failed, the national mobilization of wartime planning succeeded. Socialist answer

D. The Great Depression began as a conventional business cycle, characterized by deflation that might have been fought through by monetary expansion. But Hoover failed to see the seriousness of the situation and permitted banks to fail rather than restore faith in the nation's money. This led to the election of FDR, who was right to take the nation off the gold standard but wrong to institute excessive controls over the nation's economy. It was World War II, not the New Deal, that ended the depression. With fiat money and a Fed that stands ready to intervene, the experience never needs to be repeated. Chicago answer

Your answer: B
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: A
Austrian answer. http://www.mises.org/rothbard/agd.pdf


17. Do markets create and sustain monopolies and what should be done about it?

A. If the history of capitalism shows us anything, it is that it leads to business concentration. With fewer and fewer firms dictating the terms, the result is ever higher prices combined with ever lower wages. Unions and antitrust enforcement have had some measure of success in curbing this, but neither institution goes far enough to counter the trend toward monopoly within market settings. We must also question the idea that competition itself should be a policy goal. Most often, it is socially wasteful and a slogan repeated by monopolists to justify exploitative behavior. The ideal of cooperation between all, a truly democratic economy, should be the ideal. Socialist answer

B. The market tends to generate monopolies of varying sizes and types. Business should not be permitted to exercise monopoly power in pricing. It can be detected by various formulas comparing costs with output price according to a perfectly competitive model. Geographic monopolies may not be as important as they once were due to advances in transportation technology. What we face today are a variety of technologically driven monopolies, such as the example of Microsoft shows. Still, regulators need to be constantly on the lookout for businesses that attempt to employ market power, enriching themselves at consumer expense. Competition needs rigorous enforcement. Keynesian/Neoclassical answer

C. Economists of the classical school were right to define a monopoly as a government-grant privilege, for gaining legal rights to be a preferred producer is the only way to maintain a monopoly in a market setting. Predatory pricing cannot be sustained over the long haul, and not even the attempt should be regretted since it is a great benefit to consumers. Attempted cartel-type behavior typically collapses, and where it does not, it serves a market function. The term "monopoly price" has no effective meaning in real market settings, which are not snapshots in time but processes of change. A market society needs no antitrust policy at all; indeed, the state is the very source of the remaining monopolies we see in education, law, courts, and other areas. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=7

D. Monopoly regulation has caused more harm than good by protecting particular competitors, not competition. Some types of regulation against trusts are based on flawed models that fail to understand that some firms gain market share solely because of their products' desirability to consumers. Most cited cases of "path dependency" turn out to be mythical. What is left for regulators to do? As Adam Smith said, they should prevent business conspiracy, blatantly predatory behavior, and otherwise assure a level playing field leading toward genuine competition. Finally, some goods lend themselves to being best provided by monopolies, e.g. courts and defense. Chicago answer

Your answer: B
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: C
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=7


18. What is the role of equality and inequality?

A. The modern emphasis on equality is the great policy advance of the last century. No longer does the political and economic system exclude women and minorities from participation but rather includes them as a matter of law. These groups tend to be artificially undervalued by the "invisible hand" of the market, which is why there is a role for anti-discrimination and public-accommodations law. The welfare state, too, has benefited society by insuring that the benefits of rising wealth are spread throughout society, so that the rich do not become richer at the expense of the poor. We've come a long way, but we still have a long way to go. Keynesian/Neoclassical answer

B. Equality is a term that properly relates to mathematics but not to social science. Human beings are unequal in their endowments, opportunities, and will to achieve. Unequal does not mean inferior or superior; it merely means different. Differences are the very source of the division of labor, and, within a market setting, lead not to conflict but cooperation. While differences should be celebrated, property owners have every right to treat people unequally because it is owners that bear responsibility. Legislators, however, should not have any concern for bringing about equality of result or opportunity, either between individuals or groups of individuals classified according to any criterion. The only place for equality concerns the law, which should treat all individuals the same without regard to their station in life. Austrian answer. http://www.mises.org/fipandol.asp

C. Inequality is an intrinsic feature of a social structure that is mired in a prejudicial overhang from the long and shameful history of the manner in which Western society has treated women and other minorities. The prejudicial impulse, rooted in the spirit of conquest that gave birth to Western capitalism in the first place, is a form of violence and yet part of the corrupt infrastructure of the market economy itself. If the owners of capital were left to their own devices, excluded groups would remain so in perpetuity, so society had to act to restrain them. Full equality will continue to elude us, so long as we have a society that treats people as goods to be bought and sold, and so long as we put private ownership for the few above the common interests of us all. Socialist answer

D. It is a great mistake to make equality of result a policy goal, because egalitarian legislation can kill incentives to improve. Punishing the rich is self defeating, even for the poor striving to make their way. Equality of opportunity, however, is different. It is something everyone merits by their very dignity as a human being. Thus should a nation strive for quality educational institutions, institute a limited inheritance tax, and otherwise assist those who, through no fault of their own, lack the means to gain entry into the division of labor. Once these institutions are in place, we will find that the forces of market competition will achieve egalitarian goals through predominantly voluntary means. Chicago answer

Your answer: A
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: B
Austrian answer. http://www.mises.org/fipandol.asp


19. What is your view of free trade and globalization?

A. International trade increases living standards through productivity enhancing specialization. Increased specialization and division of labor increases labor productivity. Globalization also allows for improvements in capital goods and the organization of production. The spread of global capitalism is key to sustained economic development the world over. Issues like environmental damage turn on local property rights enforcement, not the spread of global capitalism. Globalism is good both for consumers in the developed world and workers in the developing world. Austrian answer. http://www.mises.org/mmmp/mmmp10.asp

B. Economic internationalization has both positive and negative effects. Free Trade and globalization can increase productivity and increase consumer welfare. But, multinationals will exploit the workers and damage the environment in many places unless some authorities regulate them and work toward regulatory and tax harmonization. We need detailed regulation by global authorities to avoid the negative effects of international trade. A world government that would undertake such responsibilities would be of great benefit to mankind. Keynesian/Neoclassical answer

C. Globalism sails under the flag of free trade but is really a vehicle for the exploitation of consumers and workers. Multinationals that can't find markets at home exploit workers in the developing world by paying near subsistence wages. This also damages indigenous cultures and leads to a commodification of people. The drive to do this stems from the nature of capitalist nations, which inevitably experience declining profit rates. The only cure to the ills of globalization is the abolition of global capitalism itself. Socialist answer

D. Free trade has positive effects, but requires some public support. Labor specialization and capital investment by multinationals increase productivity and raise living standards. However, we need global governance through the World Trade Organization to provide the legal and financial conditions, such as transparency laws and protection of intellectual property rights, if we are to realize the advantages of global economic cooperation. Some global public institutions are needed for International trade and globalization to work to the good of all. Chicago answer

Your answer: B
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: A
Austrian answer. http://www.mises.org/mmmp/mmmp10.asp


20. What is the function of the stock market?

A. The stock market can play a positive role in society, but it is also subject to waves of speculative frenzy and abuse, typically by large institutions who take advantage of smaller investors. This can lead to stock overvaluation, insider trading, and other practices that benefit a handful of CEO's, promoters, and large investors at the expense of small investors. Large players can and do rig the system to their own benefit, which is why governmental regulation of stock markets can and should deal with these practices through severe fines, limits on CEO pay, mandated audits and reports, and vigilant audits of financial statements. Public authority is vital for a well-functioning financial market. Keynesian/Neoclassical answer

B. The stock market constitutes a vital part of the process by which we coordinate production. Stock market prices reflect the productivity of business firms as well as entrepreneurial judgments concerning future productivity. Competition in stock markets enables us to ascertain the value of real investment. Takeovers, mergers, and insider trading are wrongly maligned because these practices represent real competition. Without the stock markets, rational coordination of production in modern society would be impossible. Governmental regulation cannot improve on the workings of stock markets because it is the market that most directly informs us regarding the best use of resources. Austrian answer. http://www.mises.org/fullstory.asp?control=1014

C. The stock market represents the interests of an unproductive class in society. The investor class profits off of the labor of others, while roping the public into the system through investing schemes. Stock market speculation, insider trading, takeovers, and mergers, work to destabilize the economy. Financial acquisitions concentrate control of the means of production in the hands of a few. Bull markets produce no real wealth, and are really financial bubbles. These waves of stock market speculation lead to financial panics that disrupt the production of real wealth. What we need are not more high-flying financial centers but more common work at the local level toward common goals. Socialist answer

D. The stock market helps to align incentives in production and sort out productive from unproductive companies. At any moment, the prices on the stock exchange reflect all available and relevant information, which is why forecasts are right on average and no one investor can outwit the market on average. Takeovers and mergers put pressure on CEO's to serve the interests of investors, large and small. The system works so long as regulations mandate full transparency and no relevant knowledge is deliberately withheld. In this way, government intervention can improve the workings of stock markets. Chicago answer

Your answer: A
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: B
Austrian answer. http://www.mises.org/fullstory.asp?control=1014


21. What are labor unions for?

A. Unions are labor market monopolies because they benefit from government privilege. Unions work to raise wages above competitive levels. This reduces the employment of low productivity workers and decreases the overall production of consumer goods. Union leadership is often corrupt and takes great advantage of union workers themselves. Unions also work to concentrate power into the hands of pro-union politicians in government. The concentration of this power is inimical to free societies. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=13

B. Unions are monopolistic, but may serve some positive purposes. Their historic role has been to offset the concentration of industrial power. At the same time, too much union domination may also raise wages above competitive levels and reduce employment and production. The effects of unions vary with particular circumstances, so there is no basis for forming a general opinion as to the merits of unions. It depends on circumstances of time and place. Chicago answer

C. Unions, as currently constituted, cannot repair the defects of capitalism. Capitalism exploits workers by its very nature. Since all capital comes from labor, capitalists must pay workers less than their work is worth in order to exist. Unions cannot change this. The only thing that can change this is the abolition of capitalism and community ownership of the means of production. To the extent that unions represent a vanguard movement to bring this about, they should be defended and empowered. Socialist answer

D. Unions are vital to free societies. Unions act as a countervailing power to offset the influence of business. Capitalism naturally concentrates great power in the hands of business leaders. So unions are necessary to prevent the exploitation of workers by big business. Government should support unions with laws guaranteeing the right to organize, and workers are usually always better off with union representation than without. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: B
Chicago answer

For optimal results the answer must be: A
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=13


22. What are the economic implications of national defense?

A. National defense is neutral to the market. On the one hand, it cost taxpayers money, but, on the other, it provides a stable environment that permits peace to flourish and rights to be protected. By its very nature, government should maintain a monopoly over the use of force, and defending the nation against external and internal foes flows from this primary obligation. Before we can even talk about economic production, government-provided security and defense must be firmly in place. Otherwise, we are back to the Hobbesian jungle. Chicago answer

B. National defense is desirable on its own terms, but the strongest economic impact, as with many public-sector programs, is that it creates jobs and boosts incomes to strengthen the economy. It is especially beneficial to the GDP because so much of military production involves heavy industry. The funding does more good for the nation overall if spent on large projects than if spent on small consumer goods. Moreover, public funding generates technological spin offs that assist all of society, and also employs many people who otherwise would lack the training and discipline to earn high wages in a market setting. The military, in fact, is a great example of government planning at work, serving all of society. Socialist answer

C. Government spending on the military is a social cost that crowds out private alternatives, even as its alleged benefits are unquantifiable. Security, like any good desired by individuals in society, can and is provided by the market economy, which is to say, by individuals organizing themselves voluntarily within the matrix of private property and exchange. Private security works vastly better than the government system that squanders trillions, is riddled with bureaucracy, provokes enemies, and doesn't actually work to defend the nation. Governments have used the excuse of "defense" to start wars that reinforce the power of the state over the market. Austrian answer. http://www.mises.org/journals/scholar/Hoppe.pdf

D. National defense supplies a public demand that would not otherwise be produced in sufficient quantity if supplied only by the market. This is because national defense is an example of a public good. Everyone benefits from it and these benefits are not excludable in the way market goods are. Because of free riders, and the sheer expense associated with its provision, individuals have no particular incentive to purchase the good for themselves. This is why most societies from time immemorial have charged government with the main obligations of security provision. The benefits surely outweigh the costs. Keynesian/Neoclassical answer

Your answer: D
Keynesian/Neoclassical answer

For optimal results the answer must be: C
Austrian answer. http://www.mises.org/journals/scholar/Hoppe.pdf


23. What about goods like education and roads?

A. There is no reason to debate whether roads and education are essential needs, and yet the market will likely not provide them in sufficient quantity. The only real question concerns the public administration. There are good and bad ways to provide these services. Market incentives can increase their efficiency. Construction and administration can be contracted out. Traffic problems can be addressed through tolls and other forms of market rationing. Schools can be made more competitive through vouchers and innovative systems of government chartering to meet special needs. Chicago answer

B. There are some goods that the market cannot provide in a way that meets social needs. Private schools are fine for those who can afford them but a democratic society must provide education to all. So too with roads, which are part of the public infrastructure of a modern society and hence should not be subjected to the wiles of free enterprise. That doesn't mean there isn't room for reform. Schools are inadequately funded and teachers underpaid. Roads are subject to overuse, and should be supplemented by generous provision of public transportation systems. Carpooling should be encouraged. Keynesian/Neoclassical

C. These are goods like any other: they can be supplied by markets and markets alone. The state cannot construct educational institutions that pass the test of economic rationality because it must attempt to do so without the benefit of direct consumer feedback. Instead it collects taxes and spends them arbitrarily. The same is true of government roads: how many are built, in what quality and where, ultimately comes down to political choices influenced primarily by political considerations. In a market economy, the range of quality, quantity, and type of goods and services correspond to social needs. These goods are services that are valued by consumers, and hence, they will be provided if it is economically feasible to do so relative to other social priorities. Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=16

D. It is often claimed that free enterprise is the answer to our economic problems, and that public authority cannot provide. But the example of modern schools and roads are a clear contrary case. Public schools have educated millions and public roads are a key to making the open society accessible to all. Indeed, the success of these institutions points the way to the vast possibilities available to society that has the courage to move beyond laissez-faire and toward true social provision of all that we value, but which the narrow interests of business will not and cannot make accessible to all. Social answer.

Your answer: A
Chicago answer

For optimal results the answer must be: C
Austrian answer. http://www.mises.org/StudyGuideDisplay.asp?SubjID=16


24. What are the economic implications of warfare?

A. Warfare reduces economic welfare by destroying real resources. It can benefit a select few who benefit from military spending on the winning side only. For most consumers and businesses it means drastically reduced prosperity. The only justifiable reason for a war is pure self defense. Austrian answer. http://www.mises.org/fullstory.asp?control=1189

B. War reduces economic welfare by destroying real resources. It may benefit only a select few from military spending, but could also be important in terms of national goals. If diplomacy fails, the general welfare of society may increase as a result of attaining important national objectives via warfare. Defensive wars are always justified. Offensive wars may be good in some circumstances. Chicago answer

C. Warfare stimulates the economy by increasing demand. While wars appear to be destructive, we generate more wealth by rebuilding the things that wars destroy. This employs idle resources and makes for increased prosperity. Keynesian/Neoclassical answer

D. Warfare exists to increase capitalist profits. As competition forces profit rates for domestic ventures down, capitalists go overseas to collect profits. This leads to conflicts between capitalists in different nations. Nations go to war over such competing imperial claims. Capitalism is the main force behind wars. Warfare will end with the end of Capitalism. Socialist answer

Your answer: A
Austrian answer. http://www.mises.org/fullstory.asp?control=1189

You chose the Austrian Answer!


25. Who serves society best?

A. Legislators and policy experts, along with consultation from a variety of advisory groups, have the public interest in mind when they formulate and execute policies. They are willing and capable of improving the welfare of society. Entrepreneurs pursue profit, and care little for overall public welfare. They serve the public interest only insofar as they earn a profit in the process. Given numerous and severe defects in the way markets work, informed civic leaders officials need to work to improve public welfare—a viable project provided that we limit the influence of business interests in politics. The Keynesian/Neoclassical answer.

B. Entrepreneurs play an indispensable role in society. Entrepreneurs are alert to profit opportunities and make judgments concerning the future. Competition concerning these opportunities results in profit and loss statements that generate prices for labor and capital. This competition directs resources to the satisfaction of the most urgent consumer wants. Successful politicians are those who are the best at retaining and wielding political power. These are typically the most ruthless people in our society. The Austrian answer. http://www.mises.org/humanaction.asp

C. Capitalism serves entrepreneurs and entrepreneurs serve themselves. The capitalist system is predicated on the exploitation of consumers and workers. The only solution to these problems is to do away with capitalism, and with it the capitalist class of entrepreneurs. A truly democratic or socialist society will end exploitative tendencies. People will no longer pursue private profit because private profits will no longer exist. People will have better motives and be more publicly spirited under socialism. The leaders, if there are any, in the future socialist society will promote the common good. The socialist answer.

D. Politicians pursue their own interests, but political competition and the public-policy process leads them to serve the public to some extent. Entrepreneurs also serve the public to some extent, because they earn a profit by serving customers. The question as to whether civic leaders or entrepreneurs serve the public best is an open one. This depends upon particular circumstances of time and place. The democratic society has shown itself capable to sorting out questions of social management over time. The Chicago answer.

Your answer: A
The Keynesian/Neoclassical answer.

For optimal results the answer must be: B
The Austrian answer. http://www.mises.org/humanaction.asp

Posted by Rui at 05:30 PM | Comments (5) | TrackBack

Tem de ser!

Vou fazer o teste.

Esperemos que não entre em estado de choque com os resultados...

Posted by Rui at 01:41 PM | Comments (2) | TrackBack

novembro 11, 2003

Mercado do DVD / Video aumentou 20% na Europa em 2001

São dados europeus fresquinhos relativos a 2001 (são os mais recentes). A informação foi recolhida recorrendo a diversos organismos públicos e privados. Em 2001, em relação à penetração dos leitores de DVD's, estavamos bem lá no fundo da lista de países, apenas 3% dos agregados familiares portugueses tinha DVD segundo o European Audiovisual Observatory (citado pelo Eurostat). Hoje, aposto que esse número já mais do que triplicou e as vendas de filmes em DVD florescem junto com tudo o que é jornal, revista, pasquim...

Fica a informação completa do Eurostat aqui (PDF).

P.S.: Este é o primeiro documento que não uma imagem que publico no Adufe. Vou tentar não abusar para não levar o Paulo Querido à falência :-)

Posted by Rui at 01:06 PM | Comments (1) | TrackBack

novembro 09, 2003

Imigração

O Paulo Gorjão propõe-se pensar um pouco sobre a Política de Imigração Portuguesa. Não tenho comentários a fazer (por enquanto?), recomendo apenas a leitura dos seus textos.

Um pequeno excerto:
(...) Veja-se o caso recente de regularizacao extraordinaria de cidadaos brasileiros ilegais em Portugal, a qual foi ditada pelo desejo de nao criar motivos de conflito na relacao diplomatica luso-brasileira. O mesmo se passou ao longo dos anos com os cidadaos das ex-colonias africanas portuguesas.
A questao, no fundo, acaba por ser muito simples. Queremos ter uma relacao privilegiada com os paises de lingua oficial portuguesa? (...)

Posted by Rui at 05:09 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 05, 2003

O segredo está nos feriados

No Jornal de Negócios de hoje noticiava-se que uma das medidas das finanças francesas para minimizarem o défice que se orçamenta para 2004 (assumidamente superior a 3%) será considerar a redução do número de dias feriados, eliminando um deles.
Quanta receita fiscal adicional de arrecadará por cada dia a mais de actividade económica? Não tenho os números nem o tempo para os procurar e propor um qualquer modelo de cálculo mas assumindo que menos feriados representam menos défice tenho uma boa notícia!

Neste ano de 2003 tivemos os seguintes feriados nacionais em dias úteis:
1 de Janeiro
4 de Março
18 de Abril
25 de Abril
1 de Maio
10 e 19 de Junho
15 de Agosto
1, 8 e 25 de Dezembro

Somam 11 dias feriados.

No próximo ano temos os seguintes feriados em dias úteis:
1 de Janeiro
24 de Fevereiro
10 de Abril
10 e 11 de Junho
5 de Outubro
1 de Novembro
1 e 8 de Dezembro.

Somam 9 dias feriados. Juntando-lhe o dia adicional próprio dos anos bissextos conclui-se que teremos um bom ano para atacar o défice!

Posted by Rui at 03:10 PM | Comments (3) | TrackBack

outubro 22, 2003

Reformas Antecipadas (Act.)

Min. Bagão FelixPublico em anexo uma notícia fresca da TSF que me deixou parvinho de incredulidade.

Tem o seguinte lead:

PENSÕES
Governo quer desincentivar reformas antecipadas
O Governo quer desincentivar as reformas antes dos 65 anos, com o objectivo de travar o crescimento das despesas com pensões, segundo anunciou o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix.

Lendo isto na mesma semana em que a EDP (ainda com capitais públicos) conseguiu a aprovação por parte da entidade pública de regulação do sector para fazer repercutir nas tarifas da energia a dispensa de cerca de 2000 trabalhadores que, sublinhe-se, irão em boa parte transitar para a situação de reformas antecipadas, ou mesmo de, pasme-se, pré-reformas antecipadas dá vontade de rir, não dá? Não dá, não. Este governo continua a gozar descaradamente connosco.
Se tivesse de discordar com uma das medidas, apesar de tudo discordaria com a que agora se anuncia, o reforço das limitações às reformas antecipadas. Se alguém quiser, quando tiver mais tempo, explico porquê.

PENSÕES
Governo quer desincentivar reformas antecipadas
O Governo quer desincentivar as reformas antes dos 65 anos, com o objectivo de travar o crescimento das despesas com pensões, segundo anunciou o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix.

16:23
22 de Outubro 03


A actual Lei permite a reforma antecipada a quem tenha 55 anos e 30 anos de serviço, aplicando-se assim uma taxa de 4,5 por cento por cada ano de antecipação. Para tentar desincentivar as reformas antecipadas, Bagão Félix quer aumentar a taxa de redução para os cinco por cento.

No entanto, para 2004, a taxa de crescimento da despesa com pensões será de 8,6 por cento, mais do dobro do ritmo de expansão previsto para a economia nacional, que, em termos nominais, se situa nos 3,5 por cento.

Assim, o valor previsto para as despesas com pensões é de quase dez milhões de euros, ligeiramente inferior às receitas da Segurança Social que provêm das contribuições, que devem crescer 3,8 por cento em 2004.

O ministro explica que «as reformas antecipadas são financiadas à conta dos que não se reformam» e entende que se trata de um «sistema desequilibrado», pelo que optou pela revisão da taxa de penalização já em 2004, referiu, na apresentação do Orçamento da Segurança Social para o próximo ano.

Bagão Félix anunciou ainda que vai introduzir a reforma as tempo parcial no primeiro semestre do próximo ano. O Governo pretende assim reduzir as despesas com as pensões e promover o envelhecimento activo dos trabalhadores, já que 26 por cento dos actuais reformados deixaram o mercado de trabalho antes da idade prevista de reforma.

O ministro explica que «as empresas estão a abusar nas reformas antecipadas e nas rescisões de mútuo acordo», o que «se reflecte no subsídio de desemprego» e «é uma sobrecarga injusta para a Segurança Social».

Além das pensões, a outra grande despesa da Segurança Social está relacionada com os subsídios de desemprego, que deverá aumentar, para 2004, 4,8 por cento.

Posted by Rui at 05:05 PM | Comments (1) | TrackBack

Pinguim Returns

O OzOnO junta-se à discussão sobreo Linux pegando no exemplo da Câmara Municipal de Munique e deixa a seguinte sugestão às câmaras municipais portuguesas (principalmente às das grandes cidades, acrescento eu):

(...)A importância deste negócio para a Microsoft foi evidente quando Steve Balmer foi a correr para a Alemanha, garantir à cidade de Munique que «Microsoft would do what it takes to keep the city business». Cortaram 35% no preço e aliviaram os prazos para fazer upgrades, porque a última coisa que a Microsoft queria é que passasse a percepção para o mercado de que o Linux é efectivamente uma alternativa...

Deixo aqui uma ideia a todos os presidentes de câmara portugueses. Mesmo que não queiram mudar, que tal deixaram no ar a ideia de que o possam fazer ? Assumam nas vossas avaliações de que o Linux pode e deve ser considerado uma alternativa. No pior dos casos, ainda vão conseguir descontos na ordem dos 35% e isso iria trazer uma bela não-despesa extraordinária !

Posted by Rui at 10:24 AM | Comments (0) | TrackBack

Pinguim III

A questão do Software livre também tem sido abordada na Aba de Heisenberg. Deixo aqui o endereço para um dos vários textos sobre o assunto que por lá se encontram.

Posted by Rui at 12:20 AM | Comments (0) | TrackBack

outubro 21, 2003

Furano news

A produção de frango recupera.

Vai uma perninha?

Posted by Rui at 03:02 PM | Comments (0) | TrackBack

Pinguim II

O Pinguim Ainda da Exame Informática uma outra nota de rodapé que aqui reproduzo.

"Brasil adopta o Pinguim
Oito em cada dez computadores da administração pública brasileira devem, a partir do próximo ano, possuir como sistema operativo principal o Linux. A redução dos custos de aquisição e de manutenção do software é apontada como a principal razão para esta medida recentemente anunciada pelo governo de Lula da Silva. Actualmente, o sistema da Microsoft está instalado em 90% dos PC's ao serviço do Estado."

Neste caso, uma administração de um País que a esse nível não pode pactuar com piratarias arranjou uma bela forma para tentar reduzir o défice público... Meio continente vai abraçar o Linux.
E por cá? Além das provas de ignorância informática que deixaram célebres dois deputados do arco governamental, alguém, do Ministério das Finanças, por exemplo, já fez as contas a quanto o Estado português gasta por ano em licenças informáticas que podem ser substituídas por software de código livre?

A questão não deveria ser "Porquê mudar?", mas sim "Porquê não mudar?".
Adivinho que a mudança trouxesse um bela não-despesa extraordinária...

Posted by Rui at 11:56 AM | Comments (3) | TrackBack

O Pinguim

Vem na Exame Informática deste mês a referência a um sofisma típico que vitimiza algumas análises económicas.
A questão tem a ver com a expectativa de evolução do mercado de software mundial, nomeadamente ao nível dos sistemas operativos e das ferramentas mais usuais para trabalho de escritório.
Onde é que o Linux, sistema operativo de código aberto, gratuito, e que tem cada vez mais ferramentas disponíveis, igualmente gratuitas, desenvolvidas através dos contributos de técnicos espalhados por todo o mundo teria mais sucesso?
Nos paises mais ricos ou nos paises mais pobres?
Veja-se a alternativa. A alternativa é pagar e bem por produtos da Microsoft. Parece óbvio, não é? Tudo o que é pais subdesenvolvido esta a usar Linux para poupar os escassos recursos, certo?
Noupe! Como diz John Dvorak (Exame Informática pág 23 a 24):
"Se pode comprar qualquer produto por 1 dolar [pirateado], para quê usar Linux?"

Posted by Rui at 11:32 AM | Comments (0) | TrackBack

outubro 17, 2003

As dúvidas

A Síntese Económica de Conjuntura do INE comemora com a edição deste mês o seu primeiro aniversário de divulgação pública no actual formato e com a actual equipa. Sublinhe-se que, sem visibilidade para o exterior, investiram-se, antes de Outubro de 2002, largos meses de formação técnica e reexame de metodologias e conceitos.
Os meus parabéns pelo trabalho realizado!

Mas não posso deixar de partilhar convosco a seguinte pergunta, o seguinte caso da vida real: será que para o ano, depois de metade da equipa que a elabora ter terminado os seus contractos a prazo poderemos continuar a dar-lhes os parabéns?

Posted by Rui at 12:38 PM | Comments (2) | TrackBack

Síntese Económica de Conjuntura - Setembro de 2003

Não me atrevo a chamar-lhe retoma, até porque o sector dos Serviços continua muito deprimido, mas é uma boa notícia do INE:

Apesar dos fracos sinais sobre a retoma dos parceiros comerciais portugueses, a economia nacional parece manter uma ligeira tendência de recuperação, à semelhança do que vem acontecendo nos últimos meses.

Deixo aqui o destaque para a comunicação social, também disponível no Site do INE. Para ter acesso à Síntese completa terá de se registar (acesso gratuito para leitura).

Posted by Rui at 12:01 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 16, 2003

O país extraordinário

A proposta de Orçamento está aqui.
A Ministra promete mais um orçamento extraordinário. Estou com défice de adjectivos o que é que querem...

Posted by Rui at 10:36 AM | Comments (1) | TrackBack

outubro 12, 2003

O Euro e a psicologia (actualiz. II)

Moeda de um Euro - face comumImaginem que vai para diante a ideia de alguns países da área Euro em transformar as moedas de 1 e de 2 Euros em notas. Mais do que na Holanda, na Dinamarca ou na Alemanha, em Portugal, um Euro deveria "ser" um Euro. Um Euro dá para "mandar cantar um cego", digamos assim.
Quando vamos ao supermercado, contudo, a voz corrente, essa generalidade tão boa para reforçar estes fracos argumentos, parece dizer que perde a noção ao peso do dinheiro, principalmente se não viver com a corda na garganta.
Um litro de leite a um euro é muito? Não parece... Uma moedita, que nem sequer é a maior...


Moeda de um Euro - face comumO meu palpite é que estas quantias assumam um valor simbólico mais relevante (talvez inconscientemente) na mente das pessoas. Reflectir-se-á esse efeito no consumo e depois nos preços? Sabemos que para revisões em alta há flexibilidade e para revisões em baixa há rigidez... Mas ainda assim uma nota sempre é uma nota. Será que estatisticamente o INE vai notar alguma coisa em termos de preços no consumidor?
Tinha piada que repetissem o estudo que fizeram aquando da mudança de moeda, caso venha a ocorrer a materialização em papel das actuais moedas de um e de dois euros. Enfim, curiosidades...

Moeda de um Euro - face comum Outra curiosidade para reforçar (ou não) a teoria da rigidez das revisões dos preços em baixa seria estudar o efeito da descida da taxa do IVA para os 18% (um fenómeno que provavelmente ocorrerá no ano das próximas eleições legislativas). Se a teoria estiver correcta, o efeito de aumento dos preços quando a taxa subiu não terá contrapartida quando a taxa descer, revertendo esse um por cento directamente para a margem dos comerciantes. Como digo, curiosidades...

Posted by Rui at 05:37 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 09, 2003

Séries Temporais

Alguns dados do www.eumed.net sobre os laureados destes ano:

Robert Engle, Nobel Economia 2003ROBERT F. ENGLE por haber desarrollado métodos de analizar las series temporales con volatilidad variante en el tiempo (ARCH)
Engle


Clive Granger, Nobel Economia 2003
CLIVE W.J. GRANGER por haber desarrollado métodos de análisis de series temporales con tendencias comunes (cointegración).
Granger

Arch mais para séries temporais de alta frequência (cotações bolsistas...)
O segundo - cointegração - já me parece interessante para séries temporais que mais me interessam, de frequência mensal, particularmente as não estacionárias. Um campo de aplicação mais vasto do que os AutoRegressive Conditional Heteroskedasticity (ARCH)...

Posted by Rui at 10:45 AM | Comments (0) | TrackBack

outubro 07, 2003

Compras e Vendas

Num destaque à comunicação social divulgado ontem o INE informa que:

"Défice da balança comercial diminuiu 17.0% até Julho

De Janeiro a Julho de 2003, as variações homólogas registadas nas saídas (+2.4 %) e nas entradas (-3.8 %) determinaram a redução de 17.0 % no défice da balança comercial." Os dados agora divulgados são ainda provisórios.

É bom notar que, após considerar os primeiros dados referente ao 2º semestre de 2003, o comportamento das trocas com o exterior, que se vinha a revelar cada vez menos dinâmico no final do 1º semestre, ressurge de forma significativa. Parece haver algum fôlego da economia portuguesa. Mas aguardemos mais algum tempo para deitar foguetes.

Algumas notas pessoais exclusivamente sobre o comércio intracomunitário:

1. O nosso principal parceiro é cada vez mais a Espanha relegando a Alemanha para 2º lugar (Exportações e Importações).

2. O dinamismo da economia espanhola nos últimos meses levou a que esta economia mais do que compensasse as perdas de exportações portuguesas para a Alemanha tendo como efeito colateral a melhoria significativa da balança comercial portuguesa com a Espanha (as importações espanholas para Portugal estão em quebra moderada).

3. Curiosidade: a balança comercial portuguesa com a França aproxima-se do equilíbrio.

4. O peso do comércio externo com a Grécia foi o único que aumentou nas duas frentes ao longo do período (Exportações + 13,7%; Importações + 7,7%).

5. Os combustiveis minerais, os produtos químicos, os produtos de óptica e de precisão e os plásticos e as borrachas registaram, todos, incrementos homólogos superiores a 10% no seu volume de exportações tendo contribuido claramente para o bom resultado global da balança comercial.

6. As exportações de vestuário também registaram um aumento em termos homólogos: 4,0%. Pior comportamento revelaram os sectores do Calçado e das Peles e Couros.

E mais não digo.

Posted by Rui at 09:40 AM | Comments (0) | TrackBack

outubro 03, 2003

Para não serem só más notícias

Boas notícias para desenjoar. O INE informa:

INDICADOR DE CLIMA E INDICADOR DE CONFIANÇA NOS CONSUMIDORES EM RECUPERAÇÃO

O Indicador de Clima registou, em Setembro, a quinta recuperação consecutiva fixando-se no melhor nível dos últimos onze meses; mantém-se, contudo, num patamar negativo.
Com comportamento igualmente mais favorável, desde Maio, o indicador de confiança dos consumidores apresentou nova recuperação no mês de Setembro.
No sector dos Serviços manteve-se a tendência de evolução desfavorável do indicador de Confiança.

Mais detalhes aqui.

Posted by Rui at 12:03 PM | Comments (1) | TrackBack

setembro 17, 2003

Imigração em Portugal (act.)

Não é fácil estudar a imigração, particularmente em Portugal e, mais especificamente ainda, numa perspectiva de grandes número, abrangendo a totalidade do país, projectando impactos globais.

Várias razões concorrem para este facto e são sobejamente conhecidas da comunidade científica que se tem dedicado ao tema (demógrafos, sociólogos, geógrafos, economistas). É complicado traçar diagnósticos fiáveis que se traduzam em realidades quantificáveis, no entanto, é possível dizer alguma coisa e é indispensável tentar perceber o que se passa.

A ilegalidade, as lacunas do aparelho judicial e administrativo, o desleixo pela recolha de informação estatística de qualidade que proliferou durante anos contribuiram, entre outros, para as dificuldades que agora temos. No momento em que passamos a acolher mais do que a ser acolhidos, nesse fluxo cruzado que ocorre anualmente, a informação é vital. É um instrumento indispensável para evitar equívocos bem conhecidos e demasiado frequentes. Na minha ainda curta carreira tive a felicidade de abordar algumas destas questões tentado servir o interesse público.
Para quem se interesse sobre o assunto remeto-vos para dois artigos em que colaborei:

- um sobre padrões de mortalidade entre a população imigrante em Portugal cujo link aqui disponibilizo.

- e outro, bem mais aprofundado, sobre as características da população com antecedentes migratórios a residir em Portugal, elaborado no âmbito do Conselho da Europa.

Ficam os links possíveis (textos em inglês):

Portuguese immigration: An approach to the mortality patterns O mesmo artigo alojado em Portugal está aqui (exige registo prévio na Infoline do INE para se poder aceder).

The demographic characteristics of populations with an immigrant background in PORTUGAL

Posted by Rui at 08:39 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 15, 2003

Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Não há nada como estar sempre disposto a aprender... No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

"Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam "nada", zero. Porque os outros 38% alguns separam "alguma coisa" e mesmo muito poucos separam "mesmo". Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a "culpa" o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais "outras razões".

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, < ou > 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do "prémio aos pais". Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em "regime de free-lance". Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um "negócio de escala", quer dizer que só com grandes quantidades de "lixo" separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.

E ainda há a questão do lucro. O "negócio" da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto "vasilhame com depósito" ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho."

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

"Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do "Ligeirinho" cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).
"

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio.

Posted by Rui at 12:48 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 09, 2003

A Reciclagem II - (mega post – um pouco mais 1000 palavras!)

Correndo o risco e tendo bem presente que "Se não receio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo" cá vai disto.

«Reciclagem em balanço: SPV recicla 116 mil toneladas, mas...
62% dos Portugueses ainda não separam as embalagens usadas» in SPV

O Jornal de Negócios publica hoje dois artigos sobre as próximas novidades que envolvem a Sociedade Ponto Verde (SPV). Refere-se (1.) o processo de atribuição de uma nova licença de funcionamento como entidade dinamizadora da recolha selectiva e reciclagem em Portugal, bem como, (2.) as iniciativas práticas cuja implementação se adivinha para breve.

(1.) Quanto ao primeiro assunto o Jornal de Negócios adianta que:
A grande mudança na próxima fase de vida das SPV será ao nível da proporção entre as receitas por kg (que determina o valor de “ponto verde”) e os custos por kg (o valor da contrapartida). Apesar de ainda não estar definido o valor final que os embaladores passarão a pagar, a única certeza “é que é preciso aumentar este valor dramaticamente, ou então a SPV não é viável financeiramente”, explica Henrique Agostinho, salientendo que “apesar de sermos uma empresa não lucrativa precisamos de receitas para financiar a actividade a que nos propomos”.

Retomando a discussão a que aqui aludi num post anterior destaco que além da então referida taxa de saneamento básico, o custo directo do nosso lixo é já em certa proporção pago no acto da compra. A SPV conclui agora que se paga pouco. Porquê?
Conhecer as razões que fundamentam esta conclusão seria muito útil. Julgo adivinhas uma delas no próprio artigo do jornal. O actual dirigente da SPV aponta que será muito difícil, atendendo – depreendo - à dimensão do nosso mercado, que surja um concorrente neste mercado pois é uma actividade que depende da “escala e que não dá lucros”. Quando fala de escala fico com uma dúvida que julgo determinante: a escala a que se refere é potencial (produção máxima de lixo se todos reciclássemos) ou a real do momento (produção histórica recente de lixo separado para reciclagem)? Atendendo à necessidade de se aumentar a taxa que reverte para a SPV para assegurar a sua viabilidade, presumo que a quantidade de lixo recolhida – e que sabemos ser apenas uma pequena fracção do “disponível” – é insuficiente para o eficiente funcionamento do sistema de que a SPV é parte. O problema da pouca eficácia na recolha é, portanto, premente e as suas consequências estão patentes no aumento do preço.

Quanto ao facto da actividade de uma empresa como a SPV não dar lucros já é outra conversa, depende seguramente da tal valorização do lixo de que falei no outro post; do seu tratamento; do enquadramento legal criado, e da própria definição de lucro que adoptamos. Na matéria em apreço, o lucro empresarial puro e duro não é determinante e se calhar nem é desejável. Mas este ponto ficará para outra ocasião.

Resumindo, depreende-se que a capacidade instalada suporta volumes muito maiores de lixo separado devendo registar maior eficiência - ser mais barato tratar cada quilograma de lixo - se "vencermos" a batalha da reciclagem.

Note-se que no post anterior em que falei deste assunto me esqueci que havia uma componente do preço dos produtos justificada pela reciclagem da embalagem. Mas quantos se lembram desse facto quando vão às compras? Qual é a percentagem do preço afecta a esse fim? Quando a contribuição para a SPV aumentar, o mais provável é que ninguém se aperceba disso não estabelecendo uma relação entre o comportamento da sociedade face à reciclagem e o impacto no seu bolso. O preço que poderia ser também visto e publicitado como o custo que de facto é, surge escondido à boa moda de um imposto indirecto plenamente inapto para ser entendido e dominado pelo comum dos mortais. Aumenta-se o preço, não para condicionar as opções do consumidor no sentido de que este se aperceba que está a comprar um bem cujo interesse não se esgota no seu consumo, mas apenas com o objectivo de garantir o saneamento da empresa SPV.

(2.) Como escrevi no início, o Jornal de Negócio foca ainda o aspecto prático da SPV anunciando as próximas medidas:

Até ao final do ano, os consumidores vão encontrar os baldes para a separação de lixo doméstico à venda em todos os supermercados, sob a chancela da Sociedade Ponto Verde (SPV). Com um custo aproximado de 10 euros por unidade, os novos ecopontos domésticos da SPV são fabricados pela Plastival – associação de recicladores de plásticos, accionistas indirectos da SPV. Em paralelo, a SPV está a trabalhar no lançamento de sacos de cores diferenciadas “cujo objectivo é fazer com as pessoas que têm condutas, não tenham de acumular o lixo em casa, separado, à espera para despejar nos dias previstos”, adianta Henrique Agostinho.
A SPV vai ainda avançar com um projecto especial com as escolas primárias, cujo objectivo é envolver as crianças e os pais. Para já, o projecto vai ser desenvolvido nas regiões de Leiria e Viseu. As crianças vão ser estimuladas a levar o lixo separado para os ecopontos que estão junto das escolas. Cada ecoponto vale pontos que dão direito a prémios. A ideia da SPV é despertar os miúdos para a reciclagem e ensiná-los a separar o lixo, de maneira a que se torne um hábito. “E assim, também os pais são envolvidos”, acrescenta.

Tudo isto me parece muito bem mas continuo a ter sérias dúvidas da eficácia destas medidas em contribuírem para um aumento rápido do volume de lixo que entra no processo de reciclagem. Porque não dar também um prémio aos “pais” quando estes reciclam? Um prémio permanente. No fundo, os consumidores iriam reaver, caso reciclassem, uma caução que seria parte da taxa paga no acto da compra da embalagem. Tudo seria mais fácil independentemente do nível de consciencialização de cada um.
Ao contrário, pede-se que se pague voluntariamente um novo caixote do lixo, novos sacos… Se as campanhas de sensibilização forem bem sucedidas tudo bem, mas não tem sido essa a experiência passada.

A única esperança que tenho de que algo de novo e substancial possa surgir com as alterações referidas nas notícias do Jornal de Negócios é que o aumento da taxa Ponto Verde sobre as embalagens não retornáveis – juntamente com mais umas eventuais achegas do legislador - torne apetecível para o embalador fabricar embalagens retornáveis, um conceito mais ambicioso de reciclagem. Onde o princípio de “prémio” ao agente que liga a produção/consumo à reciclagem está presente.

Posted by Rui at 09:13 AM | Comments (3) | TrackBack

setembro 04, 2003

Olha! Olha!


1.
Então não é que o Público faz manchete hoje com a resposta à pergunta que deixei no Adufe ontem!

Os primeiros parágrafos são esclarecedores dos factos:

«Ministra das Finanças reduz défice com expediente que criticou ao PS
Rita Siza

A solução de transferência do Fundo de Pensões dos CTT para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) para efeitos de redução do défice público recupera uma fórmula utilizada no primeiro governo de Guterres pela então secretária de Estado do Orçamento, Manuela Arcanjo, com a contabilização da integração do fundo de pensões do BNU nas receitas do Estado - uma operação que mereceu, na altura, fortes críticas da actual ministra das Finanças.

Manuela Ferreira Leite acusou os socialistas de estarem a maquilhar as contas públicas com receitas que não conseguiam arrecadar por via fiscal. "Há dinheiros em que nenhum Governo deve em tempo algum mexer", considerava à época.»

Mais adiante além das críticas e pedido de coerência do PS vem uma explicação do PSD via Jorge Neto nos seguintes termos:

«(...)assinala a diferença das "circunstâncias exógenas da conjuntura económica" que caracterizam as duas operações. "As situações não são comparáveis porque nessa altura [1997] o que se colocava era uma questão de mera engenharia orçamental", esclarece, acrescentando que "nesse momento, dar o aval político a essa solução era ser cúmplice de uma estratégia irracional de desvario no controlo das contas públicas". »

Se lermos a citação da Ministra com atenção, na altura em que fez a crítica ao governo PS, não admitia validade ao argumento justificativo agora apresentado pelo seu colega: "Há dinheiros em que nenhum Governo deve em tempo algum mexer". Enfim...

2.
E antes de terminar uma achega ao Abrupto, ainda com base no artigo de hoje do Público. Desta vez a propósito do post do Abrupto que aqui transcrevi ontem.
Atente caro JPP na barbaridade implícita no pensamento do seu colega Jorge Neto na seguinte frase citada pelo Público:
«"Ao contrário de outros como a Alemanha e a França, que não são países da coesão, Portugal não se pode dar ao luxo de falhar e violar as regras do PEC", considera, reputando como "essencial para o prestígio do país e para a retoma da economia" a tomada de toda e qualquer medida extraordinária. "É uma exigência patriótica", sublinha. »
Depois do que lhe li, caro Abrupto, também concorda com esta da "Exigência patriótica"?

E pronto por agora é tudo. Se alguém conhecer outras justificações que não estas aqui relatadas continuo disponível para que me elucidem. Para já a informação disponível permite-me formar uma primeira opinião: não encontro nenhuma bondade, repito nenhuma bondade, mais a mais numa altura em que já todos interiorizamos a necessidade de equilibrar as contas públicas (com ou sem PEC), em seguir cega e habilidosamente um suposto desígnio nacional que acumula sucessivamente graves danos para a economia do pais. Querem exemplos: como é que passa pela cabeça de alguém cortar despesa na vigilância da floresta? E manter essa decisão mesmo depois de entidades avisadas sobre a conjuntura da floresta (lembro-me de ter ouvido os bombeiros na TSF bem antes dos fogos) alertarem para o elevado risco neste ano devido à acumulação anormal de matéria orgânica nas florestas causada por um inverno muito longo e húmido? O pior é que não são precisos muitos erros causados pela tal cegueira - que se calhar, como diz o Abrupto Franceses e Alemães nos vão esfregar na cara - para causarem grandes danos. Mas quem governa não pensa na Lei de Murphy não é caro JPP (lembro-me aqui do seu artigo na última Grande Reportagem).
É a tal história dos custos indirectos e das más decisões políticas.

Posted by Rui at 10:32 AM | Comments (0) | TrackBack

setembro 03, 2003

What happend to Chinezinho Limpó-pó (a)?

What happend to Chinezinho Limpó-pó (a)?

O governo vai contabilizar como receitas extraordinárias a dinheirama do fundo de pensões dos CTT arcando com as responsabilidades inerentes (transferindo-as com o respectivo o dinheiro para a Caixa Geral de Aposentações).
Imaginem por um momento que eu sou apenas um cidadão crente na boa fé e na inteligência de quem nos governa. Um cidadão que tem respeitosamente considerado o que nos tem dito o actual governo. É então natural que não perceba a bondade da decisão em apreço. Depois das portagens e afins do ano passado, o défice (talvez) venha a ficar abaixo dos 3% (talvez venha a ser “salvo” como li, por exemplo, na TSf sem as aspas) com esta receita extraordinária. E isso é bom? Melhorámos face ao que fez o anterior governo? Em que medida?
Volto a repetir: agradeço a alguém que se digne ao esforço de me explicar, evitando o preconceito de pensar que já tenho opinião formada, que deve ser um “gajo” do PS ou simpatizante que esta só a mandar postas de pescada...
Alguém se digna pregar a este peixinho com uma explicação se não tão erudita pelo menos tão razoável ao entendimento quanto o famoso sermão do saudosos Padre?
Fico antecipadamente agradecido.
É que não vejo razão nenhuma para auto-censurar estas dúvidas... nem que fosse militante de algum partido da oposição. E já que temos blogues pode ser que tenha sorte.
Bem hajam.

Posted by Rui at 08:39 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 11, 2003

Ao nosso querido "jornalista"

Ao nosso querido "jornalista" Luis Delgado

Pus-me a olhar para trás e com este são 12 os post que aqui deixei desde a meia noite de ontem. Entre destaques a notícias, páginas na net e textos exclusivamente esgalhados por este que vos escreve. A qualidade e o esforço despendido variam de acordo com quem lê e com quem escreve, bem entendido. E como eu há muitos outros nestes preparos que, pelo caminho, ainda justificam o ordenado no respectivo emprego, asseguram com todo o gosto o seu quinhão de prazeres / deveres de um lar a dois (ou a mais) e aqui voltam no final do dia a bater records de parágrafos na blogoesfera sem que disso tenham consciência (salvo esta excepção que aqui vos apresento).
Como deve estar preocupado o nosso Luis Delgado. Recomendo-lhe desde já que reforce o plano poupança reforma o quanto antes pois a mão invisível do mercado está a demorar a agir por aqui... Nem uma alminha a pedir um subsídio para pagar a conta da internet apareceu (que eu tenha visto)!

Como poderia ter dito um economista famoso " She moves in misterious ways"

Adenda: o mail que aqui apresento é a serventia da casa, o poder redentor de um donativo não é alheio a um bloguista com princípios :)

Posted by Rui at 11:59 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 08, 2003

O algodão não engana...

Um amigo mandou-me um artigo da Economist de 19 de Julho onde se avalia o mercado de trabalho britânico nos seguintes termos:

"British workers are rebelling against long hours in the office
THE economy has slowed down but the labour market remains resilient. The latest figures show that unemployment has fallen and employment has risen. The ratio of employment to the working-age population is close to its all-time high. The government is both proud of this and worried that Britons work too hard. Pushing the "work-life balance" agenda, Patricia Hewitt, the trade and industry secretary, says that Britain's "long-hours culture" is "macho" and "old-fashioned
".

Um governo preocupado com o trabalho excessivo dos seus cidadãos é já de si uma notícia a destacar mas há, mais adiante, uma frase que nos interessa... Segue-se uma análise comparativa dos hábitos laborais no continente e no Reino Unido e a páginas tantas lê-se isto:

"Looking at both part-time and full-time workers, the contrast with the EU becomes less marked. Taking into account holidays, average working hours are higher than in most European equivalents but lower than in Greece, Spain and Portugal."

Meus amigos... Alguém se deve ter enganado nas contas... Ou será que não?

Bom, para terminar mais uns parágrafos desta insuspeita revista liberal dedicados a quem fizer o favor de enfiar o barrete:

"The government, by going on about the "work-life balance" may have helped persuade people that staying at home isn't necessarily skiving. Attitudes among graduates are changing. "They are less willing to devote life and soul to their companies in their early years," says Nigel Meager, deputy director of the Institute for Employment Studies.

Looked at in the long term, there's nothing odd about this. Over the past 100 years (see chart) people have worked less and less as they have chosen to take some of the rewards of rising prosperity in the form of more leisure. It was the 1980s and early 1990s, as professionals first stepped up their work effort and then stuck at their desks in the hope of keeping their jobs, that were an aberration. Now workers are reverting to a familiar pattern, and sloping off from the office earlier and earlier. The government's campaign for the work-life balance looks redundant: life is winning"

Life is winning in the UK! Que esta novidade não demore 20 anos a chegar cá...

"Clocking off

Jul 17th 2003
From The Economist print edition
"

Posted by Rui at 11:01 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 20, 2003

O Pai da Economia

“Bastava que se criassem crianças como se cria o gado e com o mesmo destino que este: vendidas no matadouro pelo melhor preço.”

Há já uns anos que não lia o texto de Swift que aqui republiquei alguns posts abaixo.
Os tempos de crise são conhecidos por apadrinharem grandes feitos. E à sua medida estas poucas páginas de Swift parecem-me um grande feito, pelo menos da política e literatura em inglês. Neste caso milhares de irlandeses morriam (e morreram mesmo) de fome devido à epidemia que atacou a base da sua agricultura (a batata) e devido ao extremo zelo da potência dominante em agravar a situação com impostos e indiferença. Confesso que entre as duas leituras me licenciei em economia e...

Caramba! É impressão minha ou uma belíssima parte dos fundamentos da economia estão claramente esboçados nestas poucas páginas de Swift? E de forma formalmente escorreita e inteiramente lógica? Uma boa parte dos fundamentos e maior parte ainda das linhas de orientação de política económica mais populares dos nossos dias.
Abstraindo-nos de preceitos morais, éticos e religiosos é difícil contrapor a lógica problema/ regulamentação-via-mercado/ solução que transparece deste texto chocante de Swift.

Sacrificando o insacrificável mas fazendo-o ainda assim, apresenta-nos uma solução que eliminada essa parcela é claramente positiva para todos. A Irlanda deixaria de sofrer de fome, aborto, balaça comercial deficitária (já havia os primeiros sinais de globalização na época), desequilíbrio orçamental (o tal défice que também a nós nos apoquenta), papistas (seria a primeira limpeza étnica da época moderna?), falta de boas maneiras (consta que com tantos filhos havia graves problemas educacionais), etc, etc. E a auto-estima de toda a nação (servos e servidos) atingiria níveis elevadíssimos. Nada poderia correr mal. Bastava que se criassem crianças como se cria o gado e com o mesmo destino que este: vendidas no matadouro pelo melhor preço.

O desafio do professor de história do 12º ano - a quem "dediquei" a republicação do texto no post -, após ter resolvido mandar o programa curricular para o lixo, foi precisamente impor aos alunos a mais violenta das críticas que pudéssemos conceber sem que para tal se usassem argumentos éticos, morais ou religiosos... Uma forma, no entender do docente, de "vos preparar para algumas surpresas da faculdade e arredores".
Querem fazer a experiência?

Adam Smith escreveu a sua monumental obra "A Riqueza das Nações" alguns anos depois... Cá para mim este professor de filosofia política (e, mal sabia ele, de Economia) era leitor assíduo de Swift, só pode!

Posted by Rui at 04:35 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 08, 2003

Uma grande adufada para o Sérgio Figueiredo

Nem sempre concordo com este ilustre economista da minha escola mas hoje ia alí à loja comprar um chapéu só para a seguir o tirar em sua honra.
Servem estes encómios para destacar o artigo de hoje no Jornal de Negócios, o autor chamou-lhe PECadores fiscais eu sugeriria a citação de Leonardo Ferraz de Carvalho que surge a linha tantas no artigo "Tantos fiscais - os que pagam e não estrebucham. Na qualidade de TANSO FISCAL que ganha menos de 1000 € por mês e paga mais de IRS do que algumas dezenas de taxistas pagaram por junto nos últimos cinco anos só posso agradecer editoriais como este. Fica um cheirinho; a obra completa está aqui.

"96% dos mais de 11 mil taxistas deste País não paga sistematicamente IRC. Por isso, vamos falar claro: aqueles senhores que ameaçam sitiar Lisboa e Porto na próxima quinta-feira são, na sua esmagadora maioria, evasores fiscais.

Por si só, isto já deveria ser suficiente para ver a classe inteira ser perseguida pela Justiça. No entanto, têm a honra de ser recebida pela senhora ministra do Estado e das Finanças. Por duas vezes, em dois dias úteis consecutivos.

Causa um certo arrepio imaginar que este Governo possa cair na tentação dos anteriores, satisfazendo aqueles que mais berram e não aqueles que mais merecem. Não é um temor meramente retórico: é só transpor para o pagamento especial por conta (PEC) o espectáculo da criação dos novos municípios.

Canas de Senhorim no fisco? Era o fim da picada. Ceder aos taxistas até pode evitar os cortes de estradas e um bloqueio na cidade. Mas haveria melhor incentivo à delinquência fiscal generalizada? Se a ministra Ferreira Leite desse o dito por não dito, se vacilar, se recuar, haverá alguém que continue a pagar impostos neste País?"



Posted by Rui at 10:27 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 03, 2003

O Comércio Externo

Aquilo que exportamos dá cada vez mais para comprar o que importamos...e isso é bom mas...
Será que estamos a conseguir produzir aquilo que antes iamos comprar lá fora ou pura e simplesmente deixámos de ir às compras?
Últimos números do comércio externo português na página do INE, fresquinhos.

Posted by Rui at 12:15 PM | Comments (0) | TrackBack