
Agora sim estou de olho no Prós e Contra.
Lendo o Expresso desta semana fico a saber que Morais Sarmento, Orlando Caliço (ex-director das Estatísticas do Banco de Portugal), Sérgio Figueiredo (director do Diário Económico), Nicolau Santos (do Expresso que amiúde comenta os dados do INE nas páginas do próprio jornal), Elisa Ferreira, Miguel Beleza, Braga de Macedo, Roberto Carneiro, Sarsfield Cabral, João Proença, António Barreto entre outros, fazem parte do grupo de cerca de cinquenta entidades inquiridas pelos consultores canadianos contratados pelo INE que não mencionaram utilizar regularmente os produtos do INE.
Parece que os usam depois de eles serem impressos em papel timbrado do Banco de Portugal.
A ser verdade esta notícia, Sérgio Figueiredo não lê o seu próprio jornal! Ou será que quando publicam e lêem a informação do INE pensam que vem do Instituto Nacional de Estadística?
Isto já não é um diagnóstico sobre o INE é outra coisa qualquer...
Uma das piores sensações que senti com o Governo de Guterres foi o pedinchar universal e as sub-sequentes tentativas de apaziguamento dos governantes.
Particullarmente no segundo governo parecia estarmos perante a lei da melhor carpideira ou do chorão-mamão.
Recordo-me também que José Sócrates foi um dos raros casos de governantes a quem ouvi dizer "não" e se viu a bater o pé por alguma coisa. Curiosamente esse é o principal capital de Sócrates hoje, particularmente relevante enquanto não se ouvirem outras causas com definição detalhada sobre aquilo que considere digno de que se bata o pé. Preocupa-me cada vez mais que não tenha de se comprometer antes de se apresentar a votos...
Espero que no nosso modesto movimento (que já se aproxima dos 40 participantes) consigamos definir algumas perguntas interessantes para ajudar ao nosso esclarecimento coléctivo - ou a constatação da ausência de respostas.
Divago. O que aqui me trazia era outra coisa. O actual primeiro-ministro começou a lançar promessas ontem nos Açores. Com alguma linearidade é de esperar que seja a oportunidade de satisfazer a pedinchice que amanhã propalará ao país.
Minha gente! Pelo sim pelo não, tudo em fila para São Bento!
Esta semana vai ser "divertida" Dia 15 é já na sexta-feira...
Estou a ficar particularmente curioso com a formulação final do "fim dos benefícios fiscais".
Lendo na diagonal alguns dos comentários em relação ao último debate entre Bush e Kerry (CNN, Yahoo...) encontro críticas costumeiras que julgo merecerem alguma reflexão. Destaco um exemplo, a questão do aborto.
Este é apresentado como um dos casos em que Bush se saiu melhor porque foi incisivo e claro na sua opinião - defende a proibição total, se bem percebi - enquanto Kerry foi palavroso, explicativo e terá ficado atrás nessa parte do debate por isso mesmo - afirmou-se católico mas não "o suficiente" para impôr pela força do Estado os seus preceitos religiosos ao resto da população exemplificando com casos limites como as violações dos filhos pelos pais e por aí fora.
Pensando neste caso e olhando para o exemplo caricatural da questão da guerra, representada neste boneco que vêmos no Blasfémias, lembro-me da simplicidade das turbas linchadoras ou da complexidade do exercício da justiça.
A águia e a pomba são ridicularizadas por pertencerem ao esquema racional de John Kerry quanto à questão da guerra no iraque. Ora isto não é tal e qual ridicularizar a figura da justiça: uma senhora vendada empunhando numa mão a espada noutra a balança?
É espantoso centrar-se a crítica a Kerry na sua eventual esquisofrenia quando todos os pressupostos justificativos da guerra, sabemo-lo hoje, se provaram errados. Não é nessa prova que Kerry fundamenta a sua opinião actual mas estas evidências, agora irrefutáveis, deviam ao menos embaraçar um pouco mais as águias da guerra. Contudo, é com gente deste calibre que temos de saber lidar, sem nos rendermos alegremente às mesmas tácticas. Tough job!
Imagem de Cox&ForKum
Luis Fernando Veríssimo, na crónica de ontem no Expresso (Actual), faz um delicioso elogio aos dicionários, em particular àquele que mais acarinho como está bem presente no cabeçalho do blogue - o Houaiss.
Mais uma boa forma de começar a ler prosa num fim-de-semana.
Hoje é dia de experimentações culinárias com o patrocínio do Marmelo da Beira Baixa.
Fiquem bem.
P.S.: pronto só mais uma coisa. Ainda não parei de rir com Pedro Santana Lopes. Só ontem me apercebi que anunciou na Sexta que há-de falar em momento incerto durante a próxima segunda-feira sobre uma qualquer eventualidade.
Cá para mim a esta hora já se arrependeu do compromisso. Costuma ser assim com tudo o resto. Ao terceiro dia desmente ou maquilha o disparate inicial. Há outras teorias, claro...
Caro, PSL, cá estou eu a aumentar a expectativa e a falar de si como tanto deseja. E à borlix. Pelo sim, pelo não, vou comprar lenços de papel para não ser apanhado desprevenido com a cena que se congemina.
Get a life!
Se a memória não me falha a arte da renovação dos Armazens do Chiado é responsabilidade de Siza Vieira.
No início da semana quando fui em peregrinação até à Fnac do Chiado dei por mim a olhar para uma aldraba à entrada. Mais singela é difícil mas é uma aldraba!
Outras bem mais barrocas seguir-se-ão. Do pombalino ao inclassificável.
Por mais política que aqui prossiga não me esquecerei destas aldrabices ;-)
Lisboa antiga está pejada delas. Noc, noc?
Bush vs Kerry hoje daqui a hora e meia na CNN.
Administrador contesta entrada na "holding" de Luís Delgado e Bettencourt Resendes
Silva Penedo demite-se da administração da Lusomundo Media
(...) Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre. (...)
Miguel Sousa Tavares, hoje, no Público
Disponível em anexo ou, mais justamente, no site do jornal. A não perder.
O Preço da Liberdade
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004
Há várias maneiras de classificar as pessoas. Um amigo meu costuma classificá-las entre as que são importantes e as que o não são - sendo que importante, aqui, significa apenas, e é muito, aquilo que merece a nossa importância, a nossa atenção, e o que o não merece: parece-me, todavia, um critério curto. Uma amiga minha gosta de as classificar, simplesmente, entre boas e más pessoas - bons e maus caracteres: parece-me um critério que faz sentido, mas que abrange apenas o domínio das relações pessoais. Mas, se pretendemos classificar as pessoas pelo critério da cidadania, a classificação que sempre tive como fundamental é a que distingue os homens livres dos capachos.
O grande mal português é que temos, verdadeiramente, poucos homens livres. Pouca gente, poucos cidadãos, que estejam dispostos a viver a sua vida, a construir o seu caminho, sem terem de prestar vassalagem a várias formas de poder. Os arquitectos não são livres, porque dependem dos interesses económicos do dono da obra. Os médicos não são livres, porque, regra geral, querem ser simultaneamente profissionais liberais e assalariados do Estado. Os advogados de sucesso não são livres, porque dependem da consultadoria dos governos e do tráfico de influências entre os negócios, o poder e o patrocínio. Os empresários não são livres, porque dependem dos subsídios, das isenções fiscais e da atenção do governo nos concursos públicos. Os intelectuais não são livres, porque estão quase sempre dependentes de empregos, bolsas ou subsídios públicos, os quais acabam inevitavelmente por pagar com simples fretes de propaganda partidária. Os jornalistas, quase todos, não são livres, porque dependem do pequeno chefe, o qual reporta ao editor principal, o qual deve satisfações ao proprietário, o qual tem de prestar atenção aos humores e sensibilidades do poder da hora.
Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade. Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção fácil das multidões ou das leis.
Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre.
Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não a de cada um, individualmente, mas a de todos. O preço de termos empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e friamente, aquilo que merecemos.
Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas exigem absolutamente.. Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser mungido na Quinta dos Influentes?
2. Há dois anos atrás, ingenuamente, aceitei fazer parte de uma comissão nomeada pelo anterior Governo e cuja missão principal era definir como deveria funcionar a televisão pública, com que meios e financiamentos e a que regras deveria obedecer. Como eu, várias outras pessoas, que nada quiseram nem receberam em troca, sacrificaram muito dos seus tempos úteis e livres, para, dentro do prazo fixado, dotar o Governo do resultado de uma reflexão, em forma de propostas concretas, que reunia o maior consenso possível entre gente de diversas proveniências e ideias. Recebido o trabalho e fingindo-se escudado nas conclusões da sua "comissão independente", o ministro Morais Sarmento meteu as conclusões ao bolso e, até hoje, nem um obrigado nos disse.
Entre as conclusões que ele fez desaparecer instantaneamente na atmosfera, estava uma que recomendava que as regras editoriais e deontológicas estabelecidas para o funcionamento da televisão pública tivessem, obviamente, extensão a todo o território nacional, incluindo Açores e Madeira. Porque, tanto quanto era do nosso conhecimento, nas regiões autónomas vigora a mesma Constituição, o mesmo regime democrático e o mesmo Estado.
Porém, a solução adoptada para a Madeira foi exactamente a oposta e que veio ao encontro das antigas e persistentes exigências do soba local: a RTP-Madeira foi dada de bandeja ao dr. Jardim, aí vigorando, como no resto da vida pública local, uma concepção de liberdade de informação que se confunde com aquela em que o dr. Jardim aprendeu a fazer jornalismo, no tempo do partido único, da censura e da ditadura. E a coisa seguiu assim, sem escândalo de maior. Esta semana, porém, a sem-vergonha do regime madeirense chegou ao extremo de o PSD-Madeira (um eufemismo do dr. Jardim) protestar oficialmente pelo facto de a RTP nacional ter enviado equipas de reportagem à Madeira para cobrirem (para o continente, exclusivamente) as eleições locais - o que, segundo eles, constitui um "insulto à alta capacidade dos profissionais da RTP-Madeira". E mais, indignaram-se eles com o facto de os jornalistas idos de Lisboa "se terem instalado num hotel", a partir do qual "transmitem para Lisboa aquilo que em segredo montam, com máquinas que trouxeram e aí colocaram". Por mais que puxe pela memória, só consigo lembrar-me de coisa semelhante comigo ocorrida na antiga Roménia de Ceausescu. O PSD-Madeira é hoje o único regime em toda a Europa que considera um insulto e uma ameaça a presença de jornalistas "estrangeiros" a reportarem para fora como funciona o seu regime.
Será isto, pergunto, "o regular funcionamento das instituições democráticas", tão caro ao Presidente da República? Ou a excepção democrática madeirense já está definitivamente assumida como coisa banal e inevitável?
Jornalista
Paes do Amaral já falou, já desmentiu.
Pegando na fórmula tão em voga entre os "ofendidos": "Mas alguém acredita que Paes do Amaral, tendo sido pressionado (directa ou indirectamente) algum dia admitiria tal facto?"
A maioria quer agora um "inquérito parlamentar" onde pretende única e exclusivamente ouvir Paes do Amaral. Marcelo Rebelo de Sousa não interessa, nem sequer o Ministro. Deve ser a vingança do "contraditório". Razão tem o sábio Guilherme Silva - que por acaso é o líder da bancada do PSD - quando há dias dizia a propósito de um outro pedido de inquérito da oposição: "os inquéritos são sempre muito politizados, não iamos adiantar nada".
O parlamento fiscalizaria se tivesse nas suas fileiras deputados que conseguissem valorizar um pouco mais as suas supostas funções de fiscalização da acção do governo e a lealdade para com o interesse nacional. O resto é conversa. O problema é que o interesse de longo prazo destes deputados - neste e noutros inquéritos - se faz pelo cerrar fileiras em torno da projecção mediática mais conveniente em todos os momentos. Nada se investe na avaliação do mérito e do demérito da classe política face a acções concretas que levantem suspeitas.
Termino com uma premissa, uma banalidade incontornável, em vez de me atirar a um corolário: a qualidade das pessoas que exercem os cargos e a valorização ou penalização das suas acções por parte dos eleitores sempre foram e continuam a ser pontos chave em qualquer democracia.
E-Mail de contacto: alternativaaoblococentral[at]smartgroups[ponto]com
Mais informações: Mailing List da Alternativa ao Bloco Central
E a chapelada do dia vai para este fresquinho do Paulo Gorjão (A VÍTIMA PERPÉTUA DE SUCESSIVAS CABALAS) , ex-aequo com este outro exercício sobre a história recente (mitigada) dos ministros da propaganda publicado no Terras do Nunca. Na época de Marques Mendes consta que ainda era por telefone, agora é tudo feito à "mão" - graças a isso tamanha indignação, não?
Voluntarismo positivo, digo eu!
"O Bloco de Esquerda e um conjunto de personalidades da vida política, sindical e universitária apresentaram hoje na Assembleia da República uma campanha de assinaturas para abolir o segredo bancário.
O objectivo do grupo passa pela recolha de 35 mil assinaturas que permitam a apresentação de um projecto de lei, cujo artigo único pretende conceder à administração tributária o acesso às contas bancárias "para a fiscalização da compatibilidade entre os movimentos e operações das instituições financeiras e as declarações fiscais dos contribuintes".
(...)
Durante a apresentação da iniciativa, Saldanha Sanches recomendou que se comparasse a situação portuguesa com o que se passa em Espanha, na Alemanha ou até nos EUA, para sublinhar que "o sigilo bancário, em Portugal, é para proteger a fraude fiscal".
(...)"
in Público
Para assinarem, façam download do formulário aqui.
Depois de muito resistir, o Diário Digital lá publicou uma notícia derivada - as reacções do PS ao Marcelo-Gate (sempre sem destaque, que a "excelente" prestação da Ministra na Assembleia é que foi a notícia do dia, em termos políticos).
Simpática continua a ser a reacção do Acidental que tem tido actualizações recentes.
Então não querem ver que andam a tentar pôr mortos maquilhados a circular pelo bairro de Alvalade?
A série Six Feet Under não devia ter muitos fãs entre alguns futuros mortos que habitam o bairro.
Seven o'clock and all is well diz o guarda soturno.
Marcelo who?
"(...) PSD e PS já desiludiram completamente e nenhum dos outros partidos (à esquerda e à direita) são alternativas credíveis para a Governação do País (como se vê actualmente, com a presença do PP no Governo...).
Não há por aí mais gente desiludida com os partidos de poder, que se posicione ideologicamente ao centro, interessada em criar um movimento político alternativo ao actual "bloco central"? Alguém que se preocupe com o futuro do país e que queira fazer algo, levar avante as reformas necessárias, sem objectivos de carreirismo partidário?"
in Janela para o Rio (Nuno Peralta)
O que terá Pais do Amaral deixado de perder para dar esta prenda à SIC?
Aguardemos pelos próximos meses?
O que se passou hoje será argumento para a discussão entre pró-reguladores versus pró-desregulação?
Se não houvesse abuso de influência por parte do executivo como conseguiriamos explicar esta atitude de um homem de negócios como Pais do Amaral? Leu o Terras do Nunca, o Adufe, ouviu o Ministro e ganhou escrúpulos ontem à noite?
Arriscamo-nos à originalidade de ter um teso como primeiro ministro que consegue manipular descaradamente toda a comunicação social.
Os italianos tiveram de eleger um magnata dos media para alcançarem tais propósitos.
Grande Santana!
Para quando calar os blogues?
Por quanto vende o seu blogue?
Tem a certeza que abster-se e chamar aos políticos "a mesma corja" é a melhor atitude para seu próprio bem?
Haverá tontos a festejar em Belém ou antes pelo contrário?
Backslash total!
A chapelada do dia vai, obviamente, para o Professor Marcelo.
Perdemos hoje o professor Marcelo.
E agora?
Eu voto já num aceso debate aos Domingos na TVI, durante o Jornal Nacional, entre Luis Delgado e ... Telmo Correia, pode ser?
P.S.: Parabéns à SIC neste seu aniversário.
A 5 de Novembro de 2003 num blogue perto de si escrevi isto:
O segredo está nos feriados
No Jornal de Negócios de hoje noticiava-se que uma das medidas das finanças francesas para minimizarem o défice que se orçamenta para 2004 (assumidamente superior a 3%) será considerar a redução do número de dias feriados, eliminando um deles.
Quanta receita fiscal adicional se arrecadará por cada dia a mais de actividade económica? Não tenho os números nem o tempo para os procurar e propor um qualquer modelo de cálculo mas assumindo que menos feriados representam menos défice tenho uma boa notícia! (...)
E a boa notícia era que no primeiro semestre de 2004 teríamos o maior número de dias úteis dos últimos anos. Curiosamente, no segundo semestre, se as contas não me falham, 2003 e 2004 empatavam.
No total enquanto os franceses tentavam rapar o tacho "ganhando" dias úteis mudando a lei, nós por cá poderiamos contar com a providencial ajuda do calendário. Afinal...
Que tal isto como contraditório caro Ministro Rui Gomes da Silva?
Faz-me um bocadinho de confusão ou de espécie para ser ainda mais rente.
Temos uma boa perspectiva de vir a chegar ao poder e agora?
Convocamos uns estados gerais e perguntamos a "uns independentes" o que é que eles acham que nós devemos fazer. Perguntamos, agora, só agora, num processo que se faz para aí de dez em dez anos, note-se. Tudo bem, não vou implicar muito por aqui.
Resumindo: alguma coisa contra? Nenhuma, terei muito gosto em colaborar, mas...
ONDE É QUE SE DISCUTE POLÍTICA NO INTERIOR DOS PARTIDOS? OS TIPOS QUE LÁ ESTÃO NÃO PASSAM DE PARASITAS ACÉFALOS? SÓ SABEM DISCUTIR FORMAS E FÓRMULAS DE BEM PARECER E BEM ORAR? SÓ SABEM DEFENDER PERMANENTEMENTE O CASTELO DO INIMIGO E NÃO TÊM TEMPO PARA "POESIA"?
Baixando de tom...
Ou será que nos benditos estados gerais a "postura" do partidários não será a de desempenharem o papel de meras esponjas (ou, pior ainda, de "fazedores-de-conta") e levarão à partida matéria para debate?
Umas pistas nesse sentido, já hoje, eram capazes de estimular um pouco mais a malta, afinal de contas ter partidos é bom porque temos quem responsabilizar; despachar tudo para os "independentes" é um bocadito esquisito. Temos os partidos de funcionalismo público e de carácter permanente e os partidos eventuais responsáveis pelo brainstorming? É uma forma. Esquisita, mas é uma forma.
Enfim, discuto intensidades mas não me parece irrelavante. Se calhar estou é a precisar de ir dormir. Fiquem bem. Let's Go WEST!
Either you're with me, or against me!
Sócrates deixou Seguro a cozer em banho-maria ao mantê-lo no cargo?
Hum... Lugar complicado para arriscar esses pratos, não?
Seguro já começou a dar provas de deslealdade com a sua abstenção?
Cá para mim temos uma win-win situation. Esperemos que sobre algo de positivo para nós, também.
A página para o Museu da Presidência da República, cara MMLM, está aqui.
E está catita.
Ainda estive com "O senhor do aneis" na mão mas algum fascínio pela simetria, pela constatação da parceria entre ficção e realidade me levou a trazer para casa os fantásticos "Sim Senhor Ministro" e sua sequela "Sim Senhor Primeiro Ministro".
Há por lá episódios que imitam com antecedência a nossa novela caseirinha de uma forma tão perfeita que eu temo por algum processo sobre os nossos políticos quanto a direitos de autor.
Eça já faleceu há mais de 100 anos mas quanto às séries da BBC ainda deve haver direitos reservados.
Acautelai-vos!
Há umas pechinchas interessantes na feira do livro da Bertrand ao Chiado...
Hoje foi dia de me reconciliar um bocadinho com esta Lisboa que eu amo e tanto desconheço.
Ainda houve tempo para ler o Eduardo Dâmaso no Público.
Eu vou ali ver se cresço e um destes dias volto à política aqui no adufe que isto da impulsividade às vezes dá naquilo.
Adenda: se tinha dúvidas quanto à resposta à pergunta do título - nunca tive mas faz de conta - o JHP deu-me uma ajuda: vou fazer companhia ao David!
Como "diz" o outro, "...M'ESPANTO AS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO..."
Vamos em busca do que está para além das reticências...
A não perder o "repto" do Manuel e a réplica do João (I e II) sobre o assunto: o que esperar do PS e quando.
Dito o que disse há pouco ao Timshel (num comentário) atribuo a chapelada do dia ao Portugal dos Pequeninos, atrevendo-me à reprodução integral:
"O presidente do governo espanhol. José Luis Zapatero deu na passada sexta-feira uma interessante entrevista ao jornal Público. Quando a li, fiquei com a sensação de que, apesar da proximidade geográfica, continuamos bovinamente a milhas dos nossos vizinhos, como aliás sempre estivemos, mesmo com Franco. Não obstante os sorrisinhos e as amabilidades que fazem as "cimeiras ibéricas", desde Gonzalez a Zapatero, a verdade é que nós jamais conseguimos acompanhar o estonteante "ritmo" espanhol. Nem na alegria nos podemos equiparar, muito menos nas prioridades ou na qualidade de vida. Zapatero explicou que cerca de um quarto do orçamento de Estado é destinado à ciência. Para mudarmos o modelo de crescimento temos de ter mais laboratórios, mais títulos académicos e menos tijolos, disse ele. Lopes terá percebido? E não o preocupa ficar na história como um "grande líder político". Prefere antes ser conhecido como "um grande democrata". De facto, e no momento em que decorria a primeira "cimeira" com Santana, o país de Zapatero introduzia uma modificação legislativa impensável há uns anos na catolicíssima terra do macho taurino, aparentemente com ampla caução da actual sociedade espanhola. Eu subscrevo a ideia de que nem o código civil nem qualquer igreja têm o direito de interferir na minha concepção de família. Não são quatro ou cinco artigos espúrios da lei ou um sermão que devem deterninar com quem é que cada um pode viver, dormir ou ser simplesmente feliz. De Espanha, finalmente, sopram bons ventos e bons casamentos."
Se for, não estará quase tudo dito?
Ou então não estou a ver bem o que é um "Conselho Nacional".
Adenda via Público:
" (...) O secretário-geral tem direito a designar os primeiros nomes da lista para a comissão nacional, órgão que é composto por 251 dirigentes. Parte substancial da lista é designada, contudo, pelas estruturas locais do partido e pelos delegados eleitos ao congresso, que propõem os nomes ao responsável máximo pela lista. Nesse âmbito, a estrutura local de Matosinhos propôs os nomes de Manuel Seabra, presidente da concelhia, e Narciso Miranda, presidente da Câmara. Nomes que não foram rejeitados por Sócrates. (...)"
O orgão tem 251 membros. Demasiados para que o PS se possa dar ao luxo de propiciar um certo "low profile" aos dois senhores?
Sócrates já começou a pagar as facturas. Não se estará a vender por pouco? Ou temos maquiavel?
Quem tem medo do Narciso Miranda?
Retenho uma frase que o Timóteo escreve a propósito da troca de opiniões, sobre o Centrão, entre Vital Moreira e Pedro Adão e Silva:
« (...) A classe média (ao contrário do que parece pensar Sócrates) não se importará de fazer sacríficios se constatar que a sociedade é mais justa, mais igual e mais eficaz. E é demonstrando que com o PS no poder, a sociedade seria mais justa, mais igual e mais eficaz que o PS se apresenta como alternativa a este governo. Isto parece-me que é ser de esquerda. Se acham que isto é "centrão" então eu sou do "centrão".»
Pois meu caro Timóteo, até acho que tens muita razão, mas não tenho dúvidas que o tempo para a maior eficácia, para o melhor aproveitamento dessa capacidade de sacrifício e de compreensão por parte da "classe média" em prol de uma menor desigualdade de meios e oportunidades, de facto já se perdeu nos idos de 1995.
Quando o PS chegou então ao governo estava em condições absolutamente únicas para equilibrar as finanças (aumentando os impostos, essencialmente por via da maior eficácia da cobrança!), recuperando maior igualdade social, implementando uma melhor redistribuição dos rendimentos.
Hoje, depois do contexto dos governos recentes - e presente(s) - e até pela própria forma de fazer política, "pastilha-elástica" como nunca, tudo será muito mais difícil. Dito isto, no essencial estou de acordo contigo e partilho os teus receios face à liderança de José Sócrates.
Tudo ainda permanece demasiado vago, continuemos a aguardar...
O congresso que se vê na comunicação social, esse mantêm-se igual a todos os outros: sem perguntas e sem respostas.
Valeu-nos a campanha quanto à forma e com alguns - poucos - detalhes quanto ao conteúdo; tudo o resto permanece estrategicamente desconhecido - e espero não estar a ser benevolente com esta hipótese.
Mas onde raio se discute política no interior de um partido?
Às vezes parece-me que se regressou à política pelos blogues, palavra de honra!
Ao menos isso!
Para o ano o 25 de Abril não poderá ser feriado pelo oposto das razões invocadas para justificar a actual tolerância de ponto. Porquê?
Já lá vamos.
1. O Terras do Nunca comentava há dias que se tivesse sido o Guterres a dar a tolerância de ponto já estariam a chover as acusações de regabofe, bandalheira, facilitismo.
2. A propósito do mesmo assunto a Viúva Negra perguntava na Grande Loja:
"(...)Será para contribuir para as estatísticas que nos colocam no top dos países menos produtivos da Europa? Ou será antes por ser o melhor remédio para nos esquecermos de quem nos governa ao mesmo tempo que desligamos do congresso dos sócristas?(...)"
3. E o Paulo Gorjão acusava o Governo de Fugir às responsabilidades:
"(...) A tolerância de ponto dá imenso jeito ao governo, na medida em que permite ganhar algum tempo precioso para a abertura do ano lectivo. No entanto, o governo transfere a responsabilidade para os conselhos directivos das escolas (...)"
Cessem as críticas! Calem-se os miserabilistas e os ressentidos!
O nosso serviço de informações (na pessoa do Sérgio) pede-nos para atentarmos no pormenor da justificação para a tolerância de ponto. A "verdadeira" razão!
Ora tomem lá com um pedaço do 14 710-(2) DIÁRIO DA REPÚBLICA— II SÉRIE N.o 232 — 1 de Outubro de 2004 - PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Gabinete do Primeiro-Ministro
Despacho n.o 20 381-A/2004 (2.a série).— Considerando que, no ano de 2004, o feriado de 5 de Outubro recai numa terça-feira;
Considerando que, no ano de 2004, muitos dos feriados estipulados na lei coincidiram com fins-de-semana:
Ao abrigo da alínea d) do artigo 199.o da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.o 3 do artigo 3.o do Decreto-Lei
n.o 215-A/2004, de 3 de Setembro, determino:
1 — A concessão de tolerância de ponto aos funcionários e agentes do Estado, dos institutos públicos e dos serviços desconcentrados (...)
Já percebem agora que pela lei das compensações para o ano vamos ter de deixar de comemorar algum feriado?
Ó amigo, o que é que objectivamente significa ser posto borda fora pelo actual secretário geral?
Ferrete: "Não Utilizar = Não Presta"?
Se o senhor Seguro faz este tipo de contas anda a desperdiçar engenho.
Tem feito um excelente trabalho na bancada e não afrontou Sócrates na corrida, logo não se demarcou o suficiente para justificar problemas de comprometimento com outra orientação política.
Se for posto a andar é bom que a alternativa seja melhor senão é um começo mal fadado para o novíssimo secretário-geral. Não sairá por demérito, outros terão de justificar essa opção.
Enfim, acho que por vezes se exagera. Alguma linearidade de vez em quando até nos leva ao caminho mais curto... para o bem comum.
Não haverá outras limpezas bem mais importantes a fazer?
Arrastar todo aquele PS que o elegeu é impraticável.
Tentará Socrates a quadratura do "circo"?
Durante a campanha não vi um único facto que me consolasse. Aliás, o que se disse nos primeiros artigos de jornal permaneceu como a declaração política mais relevante. Muito pouco para construir a esperança entre os atentos simpatizantes. Estamos ainda atentos, esperando novas durante mais uns tempos.
The question mark still endures!
Língua de fora ao cantinho da boca, lápis na mão, toca a escrever bem debruçado sobre o blogue:
5cmX5cm - chamada de primeira página (a mais pequna desta edição) para os resultados da sondagem do DN: "PS mantém maioria e PSD cai 2%".
Manchete: "Braço-de-Ferro: Governo avança contra Sampaio nas taxas da Saúde."
Espera-se a versão "Diário de Notícias" deste texto sobre "A Capital".
Esta malta dos blogues (e não só) é danada. Qualquer dia começa a armar-se em accionista do Estado, ainda faz auditoria às contas e começa a votar para os corpos gerentes do dito cujo :-)))
Se não fosse a abébia da Celeste ninguém perguntaria: quem é Maldonado Gonelha? E os outros como lá chegaram? Que mérito têm tido no seu trabalho?
Encontrar um propósito para o Estado, defender que ele tem áreas decisivas de intervenção não é exactamente o mesmo que pactuar com as obscuras razões da "ingestão" da coisa pública por uns punhados de sacaninhas. É também o oposto disso.
E nem interessa se conduzo pela direita ou pela esquerda.
Quantos meses (dias?) é que Celeste Cardona tem de ser administradora da CGD para ter direito a uma bela reforma?
Banalizar uma ilegalidade, um mau comportamento, uma solução de recurso geralmente contribui para que tais práticas mudem de condição e passem a integrar a "corrente dominante". É um modo de operar dificílimo de contrariar, poucos resistem às suas consequências. Um fantástico teste à integridade e à inteligência. Um autêntica arma atómica para demolir os princípios básicos do contrato subjacente a um regime democrático, por exemplo.
O cenário é negro, mas... De vez em quando surgem períodos na história onde se vai longe demais ou talvez cedo de mais. A aculturação à mediocridade e ao regresso a velhos preceitos medievais não me parece que venha a vingar sem uma boa luta.
O que é que isto tem a ver com a indigitação de Celeste Cardona para a CGD?
O que tem a ver é que é impossível conter a indignação pelas sucessivas faltas dos últimos dias.
E enquanto há indignação à há inquietação. A máquina de reconverter valores ainda não ganhou a guerra.
Na blogoesfera a vassoura está pronta, falta conquistar o país e condicionar a actual oposição, vinculando-a a rejeitar as práticas correntes e preparando caminho para um escrutínio cada vez mais rigoroso da actividade política.
As mangas já estão arregaçadas.
É impressionante como o governo de António Guterres está longe de ter sido o pior de sempre na nossa jovem democracia. Nunca antes ninguém tinha afrontado tanta gente ao mesmo tempo com tanto desaforo.
Esperemos que os aforismos de Jack Kennedy se cumpram em breve neste país.
Os inquéritos parlamentares não se devem fazer, especialmente em matérias melindrosas, porque costumam ser muito politizado.
Quem disse isto ontem, mais ou menos com estas palavras, foi o presidente da bancada do PSD - Guilherme Silva.
Dou-lhe o prémio adufada marafada do dia.
Se eu fosse em silogismos como completaria a frase: "Os inquéritos parlamentares devem-se fazer porque..." ou ainda "Ser deputado é importante porque..."
Ah!! Como eu gostava que este(s) governo(s) tivesse(m) um espantoso efeito de boomerangue. De pôr os 'tugas mais atentos à política porque afinal a coisa mexe com a vida de cada um! Até no quintal das traseiras!
Quanto é que a COMPTA vai pagar de indemnização mesmo?
Eu ofereço um post de borla ao jornalista que acompanhar o processo até às últimas consequências.
O Sérgio chamou-me a atenção para esta "nova" requentada que já aqui deu brado e que está ainda por esclarecer. Será o Público quem levará a medalha do esclarecimento?
Pois hoje retomou a matéria.
E ainda:
"A Organização Mafiosa Continua em Funcionamento"
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
"A Organização Mafiosa Continua em Funcionamento"
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
"O que me preocupa nisto tudo é a existência de uma rede, de uma organização criminosa, que além de roubar votos pode roubar muitas outras coisas." Alberto Silva Lopes sabe que as suas palavras fazem sorrir algumas pessoas, mas a sua convicção é maior do que o receio das opiniões alheias: "Há aqui dois problemas. Um tem a ver com as eleições e outro é a organização mafiosa que continua em funcionamento." Considerando que o que se passou nas autárquicas de 2001 foi "uma operação geral de deformação de resultados em todo o país", o queixoso garante que os responsáveis "são criminosos de baixo calibre". O problema, acrescenta, é que "não há ninguém que os agarre por medo, por falta de acuidade intelectual dos investigadores e por conivências que têm a ver com a má consciência dos lesados, derivada de coisas que fizeram lá não muito escorreitas". Questionado sobre a coincidência desta sua nova iniciativa judicial com a campanha eleitoral para a liderança do PS, Silva Lopes rejeitou qualquer relação entre uma coisa e outra: "O João Soares fica a olhar para isto e tem medo. Ele diz que eu estou doido e nunca me ajudou neste combate." J.A.C.
Só rindo meus amigos.
Como é que se faz para mandar estes senhores para o circo? URGENTEMENTE!
A bem da nação.
Espero que tenhamos batido no fundo do fundo com este governo.
Lá do centro da Europa com um simpático trampolim numa caixa de correio mais próxima acabou por chegar ao Adufe um dito de uma figura metida a artista.
"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."
(Eça de Queirós)
Isto até parece mal (afinal também lá escrevo) mas não resisto a destacar este post do Manuel e as respectivas conclusões. Ao cuidado de José Pacheco Pereira e da ala dos incoformados. JPP dá a mão mas precisa-se do pé.
Excerto:
"(...) Agora só falta a José Pacheco Pereira, que tem responsabilidades, que parece ter ideias, ser consequente. E sê-lo, significa tão somente deixar de jogar a solo, tal como o Marcelo que critica, percorrer o País, explicar às bases e aos militantes que não tem que se resignar porque Santana Lopes não é o PSD e vice-versa, e como corolário apresentar ao próximo Congresso uma moção de estratégia global alternativa à da actual direcção.
Ninguém pede a Pacheco que se apresente como alternativa de liderança mas está na altura deste ser consequente se quiser ser levado a sério. E nesta altura ser consequente não significa apenas ter ideias e manifestar discordâncias, significa lutar por uma alternativa credível - no seio do PSD - ao actual estado de coisas... Aguardemos."
Bom... Está quase na hora da sesta e isto por aqui (pela Blogoesfera) anda ao rubro. A minha opinião já por aí ficou dispersa entre este tasco e aquele outro feito à base de leite fermentado.
Noutro dia se escreverá mais alguma coisa sistematizada, para ajudar à festa. Aliás este tema - reforma fiscal - já por aqui veio em tempos. Hei-de recuperar esses ditos em favor da simplicação da tributação do imposto sobre o rendimento. Mas este não é decisivamente o tempo ideal para essas utopias.
Sem tempo para argumentações adicionais fica a memória das minhas rápidas leituras (em bom):
Aqui:
"(...)10. Será que quem detinha contas poupança eram os que não declaravam impostos, ou aqueles que por os declararem conseguiam com este benefício reduzir os impostos?
11. Será que quem detinha contas poupança eram os ricos, ou uma classe média capaz de sacrificar alguns consumos para garantir uma habitação própria ou para os filhos? (...)
Luis Tito "Alegre" Novais
e aqui
"(...) O Estado precisa de se financiar para pagar alguns serviços que nos presta (cada vez menos... veja-se o aumento dos passes, já no mês que vem) e uma data de mordomias a uma gajada da côr (veja-se o affair Mira Amaral...).
O Estado decide então pôr a chamada classe média - basicamente a malta que trabalha por conta de outrém, que produz riqueza, e não tem maneira de fugir aos impostos - a pagar a despesa. E vai daí saca-lhe nas taxas moderadoras, nos benefícios fiscais, nas portagens... Tudo junto, há famílias remediadas que irão à falência.
O Estado poderia ter optado por sacar o dobro da massa no off-shore da Madeira, nos bancos cá da terra, ou mesmo de duas ou três empresas de sucesso cotadas na Bolsa e tudo e que usam os esquemas mais manhosos para não pagarem um tusto.
Mas não, a classe média é a vítima perfeita. Porque só a classe média seria roubada desta maneira e ainda aplaudiria. Porque a classe média é, por definição, uma classe cheia de complexos - já foi pobre, subiu na vida, e olha para baixo com um misto de arrogância e comiseração. Ponham-lhe um ministro beato a anunciar justiça social (vejam bem, não é preciso que faça, basta anunciar...) e a classe média desfaz-se em lágrimas.
O Daniel Oliveira [Barnabé], já se percebeu, é da classe média. (...)
Peter Pan
Para juntar ao da Catarina mais em baixo e ao profético JPP.
(Olá, malta que acede por estes minutos do gov.pt. Sejam bem-vindos!
Mas se estão a resolver os problemas do início do ano lectivo pirem-se já dos blogues. Está bem?! Belo tempo aqui em Lisboa, não?)
Sim a questão da reforma merece ser esclarecida e devemo-nos munir de outro tipo de enquadramento legal para estes casos. Falamos de uma reforma astronómica por um ano e meio de serviço, caramba!
Mas o esclarecimento e a solução não se devem fazer a todo o custo, ao sabor da fúria "linchadora" que acabamos por alimentar.
O Jumento explica um pouco melhor o que quero dizer:
"(...)DÚVIDA 2:
A não ser que nestes dias nenhum processo de aposentação aguardava despacho o processo do cidadão Mira Amaral passou à frente de tudo e de todos, o que só é possível com a intervenção dos dirigentes de uma instituição que em tempos foi tutelada precisamente pelo agora aposentado.
O ministro das Finanças vai mandar fazer um inquérito para apurar responsabilidades disciplinares dos responsáveis da Caixa Geral de Aposentações? Quantos funcionários aguardam pela conclusão da tramitação dos seus processos de aposentação na CGA? (...)"
in Jumento
É claro que a mantermos esta regra de respeito básico por quem está à frente na fila corremos um outro risco que resulta de uma outra falha do sistema: a pouca memória noticiosa das agendas dos órgãos de comunicação. Mas como disse, essa é outra falha do sistema que não deve justificar as más práticas da tal febre do momento que todos ultrapassa. Este é um sub-produto muito nefasto do populismo, um que a prazo nos condena a sofrer na pele os seus efeitos secundários.
Era bom que houvesse mais jornalistas com mais memória. Também deveria ser esse o seu papel. É a presença desta qualidade que melhor define por estes dias um bom profissional. E temos a sorte de até ter alguns na blogoesfera.
PS.: Quero aproveitar para pedir desculpas às últimas pessoas que subscreveram a mailing list do Adufe e que têm recebido os avisos de novos posts em duplicado. Houve pessoas que inadvertidamente se inscreveram mais que uma vez como o mesmo mail e não tendo eu feito a limpeza das repetições - processo manual - deverão ter recebido os avisos em duplicado.
Obrigado e disponham do e-mail que está meio disfarçado na coluna da direita.
Será que não há debates com velocidade excessiva?
Não, se os interlocutores estiverem demasiado seguros das suas convicções.
Ou acaba num ápice via lei do mais forte, ou nunca acaba por impossibilidade de convergência.
Esperemos que haja uma terceira via. O nosso futuro depende disso.
(terrorismo, princípio do utilizador-pagador, etc)
O tipo que amanhã explicará porque é que a que previsão que ontem fez sobre o que ia acontecer hoje já foi em tempos uma anedota sobre economistas.
Pegando neste post de JPP sobre Bagão Felix ontem na RTP, o ministro é o tipo que não sabe se amanhã terá a confiança política que sustente a matéria que apresentou hoje sobre a qual ontem obteve prévio consentimento e acordo.
E não se fala só deste ministro.
Se um tipo for administrador da CGD por um dia tem direito a 18 mil euros de reforma?
(o fim do septeto na GLQL)
Hoje apetece-me dizer bem de alguém... Mas de quem?
Pode ser de um político. Que tal deAntónio José Seguro?
A muito custo lá consegui apanhar um órgão de comunicação social que transmitisse um bocadinho da sessão parlamentar - que não o Canal Parlamento.
Por vezes "assisto" aos debates como quem assiste a um jogo de bola da primeira liga. Sem expectativas de edificação intelectual, esperando mais faltas que minutos de jogo com pouco ou nada que nos redima mas sempre à espera de um golaço do Sporting. Assisto na "desportiva" como vêem, mas sempre com aquele muito característico sentido crítico de Alvalade: jogam mal não há perdão, jogam bem, não há pai.
E vem isto a propósito de um benfiquista que já vi apanhar porrada da pior que há na imprensa ainda antes de ter chegado aos 33 anos. Dos políticos de carreira que se conhecem, daqueles que em larga medida fazem por merecer o libelo de superficialidade que lhes atribuem (se fosse só esse) sempre nutri particular simpatia por este raro penamacorense na política. Parece que anda por aí outro anónimo que também tem pinta ;-)
Gostava de fazer uma pergunta, ao AJS e a mais uns quantos: "Porque é que anda "nisto"?"
Hoje gostei da entrada do PS no ano parlamentar, a prometer apostar na regularidade das exibições e dar indícios de confiança à bancada. Uma intervenção que de facto dá garantias de normalidade ao debate interno, assegurando que o dramatismo da eleição não assuma proporções ridículas e mantendo a equipa em forma até ao dia D.
A máquina, "o aparelho PS-parlamento", tem de continuar a assegurar mais do que os serviços mínimos. É de lá que vêem as indicações mais interessantes de que o PS ainda faz oposição democrática por estes dias, como convém.
A situação do governo é delicada, mas quantas situações delicadas não houve nos últimos anos sem que o PS as aproveitasse para se provar alternativa? Quantas vezes gramámos com Louçã manipulando o único megafone da freguesia?
Hoje (ontem) o PS picou o ponto. Cumpriu com o dever de confrontar o governo com o respeito pelo país e escreveu mais umas anotações no livro dos compromissos ao serviço da oposição futura.
E é assim que sem dizer nada de concreto falei de política.
P.S.: Hoje o parlamento é claramente um campo aziago para a maioria. Quem o diria há um mês? Fujam de lá ministros, fujam!
Não se atrevam a aparecer fora dos filtros da grande central de informação que entretnato vai alastrando, alastrando...
P.P.S.:O Guilherme Silva já merecia uma ilha só para ele, mas está difícil...
Sete pedaços de texto completamente livres de impostos em início de publicação na Grande Loja sob o título: "Os meus três salários mínimos".
(Entretanto David Justino regressa à Grande Loja...)
Gostaram da gravata do ministro? E do desconforto, gaguez e tibieza no discurso? Não é comum no senhor, temos de reconhecer, por isso notei.
O que o "emperrava" hoje à noite frente às câmaras?
Espero que não se imaginasse a perder o cantinho no céu.
Estaria ele a pecar em directo para milhões de telespectadores?
Eu, como lêem, já estou condenado.
Afinal a retoma esfumou-se...
Afinal o discurso não passou de um remake de Manuela Ferreira Leite...
Afinal eu poderia ter dito o que ele disse...
Afinal só agora descobriram o que era uma scut...
Afinal é preciso começar tudo de novo pois está tudo por fazer...
Ouvindo o ministro sabemos que o governo inventou uma nova doença, uma degenerescência da doença bipolar.
De pé!
Para o modesto conhecimento das construções do mundo que tenho (in loco restrinjo-me a uns passeios pela Europa) é inconfundível o (a)prumo de uma pedra de cantaria talhada por artífices do império romano. Muitos séculos se passaram até recuperarmos aquele saber e digo-o olhando para uma muralha na qual as sucessivas camadas foram sendo erguidas pelos executores e cangalheiros de antigos senhores.
Guardam as pedras um impressivo registo dos avanços e recuos da arte de arquitectar e bem construir em favor da perenidade (não falo de beleza estética pois estaria a ser injusto).
Primeiro granito Romano, depois uma nova fundação em xisto para sustentar a muito árabe argamassa, seguindo-se de novo o granito, mal amanhado, imperfeito, quase colado a cuspo de "cristãos".
Hoje não é a imagem de muralhas que vos trago, nem é ainda o regresso às portas e às suas aldrabas e batentes.
Em dia de recordar os caídos e de reflectir sobre os erros e os novos rumos, prefiro olhar para trás num exemplo bem presente. Olho para a ponte que Trajano mandou erigir entre os actuais Portugal e Espanha, atravessando o Tejo e que entretanto foi sendo destruída por guerras e recuperada pela paz.
Há dois mil anos chegávamos por ali à capital do Império, hoje usamo-la para percorrer todo o mundo. Cumpriu e cumpre ainda com as suas funções, mesmo aqui, querendo, na internet. Saibamos ter arte, inteligência e determinação para construir caminhos com boas estradas, boas pontes, eficientes estalagens e bons cavalos. Dos que nos projectam para o futuro, a todos.
(este post continua a vir à tona do blogue, mais coisas seguem abaixo)
Que perguntas gostariam de fazer a José Sócrates/Manuel Alegre ou João Soares?
É deixar aí na caixa de comentários por favor. Obrigado.
Testing, testing... de Umberto Eco (ou provando e riprovando: o super-heroi anti-fundamentalismo) descoberto via FísicosLX
E já agora o imperdível artigo de Teresa de Sousa no Público de hoje: O Medo e a "Realpolitik".
Mais logo no Adufe: "Detalhes de Férias - Ávila e a Construção Colectiva"
Esta história dos pactos de regime é tão gira.
Andamos para aqui a discutir liberalismos, esquerdismos, conservadorismos, teorias e exemplos práticos de além mar e depois chegam uns tipos encartados que descaradamente fazem pactos e atiram-nos à cara que as nossas discussões são boa música para pôr um boi a dormir.
Mas porque é que será que cada vez há menos pessoas a participar na democracia? A votar e a agitar bandeirinhas?
Há de facto pelo menos três países neste rectângulo anguloso e um deles anda cada vez mais esquizofrénico, a falar para si próprio, em código, com ameaças veladas, escarrando por todos os poros. Outro anda com os copos ou com os drunfos e o terceiro belisca-se a ver se acorda.
Não é uma porcaria esta herança judaico-cristã de esconder os pecados e só os revelar no confessionário? Houvesse ao menos fé e uma projecção "ao alto" de um punhado de audazes em cada uma das partes desta trindade-nação.
Como é difícil ser decente, minha gente.
Boas férias que eu vou ver se me educo um pouco mais.
Fiquem bem!
(Em estéreo na GLQL.)
E agora amigos?
Começam a chegar os pedacitos, os sound bites mais ou menos alinhavados acompanhados pelas devidas interpretações. Uns pró, outros contra.
Santos na Procuradoria; pecadores no resto do mundo?
Pecadores na Procuradoria; santos no resto do mundo?
São todos santos?
São todos pecadores?
Dava jeito um escadote para ir lá acima e olhar para tudo isto com a devida perspectiva.
Para já certo, certo, é o texto de José António Barreiros hoje no DN, citado pelo José da GLQL e que se publica em anexo.
«A escolha de um chefe de gabinete socialista para a direcção da PJ não podia ser mais simbolicamente significativa.»
José António Barreiros
"Quando o primeiro-ministro veio, perante a imprensa, falar sobre a sucessão do director-geral da PJ, o País, desprevenido, pensava que vinha aí o nome do seu sucessor.
Quando o chefe do Executivo, perante essa imprensa, mostrou que não tinha, afinal, nome nenhum, o País, incauto, imaginou que o Governo estava em dificuldades e que vinha aí crise para mais umas semanas.
Quando Pedro Santana Lopes, ante essa mesma imprensa, acenou com um «pacto de regime» para a Justiça, o País, ingénuo, julgou que era a conversa do costume, para fingir músculo e ganhar tempo.
Quando, no dia seguinte, a imprensa e o País souberam que para o lugar de Adelino Salvado tinha sido nomeado o chefe de gabinete de Matos Fernandes, que foi secretário de Estado de José Vera Jardim, o mesmo que fora o ministro socialista da Justiça, ficou tudo claro.
Os desprevenidos, os incautos e os ingénuos perceberam, finalmente, o que era isso do «pacto de regime»: a lógica do «bloco central» havia ditado a solução.
Nessa noite, Ferro Rodrigues sentiu-se vingado. A partidarização da Justiça é isto mesmo: contamina toda a Administração Pública, estende-se aos directores-gerais, não excepciona, por isso, o da Polícia Judiciária.
No caso, a escolha foi duplamente política: pelo método usado e pela trajectória do escolhido. Nesse aspecto, os chefes de gabinete são um exército de reserva para casos de aflição.
A escolha de um chefe de gabinete socialista para a direcção da PJ não podia ser mais simbolicamente significativa.
Depois disto, vem o mais que se espera. Cada Governo, cada ministro, quer na Justiça deixar a sua lápide: à falta de melhor obra, que o Orçamento vai magro, inauguram-se códigos. E já se fala na revisão das leis penais e de processo penal, as do costume, as mesmas que acabam de ser revistas.
Claro que tudo isto ajuda à barafunda. Sucedendo-se no tempo, contradizendo-se entre si, as leis amontoam-se como um aluvião pulverulento.
Claro que os tribunais, com aquela sabedoria de séculos, encarregam-se, acórdão a acórdão, sentença a sentença, de descaracterizar muitas das novidades, reduzindo-lhes o alcance, amputando-lhes os atrevimentos.Mas os políticos teimam em legislar, construindo castelos de areia judicial na praia revolta da folha oficial.
Fica, enfim, para os anais dos nossos lugares-comuns, a palavra em si, a expressão já muito banalizada «acto de regime». Perante ela, fica-se com a ideia de que se trataria de um acordo sobre matéria nevrálgica para o funcionamento da ordem constitucional vigente, sobre a ossatura das nossas instituições republicanas. Nada mais enganador. Visto aquilo de que se trata, o «pacto de regime» tem a ver, apenas e afinal, com a «união nacional dos interesses», aquela que verdadeiramente governa Portugal.
Na Justiça, esgota--se o pacto, em pactuar com a escolha de um «deles» para um lugar «nosso». E está feito, porque estamos em férias...
ja.barreiros@mail.telepac.pt "
A ler A LEGALIZAÇÃO DA PROSTITUIÇÃO
A minha opinião? Legalize-se e regule-se, já! Deixemos a moral para quem é de "moral". Só vejo vantagens: melhores garantias de saúde pública, melhor defesa da dignidade humana (com o colateral combate ao tráfico de pessoas), enquadramento económico da actividade (cobrança de impostos e atribuição de direitos ao nível da segurança social), melhor acesso ao sistema judicial, etc, etc, etc.
Uma questão bem menos problemática do que a da legalização da produção e distribuição das drogas e, ainda assim, igualmente proscrita das vontades de mudança deste mundo.
"(...) Tanto o Presidente da República como o primeiro-ministro não gostaram da forma como, em comunicado, o procurador-geral da República (PGR) reagiu à violação do segredo de justiça por parte de agentes judiciários, omitindo-a. Por sugestão de Sampaio, a caminho de Atenas, Santana Lopes chamou a São Bento o PGR. Ontem, um assessor do Presidente afirmou à Lusa que Jorge Sampaio nunca se pronunciou sobre a matéria, mas o PÚBLICO reafirma que o Presidente da República ficou desagradado com a omissão do procurador."
in Público
Não sei quem mente, não sei até que ponto a fonte do Público é credível. Sei que no final o Público chama mentiroso ao Presidente da República depois de este já ter desmentido o Público. Não foi a primeira, nem será a última vez. Ao leitor cabe acreditar em quem quiser. Não é uma posição muito agradável, pois não?
Suspeitemos então, mais que não seja pelo desporto da coisa.
(Também na GLQL)
Primeiro foi o The Economist de há algumas semanas a explicar sucintamente quais as hipóteses de se obter um empate nas votações americanas. Nesse artigo encarava-se o risco com alguma probabilidade. Depois foi um canal por cabo Norte Americano a falar do assunto, agora é num blogue que costumo visitar regularmente.
Ontem soubemos que os EUA convidaram a OSCE a observar as eleições. Quem não sabia ficou também a saber quão caótico e desconexo é todo o sistema eleitoral americano onde cada estado é um estado e onde a própria definição de eleitor não é comum (um ex-presidiário pode ter direito de voto num Estado e ser-lhe negado noutro, por exemplo).
Às vezes esqueço-me que os EUA são um Estado Federal e não um singelo Estado Nação...
O mais "assustador" é que há de facto a possibilidade de existir uma crise constitucional com a hipótese de um empate. Curiosamente o número de votos obtidos pelos candidatos pode voltar a ser distinto e esse critério nunca é tido nem achado em nenhuma das etapas de desempate previstas constitucionalmente.
E por cá, que diríamos se um dia o vencedor não for o partido mais votado? Pode acontecer.
Procura-se pacto de regime. Assunto sério.
Não se farão perguntas indiscretas.
Obrigado.
A propósito da demissão do director da Polícia Judiciária:
Adelino Salvado diz que está a ser alvo de uma campanha levada a cabo sempre pelos mesmos jornalistas, em telejornais, cartas anónimas, blogues, vandalismo e roubos. Queixa-se ainda de falta de apoio do Governo e diz mesmo que tem estado em isolamento perante a tutela política.
in Sic Notícias
Dois links para a Grande Loja, não para textos meus, mas para os dois últimos textos do "Manuel":
Matrix que é quase o estatuto "editorial" da Grande Loja (mais alguns detalhes sobre o caso da Casa Pia);
E um outro intitulado um blasfemo autêntico... que aborda uma polémica com o AAA do Blasfémias na qual se opõem duas das "correntes" que por estes dias (e pelos séculos passados!) laboram numa das mais surdas guerras no interior da Igreja Católica Apostólica Romana.
Faced with what seemed almost certain impeachment, Nixon announced on August 8, 1974, that he would resign the next day to begin "that process of healing which is so desperately needed in America."
in White House
Escreve o Aviz: Declaradamente contra a nova lei que permite aos deputados desdobrarem os seus bilhetes de avião de classe executiva em dois de turística, a fim de levarem um familiar. Absolutamente contra.
E porquê?
Adenda: novo post na GLQL - O bem informado
O caso da Casa Pia ameaça recrudescer. Na GLQL, o assunto voltou a aquecer. Deixei por lá há pouco um pequeno texto mais sobre a reacção do que sobre a acção e deixo-o aqui também, na íntegra, porque, como disse ontem, há muito que esta e outras questões entrou no campo das batalhas campais, porventura com alguns dignos oponentes de ambos os lados, mas que, neste momento, contribuem mais para a perda mútua do que para o bem comum.
*****************
Informação, contra-informação, mais contra-informação.
Tudo se dilui para que as verdades se confundam com as mentiras. Qual é a verdade? Eu não sei.
Por mais que escreva o Manuel, Ana Gomes ou escreva um qualquer anónimo (ver comentários dos últimos post sobre a casa pia) acrescenta-se ruído. És do Benfica ou do Sporting? É o que sobra "nesta altura do campeonato". Goste-se ou não é assim que estamos.
Só teremos uma esperança mínima de justiça se ela for praticada por justos e se estes conseguirem anular as baterias de fumo quando tiverem que decidir, venham elas de onde vierem.
Entretanto, aos justos que assistem não lhes espera menor tarefa: a de não se deixarem intoxicar por tudo o que lhes/nos dão a comer.
Pela minha parte, este constante "avisar para o que aí vem" e a inevitável e instantânea dualidade de interpretações da informação/contra-informação é já um mau serviço, a menos que acreditem que há ainda quem esteja em condições de "ver a luz", de se juntar ao mundo dos que tentam cultivar uma consciência crítica.
Mas será que isso se consegue desta forma?
Nuvens, nuvens, nuvens!
Adenda: E ainda mais este.
Paul Krugman no NYT (via Bloguítica):
Um excerto:
"A funny thing happened after the United States transferred sovereignty over Iraq. On the ground, things didn't change, except for the worse.
But as Matthew Yglesias of The American Prospect puts it, the cosmetic change in regime had the effect of "Afghanizing" the media coverage of Iraq.
He's referring to the way news coverage of Afghanistan dropped off sharply after the initial military defeat of the Taliban. A nation we had gone to war to liberate and had promised to secure and rebuild - a promise largely broken - once again became a small, faraway country of which we knew nothing.
Incredibly, the same thing happened to Iraq after June 28. Iraq stories moved to the inside pages of newspapers, and largely off TV screens. Many people got the impression that things had improved. Even journalists were taken in: a number of newspaper stories asserted that the rate of U.S. losses there fell after the handoff. (Actual figures: 42 American soldiers died in June, and 54 in July.) (...)"
«A quinta [da Bela Vista] já era nossa. Antes do "Rock"[in Rio] isto era melhor, tinha relva e não estava tudo estragado. Já viram as árvores? Deram cabo de tudo. Está tudo seco. Parece um deserto», lamenta um grupo de reformados enquanto jogam «o almoço». À sombra, numa mesa, entretêm-se a jogar à sueca. Porque o tempo é muito e os dias demoram a passar. As cartas e os amigos ajudam. (...)
Ainda Santana Lopes era presidente da Câmara de Lisboa, quando foi anunciado que o Parque da Bela Vista receberá um novo Rock in Rio, em 2006. Mas até lá os moradores da zona só querem sossego. Desta vez, até preferem que os políticos esqueçam as promessas de «melhorar o espaço», mas confessam que agradeciam sanitários públicos.
«A partir de hoje ficamos aqui com um espaço capaz de receber grandes produções», lembrou no fecho do festival Pedro Santana Lopes. A autarquia de Lisboa disponibilizou então um milhão de euros para o Rock in Rio-Lisboa, além da cedência do Parque da Bela Vista onde decorreu o festival. No entender do vereador das obras municipais, Pedro Pinto, a autarquia apoiava o evento e a reabilitação do espaço do Parque da Bela Vista de modo a que este fosse aproveitado para outros eventos.
A "pasta" do Rock in Rio e do Parque da Bela Vista sempre esteve na mão do presidente da Câmara. Foi uma escolha de Pedro Santana Lopes. Falta saber os planos do novo líder da autarquia, Carmona Rodrigues, para o espaço que era verde e agora é pálido, da cor da terra seca e pisada.
in Portugal Diário (Via Lua)
Se as aves raras que estão no ministério da Saúde acreditassem que os portugueses eram inteligentes alguma vez teriam promovido as manchetes do dia sobre as listas de espera?
A lista de espera de há dois anos está "quase a acabar". E a que se foi formando desde então há-de durar poucos meses, prometem. Mais oito ou nove no máximo. 150 mil esperavam em Abril (data da última contagem pública segundo o jornal Público), alguns, então, já esperavam há quase dois anos!
GLQL actualizada como: Se o denonesto soubesse a vantagem de ser honesto
Reports That Led to Terror Alert Were Years Old, Officials Say
Nos EUA aumentam os níveis de alerta devido a ameaças de ataque terrorista fundamentadas em informação que é conhecida há cerca de três anos.
A quando do lançamento das alertas laranjas tinhamos autoridades circunspectas, hoje após alguém dos serviços secretos ter informado a imprensa da relatividade da ameaça as mesmas autoridade surgem mais suaves segundo o NYT ("The comments of government officials on Monday seemed softer in tone than the warning issued the day before. ")
Acho que é assim que se cultiva o sentimento de paranoia americano contra o Estado Federal e deve haver quem ahce que assim se vai ganhando uns votitos. Mas será mesmo paranoia? Terei sido contagiado ou haverá mesmo o risco da pior das ignomínias, um dia ter origem interna?
A Al Qaeda vai somando vitórias, essa é a única certeza incontestável.
A pior notícia talvez tenha mesmo sido esta: Paraguai: número de mortos sobe para 340 e a que nos traz mais esperança esta: Novo fôlego para o comércio livre mundial
O futuro o dirá.
Novo post na GLQL: Todas as dúvidas sobre um partido aberto ao exterior (Política)
Não sei quantos já terão recebido um mail publicitário sobre o produto que a seguir se descreve... Entre sucessivas proposta para alargar o diâmetro e/ou a comprimento do mais famoso apêndice da espécie humana, recebo uma mensagem desconcertante assuntando se eu Quero ser Eleito?
Vindo directamente do Brasil, o software para gestão de campanhas eleitorais chegou ao SPAM. Ele é o Eleito 2004 : "Software para políticos em plena campanha"
"Para ganhar uma eleição um candidato necessita ter um bom discurso, estar afinado com as sua bases eleitorais e fazer contatos, muitos contatos, enfim, falar com muitas pessoas, e é aí que entra o Eleito 2004, este software o ajudará ou os seus cabos eleitorais a fazerem muitos contatos e armazenando os contatos realizados.
Características do Software:
Cadastro de Eleitores e Colaboradores
Cadastro de Contatos Realizados
Agenda do Candidato
Envio de E-mails
Envio de Cartas Personalizadas
(com Mesclagem de Dados e Formatação de Caracteres e Parágrafos)
Etiquetas para Correspondência
Filtros para Consulta
Visualização Registro à Registro ou por lista
Relatórios de Eleitores/Colaboradores por Zona, Seção Eleitoral, Mês de Aniversário, Bairro
Visualização e Exportação de Relatórios em formato QRP
Backup Integrado
Funcionamento MultiUsuário "
Tudo por apenas 200 reais à vista. Os negritos são meus, salvo seja.
Mais cedo ou mais tarde na sua caixa de correio...
Adenda: para mais novidades sobre publicidade é passar pela GLQL (política)
Aqui há atrasado falei nisto: quem seria o primeiro dos candidatos a montar blogue e este é o primeiro de que tenho conhecimento: o Blogue de Campanha de Manuel Alegre e o website.
Para mais detalhes é passar pelo Tugir onde também se faz campanha.
Sim, sinto falta de muita coisa, mas pelo que vou vendo e ouvindo nos últimos tempos tenho cada vez mais falta daquilo que não sei, sofro de excesso de ignorância percebida! Como se as sucessivas provas de incompetência, ignorância e irresponsabilidade me levassem a sentir uma pressão crescente para ser melhor do que os "outros".
Todos os dias são dias bons para deixarmos de ser tão maus.
Acho que anda por aí muita gente, incluindo muito jovem político na casa dos quarenta que já sabe demasiado.
Mais daqui a bocadinho se houver tempo, engenho e arte mando uma posta na GLQL sobre faltas mais prosaicas do dia a dia político nacional.
Para já retomemos outras conjunturas.
Recebido do Sérgio:
"Governo quer alterar artigo 35º do Código das Sociedades Comerciais
O Governo prepara-se para introduzir, até ao final do ano, novas alterações na legislação relativa ao artigo 35º do Código das Sociedades Comerciais, apurou o Jornal de Negócios junto de fontes governamentais."
in Jornal de Negócios
Isto é vergonhoso... E ainda agora a SAD do SCP fez uma redução do capital social para cumprir este artigo! Faço ideia quantas outras fizeram o mesmo e agora devem estar a sentir-se estúpidos pois os infractores vão mais uma vez beneficiar.
Comentário do Leonel Vicente:
Vamos de adiamento em adiamento, até à "derrota final"...
O problema continua a não ter solução política "conveniente" (é que, pela lei actual, as empresas com situação líquida inferior a metade do Capital social seriam consideradas automaticamente dissolvidas aquando da aprovação de contas de 2004 - a qual deve ocorrer geralmente até 31.03.05). Pode-se imaginar o impacto que isto teria!
Mas, enquanto continuarmos com "paninhos quentes", nada se resolverá.
Eduardo Dâmaso diz o essencial:
"(...) Desta vez, o que o PS não pode é desperdiçar a oportunidade de propor um contrato de modernização do país. Tem que ser claro sobre a reforma da administração pública e provar que é capaz de fazer uma reforma fiscal. E que na educação vai ser capaz de acabar com o actual desperdício de dinheiro e apontar um novo e sério caminho. E isso tanto vale para os que olham mais para a esquerda como para os que se posicionam ao centro e piscam mais o olho à direita. "
O PS oferece-nos três candidatos a secretário-geral e a promessa de clarificação das opções políticas de cada um.
O fantasma do unanimismo está já posto de lado e só podemos ganhar todos com isso.
Em suma, já temos quantidade, venha agora a qualidade.
Entretanto, as considerações spinadas ficam para depois ou para outras paragens e outros autores.
Aznar terá pago para obter medalha de ouro do Congresso dos EUA
Eu hoje vou desligar o computador mais cedo, é que ando com uma corrente de ar entre as queixadas que nem vos conto... Isto de ler jornais faz mesmo mal à saúde!
Ora bem, à primeira (segunda ou terceira, já lhes perdi a conta) grande bronca organizativa no Governo - a história da tentativa e erro na nomeação de Teresa Caeiro para Secretária de Estado - surge nos jornais a notícia que tenta implicar Jorge Sampaio na bagunça.
Pretende-se que a culpa foi do presidente que cedeu a pressões dos chefes de estado maior que não gostavam de Teresa Caeiro e terá por isso imposto uma alteração da lista à última hora...
Jorge Sampaio já fez desmentir a notícia, mas em todo o caso temos aqui muitos factos relevantes que nos poderão preparar um pouco melhor para o que nos espera... seja a fonte da notícia "da situação" ou "da contra-situação"...
Em todo o caso a limpidez evidente é a da completa descoordenação do Governo. Essa é uma realidade indesmentível, pública e notória.
As melhoras!
Hoje foi a vez do Manuel da Grande Loja do Queijo Limiano ter um dia daqueles; daqueles em que renasce uma vontade de levantar o traseiro do sofá e tentar... Recomendam-se os comentários que andam anexos ao post.
A explicação que se impõe: entre a manhã e o final da tarde de hoje os especialistas em estudos genealógicos do governo português terão descoberto na família da candidata a mulher de armas, Teresa Caeiro, herança mais forte que a de ser filha e neta de militares para assim se justificar uma passagem inesperada para as artes e espetáculos.
A festa continua. Ainda não houve dia em que não reinasse o ridículo e a ridicularização da nossa democracia desde que o pedrito lá chegou. Força, Pedro, estamos contigo! (infelizmente...)
Do Irreflexões sobre as últimas eleições para a Câmara de Lisboa e as notícias da investigação do Ministério Público sobre a contagem de votos (Portugal Diário: MP confirma resultados «viciados» na eleição de Santana. Mas culpa morre solteira ):
"(...)É da maior gravidade.
Acho estranho ter passado despercebido a mim e a tantos outros. O que aqui vai descrito é inacreditável. Mais grave ainda é percebermos que notícias que não caem no main stream informativo têm relativamente pouco eco.
A blogosfera lusa costumava ser, nestas matérias, uma excepção. Espero que continue a ser. Aqui fica o contributo.
Pensem só nisto: suponham que existiram desvios de votos intencionais (a negligência tende a afectar todos por igual e não apenas uma das candidaturas); suponham, em seguida, que PSL não o desconhecia.
Agora pensem ... mais. Reflictam!"
A notícia do Portugal Diário:
"Lisboa: desvio de votos nas autárquicas
15-07-2004 11:40
MP confirma resultados «viciados» na eleição de Santana. Mas culpa morre solteira
Uma procuradora apurou erros, omissões e desvio de votos, que indiciam pelo menos «uma conduta grosseiramente negligente» no apuramento de votos nas últimas eleições autárquicas em Lisboa, mas arquivou a queixa relativa à falsificação dos resultados por não ter descoberto quem foi o seu autor, revela esta quinta-feira a revista Visão. A principal prejudicada foi a lista de João Soares.
Na investigação do Ministério Público (MP), relativa a ilícitos eleitorais, sob a responsabilidade da procuradora Maria João Lobo (com o número 386/02.2TDLSB), conclui-se, a 21 de Junho passado, que «a sucessão de "erros" e a sua incidência numa só candidatura [penalizando a candidatura de João Soares], as omissões graves quando não referem qualquer recontagem de votos em relação às secções de voto que não apresentam apuramentos locais ou que os apresentaram incompletos, a alteração do mapa de apuramento final sem que conste da acta que sobre o mesmo tivesse recaído alguma reclamação indiciam, senão uma conduta intencionalmente falseadora da verdade eleitoral, pelo menos, uma conduta grosseiramente negligente no desempenho das funções de membro da assembleia de apuramento geral.»
Dos «erros» apontados pelo MP, entre outros, citados pela Visão, está a passagem de votos de uma candidatura para a outra, retirando à lista "Amar Lisboa", de João Soares, 935 votos regularmente expressos nas urnas.
A investigação foi espoletada por duas exposições à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Alberto Silva Lopes, um engenheiro electrotécnico e professor universitário, apoiante de João Soares. Nos documentos então entregues à PGR, o professor universitário escreveu que «por forma a possibilitar a vitória eleitoral para a Câmara de Lisboa, da candidatura "Lisboa Feliz" [de Pedro Santana Lopes], procedeu-se a uma inserção de votos fictícios (a que não correspondem eleitores votantes nalgumas freguesias), seguida de compensação, através de cortes de votos reais (que têm suporte em descargas efectuadas nos cadernos eleitorais), pela inserção de novos votos fictícios noutras freguesias.»
Para o académico não restam dúvidas: «Todo o processo eleitoral foi intencionalmente marcado por irregularidades e ilegalidades que possibilitaram o triunfo da coligação "Lisboa Feliz nas eleições, por uma margem de 1726 votos».
Apesar de se confirmar o desvio de votos em Lisboa, a culpa acaba por morrer solteira. Escreve a procuradora Maria João Lobo: «Pensamos ter ficado afastada a ocorrência de comportamentos substanciadores de ilícitos criminais». De acordo com a procuradora do MP, «as irregularidades detectadas, designadamente na elaboração das actas das secções de voto, são compatíveis com uma falta de preparação técnica e com a falta de conhecimento adequados ao exercício das funções das mesas de voto».
João Soares - que sempre preferiu não fazer "bandeira" destas irregularidades, por não querer ficar conhecido como o "Al Gore" português, numa referência ao candidato democrata derrotado num bizarro processo eleitoral nos Estados Unidos - limitou-se a confirmar à Visão que é «amigo de Alberto Silva Lopes» e que a formação matemática deste «permitiu-lhe detectar erros que o MP vem agora confirmar». Santana Lopes, por seu turno, não quis fazer comentários. "
Tinha piada, muita mesmo, termos blogues ou sites na net para os candidatos à liderança do PS. De preferência interactivos. Há muitos e bons exemplos a seguir do outro lado do Atlântico. Estou seguro que muitos militantes e simpatizantes agradeceriam a iniciativa.
Poderiam ter aí outro veículo para mostrar conteúdos a quem os quisesse conhecer, com ou sem fotografias decorativas.
É fácil, é barato e não há desculpa para não haver.
Se alguém souber dele(s) avise. Obrigado.
Mais um que reforça a ideia de urgência/emergência.
Não faço campanha por ninguém e julgo até que o Ivan também não. Não é por isso que as suas palavras - o excerto (em itálico) e o resto que se lê na Praia - deixam de fazer sentido.
"(...) Augusto Santos Silva talvez não possa ganhar o partido nem, se assim for, o país daqui por dois anos. Mas ilude-se - ilude-se muito - quem imagina que Sócrates poderá desempenhar o papel de líder da oposição normal, dando lugar à alternância traquila que é o cerne de qualquer democracia banal. Sócrates é uma cópia "de esquerda" de Santana, seja o que for que queira dizer "de esquerda" neste contexto. Quando um é líder do partido no poder e o outro líder da oposição, estamos perante uma degradação política sem precedentes que os portugueses percebem. (...)"
Era muito útil que o próximo secretário-geral do Partido Socialista tivesse de passar uma prova antes de lá chegar e era bom que os militantes tivessem mais sorte do que os restantes eleitores: que lhes oferecessem alternativas onde se discutisse para além da camisola de traça italiana, a boniteza dos candidatos ou as oportunidades de negócio pós-eleitoral.
E depois... que ganhasse o melhor!
Não percam estes dizeres no Portugal dos Pequeninos:
Começam assim:
"Depois de oito valentes copos de água, perante a habitual multidão de dependentes e de interessados, destacando-se, nestes últimos, tudo o que é a "nata" da classe empresarial e banqueira, Santana Lopes estreou-se.(...)"
O Mário acerca da explosão de comentários no The Old Man nos posts da novela porno-erótica: "nada como o sexo para choverem comentários" e acrescentou "A vontade de participação só se verifica nos assuntos em que todos acham que fica bem mandar uma boca sem perigo de lhes chamarem a atenção. De resto dão uma vista de olhos e passam à frente."
Apesar de achar que na blogoesfera - mais do que fora dela - vai sendo possível de quando em vez ter uma surpresa positiva nessa área ocorreu-me uma outra "questão" pessoal que acho relacionada com esta matéria.
Lá fora - no resto do mundo real - devemos inibir-nos ainda mais do que aqui.
[Ah! Que falta nos faz aqui o Socioblogue para uma conversa mais informada e artilhada! ]
É extremamente difícil numa vidinha regular, normalzinha, rotineira, conseguir meter uma bucha sobre algo não estritamente fútil ou consensual com um mínimo de profundidade, de inquietação. Partilhar uma inquietação é extramente complicado... Vão-me salvando alguns poucos amigos e o blogue. Mesmo assim - e é aqui que quero chegar - no meu cinzentismo de pacato cidadão deparo frequentemente com a estupefacção alheia - não é menos do que isso - quando resolvo confrontar alguns desses companheiros de vidinha. Mesmo quando recorro à tentativa de conciliação pouco artística e muito básica em jeito "vamos lá rir-nos de nós próprios" reparo frequentemente em suspeitas de desequilíbrio mental dirigidas à minha pessoa, ou então avisos de que estou pisando perigosos riscos ao me comprometer com um pensamento! Heranças da ditadura? Prenuncio dos tempos vindouros? Sinal destes tempos? Por que caminho anda a liberdade? Que uso damos aos neurónios e aos minutos que temos nesta terrinha? Enfim, pergunta estafadas... E sempre pertinentes.
Deixem-me recentrar a questão de novo: o blogue.
Senti há dias um prazer que não suspeitava andar por aqui à espreita quando um conhecido-candidato-a-amigo descobriu o Adufe. À medida que ia vasculhando os arquivos o tipo gaguejava, perdia o discurso... Por minha culpa e dele colara-me a uma certa imagem e modo de ver e encarrar a vidinha que nunca por nunca o levaria a imaginar-me nestes propósitos interactivos e muito menos nesta actividade para-secreta de alimentar um blogue há mais de um ano, quase todos os dias... E ainda para mais discutindo uma espécie de política a maioria das vezes!
Este meu conhecido-candidato-a-amigo provavelmente deixou de se olhar ao espelho quando me vê. E devia ser disso que eu andava/ando a tentar fugir. Talvez dai o prazer... Percebi-lhe na face a perfeita estupefacção e uma interrogação "Mas o tipo até parece uma pessoa normal!" Se num primeiro momento tentei minimizar-lhe a angústia... a conversa terminou comigo a ser muito mauzinho. Só me faltou esticar o indicador e brandi-lo contra os males do mundo. Teria ele fugido a sete pés?
Ainda ando a tirar lições destes encontros imediatos comigo mesmo que a espaços vou experimentando, mas ninguém me tira o gozo. A busca continua!
Barroso escolhido por voto em urna no Parlamento Europeu
Querem ver que o homem ainda vai ter de se dedicar à pesca?
Um distinto lorde inglês (Ralf Dahrendorf) de cuja existência tomei hoje conhecimento - diz-se a rematar o artigo do Público de sua autoria que já foi, entre outras coisas, reitor da London School of Economics - advoga que se desconsidere o "Tratado que estabelece uma constituição para a Europa" enquanto símbolo constitucional de uma "nova" União.
A pouca fé no legado de referencial histórico perene que este tratado constitucional encerra, juntamente com o próprio processo de ratificação, levam-no a sugerir que se procure a simbologia necessária à consolidação da União num outro qualquer lugar, de preferência concreto e próximo dos cidadãos.
Para quê a dramatização da discussão em torno de um pedaço de lei que na sua opinião (e na minha) está longe de ser uma Constituição?
Dito isto temos de reconhecer que a dramatização está consumada e podemos ter de encarar vários cenários caso um ou mais países falhem a ratificação.
Se bem o percebo, o tratado pouco mais faz que a síntese de legislação dispersa, acrescentando uns detalhes na orgânica interna da União que cairão rapidamente em desuso por obsolescência. Muito pouco do que por lá se lê diz respeito directamente aos cidadãos - é um facto!
Desdramatizando a questão podemos simplificar o problema da decisão quanto ao voto, mas, mais uma vez, fa-lo-emos desrespeitando a coerência entre a forma e a matéria. Pedem-nos para votarmos um símbolo da ideia da Europa que não tem nexo com a representação material do que está em questão!
Um tratado que estabelece uma constituição mas que não é uma constituição.
Como bem lembra Ralf Dahrendorf nunca por lá se lê "Nós, o povo europeu..." ou algo comparável.
Retenho o destaque feito pelo Público e vejo-me a simpatizar com a sua linha de raciocínio (infelizmente não há link disponível):
"O mercado único está longe de estar concluído. Há assuntos importantes por resolver nas zonas vizinhas da União alargada, na Europa de Leste e nos Balcãs. Resumindo, a ordem do dia deveria ser menos preocupação abstracta sobre identidade europeia e mais acções concretas para defini-la em actos e não em símbolos."
Tenho neste momento à minha frente duas colegas que por aqui (INE) laboram há quase três anos e que vão sentir na pele as consequências directas da qualidade da nossa governação e da gestão pública.
No decurso da próxima semana o Adufe vai ter um espaço de anúncio de currículos.
Duas dedicadas economistas, depois de terem tido dois anos de formação on-the-job e terem adquirido uma muito razoável e reconhecida experiência de análise económica de conjuntura vão ter de reentrar no mercado...
Detalhes em breve num blogue próximo de si!
Adenda: Em comentário a este post o Congeminações precipitou-se,pelo menos quanto à primeira frase onde diz "É evidente que não são militantes de nenhum dos dois partidos que constituem a coligação, pois isso não aconteceria." Uma das vítimas é militante do PSD. É bem verdade que não tem dito muitos améns ao partido ultimamente. Digamos que engrossa as fileiras dos desiludidos dos aparelhos... Em versão laranja, neste caso.
Reproduzo não uma picardia mas duas opiniões, recolhidas nas caixas de comentários, que merecem ser confrontadas (a propósito deste post):
Uma do Luis Bonifácio:
"A desistência só fica bem a [António José] Seguro, esse profissional da politica, recém licenciado e sem qualquer outra ocupação conhecida para além de deputado e funcionário do Partido."
E a reacção do Bruno:
"Quando os deputados se multiplicam em empresas, escritórios de advogados, universidades e sociedades obscuras todos reclamam por causa dos conflitos de interesses e porque as pessoas só vão para a politica para alavancar as suas actividades profissionais.
Quando alguém se dedica exclusicamente à causa pública aparecem os "Luis Bonifácio". Razão teve o Vitorino em não querer vir chafurdar para charco."
Seguindo a exposição do Bruno, nem os primeiros, nem os segundos são intrinsecamente maus pelas opções de vida que fizeram na sua forma de participar na política. Concretamente quanto a António José Seguro sei sobre ele o que qualquer pessoa pode saber e não o tenho como um exemplo claro de coisa nenhuma. Nem para o bem, nem para o mal.
Esquecendo a fulanização fica-nos o problema de fundo a resolver.
É neste tipo de julgamento que fazemos dos políticos que ajudamos a definir aquilo que merecemos.
Temos oscilado entre o laxismo (ou fatalismo) e um suposto puritanismo radical (apoiando qualquer moralista exacerbado que surja). Nem um, nem outro têm provado a sua utilidade. Tanto assim é que temos de regressar ao básico para procurar de novo o rumo.
O fundamental é exigirmos transparência, um combate ao desatino e não esperar que a política seja feita por figuras providenciais, magnânimes, extra-humanas.
Por estes dias de descrédito generalizado e de florescimento dos processos de intenções temos de procurar quem se queira redimir agarrando-nos às potencialidades da redenção e estimulando-a com a nossa inteligência em saber distinguir o trigo do joio. Havendo essa predisposição já é um começo.
Por aqui tentarei fazer esse caminho com alguns inevitáveis momentos de excesso de impulsividade…
"Eu sei que ninguém acredita em teorias da conspiração mas os encontros do grupo de Bilderberg não deixam de fazer pensar.
A reunião deste ano contou com a presença de Pinto Balsemão, Santana Lopes e José Sócrates. Não é que os dois últimos são agora governo e oposição, tendo sido comentadores no canal de TV do primeiro?
E no ano passado? Calhou a Durão Barroso e Ferro Rodrigues, além de Balsemão com inerência anual no cargo e presente nas conferências anteriores. Estranho? sic (...)"
in Contra Factos
Bilderberg Conferences
O site é oficioso e visa levantar o véu sobre aquilo que designa de mais secreto clube do Mundo.
Pacheco Pereira desiste de cargo na UNESCO
Então este senhor (leia-se com pronúncia do norte) não quer emigrar?! Só faltava ter trocado a Unesco pela sua capacidade de intervenção política neste jardim à beira mar plantado. Estranha realidade esta ;-)
Ouça lá, não se quer candidatar a secretário-geral ali do partido ao lado?
Just kidding...
Gostava, por acaso gostava que um jornalista mais descarado quando lhe aparecesse um alto dirigente do PS a tecer loas à união e às capacidades agregadoras de um qualquer candidato à liderança do partido lhe perguntasse se as vantagens dessa aglutinação não resultam de um forte receio de que o debate político no seio do Partido Socialista já não consiga ir além do que vimos na lota de Matosinhos.
Separar as águas é uma actividade arriscada: é a única forma de se gerar um líder genuíno, se houver quem tenha estofo para tal, mas é também a melhor maneira de se provar a mediocridade dos contendores e/ou das suas falanges.
Quão averso ao risco é hoje o Partido Socialista?
Não há Seguro para ninguém. É pena. É caso para perguntar a bem de que partido terá optado por não avançar?
Estreitam-se cada vez mais as hipóteses de uma boa discussão política e da saudável pressão competitiva pela qualificação dos programas e dos compromissos públicos.
Se nem neste contexto o PS arranja energia para se discutir, quando o voltará a fazer? Depois não nos digam que somos nós que nos ficamos no sofá... Parece ser exactamente esse o objectivo que se quer!
Lembrem-se que nos estatutos actuais do PS não dá para alguém ir ao congresso "fazer a rodagem ao carro"...
Pelo sim, pelo não, é melhor reler o meu Maquiavel que os partidos estão cada vez mais parecidos com a Federação Portuguesa de Futebol e suas associações distritais.
Apostas Adufe têm o patrocínio de Pedro Santana Lopes Produções Lúdicas S.A.
Hoje ficámos a saber o nome de dois ministros. E amanhã?
Faça a sua aposta na caixa de comentários indicando quantos serão divulgados oficialmente nos próximos três dias. Para efeitos de desempate, além do número de ministros a divulgar por dia, diga-nos também a hora em que os anúncios serão feitos.
O vencedor ganhará uma bicicleta virtual com combustível inteiramente grátis!
Sérgio Figueiredo
volta a oferecer-nos polémica com um pequeno tratado de demografia política em editorial no Jornal de Negócios.
Além do óbvio:
"(...) O nosso cemitério político-partidário está cheio de ilustres que já perderam a motivação e de outros que morreram antes de adquiri-la. E esta desmobilização geral é particularmente grave no estado em que nos encontramos. Não é por se criarem vazios. A política, desde sempre, tem horror ao vazio. O problema é como eles se vão preenchendo.(...)"
Continua discorrendo, vincando a supremacia de Vitorino sobre Sócrates:
“(…) O engenheiro José Sócrates parece ser o senhor que se segue. Provavelmente ainda se arrepende antes de lá chegar. Mas, se for ele a avançar, e por mais carisma, mais telegenia, por muita determinação que tenha, há algo que Sócrates definitivamente não tem.
Não tem o prestígio de Vitorino, não tem a credibilidade de Vitorino, não tem a base em que Vitorino assenta. Será um líder da oposição mais à medida do líder do Governo. Já se encontraram, aliás, várias vezes. Nas tevês e na imprensa. (…)”
Uma mente mais vigilante e mordida pela “paranóia” partidária lerá neste editorial de Sérgio Figueiredo um começo da “guerra” ao mais provável futuro líder do PS. Uma dissimulada forma de o nivelar por baixo, menorizá-lo, numa palavra: santanizá-lo.
Não estamos ainda em hora de sobre-valorizar paranóias partidárias. Faz todo o sentido colocar agora e neste momento este tipo de dúvidas sobre todos os que se proponham chegar a secretário-geral do PS.
Mas de que falará Sérgio Figueiredo precisamente quando traça a supremacia da base de Vitorino perante Sócrates ou qualquer outro candidato a líder do PS? Ou mesmo perante qualquer outro candidato potencial a líder de qualquer outro partido?
Uma das maiores críticas que posso fazer a Sócrates é o excessivo calculismo e o concomitante cinzentismo político que cultivou desde que abandonou funções executivas.
Antes disso, como apoiante de Guterres, secretário de estado e ministro recordo um dinamismo invejável que se destacou pela positiva e que rareou nos governos de Guterres. Recordo inclusive causas que não via minimamente defendidas desde os tempos de Carlos Pimenta.
António Vitorino não lhe ficou atrás na governação mas foi substituído ainda na primeira parte da partida numa reacção algo exagerada a uma infundada acusação de manobras de fuga ao pagamento do mais estúpido dos impostos portugueses.
Vitorino tem um currículo de serviço público vasto e diversificado: Macau, Tribunal Constitucional, Governo… Sócrates disse presente quando poucos se dispunham a dar a cara publicamente, defrontou Santana Lopes em debates semanais. Agora começam a acusá-lo de oportunismo e aproveitamento pessoal. Curioso… Ainda que fosse não dei conta de uma disputa à função.
Mas peguemos na supremacia de Vitorino de novo. Tenho para mim que a percepção do poder aglutinador de simpatias por parte de António Vitorino estava longe de ser apenas uma resposta instintiva e exclusiva de um partido que nos últimos anos tem fugido a uma imagem de lutas fratricidas que cultivou particularmente desde a “saída” de Mário Soares em meados dos anos 80. António Vitorino havia cativado boa parte do eleitorado desde que se apresentou publicamente de forma mais visível no governo de Guterres e reforçara essa sedução com o exercício de funções enquanto comissário europeu.
A empatia, atrevo-me a aventar, vinha da extrema inteligência adivinhada na resposta pronta e bem-humorada – o humor, coisa que raramente vejo em qualquer outro político –, vinha da energia e motivação que deixava transparecer sempre que falava sobre aquilo que fazia, vinha do reconhecimento público da capacidade de apresentar soluções consensuais e eficazes para problemas complexos - e maior raridade que esta não temos – e vinha também (esta deve ser a minha ideia mais rebuscada) da imagem de afastamento que foi capaz de gerir face ao mais odioso que temos na vida partidária.
Sócrates apresentou-se como oficial junto do quartel–general nos últimos anos; Vitorino foi comandante de campo no “ultramar”. Poderia agora ter regressado de uma campanha vitoriosa a Roma mas não se viu no papel de Júlio César.
Talvez a prestação “meramente” utilitarista de Sócrates nestes últimos anos tenha sido condicionada pelas circunstâncias específicas da liderança de Ferro Rodrigues – falo do discurso da cabala e da efectiva congregação de força a nível mediático para promover autênticos julgamentos em praça pública. Talvez.
No meio da maior turbulência a imprensa, apoiada pelas descontentes fontes anónimas de todas as ocasiões, foi ajudando a manter a chama de uma alternativa, aguardando sempre uma crítica de Sócrates a Ferro Rodrigues, críticas que outros tornaram públicas, ele não.
Sempre respondeu com a máxima solidariedade. Com isso manteve-se bem comportado, “leal” ao partido. Não terá convencido a esquerda da esquerda como se verá. Terá gerido com astúcias os silêncios e não negou a exposição pública.
Perante o país deixou manter a dúvida. Há político capaz de traçar as novas causas, de assumir uma ruptura clara com o PS personificado por Ferro Rodrigues? Será mais que um bom executor sem pudor em usar instrumentos mais liberais para atingir os fins propostos? Será mais do que um astuto calculista? Se houve aspecto que me agradou na sua exposição pública em oposição ao mestre Pedro Santana Lopes foi a sua contenção populista. Recordo-me de poucos desvios nos debates a que assisti. Raras vezes respondeu a Santana Lopes na mesma linha de argumentos e nem por isso deixou de ganhar claramente diversos debates. Acusações de populismo ou similitude com Santana Lopes são abstrusas. Achei até alguma piada ao comedimento da veia populista de Pedro Santana Lopes durante esses debates! E quanto ao resto... Se ser um rapazinho jeitoso aos olhos do mulherio é ser populista já me calo.
A pergunta que permanece e que deverá esclarecer junto do partido começando a construir o seu edifício é a que nos permita saber para que quer ele o poder? Sabemos o que movia Ferro Rodrigues. Adivinhamos o que move Vitorino (até pela sua desmotivação). Ignoramos o que quer Sócrates. Ou António José Seguro, ou José Lamego.
Pela minha parte, como já aqui disse, preferia que, com maior ou menor clareza, aqueles que aspiram com antecedência chegar a líderes fossem marcando terreno na presença de medidas grosseiramente afastadas do seu ideário para que assim, à falta de melhor – um livrito, uns artigos de jornal além do comentário formal ou uns debates e entrevistas na TV - se percebesse o seu pensamento. Não, não falo de um espírito “João Soarista” de ir todos os dias, em todas as ocasiões e sob todas as formas vincar a demarcação. Falo de uma outra coisa, a mesma que me leva a ter respeito por poucos parlamentares e políticos em geral: a capacidade de demonstrarem ter pensamento e um mínimo de amor próprio na defesa daquilo que os distingue e se propõem representar.
Viver a política dentro de um partido não pode continuar a ser a demonstração pública do unanimismo. O paradigma do “bestial a besta” não pode continuar a fazer escola para justificar as mudanças.
Julgo que temos todos de nos habituar de quão a diferenciação é salutar e enriquecedora das soluções encontradas. Trata-se de um desafio, uma autêntica batalha que teremos pela frente, principalmente contra a dramatização circence gerada a nível da comunicação social perante alguém que venha com um simple “Antes pelo contrário!” - onde geralmente se explora a existência da divergências mas dificilmente percebemos os quês e os porquês - , mas é um desafio inevitável se algum dia queremos recuperar a política para o campo das actividades minimamente orientadas para o bem-comum.
Não há duas pessoas iguais, o nosso desafio maior é chegarmos a um entendimento, mas esse é dos caminhos que se tem de fazer, fazendo e não saltanto para as costas uns dos outros. Como diz Sérgio Figueiredo (e mais quinhentos antes dele e de mim):
A política, desde sempre, tem horror ao vazio. O problema é como eles se vão preenchendo.
Estar num partido e ser de um partido não pode exigir a absoluta castração de opinião pública e publicada entre congressos, a democracia não se exerce no momento do voto e a actividade política no interior de um partido não se pode fazer para o interior de um partido entre congresso em regime de exclusividade. Do mesmo modo, as provas de respeito pela legitimidade democrática dos eleitos não se demonstram pela demissão de um cargo em regime de consequência.
Mas este é o meu caminho sugerido, não é, nem tem sido, a realidade no interior visível dos partidos portugueses e Sócrates sabe-o muito bem.
Jogou segundo as regras vigentes e prepara-se para ir à luta com o máximo de probabilidades de vencer que conseguiu capitalizar.
A quem está de fora, espero que peça não mais que o benefício da dúvida que tratará de esclarecer o quanto antes. O PS vai virar à direita? O que é que isso quer dizer exactamente?
Por aqui também não se passam cheques em branco, nem se se proferem sentenças antecipadas.
O Sérgio chamou-me a atenção para mais uma ideia peregrina de Alberto João Jardim. Não tenho grandes dúvidas que é mais uma para fazer escola.
"(...) A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou ontem a elevação da vila do Caniço a cidade, a sétima numa região com onze municípios e menos de 250 mil habitantes. Fica contígua à cidade de Santa Cruz, por sua vez ligada a outra cidade, Machico, pela pista do aeroporto.
De acordo com a lei nacional aplicável nas regiões autónomas, não é permitido a alteração da categoria das povoações "durante o período que imediatamente antecede a data marcada para a realização de quaisquer eleições". As próximas regionais estão previstas para 17 de Outubro, ou seja, precisamente dentro de três meses. (...)" in Público
Estar informado custa.
Estudar custa.
Procurar custa.
Perguntar custa.
Ser competente custa.
Ser respeitado custa.
Ser desrespeitado custa.
Reconhecer o erro custa.
Corrigir o erro custa.
Mostrar bom serviço custa.
Ser ouvido custa.
Ser reconhecido custa.
Ouvir os outros custa.
Ter a recompensa justa custa.
Trabalhar custa.
Tentar antecipar custa porque pensar cansa.
E fazer melhor é o cabo dos trabalhos.
Jovem, se:
- Não tens nada melhor para fazer ou,
- Se ouviste dizer que "rende" ou,
- Se tens paixão pela política ou,
- Se tens tradições familiares ou,
- Se gostas de aparecer ou,
- Se queres deixar a tua marca na história ou,
- Se queres mudar o mundo ou,
- Se queres um jeitinho lá para o negócio da família,
Vem para a política! Filia-te. Arranja uma nova família.
(aceitam-se contributos para completar o anúncio que eu continuo a ver se percebo umas coisas)
"(...) Este foi o Santana Lopes que ajudei a combater e a vencer. Hoje, avizinha-se mais do mesmo. E eu cá estou. De novo para o que der e vier."
Imperdível o testemunho de Alexandre Monteiro numa história digna de piratas à antiga. Se tiver cinco minutos leia.

"Há coisas que eu acho que sei fazer. Há coisas que com humildade reconheço que, ou não sei, ou não tenho a motivação para fazer", confessou o comissário europeu, que abandona a função a 31 de Outubro.
Excerto da notícia do Público.
Agradece-se a sinceridade e a responsabilização que ajuda a incrementar aos que por cá andam e que terão de se atrever a errar e a falhar. Quem sou eu para conhecer o PS e António Vitorino melhor que ele próprio? E que regresse ajudando naquilo para que se sente mais capaz. Segue para bingo!
A propósito da angústia que deixei ali em baixo uma reacção do Irreflexões:
"A questão, para mim e para o Rui é: e não será que, quando nos decidirmos a sair do nosso sofá, seja apenas para percebermos que é tarde demais?"
Como escreve o Daniel Oliveira num outro registo na primeira pessoa também sobre a "nossa" encruzilhada:
"Nunca me passou pela cabeça envolver-me na política por outra razão que não seja a de mudar as coisas. E para as mudar, o poder é essencial. A política é para mim a luta pelo poder para transformar o poder e com ele transformar as condições de vida das pessoas. Não dedicaria a minha vida ao contra-poder sem mácula, só para morrer puro. O poder corrompe, mas a pureza é inútil. E entre a inutilidade e o risco, escolho o risco."
Lê-se hoje no Público (secção Media):
«A Estreia: “Bloggers” acreditados para convenções democrata e republicana nos EUA.»
Quando é que é mesmo o Congresso do PS? Ó António, quero uma credêncial e uma ligação à net. Eu levo o portátil. Pode ser?
Muito sintomático o Editorial de hoje de Eduardo Dâmaso no Público de hoje.
Começa assim:
"A indigitação de Santana Lopes [poder-se ia ler aqui Jorge Coelho ou António José Seguro ou mesmo António Guterres] para primeiro-ministro é a expressão máxima do triunfo dos aparelhos partidários sobre as regras democráticas mais elementares. É a vitória dos pragmáticos do poder sobre os idealistas que partem das velhas referências de valores, competência, conhecimento, ideias"
E fecha assim:
"A culpa de [Durão Barroso, Paulo Portas e Santana Lopes] estarem no poder não é deles. É de todos os que não os souberam combater nos últimos dez anos dentro das regras democráticas."
O diagnóstico de Eduardo Dâmaso, que de certa forma venho fazendo por aqui, vai singrando como um facto adquirido, uma constante e aparente inevitabilidade. O seu texto acrescenta-nos a angústia e, para quem já tiver predisposição, a sensação de completa impotência para mudar as coisas. É o problema eterno dos mensageiros.
No fundo, Eduardo Dâmaso critica uma certa elite que fala de cátedra, no artigo de opinião, no sofá, ou ao teclado do computador, talvez num blogue, que não suja as mãos entre o aparelho, entre as bases. Por vezes nem sequer se filia.
Critica estas (pseudo?) referências políticas que não passam de meros adereços utilitários ao aparelho em jeito de pastilha elástica.
De seguida, elogia o pragmatismo dos políticos aparelhísticos orientados pelo interesse pessoal, a personalização do produto final dos próprios aparelhos. Reconhece-lhes a ascensão à custa das regras democráticas mais elementares mas no final pede à elite bem pensante que saiba combater dentro das regras democráticas, as mesmas que, atrevo-me a dizer, aliadas a um instinto de auto-preservação pessoal, condicionaram a capacidade de vitória dos “velhos idealistas” sobre os “pragmáticos”.
Temos então um nó górdio?
Hum… Talvez não falte muito, mas ainda não chegámos à Madeira.
Quando ingressei no ISEG para fazer a minha licenciatura, já lá vão 10 anitos, percebi um movimento claro no interior dos grandes partidos que manobravam naquela faculdade. Parafraseando uma conhecida teoria económica, tal como a moeda fraca expulsa a moeda forte, também o pragmático interesseiro expulsa o pragmatismo ideológico (chamemos-lhe assim) do interior dos partidos.
Na altura, espantou-me a transversalidade do fenómeno e a absoluta mimetização das causas e efeitos. Chegados às primeiras eleições democráticas no interior da estrutura partidária (tipicamente numa Jota), vencendo ou perdendo, vi de imediato a repulsa que os métodos de combate interno produziam entre aqueles que mais admirava e a quem, segundo os meus padrões de velha guarda, adivinhava maiores capacidades de fazer algo útil para o bem comum, numa carreira política.
A maioria saiu desiludida e enojada pelo que teria de comprometer no "diálogo" político. Faltava-lhes “fígado” e disponibilidade pessoal para aturarem a impossibilidade de trocarem ideias, discutirem cortesmente, sem terem de sistematicamente apanhar facadas nas costas e pior... A mentira, a intriga, a dissimulação, a corrupção e a traição eram os meios para se obterem os fins por mais modestos e irrisórios que fossem... Acrescendo a isto os maus exemplos que amiúde vinham de cima, dos "grandes" dos partidos e da própria vivência pública a que todos assistimos no parlamento, a carreira política dos jovens idealistas terminava por ali. Ganhámos empresários, cientistas, excelentes jornalistas. Perdemos a política dos partidos.
Curiosamente hoje, muitos deles enfrentam os mesmos problemas no seio das empresas em que laboram e continuam militantemente afastados dos partidos, precisamente por já lhes bastar ter de suportar aquele sistema de pesos e medidas na sua luta pelo ganha-pão. Este argumento é muito interessante se atendermos às recorrentes provas de favorecimento pessoal de que vão sendo acusados alguns políticos profissionais. Transformam literalmente a sua vida no partido num ganha-pão!
O que fazer?
Não sei bem e Eduardo Dâmaso também não sabe, a avaliar pelo texto. Gostava, contudo, que Eduardo Dâmaso fosse mais claro em relação ao que pede à “velha guarda”. O que é esse ir à luta democraticamente? Pensará apenas numa velha guarda de velhos que já não arranjam forças para o combate e se renderam ao cinismo ou terá em conta todos os aspirantes a membros da “velha guarda” (potenciais futuros desiludidos à primeira prova do sabor da política interna) e pede-lhes para arregaçarem as mangas?
Desconfio que o arregaçar as mangas, o ir “conquistar” o partido pelas “base” não bastará. O partido, boa parte dele, quer festas e bolos, material de engorda, uma gratificação que se veja, logo, ir à luta sem essas armas – sem o saco cheio para distribuir e dizer que essa é uma prática condenável - é perder por sistema. Resta ir à luta contra o partido?
Um amigo meu sugere-me que se reencarne Mahatma Gandi...
Misturar determinação, paciência e capacidade de sofrimento, cultivando o mais profundo sentido de pragmatismo “Gandiano”? Gandi foi de longe um dos maiores pragmáticos do século XX e o seu confessado e pouco divulgado não pacifismo é a prova decisiva disso. Não ter medo de perder contra o “mau” partido será o segredo?
Nem sempre a guerra de faz com as armas mais óbvias.
Como disse não sei quais são as armas ideais que não comprometem a essência da “velha guarda”, mas a urgência de uma reacção ganha peso. O risco da inacção avoluma-se e, como sabemos, a incapacidade de nos inquietarmos perante o que nos violenta “teoricamente”, mais cedo ou mais tarde há-de bater-nos à porta “concretamente”. Não é liquido é que esta percepção seja suficientemente percebida ao ponto de gerar uma reacção adequada… Sintomáticas as continuadas reticências de um excelente político – o que fez em Bruxelas está à vista de todos, os elogios no caso de António Vitorino não são de circunstância – em assumir o peso do partido nos seus ombros. Muito provavelmente continuará a achar que será mais útil noutras funções. Dando o exemplo de outra forma. Mas será essa uma solução que nos “salve”?
Duas coisas são certas, conversar continua a ser preciso, com todos, do sofá, ou de qualquer outro lugar.
Ter sempre presente que todos somos a base e que no final (ou no início) temos sempre algo a dizer. E aqui não penso só nos meus amigos ilustres e letrados do meio citadino. Há almas bastante esclarecidas e instruídas sobre os valores que me interessam em locais bem menos cosmopolitas do país. Ainda que por vezes, por cada uma destas encontre “três ou quatro das outras”.
A outra certeza é que a desistência à priori é a antecipação da derrota e aí Eduardo Dâmaso tem razão. É preciso ir à luta para marcar a diferença, nem que seja para perder. Um trunfo não negligenciável perante estes inimigos e perante o que os move.
Miguel Coelho, ontem, pelo PS e o conselho nacional do PSD nos últimos dias deram bons pretextos à velha guarda para se distanciar e para agir. E tendo voz – se jornalistas como Eduardo Dâmaso lhes derem a voz - é sempre possível à “velha guarda” minar o consenso. O medo absoluto pela discussão, pela divergência, pela revelação das diferenças. Pôr as ideias ao barulho.
Há uns quantos instrumentos legítimos claramente sub-utilizados entre “as forças” do bem, o principal dos quais a capacidade de sacrifício. Porque são sub-utilizados é para mim um mistério, mas por vezes desconfio que se deve a um muito arreigado sentimento de incredulidade perante a capacidade de discernimento dos eleitores.
E agora as contradições pessoais:
O que pessoalmente mais me limita é algo que está noutra esfera, bem menos instrumental (e daí...). Participar activamente num partido político é sempre uma actividade com custos pessoais e económicos (não se espantem) e na análise pessoal que faço falta-me a vantagem que me permita chegar ao pé dos que me estão próximos e de mim mesmo que me equilibre a balança do meu sentido de utilidade neste mundo: a confiança. Objectivamente, falta-me um grupo. A sensação de risco iminente ainda não me parece suficientemente forte para que sem partilhar com outros a confiança de uma luta tenaz tenha disposição para a imolação. O Gandi que há em mim ainda dá os primeiros passos da caminhada, pelos vistos.
Isto de ir para a política sozinho e sem sedução não chega para combater as proverbiais vantagens da masturbação intelectual, sempre é melhor fazer amor com alguém que amo como dizia Woody Allen. E ainda acredito que o que vou aqui fazendo é um bocadinho mais do que isso ;-)
O reposicionamento político ou ideológico de que se fala e que se adivinha para o PS é um desafio importante, sem dúvida. Já o aqui desejei imaginando-o fruto de um processo de aprendizagem dos erros passados na governação, entre outros. Não estou nada seguro que seja esse o caminho.
Já há quem venha a público falar de figuras "garante da unidade do partido" e outras aberrações vazias, mas ainda a procissão vai no adro. Aguardemos.
Vou adivinhando que de pouco valerá ao país o reposicionamento - o partido ao serviço de todos, certo? - se não for acompanhado pela percepção da necessidade de uma mudança cujo objectivo, a prazo, seja transversal a todo o partido e implique uma redefinição estratégica do seu papel e da forma de interagir com a sociedade.
Há um cabo das tormentas que precisamos de dobrar para fundar um novo ciclo na vida política e na democracia portuguesa.
Passado este período de governação populista teremos experimentado pela primeira vez, desde o 25 de Abril de 1974, quase tudo o que havia para experimentar.
Eleitores de todos os espectros políticos tiveram já o seu momento de ilusão, de realização, de desgosto e de descrença. Restam entre o eleitorado, como excepções, a permanente vaga de saudáveis ingénuos e mais ou menos aguerridos jovens idealistas/oportunistas (entre os quais me julgo incluir, na vertente idealista). Não podemos, contudo, esperar que sejam estes últimos a garantir sistematicamente a renovação de um sistema estabelecido até porque a carne é fraca e particularmente manipulável...
O livro da história da corrente república começa a completar o seu "dicionário" com exemplos para todas as opções básicas. Aproxima-mo-nos da época das variações, da repetição.
É necessário começarmos a construir (reconstruir?) um partido que se proponha levar a nossa democracia além da puberdade. No mínimo cabe a cada um de nós fazer subir a fasquia da exigência, cultivando também uma boa dose de humildade, mas é típico da nossa forma de organização gregária dependermos de um catalizador. Se ele não surgir não há um caminho seguro que garante a idade adulta após a adolescência. E sobre isso acho que todos conhecemos alguns muito humanos exemplos ao nível de singulares seres da nossa espécie.
Maria de Lurdes Pintassilgo hoje desaparecida.
Guardo com particular agrado as crónicas matinais que foi fazendo nos últimos anos na rubrica da TSF, "Como se visse o invisível".
Sobre a ilusão de Jorge Sampaio presente na sua justificação, além do que já escrevi recomendo o Almocreve das Petas.
E dito isto sabem o que é que eu gostaria de ver no PS? Eleições primárias, com públicos debates, de preferência mediatizados, entre os candidatos à liderança. Talvez assim em vez da exclusiva imagem de contagem de espingardas, de movimentações de bastidores, de promessas de cargos e posições, exigisse dos candidatos definição política e uma maior transparência e clarificação perante o eleitorado.
Talvez contribuísse até para inculcar na cabeça dos incumbentes aquilo para que se propõem enquanto líderes partidários. Quais são as desvantagens, alguém me ajuda?
Sampaio:
Sim, a decisão foi política mas se bem entendo o presidente que temos não foi exclusivamente conjuntural. Não foram as pessoas, os líderes em questão que a determinaram. A palavra de honra, o compromisso, a responsabilização do sistema de democracia representativa e das consequentes legislaturas deverão ter sido os valores finais em que Sampaio apostou. Apostou. O futuro nos dirá se os tomadores desse legado são merecedores de tal aposta. Modestamente, já aqui deixei perceber que poucos políticos me mereceriam menos esse benefício da dúvida que Pedro Santana Lopes e Paulo Portas, mas não sou Presidente de República nenhuma.
Sampaio discursou para os manuais de ciência política, ou, mais comedidamente, para a jurisprudência do histórico da democracia portuguesa.
Sampaio não traiu ninguém. Não fez nenhum ataque pessoal a ninguém.
Nesta história entre traidores e traídos restam-nos José Manuel Durão Barroso na qualidade dos primeiros e o eleitorado português do PSD na qualidade dos segundos.
Sampaio julga-se perante a sua consciência como o presidente de todos os portugueses, interpretando esse compromisso de uma forma bastante mais literal que Mário Soares, por exemplo.
Querem-se líderes capazes do magistério quando as funções o exigem e outros capazes de acatar respeitosamente as decisões legítimas de órgãos de soberania.
Não estou arrependido de ter apoiado Jorge Sampaio. No limite imagino-me a tomar tal posição caso o Presidente violasse a Constituição e colocasse em causa o Estado de Direito.
Quando nele votei sabia que uma situação hipotética como esta não tinha uma solução automática. Nada disso foi posto em causa. Nada disso estava em causa como disse o PS, PSD e o CDS.
Em caso de dúvida num fora-de-jogo beneficia-se o "meu partido” acreditavam os líderes socialistas. Daqui os maus fígados, as promessas de ódio eterno, a quebra de amizades de décadas, as piadolas de Ana Gomes chamando-lhe um presidente de direita. É muito triste ver esta injustiça ser verbalizada - ainda que a quente - por membros do secretariado do PS, secretário-geral incluído.
Um dos aspectos que sempre me atraiu enquanto simpatizante do PS é a capacidade de encontrar por lá gente que em momentos decisivos colocou a avaliação do interesse nacional acima dos interesses partidários. Mário Soares fê-lo em momentos decisivos, enquanto primeiro-ministro, por exemplo.
Felizmente, até hoje, tenho sentido satisfação e orgulho nas decisões tomadas. Hoje não estou satisfeito, mas nem por isso me sinto humilhado.
Dito isto, consigo achar que Jorge Sampaio errou na apreciação que fez do interesse nacional. E errou na apreciação das suas capacidades reais de fiscalização do exercício da actividade governativa.
O novo governo apresentará na assembleia um novo programa. Não será Sampaio a escrevê-lo. Imagine-se que é aprovado e que é substancialmente diferente do anterior. Será esse o único momento razoável para o presidente agir à luz dos valores que privilegiou na decisão que tomou.
Legitimando a Assembleia da República como o fez, estando esse programa sufragado, o Presidente, para se manter coerente, não deverá voltar a pronunciar-se de outra forma que não as utilizadas até aqui: com discursos, com recomendações, com murros na mesa, com um veto mais ou menos esporádico, ponto final. Por isso temo o pior. Ninguém saberá para quem e em nome de quem governará este novo governo e se executará o novo programa. Por isso preferia a responsabilização do eleitorado, preferia que se vincasse a relevância do cumprimento do mandato executivo e a sua supremacia sobre qualquer outro cargo internacional.
Mas também aqui é preciso não perder a perspectiva: o PSD e o CDS/PP, os seus dirigentes, são e serão os principais responsáveis pela governação que vierem a fazer do país ao longo de toda a legislatura. Foram eles que se coligaram, foram eles não defenderam eleições e é também sobre as suas decisões que o eleitorado (particularmente os que os sufragaram favoravelmente em 2001) o deverá julgar. Em última instância resultará da vantagem ou desvantagem percebida para o país que se julgará a bondada da decisão de Jorge Sampaio. Uma má experiência poderá levar-nos a uma nova interpretação do semi-presidencialismo e a uma maior partidarização do exercício do seu poder.
Ferro Rodrigues: por tudo o que passou e se fez passar surgiu por vezes com uma aura de inimputabilidade temporária com a qual íamos convivendo perante a sua forma emotiva de viver a política.
Aos inimputáveis como sabemos não convém que se mantenham em cargos de responsabilidade. A saída neste momento, e desta forma, assumindo uma afronta pessoal feita pelo seu amigo e camarada Jorge Sampaio, lida assim, não enobrece o Partido e terá que ser adicionada a outras atitudes a quente de Ferro Rodrigues no tal estado de "inimputabilidade temporária".
Pelo que já aqui disse e apesar deste tortuoso caminho, aguardo agora com esperança que o partido finalmente encare o seu passado recente e se renove, evoluindo com a sua experiência e afastando, de uma vez, o falso receio da descaracterização ideológica para a qual caminhou de forma veloz quando mais a temeu.
Ao leitor:
Durante o discurso tentei imaginar Pedro Santana Lopes obrigado a pronunciar-se perante matéria idêntica no eventual exercício do cargo de Presidente da República. Lembram-se como era provável este cenário há coisa de um dois meses? Uma Primeiro-Ministro Socialista demitia-se a meio da sua primeira legislatura para assumir funções de Secretária Geral das Nações Unidas. Havia uma maioria parlamentar PS/PL (Partido Liberal entretanto nascido da blogoesfera) que, contudo, perdera de forma significativa umas eleições Europeias... Gostava que o leitor fizesse esse mesmo exercício de substituir os personagens e que o eleitor tomasse o exemplo de Sampaio como referência num dia futuro que se proponha a votos perante um Pedro Santana Lopes look-alike.
Não por concordar com a sua decisão mas pela lição dos compromissos que não se podem invocar no supremo interesse da nação aprecio a externalidade positiva deste exemplo de Sampaio.
Uma última nota:
Com este precedente, com a atitude de Durão Barroso e de Sampaio, e apesar do crescente culto da personalidade do líder durante as campanhas eleitorais, a ignorância que temos em relação a tantos deputados e ao seu trabalho e a absoluta nulidade política que tantos outros “demonstram” no parlamento e no interior dos seus próprios partidos, valoriza-se como problema. Ao cuidado de um partido que se digne.
P.S.: Desde já me ofereço para que a malta de esquerda possa fazer a catarse um pouco às minhas custas, apesar da profunda desilusão que me acompanhou desde que ouvi hoje Jorge Sampaio. Quanto mais depressa passar o estado depressivo melhor. Há muito trabalho pela frente minha gente!
Ao cuidado do senhor presidente e da sua tomada de decisão, seguem mais alguns dados importantes:
Segundo o calendário de mesa inspirado pela santa madre igreja católica apostólica romana, hoje, dia 9 de Julho é dia de Santo Anjo Custódio de Portugal, amanhã será dia de Santa Felicidade e seus sete filhos mártires e no Domingo temos o santo dia de São Pio I, Papa.
Ficaremos sob custódia, felizes ou... sem Pio?
(Juro! Ide procurar num qualquer bloco chic perto de vós.
Banda sonora inspiradora deste post: O Fantasma da Ópera ... "poor fool he makes me laugh, ha, ha, ha, ha, ha...")
Uns dizem agora que até gostava de um Santana (+ Paulo Portas) primeiro-ministro para nos vacinarmos do populismo, mas o reverso também se pode ler: um Ferro Rodrigues (+ Louça) primeiro-ministro para nos vacinarmos "daquele" PS.
Vacinas? Umas têm taxas de eficácia mínimas, outras podem até propagar a doença em quem não esteja vacinado. Ná! Problematizemos a coisa de outra forma se faz favor. A História assim o recomenda.
Sobre o país político:
A norte da Estrela temos uma vasta zona em tons "laranja", a sul predominam os bastiões rosa. Porquê esta diferença "sociológica"?
Será culpa da Senhora do Almortão das terras da Idanha?
(...)
Senhora do Almurtão
Quem vos varreu a capela?
Foram as moças d'Idanha
Com raminhos de marcela.
Olha a laranjinha
Que caiu, caiu
Num rigato d'água,
Nunca mais se viu.
Nunca mais se viu,
Nem se torna a veri
Cravos à janela,
Rosas a nasceri…
Meia notícia:
A instabilidade política promovida pelo Presidente da República Português Jorge Branco Sampaio a pretexto da assumpção assunção do cargo de Presidente Designado da Comissão Europeia por parte de José Manuel Barroso - deputado eleito da Assembleia da República Portuguesa - vem sendo acomodada com sucessivos ataques de pânico pelos investidores bolsistas a operar em Portugal.
Esta inegável realidade pode ser atestada pelo estudo do índice PSI 20 que registou quebras significativas nos últimos 10 dias.
A constatação aqui evidenciada mais não faz que confirmar as piores expectativas do patronato português e do deputado europeu Miguel Frasquinho publicadas recentemente junto da imprensa generalista e especializada daquele país.
Mais meia notícia:
No mesmo período, aliás, as ondas de choque da nomeação de José Barroso (e consequente abandono da vida política nacional) têm-se feito sentir em quase todos os mercados financeiros internacionais, nomeadamente em Nova York (Dow Jones), Paris (CAC 40), Londres (FTSE 100), Tóquio (Nikkei), Frankfurt (Dax).
Uma das raras excepções vem de Espanha com o IBEX 35 a recuperar no dia de hoje. Os analistas estão ainda a tentar descortinar os motivos por este não alinhamento espanhol com o generalizado pessimismo provocado pela instabilidade política induzida pela Presidência da República Portuguesa.
Para uma análise gráfica detalhada recomenda-se a consulta do Portal da Bolsa.
(Post inspirado nesta sugestão de Leitura do Bloguítica)
Agora é o Bloco de Esquerda a desmentir o Público...
Comunicado do Bloco de Esquerda recebido por e-mail:
Bloco desmente manchete do “Público”
1. Face à manchete e notícia do Público de hoje ("Bloco garante a Sampaio que assegura maioria de esquerda"), o gabinete de imprensa do Bloco emitiu um comunicado desmentindo aquela informação e esclarecendo que esta não tem correspondência com a conversa que ontem se realizou entre uma delegação do Bloco e o Presidente da República.
2. A notícia é tanto mais abusiva quanto o Bloco sempre manteve e manterá o critério de só aprovar leis e iniciativas no parlamento que conheça e que correspondam aos seus compromissos políticos estabelecidos em eleições. Por isso, não aprovará Orçamentos que não correspondam às necessidades sociais urgentes no país, procedendo sempre no futuro do mesmo modo que procedeu durante os governos Guterres ou Durão Barroso.
3. O Bloco tem defendido a necessidade de convocação de eleições antecipadas como o único processo de clarificação com base na democracia, e opõe-se a qualquer confusão que se interponha em relação a esse objectivo. Nessas eleições, o Bloco apresentará a sua candidatura com base nas suas próprias respostas e propostas de alternativa para resolver a crise que o país está a viver.
O insulto maior destes últimos dias não se faz ao presidente, faz-se a quem se deveria sentir representado.
Há uma realidade que, mais que não seja a história, se encarregará de consolidar:
com a interrupção do mandato para assumir funções de presidente da Comissão Europeia por parte do Primeiro Ministro em exercício, a crescentemente abalada crença nas capacidades da democracia representativa perdeu mais alguns adeptos. Objectivamente, houve quem votasse em Durão Barroso e também muito objectivamente hoje não aceita, não compreende, os motivos para a quebra do contrato. À minha conta conheço mais que um concidadão com esta posição e em sua defesa ele apresenta-me o que viu, ouviu e percebeu em campanha. Não preciso ouvir o Bloco de Esquerda para saber isso, não é preciso empacotar esta realidade com a embalagem de quem vende detergentes. É algo que se vê e ouve entre quem tem amigos que ainda acreditam. O carácter concreto e inegável deste sentimento que existe em alguns eleitores resiste à "partidarização", à menorização que se tenta atribuir ao ditado na boca do "inimigo".
Sim, continuo a achar que a melhor opção para nós, neste momento, é convocar eleições mas estou absolutamente enjoado com tanto empenho em manipular, em dramatizar, em "respeitar insultando" de que José Manuel Barroso foi o expoente máximo com a ida para a Comissão Europeia. Apenas o pragmatismo perante o facto consumado me permite dar-lhe os parabéns e desejar-lhe felicidades. (Que ganharia eu ou qualquer um de nós com o seu fracasso?)
Mas, embora os motivos do enjoo venham essencialmente da direita, também os encontro na "minha" esquerda. Antes fosse a paixão pela política, pelas tão mal baratadas "convicções", o motivo dos exageros.
Tudo o que havia para ser dito já o foi, agora mastigamo-nos e mais uma vez ficamo-nos no acessório e a construir bons motivos para não votar, para não acreditar, para desdemocratizar. Todos somos empurrados pela gravidade.
Tantos e tantos políticos continuam a falar exclusivamente para os tolos que lhes povoam a imagem que têm do eleitorado, do povo português. Tantos que existem e se definem para essa "média". E digo média, que não para o Centro, pois esses posicionamentos já pressupõe assumir um mínimo de pensamento estruturado no eleitor.
Assim caminhando, um destes dias já ninguém saberá perceber o que se passa, o que está errado e aí voltaremos a perder... Perderemos tudo no dia seguinte, sempre um dia tarde demais.
(acho que vou ali comprar mais beijinhos das caldas e já venho)
Este poderia ser o lema do Adufe: Some posts a day keep the doctor away! Não quer isto dizer que se tratem sempre de posts caseirinhos. Não há nada como olhar o largo horizonte do cimo de uma falécia. Ó mar, ó mar!
Ora espreitem lá o excerto da primeiríssima edição do Mar Salgado intitulada ""Os peixes do Mar Salgado":
"(...) O que talvez já não saibam é que o nome Rémora vem do latim remoramen, remoraminis, que significa atraso, impedimento, porquanto se acreditava que estes simpáticos peixes atrasavam o andamento dos barcos ao colarem-se ao respectivo casco. Com efeito, a particularidade da Rémora, que nos traz aqui hoje, é a sua famigerada ventosa dorsal, que lhe permite aderir aos navios, mas também a cetáceos e peixes de grande porte, entre os quais se contam o tubarão e o mero. Quando ainda é jovem, adere com facilidade a peixes de tamanho mais modesto, como a corvina e o cherne.
Uma vez colada ao hospedeiro, não mais o larga até encontrar alimento ou outro hospedeiro mais conveniente. De nada serve ao "senhorio" procurar libertar-se dela, pois não consegue chegar-lhe com a boca nem sacudi-la com a velocidade, dada a prodigiosa tenacidade da ventosa. Daí o velho ditado chinês "a rémora, não o cherne que a leva, diz quando acaba a viagem".
E pronto. Assim termina o primeiro post da série "Os peixes do Mar Salgado", que, muito provavelmente, continuará em breve com um post sobre o peixe-palhaço."
in Mar Salgado
No skin for the rémoras!
Há um país que é reconhecido historicamente como o principal impulsionador do desenvolvimento da capacidade nuclear israelita. Qual desempenhou esse papel singular num momento decisivo?
1. E.U.A.
2. França
3. Reino Unido
4. URSS
5. China
6. Alemanha
7. Africa do Sul
8. India
9. Espanha
10. Turquia
11. Brasil
12. Japão
"For us democracy is a question of human dignity. And human dignity is political freedom, the right to freely express opinion and the right to be allowed to criticise and form opinions.
Human dignity is the right to health, work, education and social welfare.
Human dignity is the right and the practical possibility to shape the future with others.
These rights, the rights of democracy, are not reserved for a select group within society, they are the rights of all the people."
Olof Palme
(...)But there are signs that the Reagan-Thatcher era is ending and that the pendulum will swing the other way. Many recent problems have tended to come from the lack of sufficient state oversight, as with the Enron, WorldCom and other auditing scandals, or the privatisations of railways in Britain or electricity in California. The easy gains from privatisation and deregulation have long since been achieved.
(...)
It is perhaps in light of experiences like these that Milton Friedman, dean of free-market economists, said a couple of years ago that his advice to former socialist countries 10 years earlier had been to 'privatise, privatise, privatise.' 'But I was wrong,' he added. 'It turns out that the rule of law is probably more basic than privatisation.' The cost of learning this lesson was high.
Francis Fukuyama (e Milton Friedman) no Guardian, defendendo algum reforço da regulação estatal.
Texto descoberto via Cruzes Canhoto!
Já não bastava a final do ontem... Temos agora este "afinal" estrondoso. Um assomo de bom senso dos gurus do liberalismo, ainda que, como sempre, demasiado simplificador.
Algures pelo meio temos a virtude, o problema - que leva muita gente de direita e de esquerda a manter-se relutantemente no seu bastião extremado muito bem definido - é que não há um mapa inequívoco para se chegar ao bom caminho. Vamos tendo umas pistas mas para já e aí sim, sem margem para dúvida, sabemos (sabemos?) apenas que não há soluções óptimas, daquelas que se conseguem arrumar bem arrumadinhas e formalizar em causas e efeitos de fácil previsão ou em soluções científicas globais.
Um bico de obra para os que fazem do querer e de oferecer promessas "basta adicionar água" a sua exclusiva forma de sobrevivência.
Há homens bons e há homens maus, mas geralmente somos assim, assim.
Enquanto houver homens honestos que se interrogam a coisa vai.
Começou na Bélgica, migrou para Portugal. Comemora hoje o primeiro aniversário um dos melhores perguntadeiros da blogoesfera e um absoluto fã de política - não fosse também o seu ofício académico.
Via alinhando por uma esquerda moderada e curiosamente é entre quem mais facilmente dispara no gatilho contra outrém que vai fazendo menos fãs.
Um facto que só o enaltece diga-se de passagem.
Polémicas? Sempre pronto! Também por lá encontramos uns salppicos inequívocos de humildade quando o erro espreita.
Quem por aqui passa sabe que tenho o Bloguítica como um dos mais interessante blogues individuais da blogoesfera política.
Por cá continuarei interessado leitor e já agora dedicado assessor de imprensa do melhor candidato à presidência da república que temos na blogoesfera :-))Parabéns, Paulo Gorjão. É para continuar!
Uma outra imagem que não tem passado; com pouco tutano, é certo, mas fica o teaser: Economista Manuel Pinho em entrevista - O PS tem quadros de grande "calibre intelectual" para formar governo
Queremos saber mais e havendo eleições, com carácter de urgência.
Temos um padrão... Só não sei quem é que tem a classificação errada: será o Adufe um blogue de direita, o Aviz um blogue de esquerda ou... antes pelo contrário?! Talvez tenhamos um novo clube: Pain-in-the-ass-club-Band! Who's arse? Go figure!
Aviz:
"(...) O país não precisa de estabilidade: precisa de clarificação. Seria importante saber se o PS multiplicaria a criação de fundações dependentes dos dinheiros públicos, o que propõe para a função pública, como vai lidar com as metas impostas pela União em relação ao défice, o que vai propor em matéria de endividamento das autarquias e do sector público, com que dinheiro pensa fomentar a política de investigação e do ensino superior, que política vai seguir quanto às propinas, o que pensa da rede de transportes e da armazenagem de clientela em institutos e departamentos estatais. Tal como é importante saber como vai ser, exactamente, a sua política externa, embora isso me importe menos do que saber o que pensa sobre a reforma do ensino ou os programas de ensino do Português, ou o que vai fazer acerca do endividamento das regiões autónomas. Coisas concretas. A banalização doentia da contestação e do discurso rezinga exige, agora, posições claras e confronto. Se isto acontece apenas dois anos depois de eleições legislativas, a culpa é de quem deixou a situação chegar a este ponto, sendo que a saída de Barroso é apenas um pretexto. O país não precisa de estabilidade – precisa de respiração e de alívio, e de corrigir erros e de tomar fôlego: está crispado e desconfiado, inquinado por falsos debates e pela vulgaridade dos seus políticos. Eleições não resolvem isso, toda a gente sabe – mas ajuda a eliminar uma série de dúvidas. "
Adufe:
"(...) Entretanto, aconteça o que acontecer apetece ir perguntando ao PS qual a política fiscal que pretende ver implementada quando for governo: até onde admite uma simplificação da legislação fiscal com a redução de isenções e de benefícios fiscais a empresários e cidadão singulares? Como pretende combater a evasão fiscal e aumentar a equidade do regime actual?
Que atitude tomará perante "as reformas" em implementação na Saúde? Que alternativas? Como financiar o défice das empresas públicas de transportes colectivos? Há alguma reforma em curso que apadrinhe e desenvolva? Que propostas para a reforma do sistema eleitoral? Perguntas só para chatear..."
No meio de partidas e redescobertas, o homem pequenino que um dia vi a descer a Rua do Quelhas entre dois calmeirões mais altos do que eu, regressa.
Nem sebastião, nem pagador de promessas, nem sequer filho pródigo pois que nunca enjeitou "o pai", antes o foi servir cobrindo-o(-se) de admiração.
Resolveu-se a arregaçar as mangas:
ANTÓNIO Vitorino vai reocupar o seu lugar na Comissão Política do PS no próximo dia 1 de Novembro e não exclui a hipótese de disputar a liderança do PS no congresso agendado para o final do ano. «A essa questão responderei no dia 1 de Novembro», disse o ainda comissário europeu em entrevista ao EXPRESSO.
Que lhe sobre o tempo e a arte para ser mais do que um nome e para arrancar da inteligência bons projectos para o país. É muito bom para o partido socialista ter por lá homens assim, daqueles raros que é dificil manchar com libelo da incompetência. É também uma responsabilidade acrescida para aqueles que como eu clamavam por uma janela aberta, melhores ares.
Espero um excelente tónico e que venham depois as sinergia em torno do polo que faltava.
«Ah, se ela dissesse "Perdoa-me!"...»
«E se eu dissesse que ela disse "Perdoa-me Durão"?»
«E se os jornalistas dissessem que ela lhe tinha pedido "Perdão"?»
Ah, os assessores... Definitivamente um amor-partido.
Amar um partido... "o meu amor ao partido".
Amor-partido. Um bom partido? Não, um partido. Amar um. Por amor a um. Partido.
O que diria o professor Carlos Amaral Dias desta confissão (confusão)?
Já não basta o stress da cada novo jogo da selecção e ainda temos de ir aguentando as consultas do nosso PR, às pinguinhas. Ele lá sabe o que faz, dir-me-ão. Mas uma semana (duas!) para consultas...
Esperamos pelo fim do euro pelos vistos.
O gajo impulsivo que há em mim acha que tudo isto é um luxo mas vou já mandá-lo calar, a bem da estabilidade.

Ó Cat, se não quiseres contar histórias de dragões ao petiz, podes sempre contar-lhe a fabulosa "CRÓNICA DA FALÊNCIA ANUNCIADA DE UMA MERCEARIA DE BAIRRO"
Até tem bonecos!
Que tal?
Ao Luís e ao Vale do Soure que comentaram três posts abaixo.
Não há ninguém no PS interessado em fazer o aggiornamento face à última experiência governativa ou todos acham que foi excelente?
Convenceram alguém de o ter feito no congresso de 2002 ou o objectivo era exclusivamente do foro da “vida interna do partido”? Entretanto, já foi feito?
Não, não foi feito. Levou-se a alma com a menor derrota eleitoral de sempre e legitimou-se o status quo interno com o esmagador cartão amarelo ao governo.
Eu fui dos que votou no PS com esperança que agora iríamos conseguir mais serenamente acabar os trabalhos de casa e não é esta crise que deverá desculpar o PS de os fazer caso se vá “já” a votos.
Se calhar é por isso, pela falta real do acto de contrição e interiorização das suas lições, por não se ter usado do adequado bisturi, que é fácil aos “inimigos” do costume fazerem vingar essa sensação de instabilidade interna, utilizando os media que têm ao dispor.
Não é oportuno falar disso? Mas quando é que é? E onde é que é? Matéria reservada a congressistas talvez, ou conselheiros nacionais, não? A militantes?
Não estou por ninguém, até porque poucos criticam (alguns, e até aqui na blogoesfera) mas quase ninguém dá a cara assumindo uma alternativa interna, por isso não se iludam, a crítica está longe de ser feita apenas a Ferro Rodrigues - aliás é só passar por uns post mais abaixo...
A crítica a Ferro, melhor ou pior, está justificada nos textos. Lamento não começar como é da praxe com elogios ao visado para depois passar "ao ataque"; tenho-me poupado a esses maneirismos aqui no blogue, mas reconheço que há mérito no político e não estou certo se será menor do que têm outros que talvez se aproximem mais dos meus alinhamentos políticos... Mas daí a calar-me... Já que ninguém lhe faz oposição lá dentro que se veja cá fora... Confunde-se a minha vós com a dos “inimigos”? Se eu me puser a pensar que manipulação é pior, prefiro aquela que me permite ser mais honesto comigo mesmo.
Era só o que nos faltava não poder fazer a crítica. E de caminho vou vendo que se está mais à vontade para a fazer cá fora.
Pobre do partido que após uma moção aprovada em congresso se tenha de fechar num casulo absoluto. Se as críticas forem disparatadas e frenéticas, "queima-se" quem as fizer (veja-se João Soares), ainda que nem sempre uma queimadela interna esteja em sintonia com uma queimadela externa (veja-se Marcelo Rebelo de Sousa) como nos vai mostrando alguma experiência política. Mas imagine-se que ninguém no momento adequado "se sente" do incómodo perante aquilo que considera uma asneira grosseira da condução política. Quem é que depois, perante um fracasso, tem autoridade para se apresentar como alternativa? Chama-se o especialista de marketing para criar uma alternativa mais de acordo com as novas preferências do eleitorado, talvez…
Os cinzentos políticos mais habituais surgem na imprensa sob a figura da fonte anónima. Em público, predominam as declarações de endeusamento ou diabolização total do líder. Tudo se exacerba quando se quer concordar ou discordar.
Fosse a discussão um hábito e seria diferente. Acho aliás que há demasiada gente a achar “discussão” uma palavra feia, demasiado belicista. Essa é parte do problema.
Restam-nos os Carrilhos, os Alegres e os Soares para alimentar algumas divergências. Que são primas donas, pois então. Resumam-se a comic relief e os danos estão controlados, a bem da imagem de união do partido, não vão dar munições ao “inimigo”. Segue-se depois a dança descabida da traulitada nas jotas, nas distritais, porque ninguém sabe discutir (estou a simplificar mas não fujo muito, pois não?). Porque discutir é afrontar violentamente e com maus fígados, porque debater é para inglês ver. Porque não podemos ser ingénuos, porque o mundo é cão…Pobres de nós. Discutir é ofender.
Talvez sejam primas donas e o resto que recalca o que é? Militantes exemplares?
Não é tarefa fácil liderar, mas um líder de um partido não vale nada se não tentar ser mais do que isso todos os dias. É precisamente este raciocínio que predomina nos partidos que me tem mantido de fora: há uma esfera demasiado vasta para aquilo que se chama solidariedade partidária. E uma reacção demasiado ligeira para assassinar o camarada mais a jeito. Honremos o cliché: duas faces da mesma moeda.
Olha para o parlamento Rui… Se chegarmos ao parlamento então é indescritível o que por lá se passa. Como é que em partidos tão vastos ideologicamente como o PSD e o PS há tamanha comunhão de opiniões entre os eleitos deputados ao longo de centenas ou milhares de votações numa legislatura? É inacreditável que todos os deputados eleitos partilhem conscientemente de uma comunhão absoluta (ou quase) em torno das moções globais, parcelares e do programa eleitoral aprovado em congresso partidário.
A prática parlamentar apresenta-nos a divergência intra-partidária como um resíduo, uma absoluta excepção e oferece-nos como aberrações o caso limiano.
A ideia de que há gente no PS mais próxima de alguns militantes e parlamentares do PSD do que de outros camaradas do seu próprio partido é um mito descabido de sentido? Encontramos nos partidos e na sua lógica de funcionamento uma necessidade de solidariedade tão vasta que dá azo a todo o tipo de cinismos e traficâncias e, claro, ao descrédito dos que se apresentam dotados de inteligência. A lógica do teórico máximo denominador comum formador de grandes partidos substitui-se pela do mínimo denominador comum na acção efectiva possível (onde é que eu já vi isto a funcionar?)
Talvez um dia até me faça de convidado e haja alguém que me aceite, mas por este andar fá-lo-á/fá-lo-ei mais pelo gozo de me ver fazer de bo(m)bo da festa. O que até pode ter a sua piada…
Como diz por aí um spin doctor da blogoesfera em resposta a um seu amigo do Acidental:
"Eu acho que a política não é como o futebol e os partidos não são o nosso clube. A meu ver, o reconhecimento público dos problemas deve ser o ponto de partida para a sua superação e tu pareces pensar que se devem negar os problemas até ao limite.".
Nem a crise política deveria justificar a simplificação de Ferro, nem o silêncio dos que andam à sua volta na cupula interior do partido, mas reconheço que ainda é pedir demasiado. Com tempo a coisa vai…
Abraços e agora vamos à bola.
(Será que com este discurso conseguiria cumprir com os deveres estatutários?)
Dessa ilha que tem sido a referência para Dias Loureiro e para o nosso futuro ex-primeiro-ministro chegam ma(i)s notícias oferecidas pelo pasquim dos cubanos da capital:
"(...)A maioria PSD rejeitou ontem no parlamento madeirense dois votos de protesto contra a suspensão da directora do infantário "O Ilhéu", em Câmara de Lobos, decidida pelo governo regional. A responsável foi suspensa na quinta-feira passada por, na presença de jornalistas que cobriam a visita do secretário do Ambiente, procurar sensibilizar o governante para a falta de condições de segurança física e de higiene das crianças que frequentam o infantário, invadido por ratos em fuga das demolições em curso naquele bairro. (...)
"Indignado com a suspensão", o sindicato sustenta que numa democracia "ninguém deve ser punido por exprimir a sua opinião" e que a suspensão é uma atitude intimidatória que "infelizmente tende a generalizar-se".
In Público
Onde se quer chegar?
Caro Luis (do Tugir),
Não consigo esquecer-me do sublinhado abstruso que Ferro Rodrigues fez na declaração de vitória nas Europeias, algo do género: vou ser candidato a Secretário-geral do Partido Socialista.
Dias depois, talvez percebendo a asneira pois nem os resultados eleitorais nas europeias haviam calado a oposição interna e a insatisfação com a sua liderança, veio dizer-nos que a sua sucessão não era assunto que devesse estar em cima da mesa, neste momento. Mas se foi ele que o trouxe à baila...
Ninguém me convence que a questão da liderança interna do partido socialista está resolvida e atendendo a esta novela protagonizada por Ferro Rodrigues é ele próprio a transmiti-lo ao país e não algum maquiavélico comentador político de aquém ou além blogoesfera. Novela aliás que fez saltar um expectável João Soares e um surpreendente José Lamego para a corrida.
Surge a crise, a união faz a força, "afinal somos do mesmo partido, caramba!" e todos se calam numa reacção em tudo similar à união em torno de Santana Lopes por parte do aparelho de PSD. Afinal é uma oportunidade de ouro para o PS recuperar o poder...
Havia toda a utilidade em resolver a questão do congresso o quanto antes, sem dúvida, mas não assim. Que se lixe o país, a legitimidade, o modo de governar como muito bem diz o Irreflexões numa crítica perfeitamente legítima a que o PS de Ferro Rodrigues se põe a jeito. Alguns excertos:
"(...) Num cenário em que o PR convoque eleições antecipadas - o único que permite ouvir todos os portugueses e não apenas uma mão cheia de luminárias chamadas a Belém por estes dias - Ferro Rodrigues vai a votos sem ter visto a sua situação interna no PS clarificada.
(...) Ferro não quer morrer na praia, o que até é compreensível do ponto de vista pessoal. Sacrificou-se pelo partido, aturou a ressaca do Guterrismo, o caso Casa Pia, e agora, que pode vir a voltar ao poder, ser afastado custava-lhe muito.
Mas isso é um ponto de vista pessoal. É assim como Durão decidir que quer ir para Bruxelas porque é bom para ele. E Portugal? (...)"
Tenho uma ténue esperança - muito pouco sustentada no lastro histórico, confesso - que com políticos coerentes, talvez cultores de uma implacável paciência chinesa, colocada ao serviço do debate e não do calculismo, um dia se venha a valorizar o cumprimento empenhado com a defesa saudável da divergência de orientação política dentro de um partido, fazendo-se do alisamento imperativo das divergências, a excepção e não uma regra vulgarizada.
O compromisso pessoal assim exigido para com os ideais adoptados só poderá valorizar a vida política, enriquecendo o partido e oferecendo alternativas claras ao país. Enaltecendo ainda, em jeito de bónus, as evoluções que cada um, ao longo da sua vida, for fazendo, por evidência clara e pública do percurso palmilhado.
Enfim, idiotices de um leigo.
Não há por aí um psicólogo que explique aquela do José Manuel ex-Durão Barroso?
Foi preciso "ir para a Europa" para percebermos que não gosta de ser Durão, que por cá só o era porque "José Manuel Barroso" era um nome muito frequente! O que vais ser na Europa, Zé Manel? A new man?!
Aqueles jornalista "da Europa" prometem...
... ao LNT: porquê é que Ferro Rodrigues resolveu convocar um congresso para Novembro de 2004?
"(...)A aprovação no congresso de 2004 de um programa para a próxima legislatura constituirá um elemento de ruptura com a prática tradicional dos partidos no nosso país. Será um processo que, sob a direcção do Secretário-Geral, deve ser conduzido em todas as suas fases, desde já, tendo presente o objectivo central e pressupondo que, salvo qualquer alteração da vontade dos socialistas, deve ter continuidade do seu protagonista principal e candidato natural a primeiro-ministro.(...)"
Eduardo Ferro Rodrigues - Moção Fazer Bem pelo Futuro XIII Congresso do Partido Socialista 2002
Com este pequeno detalhe vou encerrar a minha "militância". O que vemos cá fora é que, exceptuando José Lamego, ninguém quer discutir política no PS. Todos atribuem a vitória nas Europeias a Ferro Rodrigues e à sua gestão no partido. Perante esta crise (ou talvez mesmo sem ela!) todos confirmam a sua intenção já afirmada em 2002 de ir a votos nas legislativas na qualidade de candidato a primeiro ministro e suponho que todos lhe dão carta branca dispensando-se de conhecer, aprovar e discutir, em congresso, o programa que o partido apresentará ao país.
Sem interlocutores internos não sou eu que me vou pôr aqui a bater no Adufe...
Mas cá estaremos para apreciar crítica e construtivamente o que por aí vem. Espero sinceramente que Ferro Rodrigues tenha golpe de asa para que nos permita com confiança olhar para os erros do passado como lições para o futuro. Até hoje estou longe de me ter convencido disso e é essencialmente esse o meu engulho com este primeiro-ministro em potência.
Venham as eleições neste pobre país. E que tudo corra pelo menor dos males que cá nos havemos desenrascar, como de costume.
" I was reading about Portugal. I am sorry for Vitorino. In this respect he should focus more in the Portoguese politics and lead the victory of the left to the next election, shouldn't him?"
Wishful thinking, snif...
Já estou como "outro": "pobre país o nosso" caso o que o Paulo afirmou seja verdade (que o PS não antecipará o seu congresso caso haja eleições antecipadas).
José Socrates parece ser definitivamente uma carta fora do baralho (que se enterre de vez no seu calculismo e na defesa dos supremos interesses do partido).
Ninguém mais se chegará à frente?
Continuaremos sempre com o sabor amargo das segundas escolhas ou das escolhas de recurso. Aqui como na Europa. Se assim for é o que merecemos. Depois não nos espantemos com surpresas de difícil digestão como a de Barroso que desta vez calhou ao eleitorado de direita.
Adenda: Declarações de Ferro Rodrigues citada no Expresso on-line:
«Na eventualidade de haver eleições legislativas antecipadas, realizar-se-ão em finais de Setembro ou início de Outubro. Essas circunstâncias só reforçam que o PS não altere os seus calendários internos», apontou o secretário-geral socialista.
Ouvido o futuro (e declarado) ex-Primeiro Ministro:
"E prontos, maneiras qu'é assim!"
Como de costume lá fez a sua cena de terminar o discurso com o oposto do seu início: no respeito pelo papel do Presidente da República. Nada de novo.
Desejo muito boa sorte ao futuro presidente da comissão europeia e que se aproxime mais de Delors do que de Santer.
Sampaio amigo, agora é contigo.
Eu voto pela estabilidade, deixa-nos ir votar!
...o próximo congresso nacional do PS?
Resisto a falar aqui nas avestruzes socialistas até porque a avestruz não enterra a cabeça na areia, encosta os ouvidos ao chão para se aperceber da melhor oportunidade... para fugir do perigo.
Muito provavelmente não poderei ir (também) à manif de hoje - lembram-se do dentista que adiou a consulta para poder ir ver o jogo? Pois...
Há risco de manipulação? De quem? E para quê? Gostei de ver gente que não tinha absolutamente nada a ver com a extrema passar por Belém no Domingo. Foi o aspecto mais significativo que passou pelos media. Algumas pessoas entrevistadas mostraram a sua indignação perante a hipótese de não haver eleições e de verem Pedro Santana Lopes a caminhar para São Bento. O discurso delas não era o dos "profissionais" do PC, nem do Bloco. Eram muita "gente" junta. E aqui que ninguém nos houve acho que esta imagem passou e chegou onde se queria (onde eu, manipulador, queria), que não necessariamente a Belém. Alguém anda neste momento claramente em limitação da avarias e tenho cá para mim que a "singela" manif ajudou um grão de areia, ao menos.
Por outro lado, não me parece que a manif tenham um décimo da ofensividade para com o PR que têm tido as manchetes dos media, com os seus cenários, designação de ministros e afins, por exemplo. A manif tem ainda outra efeito "curioso": pôr os media a olhar para Sampaio, é dele que se espera a solução, não de qualquer outro local.
Como já aqui escrevi, gostei do ponto de ordem feito por Jorge Sampaio, inspirou-nos confiança numa solução não-palaciana e deu-nos alguma esperança de que fará acima de tudo uma interpretação política da situação como lhe compete a meio de uma legislatura.
Mas, dito isto, não me choca nada que se escolham os jardins de Belém para exteriorizarmos a emoção e a vontade que sentimos em muito justificadamente pedirmos eleições antecipadas. Havendo serenidade, parece-me um bom exercício, uma boa catarse, tanto mais eficaz quanto mais genuína. Não é o meio que faz o populismo...
O Irreflexões acaba de editar uma Carta aberta ao Presidente da República com a qual me identifico largamente. Aqui se faz eco da dita:
«Carta aberta ao Presidente Jorge Sampaio
Senhor Presidente,
Sabemos os dois, eu que o elegi e o senhor que foi eleito, que o Presidente da República é o garante último da democracia, da liberdade e da normalidade democrática.
A situação criada pela prevista demissão do Dr. Durão Barroso afecta, sucessivamente, por ordem inversa, todas aquelas realidades de que V. Exa. é garante.
Afecta a normalidade democrática porque os Governos são eleitos para 4 anos e não para o tempo que lhes apetecer.
Afecta a liberdade na medida em que se tenta impor um Primeiro Ministro em que os portugueses não votaram e que ninguém sabe se querem.
Afecta a democracia na medida em que o novo líder do PSD e Primeiro Ministro é escolhido em cortes restritas, na S. Caetano à Lapa, contra a vontade de uma parte, cuja dimensão se desconhece, do seu próprio partido.
Ora as eleições, em democracia, devem revestir um carácter de normalidade e não serem apodadas de desestabilizadoras.
V. Exa. pode, com simplicidade, determinar o seguinte:
1) A chefia do Governo é interinamente assegurada pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite;
2) O Parlamento é dissolvido antes do inicio da sessão legislativa (em Setembro);
3) O Governo cai;
4) Em Setembro realizam-se eleições e o novo parlamento começa a funcionar no momento em que se inicia a nova sessão legislativa;
5) Até essa data os partidos têm tempo de, internamente, escolherem de entre os seus militantes áqueles que devem liderar a candidatura à formação de Governo;
6) Consoante o resultado das eleições V. Exa. poderá dar posse a um Governo saneado, arejado, legitimado.
Nada de muito complicado, como vê.»
Com maior ou menor clareza de voz, listam-se alguns nomes a reter da "esquerdalha portuguesa" - a outra "manifestação":
Francisco Sarsfield Cabral
José Manuel Fernandes
José Pacheco Pereira
Macário Correia
Manuela Ferreira Leite
Marcelo Rebelo de Sousa
Marques Mendes
Miguel Cadilhe
Miguel Veiga
Vasco Graça Moura
(em actualização)
Conforme prometido o Paulo oferece-nos onde colocar o repositório de opiniões sobre a crise política recente. Ficam as indicações:
CPeC - Crise Política em Curso
Blog agregador de entradas sobre a situação política em PortugalPara constar desta lista basta, por cada post acerca desta temática, enviar um ping ao endereço
http://crisepoliticaemcurso.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/596.
Os trackback pings podem ser enviados em qualquer altura, mesmo dias depois do postter sido publicado. A data constante na lista é a de entrada neste sistema e não a do post listado.
Quantos deputados do PSD - a maioria legitimadora de um eventual futuro governo - já se pronunciaram quanto à crise política? Ouvi Guilherme Silva... Ajudem-me, quem mais?!
Ouvi depois, muito depois, o porta-voz de um órgão político nacional do PSD (Pedro Santana Lopes) fazer um voto de silêncio vinculando o raciocínio de todo o partido à opinião do todo silencioso presidente do partido e primeiro-ministro.
Não há política neste país?
Quanto à respectiva aplicável ao PS, leiam o Paulo Gorjão que eu não tenho mais nada a acrescentar.
Voltando ao post anterior, acho que não é inevitável a "americanização" formal do modelo político português, e não estou nada convencido da sua adequabilidade para o nosso País, mas admito discuti-la. Não me parece que esta discussão seja sequer ideológica como alguns defendem. Mas anterior a qualquer discussão construtiva nessa matéria temos este outro problema de base que inviabilizará qualquer modelo. O do calculismo, do hermetismo, o de deixar todo o espaço para o populista esse sim simplificador, catalogador compulsivo, e nenhum para o espírito crítico, para a discussão.
Quem fala claro nem sempre tem razão mas corre o sério risco de ser ouvido e convencer o outro e isso em democracia tem todo o valor.
De que têm medo os políticos portugueses? Perdoem-me a generalização e/ou defendam-se do meu populismo!
O texto de Jorge Candeias (excerto no post anterior) remete-nos para uma questão que julgo pertinente.
Atendendo ao nosso sistema eleitoral e à forma como é vivido, constatamos que têm crescido as divergências entre a matéria de facto e a de jure, digamos assim.
Estamos caminhando em direcção à fulanização ao nível da escolha do poder executivo com os partidos e o respectivo programa a serem essencialmente o seu líder do momento ao ponto da identificação ultrapassar a "simples" representação conjuntural em jeito de porta-voz. É também por isso que choca muita gente imaginar outro primeiro-ministro que não Durão Barroso nesta situação concreta. Tanto mais chocante quanto mais distante a hipótese se afastar da imagem e dos ideais (e ideias) personificadas por Barroso é certo... mas ainda assim sempre constituindo uma ruptura chocante.
A continuarmos esta caminhada no sentido da simplificação via "figura de proa" e com o previsível incremento do desfasamento face ao que está estabelecido pela constituição, as situações de conflito e incompreensão agravar-se-ão também. Se considerarmos inevitável - nós, os media e os partidos - a atracção por este modelo, mais vale pensarmos seriamente numa mudança do sistema político português separando claramente e eleição do poder legislativo do executivo, remodelando consequentemente o próprio regime semi-presidencialista. Seguindo o rumo actual (que não considero apesar de tudo uma inevitabilidade!) provaremos a falência do modelo político vigente na constituição. Quanto mais cedo nos esclarecermos melhor para todos nós.
(post para memória futura)
A não perder esta prosa de Jorge Candeias no BdE II sobre o PORQUE DEVE E NÃO DEVE HAVER ELEIÇÕES. Recomendo a todos os leitores do Adufe, sejam eles de esquerda de direita ou assim assim. "Os barretes" cabem a todos, retiremos as lições. Um excerto:
"(...)Quando se vota em eleições gerais não se elege um governo e muito menos se elege um primeiro-ministro: elege-se um parlamento. Elegem-se deputados. E é desse parlamento e da correlação de forças entre os deputados que saem os governos, com a escolha do primeiro-ministro a ser responsabilidade directa do Presidente da República. E não há nada que obrigue o PR a escolher como primeiro-ministro o líder do partido com mais deputados: na situação hipotética de só haver maiorias relativas, de ser possível a formação de uma coligação estável entre dois partidos menos votados e não ser possível estabelecer um governo estável com o partido mais votado, é conveniente que o PR não convide o presidente do partido mais votado a formar governo. É assim que o nosso sistema funciona.
Mas ninguém respeita o nosso sistema. E por isso, durante as campanhas eleitorais, e mesmo fora delas, somos submersos por uma campanha maciça que fala de noções inexistentes à luz da constituição como "candidato a primeiro-ministro" ou "líder da oposição", responsabilidade quer da tendência que os media têm para a simplificação mentecapta, quer de uma estratégia deliberada dos dois maiores partidos para concentrar em si todas as atenções e menorizar todas as outras forças.
É por causa desta campanha desonesta que deve agora haver eleições.(...)"
A eventual manif de amanhã já tem pelo menos quatro lemas:
O do SMS:
Todos a Belém no domingo às 19 horas contra santana lopes primeiro-ministro! Abaixo um governo da treta! Envia este sms a toda a gente já!.
O do Rui Tavares:
VADE RETRO, Santanás!
O do Ivan Nunes:
Manifestação domingo às 19 horas junto ao Palácio de Belém para pressionar este Presidente da República (...) a não aceitar a mudança de governo sem eleições antecipadas.
E este que já é da reacção ingénua:
Manif: Não "contra Santana Lopes" ou contra "o governo de treta", apenas para mostrar a Sampaio que estamos com ele. Esperemos que ele esteja connosco e que nos leve a eleições.
"Abre-se" o Público on-line e a colagem é simples e eficaz, ganhou o SMS.
É quase meia noite e ainda não há fumo branco... Imaginem por um momento que depois deste filme Durão ficava...
O Paulo Querido sugere uma petição, eu por mim alinhava mais no blogue que reunisse as opiniões sobre esta crise como também sugere o Paulo...
Não haveria por aí quem fizesse chegar o link ao presidente?
Era um pretexto para espreitar a blogoesfera se é que não a conhece já.
Imperdíveis os "penaltis" entre o CAA e o João Miranda no Blasfémias...
E já agora uma passagem pelo Abrupto.
Conspiração.
Aguardemos a resposta...
Visto de Inglaterra aqui e aqui
Olhar espanhol e outro
Na França...
E já agora na Alemanhã.
E na Irlanda
Gostei de ouvir as palavras de Jorge Sampaio hoje em Viseu. Atendendo às circunstâncias, à ausência de matéria definitiva e perante o frenesim informativo e a ansiedade que também vai passando aqui pelos blogues, cabia a Jorge Sampaio recordar quem é o "Presidente da Junta". Espero que seja bom augúrio para o que aí pode vir.
Entretanto, considerando aos cenários mais falados, convém ir formando uma opinião. Não me choca mesmo nada se se confirmar a queda do governo que a malta vá passear até Belém amanhã por volta das 19 horas se entretanto não houver mais notícias de Belém. Não "contra Santana Lopes" ou contra "o governo de treta", apenas para mostrar a Sampaio que estamos com ele. Esperemos que ele esteja connosco e que nos leve a eleições. Há boas razões para uma saudável convergência nesse anseio relativamente transversal aos eleitores de várias cores políticas.
Entretanto, aconteça o que acontecer apetece ir perguntando ao PS qual a política fiscal que pretende ver implementada quando for governo: até onde admite uma simplificação da legislação fiscal com a redução de isenções e de benefícios fiscais a empresários e cidadão singulares? Como pretende combater a evasão fiscal e aumentar a equidade do regime actual?
Que atitude tomará perante "as reformas" em implementação na Saúde? Que alternativas? Como financiar o défice das empresas públicas de transportes colectivos? Há alguma reforma em curso que apadrinhe e desenvolva? Que propostas para a reforma do sistema eleitoral? Perguntas só para chatear...
Se isto é respeitar a legitimidade democrática não sei o que é um golpe palaciano.
"(...)Ao chegar a primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes quererá fazer uma remodelação profunda do Governo, sendo provável a saída de Manuela Ferreira Leite da pasta das Finanças. Segundo alguns dirigentes sociais-democratas, o agora autarca de Lisboa, que sucederá a Durão Barroso, vai querer fazer um Governo quase novo.(...)" in Público Última Hora
Foi para isto que votaste no PSD em 2001?
Temos uma coligação sólida, sufragada enquanto tal, constituída por figuras políticas fortes, altamente identificadas com um projecto homogéneo e determinado na governação do país? Eu digo que não, mas podem assobiar para o ar e discordar, naturalmente. Contudo existem mais argumentos em defesa de eleições antecipadas.
Aquele que chamam agora o número dois do partido foi o principal opositor à linha política que venceu o congresso do PSD, que designou o candidato a Primeiro Ministro e que determinou o programa de governo. O número dois do PSD não está sequer no governo, vai ser ele agora a respeitar o programa eleitoral de 2002? Alguém acredita que perante a perspectiva de ir a eleições e perder o poder os deputados da maioria vão votar no parlamento de acordo com o interesse nacional e de acordo com as premissas políticas (ideias, projectos, compromissos assumidos) que os levaram ao parlamento? Respeitaram a vontade dos órgãos internos dos partidos que venham agora a ser tomadas e não os compromissos porque foram eleitos. Com este regime político, com estes deputados e com a "disciplina partidária" o parlamento sustenta muito mal em situações anormais o elan de legitimidade que deveria ter durante a legislatura.
Pedro Santana Lopes pode ser agora legitimado pela estrutura do partido, mas está legitimado democraticamente? Conseguirá fazer mais do que gestão corrente nos 21 meses de legislatura que faltam? Os resultados de 2002 teriam sido os mesmo com Santana Lopes versus Ferro Rodrigues? Admitamos que a haver nomeação de um novo Primeiro Ministro não será Santana Lopes, nem Alberto João Jardim (porque não?).
Pois é, elegemos deputados mas em momentos absolutamente singulares (passou pela cabeça de alguém quando foi votar a perspectiva de estar a votar num programa/primeiro ministro para meia legislatura?) o Presidente da República deve avaliar objectivamente o que é melhor para a governação do país. A eventual saída do Primeiro Ministro no contexto actual - segunda metade da legislatura, forte impopularidade do governo, publicas e crescentes divergências entre os membros da coligação, elevada probabilidade de uma significativa remodelação a curto prazo - e a tentativa de levar a legislatura até ao fim não oferece garantias absolutamente nenhumas de governabilidade.
É sobre este diagnóstico que o PR deve decidir o que fazer. Admito que noutro contexto perante uma saída do PM a sua decisão pudesse ser outra. Por definição, deve-se defender o cumprimento da legislatura, um princípio que deve tentar pautar a actuação do Primeiro Ministro e do Presidente da República, mas não a todo o custo ou em todas as condições. Também para isso temos um regime semi-presidencialista onde temos um órgão de estado uninominal efectivamente eleito pelos portugueses.
Nestas condições parece-me obviamente mais vantajosa a ida a eleições para termos, de facto, a legitimação inequívoca e objectivamente necessária de um começo ou recomeço. Sendo uma tarefa difícil, havendo engenho e arte - já aqui disse por diversas vezes que o PS já deveria ter avançado para a consolidação da sua proposta de governo - e com inequívoca determinação, os partidos políticos têm condições de a tempo de eleições (que poderão ser marcadas dentro de alguns meses - Outubro?) apresentar alternativas de governação.
Eu quero ser ouvido.
"Politicians should came out of the closet like gay people"
Jon Stewart a Larry King na CNN
Para variar António José Teixeira soa-me a voz mais sábia e ponderada na análise política nacional. Hoje na Sic-Notícias. Se tenho líder de opinião é aquele senhor. Ah! Mas isto não se deve dizer, pois não? É quase tão mau como dizer que vou ler pela primeira vez Proust ou Camus em vez de falar em releitura, não é?
A provável demissão de Durão Barroso para assumir a presidência da União Europeia foi notícia que teve hoje honras de abertura e de directos nos noticiários da RTP-TV. E isto, em pleno Euro 2004, é notícia! Particularmente significativa se atentarmos a que José Alberto Carvalho se DESCULPOU com a implacabilidade da notícia para justificar um directo do Paláccio de São Bento que veio interromper uma sequência de peças sobre o Euro.
De memória: quando Guterres se demitiu haveria gente disponível no PS para assumir a liderança do executivo? Sei apenas que fomos a eleições a meio da legislatura...
Não sei se será a melhor opção, mas objectivamente, na eventualidade da queda do governo, este presidente tem pouca margem de manobra para fazer outra coisa que não seja convocar eleições gerais. A menos que Ferro Rodrigues não queira.
P.S.1: Eu trocava o Vitorino para cá pelo Durão Barroso para lá. Pode ser?
P.S.2: Por favor. Resistam a chamar cobarde a Durão Barroso caso se concretize a saída para Bruxelas. Deixem cada um avaliar por si. Elevação, meus caros e alguma confiança no espírito crítico do povão. Só um niquinho.
Aproveito uma singela frase do JHP do Glória Fácil para regressar à dita:
"Durão Elogiou a "remodelação" que Scolari fez na equipa do primeiro jogo para o segundo. Pois..."
Pois...
"curioso, muito curioso, é o silêncio do PSD sobre este assunto." diz-nos o JMorgadoF no Terras do Nunca a propósito das contas eleitorais de Telmo Correia.
Cá para mim o "PSD" juntou Telmo Correia e Pires de Lima no mesmo saco que Alberto João Jardim quanto ao tipo de réplica a dar às respectivas verborreias. Uma perigosa confusão a meu ver, mas enfim.
Pelo caminho e perante tamanha surdez permito-me frases destas:
A retaguarda dos dois maiores partidos portugueses está cheia de calculistas. Tão calculistas que duvido que também eles arranjem tempo para pensar num rumo político para o executivo do país. Um grande aplauso para as honrosas excepções nas pessoas de José Lamego e de João Soares. Mais ninguém se chega à frente? Está na hora de ir começando a esticar o pescoço... Em ambos os partidos. A malta agradece. A sério.
Um dia teria de ser! Passo a citar uma declaração de um famoso bloguer com a qual concordo em absoluto. A partir de hoje tudo será diferente?
O mercado nunca é perfeito. As pessoas não são perfeitas. Os governos não são perfeitos. A democracia não é perfeita. A regulação não é perfeita. A política é a arte imperfeita de escolher a menos má das coisas imperfeitas.
Por João Miranda, aqui (nos comentários).
Para já, é a síntese possível caro Américo.
Ó Telmo, por acaso lembraste-te de contar os votos de emigrantes? É que só são escrutinados hoje.... Vê lá não percas um deputado...
Imaginem que amanhã de manhã perante o apuramento de mais estes 14 mil votos, temos o Miguel Relvas em conferência de imprensa a contestar os números de Telmo Correia: o 9º deputado devia ser nosso!
Dedico este post ao João Miranda e a todos os venenosos comentaristas que lhe deixaram mensagens neste post. Passar bem!
Adenda: ó Miguel, ó Miguel! Tu está calado que os votos das europeias afinal não chegam! O melhor mesmo é pores o partido a propor uma alteração à lei dos partidos assim do género: nenhum partido pode concorrer coligado a mais do que um acto eleitoral consecutivo sob pena de não se provar a sua representatividade específica. É claro que se a cada novo acto eleitoral arranjarem as assinatura suficentes podem sempre refundar os partidos coligados a cada novo escrutínio. Que tal?
Caro Telmo Correia, deixo-lhe esta singela pergunta:
Quantos dos votos do PS terão sido também em Ferro Rodrigues?
Agradeço-lhe desde já o seu douto parecer.
À cerca da discriminação via declaração fiscal dos preços dos passes sociais:
E se um espanhol residente em Espanha quiser comprar um passe social em Lisboa? Vamos lhe pedir a declaração fiscal? A união Europeia permite discriminá-lo negativamente, à priori?
E porque só nos passes? Os bilhetes pré-comprados e diários não são porventura finaciados pelo Estado? Toca a usar o chip do cartão de contribuinte para termos preços à medida da declaração fiscal.
Já agora, as senhas do passes vão ser às cores de acordo com a declaração dos rendimentos?
Se eu apanhar um conhecidíssimo advogado da praça no autocarro (no 42 a caminho do palácio da justiça como já me aconteceu!) posso dar-lhe um enxerto de porrada, carregado de indignação cívica, se topar que o tipo tem um passe de pobre? (É por aqui que eu acho que esta medida é um encapotamento da verdadeira, genuína e única reforma da tributação fiscal promovida por este governo).
E para quando portagens discriminadas pelo rendimento do proprietário da viatura? E preços das estatísticas? E preços de acesso aos diários da república?
Eu acho que até sou um tipo equilibrado, assim no sentido de gostar de discutir serenamente e sem ofensas à primeira frase, mas este governo consegue tirar-me do sério. Constituem de longe a maior concentração de seres inteligentes que este país conheceu em largos anos, num único órgão executivo.
Não sei sinceramente o que será pior: se o legado da reforma agrária do PCP se o estado em que vão deixar o Estado e o país quando de lá sairem.
Quando estiver mais bem dispostinho talvez regresse à serenidade habitual com uma proposta construtiva para tentar identificar e dar pistas de solução para alguns problemas do sector dos transportes.
Antes disso passem por aqui.
Adenda: Excelentíssimo senhor Ladrão,
Ponha os olhos neste governo e tome uma medida social. Quando andar a assaltar nos autocarros discrimine. Antes de roubar peça para ver o passe. Identifique quem mais recebe!
Ó diabo, mas assim só vão assaltar trabalhadores por conta de outrem… Ups! Esqueçam.
Para quem não conhece a história a não perder amanhã, na Dois (RTP 2) pelas 22h35m, a reposição do documentário de 1992, de Diana Andringa com realização de Teresa Olga:
«ARISTIDES DE SOUSA MENDES, O CÔNSUL INJUSTIÇADO»
A história de um homem que salvou milhares de judeus.
É a história do Cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, que, em Junho de 1940 e desobedecendo às ordens emitidas por Salazar, passou e fez passar milhares de vistos a pessoas que fugiam do avanço nazi, entre os quais vários judeus.
Considerado por muitos como o maior salvador individual de judeus, depois de Wallenberg, Sousa Mendes foi afastado da carreira diplomática por um processo de duvidosa legalidade e morreu na miséria.
Embora em Israel seja tido por um dos "gentios virtuosos" e tenha sido alvo de várias homenagens, só recentemente se procedeu à sua reintegração.
in RTP-EPG
Caro Gabriel, felizmente há quem ensine isto na escola (ficheiro WINWORD).
Junta este aí à lista de escândalos previsíveis.
Não se esqueçam que este governo e esta maioria respeitam muito o parlamento, afinal o Primeiro Ministro vai lá quase todos os meses.
«A maioria PSD/CDS-PP rejeitou hoje requerimentos da oposição a solicitar explicações do director nacional da PJ, Adelino Salvado, sobre os motivos das demissões de responsáveis daquela polícia no Porto envolvidos na operação "Apito Dourado". » In Comércio do Porto (via A Blasfémia)
Passei pelo Rossio há uma hora. Uma onda azul e amarela repleta de carneirinhos - os chifres, ai os chifres destes vikings - inundava a sala de visitas. Se o nosso é salgado e lacrimoso o dos vikings cheira a cerveja.
Mas cadê as sereias suecas meus senhores? Quase nem as vi...
Ainda propósito deste texto outra reacção que destaco em post:
Meu Caro Rui,
Como leitor atento das suas páginas, tenho pena que o seu voto não tenha sido no MPT, ao contrário do que tinha pensado fazer antes.
Permita-me um comentário relativamente ao "racionalismo" na hora da votação defendido pelo leitor Luis Tito de Novais.
É por termos votado sistematicamente "útil" nos últimos anos, no PS, no PSD, no PSD e no PS e assim por diante que o país está onde está.
Se dessemos voz a outros partidos, com programas coerentes para Portugal talvez as coisas mudassem... A verdade é que os eleitores, não votando neles, nunca lhes deram a oportunidade de provar que são competentes...
Estou crente que nas próximas eleições o seu voto será totalmente de consciência e imune a quaisquer pressões familiares. Não gostaria de nos ajudar a mudar as coisas?
Independentemente da sua opção, convido-a a visitar o site do MPT em www.mpt.pt.
Atentamente
Pedro Quartin Graça
(Vice-Presidente da Comissão Política Nacional)
P.S.: se não for o meu caso, pode ser que a Ana e a Giesta aceitem o repto do Pedro Quartin Graça. Cumprimentos e bom trabalho.
Entre as curiosas discussões políticas que me surpreenderam durante as mini-férias retive esta sugestão de uma professora de português (citando de cor):
Ninguém devia "ir para a política" em Portugal sem ler "As Viagens na Minha Terra" de Almeida Garrett, "A Queda de um Anjo" de Camilo Castelo Branco e "A Correspondência de Fradique Mendes" de Eça de Queiroz. E falo de política. Política pura. Não de literatura.
A propósito do texto anterior comenta o Luis Tito Novais:
"Meu caro Rui,
Com o abraço que, mesmo na divergência, nos tem unido em mais de um ano de blogos, para resposta ao ponto 9.
Os governos são eleitos por legislatura. Mal ou muito mal foi este o governo que democraticamente foi eleito em resultado das legislativas... até 2006, a não ser que Durão saiba, como Guterres (muito criticado) soube na altura, entender que já não tem legitimidade.
Aguardemos, pois.
Sobre o estatuto da oposição tens o diploma disponível no site da Assembleia da República (www.parlamento.pt)
É uma questão de coerência e de civilidade. A mesma que reclamas para a utilização (em abuso de poder) que deram às estatísticas do INE.
Imaginando que o teu voto não foi efectivamente no MPT porque na hora de votar se tem de ser aquilo que nos acusam tantas vezes (racionalistas) também tu, caro Rui, apesar dos pesares, estarás de parabéns.
Palpites de um tugido..."
Caro LNT,
Por "alternativa hoje" não queria que se entendesse destituição do governo (mau português, culpa minha). Queria "apenas" dizer que o PS deveria começar a trazer para o início da sua intervenção que políticas, que acções irá defender num futuro governo para abordar os problemas que já identificou e dos quais boa parte da responsabilidade recai sobre o actual governo.
Por outras, o momento para dizer que é preciso combater o desemprego, não tendo terminado, deve passar a ser SEMPRE complementado pela receita defendida. E não para pedidos de voto em branco. Os jornalistas não dão projecção às políticas do PS? O PS está farta de as enunciar? Mesmo que assim fosse, fazer passar essa mensagem deverá ser o principal desafio a partir de hoje.
Admito contudo que o timming para esta mudança ocorra apenas depois de o congresso legitimar definitivamente o candidato a primeiro ministro. É claro que preferiria que Ferro Rodrigues começasse a sua campanha interna (e externa) já hoje, precisamente por aí promovendo que aqueles que dentro do PS não se revejam nas suas políticas possam vir a falar claro no congresso se assim o entenderem. Sabemos que é preciso fazer política de outra forma. A vitória folgada nestas eleições e a triste cena em Matosinhos poderão ser utilizadas para criar condições de discussão interna com elevação e com projecção no exterior. Se for bem articulada - sem peixeiradas e golpes baixos - só fará ganhar eleitores e no limite poderá beneficiar largamente o país. Uma experiência a que muito poucos se atreveram em 30 anos de democracia mas que vale muito a pena. Se ninguém se convencer que tem algum pássaro na mão quanto às legislativas pode ser que esta tese ganhe adeptos.
Quanto aos parabéns... Confesso que a metade PSD da minha família fez tudo para me convencer durante os últimos dias e conseguiu... Voltei a votar no PS ;-)
Se pudesse fazer uma declaração de voto sublinho que não sancionei nenhum secretário geral do PS, votei no projecto de Europa do PS e acabei também por ir na onda do cartão amarelo ao governo... As várias vicissitudes de campanha permitiram-me acreditar que nunca o meu voto poderia ser interpretado como um cheque em branco à actual direcção do PS e isso acabou para contribuir para o voto útil.
O PS ainda não é a minha alternativa de governo. Sou um bocadinho mais exigente face àquilo que me foi oferecido até agora. Entretanto cá vamos fazendo um bocadinho de política.
Um abraço.
1. O PS não ganhou as eleições à custa do PCP, nem do BE, nem do PCTP-MRPP.
2. O PSD e o CDS-PP tiveram o pior resultado de sempre.
3. Manuel Monteiro vale 1%, um pouco menos que Garcia Pereira (PCTP-MRPP) e muito menos que José Saramago (2,6% - Votos em Branco).
4. Cerca de 230 mil portugueses votaram validamente (nulos excluidos), ou seja, 6,8% não votaram em nenhum dos quatro principais partidos/coligações. Mais do que os que votaram no BE e um pouco menos do que os que votaram na CDU.
5. Em condições normais, Ferro Rodrigues será candidato às legislativas.
6. A recessão já acabou e só não acabou mais cedo porque os maganos do INE não quiseram. Estas são ilação das declarações de João de Deus Pinheiro. Por isso é que ainda os dados estavam sobre o tradicional sigilo democrático (e em discussão reservada entre parceiros sociais como o Banco de Portugal, associações patronais, sindicatos, tutela e representantes da AR) e já Durão Barroso os apregoava ao lado de Gilberto Madail.
7. Perguntas que ninguém conseguirá responder. A morte de Sousa Franco influenciou os resultados? E os golos da Grécia? O meu palpite vai por um sim a ambas. Aproveitamentos tipo "Força Portugal" não compensam... Certo?
8. Qual o projecto alternativo do PS para governar o país?
9. A recessão lenta mas paulatinamente deverá chegar, mais por contágio do que por acção do actual governo. Qual o momento ideal para o PS "oferecer" uma alternativa de governo? Eu diria hoje, mas é aceitável aguardar pelo congresso. No limite. Desconfio que é também por aí que se ganha a democracia e novos eleitores.
10. O PS preocupar-se-á em responder à pergunta anterior, conseguirá clarificar e marcar a sua agenda ou cairá na armadilha de ir alimentando o lume que surgirá em grande força na imprensa em torno da "questão" da coligação com o BE?
11. Vale a pena ir cavalgando a crise e o atraso nos seus efeitos palpáveis junto do eleitorado para ir capitalizando nas próximas eleições, primeiro regionais, depois autárquicas e só então legislativas? Com o (difícil) trabalho de casa feito não seria necessário correr o risco implícito...
12. Haverá alguém no PS com coragem para se apresentar no congresso com alternativas, ideias, políticas? Com contributos para a realização do Trabalho de Casa? Esse será o momento ideal para mudar a agulha e para demonstrar que se aprendeu alguma coisa com a trágica experiência de Matosinhos.
13. Termina a noite nas TV's generalistas e não consegui ver um peça decente em prime time sobre os resultados nas Europeias nos restantes países da União (só depois da meia noite na SIC notícias).
14. Felizmente, não perdi a espantosa magia do futebol hoje no Estádio da Luz.
A pergunta do ridículo:
"Onde estão os históricos?" colocada a Sérgio Sousa Pinto ainda o sol ia alto.
A pergunta em Fim de Prazo:
"Então e a questão da sucessão interna no PS?" colocada a António Costa pouco antes das 22 horas.
A resposta a ambas está a ser dada em directo neste momento em todos os canais.
Nota: Para o caso de alguém estar a tentar comparar resultados entre 1999 e 2004 na página do Stape informo que já detectei alguns erros inexplicáveis onde os valores de 2004 que surgem nas tabelas comparativas não cruzam com os dados para as mesmas freguesias quando consultadas na página que contém exclusivamente os dados de 2004. Veja-se o exemplo da Benquerença (Castelo Branco - > Penamacor)
Algumas vezes ouvi dirigirem-lhe o epiteto de "Um homem horrível". Um mimo invariavelmente saído da boca de representantes da oposição sociológica à idelogia que defendia e quase sempre sustentado pelo exclusivo conhecimento do seu boneco parlamentar.
Sempre preferi o estilo e a argumentação de Octávio Teixeira mas Lino de Carvalho tinha persona. Seria a combatividade? A fisionomia e o visual a lá Lenine? A voz aguda? O dedo no ar bradindo os ares do Parlamento? O trabalho incansável na produção legislativa?
No final, do que fui acompanhando e de que muitos insuspeitos adversários agora confirmaram, sabemos que morreu um excelente deputado.
A minha homenagem a Lino de Carvalho.
Ora viva!
Nota prévia: pelo sim, pelo não, este post deve ser lido à distância regulamentar de uma assembleia de voto. Obrigado.
Regresso à capital e à blogoesfera com o direito de voto já exercido duas vezes: na urna oficial e na "boca-de-urna" da RTP. Parece que saltei de uma freguesia representativa do concelho de Sintra para uma outra de iguais características no concelho de Lisboa.
Confesso que estou curioso. Com o nível de abstenção, com os resultados e com as "ilações" que os intervenientes directos se atreveram a extrair. Curisosidade não é necessariamente o mesmo ter que grandes expectativas...
Semi-Private: Ainda não foi desta que votei na força telúrica caras Ana e Claúdia, como muito bem vaticinou a Helena. Eu depois explico.
"Definitivamente a vida política tornou-se uma actividade perigosa."
Vital Moreira
Haverá muitas formas de fazer política mas poucas formas dignas de estar na política. Só conheço uma que me serve. Uma que me embranquece precocemente os cabelos e que provavelmente me encurta a esperança de vida. Igualmente a única que me pode dar prazer e satisfação.
Destes anos de observação atenta e curiosa fiquei-me com esta: quem não viver assim a política ou tem uma grande lição para me ensinar ou não é boa res. Terá de ser assim? Para o que me interessa, hoje e agora, não há outro remédio. There is a war.
Sincero abraço a quem por aqui passa com gosto!
Se depender de mim voltarei no Domingo.
Fiquem bem.
Neste que é sem dúvida um dia negro em termos de instrumentalização ilícita pelo governo da informação produzida pelo INE, a que acedeu de forma privilegiada e sobre a qual estava comprometido manter reserva até à sua aprovação em Conselho Superior de Estatística e respectiva divulgação pública (vejam-se as declarações de ontem do Primeiro Ministro sobre os dados do PIB) - a morte de Sousa Franco relativiza este assunto e apresenta-nos um confronto inesperado com a superficialidade e pouca elevação de que se fez a generalidade da campanha para as Europeias.
Os meus sentimentos à família e o meu desejo de que o desaparecimento do homem, e a inevitável reflexão que propiciará, seja também utilizada para que mais uns quantos identifiquem e valorizem quão importante é o conteudo e a forma do exercício da política num país que por nada deve abdicar de exigir mais de si próprio e da sua democracia.
Para Memória Futura a notíca de ontem da TSF relativa à divulgação de dados ainda não avalizados pelo Conselho Superior de Estatística:
EURO 2004
Durão visita selecção e revela dados da economia
O primeiro-ministro visitou a selecção nacional, em Alcochete, e resolveu apresentar os números relativos aos três primeiros meses da economia nacional em 2004, acabando por referir que a retoma não depende do sucesso da equipa portuguesa.
17:10
08 de Junho 04
Os jogadores receberam Durão Barroso e este aproveitou para afirmar que «os números que hoje mesmo saíram sobre a economia portuguesa são muito bons, em relação ao primeiro trimestre. É de facto uma boa notícia».
«Não tínhamos ainda os números oficiais e são de facto muito animadores, por isso não está dependente do êxito da selecção a recuperação da economia portuguesa. Essa recuperação está em marcha e vai dar-se. Não vamos agora pôr mais responsabilidades sobre o ombro do seleccionador nacional e dos jogadores, como a recuperação da economia», acrescentou o primeiro-ministro.
Durão aconselha Scolari
Na visita à equipa portuguesa que vai representar o país no Euro 2004, Durão Barroso almoçou e conversou com os jogadores e equipa técnica, dando mesmo alguns «conselhos» a Luís Felipe Scolari.
«Não meti cunhas, mas dei alguns conselhos a Scolari. Mas não sobre a composição da equipa. Mas como alguém que conhece o país, disse ao ouvido do seleccionador algumas das minhas opiniões, sobre questões da psicologia, da atitude. Respeito as competências do seleccionador nacional que saberá escolher a melhor equipa», continuou.
No fim do encontro, o líder do Governo disse ter «notado um excelente ambiente e sente-se o convívio e de equipa. Isso é bom e pessoalmente estou com grande confiança nesta selecção, que tem grandes jogadores, com cultura de vitória. Temos de facto grandes hipóteses», concluiu Durão Barroso, sublinhando a sua confiança na prestação da selecção nacional para o Euro 2004.
Fujo para o Portugal profundo em busca de um reencontro qualquer (como sempre).
Lembro-me de uma vez ter fugido para a raia e ter passado dois dias a acompanhar um golpe de estado na Rússia colado a um rádio a pilhas, de outra vez, à beira mar, lembro-me da fuga ter resultado na descoberta de um imenso prazer em percorrer desconhecidas estradas absolutamente sozinho com a companhia de uma carta de aventuras disfarçada de mapa.
Amanhã, vou bem acompanhado e por três dias e meio faço de conta que fujo de novo mas sempre com as áspas às costas.
E por isso mesmo, a devida homenagem à palavra, hoje na pessoa de Vicente Jorge Silva de quem reproduzo o último parágrafo da "resposta" a uma esforçada provocação de José Manuel Fernandes no muito seu jornal no Domingo passado:
"(...)A indisponibilidade para a autocrítica e a constatação dos factos confirma uma cegueira que só tem precedentes nas derivas de tipo religioso ou estalinista. Por mais superproduções opinativas que se editem, nada substitui um esforço honesto de lucidez e bom-senso. Nenhuma teoria sobre o providencialismo americano, nenhuma repetição obsessiva das mesmas teses ideológicas estafadas que absolveriam os EUA (protegidos historicamente à direita pelo escudo de Deus) de qualquer erro ou equívoco político e militar, pode apagar o que os nossos olhos vêem.
In Causa Nossa
Ei tu! Quem é que te mandou investigar o Valentim Loureiro sem me pedires autorização? Já para o olho da rua!
Só pode ser esta a explicação, não acham?
E contudo o governo, as suas partes e chefes delegados resistem. Ganham mesmo ousadia testando os limites da razoabilidade democrática do exercício das suas funções a cada dia. Cada vez mais às claras! Dando argumentos muito válidos ao mais compulsivo velho do restelo.
No meio de tantos insultos, a oposição nem margem de manobra (ou engenho) tem para dramatizar seja o que for e a suspeita de que somos cada vez menos uma democracia cresce.
Mesmo com culpados muito bem identificados, nada se faz, tudo se vai fazendo. Haverá ao menos o pouco consolador exercício do inquérito parlamentar? Duvido.
Este governo lembra-me um pouco a trágica história da ovelha clonada. Também ele nasceu de uma sucessão de clonagens ideológicas e experiência "genéticas" mal amanhadas e em dois anos ultrapassou já os vícios, tiques e doenças que a era Cavaquista e Guterrista foram denotando significativamente ao longo de uma segunda legislatura.
Fede! E ainda temos de aturar dois anos disto, sabendo que ainda está para nascer um governo (oposição) que nos mereça, ou pelo menos - desculpem lá o tique à lá "Mourinho" - que me mereça.
Aos deputados do PS.
Não há por aí nenhum que diga que Sousa Franco dava um bom secretário geral do PS? Já agora...
Em muitas áreas da governação (regulação, justiça, administração interna, defesa, etc) criticam-se as más aparências que dão aso a suspeitas de manipulação ou pelo menos que prefiguram um paulatino cerco a "excessivas" liberdades democráticas.
Hoje na Grande Loja dá-se um flagra na mulher de César que anda mesmo metida com um qualquer Marco António de trazer por casa...
"(...)A PJ é, deve ser, o orgão de polícia criminal e não um qualquer instrumento ao serviço de interesses inconfessáveis."
Como algum leitor mais regular terá já percebido, dúvido que a selecção nacional mereça sequer estar presente no Europeu logo, as minhas expectativas quanto a resultados estão muito singelamente reduzidas a um infinitésimo de nada.
De qualquer modo não deixarei de ver, de torcer e de sofrer se tiver de ser. Sublinha-se o er, essa outra onomatopeia do sofrimento...er! er! ... em alternativa aos suspirados ais da derrota, para que não me chamem anti-patriota ou coisa que o valha.
Pelo sim, pelo não, já tratei de arranjar um anti-depressivo: compra-se o jogo de computador, treina-se um bocadinho e depois é só dar cabazadas virtuais aos Espanhóis, Gregos e Russos.
Ministros deste país! Poupassem em cartas e tivessem investido em jogos electrónicos e game pads e teriamos agora disponível um plano B para recuperar a confiança dos Portugueses, a saúde da economia nacional e, quem sabe mesmo, o ouro que Napoleão nos levou do país!
Uma das mais significativas referências ao Movimento Partido da Terra na imprensa de hoje encontrei-a no quase sempre estimulante artigo de Eduardo Cintra Torres (ECT) no Público de hoje entitulado "Isto Dá Vontade de a gente se abster".
Depois de percorrer o rol de desesperanças retratando as diversas campanhas mais "significativas", termina o seu artigo com uma espécie de paradigma da decadência política descrevendo uma reportagem das actividades de um dia com o MPT - que pelos vistos foi o oposto de um tempo de antena em jeito de video clip a que assisti enpolgado há alguns dias. Eis as palavras de ECT:
"(...)Uma reportagem que vi das "actividades" do Partido da Terra (MPT) serve como símbolo televisivo desta campanha eleitoral: o "partido", nesse dia, foi ao cinema. A fita escolhida foi um filme-catástrofe, "O Dia Depois de Amanhã". O "partido" era uma pessoa só, um único candidato que perorou sem convicção para a câmara de televisão. O último plano da reportagem mostrava o candidato a entrar, sozinho, na sala escura."
Cada vez mais me apetece deixar o meu voto solidário, pleno de convicção a este partido de anti-heróis... A esta que foi a terceira força política mais votada entre a comunidade emigrada em Lyon e que granjeou mais de 13000 votos a nível nacional em 1999. Porque os outros prometem a Lua...
Adenda! Nem de propósito Luis Filipe Borges editou há poucas horas no Causa Nossa um outro contributo para a campanha referindo o MPT... Termina com uma sugestão para reflexão: "Um partido com preocupações ambientais e que faz campanha eleitoral? Mas isto não é uma contradição nos termos?!"
Bem preferia que fosse um Vital Moreira a fazer esta crítica que aqui descaradamente retiro do contexto, para logo eu aqui alardear que "Vêem! Vêem! Eles já andam como medo do MPT! Foi assim que começou com o Bloco!" Mas tratando-se das afirmações de um dos ilustres autores de Stand Up Tragedy só me resta pólvora seca...
Ah! Como seria bom que a natureza e as suas lições nos bastassem como campanha!
Contra canonização de Ronald Regan, a não perder a prosa completa num blogue perto de si e quase em português. Excerto:
"(...) Por isso esse homem, que propôs, ainda como governador de California, intensificar os bombardeamentos sobre Vietnam e transformar todo este país num "nice, clean parking-lot", (uma boa amostra da sempre encantadora obsessão americana com a limpeza), é o verdadeiro heroi do fim da guerra fria, e não estas figuras cinzentas e secundárias - como é que se chamaram? - ah, pois era: Gorbatchov, Woytila, Sacharov, Walesa, Havel... (...)"
Pego no lead e no título ("As quatro faces da ambição") de uma notícia da TSF e vejo tudo ao contrário. Costuma ser o BE a apostar no humor, mas perantes estas linhas, a oração relativa ao Bloco é a menos inesperada. Já o resto é do melhor humor que temos na política portuguesa.
Eles parecem-nos dizer, se não nos podes vencer, goza connosco!
"João de Deus Pinheiro pede uma vitória robusta nas eleições de domingo. Sousa Franco pode ser um dos nomes a incluir na lista dos presidenciáveis. A CDU arriscou um apoio renovador. O Bloco de Esquerda termina a primeira semana de campanha a falar na eleição de dois deputados.
Com tudo isto a candidatura presidencial do Paulo Gorjão além de ser das mais credíveis, ameaça mesmo, no mínimo, ir à segunda volta!
Quanto às europeias, eu cada vez mais estou com o Partido da Terra!
Campanha, futebol... Tudo muito giro, mas o que me captou a atenção nas notícias do fim-de-semana foi um artigo que surge no suplemento de economia do Expresso...
Governo controla reguladores
OS REGULADORES estão revoltados com uma proposta de lei-quadro que lhes retira autonomia. O projecto deveria ter ido à reunião de secretários de Estado desta semana, mas foi suprimido da agenda à última hora. Inserido na Reforma do Estado, o documento é considerado «um retrocesso na independência dos reguladores». O projecto de lei ainda não é de conhecimento geral, mas as entidades que já leram o texto, embora prefiram não o comentar, não escondem a preocupação.
in Expresso On-Line
A acreditar nesta notícia do Expresso (só disponível na integra a pagantes) percebe-se uma muito suis generis lógica "de mercado" neste governo de direita.
Reguladores sim senhor, desde que o poder executivo possa pôr e dispôr das suas cúpulas ao sabor de cada nova legitimação eleitoral, ou até mesmo, quem sabe, a cada nova remodelação governamental!
Um dos factos mais chatos para o governo é que apesar dos raros reguladores já instituídos e dotados de uma razoável independência, há pelo menos um - a Comissão do Mercado de Valores Imobiliários - que tem feito um excelente serviço as it is! Mexer em equipa que ganha para quê? Para destruir o prestígio e eficácia do regulador? É uma dúvida legítima, pelo menos tanto quanto admitir que estamos apenas tentar criar mais tachos, talvez arranjando lugares que substituam os que se vão perdendo com as privatizações? Por tachos entendam-se formas de manipular a regulação a bel prazer dos grupos de pressão compostos pelas empresas reguladas e não "apenas" o tachinho muito particular de quem leva mais uns tostões para casa com ou sem o devido mérito... Na notícia admitem-se dois regimes de regulação consoante o Estado seja ou não ainda um jogador directo no mercado do sector. Caso seja, há mais independência política, de outra forma, falamos apenas de alguma autonomia. É curiosos como só surge determinante este raciocínio dicotómico relativo à propriedade das empresas e em nada se considera os aspectos de regulação face aos consumidores, transversais e indiferentes à propriedade do provedor de serviços ou bens. Admitamos que a notícia é ainda vaga por desconhecinto detalhado da proposta que se preparou para levar a Conselho de Ministros.
O que falha no modelo por que se tem regido a CMVM? NADA! O prestígio e reconhecimento internacional das associações de reguladores, o sucesso das auditorias e respectivas investigações (que fizeram com que crimes como o inside trading deixassem de ser letra morta do Estado de Direito passando a efectivar-se em sentenças e condenações de muito distintos e poderosos prevaricadores) avalizam o seu trabalho e confortam qualquer deputado da nação e português informado que se digne usar da justiça na sua apreciação.
Seguramente - imagino já os argumento! - o nosso bom governo tem receio de criar uma impenetrável e pouco democrática tecnocracia com tanta independência aos reguladores. Daí tamanhas preocupações em restringir a autonomia e independência dos que já existem e de outros reguladores que virão.
Diz-se no Expresso que apenas o Banco de Portugal escapa caso se transforme este rumor em lei. A bem dizer não escapa. O Banco de Portugal está virtualmente fora da alçada do poder governativo graças ao Banco Central Europeu e ao nosso compromisso com a moeda única. Quem quiser alterar as políticas terá de convencer os parceiros da União...
Atreva-se o Ministro a mexer na cúpula do banco sem motivos aceitáveis além dos que poderão advir de algum desconforto por este não secundar as suas apreciações quanto ao ciclo económico e veremos que tipo de reacção e consequências advirão do BCE, dos nosso parceiros Europeus e do Mercado...
Já com os outros reguladores o governo dispõe-se a arriscar... Mas a que custo? Qualquer mercado precisa de um regulador. Esta é uma evidência que mesmo o mais impedernido neo-liberal (genuíno) tem vindo a conceder. A premissa de que definido democraticamente o papel do regulador, o seu corpo executivo possa variar ao saber dos ciclos e infra-ciclos políticos não me parece mesmo nada transparente e edificador de um mercado saudável visando o bem estar económico e social.
Ainda a obra da regulação dá os primeiros passos neste país e já um governo da república reage cioso do seu poder?
Tremo só de pensar que o que se está em vias de implementar no Instituto Nacional de Estatística - que não sendo regulador exige igual estatuto de independência, assim esteja clarificada a sua missão -, se insira também na mesma lógica que se explicita na notícia citada relativa aos reguladores...
Quanto ao INE, meus amigos, é muito relevante restruturar a casa, o dispositivo territorial, a aposta na formação e por aí adiante, mas é igualmente determinante saber como se alinhavará o relacionamento dos futuros directores e trabalhadores do INE com o poder político. Quão independentes e eficazes queremos que sejam as estatísticas?
Há inúmeros modelos bem sucedidos de organização das estatísticas e dos reguladores sectoriais um pouco por todo o mundo ocidental sustentados por uma saudável separação de competências e restrição de possibilidades de interferência de curto prazo por parte do poder político.
Vamos nós inventar a roda ainda antes de sabermos andar?
As provas circunstânciais são já demasiado numerosas e é impossível não identificar um padrão que em nada serve o país e que deve ser denunciado e combatido tenazmente. Demasiadas vezes a mulher de César é avistada na companhia de suspeitos galãs... Que Estado queremos afinal?
Que mandato deram os portugueses a este governo? Que letras miudinhas surgiam inscritas no programa eleitoral do PSD /CDS-PP em Abril de 2002? Quem é que genuinamente votou nestes partidos e estava à espera destas "inovações" que nada têm a ver com desenvolvimento do mercado ou do país?
Por este andar não tardaremos a ter de questionar o regime em que vivemos.
Espero que o facto o adiamento da paresentação da referida lei-quadro se justifique por uma reponderação e não apenas por uma percepção de última hora da sua inoportunidade conjuntural.
A ser verdade esta notícia... Começo a perceber a desmesurada simpatia que Alberto João Jardim granjeia junto do actual Primeiro Ministro ou junto de Dias Loureiro, para citar apenas alguns exemplos.
Pergunto-me sobre o que pensará o Partido Socialista (ou quem actualmente lidera o partido) deste rumo sugerido pela coligação em matéria de regulação económica. Alguém que me esclareça?
Antecipadamente agradecido.
(publicado inicialmente às 2h06m AM)
Adenda: ainda sobre o tema da regulação e a notícia do Expresso (e o comentário de Nicolau Santos no mesmo jornal) pronunciou-se Luis Nazaré (ex-responsável pela Anacom (então ICP)) no Causa-Nossa; fica a ligação.
Este e este texto de José Pacheco Pereira.
Faço apenas uma ressalva ao primeiro dos textos: também aos políticos que reagem SEMPRE (ou quase sempre) aos picanços dos jornalistas que buscam mais insultos, bem como, aos políticos que capitalizam sofregamente uma vitimaçãozinha cabe uma boa quota parte da embalagem do ciclo vicioso. Um "pequeno" reparo como se vê...
Quanto ao resto, particularmente, às apreciações quanto à pouca formação e desinteresse jornalistico da questão europeia é uma facto indesmentível para quem acompanha a comunicação social. Um "fenómeno" que infelizmente se generaliza a outra matérias de interesse público e político. Por essas e por outras é que, mais ou menos "engajados" com programas políticos, vou-me congratulando com o que vai sobrando de bom de alguma nova imprensa especializada - com destaque para o Jornal de Negócios e (com mais defesas) para o Diário Económico ou mesmo, para informação de outra natureza, para o que consigo captar na National Geographic Portugal. Isto para citar apenas os exemplos que conheço com mais detalhe.
Navegar contra a abstenção
Blogs, de todas as cores e feitios, pela discussão e participação nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004.
Para constar envie ping ao endereço (instruções)
http://weblog.com.pt/MT/mt-tb.cgi/101018
Lista de entradas da blogosfera portuguesa sobre blogs que apontam para ter voz nas Europeias.
João Ramos Almeida: é para mim um dos poucos jornalistas esclarecidos em matéria económica neste país que não escreve na imprensa especializada.
Se não sabe, não percebe ou tem dúvidas, agarra no telefone e questiona. Coisa rara, acreditem, mas com consequências positivas muito visíveis para as matérias escritas.
Fixei o seu nome precisamente por isso, por ter constribuido com a sua análise crítica para a melhoria da análise estatística, para a correcção de alguns erros, bem como, e principalmente, para a redução dos "problemas de interpretação" sobre os dados estatísticos que proliferam em alguma imprensa mais distraída.
Pergunto-me se será por tudo isto que José Manuel Fernandes já há muito perdeu a confiança nele. Até ver não tenho indicação que esta notícia já tenha sido desmentida...
"(...)Nós percebemos, demasiado bem, que Vasco Rato e os seu mordomos prefiram atacar o divertido Bloco de Esquerda, até admitimos que a menção a esta Loja tenha sido um deslize infeliz de quem se entusiasmou demasiado no dislate, mas não temos culpa de sermos porventura a verdadeira, única e real oposição em Portugal.
Voltando à GALP, vá lá - desinibam-se, desmintam uma vírgula do que escrevemos, se puderem... "
Então e quando é que temos partido?
(A não perder os comentários)
Então e este?
Mais um dos pequeninos... Este é mais dificil de rejeitar lendo na diagonal. A merecer uma segunda leitura... Movimento Partido da Terra
"Olha Rui está a dar o direito de antena na rádio. Esta é única forma de ouvirmos os pequeninos" - disse-me ela com falso entusiasmo.
E ouvimos uns quantos: os fascistas do PNR, os comunas da CDU, os Monárquicos do PPM, os rappers da coligação Força Portugal (e eu à espera que o seu tempo de antena fosse um relato de futebol)... Momentos depois, por um instante, pareceu-me ouvir um grito de revolta, de crítica atroz à campanha eleitoral com uma interrupção da emissão para alguém acusar: "Pela sua saúde! Este é um movimento doente!".
Afinal, o bolo alimentar que me escorregava pela goela distorceu-me a audição, dizia-se de facto: "Pela sua saúde: vote no Movimento pelo Doente"...
Moral da história: ao almoço, abrir a porta da cozinha e ficar a ouvir os pardais que depenicam na figueira do quintal vizinho. Pela minha saúde. Pela nossa saúde.
Por aqui (e para mim) tem sido a 2:, antes dos noticiários, a trazer-nos a memória do dia D (e da II Guerra Mundial) cujos 60 anos se comemoram em breve.
Lá por fora os últimos testemunhos vivos vão chegando às manchetes. Uma memória muito oportuna quando enchemos a boca para falar da "nossa" ideia de Europa. Assistindo aos documentários assaltou-me um sentimento de proximidade quase assustador. Algo inverso ao que experimentei na maioria (houve excepções!) dos filmes, séries e livros que foram povoando a minha atenção juvenil.
Novos directores empossados hoje
Director nacional da PJ impõe demissão dos dois responsáveis pela operação "Apito Dourado"A ler em detalhe...
Hoje fez-se mais um pouco de luz no caso "Casa Pia" e o pior cenário que aqui tracei a 8 de Outubro de 2003 ameaça confirmar-se a passos largos. Eis o que então escrevi para memória futura:
(...) A notícia [o fim da prisão preventiva de Paulo Pedroso] é surpreendente, mas continuemos serenamente a aguardar pelo fim do processo, para que se faça justiça. (...)
Espero que o pior dos cenários que imaginei na minha cabecinha no início disto tudo (absoluta inocência de algum dos arguidos em prisão preventiva) não se confirme. Não consigo imaginar maior injustiça do que a implícita nesse eventual erro: gerar injustiças pela perseguição da justiça. Um bom motivo para nunca termos penas de morte, por exemplo.
(...)
In Adufe a 8 de Outubro de 2003
Deputado pretende reassumir lugar na Assembleia da República
Casa Pia: Pedroso promete processar quem o envolveu no caso
In Público, 31/05/2004
E de criássemos uma semana por ano (podia ser só uma) livre de políticos nacionais na comunicação social?
Assim em jeito de quem pede um tempo para repensar a relação?
Não se adivinharia nenhum cataclismo, pois não?
Ou então um dia útil livre de política por mês? É só uma sugestão.
Cá ando eu ainda com dúvidas existênciais quanto a quem escolher para representante no Parlamento Europeu.
Será que votarei no PS apesar de Sousa Franco, apesar de Francisco Assis, apesar de Edite Estrela e apesar da oposição enfezada (e amarelada) de Ferro Rodrigues? E, já agora, apesar do unanimismo entre PSD e PS quando se tenta discutir a Europa que volta a fazer escola - são ambos iguais?
Deviamos saber que não o são. Nem sequer na Europa.
Já que Sousa Franco parece não o saber, a avaliar pelo debate com João de Deus Pinheiro na TSF, que, dizem-me, andou entre a peixeirada e as sucessivas declarações de semelhança política, eu e a Ana ajudamos a esclarecer algumas diferenças com o patrocínio de associações ambientalistas.
Até que nos demonstrem erros nesta outra memória virtual, há um mar de diferença entre deputados de esquerda e de direita no Parlamento Europeu:
«(...)Achei incrível a diferença entre o PS e o PSD, onde todos os deputados do PSD, sem excepção, tiveram uma prestação ambiental deplorável! Ainda dizem que os dois partidos são iguais... Já do CDS nem se fala (neste caso o azul e amarelo quando misturados não dão verde ;)!
O PCP também votou, sempre que presente, "eco-friendly", mas com algumas faltas de presenças para voto! Alguns dos deputados do PS (apesar de quando presentes votarem sempre a favor do ambiente, excepto o deputado Luís Marinho no tema substâncias químicas perigosas) também registaram algumas faltas... (...)»
In Poeira por aí
Afinal parece que as requisições de quadros privados, nos moldes feitos repetidamente por este governo, não é sequer legal. Quem o diz é Vital Moreira.
Lido este seu artigo no Causa Nossa ("Ilegal, inconveniente e insustentável") aguardam-se reacções. A ser precisa a análise de Vital Moreira - como costuma ser (e muito) em matérias legais - temos pano para mangas.
Para já a maior dúvida é tão simplesmente saber se o Ministério Público se vai mexer. Se nada fez perante os exemplos dos acessores noutros ministérios, que garantias temos que o faça agora com o Director Geral dos Impostos?
Alguém terá argumentos para contraditar Vital Moreira?
Há demasiados eventos por explicar na governação do ministério das finanças que devem ser devidamente fiscalizados pela Assembleia e pela Imprensa, urgentemente.
P.S.: O Editorial de hoje do DN também se apresenta com uma trindade crítica no título: "O Estado, a lei e o jeito"
Primeiro - A reestruturação dos serviços de informações pariu um rato, ou melhor, um secretário geral. Depois da ameaça de grandes mudanças com fusões e afins - nesta altura do campeonato - mexe-se na coordenação. Antes assim. Teoricamente faz sentido. Bom trabalho!
De louvar a iniciativa de Luis Nazaré (neste artigo de opinião) admitindo um cenário de base zero para opinar sobre a remuneração de cargos políticos e a transumância público/privado.
Se surgisse um interlocutor válido do outro lado e se a estrutura do PS se dispusesse a debater o assunto sem demagogias todos ganharíamos. Mas o mais provável é a opinião ficar, na melhor das hipóteses, para memória futura. Além do mais, para já, é demasiado difícil (e a meu ver compreensível) aceitar cenários de base zero quando toda a dialéctica da coligação assentou e ainda assenta no discurso do sacrifício dos servidores do Estado.
Nesse sentido é entristecedor verificar a ausência de uma palavra no artigo de Luis Nazaré quanto aos da "não elite". Pensam-se os "Dirigentes da nação", a "classe dirigente"... Na minha opinião exige-se uma solução conjunta, uma lógica de serviço público, ainda que ao nível de topo o vínculo a essa definição possa ser precário se optarmos pela via menos limitativa.
O que o actual governo tem dinamizado aponta para uma maior dependência política da estrutura do aparelho do Estado (via nomeações) eventualmente mitigada ou potenciada (dá para tudo, se quisermos) através da aposta na progressão por mérito. Contudo pouco se percebe relativamente ao quanto se está disposto a pagar pela qualidade dos funcionários.
Percebe-se apenas que se remunerou marginalmente durante dois anos "os menos favorecidos", os que ganham menos de 1000 euros, mas nada se diz quanto àquilo que se admitirá ser o desfasamento admissível entre o funcionalismo público e idênticas competências no privado. Um desfasamento que eventualmente colmatado com alguma garantia endógena ao serviço público que sobreviva à harmonização em curso com o regime privado, garanta, ainda assim, técnicos de qualidade que constituam o Estado.
O topo é importante, sem dúvida, e o debate proposto por Luis Nazaré anda há muito adiado, emperrado pelas demagogias e pelo receio dos políticos, mas não faz qualquer sentido anteceder aquele outro que é agora também urgente e que determinará o tipo de Estado e que qualidade do Estado exigimos. Vamos aplicar as requisições a todos as necessidades de contratação, a todos os níveis hierárquicos para garantirmo qualidade no Estado?
Na conjuntura actual e perante o discurso político dos governantes temos dois anos de reserva mental (que ainda não terminaram) em que pactuámos (e pactuamos) com a estupidez de dispensar cegamente quem servia e serve a administração pública com um vínculo a termo - um péssimo precedente para a confiança de futuros servidores públicos - e temos simultaneamente precisão cirúrgica (após primeiras más experiências) a contratar excelentes di