setembro 21, 2004

I've did it again!

A penitente direcção editorial do Adufe, assim como toda a sua redação informa, em jeito de correcção e apologia face ao lapso do post anterior, que Mação está no mapa e tem belíssima aldrabas. E se arranjássemos um patrocinador para cada aldraba em vias de extinção?

Um grande abraço para todos os Maçanenses (será assim?) na pessoa do António Colaço.
Nota: o IP6 agora parece que se chama A23, é uma das famosas scuts...

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setembro 15, 2004

O cão e a culatra

Eis a primeira aldrava portuguesa no Adufe. Oferta de um leitor generoso.
Vamos até Monsaraz.
Reparem no pormenor científico-arqueológico do dedo a dar a escala do cão e da culatra...

Será medieval? Em Monsaraz. Foto de E. Paulino

A proposta enviada pelo E.Paulino completa-se com uma imagem mais panorâmica desta que é uma porta com preocupações conservacionistas (ou então são surdos, diz-me um diabinho aqui sentado no meu ombro direito).
Muito provavelmente três portas se finaram e houve quem tivesse o gosto de recuperar a memória ilustrando-se de aldrabas.
Assim como nós por aqui.
Ainda de Monsaraz e da mesma porta; um trio!


Aldravas? Aldrabas? Batentes? Escreve-se como me aprouver, parece que há autorização superior.
Venham mais!

Nota: a definição das imagens não é a original. Tenho mantido o compromisso de reduzir a definição perdendo um pouco de qualidade para ao mesmo tempo poder apresentar mais imagens sem com isso fazer do adufe uma página que demore demasiado a carregar.

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setembro 14, 2004

Hoje em Évora

Dos pais do Nuno, que morreu em Montargil em Agosto
O terrível acidente ocorrido no passado dia 14 de Agosto em Montargil, em que morreram sete jovens e um ficou gravemente ferido, foi notícia e chocou muita gente.

E para nós que perdemos o nosso filho Nuno, o PUTO para os amigos, a nossa dor é imensa, e só encontramos coragem para sobreviver pensando na forma como ele estava sempre disponível quando era preciso tomar uma ATITUDE, face aos mais diversos acontecimentos. Fazia-o, intervindo sempre com um sorriso, na animação cultural e social de jovens que sempre fez. Estudava e preocupava-se com a comunicação, e estava empenhado na criação de mensagens sobre ambiente e saúde, (o stand de Portugal, na última Conferência Ministerial Ambiente e Saúde, foi criado por ele). Os acidentes rodoviários eram uma das suas preocupações, e ?

Em toda a nossa vida profissional procurámos dar o melhor contributo na educação, na saúde e na cidadania, tendo sempre como objectivo contribuir para uma sociedade mais segura e uma melhor qualidade de vida.
E, como pais, pensávamos ter contribuído para que os nossos filhos crescessem felizes e preparados para o futuro, e podíamo-nos orgulhar dos seus comportamentos e do seu exercício da cidadania.

Este acidente, bem como todos os outros que têm ocorrido no nosso País, lançam a tragédia sobre muitas famílias e deixaram o país mais pobre, pelo que nos questionamos sobre o que nós, todos os PORTUGUESES andamos a fazer.
Constatamos que apesar de toda a intervenção que se tem feito para minimizar este problema, este persiste com uma dimensão catastrófica, e que de certeza haverá muito mais a fazer por parte das entidades oficiais e da sociedade civil em geral. Assim, decidimos promover o Encontro em epígrafe, para o qual contamos com o apoio de muitos amigos, e para o qual vimos convidar V. Exa a participar, no próximo dia 14.09.2004, às 14 horas, na Escola Secundária Gabriel Pereira, em Évora, com vista a uma reflexão que possa contribuir para que em Portugal não se continue a assistir a estas fatalidades.
Com os melhores cumprimentos

Filomena e Adérito

Encontro de Reflexão sobre Acidentes Rodoviários
Escola Secundária Gabriel Pereira, 14-Setembro
Rua Dr. Domingos Rosado
Évora - 14.30 Horas

in Paz na Estrada

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setembro 06, 2004

Pão para o cérebro

Houve pouco professores que deixaram marca na minha carreira académica. Ainda assim não me queixo da sorte que tive em 16 (agora 17) anos de carreira estudantil sempre no ensino público e quase sempre em pleno subúrbio.

As luzes da tv trazem hoje cá a casa uma dessas excepções com que por dois momentos me cruzei: logo no começo do preparatório nuns generalistas estudos sociais e depois nos preliminares para a licenciatura numa nada enfadonha disciplina de história.
Inconformado, inteligente, comunicativo, bem humorado. Sem entrar e mais detalhes saltam-me estes adjectivos sobre o então professor Sérgio Luis Carvalho, actual director científico do Museu do Pão em Seia e hoje entrevistado de Ana Sousa Dias na 2 por volta do mudar do dia.

"Ana Sousa Dias entrevista hoje Sérgio Luís Carvalho, no programa "Por Outro Lado". Foi na sala de professores da escola secundária de Mem Martins, onde dá aulas de História e História da Arte, que Sérgio Carvalho foi convidado por um colega para participar no projecto de criação de um Museu do Pão, em Seia. Passados oito anos, o museu existe numa casa grande onde há espaço para salas expositivas, restaurante, bar, e em média recebe mais de 300 visitantes por dia. Sérgio é agora director Científico do Museu do Pão."

in PÚBLICO

Museu do Pão em Seia

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julho 30, 2004

Floresta - Um bocadinho de descrença e uma ideia para amanhã II/II

II
Há anos que a situação de desequilíbrio negocial se mantem em Penamacor-Benquerença e não surge ninguém, nenhuma mão invisível feita empresário que se aperceba do lucro a partilhar que existe pelas terras raianas - fica a dica para algum interessado!

Os produtores florestais envelhecem, os herdeiros raramente se interessam e a exploração das serras quando é feita resume-se à actividade melhor organizada e fornecedora das melhores rentabilidades no mais curto espaço de tempo.
Premissas como a sustentabilidade do ecossistema, do próprio negócio a médio prazo e o desenvolvimento de uma política de fixação de população - repovoamento do interior - não são interiorizadas no modelo económico vigente. Algo que é cada vez menos um modelo para se resumir a uma monocultura controlada à distância.
A cultura definha, a memória desaparece, o país descaracteriza-se.

O problema é complexo mas não irreversível.
Permitir cegamente a exploração que se vai fazendo do interior-centro do país sem ordenar o território (e implementar esse ordenamento) e sem integrar a pouca massa crítica humana que ainda subsiste em algumas zonas é reforçar uma oportunidade de negócio para muito poucos que, tal como o eucalipto, vai contribuindo para secar tudo em sua volta seguindo a prazo para outras paragens fruto da habitual terra queimada.

Tudo seria mais simples se houvesse por aquelas terras outra gente, sem medo do trabalho e sem almejar a todo o custo o lucro fácil, o fruto do subsídio. Há poucos, muito poucos empreendedores dignos desse nome na parte nascente da cova da beira tendo profilerado durante os últimos 15 anos bons "aproveitadores" de subsídios. As histórias de abusos de fundos públicos multiplicaram-se e são conhecidos por toda a região.
Mas o maior de todos que por lá vamos vendo é talvez o mais antigo projecto de investimento público (irregadio + emparcelamento) que permanece por concluir à décadas.

Tudo seria mais simples de houvesse lá e cá mais gente que podesse dizer que amava a sua terra. Talvez em Castro Daire haja ainda um pouco mais de amor pela serra. Viver no meio dela dá certamente uma ajuda.
A investigação de campo em busca de mais e melhor informação segue dentro de alguns dias.

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julho 29, 2004

Floresta - Um bocadinho de descrença e uma ideia para amanhã I

I

Há muito pouco tempo aprecei o metro quadrado na Serra de Santa Marta - freguesia de Benquerença concelho de Penamacor.
A melhor - e única oferta que tive - numa serra que está neste momento em plena produção de pinheiros e eucaliptos foi de 6 cêntimos.
Quem compra? O único madeireiro do norte do concelho que encontrei e que me foi referenciado na aldeia. O mesmo que é o entreposto habitual da grande celulose, a maior proprietária/exploradora florestal do concelho.

Com estes preços e havendo oferta - herdeiros citadinos como eu, talvez - parece difícil não estarmos perante um negócio rentável. Teoricamente com poucos milhares de Euros compra-se um serra. Com um investimento a médio prazo e uma política de plantio faseada - que julgo estar a ser implementada - é fácil manter um negócio estável.

Outro preço que tentei apurar foi o preço de compra/venda das árvores. O interlocutor é o mesmo conterrâneo que no natural interesse do seu negócio tenta comprar pinheiros e eucaliptos ao melhor preço. Descobri que as árvores são vendidas a olho, por parcela.
Subo uns quilómetros até Castro Daire e o negócio - as mesmas árvores com porte idêntico - é determinado ao toro antes do abate. Cada árvore, depedendo do diâmetro e prumo, é apreçada diferenciadamente. Chega-se a vender um único pinheiro atingindo 25, 30 euros ou mesmo um pouco mais tratando-se de árvores exemplares. Há mais compradores e mais produtores activos em Castro Daire.
Escusado será dizer que é muito mais vantajoso fabricar madeira em Castro Daire do que em Penamacor da óptica do produtor. Mas em ambos os casos é muito raro ver-se a união de pequenos produtores em associações que lhes permitam incorporar uma maior parte da riqueza criada.
Nalguns casos bastaria o poder de comprar uma grua e o transporte adequado para a madeira... Curiosamente vejo uma serra menos vigiada e cuidada em algumas zonas do concelho de castro daire do que em Penamacor...

Em ambos os casos que conheço (ainda insuficentemente, é certo), há pouca esperança de sucesso duradouro para o modelo de exploração implementado, ainda que em Castro Daire a situação me parece mais sustentável, até pela melhor resistência à perda populacional. Não há dimensão crítica e não há sequer interlocutores privilegiados para se garantir a eficácia de uma eventual intervenção indicativa do Estado.

Acredito que qualquer reforma da tributação dos prédios rústicos ou agravará as desvantagens da monocultura do eucalipto e do pinheiro bravo ou obrigará o Estado a tomar nas mãos a propriedade de uma maior parcela da area "florestal" do país.
Muitos proprietários simplesmente se recusarão a pagar as tributações que se venham a fixar.

Nada disto terá de ser necessariamente mau, mas convém que haja a percepção por parte do legislador para a especificidade dos efeitos das suas medidas em algumas regiões do país.

(continua)

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julho 18, 2004

Pronto!

Já temos aí o "futebol" de novo para nos entreter!

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julho 14, 2004

Eu sei que sou suspeito

Eu sei que sou suspeito mas digam lá se Benquerença não é um nome lindo para uma terra?

- Que terra é a tua?
- Eu sou da Benquerença!

E digo-vos mais:

- E tu de onde és?
- Eu sou do lugar do Anascer, na freguesia da Benquerença.

Como é que podiamos deixar de ser um país de poetas?

Posted by Rui at 06:54 PM | Comments (6) | TrackBack

junho 20, 2004

Porque hoje é Sábado.

:-) Foi boa a bola hoje. Muito boa. Vai aumentando o tamanho da porta por onde sairão Scolari e os remanescente da "geração de Ouro". Vamos à festa.

Lisboa. Freguesia de São João. 30º Celsius. O sol já se pôs e nas ruas batuques de tachos e panelas fazem uma festa maior que a do folclore típico de noite de ano novo. Durante alguns minutos saltimbancos que roiam as unhas em cafés e salas reservadas apareceram aos pulos pela rua e pelas varandas. Preparam agora o regresso, equipados para o resto da noite.
Esta semana afinal vai ter muitos sábados.

(Euro 2004 Portugal 1 - Espanha 0)

Excelente relato da TSF - Fernando Correia/Jorge Perestrelo, no Estádio "Aljubarrota" XXI :-)

España, a casa
El camino de la Eurocopa de Portugal 2004 ha tocado a su fin para España. La selección ha caído ante los anfitriones en el José Alvalade de Lisboa por 1-0, golazo de Nuno Gomes en el minuto 57, y ni siquiera ha aprovechado el regalo de Rusia, que ha vencido 2-1 a Grecia. Los de Iñaki Sáez han quedado terceros del grupo con los mismos puntos que los helenos, 4, mientras que Portugal alcanza el primer puesto con 6. Otra decepción más de España, lo que no es novedad, pero antes de lo esperado. En esta ocasión no queda ni la excusa de la maldición de los cuartos de final.

in El Pais

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maio 18, 2004

Abrantes já tem castelo

O António está a falhar... Então nem se diz que o Castelo de Abrantes já reabriu ao público nem nada?

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abril 26, 2004

Que Portugal chega ao Brasil? I

Não podendo ver o Avenida Brasil vou lendo e aqui deixando o testemunho em discurso directo do correspondnete no Hemisfério Sul. Como é Ruy?

Caro Rui,
Muito interessante a reportagem apresentada ontem no JORNAL NACIONAL da TV Globo, sob o título "504 Anos Depois, Portugal Descobre o Brasil".
Reportagem muito bem montada, evidenciando o fluxo de turistas portuguêses que arrivam ao Nordeste do Brasil (muito lindo por sinal), a uma média de 70.000 por ano, visto que, conforme depoimentos de seus conterrâneos/turistas, é mais barato, o clima é maravilhoso, e o povo muito simpático e hospitaleiro. Também, pudera, com todo êsse povo deixando aproximadamente cento e cinquenta milhões de Reais por ano, quem não é ??
Evidencia também os investimentos genuinamente lusitanos, como uma fábrica de sapatos masculinos e femininos, com produção mínima mensal de 20.000 pares, voltada exclusivamente a exportação para o mercado português, fábrica de refrigeradores e freezers para o mercado brasileiro, português e africano, assim como a construção de dois empreendimentos hoteleiro, voltado exclusivamente a tuiristas ibéricos.

Vale a pena o amigo ressaltar no seu blogue, porque acho que a turma (malta) aí, não tem conhecimento disto.

Um abraço,

Ruy Zananiri

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abril 25, 2004

O 25 de Abril chegou ao Brasil

Imagem estilizada de um cravo disponível na página do Instituto Camões Caro Xará,

Muito interessante e elucidativo o artigo de frente hoje, na home page da AOL/BR, sôbre o lançamento do livro "A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS", de autoria de professor de história de USP, Sr. Lincoln Secco, no qual discorre sôbre o efeito democrático e causas positivas nêsses últimos 30 anos, sôbre a cronologia revolucionária, sôbre os Capitães, Tenentes e o único Coronel dos "Capitães de 25 de Abril".

Ótima referência histórica para nós brasileiros, quase ignorantes sôbre êsses acontecimentos heróicos-maravilhosos, por não termos tido mais informações à época dos acontecimentos, visto estarmos vivendo uma ditadura militar.

Vale realmente uma nota com um Cravo Vermelho no seu blogue.

Abraço,

Ruy Zananiri
(Em Português do Brasil)

Então não vale caro Ruy!

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abril 23, 2004

Época 2004

Imagem estilizada de um cravo disponível na página do Instituto Camões Época de futebol.
Época de caça.
Época de ciclismo.
Época de touradas.

Para mim, amanhã inicia-se a época de casórios 2004.
Prometo roubar um bocado de bolo para ajudar o JMF a recuperar das fomes de refém por que passou. Talvez se arranje ainda um copito de espumante para o Tugir. Aquela malta anda demasiado séria.

E, já agora, porque não sei quando aqui regresso: Viva o 25 de Abril!

Agradeço aos que lutaram, sofreram e perseveraram em defesa da liberdade. Muito menos coragem precisamos nós para os desafios que temos pela frente. Que tenhamos engenho e arte para ir fazendo melhor este singular país.
Até breve.

Posted by Rui at 06:46 PM | Comments (4) | TrackBack

Jovem! És de Portimão?Vem até à Marinha.

No site da Marinha pode ler-se o seguinte convite:

O submarino Barracuda vai estar aberto ao público nos dias 24 e 25 de Abril, entre as 15.00H e as 18.00H. O navio da Marinha estará atracado no Ponto de Apoio Naval de Portimão, que fica situado entre o cais comercial e a marina.
O N.R.P. Barracuda vai a Portimão no âmbito da realização de exercícios de treino inseridos no seu plano de treino.
Entregue à Marinha no dia 4 de Maio de 1968, o Barracuda tem prestado ao país um serviço relevante no patrulhamento do espaço marítimo de interesse nacional, contando com um elevado número de missões nacionais e internacionais.
O submarino Barracuda tem uma guarnição composta por 7 oficiais, 15 sargentos e 30 praças e o seu actual comandante é o Capitão-tenente Farinha Alves.

Uma rara oportunidade para visitar um submarino.

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abril 02, 2004

As Bibliotecas...

Acordei a ouvir na rádio que a União Europeia se prepara para multar Portugal por não ter transposto uma directiva comunitária. Até aqui tudo bem, quem não cumpre com o compromisso deve arcar com as consequências mas... O compromisso em questão, mais do que a multa, deixou-me perplexo. Até melhor argumento trata-se de mais uma exagero do centralismo europeu, um exemplo da Europa que eu não quero.

Um dos problemas da União Europeia e do centralismo é precisamente o exagero, os despropósito quanto às competências que são assacadas por Bruxelas. A menos que seja da preguiça matinal não consigo encontrar o mínimo cabimento para que haja directivas comunitárias onde se regule a forma como cada país deve ceder os livros das bibliotecas! Aqueles senhores não têm mais nada para fazer?! Por este andar, o modelo Federal que tantos repudiam (penso por exemplo no dos EUA) parecer-lhes-á cada vez mais apetecível por dar mais garantias de flexibilidade no ajustamento às especificidades estaduais/nacionais (e por lá nem há nações!) do que esta equívoca experiência para a qual me parece que vamos caminhando alegremente a nível Europeu.

Se se tratasse de garantir que todos os residentes na UE devessem ter iguais direitos de acesso ao saber acomodado nas bibliotecas compreenderia, agora obrigar e no limite punir um país por não respeitar uma directiva comunitária que impõe um regulamento às bibliotecas é um excelente motivo para juntar aos que me fazem olhar com crescente desconfiança para este “modelo” de Europa unida.
Seria muito bom se as próximas eleições servissem para debater sob este ou mais estimulante pretexto o que queremos e como queremos estar na Europa mas infelizmente só se fala em cartões amarelos ao governo e em como tem sido árdua e valorosa a governação…

Se há coisa que não precisamos na Europa e na política interna é motivos para descrer.

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março 23, 2004

Anna Lindh (act.)

Quando passaram pouco mais de seis meses da data do crime, podemos dizer que o assassino de Anna Lindh foi capturado, julgado e condenado a prisão perpétua.

Ver por exemplo, aqui.

E que tal uma visita de estudo até à Suécia? Há-de haver por lá alguma coisa que se aproveite para a nossa aprendizagem policial, judicial, governativa ...

Posted by Rui at 05:36 PM | Comments (3) | TrackBack

março 17, 2004

Almanaque do Adufe (act.)

Caro agricultor,
Se está e pensar ter batatinhas de colheita própria mais daqui a uns meses com um mínimo de esforço, esta é a altura indicada para deitar a semente à terra.
Aproxima-se a primavera e, com normalidade, haverá ainda chuva quanto baste, entremeada com o nosso bom sol, para que apanhe uma bela safra de batatas de sequeiro.

Pronto, apeteceu-me. Estou com saudades da santa terrinha o que é que querem...

Adenda do Sérgio: Informação útil para almanaques pode ser encontrada no site do Observatório Astronómico de Lisboa (http://www.oal.ul.pt/index.php?link=almanaques)


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março 10, 2004

Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas

Abre os olhos: hoje, passados 28 anos e uns pós do início da existência, aproveitei a pausa para "café" e li pela primeira vez um excerto do "Ultimatum Futurista Às Gerações Portuguesas do Século XX" escrito por José Sobral de Almada Negreiros em Dezembro de 1917.

"(...) O Português, como os decadentes, só conhece os sentimentos passivos: a resignação, o fatalismo, a indolência, o medo do perigo, o servilismo, a timidez, e até a inversão. Quando é viril manifesta-se instintivamente animal a par do seu analfabetismo primitivamente anti-higiénico
(...)
É preciso criar as aptidões pró heroísmo moderno: o heroísmo quotidiano.
(...)
É preciso destruir sistematicamente todo o espírito pessimista proveniente das inevitáveis desilusões das velhas civilizações do sentimentalismo.

É preciso explicar à nossa gente o que é a democracia para que não torne a cair em tentação.
(...)
Abandonais os políticos de todas as opiniões: o patriotismo condicional degenera e suja; o patriotismo desinteressado glorifica e lava.

Gritais nas razões das vossas existências que tendes direito a uma pátria civilizada (...)".

Há um excerto mais extenso disponível aqui.

Posted by Rui at 04:47 PM | Comments (0) | TrackBack

março 09, 2004

IRS

O Leonel Vicente deu-se ao trabalho de compilar uma lista com as associações elegíveis e interessadas em receber contribuições singulares de particulares via afectação de 0,5% do IRS pago ao longo do ano passado. Toda a informação necessária para escolher e preencher os impressos está por lá...

Posted by Rui at 10:04 AM | Comments (2) | TrackBack

fevereiro 27, 2004

A POLÍTICA EXTERNA PORTUGUESA E TIMOR LESTE

Não esperaria menos do Paulo Gorjão, acho que ficámos todos a ganhar por ter aceite o repto.

As vantagens de política externa são geralmente mensuráveis em ciclos superiores, muito superiores aos habituais ciclos eleitorais, muitas vezes sobrevivem inclusive a mudanças de regime. Fundam-se desejavelmente numa aliança entre motivos emocionais, culturais sempre que estes estejam presentes (evidentes no caso Timorense) mas também fundamentalmente racionais, utilitaristas.

Quando andámos em manifestações em defesa da liberdade Timorense era essencialmente o coração, a defesa da dignidade humana e também algum sentimento de culpa colectivo que nos movia. No meu registo muito íntimo dificilmente esquecerei o que se passou em Lisboa naquele ano. As manifestações, a visita de Ximenes Belo, depois de Xanana. Imagino que em termos emotivos terá sido o evento mais significativo da História recente do Pais após o 25 de Abril. Mas não é nesses sentimentos que termina a história, nem é por aí que deve terminar o nosso papel. Os factores que o Paulo Gorjão destaca, sublinhando a necessidade de um investimento/dedicação continuada e astuciosa por estabelecer e fortalecer relações centradas em interesses comuns presente e futuros, é uma outra realidade que deve concorrer com a primeira mas que demasiadas vezes é catalogada como amoral ou mesmo imoral e assim considerada, na melhor das hipóteses, como um mal necessário.

Na pior das hipóteses há uma espécie de ingenuidade militante em algumas áreas de pensamento político (é quase irrelevante saber se intencional ou não), geralmente características dos extremos, que desprezam ou abominam qualquer vestígio de mobilização do Estado para defender os seus interesses numa perspectiva espacial e temporal mais complexa, com o fito de obter poder negocial. E foi precisamente aqui que o Paulo chegou de forma simples e clara.

Não se adivinha nenhuma visita de algum líder chinês Portugal, nem de algum passeio de algum dignatário nacional por terras de Cuba pelo que provavelmente no futuro próximo poucos encheraõ a boca para sublinharem o odioso da política de interesses (recordo o recente texto do Aviz sobre a China, particularmente o segundo onde dá o seu contributo definindo alguns limites de raziabilidade nos instrumentos da política externa da perspectiva do leigo, que é também a minha).
O momento poderia servir para trocarmos dois dedos de conversa menos apaixonada sobre o que entendemos como aceitável (mesmo em termos morais se assim o desejarmos). Quais os limites para a nossa intervenção ao nível da política externa e concomitantemente qual o grande objectivo nacional que pretendemos ver cumprido por esse meio? O que queremos ser no mundo daqui a 10, 20 ou 30 anos? E como poderemos lá chegar? A guerra no Iraque deu-nos algumas achegas, promoveu a discussão bizarra (?) entre a antinomia (?) Atlantismo/Europeismo mas pessoalmente pareceu-me demasiado a quente, espectacular, a carecer de serenidade. Neste caso muito específico da política externa acho que os acontecimentos internacionais muito recentes podem prejudicar mais do que auxiliar quando estamos a redefinir objectivos.

O Paulo lança algumas pistas pois é evidente que o seu raciocínio descrevendo o modus operandi quanto a Timor assenta sobre uma definição clara do que deverão ser esses mesmo objectivos. Já agora em que ponto da antinomia mais popular deveremos encaixar Timor, na Atlantista ou na Europeista? Ainda bem que há Timor digo eu...
Teremos entre os políticos que nos representam ou para isso se perfilam gente com formação, capacidade e ideias claras quanto a esta matéria? São conhecidas? Esta definição política é talvez das mais obscuras para o comum mortal que viva neste pais. Se é bem verdade que a sua execução deverá ser feita em boa medida por de trás das cortinas das chancelarias internacionais há uma ideia formal, um rumo que deve ser apresentado, debatido e ratificado democraticamente, suficientemente detalhado para o seu cumprimento poder ser avaliado de forma igualmente democrática sob pena de haver até quem duvide da existência de uma política externa nacional…

PS.: The Bear and The Bull também se pronunciou sobre este assunto, mais detalhes aqui.

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fevereiro 10, 2004

Teimoso que nem um burro!

Não consigo, por mais que tente(m) não consigo deixar de gostar de ser português.
Nem sei muito bem o que é ser isso mas gosto, pronto!
Às vezes aqui o Adufe até pode dar uma ideia errada, mas eu sempre fui muito refilão, muito fã do Mister Smith Goes to Washington :-) .

Os anos passam e não há maneira de deixar de ser assim. Mas no meu caso, como no de mais alguns patrícios, trata-se de uma questão de amor por este cantinho, pelas gentes e pelo desafio que é passar cada dia a teimar por viver num dedal mais simpático e agradável para os que o habitam.
Achaques e maleitas todos temos, a última paragem também é certa, mas o resto...
Ainda houve tempos em que desconfiei que era masoquista, mas quando me vi a festejar que nem um tonto a vitória do campeonato pelo Sporting em 2000, após quase uma vida de jejum, esclareci as minhas últimas dúvidas: não era!
Aquele Rui sofredor era mesmo um tipo com genuína esperança e perseverante, caramba! Aqui que ninguém nos ouve (é verdade, já repararam) não me importo de continuar assim.
Amigos derrotistas, senhores da tanga, enquanto houver milho em Portugal contém com Ladino, o Pardal.
Segue a dança!

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janeiro 31, 2004

Sintonias

São vários os blogues (os seus autores) em sintonia. Falo de sintonias difusas, não organizadas e, particularmente, penso em sintonias raras vezes sublinhadas por não girarem em torno da política, de alguma causa ou de algum choque.

Lost in Translation (um filme) de que já aqui falei, traz-nos uma dessas sintonias que ameaça atingir o ponto de popularidade que levará a ser "bem" gostar do filme. Esta é uma consequência caricata, mas há muito inscritas nos genes, que atinge todos os fenómenos de sedução que assumam um determinado patamar de popularidade.

A partir de certo momento o importante parecer ser o demonstrar de que se gosta e não o satisfazer a curiosidade do porque se gosta ou do porque gostam. Contentamo-nos com uma simulação da sensação de pertença e não com a coisa a sério. Em última análise a ilusão da maravilha descoberta poderá fazer esquecer a dita.
Estas reacções às sintonias são sempre um pouco perturbantes, não as encontro apenas em relação a filmes e não trazem sempre a garantia de uma elite iniciadora que sabe prezar a honestidade e que apenas promove o que preza.
Em certas circunstâncias, somos terrivelmente enganados pelos que colocámos em pedestais oferecendo-lhes a nossa muito vulnerável credulidade.
Falo num "nós" e penso nos portugueses. Se fizer algum sentido falarmos dos portugueses diria que um dos nossos maiores e mais recalcados defeitos é o da credulidade. Acreditamos demasiado depressa e desacreditamos com igual facilidade. E entre estes extremos tendemos a dizer mal da vida, do triste fado.
Falta-nos demasiadas vezes cultivar o respeito por nós próprios, olhar para dentro, para um fado mais antigo e universal. Quanto mais procuramos o que "está mal", o que resolver e como emendar, vasculhando exemplos no estrangeiro, em algum suposto bom aluno, mais deviamos ir perdendo as dúvidas que o nosso principal obstáculo está dentro de nós. Ora aqui está um discurso também já demasiado banalizado!

Lost in Translation...
Talvez até venha a surgir o típico movimento oposto, dos que se demarcam para assim também estarem na onda, talvez alguém venha aqui com brios elitistas degradar a qualidade do "produto" em virtude da banalização da crítica laudatória. Talvez tenhamos mil pretextos para esquecer o essencial.
Teremos seguramente oportunidade de ganhar com o exercício de fechar os olhos, ignorar a algazarra eufórica da partilha superficial e (re)ver o filme. Olhar para ele, perceber porque na sua simplicidade nos toca tão intimamente. Uma pequena ajuda para recuperarmos o sentido da nossa humanidade.
Porque nada se perde.

A imagem foi descoberta n'A Praia. Um blogue onde esta semana encontro por lá outras sintonias.

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janeiro 20, 2004

Inacreditável!

O IVA e o Diário da República

O meu amigo Sérgio voltou a mandar-me uma colaboração aqui para o Adufe. Se bem se lembram já me tinha indignado com os preços a pagar para acedermos à lei do país - acesso ilimitado ao Diário da República electrónico custa 1500€ se bem percebi -, agora vejam o que se passa com a tributação de IVA face ao mesmo produto...

Estou-te a enviar isto para verificares ao ponto a que chegou o nosso sistema fiscal.
Sobre o mesmo serviço - fornecimento das leis publicadas no país - recaiem taxas de iva diferentes, consoante a forma como a informação é transmitida. Assim, neste caso, para o Estado interessa mais, para efeitos de tributação, a forma como o serviço é prestado e não o próprio serviço que está a ser prestado.


Para saberes mais sobre as taxas de iva em toda a Europa sobre os vários meios de transmissão de informação (livros, cd's, dvd's, jogos, internet, etc.) vai ao site Amazon.co.uk.

Sérgio

Ainda se as taxas estivessem invertidas com o suporte papel a pagar mais do que o electrónico... Um nadinha incoerente com o regime de benefícios fiscais à proliferação de material informático nas casas de cada um por exemplo.

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janeiro 04, 2004

Alguém anda a riscar fósforos na atmosfera

Na TSF apresenta-se a notícia da chuva de meteoritos que aconteceu esta noite como um facto natural e esperado há muito pelos meteorologistas portugueses. Diz-se ainda que em Espanha, onde houve também centenas de avistamentos de bolas de fogo, - até passaram a entrevista de uma angustiada cidadã de Palência - as autoridades ainda não comentaram o assunto. Silêncio absoluto enquanto o pânico se abeira.
Entre os nuestros hermanos sabesse apenas que a companhia de aviação Iberia espera relatos dos seus pilotos...
Estão a ver a imagem? Qual britânico fleumático, o bom meteorologista português explica que estamos a atravessar uma qualquer cintura astral ou a ver os destroços do satélite xpto... Entretanto, na casa ao lado, o coitado do espanhol desesperado, talvez mesmo aterrorizado, pede aos pilotos que lhe digam se mirou alguma coisa.
Isto é que é uma bela forma de aumentar a nossa auto-estima! Mais uma, caro mestre! :-)

É claro que há outras explicações alternativas que qualquer bom português médio poderá sugerir, explicações aliás que escapam por completo ao entendimento espanhol e que poderão justificar todo este silêncio, querem ver?
- Deus é benfiquista e chora lágrimas de fogo!
- Deus é sportinguista e exulta com maravilhoso foguetório!
- Ou então é tripeiro... daí a previsibilidade do espetáculo... Esperemos que nesse caso sejam foguetes antes da festa.

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new.blogger.com (acrescentado II)

Com estes fanicos do blogger começo a encontrar alguma justificação para a newsletter do Paulo Gorjão...

Adenda: em boa hora o Aviz arranjou este espelho que está operacional.
Regressa à teoria do bloco central de que nos falou há tempos avalizando que tudo se confirma. Ao ler "Sinceramente" do Aviz - o retrato que encerra - e ao ler os últimos posts que aqui publico (a publicidade na estrada e a esperteza saloia do DN) fico com a sensação de representar o papel do louco que se preocupa com a poda quando a árvore já arde.
Prefiro tentar conservar ainda a minha sanidade. Na Casa Pia da nossa vida nada de surpreendente me assaltou nos últimos dias, porquê falar disso então? No meio do lodo, das vingançazinhas colaterais, da contra-informação, estamos entregues à capacidade dos senhores doutores juizes em lidar com este complicado processo justiçando quem foi abusado sexualmente. Este caso já é bem mais do que isso mas esse pedido de justiça permanece e não vejo que esteja definitivamente comprometido, ainda.

Adenda II: a propósito do "problema" com o blogger recomendo a leitura deste post e dos respectivos comentários.

Posted by Rui at 02:48 AM | Comments (0) | TrackBack

dezembro 23, 2003

Ex-libris

Abrantes no Natal Via ânimo encontrei a fotografia de uma bela vista que trouxe na memória da minha última viagem pelo combóio descendente (Castelo Branco a Lisboa).


À falta de um Castelo de Almourol bem iluminado consolei-me com o bonito véu com que cobriram a torre de comunicações da Cidade de Abrantes.


No Natal toda a luz se perdoa.


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dezembro 16, 2003

Dar-lhes o arroz

Domingo, 14 de Dezembro de 2003, 20h30, Av. Morais Soares, Lisboa, Portugal. Temperatura ambiente 12º C.

Pouco movimento automóvel. No passeio algumas pessoas aparentemente despreocupadas e descontraidas (quase só casais e famílias, em passo lento, cujos olhares se demoravam nas montras).
A cabine telefónica estava ocupada por um indivíduo de sandálias, calções e t-shirt que gesticulava animadamente. À porta, ouvindo a conversa, um amigo sorridente.
Mensagem sonora enviada pelo falante em bom português do Brasil para a sua terra Natal interceptada por uns ouvidos que passavam:

"Neste país parece que só se come arroz. Pô! Verdade! Verdade, verdadinha. É de encher o saco!"

Jantar de dia 16 de Dezembro 2003:
Sopa.
Arroz branco com moelas arranjadas tipo petisco a acompanhar com vinho tinto e um bom naco de pão de mafra. Salada? A considerar...
Maçãs bravo esmolfe para sobremesa.

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dezembro 10, 2003

A Bola de Cristal (act.)

Para desenjoar dos números da Economia estive a ler na diagonal os cenários demográficos das Nações Unidas, ontem divulgados. (Disponível aqui).
Constato que a ONU utilizou como base para o cenário uma população residente em Portugal no ano 2000 de 10.016 mil indivíduos. Ora logo aqui a base está claramente sub-avaliada e, pior ainda, a correcção da subavaliação deveria implicar algum rejuvenescimento do contingente e consequentemente da idade média (padrões de fecundidade) desse mesmo contingente pois, tal como se desconfiava em 1999-2000, haviam entrado no país e aqui fixado residência (entretanto largamente legalizada) perto de 250 mil imigrantes. No final do primeiro trimestre do ano 2001, o INE, através do recenseamento geral da população actualizou todas as estimativas e indicou residirem em Portugal, à data do recenseamento, 10.356.117 indivíduos. Um valor em si claramente superior ao máximo que a ONU projectava para 2010, ou seja 10.082 mil residentes. Só por aqui, devido a este historicamente anormal incremento populacional via fluxo migratório (conhecido há cerca de três anos), demonstra-se, logo no primeiro dia após a publicação, que as premissas utilizadas pela ONU para traçar o cenário para Portugal estão gravemente enviesadas. Mas enfim, já sabem como é, para o relatório ter saído ontem, já devia estar concluído há alguns meses (anos?), entretanto, andou em escrutínio junto de um batalhão de diplomatas, talvez mesmo de sucessivos comités de espertos internacionais…Há ainda que considerar que estudar o mundo não é simples, há sempre muitos compromissos técnicos a fazer para permitir uma reconhecidamente limitada comparabilidade. Mas não é sequer isto que me move neste relato.
O que me move é o que se extrai levianamente do estudo, algo que trai o trabalho de quem produz a estatística. Atribuir ao estudo um carácter de profecia escatológica é desmoralizador e potencialmente paralizante.
Ainda que sujeito a poderosas forças de arrasto onde o efeito das decisões de hoje terão consequências duradouras significativas, o fenómeno demográfico é claramente mais dinâmico e imprevisível do que o adivinhado no tom fatalista que encontrei em tantos e tantos órgãos de comunicação social que divulgaram acriticamente o estudo. É possível e conveniente fazer algo sabendo para onde se quer ir. É esse o aviso que nos deixam estas previsões.

P.S.: Aproveito para saudar as Nações Unidas pela disponibilização gratuita e relativamente detalhada dos dados e respectivas hipóteses de trabalho. Um exemplo a seguir e a melhorar.

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novembro 28, 2003

Transparência

Ainda há dois dias aqui trouxe o tema da rede ferroviária...
Hoje o Público (notícia em anexo) aborda a questão (Carlos Cipriano) por ter reparado que:
"Cidades como Figueira da Foz, Portimão, Lagos, Évora, Viana do Castelo e Valença estão excluidas de folheto sobre viagens interurbanas e regionais".
Mais adiante o Público escreve:
"Algumas das linhas agora apagadas da geografia ferroviária portuguesa têm um tráfego residual devido ao mau serviço prestado e à fraca procura, de tal modo que as receitas de exploração só cobrem 30 por cento dos custos. Mas outras têm registado tráfegos crescentes e são importantes alimentadores da rede principal. " e acresenta:
"O PÚBLICO pediu várias vezes à CP esclarecimentos sobre este assunto, mas nunca obteve resposta. "


As linhas não são promovidas mas continuam a operar... Talvez até ao dia em que finalmente todas apresentem inequívocos prejuízos.
O sector de tranportes parece andar ao deus-dará, não se vislumbra o mais modesto dos raciocínios estratégicos por parte do Governo. Qual é o plano?
Deveremos entender este folheto como uma carta de intenções? O caminho será o de encerrar definitivamente toda a rede nacional co mexcepção do eixo TGV? A história parece dizer-nos que sim, uma tendência que também o actual poder executivo parece desejar prolongar.
Évora, Viseu, Vila Real, Guimarães... Não posso acreditar que não haja possibilidade de termos investimento reprodutivo ao nível ferroviário no país. Já para não falar dos ganhos colaterais.
Contra todas as regras clássicas das finanças públicas vai-se afectar uma parte do imposto sobre os produtos petrolíferos à floresta. Seguindo essa linha, seria igualmente recomendável durante alguns anos canalizar parte das verbas desse mesmo imposto para a dinamização da alternativa ferroviária. Um modesto mas pedagógico contributo. Enfim, é só uma ideia desconexa, à medida do rumo que leva o ordenamento de Portugal. Só para tentar dar a entender que o cu tem alguma coisa a ver com as calças.

A notícia completa:

Mapa da CP Ignora Um Terço da Rede Ferroviária Portuguesa
Por CARLOS CIPRIANO
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2003

A CP editou um folheto com uma mapa da rede ferroviária nacional, mas "esqueceu-se" de inserir mais de um terço das linhas onde os seus comboios circulam. De um total de 2800 quilómetros de linhas férreas no país, são 952 quilómetros que estão omissos do mapa ferroviário nacional.

Nele, a linha do Oeste acaba em Leiria e não segue para a Figueira da Foz, a linha do Minho morre em Nine, ficando Viana do Castelo e Valença apagados do mapa, e a Beira Baixa queda-se pela Covilhã e já não segue para a Guarda. A linha para Évora também está omissa e no Algarve só aparecem 39 quilómetros dos 141 que compõem aquela linha litoral que serve cidades como Lagos, Portimão, Olhão ou Vila Real de Stº. António.

No mesmo mapa, Coimbra é apenas um ponto, sem comboios para Figueira da Foz, Cantanhede ou Lousã, e no Alto Alentejo desapareceram as linhas para Portalegre, Elvas, Castelo de Vide e Marvão. Entre Aveiro e Espinho ignora-se também a linha que passa pelo interior servindo cidades como Águeda e Oliveira de Azeméis.

Quanto a ligações para Espanha, simplesmente não existem. E no entanto há quarto fronteiras com comboios diários entre os dois países: Valença, Vilar Formoso, Marvão e Elvas.

O documento pretende mostrar as principais estações da UVIR, a unidade de negócios da CP que se dedica, precisamente, às viagens interurbanas e regionais. Mas pode induzir em erro os clientes da CP, a quem é negada informação tão elementar como a de saber que há comboios do Porto para Viana e Guimarães, ou que a linha do Douro não morre na Régua, mas segue para o Pinhão e Pocinho, ou que de Beja também há comboios para sul.

Algumas das linhas agora apagadas da geografia ferroviária portuguesa têm um tráfego residual devido ao mau serviço prestado e à fraca procura, de tal modo que as receitas de exploração só cobrem 30 por cento dos custos. Mas outras têm registado tráfegos crescentes e são importantes alimentadores da rede principal.

O próprio presidente da CP, Martins de Brito, em declarações recentes ao PÚBLICO a propósito da alta velocidade, dizia que "a rede convencional terá de desempenhar uma importante função de alimentação da rede de alta velocidade e contribui decisivamente para a sua viabilidade económica". Mas esta lógica não aparece estar a ser aplicada dentro da rede da CP, onde as linhas menos importantes são amputadas, impedindo que, por sua vez, sejam elas próprias geradoras de tráfego para as linhas principais.

Segundo fontes da própria empresa que pediram o anonimato, este mapa indicia aquilo que será no futuro a rede ferroviária convencional portuguesa, amputada já de 952 quilómetros de linhas.

De acordo com o ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues, o projecto da alta velocidade será também financiado com o dinheiro que até agora era aplicado na modernização da rede convencional. Como as linhas agora omitidas são as que não foram ainda intervencionadas, ganha corpo a hipótese de estarem condenadas a definhar progressivamente.

O PÚBLICO pediu várias vezes à CP esclarecimentos sobre este assunto, mas nunca obteve resposta. in Público, 28 de Novembro 2003

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novembro 26, 2003

Planeta Azul

A RTP2 está a repor há já algumas semanas, antes do telejornal das 22 horas, a série de reportagens do programa Planeta Azul. Tem sido um dos poucos momentos de televisão que tenho acompanhado com alguma regularidade nos últimos meses, um dos poucos programas que tenho pena de perder. Combóios Bala, Japão
Hoje abordou-se a questão da gestão dos transportes analisando-se mais pormenorizadamente a ferrovia sob o pretexto do destino da linha do Oeste. O cenário parece ser o de deixar apodrecer para depois chamar o economista que confirmará o óbito por “manifesta inviabilidade económica”.
Este tipo de raciocínios onde se cola o estudo da viabilidade económica à contabilidade de mercearia é o tipo de prática que dá má fama à economia e aos economistas.
As premissas de partida para a realização do estudo são determinantes para que, com honestidade intelectual, saibamos avaliar o que é que temos em presença quando é produzido um estudo de viabilidade financeira. Sublinhe-se que em regra essas premissas são ditadas por quem encomenda o estudo e não pelo investigador.
O raciocínio é cristalino se a isso estivermos dispostos. Porque é que lá fora, na Europa central e setentrional (esqueçamos o Reino Unido que esse só serve de exemplo para o como não privatizar e gerir a ferrovia) se tem investido continuamente na ferrovia? Se se limitassem à contabilidade de mercearia onde não está disponível qualquer lógica de visão integrada, de política de investimento concertado com a rodovia, com as diversas facetas da ocupação do território, com a educação cívica, com a gestão dos cidadãos automobilizados, entre outros, a conclusão do estudo de viabilidade ditaria muito provavelmente o desinvestimento na via férrea como temos feito por aqui.

No entanto, considerando estes aspectos e valorizando o impacto ambiental, o impacto na factura energética nacional, na estruturação espacial da população, na integração região-nação-mundo, etc, etc, vemos a ferrovia a evoluir e a crescer (e não falo da Alta Velocidade). Por cá vai enfezando de dia para dia, na maior parte do país, e mesmo nas regiões mais dinâmicas, onde ainda desempenha um papel relevante, estamos a anos luz do que se faz lá fora. Por exemplo, no Luxemburgo, para voltar, agora pela positiva, ao país referido ontem. No Luxemburgo, a integração, comboio-autocarro-comboio é simplesmente espantosa. Não conheço em pormenor o sistema implementado (suponho que haja uma gestão centralizada dos diversos operadores públicos (?) e privados) mas conheço a sua eficácia adivinhando-lhe a eficiência. Sei que funciona quase sem falha e de forma integrada (horários, sistema de tarifas). Enquanto turista achei formidável ter um autocarro com hora de saída da estação de Caminhos de Ferro coordenada com o comboio e estes com os autocarros.
Por cá, a introdução da concorrência pós-privatização da rodoviária nacional (e antes da actual situação de iminente monopólio privado) teve como resultado a interrupção das ligações existentes com grave prejuízo para a ferrovia que ficou assim sem o fundamental serviço complementar de transporte um pouco por todo o país.
O único arremedo de acção latente que paira sob a ferrovia é a tentativa de privatização das linhas suburbanas mais activas e rentáveis. Algo que não fará qualquer sentido sem que haja uma entidade coordenadora e reguladora dos transportes e da gestão do território ao nível das grandes áreas metropolitanas. Enfim, há imenso pano para mangas nestes temas. Um conjunto de problemas que terão necessariamente de subir de prioridade na agenda política nacional ao longo dos próximos anos. Deixar de cometer asneiras ano após ano seria já um bom princípio e uma grande vitória para o país.

Posted by Rui at 11:55 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 19, 2003

Tremei!!!!

A selecção dos crescidos vai jogar hoje, daqui a pouco!
De que nos envergonharemos daqui a duas horas?

Posted by Rui at 08:47 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 10, 2003

A Pobreza em Estudo (act.)

Passei o dia numa reunião onde se discutiu a pobreza em Portugal, como medir, que medidas de análise tomar para melhorar as potencialidades de aplicação de política económica, como enquadrar o que se quer a nível Europeu com as necessidades de conhecimento interno, etc.
Já não andava nestas andanças há dois anos... É de facto um tema apaixonante e extremamente melindroso. O investigador não se pode dar ao luxo de esquecer a quem serve, de esquecer como o seu trabalho vai ser escrutinado. É preciso ter muito poder de antecipação face às criticas dos colegas investigadores mas principalmente é preciso conhecer a mentalidade dos políticos e dos diplomatas. Uma pequena falha ou apenas uma imprecisão pode pôr todo um trabalho em perigo. E imaginem o desafio que não é sociólogos, assistentes sociais, economistas chegarem a um entendimento nas formas de análise de modo a se chegar a uma abordagem integrada que sirva os objectivos de enquadramento macro-económico e não despreze o nível micro das "bolsas" de pobreza, do "trabalho de campo".
É bom saber que ainda mexe este tema mesmo a nível estatal. Se e quando houver dados mais concretos e divulgáveis terei muito gosto em aqui os promover.

Posted by Rui at 07:27 PM | Comments (5) | TrackBack

novembro 09, 2003

Imigração

O Paulo Gorjão propõe-se pensar um pouco sobre a Política de Imigração Portuguesa. Não tenho comentários a fazer (por enquanto?), recomendo apenas a leitura dos seus textos.

Um pequeno excerto:
(...) Veja-se o caso recente de regularizacao extraordinaria de cidadaos brasileiros ilegais em Portugal, a qual foi ditada pelo desejo de nao criar motivos de conflito na relacao diplomatica luso-brasileira. O mesmo se passou ao longo dos anos com os cidadaos das ex-colonias africanas portuguesas.
A questao, no fundo, acaba por ser muito simples. Queremos ter uma relacao privilegiada com os paises de lingua oficial portuguesa? (...)

Posted by Rui at 05:09 PM | Comments (0) | TrackBack

novembro 02, 2003

O que eu andei para aqui chegar

800 quilómetros percorridos.
Mais uns pontos negativos na minha pegada ecológica.
(Já vos disse que não há comboio para Viseu, não já? Fica-se por Santa Comba Dão... Ah já tinha dito, desculpem)
Venerados os mortos.
Tratados e mimados os vivos.
Lá fomos e cá viemos escapando incólumes às manchetes sangrentas de mais um fim de semana português na estrada.


Posted by Rui at 06:51 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 22, 2003

Passaram pela pantalha Portistas primorosos!

Portugal país perplexo, prostrado, pestilento pode parabenizar prodigiosos Portistas por possibilitarem prosaicos pensamentos, prazenteiros pulos!
Pequenos períodos passados pacificamente... Permitam-me prolongadas palmas pelo plano perfeito, pela paradigmática produção. Pudéssemos prolongar pacíficos períodos polvilhando-os pelo país pleno...
Penitenciemo-nos pelos pecados praticados! Protagonizemos planos prudentes, pautados pela ponderação, pela paciência. Persistamos perseguindo, punindo prevaricadores! Proibamos, porém, penitências por praças públicas promovidas por “piedosos” padres, perigosos profetas, perfeitos parvos!
Podemos perspectivar progressos, prósperos porvires, potenciando paradigmas poderosos preceituados pelos primeiros pais portugueses.
Podemos perspectivar progresso, prósperos porvires, produzindo propostas progressistas pedidas pela presente perplexidade. Propostas previsíveis pelos puros patriotas.
Paz!

(Prédica proposta pr'ali. Parece-vos português?)

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outubro 18, 2003

Feira das Mercês

Começou por estes dias a Feira das Mercês que se realiza entre as freguesias de Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro, perto da Tapada das Mercês.
É uma feira antiga, tipicamente saloia que se realiza numa quinta que pertenceu em tempos ao Marquês de Pombal (foi o que me venderam) e que integra também uma festa religiosa. É frequente haver exibições da cultura saloia através de danças folclóricas e artesanato.
Vende-se por lá todo o tipo de quinquilharia, de roupas e o tradicional trio algodão doce, farturas e pipocas.
Há carrinho de choque, carroceis, montanhas russas... E deve haver também muita lama com esta chuva toda. Mas tem para compensar boas botas à venda do melhor fabrico nacional e internacional assim como as mais diversas variedades de guarda-chuvas chineses. Raros e teimosos ainda encontra um belo exemplar do robusto guarda-chuva português.
E depois para aquecer há a água pé, o vinho novo e uns tremoços.
O ex-libris (digo eu) é a gastronomia e são os frutos e legumes secos.
Na gastronomia destaca-se o saboroso Leitão de Negrais e as famosas febras de porco à moda das Mercês disponíveis nas inúmeras tasquinhas da feira.
Quanto aos secos, a feira costuma ter uma boa selecção dos primeiros frutos da época: figos, noz, castanhas bem como de feijões, grão... Regatear e confrontar vendedores é a palavra de ordem.
Mais popular é difícil. A 16 quilómetros de Lisboa até ao final de Outubro.

Destaque do Dia do Adufe: a entrada Manifesto.

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outubro 09, 2003

O «Estado mínimo» é uma tolice

O Fumaças destacou um bocadinho, e muito bem, mas para não me repetir e porque este outro bocadinho também me diz muito, cá vai.

(...)
O «Estado mínimo» é uma tolice. Quanto mais mercado, mais Estado é preciso para o regular, ao contrário do que alguns liberais ainda pensam. Repare-se na implacável justiça dos Estados Unidos, país do mercado, sempre que é posta em causa a sã concorrência. Mas em Portugal, quando Cavaco Silva procurou reforçar o Estado, logo foi acusado de um horrível autoritarismo. O resultado está à vista.

Francisco Sarsfield Cabral
in DN

Como se diz no Fumaças, se fosse outro senhor a dizer isto caia o carmo e a trindade

Posted by Rui at 04:30 PM | Comments (1) | TrackBack

outubro 06, 2003

Modernizando...

O Adufe recebeu a seguinte contribuição de um técnico do INE que tenho o prazer de aqui reproduzir:

Há alguns meses o Instituto Nacional de Estatística vem preparando a possibilidade de inquirir empresas e pessoas recorrendo a meios electrónicos. Permitir que os inquéritos (cuja resposta é obrigatória por lei, relembro) possam ser respondidos por e-mail, ou via web. Site de recolha estatística on-line do INE

Num aparelho de Estado acusado de maus procedimentos, ineficiências, desperdícios, auto-exclusão face ao mundo envolvente, julgo que esta aposta, que se espera alastre como uma mancha de óleo a todas as áreas e indivíduos inquiridos onde se revele exequível, é uma boa notícia para o cidadão.
Menos papel a circular na rua, menos tempo de espera entre a pergunta e a resposta, mais tempo para garantir a qualidade da informação recebida, um melhor serviço para todos.

Até por isto é cada vez mais importante aprender a manobrar e ter acesso a esta rede de comunicação. É sem dúvida um desígnio importante para o próprio Estado ajudar a reduzir o número de info-excluídos. A agilidade de contacto por este meio é incomparavelmente melhor do que por qualquer outro, na maioria das situações.

Posted by Rui at 06:15 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 04, 2003

Lanche!

Não tenho a receita mas sei onde ir comprar :)
Vai uma queijada?

Posted by Rui at 04:27 PM | Comments (2) | TrackBack

outubro 03, 2003

Uma grande adufada para o Crítico!

O Crítico musical editou recentemente dois post onde reflecte sobre o uso do automóvel nas zonas suburbanas. Sem entrar em grande verborreia nesta minha entrada, faço o destaque desses post e apresento-me como subscritor quase integral do que lá surge com mais uma achega pessoal.
Morei durante 27 anos na linha de Sintra. Nesse período fiz de pêndulo regular durante cerca de 10 anos, primeiro para frequentar uma licenciatura, depois para me deslocar para o emprego. Em 6 desses 10 anos tive possibilidade de utilizar o automóvel nas deslocações diárias. Só quando era obrigado – muito raramente e geralmente por motivos profissionais – é que o fiz. Sempre preferi o comboio.
Há menos de seis meses passei a alfacinha de facto (já o era de jure). Um estatuto de que me recordo todos os meses no dia em que tenho de pagar a prestação da casa em Lisboa, bem como todos os dias, que tenho a felicidade de ir almoçar a casa. Ou ir passear descontraidamente no final da tarde, etc… Não me lembro nestes cinco meses de ter usado o carro para me deslocar dentro de Lisboa. Minto, usei-o para transportar uma pequena mobília… De resto safo-me bem com o metro, com os autocarros e com as minhas sapatilhas. Alguma coisa tem de mudar na utilização do automóvel. O conforto, o status de usar o automóvel (???) e a ignorância das alternativas têm de deixar de ser desculpas. Gostaria de ver este problema – poluição, saturação, perda de tempo, perda de competitividade económica, acidentes – ser enfrentado com a mesma garra com que colamos fotografias de pulmões deteriorados nos maços de tabaco (não, não sou fumador activo e sim, lá chegaremos às fotografias).

Hei-de voltar a este tema.

Posted by Rui at 05:30 PM | Comments (1) | TrackBack

setembro 25, 2003

Finalmente!

Finalmente lá encontrei um texto do Luis Delgado com que consigo concordar minimamente. À falta de grave provocação ao Ex.mo Sr. Doutor Juiz que desconheço, o Luis Delgado tem razão ao dizer: Demita-se!

Demita-se, senhor presidente do Tribunal da Relação. O que fez é inadmissível, inaceitável, insustentável e não pode ficar impune. E, já agora, porque é que está tudo tão calado com esta actuação indescritível, imponderada, insensata e autoritária de um homem que está numa função que exige um perfil rigorosamente oposto do que demonstrou.

Estranha face visível tem este juiz, de facto.

Posted by Rui at 05:22 PM | Comments (1) | TrackBack

setembro 22, 2003

Ora aí está

Neste momento, temos Adufe.pt mas não temos Adufe.blogger (com soluços?)
Ainda não me arrependi de ter iniciado as mudanças.
Mas é impressionante a quantidade de "tralha" que uma pessoa armazena em menos de três meses de blogue.

Posted by Rui at 09:45 PM | Comments (2) | TrackBack

Blogo, ergo...

Como informa o Leonel, na América (EUA) já houve quem se chegasse à frente apresentando-se em campanha eleitoral na blogo-esfera.
Então e por cá? JPP à parte, quem acham que vai ser o primeiro político a atrever-se a expôr diariamente - ou quase - o seu pensamento "em blogue"?
Sujeitar-se-á ao contraditório? Provavelmente será da oposição esse novo navegante, mas quem? E de que forma? É só uma questão de tempo...

P.S.: Continuo nas mudanças. Ó prós dias ali do calendário de Setembro a mudarem de cor indicando que houve conversa. É... isto não deixa mesmo de ser um Weblog.

Posted by Rui at 06:52 PM | Comments (3) | TrackBack

setembro 17, 2003

Imigração em Portugal (act.)

Não é fácil estudar a imigração, particularmente em Portugal e, mais especificamente ainda, numa perspectiva de grandes número, abrangendo a totalidade do país, projectando impactos globais.

Várias razões concorrem para este facto e são sobejamente conhecidas da comunidade científica que se tem dedicado ao tema (demógrafos, sociólogos, geógrafos, economistas). É complicado traçar diagnósticos fiáveis que se traduzam em realidades quantificáveis, no entanto, é possível dizer alguma coisa e é indispensável tentar perceber o que se passa.

A ilegalidade, as lacunas do aparelho judicial e administrativo, o desleixo pela recolha de informação estatística de qualidade que proliferou durante anos contribuiram, entre outros, para as dificuldades que agora temos. No momento em que passamos a acolher mais do que a ser acolhidos, nesse fluxo cruzado que ocorre anualmente, a informação é vital. É um instrumento indispensável para evitar equívocos bem conhecidos e demasiado frequentes. Na minha ainda curta carreira tive a felicidade de abordar algumas destas questões tentado servir o interesse público.
Para quem se interesse sobre o assunto remeto-vos para dois artigos em que colaborei:

- um sobre padrões de mortalidade entre a população imigrante em Portugal cujo link aqui disponibilizo.

- e outro, bem mais aprofundado, sobre as características da população com antecedentes migratórios a residir em Portugal, elaborado no âmbito do Conselho da Europa.

Ficam os links possíveis (textos em inglês):

Portuguese immigration: An approach to the mortality patterns O mesmo artigo alojado em Portugal está aqui (exige registo prévio na Infoline do INE para se poder aceder).

The demographic characteristics of populations with an immigrant background in PORTUGAL

Posted by Rui at 08:39 PM | Comments (0) | TrackBack

Abram os olhos

Abram os olhos
(...) É por isso que prefiro correr o risco de ter uma filha que seja influenciada pela Barbie, que use maquilhagem, que inicie a vida sexual aos quinze anos. Eu sei que pode parecer cruel, mas prefiro que a minha filha possa escolher entre ser prostituta ou mudar-se para Riad, onde não poderá guiar um carro, ler revistas estrangeiras, ou andar na rua mostrando a beleza de uns ombros despidos.

Posted by Rui at 01:43 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 16, 2003

As flash mobs são um fracasso...

...em Portugal. Ando meio a leste deste "acontecimento" mas dizem-me os Desblogueadores que foram (ontem) e continuam a ser (hoje) um fracasso. Juntaram-se não mais de três pessoas... Será ainda a herança do fascismo? Disseram-me que naquele tempo junção de mais de três indivíduos na via pública dava direito a interrogatório na Pide. Ficou-nos nos genes? Ná!!! Como alguém já disse, é mais provavel que tenha sido um problema de pontualidade... Talvez até ainda esteja a decorrer alguma flash mob... às pinguinhas.

Posted by Rui at 01:42 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 15, 2003

Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Não há nada como estar sempre disposto a aprender... No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

"Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam "nada", zero. Porque os outros 38% alguns separam "alguma coisa" e mesmo muito poucos separam "mesmo". Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a "culpa" o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais "outras razões".

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, < ou > 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do "prémio aos pais". Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em "regime de free-lance". Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um "negócio de escala", quer dizer que só com grandes quantidades de "lixo" separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.

E ainda há a questão do lucro. O "negócio" da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto "vasilhame com depósito" ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho."

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

"Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do "Ligeirinho" cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).
"

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio.

Posted by Rui at 12:48 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 14, 2003

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Posted by Rui at 10:53 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 13, 2003

Ping para...

aqui.

Para o José Fragoso e para o Luis Proença da direcção editorial da TSF seguiram estas palavras:

Viva!
A primeira vez que passei palavra sobre a IF (Íntima Fracção) andava eu na faculdade (há 8 anos?), escrevendo no boletim da Associação de Estudantes e logo aí me cruzei com alguns ouvintes que quiseram partilhar a cumplicidade, o segredo, o encantamento.

Pela minha parte prefiro ouvir "num quarto escondido e perdido no meio da cidade", às escuras, deitado na cama, de olhos bem abertos. Como hoje, daqui a bocadinho, depois da uma.

Tudo acaba, tudo recomeça. Espero que o Francisco Amaral continue a ter espaço na rádio portuguesa, comigo a poder ouvi-lo, já agora. Espero que fique na TSF mas se por lá não o quiserem, estou disposto a ir atrás! Já não seria a primeira vez ("Sexo dos Anjos" de Julio Machado Vaz e Aurélio Gomes).

Mas se isso acontecer é pena...
Durante muito tempo desarmei críticos da TSF ("É só notícias e anúncios. Uma seca!") com exemplos como a Íntima Fracção. Sei de alguns que ficaram ouvintes. Se houver quem tenha bons ouvidos na direcção, se não estiver já tudo decidido, pode ser que tudo corra pelo melhor.

Entretanto caso não sejam assíduos ouvintes sei que hão-de receber algumas cassetes gravadas por ouvintes dedicados que querem assegurar este cantinho na madrugada de Sábado para Domingo, aqui (aí) na TSF.
Pela minha parte deixo-vos só estas palavras.
Fiquem bem.
Obrigado por me terem lido.
Rui MC Branco

P.S.: Votos de bom trabalho para o resto do projecto. Suplantar a herança não será nada fácil mas força! (Não se esqueçam de quem já vos ouve na voragem de quererem ser ouvidos).

Posted by Rui at 08:11 PM | Comments (0) | TrackBack

Uma questão de semântica

Numa altura em que pomos "alegadamentes" atrás e à frente de tudo e em que confundimos a árvore pelo todo para magnificar a ideia de escândalo, noto que nesta notícia da SIC os caldos de galinha iniciais Alunos da Casa Pia em eventos organizados por médicos, artistas e oficiais da Marinha depressa caiem na tal generalização injusta A rede de pedofilia da Casa Pia teve ligações à Marinha e à tauromaquia portuguesa e esteve activa no interior da Expo 98, de acordo com o semanário Expresso.

“Teve, alegadamente, ligações a médicos, artistas e oficiais da Marinha" parece-me bem...

“Teve, alegadamente, ligações à Marinha e à tauromaquia portuguesa e esteve activa no interior da Expo 98" já ultrapassou o risco. A menos que se queira dizer que:
- a rede de pedofilia enquanto organização teve ligações a essas outras organizações criminosas;
- essas outras instituições que enquanto tal agiram em conluio com a rede;
- uma instituição seja sempre definida pelos piores elementos que a compõem.
Será que só a mim me incomodam este detalhes de semântica?

P.S.: A despropósito (ou talvez não), a demissão do presidente do IEP pode justificar-se por corroborar um inquérito infeliz e inconclusivo mas não se pode justificar para pôr uma pedra sobre o assunto, para que não se apurem responsabilidades materiais sobre o que se passou com a ponte que caiu no IC 19. O erro não foi do presidente, seguramente, assim como não foi do Ministro, ou de Jorge Coelho numa outra história de um passado similar. Julgo que dizendo isto este post fica mais coerente e, de facto, este post scriptum não vem mesmo nada a despropósito.
A definição de responsabilidades, dos seus limites, não parece estar ao alcance do entendimento de muita gente (pelo menos de alguns políticos, de alguns jornalistas...). Pena que essas falhas intelectuais sejam tão cirurgicamente selectivas e sucessivas.

Posted by Rui at 10:13 AM | Comments (0) | TrackBack

Vem aí asneira...

A SIC está anunciar o Jornal da Noite que se avizinha com uma asneira pegada.
Nem preciso saber dos (alegados) factos; há um erro de enquadramento, tem de haver.
Diz-se que a Marinha, a Expo-98 e não sei que outras organizações estão envolvidas no caso de abuso sexual de menores da Casa Pia.

Não falam de militares da armada ou funcionários da parque-expo. Preparam a promoção à notícia assim, lançando a suspeita sobre as instituições como um todo. Pondo-nos na cabeça que temos instituições que abusam sexualmente de menores.

Isto não é fazer jornalismo, é puro terrorismo. Péssimo trabalho senhores jornalistas da SIC. Onde fica o direito ao bom nome de todos os que trabalham na RTP, no PS, na Armada, na Parque-expo e (quem sabe?) na SIC, que nunca tiveram nada a ver com abuso sexual de menores?
O português é uma língua riquíssima. Façam bom uso dele. Perdoem-me a má ortografia, um ou outro erro de concordância como vos perdo-o a vós, mas ninguém perdoa a negligência grosseira em ofício nenhum.

Posted by Rui at 09:15 AM | Comments (0) | TrackBack

setembro 12, 2003

Foi hoje inaugurado o novo Aeroporto Internacional de Leiria.

Foi inaugurado há poucos instantes o novo Aeroporto Internacional de Leiria. O acontecimento foi acompanhado por centenas de espectadores que se dirigiram em massa para as imediações da Estação de Serviço de Leiria localizada no novo complexo aeroportuário.

Este inesperado acontecimento passou despercebido das entidades responsáveis pelo projecto da Ota, bem como, dos especialistas espanhóis que preparam o eventual aeroporto internacional de Badajoz. Admite-se que a edificação aeroportuária, agora inaugurada, esteve prestes a ser descoberta pela NASA no passado mês de Agosto, fruto da particular atenção dedicada à observação por satélite realizada na região, em virtude dos incêndios aí deflagrados. As nuvens de fumo terão, contudo, evitado a revelação pública do empreendimento.
O primeiro avião aterrou há poucos minutos tendo-se seguido efusivos festejos entre todos os presentes. Vamos em directo para o local da notícia.

Posted by Rui at 04:03 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 09, 2003

A Reciclagem II - (mega post – um pouco mais 1000 palavras!)

Correndo o risco e tendo bem presente que "Se não receio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo" cá vai disto.

«Reciclagem em balanço: SPV recicla 116 mil toneladas, mas...
62% dos Portugueses ainda não separam as embalagens usadas» in SPV

O Jornal de Negócios publica hoje dois artigos sobre as próximas novidades que envolvem a Sociedade Ponto Verde (SPV). Refere-se (1.) o processo de atribuição de uma nova licença de funcionamento como entidade dinamizadora da recolha selectiva e reciclagem em Portugal, bem como, (2.) as iniciativas práticas cuja implementação se adivinha para breve.

(1.) Quanto ao primeiro assunto o Jornal de Negócios adianta que:
A grande mudança na próxima fase de vida das SPV será ao nível da proporção entre as receitas por kg (que determina o valor de “ponto verde”) e os custos por kg (o valor da contrapartida). Apesar de ainda não estar definido o valor final que os embaladores passarão a pagar, a única certeza “é que é preciso aumentar este valor dramaticamente, ou então a SPV não é viável financeiramente”, explica Henrique Agostinho, salientendo que “apesar de sermos uma empresa não lucrativa precisamos de receitas para financiar a actividade a que nos propomos”.

Retomando a discussão a que aqui aludi num post anterior destaco que além da então referida taxa de saneamento básico, o custo directo do nosso lixo é já em certa proporção pago no acto da compra. A SPV conclui agora que se paga pouco. Porquê?
Conhecer as razões que fundamentam esta conclusão seria muito útil. Julgo adivinhas uma delas no próprio artigo do jornal. O actual dirigente da SPV aponta que será muito difícil, atendendo – depreendo - à dimensão do nosso mercado, que surja um concorrente neste mercado pois é uma actividade que depende da “escala e que não dá lucros”. Quando fala de escala fico com uma dúvida que julgo determinante: a escala a que se refere é potencial (produção máxima de lixo se todos reciclássemos) ou a real do momento (produção histórica recente de lixo separado para reciclagem)? Atendendo à necessidade de se aumentar a taxa que reverte para a SPV para assegurar a sua viabilidade, presumo que a quantidade de lixo recolhida – e que sabemos ser apenas uma pequena fracção do “disponível” – é insuficiente para o eficiente funcionamento do sistema de que a SPV é parte. O problema da pouca eficácia na recolha é, portanto, premente e as suas consequências estão patentes no aumento do preço.

Quanto ao facto da actividade de uma empresa como a SPV não dar lucros já é outra conversa, depende seguramente da tal valorização do lixo de que falei no outro post; do seu tratamento; do enquadramento legal criado, e da própria definição de lucro que adoptamos. Na matéria em apreço, o lucro empresarial puro e duro não é determinante e se calhar nem é desejável. Mas este ponto ficará para outra ocasião.

Resumindo, depreende-se que a capacidade instalada suporta volumes muito maiores de lixo separado devendo registar maior eficiência - ser mais barato tratar cada quilograma de lixo - se "vencermos" a batalha da reciclagem.

Note-se que no post anterior em que falei deste assunto me esqueci que havia uma componente do preço dos produtos justificada pela reciclagem da embalagem. Mas quantos se lembram desse facto quando vão às compras? Qual é a percentagem do preço afecta a esse fim? Quando a contribuição para a SPV aumentar, o mais provável é que ninguém se aperceba disso não estabelecendo uma relação entre o comportamento da sociedade face à reciclagem e o impacto no seu bolso. O preço que poderia ser também visto e publicitado como o custo que de facto é, surge escondido à boa moda de um imposto indirecto plenamente inapto para ser entendido e dominado pelo comum dos mortais. Aumenta-se o preço, não para condicionar as opções do consumidor no sentido de que este se aperceba que está a comprar um bem cujo interesse não se esgota no seu consumo, mas apenas com o objectivo de garantir o saneamento da empresa SPV.

(2.) Como escrevi no início, o Jornal de Negócio foca ainda o aspecto prático da SPV anunciando as próximas medidas:

Até ao final do ano, os consumidores vão encontrar os baldes para a separação de lixo doméstico à venda em todos os supermercados, sob a chancela da Sociedade Ponto Verde (SPV). Com um custo aproximado de 10 euros por unidade, os novos ecopontos domésticos da SPV são fabricados pela Plastival – associação de recicladores de plásticos, accionistas indirectos da SPV. Em paralelo, a SPV está a trabalhar no lançamento de sacos de cores diferenciadas “cujo objectivo é fazer com as pessoas que têm condutas, não tenham de acumular o lixo em casa, separado, à espera para despejar nos dias previstos”, adianta Henrique Agostinho.
A SPV vai ainda avançar com um projecto especial com as escolas primárias, cujo objectivo é envolver as crianças e os pais. Para já, o projecto vai ser desenvolvido nas regiões de Leiria e Viseu. As crianças vão ser estimuladas a levar o lixo separado para os ecopontos que estão junto das escolas. Cada ecoponto vale pontos que dão direito a prémios. A ideia da SPV é despertar os miúdos para a reciclagem e ensiná-los a separar o lixo, de maneira a que se torne um hábito. “E assim, também os pais são envolvidos”, acrescenta.

Tudo isto me parece muito bem mas continuo a ter sérias dúvidas da eficácia destas medidas em contribuírem para um aumento rápido do volume de lixo que entra no processo de reciclagem. Porque não dar também um prémio aos “pais” quando estes reciclam? Um prémio permanente. No fundo, os consumidores iriam reaver, caso reciclassem, uma caução que seria parte da taxa paga no acto da compra da embalagem. Tudo seria mais fácil independentemente do nível de consciencialização de cada um.
Ao contrário, pede-se que se pague voluntariamente um novo caixote do lixo, novos sacos… Se as campanhas de sensibilização forem bem sucedidas tudo bem, mas não tem sido essa a experiência passada.

A única esperança que tenho de que algo de novo e substancial possa surgir com as alterações referidas nas notícias do Jornal de Negócios é que o aumento da taxa Ponto Verde sobre as embalagens não retornáveis – juntamente com mais umas eventuais achegas do legislador - torne apetecível para o embalador fabricar embalagens retornáveis, um conceito mais ambicioso de reciclagem. Onde o princípio de “prémio” ao agente que liga a produção/consumo à reciclagem está presente.

Posted by Rui at 09:13 AM | Comments (3) | TrackBack

setembro 07, 2003

Morrer

Li algures na blogoesfera alguém queixar-se de não se falar muito do que se passa nas nossas estradas por aqui.
Hoje o insólito ajuda.
Hoje quase se morreu debaixo de uma ponte que desabou em cima do IC 19. Uma ponte que tinha sido abalroada por um camião há coisa de um mês e que havia sido reparada na noite de Sábado para Domingo.
Mais uma para juntar à lista de potenciais causas de óbito... Podia ter sido hoje. Arricámos duas vezes, eu e a M.
De manhã reparei nuns entendidos de colete luminoso à beira da estrada que encerravam os trabalhos. No iní­cio da tarde lembro-me de termos escapado a um ou outro encosto de soberbos As-nos-volantes.
Como nota o Nelson, a ví­tima mais grave tem 28 anos... Assim como nós. Dá para reforçar a identificação e para estimular os neurónios.
Se tiver tempo hei-de voltar a este assunto...

Posted by Rui at 07:39 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 03, 2003

O outro défice

O outro défice
ou
Por que raio hei-de pôr o lixo no Eco-Ponto?

Os produtos reciclados tem valor económico directo – são matéria prima para fazer papel reciclado, vidro, metal, combustível, etc - além de um valor dificilmente quantificado pelos prejuízos que se evitam pelo seu processamento (mais) eficiente.
Mas quem quantifica esta última parcela do custo sabendo que a unidade de medida tem de ser monetária? Este passo é fundamental para implementar o princípio do poluidor-pagador por exemplo… Aparte o apoio técnico que um grupo de engenheiros, economistas e afins pudessem dar, a tarefa no final é iminentemente política. E como sabemos há quem faça escola no governo de grandes países (grandes poluidores) em desprezar esse custo na factura da administração do planeta. O paradigma mais popular desta opção política é sem dúvida o presidente dos Estados Unidos da América mas tem muita companhia. Provavelmente para estes lideres o valor económico directo é desprezável (quando comparado com o apurado na produção de futuro lixo) e o “indirecto” não se enquadra nas premissas dos estabilizadores automáticos providenciados pela estreita lógica de omnipotência do mercado.

Ora bem, pagar já nós pagamos, quer directamente (através da taxa de saneamento básico de cada Câmara, através dos impostos), quer indirectamente (cof cof, infecções, cancros, intoxicações, perda de beleza do meio ambiente, etc, etc) e ainda assim o problema não se resolve, agrava-se. Em Portugal, dizem as estatísticas, o número daqueles que recicla é mínimo… Mesmo com democracia, mesmo com o mercado a funcionar. Algo está a falhar…
De certeza que há solução, ou mesmo soluções…
A indústria da reciclagem já existe, mas o bem lixo não respeita (ou parece não respeitar) as premissas de uma qualquer matéria prima. Este é oferecido, não sem esforço, por quem o produz a um intermediário que o vende. Quanto vale um quilo de papel, um litro de óleo alimentar queimado?…
Sem pensar o estado destas coisas, o que poderíamos fazer para resolver as falhas?
Por exemplo, pagar ainda mais de taxa resolve o problema do não processamento para reciclagem? Que certeza temos em que um aumento na taxa municipal me vai estimular a separar o lixo? Se o vizinho não reciclar a taxa sobe na mesma… Não identifico uma relação directa, tenho de racionalizar a coisa e muitos de nós não estamos para isso, limitamo-nos à sensibilidade imediata para avaliarmos e escolhermos as nossas rotinas do dia-a-dia.

Uma amiga meio a brincar, meio a sério disse-me que se recusava separar gratuitamente o lixo e posteriormente colocá-lo no respectivo ponto de recolha a custo zero. “Não há gajos que ganham dinheiro com o meu lixo? Se me pagassem uma parte do seu valor eu investia tempo e dedicação em seleccionar, acondicionar e entregar o lixo. Porque o meu lixo tem retorno, como pode ter retorno a garrafa e algumas outras embalagens”. Ainda argumentei “Então e a tua preocupação com o meio ambiente, esse seria um teu contributo activo para teres um mundo melhor”…. Está bom de ver que a moça me atirou à cara o vizinho free rider que dá cabo do esquema.

E de facto, pensando bem, porque não consideramos esta hipótese? Se além de campanhas de sensibilização (úteis para que todos percebamos o que está em jogo, que todos “lucramos” com a interiorização do princípio do não desperdício e nos consciencializamos dos custos do nosso lixo) houvesse uma retribuição equivalente a uma percentagem do valor directo do lixo depositado talvez fosse mais fácil e seguro derrotar as lixeiras e reduzir a pressão sobre o planeta. Seguramente que não seria lucrativo produzir lixo para depois ganhar o valor da reciclagem mas seria confortante perceber que o custo de não reciclar é bem maior do que o de sermos os nossos próprios lixeiros.

Posted by Rui at 08:46 PM | Comments (0) | TrackBack

setembro 02, 2003

Gostei de ler agorinha

O Crime de ignorar do Migalhas.

Citando...
Todos nós provavelmente já experimentámos a desagradável sensação de que podemos um dia morrer estupidamente. Seja num acidente automóvel que evitámos à última hora, numa pontada de dor no peito, nas imagens de um atentado terrorista. Nesses momentos, alguns de nós, pensámos que não era ainda a hora de morrer. Que tal antecipação era injusta. Faltam-nos ler tantos livros, procurar e atingir objectivos, fazer novos amigos, beijar futuros filhos. Sentimos a ténue linha imprevisível que nos sustenta entre o existir e o deixar de ser. Esse medo, receio, é saudável. Mantém-nos agarrados à vontade de ser, aprender, pensar, crescer, interrogar, afirmar, envelhecer, amar e viver.

Um recente estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada revela que "Com base num questionário feito a 234 estudantes do ensino secundário da cidade de Lisboa, de ambos os sexos e com idades entre os 15 e os 21 anos, a investigação revela que 48,2 por cento das inquiridas já desejaram estar mortas, enquanto 35,6 por cento pensaram em suicidar-se.
Quanto aos rapazes que pensaram em pôr termo à vida, foram 19,1 por cento, embora já tenham desejado estar mortos 25,3 por cento."

Andamos preocupados com tudo e, ao mesmo tempo, andamos cegos. Discutimos o terrorismo, a casa pia, o bigbrother (minúsculas propositadas), o M.E.C, o calor, o fogo, as músicas de verão, este blog, aquele blog, o outro blog. Acusamos o umbiguismo, o Prado Coelho e o Luís Delgado. Veneramos uns, atacamos outros, ignoramos muitos. Ignoramos aqueles que nos rodeiam, ignorando assim um grave problema invisível: Aqueles que não vêm nas notícias e acabam por transformar-se numa das notícias mais tristes do nosso país.

Salto para o hiper-espaço aqui.

Posted by Rui at 08:42 AM | Comments (2) | TrackBack

agosto 15, 2003

Ultima nota

Só uma nota final para o Carimbo cujo regresso, depois de uma curta ausência, saúdo.
Ainda o General Silva Viegas (e para fechar da minha parte).
Julgo que os argumentos estão quase esgotados pois encontro resposta às últimas considerações do Carimbo no meu último post sobre a matéria e provavelmente o sentimento é mútuo. Mas... Por simpatia com os defeitos do Carimbo que partilho (o da teimosia) regresso à polémica General Silva Viegas (GSV) (d)enunciando hipóteses alternativas às conjecturadas pelo Carimbo. Espero que, apesar de tudo, esclareçam o que me levou a tomar a posição que tomei.

Imagine que o GSV foi de facto humilhado no exercício das suas funções. Imagine que o ministro da defesa lhe pediu favores às margens do exigível pelo regular exercício das funções do CEME (por exemplo, a história que GSV julgo ter confirmado da tentativa de atropelo no esquema de promoções de oficiais) e imagine que o PR conhece e reconhece estes factos.
Naturalmente, o PR sabe mais do que qualquer um de nós que nos envolvemos na polémica.
O PR não pode usar a bomba atómica forçando Durão Barroso a demitir um ministro da Defesa que é simultaneamente o garante de uma maioria absoluta. Ou melhor, poder pode, mas não quer, nem considera, apesar de tudo, justificado. O dano para o País seria demasiado grave, desproporcionado.
O PR pode, no entanto, fazer uma afirmação política elogiando o comportamento do GSV e desta forma rejeitando qualificar como injustificados os motivos da sua saída e limpar o Exército da humilhação a que foi sujeito na figura do CEME pelo Ministro da Defesa.
Se não o fizesse perderia o ascendente moral conquistado e que tem de manter sobre as tropas enquanto chefe supremo das mesmas. Por outro lado, estaria a corroborar integralmente o comportamento do Ministro da Defesa. E que eu saiba nada obriga o PR a imaginar um conflito entre políticos e militares no qual seja obrigado a tomar o partido dos primeiros, seus pares (?), sabendo que a asneira fôra destes.
Ou seja, o PR teria preferido a demissão de PP, mas o caso não foi suficientemente grave para se dissolver a Assembleia pois, poderá ter sido esse o cenário oferecido por Durão Barroso perante o hipotético pedido de exoneração do Ministro da Defesa que Jorge Sampaio tenha feito. Muito provavelmente Jorge Sampaio não terá chegado a colocar a proposta na mesa por saber de antemão a resposta... Hipóteses e mais hipóteses.

Mas a leitura que eu tiro dos elogios ao GSV é exactamente esta. O PR acompanha há quase uma década o relacionamento entre o poder político e os militares, sabe até onde se pode esticar a corda e sabe o que fazer para limitar avarias e repor a justiça com os meios que a constituição coloca ao seu dispor num regime semi-presidencialista. O PR colocou o ónus da culpa claramente no Ministro da Defesa, ele foi o infractor que promoveu a invulgar saída do CEME. Por outras, o CEME reagiu... E lembro que mesmo tendo-o feito como o fez, arrancou rasgados elogios do Ministro da Defesa(!). Se isto não é de pasmar... Claro que não é de pasmar. Não é porque PP já sabia o que o esperava. Sabia o que tinha feito e sabia o que o PR iria fazer. Em nenhum momento iria tomar as suas dores. Logo, toca de confundir tudo e todos ridicularizando-se em encómios e mais encómios ao demissionário Genral Silva Viegas. Enfim... Mais do que isto não sei dizer. Se quiser(em) continuar a catalogar o comportamento do PR como um favor ao PS... do presidente de todos os portugueses socialistas... É um direito que teimosamente lhe (vos) assiste :)

Até à próxima polémica que eu agora vou a banhos... fluviais!

Posted by Rui at 03:09 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 13, 2003

Toma lá, dá cá

A propósito do meu post sobre a carta aberta de um oficial do Exército no Público interessante e divergeeeeeeente a opinião expressa aqui.
Em jeito de comentário na troca de e-mails com o Quinto dos Infernos retribui o seguinte troco (com ligeiríssimas correcções):

"Uma das diferenças entre as duas formas de ler a carta, parte do nível de expectativas. Não li a carta à procura das "explicações" para este último caso - o da demissão do General. E julgo que não era esse o objectivo (principal) do Major. Se tivesse outras expectativas até compreendo a sua frustração sobre a carta.
Também tenho alguma, pouca, família no meio e longe das altas patentes, concretamente, na Marinha.
E se há facto de que não tenho dúvida é que o mau estar é geral na Marinha, também. E não se resume ao episódio Paulo Portas, é bastante anterior. E passa pela organização interna do ramo, pela falta de respeito, por não se honrarem os compromissos, por abusarem do voto de silêncio obrigatório, pelo tratamento discriminatório face a outras forças para-militares, pelas condições de trabalho, pelo equipamento disponível, pela falta de objectivos claros. Os levantamentos de rancho não são caso exclusivo do exército, por exemplo. Neste ponto remeto-o para a polémica com o Carimbo e para o post em defesa do PR que surge no adufe onde abordei de passagem alguns destes aspectos.
Admito que no exército, habituado por exemplo a um papel que vai perdendo na própria lógica militar moderna e bem mais atrasado no caminho da racionalização (a começar pelo excessivo quadro de oficiais) e modernização haja também um exagero de "instinto de sobrevivência". Mas esse exagero não nos pode toldar para a realidade das FA's nos últimos anos (a minha memória recua aos tempos de Fernando Nogueira não mais). O poder político tem sido sistematicamente irresponsável na política de defesa. Julgo que mudar esses estado de coisas e ter consciência dele é bem mais importante do que o sintoma grave recente protagonizado pelo Ge. Silva Viegas.
"

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agosto 12, 2003

O determinismo geográfico

Não resisto a fazer eco de último post de Pedro Machado no País Relativo:

"A canícula alemã ou Montesquieu revisitado:
Durante estes dias de intensa e constante canícula, os alemães andam desorientados. Carregam olheiras de noites dormidas a espaços, circulam empapados em suor. Atiram-se sofregamente a ventoinhas e aparelhos de ar condicionado, baixam às urgências hospitalares com queixas de insolação e desidratação. O correio atrasa-se, as entregas ao domícilio eternizam-se. Os patrões desesperam com a fraca produtividade dos empregados, estes com a generalizada falta de climatização dos locais de trabalho. Metros e comboios convertidos em estufas, centrais nucleares, tal como em França, a transpirar e a ameaçar gripar - e lá se vai o ar condicionado ainda agora comprado. Um país virado do avesso, um país subitamente com hábitos e ritmos mediterrânicos. Só que mais perdido, ofegante e exasperado pela falta de hábito. Será que, no meio de tanto desajustamento, sucumbirão à poligamia que Montesquieu dizia própria dos climas quentes?
"

Apenas acrescento: Maldito Determinismo Geográfico! E não é que os portugueses que lá moram têm excelentes índices de produtividade?!??! A juntar ao Algodão não engana que está ali em baixo resta dizer: É a pólvora meus caros, a verdadeira pólvora!

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agosto 11, 2003

Dá cá aquela palha, se faz favor

O INE acaba de divulgar uma breve análise sobre a Divorcialidade tendo por base os dados definitivos para as estatísticas demográficas de 2002 neste artigo.
Entre os dados mais significativos destaco a elevada taxa de divorcialidade portuguesa no contexto da União Europeia - estamos entre os países com maiores taxas - e o facto de cerca de 91% dos divórcios se fazerem por mútuo consentimento. Entre 1975 e 1979 a percentagem dominante era a dos litigiosos com 48% dos divórcios. Outro facto interessante é a diminuição da taxa de divorcialidade entre os indivíduos com menos de 40 anos em ambos os sexos, entre 1993 e 2002. Por outras, são os indivíduos com mais de 40 anos que têm feito disparar os índices de divorcialidade. Por outro lado, é nos casamentos com 5 a 9 anos de duração que se registam as maiores taxas de conversão em divórcio. Talvez a famosa crise dos 7 anos sempre exista, afinal... Ah! E quanto mais filhos, menor a probabilidade de divórcio... Ou será o oposto?

Estamos mais exigentes do que há 30 anos e menos capazes de encontrar entendimentos com o outro. Mas não consigo acreditar na inevitabilidade do fracasso implícita na dimensão de tamanha incompatibilidade.
Aos meus amigos peço-lhes, por favor, passem a pôr a roupa suja no cesto da roupa suja. É demasiado ridículo pedirem-nos (aos amigos, os que vos ouvem e acarinham) para encontrar espírito de entendimento para um divórcio baseado na roupa suja que ele ou ela nunca punha no respectivo cesto.

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Carta Aberta ao Ministro Paulo Portas

O Público de hoje publica uma carta aberta ao ministro Paulo Portas escrita por um leitor identificado que se apresenta como um oficial superior do Exército no activo.

Parece-me um contributo equilibrado e sério para melhor percebermos o estado de alma que vai na tropa. Acho o texto particularmente interessante por sublinhar o que é que é relevante para um militar relativamente a tudo o que se tem passado nos últimos anos. Muitas vezes o que é relevante e o que se passa “lá dentro”, não é propriamente o que surge com grande destaque nos jornais. É também um exemplo raro e sintomático vindo de um oficial no activo, a quem, relembro, este tipo de opinião poderá acarretar sanções disciplinares graves caso venha a ser identificado. Pelos motivo já enunciados e para auxiliar no debate em que o Adufe tem participado transcrevo na integra a epístola.

Carta Aberta ao Ministro Paulo Portas
Segunda-feira, 11 de Agosto de 2003
Sou oficial superior (major) do Exército Português, no activo.
Os militares conhecem as ideias estereotipadas e pouco abonatórias sobre o nível de inteligência e o perfil psicológico que a maioria dos cidadãos dedica a quem escolheu esta forma de vida.
Resignados, aguardamos pacientemente que estes preconceitos imerecidos caiam em desuso, como muitos outros que foram sendo destruídos pela força do tempo e do exemplo. Basta-nos saber que não reflectem a realidade e que os exemplares a quem se possam aplicar com propriedade, que os há, reflectem a qualidade do povo a que pertencemos e podem ser encontrados com a mesma facilidade em qualquer outro grupo profissional, incluindo governantes.
Também é verdade que a instituição militar está esclerosada mas não mais que as restantes instituições públicas ou outras instituições centenárias.
Por estas e por outras, muitos cidadãos, incluindo alguns com responsabilidades governativas, abusando do dever de obediência e de silêncio a que os militares se obrigam e sabendo que estes nunca se insurgirão, rebaixam-nos, pensando que os submetem.
Os militares aceitam e cumprem voluntariamente as regras do jogo e as imposições disciplinares a que estão sujeitos por entenderem que estas são essenciais ao funcionamento do tipo especial de organização a que pertencem. Por isso, perante a hierarquia, salvo situações excepcionais, calam sem esforço o que sentem e pensam, levando terceiros a interpretar a submissão a estes valores como aceitação acrítica, genética e patética, do princípio da autoridade.
Não é assim. Os militares pensam e, quando se torna necessário, agem. O exemplo do último Chefe do Estado Maior do Exército prova-o. Mas ele não está só e a sua atitude não pode ficar isolada. O espírito do seu gesto terá de multiplicar-se se os militares quiserem manter o respeito por si próprios e ganhar o dos outros.
É já público que foram ultrapassados os limiares razoáveis do comportamento que se pode tolerar a um Ministro da Defesa. Perante a situação extraordinária em que nos encontramos, na ausência de sensatez dos responsáveis, impõem-se medidas extraordinárias como a desobediência à lei do silêncio e o delito de oposição.
Tem sido dito por jornalistas e analistas que os militares sentem um desprezo visceral pelo ministro da tutela, que não lhe reconhecem carácter ou qualidades para os liderar e que vêem com preocupação o instável rumo da sua governação. Na qualidade de militar no activo venho confirmar o que tem sido calado: é mesmo verdade.
E, a propósito, desmontar as manobras de diversão e de desinformação que pretendem escamotear o real motivo do nosso descontentamento:
1. Não é verdade que nos movam razões de ordem material. Sentimos diariamente a asfixia financeira das Forças Armadas mas percebemos a nossa realidade e já estamos habituados a sobreviver numa instituição tão descapitalizada como tantas outras. De facto, o que nos move são motivos de ordem ética e que se prendem essencialmente com a forma como temos vindo a ser liderados pelo poder político. A maior parte de nós tem uma cultura democrática sólida e aceita sem hesitações a subordinação ao poder político mas não pode ver com bons olhos que esta se vá transformando em humilhação pelo poder político.
2. Também não é verdade que a contestação actual resulte do facto de o ministro pretender diminuir o número de generais. Infelizmente, o descontentamento é mais generalizado, não se restringe aos generais nem a essa questão verdadeiramente irrelevante quando comparada com as causas do nosso desconforto.
3. Também não é honesto desculpabilizar o Ministro da Defesa dizendo que o Chefe de Estado Maior do Exército foi vítima de si próprio ao ter aceite o lugar nas condições em que o aceitou. A ter feito mal, o erro foi cometido pelo militar que desempenhava o cargo mas foi corrigido ao ter deixado de pactuar com situações menos dignas. Acontece que as desconsiderações do senhor ministro foram feitas ao Chefe de Estado Maior do Exército, independentemente de se chamar A ou B e, desse modo, a todo o Exército.
4. Não é senão meia verdade e demagógico o argumento do sentido unidireccional de um sentimento que tem dois sentidos, como o da confiança. Tal como o entende o comum dos mortais e os militares por força da sua missão é tão importante ter confiança nos subordinados como a confiança destes nos seus superiores. Não ter confiança no actual Ministro da Defesa não nos desmoraliza porque um dia deixará de o ser mas deixa-nos apreensivos enquanto lá permanecer. Porque já perdemos quase tudo o que poderia compensar essa ausência de confiança, porque a nossa auto-estima já não é grande e porque receamos os estragos que possa vir a causar pela amostra dos que já causou.
Em resumo, o senhor ministro, apesar do seu apregoado patriotismo, não reúne as condições mínimas necessárias para liderar uma instituição que se obriga a respeitar princípios que o próprio desrespeita. Actualmente, a autoridade de que goza é simplesmente de natureza formal, a que corresponde um respeito de etiqueta, também meramente formal, dirigido à figura do Ministro da Defesa mas não de quem desempenha o cargo. O que não é de menor importância.
Desdramatizando, sabe-se que ele, o país, a instituição e nós sobreviveremos ao ministro. Mas a culpa não deve morrer solteira nas mãos do actual ministro. A outra e não menos importante questão que se coloca é que regime é este que permite que um homem transforme um ministério na sua coutada pessoal e que não preste contas públicas de erros grosseiros que foram tornados públicos. O actual Ministro da Defesa não é o poder político. É apenas uma extensão dele. Algo está mal quando o poder político permite que continue a agir ao sabor do seu estilo muito pessoal sem qualquer tipo de consequências. Mesmo em política, mesmo no sentido estrito do termo, nem todos os fins justificam todos os meios.
Impõe-se que se diga que esta atitude não traduz nenhum posicionamento de natureza político-partidária. De facto, veríamos com bons olhos a deslocação do actual Ministro da Defesa para outro ministério e/ou a sua substituição por alguém do seu próprio partido. Sabemos de antemão que, tão cedo, qualquer outro pouco mais poderá fazer por nós, para além de nos respeitar com a dignidade que qualquer grupo profissional merece. Para esse efeito, qualquer delegado partidário bem intencionado poderá ocupar o lugar. Somos homens e mulheres vulgares que padecem das fraquezas da natureza humana como quaisquer outros. O Ministro não tem de ser perfeito. Nos tempos que correm já nem precisa de ser um homem sério a tempo inteiro. Basta-nos que o seja no exercício das suas funções e que nos considere. Para continuar a dispor da nossa interminável paciência e "incondicional" subordinação.
Leitor Identificado

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agosto 08, 2003

Como preparar uma bela refeição com "as sobras"

"O que fica para lá do litoral do país é uma massa de gente que sobrou. Não é gente que ficou por opção, porque gosta mais do campo do que da cidade. Não. É gente que sobrou, que ficou de fora da história do nosso moderno "progresso". Enquanto continuarmos a ver crescer um país assim, onde se imagina que o povoamento do campo se faz com os que sobrarem lá, a floresta há-de arder, as pontes hão-de cair e outras desgraças previsíveis também vão acontecer."

Ainda que já tenha tido a felicidade de encontrar quem more e goste de morar no interior do país, o Acho Eu no seu post O que fazer com o interior deste País? apresenta outras generalidades possíveis e, em meu entender, mais prováveis que se opõem à ideia provinciana que muitos temos da...província. Sublinho que já vai havendo opiniões dos próprios, os que "lá" moram, mesmo aqui na blogoesfera. Transmontar foi o último bom exemplo que encontrei...

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agosto 07, 2003

Nunca são demais as boas notícias...

TSF - CASTELO BRANCO

"Hospitais vão buscar reforços a Espanha.
O Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), na Covilhã, e o Hospital Amato Lusitano (HAL), em Castelo Branco, vão reforçar os seus quadros com médicos espanhóis, adiantou o director clínico do CHCB.
(...)
Apesar do número de médicos do CHCB ter duplicado nos últimos três anos, ainda há carências em vários serviços. As áreas mais necessitadas são a cardiologia, oftalmologia, neurologia e urologia."

É pena é que o serviço de proximidade, junto às aldeias, seja tão pobre. Sofre-se demais, sendo velho, no interior do país.

Posted by Rui at 10:45 PM | Comments (0) | TrackBack

Quanto medem duas léguas...

Ora, ora... Um prometedor e útil portal para quem quer ter o primeiro contacto com a Beira Baixa. Se bem percebo, desenvolvido pela ADRACES - ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA RAIA CENTRO-SUL. Ainda há muito em construção mas já é possível encontrar referências históricas, demográficas e sociais para as freguesias dos concelhos raianos de Castelo Branco, Idanha a Nova, Vila Velha de Rodão e Penamacor. Não faltam as referências de equipamentos hoteleiros, restaurantes e locais turísticos de interesse. Tudo muito sintetizado, bonito e limpinho. O Adufe tem de acarinhar...
Tomo a liberdade de reproduzir aqui três pequenos textos da parte mais literária do Bis- Net, a saber: alguns dos Contos, Lendas e Tradições que surgem nas páginas dedicadas às aldeias (seleciono apenas aldeias de Penamacor). Já agora, não se esqueçam de visitar, serão todos benquistos concerteza.

Aldeia do Bispo

O Frade e a Freira
Em tempos muito remotos havia dois conventos, destinando-se um a homens o outro a mulheres. A distância que separava as duas casas de recolhimento não era pequena. Contudo, o regulamento dos dois claustros proibia a entrada dos frades nos conventos das freiras e a destas no daqueles. Passaram anos, que perfizeram séculos, não havendo nada que fosse contra esta disposição monástica. Um dia, porém, em falso monge, qual outro lobo vestido com a pele de cordeiro, entrou no mosteiro das freiras e seduz uma pobre religiosa. Ambos fogem das casas que os haviam acolhido hospitaleira e religiosamente. Em breve, ao toque das matinas, se notou nos mosteiros a falta dos religiosos. Procuraram-nos por montes e vales, por desertos e povoados e em vão foram feitas estas buscas. Como deviam aparecer, se eles tinham fugido num cavalo que andava tanto como o vento? Os superiores de ambos os mosteiros viveram horas amargas pela fuga dos monges. Um dia, porém, viram, com grande surpresa, em elegante cavalo que caminhava dum convento para o outro, parecendo querer oferecer os seus serviços àquelas casas de penitência. Os videntes não se enganaram. Este cavalo, que misteriosamente lhes apareceu tinha a qualidade de andar tanto como o pensamento. Então um frade dos mais destemidos, depois de arraçoar o animal, toma lugar na cela, e numa correria fantástica, o animal levou-o, num abrir e fechar de olhos, ao local longínquo, onde os fugitivos se encontravam. Como castigo, estes dois maus religiosos são levados para o cabeço da portela, a oriente da Aldeia do Bispo, junto às minas do Pinheiro e, ali, como a mulher de Lot transformada em estátua de sal, são convertidos em estátua de duro granito. Lá se encontram ainda hoje, expiando o castigo da sua culpa, aos olhos de todos quantos ali passam. O cabeço onde o castigo se operou, tem o nome de Cabeço do Frade e da Freira.

Bemposta

Senhora da Silva
Segundo a tradição, a imagem da Senhora da Silva, orago da freguesia e, que ainda hoje se venera, apareceu, em tempos idos, no tronco ocado de uma oliveira, rodeada de silvas que dava pequenas rosas brancas, como a neve pura nas altas montanhas. Estas flores são conhecidas por rosas bravas. Ainda se podem ver no lugar da aparição restos do arbusto. Ao aparecimento da imagem é-lhe dada a seguinte interpretação: em tempos muito remotos de guerras e perturbações sucedeu, várias vezes, os habitantes das povoações abandonarem as suas terras e, portanto, as suas casas. Acontecia, como em todos os povos da antiguidade, durante estas lutas, que os habitantes escondiam, enterrando-os por vezes, os seus haveres, para que não lhe fossem destruídos ou roubados. Ora a Imagem de Nossa Senhora, que é de roca e vestida, como diz o povo, apesar de nada ter de artístico, foi contudo sempre venerada como padroeira do povo de Bemposta. Os habitantes tiveram, em ocasiões de luta, de abandonarem os seus lares. Para que a Imagem da sua padroeira não fosse profanada pelos povos invasores, esconderam-na enterrando-a. Estes povos não mais voltaram e a imagem permaneceu no esconderijo. Nele nasceu um silvado que, na Primavera, floresce de rosas brancas, como brancas são as virtudes. Num dia porém, o dono da propriedade lembrou-se, certamente por necessidade de cultura, de cortar o silvado e arrotear o terreno. Qual não foi a surpresa do agricultor ao encontrar a imagem de Nossa Senhora que, desde esse dia, foi levada para a Igreja Matriz, tomando o nome de Senhora da Silva em homenagem ao arbusto deste nome, nascido no local.

Benquerença

O Cruzeiro
Conta-se que, em tempos idos, todas as freguesias que ficassem a menos de duas léguas da sede de concelho, no dia do Corpo de Deus, eram obrigadas a fazerem-se representar na procissão que ali se realizava. Como o caminho era difícil e penoso, um ano a Benquerença faltou e foi processada. O tribunal mandou medir a distância e como a freguesia ainda não chegava onde hoje chega, foi absolvida porque as duas léguas foram marcada fora do perímetro da freguesia. Esta, em sinal de alegria e por se ver desobrigada daquele compromisso, construiu no local um cruzeiro assinalando-o. A data deve ter sido 1774, pois é a que está marcada na pedra que servia de base ao cruzeiro primitivo e que houve o cuidado de conservar na base actual.

Todas as imagem foram retiradas daqui.

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agosto 05, 2003

Terra de fogo - From Nasa

Nua, só com um véu...

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julho 31, 2003

A paixão dos comboios

Depois das críticas que aqui deixei há alguns dias, premitam-me fazer eco de uma boa notícia sobre os comboios que li há pouco no Público.

«A CP apresentou ontem os primeiros comboios modernizados que, a partir de segunda-feira, começam a circular entre Lisboa e Tomar.

O serviço regional de Tomar é o primeiro a receber três comboios que foram sujeitos, segundo a CP, a uma "modernização profunda que passou pela instalação das mais modernas tecnologias da indústria ferroviária". Até ao início de 2005 deverão estar a circular no serviço regional 57 comboios renovados, de três carruagens, que permitirão, de acordo com o presidente da CP, Crisóstomo Teixeira, "uma redução do tempo de viagem".
(...)
Este responsável adiantou que a velocidade média poderia aumentar, reduzindo em 15 minutos o tempo de percurso Lisboa/Tomar, que ficaria a demorar hora e meia. Mas, para tal, "é necessário uma melhoria da infra-estrutura, que cabe à Refer [Rede Ferroviária Nacional]".
(...)
O serviço de Tomar é considerado "o serviço regional de bandeira da CP com mais clientes", tendo transportado o ano passado 3,6 milhões de passageiros. Faz 46 circulações diárias até Lisboa.
(...)
Até 2005 serão introduzidos dois comboios renovados por mês, estendendo-se a oferta deste serviço aos regionais da linha do Norte (Coimbra/Porto, Coimbra/Entroncamento e Lisboa/Tomar), além de Coimbra/Beira Alta, Coimbra/Figueira da Foz e Entroncamento/Beira Baixa e ainda na Linha do Sado entre Barreiro e Setúbal.
»

Lendo o resto da notícia percebe-se que se investiu no sítio certo e da forma certa (mais conforto, mais segurança, maior rapidez, maior beleza estética). Os resultados não hão de demorar. Pode ser que o smog em Lisboa e arredores com medidas como esta comece a diminuir. Não é suficiente mas é necessário.

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julho 30, 2003

Tomada de posse no INE

Soube que na tomada de posse hoje, no INE, apenas o Ministro Morais Sarmento botou faladura. Esteve presente a senhora Ministra das Finanças e tudo. O novo presidente optou pelo silêncio.

Alguém me disse que "Se calhar o novo presidente não está cá para falar, mas para fazer o que lhe mandam".

Se fazer o que lhe mandam é reorganizar o Sistema Estatístico Nacional e introduzir prumo e maior rigor nos números que consultamos todos os dias estamos bem. Se as ordens forem menos públicas é que estamos mal... muito mal. Vamos acreditar e aguardar. Bom trabalho! Os portugueses agradecem.

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julho 26, 2003

Como evitar um golpe militar II - a vergonha continua (act.)

Ora se não há gasolina para os tanques invadirem os centros de poder e se estamos num regime democrático autêntico, o que é que temos mais parecido com um golpe de estado militar? Ou uma greve de zelo dos militares em peso, ou ter, por exemplo, o chefe do estado maior do exército a demitir-se afirmando "Perdi a confiança no senhor Ministro da Defesa"! E este não é propriamente o primeiro caso, lembram-se?

Pelo que ouvi hoje na TSF o ministro, ou alguém por ele, anda a contaminar as forças armadas com a política da intriga e do mexerico à boa maneira do "dividir para reinar". Entretanto o "a bem da nação" em termos de defesa fica para, talvez, quem sabe, o próximo governo?
Tenha vergonha caro Ministro. Arranje um pouca da elevação que demonstraram os seus antepassados e demita-se deixando o governo a quem sabe governar. A bem da nação...

Eis um comentário interessante do sempre estimulante General Loureiro dos Santos, "Interferência do comando político no comando militar é «inaceitável»(..) Considerou ainda que o ministro da Defesa não pode ficar mais fragilizado do que já está com a demissão de Silva Viegas porque «a consideração que deveria ter pelos seus subordinados é diminuta se não inexistente».

De facto, o poder militar está, e tem de estar, subordinado ao poder político mas o respeito pela lei vigente impõe que os militares exerçam as competências que têm. Estranha concepção de poder perpassa por alguns ministros deste governo. Preocupante...

Posted by Rui at 06:07 PM | Comments (0) | TrackBack

De onde venho...

Dei uma espreitadela ao que diz a Câmara Municipal sobre a minha segunda terra, a da minha família. Ora leiam lá esta pérolazinha a sublinhado ali em baixo:

A freguesia da Benquerença está situada a oeste, a cerca de 17Km de Penamacor. Fica situada entre as serras de Santa Marta e da Opa e na margem esquerda da ribeira da Meimoa.

Teve a sua origem entre 1321 e 1607 e resultou da união de diversos povoados e quintas. Entre eles destacam-se o povoado de Santa Maria da Quebrada, o povoado do Forte Guilherme, o povoado do Simão e o povoado da Boa Rapariga.

Somente existe registo do povoado de Santa Maria da Quebrada. A junção de todos estes povoados formou o que é hoje a freguesia da Benquerença.

Dizem que a origem do seu nome, se deve ao facto dos seus habitantes se darem muito bem.

Tem um interessante património cultural: a Igreja Matriz, a Capela de Nossa Senhora da Quebrada, o Cruzeiro, o Nicho de Santa Marta, Fontes de Mergulho, zona arqueológica e Moinhos.

Digam lá se não é uma terra com uma (aparentemente pequena) história simpática...
Um destes dias prometo outras histórias sobre a raia beirã.
Pormenores adicionais de foro diverso: aqui.

Posted by Rui at 05:57 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 25, 2003

Informação Útil (act)

A minha amiga A.S. que por vezes vai contribuindo involuntariamente para a elaboração deste blog, enviou-me mais uma dica útil para todos.
Trata-se de um serviço fornecido pelo Instituto de Seguros de Portugal que permite, através da matrícula, saber qual a seguradora de um veículo. Num país onde quase todos conhecemos exemplos de mau civismo esta informação pode simplificar, senão evitar, algumas chatices.
Cá está a maravilha: <Seguradora pela matrícula>
Nota: Mudei de seguradora há um mês e a informação ainda não está actualizada, mas vamos admitir que esta é a excepção.

Um beijinho para a Ana!
E já agora para minha M. não vá ela ficar com ciúmes :))
Homem prevenido... ;)

Actualização: A M. que percebe destas coisas acabou de me informar que o ficheiro é actualizado uma vez por mês, por isso a "desactualização" referida está dentro da tolerância.
Fiquem bem!

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E se amanhã demitissem o Constâncio - INE III

Volto ao tema que longamente abordei aqui ontem para vos deixar outra opinião com a qual concordo em absoluto. Paulo Ferreira director-adjunto do Jornal de Negócios fala assim no editorial de hoje.

É muito pouco avisado colocar uma entidade como o Instituto Nacional de Estatística na tutela de um dos mais políticos gabinetes ministriais, como o da Presidência do Conselho de Ministros. Nuno Morais Sarmento é um elemento-chave na gestão global da agenda política da governação. Além da tutela da Comunicação Social do Estado, Morais Sarmento controla toda a produção legislativa do Governo, o agendamento de matérias para o Conselho de Ministros e gere a máquina informática e de informação do Executivo.
É este mesmo ministro que justifica a demissão da direcção do INE com uma avaliação efectuada ao sistema nacional de estatística, que não apresentou mas se presume negativa, e com a necessidade de efectuar uma reestruturação do instituto.
Morais Sarmento pode ter estes motivos plenamente sustentados. E a estes pode ainda acrescentar outros.
Pode, por exemplo, invocar que a qualidade das estatísticas produzidas pelo INE tem sido posta em causa mais vezes do que é desejável. E pode dar exemplos disso. (…) Mas por muito razoáveis que sejam as razões, o ministro não pode demitir a direcção do INE a meio de um mandato como quem muda o coordenador do Gabinete do Serviço Cívico dos Objectores de Consciência. Tal como não pode substituir dessa forma o governador do Banco de Portugal.
A mudança da direcção do instituto oficial de estatística não é, não pode ser, um acto banal de gestão corrente do Governo.
Simplesmente porque o INE não é, ou não devia ser, uma entidade qualquer. A importância extrema da sua função conferem-lhe um estatuto de independência formal e legal face ao poder político. E isso não acontece por acaso. A gestão da informação é uma característica indissociável do exercício da política. E a estatística, enquanto que se quer fiel de uma realidade, é informação tão preciosa quanto tentadora é a sua manipulação e gestão política.
Nos Estados modernos já há boas formas de cuidar destas aparências. Uma delas é “blindar” os mandatos das investidas do poder político, ficando este obrigado a ser mais criterioso nas nomeações irreversíveis que faz. Já fazemos isso em alguns organismo de supervisão e regulação. Outra é fazer passar nomeações por maiorias reforçadas no Parlamento, como é o caso do Provedor de Justiça. Porque, em política, o que parece é tão importante como o ser.

Posted by Rui at 05:47 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 24, 2003

E se amanhã demitissem o Constâncio - INE II

Governo demite direcção do INE
Medida é justificada com alteração do sistema estatístico nacional.

"O Governo entendeu pôr termo às funções da actual equipa dirigente do INE, abrindo claramente espaço para um novo projecto, que pretendemos implementar com a maior urgência", refere o gabinete do ministro da Presidência.
Notícia completa aqui.

É bem mais popular falar de reforma na saúde, na justiça. Mas acreditem que é muito importante para qualquer país que se preze ter um belo sistema estatístico. Ter informação estatística é conhecermo-nos um pouco melhor. E isso é importante,.
E depois, adivinhem quem é que reporta as estatísticas portuguesas para a União Europeia. Aquelas que condicionam fundos comunitários e podem determinar multas e penalizações. A partir do momento que ao INE se cole uma imagem de subserviência face ao(s) governo(s), outros serão chamados a informar a União Europeia.
O sistema estatístico nacional, cujo INE é a instituição basilar, precisa de mais transparência, mais competência e mais rigor. Precisa de um estatuto mais blindado face ao poder político - talvez nos moldes do Banco de Portugal. Hoje, tanto quanto sei, o INE não faz ideia de qual vai ser a dotação orçamental do próximo ano; no ano que corre perdeu a autonomia financeira que tinha e, necessariamente, este tipo de incerteza em que tem andado nos últimos anos fragiliza quem lá trabalha podendo comprometer a tal independência técnica.
Felizmente não há memória recente de erros grosseiros de cariz politizado. São frequentes querelas técnicas com outros organismo da administração central e particularmente com organismos do governo. Lembram-se da questão do défice que em certa medida opôs o INE e o Banco de Portugal ao Ministério das Finanças (governo PS)? Algumas das disputas são "forjadas" na imprensa outras são salutares, promotoras de ganhos mútuos típicos de discussões com base em argumentos sólidos e científicos. Servem por vezes para pôr a nu as limitações em que o INE vive, bem como, as dificuldades impostas ao trabalho de recolha de informação impostas pela lei e pelo uso.
Nós, os utilizadores, precisamos ter a garantia que o pessoal da estatística sabe o que faz e não depende das vontades políticas conjunturais para definir em que moldes e com que calendário divulga a informação que recolhe.
Na nossa vida do dia a dia é frequentemente determinante informação estatística. É importante para decidir da compra de uma casa, para decidir se este ou aquele negócio poderá ter pernas para andar, é importante para percebermos como estamos nós face aos outros, o que no caso de uma empresa pode revelar-se essencial para o seu futuro.
Esperemos que o governo implemente a reforma que falta e que atribua à estatística o papel e a independência que se impõe. E que não fiquem dúvidas dessas intenções quando se decide mudar a meio termo a direcção daquela casa. Imaginem o que não aconteceria se amanhã - se tal fosse possível - a ministra das finanças anunciasse a substituição do governador do Banco de Portugal...

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Pouca Terra I

ALGARVE
Pouca terra, pouca terra, muito tempo...
O comboio do Algarve para Lisboa demora mais uma hora [4 horas e 25 minutos] do que os autocarros expressos e, em primeira classe, custa mais 3 euros.

Notícia completa aqui.


Em qualquer negócio este tipo de eventos trazem publicidade gratuita (esta notícia por exemplo) que, se bem utilizada, representam um belo incentivo para o sucesso do investimento.
Neste caso, não houve condições para fazer coincidir no tempo a ligação "directa" Lisboa-Faro com a oferta de um bom serviço: mais confortável, rápido e competitivo ao nível do preço.
Ok. Paciência... é triste mas podemos encarar isto como um primeiro passo, sendo que os restantes estão já bem definidos e visam alcançar aquelas características que acabei de referir, certo?
Lendo o resto da notícia parece bem que não:

A CP anuncia para o próximo mês de Maio a inclusão de Inter-cidades, que podem fazer o percurso em três horas e 15 minutos.
Até aqui estamos bem...mas...

E, segundo a CP, «se no próximo ano houver um número significativo de passageiros», será introduzido o comboio pendular, que encurtaria o tempo de trajecto para duas horas e 45 minutos.

Ora aqui é que a porca torce o rabo... «Se no próximo ano houver um número significativo de passageiros»
Em que serviço? Vão utilizar um serviço que se sabe à partida que é menos competitivo como forma de fazer pesquisa de mercado? Eu poderia pensar seriamente em usar uma ligação Lisboa-Faro se me custasse o mesmo e demorasse o mesmo tempo que o autocarro. Pelo menos pela minha parte prefiro sempre o comboio. Agora de certeza que não me apanham numa viagem mais demorada e mais dispendiosa. Como ficamos de estudo de mercado? Poupem o trabalho, deitem a electrificação da linha para o lixo e fechem as portas, já!


Esta tem sido a lógica da CP pelo menos desde que eu comecei a ter consciência de existir. Aliar a degradação do serviço com a aplicação de formas de avaliação mais restritivas. Técnica geralmente usadas para justificar o encerramento de boa parte da rede ferroviária nacional.
É obvio que um mau serviço faz perder clientes e se for suficientemente mau fá-los perder todos.
É óbvio que o desenvolvimento dos serviço rodoviários de transporte inter-urbano aumentaram os níveis de concorrência e esvaziaram as linhas que pior serviço prestam.
Não me parece óbvio que o transporte ferroviário de passageiros esteja condenado a ser fatalmente deficitário.
É óbvio que a infra-estrutura e o material circulante carecem de investimento e imaginando a manutenção da correcção do desequilíbrio ao nível da prioridades políticas esse investimento que já foi largamente feito na rodovia vai continuar a “pingar” na ferrovia nos próximos tempos.
É também muito evidente que ao nível da exploração do serviço quase tudo tem de mudar. A lógica da Cp tem de ser a de captar novos clientes. Jogar para ganhar para não entrar a perder.
Esta discussão, como podem adivinhar, leva-nos longe e não vai ser num único post que conseguirei expressar aquilo que penso. No entanto, deixo aqui uma estupefacção particular.

Encerraram muitos quilómetro de via por todo o país nas últimas décadas, em regra o elevado custo de exploração e o reduzido número de utentes justificaram a inviabilidade financeira da exploração. Causas, muitas, mas os culpados principais nunca foram identificados no interior da empresa sempre surgiram como fatalidades inelutáveis: proliferação do transporte particular, concorrência do transporte rodoviário, desaparecimento de uma boa parte dos clientes cuja estrutura se encontrava muito envelhecida…
Fugindo à discussão sobre o como contabilizar o deve e haver deste serviço ocorre-me um exemplo que me parece paradigmático de uma má opção estratégica da CP. Para mim ele é simplesmente incompreensível.
Estou a pensar na ligação a uma capital de distrito do interior do país que entre 1991 e 2001 viu a sua população aumentar de forma assinalável. Progrediu economicamente, é um destino turístico cheio de potencialidades (histórico, paisagístico, gastronómico, desporto-aventura, de montanha, etc…) e tem junto a sim o principal eixo de entrada terrestre do nosso país. Uma cidade onde neste momento existe um dinâmico serviço de transporte de passageiros por via rodoviária que floresceu particularmente nos últimos anos. Em suma, para um leigo com algum conhecimento empírico o negócio de transportar passageiros em carreiras interurbanas tem tudo para ser rentável. A
população jovem é significativa, o número de estudantes a frequentar universidades em Lisboa e Porto não é desprezível... Não será Viseu um exemplo de dinamismo económico e social no interior do país? Acreditam que o negócio do transporte ferroviário deixou de ser interessante para a CP no final do século XX? Eu repito Viseu deixou de ter comboio no final do século XX. Por este andar e aplicando o mesmo raciocínio que terá levado ao encerramento do troço Santa Comba Dão – Viseu a nível nacional estou certo de que não deveria restar neste momento mais do que a ligação Lisboa-Porto. Viseu era um final de Linha, assim como já foi Évora… Outra capital de distrito que não tem ligação directa a Lisboa. Experimentem ir de comboio para Évora. Não é impossível mas quase não compete com a bicicleta. Enquanto utente, num país onde andar na estrada é no mínimo um acto de coragem, gostava ter opção de escolha.

Posted by Rui at 05:38 PM | Comments (0) | TrackBack

INE - Baralhar e dar de novo


Mais uma mudança de topo feita pelo nosso governo. E mais uma vez numa área sensível.

"A Direcção do INE foi ontem informada da decisão da Tutela de nomear uma nova equipa directiva, a qual, ao que foi comunicado, tomará posse nos próximos dias."

O mandato de cada direcção tem uma vigência de 3 anos. Esta direcção foi destituída quando se preparava para concluir 2 anos de mandato. Estou curioso por saber quais os motivos que levaram o governo a tomar esta medida drástica num instituto que tem como valor basilar a independência técnica face ao poder político.
Cabe-nos esperar pela resposta... E tudo muito bem explicadinho!

Posted by Rui at 05:35 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 23, 2003

Hipótese para Titanic ferroviário português amanhã!

O Super Secretário de Estado!

Temos um secretário de estado..ahm... corajoso - como diria o Humphrey do Yes Prime Minister. Saiu no Público hoje com o seguinte título uma muito aguardada notícia:

Primeiro Comboio Directo Faro -Lisboa Faz Amanhã a Primeira Viagem
Por CARLOS CIPRIANO
Quarta-feira, 23 de Julho de 2003

Uns parágrafos adiante escreve-se:

O serviço tem início após um despacho do secretário de Estado dos Transportes, Seabra Ferreira, ter obrigado a Rede Ferroviária Nacional (Refer) e a CP a entenderem-se até ao dia 24 de Julho, tendo em conta o conflito existente entre as duas empresas sobre a possibilidade de os comboios circularem no troço em obras entre Coina e Pinhal Novo. A linha ainda não está homologada, a Refer impôs pesadas restrições (a velocidade máxima ali permitida é de 30 quilómetros/hora com duas paragens técnicas obrigatórias), mas o governante assumiu a responsabilidade e os comboios vão mesmo circular a partir de amanhã.

Ora digam lá se não é de homem!

Portugueses radicais, aproveitai esta arriscada aventura! No Comboio Descendente...

P.S.: Li esta depois de saber da história da construção do Corte Inglês apenas com licença de movimentação de terras...tirem-me deste filme! O nosso Hino é muito bonito mas hoje apetece-me emigrar!

Notícia completa aqui.

Posted by Rui at 05:28 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 17, 2003

O país minguante

O cromo mais repetido que há neste país tem cerca de 28 anos. Foi por volta de 1975 1976 que o número de nascimentos em Portugal registou o último pico, dai em diante até 1995 sucederam-se diminuições de nascimentos anuais. A quebra parece ter estancado nesse ano com ligeiras recuperações anuais desde então (excepção: ano 2001).
Hoje o INE divulga os dados mais recentes apontando para uma nova recuperação, ténue, no número de nascimentos.

Felizmente a demografia não é uma ciência exacta. Se o fosse o quebra de natalidade que registamos não deveria ter parado. E as projecções mais catastrofistas com consequências, por exemplo, na ruptura do sistema de segurança social estariam na iminência de se comprovarem a muito curto prazo.
A que se devem estas recuperações? Talvez um pouco às comunidades aqui imigradas, talvez devido a alguma singularidade temporal de termos a chegar à idade mais profícua um contingente significativo de indivíduos, talvez devido a algum incremento nos segundos e terceiros filhos em idades mais tardias. Um teste aos número talvez seja esclarecedor.
O facto que aqui comento é, no entanto, a incremento ténue de que falei e a apatia geral para o problema. Tão ténue que nem com a chacina diária nas estradas, nem com as outras mortes que nos vão ceifando há cerca de 28 anos acredito que tenhamos deixado de ser o cromo mais repetido.
Uma das leis modernas da demografia que está aí para se quebrar afirma que os filhos vêm cada vez mais tarde e com menos frequência...
“É o individualismo! Já ninguém se dispõe a ter filhos! O mundo é um lugar horrível!” Será por isto?
Estamos nos suicidando a bem da natureza?
Quanto mais tarde surge o primeiro mais provável é que os desejos fiquem por cumprir. Que desejos? Em 2001 num congresso sobre estudos da população em Helsinquia alguns especialistas sublinharam precisamente essa incompletude descrita pelas mulheres inquiridas ( de várias nacionalidades de origem europeia).
A maioria gostava de ter tido dois ou mais filhos mas a carreira, a perda de alguma liberdade, a desagregação da família, os custos financeiros apareciam numa enorme lista de limitações… Em cada país identificam-se prioridades diferentes mas o resultado final tem variado pouco, assim como aquele que parece ser o desejo profundo (pelo menos) das mulheres.
Neste país minguante onde vivemos, nada de verdadeiramente activo e estruturado temos feito para enfrentar este problema. Assumimo-lo como inevitável e cruzamos os braços e o resto… O máximo que fazemos é discutir a questão económica entregando a propostas neo-liberais à "solução" para o aterrador cataclismo que sobre nós se vai abatendo paulatinamente.
Não havendo, historicamente, soluções fáceis - pois tocamos incontornavelmente na vontade íntima de cada um - há algumas experiências felizes por esse mundo fora que poderão reduzir as dimensões agonizantes do problema e conferir-nos alguma hipótese de equilíbrio.
Acredito que haja, de facto, limitações importantes para quem quer formar uma família. A realidade que temos é também em boa parte uma consequência do ajustamento económico que temos na sociedade em geral e nos meios urbanos em particular.
Por que raio não estamos nós dispostos a mexer uma palha para enfrentar este problema? Ou não há problema?

Posted by Rui at 04:22 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 16, 2003

Espanha vs Portugal (act.)

A propósito desta notícia do DE:
De princípio, atendendo aos compromissos assumidos por Portugal, pouco haveria a argumentar para impedir o acesso à zona económica exclusiva portuguesa por parte das frotas pesqueiras dos nossos vizinhos, nomeadamente, a espanhola. Mas quase sempre que nos põem à prova o cumprimento da nossa palavra e depois de muitos e muitos de nós termos afirmado que era hora de pagar um bocadinho da factura anexa à entrada no UE vêm à ribalta a esperteza saloia de outrém.
O governo espanhol continua a fazer tábua rasa dos ultimatos que a União Europeia fez no sentido de eliminar imediatamente as barreiras ao livre exercício de direitos por parte de empresas estrangeiras a operar em Espanha, mesmo que possuam ainda capital público desde que minoritário. Como por exemplo a EDP.
É difícil ser um país de palavra quando a quem menos deveria custar - a Espanha tem pouco a invejar em desenvolvimento económico face ao nosso estimado país - raramente se vêem cumprir as promessas.
A tentação de mudar sistematicamente as leis do jogo permanece e sempre é o mais forte a fazer lei. A base da União Europeia passa pela conciliação, pela mitigação de um exercício absoluta da força dos grandes, que a ter rédea solta facilmente poderia fazer-nos regressar ao passado das guerras. Qual é o nosso papel então?
Com dignidade e firmeza compete-nos reclamar o que está estabelecido em todas as áreas de envolvimento europeu, mesmo as que nos custam, mas dando-nos ao respeito. E esse mínimo não podemos dispensar nunca. Espero que assim façam os nossos governantes.

Posted by Rui at 03:48 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 15, 2003

Quantos mais?

Quantas vezes mais terei de ir a funerais de portugueses que morreram nas estradas?
Esquecendo o todo e olhando ao verso:

Na curva
Da estrada
Há covas
Feitas no chão


E em todas
Florirão rosas
Duma nação

Posted by Rui at 02:36 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 13, 2003

Habemos pápa!

É impressão minha ou esta blogo-esfera altamente politizada tem algum horror em discutir pessoas?

Tirando o miserável saco de porrada que é o Senhor Bush e umas muito pontuais referências geralmente jocosas a um ou outro ministro ou ex-ministro raras vezes se “pega” no discurso de um político para partir daí para a conversa. É mais fácil discorrer sobre teoria. Acho – perdoem-me se me engano – que até já li desculpas – seria do Sr. Pedro Mexia ?– sobre a inaptidão técnica para discutir medidas concretas de política executiva e, por oposição, o reconhecimento implícito de capacidades teóricas e teorizante dignas de nota... Parece-me um imenso disparate imaginar que as duas coisas sejam separáveis...e admitir possibilidades de ter sucesso numa reconhecendo limitações noutra. Pela parte que me toca vou correndo o risco do ridículo com estas linhas, mas imagino-o equilibrado.

Felizmente vão aparecendo seres humanos que nos arrebatam. Fora do circulo íntimo são geralmente os escritores, os músicos, os artistas que mais costumam granjear essa sensação no seu semelhante. Em boa medida essa capacidade ou a ausência dela distinguem entre bons e maus... Mas na política, convenhamos que é raro, muito raro falar-se em arrebatamento. Bom, falo por mim, como é obvio.
Mas este senhor que ali vem no boneco – caso o boneca desapareça, falo de António Vitorino - e a quem muitos já conferiram uma aura sebastianista, tem de facto a capacidade de me cativar para o centro daquilo que faz: a política.
Em uma hora de conversa afiada com Maria João Avilez – ah! como ajuda saber fazer perguntas e saber ouvir as respostas numa entrevista! - o comissário europeu discorreu de forma cristalina sobre a convenção, sobre o posicionamento estratégico de Portugal, sobre a orientação política do seu comissariado nas áreas da emigração e organização interna da União. Falou ainda de uma estranha e rara forma de estar na política. E não falou do que não devia falar...
Um político (e uma pessoa) que se consegue levar a sério com humor vai passar a ser, para mim, uma pessoa com uns pontinhos de avanço na escala de curiosidade e interesse. primeiro indicador de alerta: podemos ter aqui uma pessoas interessante.
Pela parte que me toca, estou ávido de pessoas inteligente, um bocadinho deslocadas para a esquerda política, que consiga combinar ideais com pragmatismo. Inteligência com acção. Conversa séria com discurso cativante e muito pouco demagogo... Orelhas alerta para este senhor!

A propósito de um assunto que aqui já trouxe ao blog - o tal do posicionamento estratégico de Portugal na sua política de alianças e amizades disse - António Vitorino - algo que entra pelos olhos dentro: chega de discutir se devemos ser mais atlantistas ou europeistas. Entra pelos olhos mas às vezes não o vemos... Continuou incentivando-nos a assumir aquilo que somos: uma síntese. Reconheçamos essa como uma das nossas maiores virtudes e singularidades à escala global... E saibamos cultivá-la.
Por fim destaco outra evidência que retive da entrevista, uma evidêcnia que apesar de tudo poucas vezes me parece corrente na prática do nosso dia-a-dia. Quando temos escolha, e todos temos de ir fazendo algumas, o prazer não deve ser ignorado na contabilidade dos prós e contras, "até" neste tão sérios assuntos da política e da coisa pública.
E com prazer nesta comprometedoras linhas me despeço vos desejando um belo dia!

Página do Comissário António Vitorino, aqui.

Posted by Rui at 01:01 AM | Comments (0) | TrackBack

Esta era para o Pessa...


Uma notícia simpática entre "os misseis da Coreia apontados ao Japão", e as "emboscadas aos Russos na Tchetchenia":

Primeiro disco português oferecido à Marinha
A cópia original do primeiro disco gravado em Portugal há 100 anos foi entregue à Marinha portuguesa. O registo discográfico foi gravado, em 1903, pela Banda do Corpo de Marinheiros, em Lisboa.

O resto da estória está no sítio do costume.

Posted by Rui at 01:00 AM | Comments (0) | TrackBack

julho 10, 2003

Estado de direito para onde vais?

Ainda os salários dos gestores públicos.
Acabei de saber que o ministro Morais Sarmento não vai rever os salários dos gestores públicos. Pelo menos a meio da vigência dos contratos. Em tese defende ainda que poderão ter de se considerar especificidades de certas funções e salários aquando a comparação com o vencimento do presidente da república.
Não é tanto a tese futura que me aqui trás agora é mais a perplexidade de não perceber bem o que se está a passar. Estarei enganado ou o ministro, perante a acusação de ilegalidade do tribunal, diz que pactua com essa ilegalidade até que findem os contratos vigentes? Para começo de conversa acabou de se vincular à herança (ilegal) do passado, de quem elaborou e aprovou os contratos... E depois defende abertamente a manutenção da violação da lei até um dia. Volto a perguntar: o Tribunal de Contas serve apenas para que o ministro produza esta afirmações? Perante a violação da lei não há mais consequências automáticas de cariz reparador da legalidade? Parece-me muito mal se assim é.

Posted by Rui at 12:16 AM | Comments (0) | TrackBack

A posição estratégica de Portugal ou De como somos todos brasileiros (act.)


A propósito da visita do Presidente Lula a Portugal ocorrem-me as palavras do General Loureiro dos Santos em entrevista ao Jornal 2 da RTP há já alguns dias. O General foi interpelado sobre os porquês do estado português apontar recorrentemente o centro estratégico da sua política de alianças para fora do eixo continental europeu. Há vários séculos que nos aliámos ao Reino Unido e agora, perante uma cisão trans-atlântica não tivemos dúvidas em alinhar com os Estados Unidos e mesmo em ajudar a formar a cisão. As explicações do general foram cristalinas e baseiam-se largamente na necessidade de compensar as óbvias limitações nacionais (localização geográfica longe do centro da Europa, pouca dimensão económica, política e demográfica face a um vizinho de grande dimensão, etc). Estes foram os argumentos que retive e que justificam em larga medida essa necessidade de cativar fora da Europa, junto de um aliado forte para ganhar uma relevância que poderá ser fulcral para o bom sucesso de quaisquer disputas a ter, nas quais o interesse nacional esteja em jogo. Uma espécie de ganhar dimensão, relevância crítica, para não sermos engolidos, já não pelo caminho das descobertas mas pelo dos laços estratégicos dominados pela real politik.
Ah! como seria bom que do outro lado do Atlântico houvesse um grande Brasil!

É demasiado desconfortável para uma boa parte dos portugueses, entre os quais me incluo, ver o nosso país “forçado” a seguir este alinhamento estratégico, sem ter qualquer certeza ou afinidade com as práticas utilizadas pelo aliado para implementar a sua cartilha política, que é, adicionalmente, demasiado nebulosa e errática. Parece-me que estamos quase, quase a vender a alma ao diabo.
O nosso aliado eleito, mais do que ser polícia do mundo parece-me precisar de muita ajuda, compreensão e apoio psicológico… Não fosse o mundo como é e deveria ser proibido de brincar com armas… Mas o mundo é como é e apesar dos desequilíbrios da psique americana ainda seria pior a emenda que o soneto, pelo menos – e apesar do Iraque – por enquanto. Como imaginar, então, um mundo diferente? E como chegar lá sem hostilizar americanos nem os ignorar? Olhar primeiro para a América Latina talvez…
Um sonho bonito que tenho é ver o Brasil – há décadas parte de uma espécie de quintal do horrores patrocinado pelos EUA - conseguir ser a grande potência mundial que merece ser, democrática e mais igualitária. Espero sinceramente que o actual presidente brasileiro e os que lhe sucedam consigam manter a bandeira da aposta no desenvolvimento como arma primordial de combate ao terrorismo e ao narco-tráfico. Muito poucos conseguiram ter sucesso por esse caminho mas foram também poucos os que alguma vez o tentaram de facto.
Espero que Portugal consiga mostrar-se à altura de ajudar essa grande nação com todos os recursos disponíveis. O destino de Portugal enquanto nação viável está muito ligado ao sucesso ou insucesso do Brasil e das ex-colónias e vice-versa. Tendo que ter sempre aliados além mar, nunca teremos paz arranjando aliados contra o resto da Europa.
É medonho o cenário do domínio em roda livre por uma potência omnipotente e omnipresente que vê essencialmente no poder das armas um "último recurso" de acção utilizado demasiado levianamente. Haja o bom senso norte americano para não minar entendimentos com o Mercosul e com a União Europeia que algo de muito dramaticamente positivo pode vir a acontecer.
É assustador olhar para uma Europa demasiado ensimesmada e apática. É da alegria e entusiasmo dos portugueses à solta que andam pelo Brasil de que o mundo precisa. Tal como vejo em todos os Brasileiros em pouco de Portugal já é tempo de nós sermos também um pouco de Brasil nas suas cores múltiplas e múltiplos desafios.

Sai um docinho brasileiro se carregar aqui.
Imagem da bandeira do Brasil obtida em http://www.quatrocantos.com.

Posted by Rui at 12:14 AM | Comments (0) | TrackBack

Desafios para o futuro do mundo

1.

Haja uma Europa e europeus que dêem provas de ter aprendido profundamente o sua história trágica recente – e só agora com o desaparecimento da geração da II guerra isso será ou não demonstrado - e mantenham e reforcem a periclitante União. Um modelo federal inspirado, que não igual, ao dos EUA por mim vai benzinho.
É curioso que em certos aspectos os Países da UE de hoje já me parecem mais federalizados do que os EUA e não falo da intervenção normalizadora de Bruxelas. É algo mais profundo... Sobressaiam demasiados extremos no interior dos EUA que pelo menos não serão tão evidentes – se é que existem – na Europa. Por exemplo: o que distingue Nova York do Texas ou do Minesota não será mais do que aquilo que distingue a Noruega de Portugal?

Posted by Rui at 12:10 AM | Comments (0) | TrackBack

julho 08, 2003

Uma grande adufada para o Sérgio Figueiredo

Nem sempre concordo com este ilustre economista da minha escola mas hoje ia alí à loja comprar um chapéu só para a seguir o tirar em sua honra.
Servem estes encómios para destacar o artigo de hoje no Jornal de Negócios, o autor chamou-lhe PECadores fiscais eu sugeriria a citação de Leonardo Ferraz de Carvalho que surge a linha tantas no artigo "Tantos fiscais - os que pagam e não estrebucham. Na qualidade de TANSO FISCAL que ganha menos de 1000 € por mês e paga mais de IRS do que algumas dezenas de taxistas pagaram por junto nos últimos cinco anos só posso agradecer editoriais como este. Fica um cheirinho; a obra completa está aqui.

"96% dos mais de 11 mil taxistas deste País não paga sistematicamente IRC. Por isso, vamos falar claro: aqueles senhores que ameaçam sitiar Lisboa e Porto na próxima quinta-feira são, na sua esmagadora maioria, evasores fiscais.

Por si só, isto já deveria ser suficiente para ver a classe inteira ser perseguida pela Justiça. No entanto, têm a honra de ser recebida pela senhora ministra do Estado e das Finanças. Por duas vezes, em dois dias úteis consecutivos.

Causa um certo arrepio imaginar que este Governo possa cair na tentação dos anteriores, satisfazendo aqueles que mais berram e não aqueles que mais merecem. Não é um temor meramente retórico: é só transpor para o pagamento especial por conta (PEC) o espectáculo da criação dos novos municípios.

Canas de Senhorim no fisco? Era o fim da picada. Ceder aos taxistas até pode evitar os cortes de estradas e um bloqueio na cidade. Mas haveria melhor incentivo à delinquência fiscal generalizada? Se a ministra Ferreira Leite desse o dito por não dito, se vacilar, se recuar, haverá alguém que continue a pagar impostos neste País?"



Posted by Rui at 10:27 PM | Comments (0) | TrackBack

Sugestão

E que tal um pulinho virtual à Fundação de Eça de Queiros?

E matar saudades, ou ler pela primeira vez A Cidade e as Serras.
Tudo à distância de um click...e de alguns euros para pagar o provedor de serviço de internet...

Posted by Rui at 10:23 PM | Comments (0) | TrackBack

Eça de Queiroz em Perigo

Mostra-me a tua casa de banho e dir-te-ei quem és.
Mostra-me como tratas os anciões e dir-te-ei para onde vais.
Mostra-me como tratas a tua memória e dir-te-ei o que vales.

A notícia já não é nova mas hoje teve repercussões no Público.
Deixo aqui o lead e a esperança de um dia poder visitar a Fundação Eça de Queiros com os meus eventuais futuros filhos.

"Fundação Eça de Queirós Vive Situação Financeira Difícil
Por SÉRGIO C. ANDRADE
Terça-feira, 08 de Julho de 2003

A Fundação Eça de Queiroz (FEQ), em Tormes, Baião, vive actualmente uma situação financeira complicada, expressa numa dívida acumulada de cerca de 235 mil euros (180 mil a entidades financeiras e 55 mil a fornecedores) e de, pela primeira vez, ver em risco o pagamento dos salários aos seus nove empregados."

Artigo completo aqui.

Posted by Rui at 10:21 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 07, 2003

Olha um boneco tão lindo

Olha um boneco tão bonito do Julio Pereira

Será que é desta que temos boneco no Adufe.blogspot.com?

Posted by Rui at 10:14 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 06, 2003

E agora...para algo completamente diferente...

Tantos exemplos desse lindíssimo e triste lamento popular aqui deixei - sim falo de novo da Senhora do Almortão - que o concurso já acabou (o dos ácaros dos sites) e este blogo ainda por aqui anda...Por enquanto (glup!).
O nosso amigo Blogger é que anda muito bloguiado ultimamente...
Vou mandar-lhe uma versão inglesa da ladainha da santa da Idanha para ver se ele se cura...

I'll be back [to the beiras]!

Posted by Rui at 03:43 PM | Comments (0) | TrackBack

Olha outra!

Mas também ainda não era bem esta...
Para mais cancioneiro português espreite aqui.

Senhora do Almortão

Senhora… (solo)
Senhora do Almurtão!
Senhora do Almurtão… (solo)
Minha tão linda raiana!
Virai costas… (solo)
Virai costas a Castela!

Senhora do Almurtão
Mandai sol que quer chover
Que se molham os vestidos
Dos fiéis que vos vão ver.

Senhora do Almurtão
Está de costas à Espanha.
Lá está a ver se entra
O ranchinho da Idanha.

Senhora do Almurtão,
Minha tão linda raiana!
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana!

Posted by Rui at 03:42 PM | Comments (0) | TrackBack

A Senhora do Almortão II

Verdade seja dita, ainda não encontrei a versão exacta que se cantava há poucos anos no concelho de Penamacor...Mas fica aqui o exemplo das gentes da Idanha, o mais próximo que encontrei...

Senhora do Almortão

Senhora do Almurtão,
Minha tão linda arraiana,
Moras no termo d'arraia,
Sendes meia castelhana.

Senhora do Almurtão
'stá de costas à Espanha,
Lá está a ver se entra
O ranchinho da Idanha.

Olha a laranjinha
Que caiu, caiu
Num rigato d'água,
Nunca mais se viu.
Nunca mais se viu,
Nem se torna a veri
Cravos à janela,
Rosas a nasceri…

Senhora do Almurtão
Que dais ao vosso menino?
Todos os meninos choram,
Só o vosso se está rindo.

Senhora do Almurtão
Quem vos varreu a capela?
Foram as moças d'Idanha
Com raminhos de marcela.

Olha a laranjinha
Que caiu, caiu
Num rigato d'água,
Nunca mais se viu.
Nunca mais se viu,
Nem se torna a veri
Cravos à janela,
Rosas a nasceri…

[sic]

Posted by Rui at 02:42 PM | Comments (0) | TrackBack

julho 05, 2003

O Adufe II

Esta é do meu imaginário infantil e é certamente do cancioneiro português. Já muitos e famosos lhe emprestaram o grão,
mas ninguém a cantava como os meus avós.

Apenas se ouve o timbre da voz e a batida do adufe. Leiam com atenção e vejam lá se não há por aqui algo de muito actual...

SENHORA DO ALMORTÃO

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
Ó minha linda raiana
Virai costas a Castela
Não queirais ser castelhana

Senhora, Senhora do Almortão
Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos cheira a rosas
Cheira a flôr de laranjeira

Senhora, senhora do Almortão
senhora do Almortão
Eu p'ró ano não prometo
Que me morreu o amor
Ando vestida de preto

Posted by Rui at 02:08 PM | Comments (0) | TrackBack

O Adufe

Estou impressionado com a quantidade de páginas na net que se referem ao instrumento ícone deste blogo!

Dizem que é folclórico, tradicional, antiquíssimo, conhecido desde a antiga mesopotâmia. Apreciado por egípceos, romanos...portugueses.
Será que não nos falta um bocadinho de percursão deste batedor que nos acompanha desde os inícios da nacionalidade?

Para já, para os que ainda não conhecem o aspecto fica a imagem gentilmente pedida de empréstimo aqui (vejam bem que até os há à venda na net para inglês ver)!

Em blogues futuros seguir-se-ão mais detalhes da história e das estórias sobre este pandeiro quadrado de origem árabe que é potencial ex-libris da Beira Baixa.
Para já ficam duas ou três páginas com alguma informação interessante:

O melhor talvez seja este. Permite-nos ouvir alguns exemplos de música portuguesa com adufe (poucas mas boas!!), conhecer um pouco da sua história e até algumas "Playing techniques and Drum Care!! (tudo em inglês):

www.adufe.com

Para detalhes históricos e um manifesto pró-reintrodução do adufe:
www.urbanodrums.com

Para ouvir ao vivo e a cores é contactar a As Adufeiras de Monsanto!

Se a linha de código invisível (aqui em baixo) funcionar, teremos a primeira imagem no Adufe.Blogspot.com... se a coisa não correr bem é só ler o mote lá acima bem por debaixo do título e imaginar o dito cujo e a batida!

Posted by Rui at 02:03 PM | Comments (0) | TrackBack