
Agora sim estou de olho no Prós e Contra.
Lendo o Expresso desta semana fico a saber que Morais Sarmento, Orlando Caliço (ex-director das Estatísticas do Banco de Portugal), Sérgio Figueiredo (director do Diário Económico), Nicolau Santos (do Expresso que amiúde comenta os dados do INE nas páginas do próprio jornal), Elisa Ferreira, Miguel Beleza, Braga de Macedo, Roberto Carneiro, Sarsfield Cabral, João Proença, António Barreto entre outros, fazem parte do grupo de cerca de cinquenta entidades inquiridas pelos consultores canadianos contratados pelo INE que não mencionaram utilizar regularmente os produtos do INE.
Parece que os usam depois de eles serem impressos em papel timbrado do Banco de Portugal.
A ser verdade esta notícia, Sérgio Figueiredo não lê o seu próprio jornal! Ou será que quando publicam e lêem a informação do INE pensam que vem do Instituto Nacional de Estadística?
Isto já não é um diagnóstico sobre o INE é outra coisa qualquer...
Uma das piores sensações que senti com o Governo de Guterres foi o pedinchar universal e as sub-sequentes tentativas de apaziguamento dos governantes.
Particullarmente no segundo governo parecia estarmos perante a lei da melhor carpideira ou do chorão-mamão.
Recordo-me também que José Sócrates foi um dos raros casos de governantes a quem ouvi dizer "não" e se viu a bater o pé por alguma coisa. Curiosamente esse é o principal capital de Sócrates hoje, particularmente relevante enquanto não se ouvirem outras causas com definição detalhada sobre aquilo que considere digno de que se bata o pé. Preocupa-me cada vez mais que não tenha de se comprometer antes de se apresentar a votos...
Espero que no nosso modesto movimento (que já se aproxima dos 40 participantes) consigamos definir algumas perguntas interessantes para ajudar ao nosso esclarecimento coléctivo - ou a constatação da ausência de respostas.
Divago. O que aqui me trazia era outra coisa. O actual primeiro-ministro começou a lançar promessas ontem nos Açores. Com alguma linearidade é de esperar que seja a oportunidade de satisfazer a pedinchice que amanhã propalará ao país.
Minha gente! Pelo sim pelo não, tudo em fila para São Bento!
Esta semana vai ser "divertida" Dia 15 é já na sexta-feira...
Estou a ficar particularmente curioso com a formulação final do "fim dos benefícios fiscais".
Lendo na diagonal alguns dos comentários em relação ao último debate entre Bush e Kerry (CNN, Yahoo...) encontro críticas costumeiras que julgo merecerem alguma reflexão. Destaco um exemplo, a questão do aborto.
Este é apresentado como um dos casos em que Bush se saiu melhor porque foi incisivo e claro na sua opinião - defende a proibição total, se bem percebi - enquanto Kerry foi palavroso, explicativo e terá ficado atrás nessa parte do debate por isso mesmo - afirmou-se católico mas não "o suficiente" para impôr pela força do Estado os seus preceitos religiosos ao resto da população exemplificando com casos limites como as violações dos filhos pelos pais e por aí fora.
Pensando neste caso e olhando para o exemplo caricatural da questão da guerra, representada neste boneco que vêmos no Blasfémias, lembro-me da simplicidade das turbas linchadoras ou da complexidade do exercício da justiça.
A águia e a pomba são ridicularizadas por pertencerem ao esquema racional de John Kerry quanto à questão da guerra no iraque. Ora isto não é tal e qual ridicularizar a figura da justiça: uma senhora vendada empunhando numa mão a espada noutra a balança?
É espantoso centrar-se a crítica a Kerry na sua eventual esquisofrenia quando todos os pressupostos justificativos da guerra, sabemo-lo hoje, se provaram errados. Não é nessa prova que Kerry fundamenta a sua opinião actual mas estas evidências, agora irrefutáveis, deviam ao menos embaraçar um pouco mais as águias da guerra. Contudo, é com gente deste calibre que temos de saber lidar, sem nos rendermos alegremente às mesmas tácticas. Tough job!
Imagem de Cox&ForKum
Luis Fernando Veríssimo, na crónica de ontem no Expresso (Actual), faz um delicioso elogio aos dicionários, em particular àquele que mais acarinho como está bem presente no cabeçalho do blogue - o Houaiss.
Mais uma boa forma de começar a ler prosa num fim-de-semana.
Hoje é dia de experimentações culinárias com o patrocínio do Marmelo da Beira Baixa.
Fiquem bem.
P.S.: pronto só mais uma coisa. Ainda não parei de rir com Pedro Santana Lopes. Só ontem me apercebi que anunciou na Sexta que há-de falar em momento incerto durante a próxima segunda-feira sobre uma qualquer eventualidade.
Cá para mim a esta hora já se arrependeu do compromisso. Costuma ser assim com tudo o resto. Ao terceiro dia desmente ou maquilha o disparate inicial. Há outras teorias, claro...
Caro, PSL, cá estou eu a aumentar a expectativa e a falar de si como tanto deseja. E à borlix. Pelo sim, pelo não, vou comprar lenços de papel para não ser apanhado desprevenido com a cena que se congemina.
Get a life!
Se a memória não me falha a arte da renovação dos Armazens do Chiado é responsabilidade de Siza Vieira.
No início da semana quando fui em peregrinação até à Fnac do Chiado dei por mim a olhar para uma aldraba à entrada. Mais singela é difícil mas é uma aldraba!
Outras bem mais barrocas seguir-se-ão. Do pombalino ao inclassificável.
Por mais política que aqui prossiga não me esquecerei destas aldrabices ;-)
Lisboa antiga está pejada delas. Noc, noc?
Bush vs Kerry hoje daqui a hora e meia na CNN.
Administrador contesta entrada na "holding" de Luís Delgado e Bettencourt Resendes
Silva Penedo demite-se da administração da Lusomundo Media
(...) Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre. (...)
Miguel Sousa Tavares, hoje, no Público
Disponível em anexo ou, mais justamente, no site do jornal. A não perder.
O Preço da Liberdade
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004
Há várias maneiras de classificar as pessoas. Um amigo meu costuma classificá-las entre as que são importantes e as que o não são - sendo que importante, aqui, significa apenas, e é muito, aquilo que merece a nossa importância, a nossa atenção, e o que o não merece: parece-me, todavia, um critério curto. Uma amiga minha gosta de as classificar, simplesmente, entre boas e más pessoas - bons e maus caracteres: parece-me um critério que faz sentido, mas que abrange apenas o domínio das relações pessoais. Mas, se pretendemos classificar as pessoas pelo critério da cidadania, a classificação que sempre tive como fundamental é a que distingue os homens livres dos capachos.
O grande mal português é que temos, verdadeiramente, poucos homens livres. Pouca gente, poucos cidadãos, que estejam dispostos a viver a sua vida, a construir o seu caminho, sem terem de prestar vassalagem a várias formas de poder. Os arquitectos não são livres, porque dependem dos interesses económicos do dono da obra. Os médicos não são livres, porque, regra geral, querem ser simultaneamente profissionais liberais e assalariados do Estado. Os advogados de sucesso não são livres, porque dependem da consultadoria dos governos e do tráfico de influências entre os negócios, o poder e o patrocínio. Os empresários não são livres, porque dependem dos subsídios, das isenções fiscais e da atenção do governo nos concursos públicos. Os intelectuais não são livres, porque estão quase sempre dependentes de empregos, bolsas ou subsídios públicos, os quais acabam inevitavelmente por pagar com simples fretes de propaganda partidária. Os jornalistas, quase todos, não são livres, porque dependem do pequeno chefe, o qual reporta ao editor principal, o qual deve satisfações ao proprietário, o qual tem de prestar atenção aos humores e sensibilidades do poder da hora.
Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade. Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção fácil das multidões ou das leis.
Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre.
Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não a de cada um, individualmente, mas a de todos. O preço de termos empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e friamente, aquilo que merecemos.
Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas exigem absolutamente.. Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser mungido na Quinta dos Influentes?
2. Há dois anos atrás, ingenuamente, aceitei fazer parte de uma comissão nomeada pelo anterior Governo e cuja missão principal era definir como deveria funcionar a televisão pública, com que meios e financiamentos e a que regras deveria obedecer. Como eu, várias outras pessoas, que nada quiseram nem receberam em troca, sacrificaram muito dos seus tempos úteis e livres, para, dentro do prazo fixado, dotar o Governo do resultado de uma reflexão, em forma de propostas concretas, que reunia o maior consenso possível entre gente de diversas proveniências e ideias. Recebido o trabalho e fingindo-se escudado nas conclusões da sua "comissão independente", o ministro Morais Sarmento meteu as conclusões ao bolso e, até hoje, nem um obrigado nos disse.
Entre as conclusões que ele fez desaparecer instantaneamente na atmosfera, estava uma que recomendava que as regras editoriais e deontológicas estabelecidas para o funcionamento da televisão pública tivessem, obviamente, extensão a todo o território nacional, incluindo Açores e Madeira. Porque, tanto quanto era do nosso conhecimento, nas regiões autónomas vigora a mesma Constituição, o mesmo regime democrático e o mesmo Estado.
Porém, a solução adoptada para a Madeira foi exactamente a oposta e que veio ao encontro das antigas e persistentes exigências do soba local: a RTP-Madeira foi dada de bandeja ao dr. Jardim, aí vigorando, como no resto da vida pública local, uma concepção de liberdade de informação que se confunde com aquela em que o dr. Jardim aprendeu a fazer jornalismo, no tempo do partido único, da censura e da ditadura. E a coisa seguiu assim, sem escândalo de maior. Esta semana, porém, a sem-vergonha do regime madeirense chegou ao extremo de o PSD-Madeira (um eufemismo do dr. Jardim) protestar oficialmente pelo facto de a RTP nacional ter enviado equipas de reportagem à Madeira para cobrirem (para o continente, exclusivamente) as eleições locais - o que, segundo eles, constitui um "insulto à alta capacidade dos profissionais da RTP-Madeira". E mais, indignaram-se eles com o facto de os jornalistas idos de Lisboa "se terem instalado num hotel", a partir do qual "transmitem para Lisboa aquilo que em segredo montam, com máquinas que trouxeram e aí colocaram". Por mais que puxe pela memória, só consigo lembrar-me de coisa semelhante comigo ocorrida na antiga Roménia de Ceausescu. O PSD-Madeira é hoje o único regime em toda a Europa que considera um insulto e uma ameaça a presença de jornalistas "estrangeiros" a reportarem para fora como funciona o seu regime.
Será isto, pergunto, "o regular funcionamento das instituições democráticas", tão caro ao Presidente da República? Ou a excepção democrática madeirense já está definitivamente assumida como coisa banal e inevitável?
Jornalista
Paes do Amaral já falou, já desmentiu.
Pegando na fórmula tão em voga entre os "ofendidos": "Mas alguém acredita que Paes do Amaral, tendo sido pressionado (directa ou indirectamente) algum dia admitiria tal facto?"
A maioria quer agora um "inquérito parlamentar" onde pretende única e exclusivamente ouvir Paes do Amaral. Marcelo Rebelo de Sousa não interessa, nem sequer o Ministro. Deve ser a vingança do "contraditório". Razão tem o sábio Guilherme Silva - que por acaso é o líder da bancada do PSD - quando há dias dizia a propósito de um outro pedido de inquérito da oposição: "os inquéritos são sempre muito politizados, não iamos adiantar nada".
O parlamento fiscalizaria se tivesse nas suas fileiras deputados que conseguissem valorizar um pouco mais as suas supostas funções de fiscalização da acção do governo e a lealdade para com o interesse nacional. O resto é conversa. O problema é que o interesse de longo prazo destes deputados - neste e noutros inquéritos - se faz pelo cerrar fileiras em torno da projecção mediática mais conveniente em todos os momentos. Nada se investe na avaliação do mérito e do demérito da classe política face a acções concretas que levantem suspeitas.
Termino com uma premissa, uma banalidade incontornável, em vez de me atirar a um corolário: a qualidade das pessoas que exercem os cargos e a valorização ou penalização das suas acções por parte dos eleitores sempre foram e continuam a ser pontos chave em qualquer democracia.
E-Mail de contacto: alternativaaoblococentral[at]smartgroups[ponto]com
Mais informações: Mailing List da Alternativa ao Bloco Central
E a chapelada do dia vai para este fresquinho do Paulo Gorjão (A VÍTIMA PERPÉTUA DE SUCESSIVAS CABALAS) , ex-aequo com este outro exercício sobre a história recente (mitigada) dos ministros da propaganda publicado no Terras do Nunca. Na época de Marques Mendes consta que ainda era por telefone, agora é tudo feito à "mão" - graças a isso tamanha indignação, não?
Voluntarismo positivo, digo eu!
"O Bloco de Esquerda e um conjunto de personalidades da vida política, sindical e universitária apresentaram hoje na Assembleia da República uma campanha de assinaturas para abolir o segredo bancário.
O objectivo do grupo passa pela recolha de 35 mil assinaturas que permitam a apresentação de um projecto de lei, cujo artigo único pretende conceder à administração tributária o acesso às contas bancárias "para a fiscalização da compatibilidade entre os movimentos e operações das instituições financeiras e as declarações fiscais dos contribuintes".
(...)
Durante a apresentação da iniciativa, Saldanha Sanches recomendou que se comparasse a situação portuguesa com o que se passa em Espanha, na Alemanha ou até nos EUA, para sublinhar que "o sigilo bancário, em Portugal, é para proteger a fraude fiscal".
(...)"
in Público
Para assinarem, façam download do formulário aqui.
Depois de muito resistir, o Diário Digital lá publicou uma notícia derivada - as reacções do PS ao Marcelo-Gate (sempre sem destaque, que a "excelente" prestação da Ministra na Assembleia é que foi a notícia do dia, em termos políticos).
Simpática continua a ser a reacção do Acidental que tem tido actualizações recentes.
Então não querem ver que andam a tentar pôr mortos maquilhados a circular pelo bairro de Alvalade?
A série Six Feet Under não devia ter muitos fãs entre alguns futuros mortos que habitam o bairro.
Seven o'clock and all is well diz o guarda soturno.
Marcelo who?
"(...) PSD e PS já desiludiram completamente e nenhum dos outros partidos (à esquerda e à direita) são alternativas credíveis para a Governação do País (como se vê actualmente, com a presença do PP no Governo...).
Não há por aí mais gente desiludida com os partidos de poder, que se posicione ideologicamente ao centro, interessada em criar um movimento político alternativo ao actual "bloco central"? Alguém que se preocupe com o futuro do país e que queira fazer algo, levar avante as reformas necessárias, sem objectivos de carreirismo partidário?"
in Janela para o Rio (Nuno Peralta)
O que terá Pais do Amaral deixado de perder para dar esta prenda à SIC?
Aguardemos pelos próximos meses?
O que se passou hoje será argumento para a discussão entre pró-reguladores versus pró-desregulação?
Se não houvesse abuso de influência por parte do executivo como conseguiriamos explicar esta atitude de um homem de negócios como Pais do Amaral? Leu o Terras do Nunca, o Adufe, ouviu o Ministro e ganhou escrúpulos ontem à noite?
Arriscamo-nos à originalidade de ter um teso como primeiro ministro que consegue manipular descaradamente toda a comunicação social.
Os italianos tiveram de eleger um magnata dos media para alcançarem tais propósitos.
Grande Santana!
Para quando calar os blogues?
Por quanto vende o seu blogue?
Tem a certeza que abster-se e chamar aos políticos "a mesma corja" é a melhor atitude para seu próprio bem?
Haverá tontos a festejar em Belém ou antes pelo contrário?
Backslash total!
A chapelada do dia vai, obviamente, para o Professor Marcelo.
Perdemos hoje o professor Marcelo.
E agora?
Eu voto já num aceso debate aos Domingos na TVI, durante o Jornal Nacional, entre Luis Delgado e ... Telmo Correia, pode ser?
P.S.: Parabéns à SIC neste seu aniversário.
A 5 de Novembro de 2003 num blogue perto de si escrevi isto:
O segredo está nos feriados
No Jornal de Negócios de hoje noticiava-se que uma das medidas das finanças francesas para minimizarem o défice que se orçamenta para 2004 (assumidamente superior a 3%) será considerar a redução do número de dias feriados, eliminando um deles.
Quanta receita fiscal adicional se arrecadará por cada dia a mais de actividade económica? Não tenho os números nem o tempo para os procurar e propor um qualquer modelo de cálculo mas assumindo que menos feriados representam menos défice tenho uma boa notícia! (...)
E a boa notícia era que no primeiro semestre de 2004 teríamos o maior número de dias úteis dos últimos anos. Curiosamente, no segundo semestre, se as contas não me falham, 2003 e 2004 empatavam.
No total enquanto os franceses tentavam rapar o tacho "ganhando" dias úteis mudando a lei, nós por cá poderiamos contar com a providencial ajuda do calendário. Afinal...
Que tal isto como contraditório caro Ministro Rui Gomes da Silva?
Faz-me um bocadinho de confusão ou de espécie para ser ainda mais rente.
Temos uma boa perspectiva de vir a chegar ao poder e agora?
Convocamos uns estados gerais e perguntamos a "uns independentes" o que é que eles acham que nós devemos fazer. Perguntamos, agora, só agora, num processo que se faz para aí de dez em dez anos, note-se. Tudo bem, não vou implicar muito por aqui.
Resumindo: alguma coisa contra? Nenhuma, terei muito gosto em colaborar, mas...
ONDE É QUE SE DISCUTE POLÍTICA NO INTERIOR DOS PARTIDOS? OS TIPOS QUE LÁ ESTÃO NÃO PASSAM DE PARASITAS ACÉFALOS? SÓ SABEM DISCUTIR FORMAS E FÓRMULAS DE BEM PARECER E BEM ORAR? SÓ SABEM DEFENDER PERMANENTEMENTE O CASTELO DO INIMIGO E NÃO TÊM TEMPO PARA "POESIA"?
Baixando de tom...
Ou será que nos benditos estados gerais a "postura" do partidários não será a de desempenharem o papel de meras esponjas (ou, pior ainda, de "fazedores-de-conta") e levarão à partida matéria para debate?
Umas pistas nesse sentido, já hoje, eram capazes de estimular um pouco mais a malta, afinal de contas ter partidos é bom porque temos quem responsabilizar; despachar tudo para os "independentes" é um bocadito esquisito. Temos os partidos de funcionalismo público e de carácter permanente e os partidos eventuais responsáveis pelo brainstorming? É uma forma. Esquisita, mas é uma forma.
Enfim, discuto intensidades mas não me parece irrelavante. Se calhar estou é a precisar de ir dormir. Fiquem bem. Let's Go WEST!
Either you're with me, or against me!
Sócrates deixou Seguro a cozer em banho-maria ao mantê-lo no cargo?
Hum... Lugar complicado para arriscar esses pratos, não?
Seguro já começou a dar provas de deslealdade com a sua abstenção?
Cá para mim temos uma win-win situation. Esperemos que sobre algo de positivo para nós, também.
A página para o Museu da Presidência da República, cara MMLM, está aqui.
E está catita.
Ainda estive com "O senhor do aneis" na mão mas algum fascínio pela simetria, pela constatação da parceria entre ficção e realidade me levou a trazer para casa os fantásticos "Sim Senhor Ministro" e sua sequela "Sim Senhor Primeiro Ministro".
Há por lá episódios que imitam com antecedência a nossa novela caseirinha de uma forma tão perfeita que eu temo por algum processo sobre os nossos políticos quanto a direitos de autor.
Eça já faleceu há mais de 100 anos mas quanto às séries da BBC ainda deve haver direitos reservados.
Acautelai-vos!
Há umas pechinchas interessantes na feira do livro da Bertrand ao Chiado...
Hoje foi dia de me reconciliar um bocadinho com esta Lisboa que eu amo e tanto desconheço.
Ainda houve tempo para ler o Eduardo Dâmaso no Público.
Eu vou ali ver se cresço e um destes dias volto à política aqui no adufe que isto da impulsividade às vezes dá naquilo.
Adenda: se tinha dúvidas quanto à resposta à pergunta do título - nunca tive mas faz de conta - o JHP deu-me uma ajuda: vou fazer companhia ao David!
Como "diz" o outro, "...M'ESPANTO AS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO..."
Vamos em busca do que está para além das reticências...
A não perder o "repto" do Manuel e a réplica do João (I e II) sobre o assunto: o que esperar do PS e quando.
Dito o que disse há pouco ao Timshel (num comentário) atribuo a chapelada do dia ao Portugal dos Pequeninos, atrevendo-me à reprodução integral:
"O presidente do governo espanhol. José Luis Zapatero deu na passada sexta-feira uma interessante entrevista ao jornal Público. Quando a li, fiquei com a sensação de que, apesar da proximidade geográfica, continuamos bovinamente a milhas dos nossos vizinhos, como aliás sempre estivemos, mesmo com Franco. Não obstante os sorrisinhos e as amabilidades que fazem as "cimeiras ibéricas", desde Gonzalez a Zapatero, a verdade é que nós jamais conseguimos acompanhar o estonteante "ritmo" espanhol. Nem na alegria nos podemos equiparar, muito menos nas prioridades ou na qualidade de vida. Zapatero explicou que cerca de um quarto do orçamento de Estado é destinado à ciência. Para mudarmos o modelo de crescimento temos de ter mais laboratórios, mais títulos académicos e menos tijolos, disse ele. Lopes terá percebido? E não o preocupa ficar na história como um "grande líder político". Prefere antes ser conhecido como "um grande democrata". De facto, e no momento em que decorria a primeira "cimeira" com Santana, o país de Zapatero introduzia uma modificação legislativa impensável há uns anos na catolicíssima terra do macho taurino, aparentemente com ampla caução da actual sociedade espanhola. Eu subscrevo a ideia de que nem o código civil nem qualquer igreja têm o direito de interferir na minha concepção de família. Não são quatro ou cinco artigos espúrios da lei ou um sermão que devem deterninar com quem é que cada um pode viver, dormir ou ser simplesmente feliz. De Espanha, finalmente, sopram bons ventos e bons casamentos."
Se for, não estará quase tudo dito?
Ou então não estou a ver bem o que é um "Conselho Nacional".
Adenda via Público:
" (...) O secretário-geral tem direito a designar os primeiros nomes da lista para a comissão nacional, órgão que é composto por 251 dirigentes. Parte substancial da lista é designada, contudo, pelas estruturas locais do partido e pelos delegados eleitos ao congresso, que propõem os nomes ao responsável máximo pela lista. Nesse âmbito, a estrutura local de Matosinhos propôs os nomes de Manuel Seabra, presidente da concelhia, e Narciso Miranda, presidente da Câmara. Nomes que não foram rejeitados por Sócrates. (...)"
O orgão tem 251 membros. Demasiados para que o PS se possa dar ao luxo de propiciar um certo "low profile" aos dois senhores?
Sócrates já começou a pagar as facturas. Não se estará a vender por pouco? Ou temos maquiavel?
Quem tem medo do Narciso Miranda?
Retenho uma frase que o Timóteo escreve a propósito da troca de opiniões, sobre o Centrão, entre Vital Moreira e Pedro Adão e Silva:
« (...) A classe média (ao contrário do que parece pensar Sócrates) não se importará de fazer sacríficios se constatar que a sociedade é mais justa, mais igual e mais eficaz. E é demonstrando que com o PS no poder, a sociedade seria mais justa, mais igual e mais eficaz que o PS se apresenta como alternativa a este governo. Isto parece-me que é ser de esquerda. Se acham que isto é "centrão" então eu sou do "centrão".»
Pois meu caro Timóteo, até acho que tens muita razão, mas não tenho dúvidas que o tempo para a maior eficácia, para o melhor aproveitamento dessa capacidade de sacrifício e de compreensão por parte da "classe média" em prol de uma menor desigualdade de meios e oportunidades, de facto já se perdeu nos idos de 1995.
Quando o PS chegou então ao governo estava em condições absolutamente únicas para equilibrar as finanças (aumentando os impostos, essencialmente por via da maior eficácia da cobrança!), recuperando maior igualdade social, implementando uma melhor redistribuição dos rendimentos.
Hoje, depois do contexto dos governos recentes - e presente(s) - e até pela própria forma de fazer política, "pastilha-elástica" como nunca, tudo será muito mais difícil. Dito isto, no essencial estou de acordo contigo e partilho os teus receios face à liderança de José Sócrates.
Tudo ainda permanece demasiado vago, continuemos a aguardar...
O congresso que se vê na comunicação social, esse mantêm-se igual a todos os outros: sem perguntas e sem respostas.
Valeu-nos a campanha quanto à forma e com alguns - poucos - detalhes quanto ao conteúdo; tudo o resto permanece estrategicamente desconhecido - e espero não estar a ser benevolente com esta hipótese.
Mas onde raio se discute política no interior de um partido?
Às vezes parece-me que se regressou à política pelos blogues, palavra de honra!
Ao menos isso!
Para o ano o 25 de Abril não poderá ser feriado pelo oposto das razões invocadas para justificar a actual tolerância de ponto. Porquê?
Já lá vamos.
1. O Terras do Nunca comentava há dias que se tivesse sido o Guterres a dar a tolerância de ponto já estariam a chover as acusações de regabofe, bandalheira, facilitismo.
2. A propósito do mesmo assunto a Viúva Negra perguntava na Grande Loja:
"(...)Será para contribuir para as estatísticas que nos colocam no top dos países menos produtivos da Europa? Ou será antes por ser o melhor remédio para nos esquecermos de quem nos governa ao mesmo tempo que desligamos do congresso dos sócristas?(...)"
3. E o Paulo Gorjão acusava o Governo de Fugir às responsabilidades:
"(...) A tolerância de ponto dá imenso jeito ao governo, na medida em que permite ganhar algum tempo precioso para a abertura do ano lectivo. No entanto, o governo transfere a responsabilidade para os conselhos directivos das escolas (...)"
Cessem as críticas! Calem-se os miserabilistas e os ressentidos!
O nosso serviço de informações (na pessoa do Sérgio) pede-nos para atentarmos no pormenor da justificação para a tolerância de ponto. A "verdadeira" razão!
Ora tomem lá com um pedaço do 14 710-(2) DIÁRIO DA REPÚBLICA— II SÉRIE N.o 232 — 1 de Outubro de 2004 - PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Gabinete do Primeiro-Ministro
Despacho n.o 20 381-A/2004 (2.a série).— Considerando que, no ano de 2004, o feriado de 5 de Outubro recai numa terça-feira;
Considerando que, no ano de 2004, muitos dos feriados estipulados na lei coincidiram com fins-de-semana:
Ao abrigo da alínea d) do artigo 199.o da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.o 3 do artigo 3.o do Decreto-Lei
n.o 215-A/2004, de 3 de Setembro, determino:
1 — A concessão de tolerância de ponto aos funcionários e agentes do Estado, dos institutos públicos e dos serviços desconcentrados (...)
Já percebem agora que pela lei das compensações para o ano vamos ter de deixar de comemorar algum feriado?
Ó amigo, o que é que objectivamente significa ser posto borda fora pelo actual secretário geral?
Ferrete: "Não Utilizar = Não Presta"?
Se o senhor Seguro faz este tipo de contas anda a desperdiçar engenho.
Tem feito um excelente trabalho na bancada e não afrontou Sócrates na corrida, logo não se demarcou o suficiente para justificar problemas de comprometimento com outra orientação política.
Se for posto a andar é bom que a alternativa seja melhor senão é um começo mal fadado para o novíssimo secretário-geral. Não sairá por demérito, outros terão de justificar essa opção.
Enfim, acho que por vezes se exagera. Alguma linearidade de vez em quando até nos leva ao caminho mais curto... para o bem comum.
Não haverá outras limpezas bem mais importantes a fazer?
Arrastar todo aquele PS que o elegeu é impraticável.
Tentará Socrates a quadratura do "circo"?
Durante a campanha não vi um único facto que me consolasse. Aliás, o que se disse nos primeiros artigos de jornal permaneceu como a declaração política mais relevante. Muito pouco para construir a esperança entre os atentos simpatizantes. Estamos ainda atentos, esperando novas durante mais uns tempos.
The question mark still endures!
Língua de fora ao cantinho da boca, lápis na mão, toca a escrever bem debruçado sobre o blogue:
5cmX5cm - chamada de primeira página (a mais pequna desta edição) para os resultados da sondagem do DN: "PS mantém maioria e PSD cai 2%".
Manchete: "Braço-de-Ferro: Governo avança contra Sampaio nas taxas da Saúde."
Espera-se a versão "Diário de Notícias" deste texto sobre "A Capital".
Esta malta dos blogues (e não só) é danada. Qualquer dia começa a armar-se em accionista do Estado, ainda faz auditoria às contas e começa a votar para os corpos gerentes do dito cujo :-)))
Se não fosse a abébia da Celeste ninguém perguntaria: quem é Maldonado Gonelha? E os outros como lá chegaram? Que mérito têm tido no seu trabalho?
Encontrar um propósito para o Estado, defender que ele tem áreas decisivas de intervenção não é exactamente o mesmo que pactuar com as obscuras razões da "ingestão" da coisa pública por uns punhados de sacaninhas. É também o oposto disso.
E nem interessa se conduzo pela direita ou pela esquerda.
Quantos meses (dias?) é que Celeste Cardona tem de ser administradora da CGD para ter direito a uma bela reforma?
Banalizar uma ilegalidade, um mau comportamento, uma solução de recurso geralmente contribui para que tais práticas mudem de condição e passem a integrar a "corrente dominante". É um modo de operar dificílimo de contrariar, poucos resistem às suas consequências. Um fantástico teste à integridade e à inteligência. Um autêntica arma atómica para demolir os princípios básicos do contrato subjacente a um regime democrático, por exemplo.
O cenário é negro, mas... De vez em quando surgem períodos na história onde se vai longe demais ou talvez cedo de mais. A aculturação à mediocridade e ao regresso a velhos preceitos medievais não me parece que venha a vingar sem uma boa luta.
O que é que isto tem a ver com a indigitação de Celeste Cardona para a CGD?
O que tem a ver é que é impossível conter a indignação pelas sucessivas faltas dos últimos dias.
E enquanto há indignação à há inquietação. A máquina de reconverter valores ainda não ganhou a guerra.
Na blogoesfera a vassoura está pronta, falta conquistar o país e condicionar a actual oposição, vinculando-a a rejeitar as práticas correntes e preparando caminho para um escrutínio cada vez mais rigoroso da actividade política.
As mangas já estão arregaçadas.
É impressionante como o governo de António Guterres está longe de ter sido o pior de sempre na nossa jovem democracia. Nunca antes ninguém tinha afrontado tanta gente ao mesmo tempo com tanto desaforo.
Esperemos que os aforismos de Jack Kennedy se cumpram em breve neste país.
Os inquéritos parlamentares não se devem fazer, especialmente em matérias melindrosas, porque costumam ser muito politizado.
Quem disse isto ontem, mais ou menos com estas palavras, foi o presidente da bancada do PSD - Guilherme Silva.
Dou-lhe o prémio adufada marafada do dia.
Se eu fosse em silogismos como completaria a frase: "Os inquéritos parlamentares devem-se fazer porque..." ou ainda "Ser deputado é importante porque..."
Ah!! Como eu gostava que este(s) governo(s) tivesse(m) um espantoso efeito de boomerangue. De pôr os 'tugas mais atentos à política porque afinal a coisa mexe com a vida de cada um! Até no quintal das traseiras!
Quanto é que a COMPTA vai pagar de indemnização mesmo?
Eu ofereço um post de borla ao jornalista que acompanhar o processo até às últimas consequências.
O Sérgio chamou-me a atenção para esta "nova" requentada que já aqui deu brado e que está ainda por esclarecer. Será o Público quem levará a medalha do esclarecimento?
Pois hoje retomou a matéria.
E ainda:
"A Organização Mafiosa Continua em Funcionamento"
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
"A Organização Mafiosa Continua em Funcionamento"
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
"O que me preocupa nisto tudo é a existência de uma rede, de uma organização criminosa, que além de roubar votos pode roubar muitas outras coisas." Alberto Silva Lopes sabe que as suas palavras fazem sorrir algumas pessoas, mas a sua convicção é maior do que o receio das opiniões alheias: "Há aqui dois problemas. Um tem a ver com as eleições e outro é a organização mafiosa que continua em funcionamento." Considerando que o que se passou nas autárquicas de 2001 foi "uma operação geral de deformação de resultados em todo o país", o queixoso garante que os responsáveis "são criminosos de baixo calibre". O problema, acrescenta, é que "não há ninguém que os agarre por medo, por falta de acuidade intelectual dos investigadores e por conivências que têm a ver com a má consciência dos lesados, derivada de coisas que fizeram lá não muito escorreitas". Questionado sobre a coincidência desta sua nova iniciativa judicial com a campanha eleitoral para a liderança do PS, Silva Lopes rejeitou qualquer relação entre uma coisa e outra: "O João Soares fica a olhar para isto e tem medo. Ele diz que eu estou doido e nunca me ajudou neste combate." J.A.C.
Só rindo meus amigos.
Como é que se faz para mandar estes senhores para o circo? URGENTEMENTE!
A bem da nação.
Espero que tenhamos batido no fundo do fundo com este governo.
Lá do centro da Europa com um simpático trampolim numa caixa de correio mais próxima acabou por chegar ao Adufe um dito de uma figura metida a artista.
"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."
(Eça de Queirós)
Isto até parece mal (afinal também lá escrevo) mas não resisto a destacar este post do Manuel e as respectivas conclusões. Ao cuidado de José Pacheco Pereira e da ala dos incoformados. JPP dá a mão mas precisa-se do pé.
Excerto:
"(...) Agora só falta a José Pacheco Pereira, que tem responsabilidades, que parece ter ideias, ser consequente. E sê-lo, significa tão somente deixar de jogar a solo, tal como o Marcelo que critica, percorrer o País, explicar às bases e aos militantes que não tem que se resignar porque Santana Lopes não é o PSD e vice-versa, e como corolário apresentar ao próximo Congresso uma moção de estratégia global alternativa à da actual direcção.
Ninguém pede a Pacheco que se apresente como alternativa de liderança mas está na altura deste ser consequente se quiser ser levado a sério. E nesta altura ser consequente não significa apenas ter ideias e manifestar discordâncias, significa lutar por uma alternativa credível - no seio do PSD - ao actual estado de coisas... Aguardemos."
Bom... Está quase na hora da sesta e isto por aqui (pela Blogoesfera) anda ao rubro. A minha opinião já por aí ficou dispersa entre este tasco e aquele outro feito à base de leite fermentado.
Noutro dia se escreverá mais alguma coisa sistematizada, para ajudar à festa. Aliás este tema - reforma fiscal - já por aqui veio em tempos. Hei-de recuperar esses ditos em favor da simplicação da tributação do imposto sobre o rendimento. Mas este não é decisivamente o tempo ideal para essas utopias.
Sem tempo para argumentações adicionais fica a memória das minhas rápidas leituras (em bom):
Aqui:
"(...)10. Será que quem detinha contas poupança eram os que não declaravam impostos, ou aqueles que por os declararem conseguiam com este benefício reduzir os impostos?
11. Será que quem detinha contas poupança eram os ricos, ou uma classe média capaz de sacrificar alguns consumos para garantir uma habitação própria ou para os filhos? (...)
Luis Tito "Alegre" Novais
e aqui
"(...) O Estado precisa de se financiar para pagar alguns serviços que nos presta (cada vez menos... veja-se o aumento dos passes, já no mês que vem) e uma data de mordomias a uma gajada da côr (veja-se o affair Mira Amaral...).
O Estado decide então pôr a chamada classe média - basicamente a malta que trabalha por conta de outrém, que produz riqueza, e não tem maneira de fugir aos impostos - a pagar a despesa. E vai daí saca-lhe nas taxas moderadoras, nos benefícios fiscais, nas portagens... Tudo junto, há famílias remediadas que irão à falência.
O Estado poderia ter optado por sacar o dobro da massa no off-shore da Madeira, nos bancos cá da terra, ou mesmo de duas ou três empresas de sucesso cotadas na Bolsa e tudo e que usam os esquemas mais manhosos para não pagarem um tusto.
Mas não, a classe média é a vítima perfeita. Porque só a classe média seria roubada desta maneira e ainda aplaudiria. Porque a classe média é, por definição, uma classe cheia de complexos - já foi pobre, subiu na vida, e olha para baixo com um misto de arrogância e comiseração. Ponham-lhe um ministro beato a anunciar justiça social (vejam bem, não é preciso que faça, basta anunciar...) e a classe média desfaz-se em lágrimas.
O Daniel Oliveira [Barnabé], já se percebeu, é da classe média. (...)
Peter Pan
Para juntar ao da Catarina mais em baixo e ao profético JPP.
(Olá, malta que acede por estes minutos do gov.pt. Sejam bem-vindos!
Mas se estão a resolver os problemas do início do ano lectivo pirem-se já dos blogues. Está bem?! Belo tempo aqui em Lisboa, não?)
Sim a questão da reforma merece ser esclarecida e devemo-nos munir de outro tipo de enquadramento legal para estes casos. Falamos de uma reforma astronómica por um ano e meio de serviço, caramba!
Mas o esclarecimento e a solução não se devem fazer a todo o custo, ao sabor da fúria "linchadora" que acabamos por alimentar.
O Jumento explica um pouco melhor o que quero dizer:
"(...)DÚVIDA 2:
A não ser que nestes dias nenhum processo de aposentação aguardava despacho o processo do cidadão Mira Amaral passou à frente de tudo e de todos, o que só é possível com a intervenção dos dirigentes de uma instituição que em tempos foi tutelada precisamente pelo agora aposentado.
O ministro das Finanças vai mandar fazer um inquérito para apurar responsabilidades disciplinares dos responsáveis da Caixa Geral de Aposentações? Quantos funcionários aguardam pela conclusão da tramitação dos seus processos de aposentação na CGA? (...)"
in Jumento
É claro que a mantermos esta regra de respeito básico por quem está à frente na fila corremos um outro risco que resulta de uma outra falha do sistema: a pouca memória noticiosa das agendas dos órgãos de comunicação. Mas como disse, essa é outra falha do sistema que não deve justificar as más práticas da tal febre do momento que todos ultrapassa. Este é um sub-produto muito nefasto do populismo, um que a prazo nos condena a sofrer na pele os seus efeitos secundários.
Era bom que houvesse mais jornalistas com mais memória. Também deveria ser esse o seu papel. É a presença desta qualidade que melhor define por estes dias um bom profissional. E temos a sorte de até ter alguns na blogoesfera.
PS.: Quero aproveitar para pedir desculpas às últimas pessoas que subscreveram a mailing list do Adufe e que têm recebido os avisos de novos posts em duplicado. Houve pessoas que inadvertidamente se inscreveram mais que uma vez como o mesmo mail e não tendo eu feito a limpeza das repetições - processo manual - deverão ter recebido os avisos em duplicado.
Obrigado e disponham do e-mail que está meio disfarçado na coluna da direita.
Será que não há debates com velocidade excessiva?
Não, se os interlocutores estiverem demasiado seguros das suas convicções.
Ou acaba num ápice via lei do mais forte, ou nunca acaba por impossibilidade de convergência.
Esperemos que haja uma terceira via. O nosso futuro depende disso.
(terrorismo, princípio do utilizador-pagador, etc)
O tipo que amanhã explicará porque é que a que previsão que ontem fez sobre o que ia acontecer hoje já foi em tempos uma anedota sobre economistas.
Pegando neste post de JPP sobre Bagão Felix ontem na RTP, o ministro é o tipo que não sabe se amanhã terá a confiança política que sustente a matéria que apresentou hoje sobre a qual ontem obteve prévio consentimento e acordo.
E não se fala só deste ministro.
Se um tipo for administrador da CGD por um dia tem direito a 18 mil euros de reforma?
(o fim do septeto na GLQL)
Hoje apetece-me dizer bem de alguém... Mas de quem?
Pode ser de um político. Que tal deAntónio José Seguro?
A muito custo lá consegui apanhar um órgão de comunicação social que transmitisse um bocadinho da sessão parlamentar - que não o Canal Parlamento.
Por vezes "assisto" aos debates como quem assiste a um jogo de bola da primeira liga. Sem expectativas de edificação intelectual, esperando mais faltas que minutos de jogo com pouco ou nada que nos redima mas sempre à espera de um golaço do Sporting. Assisto na "desportiva" como vêem, mas sempre com aquele muito característico sentido crítico de Alvalade: jogam mal não há perdão, jogam bem, não há pai.
E vem isto a propósito de um benfiquista que já vi apanhar porrada da pior que há na imprensa ainda antes de ter chegado aos 33 anos. Dos políticos de carreira que se conhecem, daqueles que em larga medida fazem por merecer o libelo de superficialidade que lhes atribuem (se fosse só esse) sempre nutri particular simpatia por este raro penamacorense na política. Parece que anda por aí outro anónimo que também tem pinta ;-)
Gostava de fazer uma pergunta, ao AJS e a mais uns quantos: "Porque é que anda "nisto"?"
Hoje gostei da entrada do PS no ano parlamentar, a prometer apostar na regularidade das exibições e dar indícios de confiança à bancada. Uma intervenção que de facto dá garantias de normalidade ao debate interno, assegurando que o dramatismo da eleição não assuma proporções ridículas e mantendo a equipa em forma até ao dia D.
A máquina, "o aparelho PS-parlamento", tem de continuar a assegurar mais do que os serviços mínimos. É de lá que vêem as indicações mais interessantes de que o PS ainda faz oposição democrática por estes dias, como convém.
A situação do governo é delicada, mas quantas situações delicadas não houve nos últimos anos sem que o PS as aproveitasse para se provar alternativa? Quantas vezes gramámos com Louçã manipulando o único megafone da freguesia?
Hoje (ontem) o PS picou o ponto. Cumpriu com o dever de confrontar o governo com o respeito pelo país e escreveu mais umas anotações no livro dos compromissos ao serviço da oposição futura.
E é assim que sem dizer nada de concreto falei de política.
P.S.: Hoje o parlamento é claramente um campo aziago para a maioria. Quem o diria há um mês? Fujam de lá ministros, fujam!
Não se atrevam a aparecer fora dos filtros da grande central de informação que entretnato vai alastrando, alastrando...
P.P.S.:O Guilherme Silva já merecia uma ilha só para ele, mas está difícil...
Sete pedaços de texto completamente livres de impostos em início de publicação na Grande Loja sob o título: "Os meus três salários mínimos".
(Entretanto David Justino regressa à Grande Loja...)
Gostaram da gravata do ministro? E do desconforto, gaguez e tibieza no discurso? Não é comum no senhor, temos de reconhecer, por isso notei.
O que o "emperrava" hoje à noite frente às câmaras?
Espero que não se imaginasse a perder o cantinho no céu.
Estaria ele a pecar em directo para milhões de telespectadores?
Eu, como lêem, já estou condenado.
Afinal a retoma esfumou-se...
Afinal o discurso não passou de um remake de Manuela Ferreira Leite...
Afinal eu poderia ter dito o que ele disse...
Afinal só agora descobriram o que era uma scut...
Afinal é preciso começar tudo de novo pois está tudo por fazer...
Ouvindo o ministro sabemos que o governo inventou uma nova doença, uma degenerescência da doença bipolar.
De pé!
Para o modesto conhecimento das construções do mundo que tenho (in loco restrinjo-me a uns passeios pela Europa) é inconfundível o (a)prumo de uma pedra de cantaria talhada por artífices do império romano. Muitos séculos se passaram até recuperarmos aquele saber e digo-o olhando para uma muralha na qual as sucessivas camadas foram sendo erguidas pelos executores e cangalheiros de antigos senhores.
Guardam as pedras um impressivo registo dos avanços e recuos da arte de arquitectar e bem construir em favor da perenidade (não falo de beleza estética pois estaria a ser injusto).
Primeiro granito Romano, depois uma nova fundação em xisto para sustentar a muito árabe argamassa, seguindo-se de novo o granito, mal amanhado, imperfeito, quase colado a cuspo de "cristãos".
Hoje não é a imagem de muralhas que vos trago, nem é ainda o regresso às portas e às suas aldrabas e batentes.
Em dia de recordar os caídos e de reflectir sobre os erros e os novos rumos, prefiro olhar para trás num exemplo bem presente. Olho para a ponte que Trajano mandou erigir entre os actuais Portugal e Espanha, atravessando o Tejo e que entretanto foi sendo destruída por guerras e recuperada pela paz.
Há dois mil anos chegávamos por ali à capital do Império, hoje usamo-la para percorrer todo o mundo. Cumpriu e cumpre ainda com as suas funções, mesmo aqui, querendo, na internet. Saibamos ter arte, inteligência e determinação para construir caminhos com boas estradas, boas pontes, eficientes estalagens e bons cavalos. Dos que nos projectam para o futuro, a todos.
(este post continua a vir à tona do blogue, mais coisas seguem abaixo)
Que perguntas gostariam de fazer a José Sócrates/Manuel Alegre ou João Soares?
É deixar aí na caixa de comentários por favor. Obrigado.
Testing, testing... de Umberto Eco (ou provando e riprovando: o super-heroi anti-fundamentalismo) descoberto via FísicosLX
E já agora o imperdível artigo de Teresa de Sousa no Público de hoje: O Medo e a "Realpolitik".
Mais logo no Adufe: "Detalhes de Férias - Ávila e a Construção Colectiva"
Esta história dos pactos de regime é tão gira.
Andamos para aqui a discutir liberalismos, esquerdismos, conservadorismos, teorias e exemplos práticos de além mar e depois chegam uns tipos encartados que descaradamente fazem pactos e atiram-nos à cara que as nossas discussões são boa música para pôr um boi a dormir.
Mas porque é que será que cada vez há menos pessoas a participar na democracia? A votar e a agitar bandeirinhas?
Há de facto pelo menos três países neste rectângulo anguloso e um deles anda cada vez mais esquizofrénico, a falar para si próprio, em código, com ameaças veladas, escarrando por todos os poros. Outro anda com os copos ou com os drunfos e o terceiro belisca-se a ver se acorda.
Não é uma porcaria esta herança judaico-cristã de esconder os pecados e só os revelar no confessionário? Houvesse ao menos fé e uma projecção "ao alto" de um punhado de audazes em cada uma das partes desta trindade-nação.
Como é difícil ser decente, minha gente.
Boas férias que eu vou ver se me educo um pouco mais.
Fiquem bem!
(Em estéreo na GLQL.)