agosto 06, 2004

Xavier dix it - Saúde e manipulação

Acho que este comentário do Xavier a este post merece chegar "à superfície":

"1. - As cirurgias têm graus de complexidade diferente. Por outro lado, a capacidade instalada varia de especialidade para especialidade. Há especialidades com capacidade de resposta razoável enquanto que noutras áreas a capacidade é deficitária. Esta capacidade também varia de região para região.
Uma coisa é fazer varises outra coisa é fazer transplantes renais. Uma coisa é operar num hospital com recursos outra é operar num hospital com dificuldades de instalações, equipamentos ou de recursos humanos(por exemplo anestesistas).

2. - É importante saber o número de doentes em programa (n.º de inscritos no SIGIC) e o tempo médio de intervenção por especialidade.

3. - Quando o ministro vem dizer que acabaram as listas de espera induz o público num erro: leva-os a entender que acabaram os doentes em espera cirúrgica e isto não é verdade. Nem é honesto.
O que ministro está a fazer é o balanço de um programa especial por ele desenvolvido para o combate às listas de espera, chamado PECLEC .

A contabilidade deste programa: Inicio: X n.º de doentes, operados: Y, num determinado intervalo de tempo, resultado: estão por operar Z nº de doentes.
Enquanto se desenvolvia este programa, ia-se, entretanto, constituindo outra lista de doentes em espera cirúrgica (por falta de capacidade de resposta do sistema).

4. - Para as coisas serem claras, o que o ministro deveria ter feito era dizer o número actual de doentes inscritos por especialidade (n.º de doentes em espera cirúrgica) e o tempo médio de espera previsto (seis meses).

5. - Ele não fez isto porque para cumprir este programa é necessário aumentar a capacidade de resposta dos hospitais (investimento).

Notas:
1. - A forma mais inteligente de discussão é quantificar os problemas, apresentar números. Há entidades especializadas no estudo destes problemas da saúde como OPSS, que estima que existem actualmente cerca de 170 00 doentes em espera.

2. - Ser médico e do Bloco de Esquerda não lhe dá nenhum crédito especial. Nem todos os Bloquistas são como o Francisco Louçã.

3. -É decepcionante verificar que a mentira já se tornou verdade.
Há que reconhecer ao ministro da saúde o mérito de conhecer o povo com quem lida.

4. - Os programas especiais de combate às listas de espera têm custos elevados. Basta dizer que a actividade é desenvolvida fora do horário normal de funcionamento dos serviços (pagamento de horas extraordinárias).

5. - Um ponto positivo: o inesgotável interesse pelas coisas da saúde e o grande empenho com que as pessoas se lançam na discussão destes problemas."

Entretanto para mais detalhes é passar por ali. Será que alguém é capaz de honestamente negar o que se diz e escreve neste singelo post?

Posted by Rui at 11:32 PM | Comments (1) | TrackBack

agosto 05, 2004

Nova medida anti-poluição!

Lendo o jornal...
Vamos banir o fumo de todos os locais onde a ventilação, para existir, tenha de ser forçosamente assistida. Comecemos pelos pulmões.

Posted by Rui at 10:21 AM | Comments (0) | TrackBack

agosto 04, 2004

Como vai a Saúde?

O Xavier tem uma opinião... no Saúde S.A.

Promovido em "stéreo" na GLQL

Posted by Rui at 11:57 PM | Comments (1) | TrackBack

julho 31, 2004

Notícias de última hora!

Níveis de dioxinas e furanos na atmosfera disparam em todo o país, aos sábados de manhã, entre Maio e Setembro.

Vai uma sardinha assada?

Posted by Rui at 12:34 PM | Comments (3) | TrackBack

julho 17, 2004

Prioridades...

Passem pela Espuma dos Dias
(categoria Saúde)

Posted by Rui at 10:51 AM | Comments (0) | TrackBack

julho 06, 2004

Por falar em Saúde...

Porque não passar pela sugestão de reflexão - um autêntico ensaio - elaborada pelo Saúde S.A. relativa à Empresarialização dos Hospitais.

Um excerto:
"(...)O financiamento dos hospitais foi efectuado durante largos anos pela globalidade dos encargos assumidos - pagamento retrospectivo, em que, o estado, assumia o papel de pagador e prestador.
Este sistema foi um forte indutor do crescimento das despesas e da ineficiência hospitalar, tanto em termos técnicos como económicos.

Antes da criação dos hospitais SA, já haviam sido implementadas várias medidas com o objectivo de alterar este modelo de financiamento, através da combinação do pagamento retrospectivo (50%) com o pagamento pela produção contratualizada (50%) (...)"

Posted by Rui at 09:31 PM | Comments (1) | TrackBack

Melanoma

Junto-me à campanha a exemplo do Bisturi. Cuidado com eles:
Tirar bronzeado da moda:
Cancro de Pele aumenta em Portugal
Melanomas malignos

Posted by Rui at 09:10 PM | Comments (3) | TrackBack

junho 23, 2004

A bem dos utentes?

O ministro pretende estender a reforma aos órgãos de tutela da Administração da Saúde. a ler no Saúde S.A.

Posted by Rui at 12:48 PM | Comments (0) | TrackBack

junho 22, 2004

Eu tenho um ministério

Primeiro transformo o que é de gestão pública em S.A. para ganhar nos métodos de gestão.
Depois impeço o controlo da administração regional para que não haja entraves à "gestão privada" das unidades S.A.. Se não o fizesse nem valia a pena ter constituido as S.A. não é verdade?
Na mesma onda, acabo com a centralização de encomendas e respectivos concursos públicos a cargo do Instituto de Gestão Informática e Financeira do Ministério. Passa a ser a administração da unidade (de cada unidade) a escolher o "melhor" fornecedor de férias, perdão, de produtos e serviços hospitalares.
Procedo a uma avaliação rigososa do desempenho. Como? Talvez via auditorias da Inspecção Geral do Ministério? Ná! Esses são uma cambada de funcionários públicos, quanto menos meios e menos conseguirem chatear melhor.
Faço uma avaliação "cozinhando" a meu bel prazer os resultados financeiros de cada ano (lembram-se quão consensuais foram os apresentados este ano e as sucessivas versões que foram tendo?) e, na eventualidade, rara, de algum jornal ou corpo de técnicos de alguma unidade denunciar uma má gestão demasiado escandalosa demito a direcção para alguns meses depois a designar (talvez cada um para seu sítio) mas quase sempre para unidades ainda mais importantes, incentivando-os a continuar a cumprir a missão. A bem dos interesses da nação.

Dizem-me que é isto que se passa no Ministério da Saúde do meu país. Você acredita? Deve ser gente com muito má lingua. Eu pessoalmente não sei quase nada que indicie tais práticas. Talvez o Xavier saiba mais qualquer coisinha...

A despropósito, já leram esta hoje no Diário Económico?

Posted by Rui at 01:10 PM | Comments (4) | TrackBack

junho 02, 2004

E se um dia todos os médicos do mundo fossem mulheres? (act.)

Alguém me dá uma razão objectiva para que isto seja um problema grave que anda a assustar os representantes da classe médica?
A pergunta não é de retórica mas tenho que confessar a minha estupefacção concluída a leitura do artigo do Público. Nenhum dos citados - segundo o artigo - apresenta razões objectivas para termos uma maioria de mulheres a exercer medicina seja um problema. A não ser "as licenças de maternidade???". Ou o caso não foi devidamente apresentado pelo jornalista ou então...
E já me calo antes que deixe alguém "chocado e surpreendido" com o que mais me apetece dizer (assim a quente e com os dados disponíveis) sobre este assunto...

Alunas em maioria este ano lectivo
Defendidas quotas para travar entrada de mulheres nos cursos de Medicina

Absolutamente hilariante o artigo... A sério!
Querem um solução? É só recrutar umas quantas senhoras doutoras que se disponham a mudar de sexo. Que tal assim senhor bastonário?

Posted by Rui at 10:49 AM | Comments (7) | TrackBack

maio 18, 2004

A depressão (act.)

A esposa do futuro imperador do Japão está com depressão por isso não veio a Portugal.
A C. está com depressão.
A vizinha do lado está com depressão.
A V. está com depressão.
A I. está com depressão.
A D. está com depressão.
A M. está com depressão.
A J. está com depressão.
E julgo que me está a escapar mais alguma moça entre os recentemente acometidos... Bom, além da profusão de depressões entre amigos e conhecidos (conheci a futura imperatriz do Japão em circunstâncias que nunca poderei esclarecer...) estranho a questão de género.
Haverá outro termo para a incidência da maleita entre os machos da espécie ou não há nenhum deprimido?

(Tirando o Alçada Baptista que ganhou um estatuto à parte.)

Nota técnica: a minha amostra não é "representativa".

Posted by Rui at 12:26 AM | Comments (3) | TrackBack

maio 11, 2004

É a...

E pergunta foi:
Qual é o grupo financeiro a operar em Portugal que tem em Badajoz o seu novíssimo representante para fazer o apoio de atendimento permanente aos segurados do seu plano de seguro de saúde, residentes na zona do Alto Alentejo?

Pois que é a Rede Multicare da Fidelidade/Caixa Geral de Depósitos. Nem Évora, nem Portalegre, é mesmo a Clideba - C. Eladio Salinero Santos 6 - Tel. 0034 924 229 050, Badajoz (com a ressalva de não realizarem Endoscopias, TAC's e Ressonâncias magnéticas). Se eu fosse mauzinho acharia que se trata de um rude golpe nos brios do tecido empresarial português da área da Saúde na zona do Alto Alentejo, mas como não sou, vou-me rindo com esta invasão de Espanha pelo muito nacional grupo CGD.

Posted by Rui at 01:13 PM | Comments (1) | TrackBack

maio 04, 2004

Água de beber...

Só para desconversar um bocadinho como Paulo (ou talvez não): era preciso que me pagassem muito bem para beber água em alguns países deste planeta situados nos continentes aqui citados.

Muito se fala da batalha pela água potável como the next big thing a ditar a política internacional nos próximos anos... Até que ponto este problema nos tocará directamente? Os transvases?

Posted by Rui at 11:41 AM | Comments (1) | TrackBack

abril 02, 2004

APCH

Hoje parece ser o dia das siglas enigmáticas no Adufe. Resolvamos mais esta:
Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva - APCH!

Pois é, já temos uma em Portugal e, muito brevemente,com página na net: www.apdch.com - Rua Bartolomeu Dias, 222 cv/drt, 2620-090 Póvoa de Santo Adrião. Tel. 21 937 00 05
A minha amiga Helena, psicóloga, recomenda-me esta promoção e ofereceu-me um pequeno folheto onde muito sucintamente a APCH dá pistas de como despistar e distinguir Comportamento Hiperactivo, Comportamento Impulsivo e Falta de Atenção. Assim que a página estiver concluída terei muito gosto em fazer por lá uma "reportagem" de que darei conta no Adufe.

Se houver tempo ainda aqui deixarei o resumo dos sinais caracterizadores dos diferentes quadros referidos que leio no prospecto.

Posted by Rui at 02:41 PM | Comments (1) | TrackBack

março 28, 2004

Crónica de uma morte

Perturbante história esta que se lê no João Tilly por estes dias. Era bom que não passasse de pura ficção.

Posted by Rui at 04:16 PM | Comments (4) | TrackBack

março 18, 2004

Dia Mundial de Saúde (7 de Abril)

Dia Mundial de Saúde (7 de Abril) - Hospital de S. João - PORTO
O Dia Mundial de Saúde (Organização Mundial de Saúde) é este ano dedicado a uma das principais causas de morte e sofrimento em todo o mundo: a epidemia da sinistralidade rodoviária.

A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados - ACA-M e o Grupo de Trauma do Hospital de S. João, com o apoio:

Associação de Utilizadores do IP4
APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil
FastAccess
Motoclube Virtual
Associação Rodar (Associação Portuguesa de Lesionados Medulares)
CR&M

Tomaram a iniciativa de promover um conjunto de eventos no âmbito do Dia Mundial de Saúde.

Temos muito gosto em informar das actividades que irão ter lugar neste dia e fica o convite a quem quiser participar no Fórum com o tema “Sinistralidade rodoviária: a epidemia escondida", pelas 14:30 na Aula Magna da Faculdade de Medicina do Porto /Hospital de S. João.


Outras actividades
Fonte ACA-M (Blogue)

Posted by Rui at 10:17 AM | Comments (1) | TrackBack

março 10, 2004

O Manifesto Futurista

Se sempre que quiserem bater em mim o fizerem como fez a Sarah da Espuma dos Dias eu agradeço.
Para que melhor se perceba o que a Sarah publicou na Espuma (e porque acho que fez muito bem em traze-lo a público) vou aqui deixar (em anexo) o mail que lhe mandei ontem. Já agora chamo à discussão o Nuno Peralta e o Joel, se quiserem (entre todos os outros!).
A Sarah diz na Espuma que se recorda de ser "vagamente homófoba, confusa, agarrada aos papéis". Seguramente eu estarei ainda a fazer o caminho. Não sei se chegarei onde está hoje a Sarah mas sei já que não há nada mais esclarecedor do que fazer o esforço de defender uma razão. Pela sua falência ou pela sua força chegarei a um lugar melhor. A propósito, sobre outros temas o Adufe tem andado cheio de certezas, vou continuar a expor por aqui muitas das minhas dúvidas. Muito provavelmente voltarei a este tema, para já fica só o mail e o debate da Sarah.

O Mail:

Olá.
A propósito do texto do Joel Neto que comentei no Adufe sobre "adopção de crianças por homossexuais". Aproveito para dizer que conheço tanto o Joel como conheço a Sarah.

Ó Sarah... Não tenho (que eu saiba...) amigos homosexuais, nem moços, nem moças (pelo menos assumidos). É um facto que não estimo, nem lamento. Até agora é assim. Desconfio, é cá uma fezada (brinco!) que são gente como eu. Que sentem o mesmo, que são capazes do mesmo, para o melhor e para o pior.
Acho que sou um rapazito minimamente esclarecido mas com enooormes áreas de ignorância. A ignorância muitas vezes é incómoda, leva-nos a querer tapar o buraco com uma qualquer ideologia ou teoria esfarrapada que nos deixe dormir na paz.
Ora com labor, ora com preguiça, vou tentando evitar essas soluções fáceis, vou tentando manter os sentidos em alerta, procurando reduzir o tal buraco.
Tal como às vezes me surpreendo com a ignorância dos outros que de vez em quando me bebem as palavras, numa ou noutra matéria em que estou mais informado, também eu lhes conheço o lugar e passo pela mesma experiência, ouvindo e conhecendo outras gentes muito mais sábias do que eu.
Eu tenho a certeza absoluta que há casais do mesmo sexo capazes de amar profundamente e mil vezes melhor um filho que muitos outros casais hetero. E tenho ao mesmo tempo dificuldade em, numa situação limite não deixar de discriminar. Explicando. Dois casais "concorrem" a uma criança para adopção, um hetero e outro homo. Ambos se qualificam brilhantemente e terminam a avaliação empatados. A constituição do casal deve determinar nesse caso o desempate ou deitamos moeda ao ar? Imagino que a Sarah nem queira responder (a manter o estado de espírito dos "Serviços Mínimos") mas eu, num primeiro impulso, e perante uma adopção, desfavoreceria o casal homo simpatizando com a lógica de "excepção" do Joel, uma espécie de último tributo à biologia da espécie. Dito isto fiquei a olhar para o barrete que a Sarah ofereceu no texto "Serviços Mínimos" e comecei a enfiá-lo. Chame-lhe atavismo, condicionamento cultural, medrices, ou pior, whatever, mas o que é certo é que esse foi o meu primeiro impulso.

Reflectindo mais um pouco, como tentei fazer publicamente no Adufe, expus sumariamente algumas contradições que nos assaltam quando tentamos fazer um esforço de coerência com outras posições relativas a outras questões melindrosas. E muitas mais, além das que descrevi, me passaram pela cabeça!
O caminho mais razoável parece então indicar-me quão frágil é (para não lhe chamar outra coisa) o argumento da excepção, mesmo em situações "limite". No entanto, o que quero dizer é que para ter dúvidas não é necessariamente preciso ser um “português de merda” (é claro que não enfiei o barrete). Acho que ninguém nasce merecedor desse título, é algo que tem de ser conquistado e acredito que há muitos concidadãos que não o merecem, mesmo entre os que como eu impulsivamente corram para um preto e branco tradicional mais ou menos elaborado (no meu caso inventei uma situação "limite").
É preciso que haja esclarecimento, que haja confronto, é preciso que tenhamos energia para ir vivendo sempre garantindo os serviços mínimos. É difícil podermos renunciar a isso... Nada de desesperanças!

Atrevo-me a mandar um beijo.
Rui Branco
adufe.pt

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março 09, 2004

Ao que vêm

Há quatro dias falei aqui, quase colateralmente, da maternidade na adolescência. Desde então já reparei em várias pessoas mandadas pelo Google que aqui vieram parar em busca de informação .
Considerando estes exemplos e outros que consigo identificar através do sistema de pesquisa do próprio blog e respectiva ferramenta de análise estatística, aumenta a minha curiosidade quanto a saber quais serão as principais pesquisas na Net oriundas de países de língua portuguesa e, particularmente de Portugal.

Posted by Rui at 07:39 PM | Comments (0) | TrackBack

março 05, 2004

Mães e Pais Adolescentes em Santiago do Cacém

Informa-nos a TSF que:

"Autarcas reivindicam construção de maternidade
A Associação de Municípios do Litoral Alentejano reivindica a construção de uma maternidade em Santiago do Cacém. A obra já foi prometida duas vezes, mas tem sido sempre abandonada. O presidente da câmara de Santiago do Cacém e da Associação de Municípios do Litoral Alentejano, Vítor Proença, garante que a maternidade poderá fazer mais de 800 partos por ano.
(...)"

A referência a Santiago do Cacém traz-me à memória um episódio profissional porque passei há coisa de quatro anos. Então, fui convidado a acolher e a "dar uma aula", no INE, a algumas turmas de adolescente acompanhados pelos respectivos professores que se deslocaram em visita de estudo. Nos preparativos da aula (eu não sou professor!) tentei perceber o que é que mais poderia cativar os "petizes". Não sei se o objectivo seria cativar, mas a resposta dos professores foi muito clara: por favor, arranje informação sobre a maternidade na adolescência. Confesso que o tema me surpreendeu…


Descobri na altura que Santiago do Cacém era o terceiro concelho mais populoso do Alentejo (situação que se mantém) só sendo ultrapassado por Évora e Beja. Santiago do Cacém era também um dos raros concelhos do Alentejo e do País onde o número de nascimentos de mães com menos de 20 anos havia aumentado ao longo da década de 90 (que eu saiba o INE não tinha nem tem dados sobre abortos...). Um concelho que envelhecia como todos os outros mas onde se conviviam simultaneamente com um número proporcionalmente crescente de mães adolescentes.
Não sei se a situação se mantém até hoje, mas retive na memória os desabafos de professores frustrados por não conseguirem "acordar" os seus discípulos. Queixavam-se de estar perante jovens desmotivados, amorfos, sem interesses ou perspectivas de futuro no local onde viviam. Foi a primeira vez que o "Portugal Deprimido" de que tanto ouvia falar se me revelou em tão insuspeitos rostos de jovens quase da minha idade.

Gravidezes na adolescência resultantes de uma mistura de ignorância com tédio?

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março 04, 2004

Epilepsia

Uma iniciativa do Nuno Branco

Posted by Rui at 11:30 AM | Comments (0) | TrackBack

fevereiro 17, 2004

Pessoas estéreis ajudam mães portuguesas

Ó João, já que voltas ao tema (aqui e aqui) repito o repto e cobro a tua promessa.

Nota: o título foi roubado do Liberdade de Expressão

Posted by Rui at 05:38 PM | Comments (0) | TrackBack

fevereiro 12, 2004

Criminalidade organizada melhora índices de confiança

O recente desmantelamento de uma organização criminosa a operar na área da saúde (farmácias, hospitais, clínicas...) de qual, aos poucos, temos vindo a perceber a dimensão (já se fala em milhões de euros e em medicamentos deturpados) contribui para percebermos que imaginarmo-nos como um país de chicos espertos é claramente um understatement. Um disparate quase tão grande como o tradicional "brandos costumes". A criminalidade evolui para níveis de desenvolvimento e sofisticação que nos estão a aproximar do pior que há no mundo. E quem o diz são as forças da ordem...
Haja matéria cinzenta na PJ e um pouco mais de respeito e meios para que possam desempenhar o seu trabalho. Estas mega-operações, particularmente quando envolvem áreas tradicionalmente incólumes, geram inegavelmente maior confiança por parte dos bons cidadãos. Ficamos todos com a sensação de que vale a pena combater chicos espertos e os criminosos.
A lei da selva perde sempre mais alguns adeptos. No fundo é uma espécie de reverso da medalha do efeito multiplicador do medo produzido pela notícia de um crime violento no conchinchina. Mas desta vez, pela abrangência e complexidade da operação desmantelada, qualquer suspeita de trabalho policial ficcionado parece-me afastada. A PJ, bem como, todas as organizações do Estado que denunciaram e contribuíram activamente para a investigação estão de parabéns.

Posted by Rui at 10:40 AM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 26, 2004

Apelo

ACAM-AJUDA4.jpg

Posted by Rui at 10:44 AM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 12, 2004

* *

* *

Posted by Rui at 05:18 PM | Comments (0) | TrackBack

janeiro 05, 2004

Comprimidos favoritos

A propósito d'Os comprimidos ali de baixo, os meus "comprimidos" favoritos são:

1. Ouvir Música.
2. Uma conversa com um amigo.
3. Mais música.
4. Um copito de três a acompanhar uma boa refeição (Prosac? Prosit! - Mas também pode ser um sumo de fruta não fermentado)
5. Um chocolate.
6. Uma musiquita.
7. Um belo filme.
8. Assistir a um espetáculo ao vivo (do futebol ao teatro).
9. Ouvir Música.
10. Cozinhar.
11. Fazer barulho escrevendo no adufe.
12. Música!!!!
13. Ler um livro.
14. Andar de bicicleta.
15. Não ter medo de chorar.
16. Ouvir MÚSICA!
17. Não ter medo de rir.

Estes são apenas alguns "princípios activos" cujas combinações e dosagens variadas me permitem ir gerindo uma bela farmácia.

Posted by Rui at 11:30 PM | Comments (2) | TrackBack

Os comprimidos

O que é que nos faz tomar comprimidos? Quando digo comprimidos, refiro-me especificamente àqueles comprimidos que brincam com os neurónios, que tentam pô-los a conversar entre si, naquele que julgamos ser o “tom” certo que vai bem com a nossa pele. Comprimidos humorísticos, digamos.
Não fujo deles como o diabo da cruz, mas para lá caminho. Não lhes acho graça, pronto. E pior, sou tentado a combatê-los, a apresentar-me como um naturista ao dispor exemplificando alternativas razoáveis e eficazes.
Mas a que propósito é isto para aqui chamado agora? Por um pequeno nada que li nesta esfera, mas que podia ter ouvido na minha família.
Bem sei que pode ser uma ironia ligeira com intenções paliativas mas o textozinho da Bomba Inteligente onde retrata o choque de um amigo perante a primeira evidência da inexorabilidade de uma primeira perda e, particularmente, o remate do seu texto (a saber: "Mas nada de dramas: um comprimido de Cipralex de manhã e meio Triticum meia hora antes de deitar para os dias serem curtos, meu querido"), voltaram a pôr-me a pensar na nossa voragem por anti-depressivos, ansiolíticos, calmante e afins (já não falo nas drogas ilegais).

O que mais me espanta, choca e move a exteriorizar a opinião é a banalização com que tanta gente trata o dito comprimido. Por vezes sou testemunha de conversas mirabolantes nos mais improváveis locais (no transporte público; quando espero para pagar o jornal; quando estou a pôr gasolina...). Conversas que julgava acessíveis apenas a iniciados em farmácia. Pessoas de todas as raças, credos e condições trocam comprimidos e experiências como eu trocava cromos para completar a minha caderneta do “Era uma vez o espaço”. Não me alegra esta democracia de "negócios" às claras onde a dimensão da moca (ou mocada) do dito comprimido é a moeda de troca. Fragmentos como os que seguem são a paga do benemérito fornecedor, geralmente um esforçado amigo: "Não me deu a fome o dia todo"; "É melhor do que passar três horas a pedalar no ginásio, dormi que nem um anjinho"; "Depois de tomar fiquei com uma energia fenomenal!"; "É que parece que nem me lembrei do acidente o dia todo, tudo me parecia mais distante..." ou ainda “Já nem me lembro do nome dele! Vamos ao Blues ou ao Lux?

O que é que tu tens a ver com a vida das pessoas ó Rui Manuel? Nada… Mas que diabo… eu vivo com elas, estou rodeado por elas, posso ao menos tentar inquietá-las com a minha inquietação. Assusta-me, numa perspectiva mais filosófica, e entristece-me, numa perspectiva mais concreta, a falta de consciencialização de tanta gente que adere ao "clube dos comprimidos humorísticos". O atira-para-trás-das-constas-tudo-o-que-é-doloroso-o-quanto-antes não seria inteiramente desprezível se não escondesse tantas vezes a necessidade de uma acção, de uma prova de humanidade, de uma demonstração de garra e de determinação. Há sempre os malditos efeitos secundários. Mais quen ão seja o de nos impedir de crescer.
Vamo-nos deixando morrer anestesiados, estupidificados, perdendo a maravilha do conhecimento vivendo permanentemente no limiar da “percepção alternativa”. Enfim - uso demasiadas vezes esta palavra -, resisto qual selvagem inadaptado a este abominável mundo novo feito de fugas e mais fugas. Pequenas atitudes de pequenos indivíduos que são cada vez mais o problema, um problema cada vez maior do que todos aqueles de que fugiram inicialmente.


Para desanuviar: cá para mim é bastante provável que seja gente apanhada dos carretos pelo uso abusivo de inúmeras “drogas humorísticas” que depois tem brilhantes ideias como estas de que nos falou Maria do Carmo Vieira no de hoje (artigo em anexo).

Uma nota final para o Terras do Nunca me dar uma ajuda; vai em inglês e tudo que é para dar mais estilo: I don’t dig drugs. Am I right or am I left?

Paz e amor meus irmãos!

Bilbiografia recomendada: CORREIA, Clara Pinto (2002), "A Arma dos Juízes", Relógio D'Água.

Errar É Próprio dos Homens. Persistir no Erro É Próprio dos Loucos"
Por MARIA DO CARMO VIEIRA
Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2004

O que é o vento? "É uma massa de ar em movimento".

Esta definição, dada por um professor do 1ª Ciclo, foi considerada pelos intervenientes, na abertura da sessão do 2º Encontro de Investigação e Formação - Criatividade, Afectividade, Modernidade - Escola Superior de Educação, realizado em Novembro de 2001, uma profunda "agressão traumática" para as crianças. Quanto não seria mais eficaz, diziam, referir o moinho que roda com a ajuda do vento, as árvores e as flores que baloiçam e muitos outros exemplos que se iam dando através da leitura de um poema, considerada a estratégia mais correcta, mais delicada e a menos traumatizante para explicar aos alunos, ainda crianças, o "que era o vento".

Ouvi a leitura do dito poema, e a conclusão do "pedagogicamente correcto", paralisada de estupefacção e lembrei-me do testemunho de uma colega do 1º Ciclo, Manuela Castro Alves, no II Encontro Internacional "O Desafio de Ler e Escrever", realizado em Julho de 2001, demonstrando, com exemplos vários, quanto se subestimava a inteligência e as capacidades das crianças, na aprendizagem da leitura e na criação do estímulo para a mesma. Assim, "com a preocupação quase exclusiva de levar as crianças à memorização de determinados fonemas, os manuais de iniciação à leitura apresentam frases", cujo conteúdo é verdadeiramente anedótico. Eis alguns exemplos: "um perú atira a pêra à parede" (para dar o valor do r entre vogais), "Um pai pula no tapete" (para introduzir o trissílabo), "uma mula deita a lata de tomate à lama" (porque até à altura se tinham trabalhado as vogais e as consoantes t, m, l e d e era preciso articulá-las, mesmo à custa do insólito), uma noiva leva um ramo formado por "uma dália, uma túlipa e uma violeta" (só porque não tendo sido trabalhada a função do s no final das palavras, ela não podia aparecer com um ramo de rosas ou de outras flores...). Destacava ainda a mesma colega a infantilização a que estes manuais sujeitam as crianças, utilizando em vez "de carros, pópós, titis para tias, pipis para frangos, tautau para pancada, dói-dói para ferida, etc.

Uma outra colega do 1º Ciclo, Carmelinda Pereira, da Escola de Algés, informou-me de que o actual esvaziamento de conteúdos nos programas do Secundário, nomeadamente na disciplina de Português, acontecera já no 1º Ciclo, reduzindo ao mínimo o grau de exigência, bem como os conhecimentos a adquirir pelos alunos, facto que levou muitos professores a fotocopiar os manuais antigos.

No seguimento do que já aconteceu no 1º Ciclo, compreende-se a insistência dos proponentes destes novos programas de Língua Portuguesa nos textos ditos "profissionais" e nos textos dos media. Assim, a televisão, para alegria dos alunos, poderá estar presente na sala de aula, com, e cito o programa, "telejornais, reportagens, entrevistas, publicidade" etc, etc, tendo os alunos igualmente acesso a "documentos em suporte de papel", de que destaco, "notícias, pequenos anúncios, publicidade, desenhos humorísticos, horóscopos, palavras cruzadas". Eis, pois, o tão apregoado lúdico nas aulas.

Ao referir expressamente a Escola Básica de Algés quis chamar a atenção para o facto de ter sido uma Escola muito amada pelo grande violinista e maestro, Yehudi Menuhin. Onde quer que esteja, continuará a olhá-la com a mesma ternura com que os meninos lhe chamaram "Sr. Amendoim", aquando da sua visita a Portugal, em 1998. Bem a propósito virão as suas palavras, agora que se teima em anular e amaldiçoar a arte, nela se incluindo a literatura, privilegiando-se desastradamente no Ensino o texto informativo: "É a arte que pode estruturar a personalidade dos jovens cidadãos no sentido da abertura de espírito, do respeito pelo próximo, do desejo de paz. É a cultura, de facto, que permite a cada pessoa enriquecer-se com o passado para participar na criação do futuro. (...) a arte é uma antena preciosa para captar o futuro que não pode ser reservado só a alguns."

Convém acrescentar que a escola Básica de Algés está integrada no projecto MUS-E, cuja "principal função é a de melhorar as condições e as possibilidades educativas de crianças desfavorecidas, através da música, das artes e de várias disciplinas". Na origem está a Fundação Internacional Yehudi Menuhin.

Recuperando a definição de vento, acima mencionada, a qual foi de imediato criticada e substituída por um poema, e relembrando a polémica em torno das notas de exame nas disciplinas de matemática e física do secundário, será interessante recuar até aos finais do século XVI e ouvir as admoestações dos Superiores Gerais de Roma para os Provinciais jesuítas portugueses, focando "o feitio português avesso" às matemáticas e às ciências experimentais. Nesse sentido, e em defesa da eficácia da missionação, advertiam: "Desejamos ardentemente que os nossos religiosos nessa Província Portuguesa cultivem os estudos de Matemática, não somente para exercerem o magistério dessa Faculdade, mas sobretudo para poderem ser enviados à missão da China".

Demagógico seria aceitar o argumento fácil de que os portugueses são pouco aptos para a matemática e ciências experimentais. Onde ontem existia a repressão, impedindo todo o tipo de contestação e perseguindo os dissidentes, "inclinados a novidades ou de inteligência demasiado livre", hoje existe o paternalismo das Ciências da Educação, duvidando das capacidades de professores e alunos e privilegiando a forma em detrimento dos conteúdos. Daí a utilização de argumentos do tipo "impedir aulas de seca", "flexibilização de opções" ou "adequação dos autores às salas de aula", para justificar alterações que anulam a curiosidade, a reflexão, o esforço e o desafio. Não admira, pois, que a competência e actualização científicas dos professores sejam, neste momento, relegadas para lugar de pouco destaque, relevando-se o que se chama de "formação em metodologia de projecto", "formação em avaliação" ou "formação em gestão e desenvolvimento curricular".

O que é grave nas alterações programáticas propostas, e destaco o caso que melhor conheço, ou seja o da disciplina de Português do Secundário, não é apenas a pobreza dos seus conteúdos e a ausência de articulação nos aspectos literários, mas o facto implícito de tomarem como adquirido a falta de conhecimentos que os alunos evidenciam ao terminarem o Ensino Básico. Esta situação não pode, no entanto, justificar as alterações agora propostas, as quais visam, no fundo, perpetuar, até ao final do Secundário, a ignorância dos alunos, com a anuência do Ministério e a indiferença de muitos professores.

Preparam-se, neste momento, os manuais de Língua Portuguesa para os 11º e 12º anos. O Ministério, em nome da qualidade do Ensino, ainda vai a tempo de impedir a repetição dos erros cometidos. A Escola exige-o.

Professora do ensino secundário
in Público, 5 de Janeiro de 2004

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dezembro 27, 2003

Nódulo

Todos estamos cheios deles mas a palavra do título é para alguns especial; lida como uma ameaça que tanto pode ter sido vencida no passado, enfrentada no presente ou latente para um dia no futuro.
Mas além dos fisiológicos há-os de outra natureza ainda que muitos deles também se qualifiquem como "orgânicos".
Não sei se o que o Valdir Cardoso encontrou nesta época de Natal no Hospital de Santo António no Porto é um nódulo ou se já é mais do que isso mas a denúncia, o alerta para que se faça o diagnóstico pode revelar-se muito útil. Nunca se sabe quando teremos de enfrentar também este outro problema.
Em legítima defesa recuso a banalização destes casos e a sua menorização grosseira por via da qualquer psicose rapidamente atribuida a quem vê o "inevitável" sofrimento de um ente querido. Infelizmente algum conhecimento de causa levam-me-a a acreditar na sinceridade do Valdir e a aqui vos convidar a ler o seu texto.

Um excerto do texto do Valdir no seu Crítica Lusa.

Alguns relatos de como não se deve tratar pacientes. Isto aconteceu no Hospital Sto. António, serviço de cirurgia 1.
Caso nr 1
Depois da operação óbviamente a minha mãe levou soro, até o intestino voltar a funcionar devidamente.
Um enfermeiro espeta a agulha do soro no braço da minha mãe, que entretanto se queixa de a agulha lhe estar a doer.
Resposta do enfermeiro: "Isso é fita !! Não dói nada !!"
Resultado: No dia seguinte, o soro estava a sair pela agulha e a escorregar pelo braço, além de um forte hematoma que a minha mãe tinha no braço. A minha mãe chama o médico, que por sua vez, chama o enfermeiro que fez esta asneira, dá-lhe um raspanete dos antigos, em frente de todos.

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dezembro 18, 2003

A indignação e os mal feitores (act.)

No início contaram-me que o governo não tinha boys de qualidade para assessorar alguns ministérios... Rimo-nos.
De seguida, contaram-me que havia boys para nomear para a gestão dos hospitais mas poucos entre eles tinham competência e experiência de gestão. Alguns, aparentemente, tinham currículos que não justificavam, pelo elevado risco presente, o cargo de gestão de algumas mercearias de bom nome. Vimos os exemplos, ouvimos as histórias (muito poucas chegaram aos jornais) e não encontrámos motivos para risota...
Depois, contaram-me que os novos hospitais privados andavam (e andam) a pagar exorbitâncias para cativar alguns profissionais competentes. Muito mais do que pagam a um funcionário público, talvez esse mesmo funcionário que entretanto se desvinculou ou mudou de área de residência...
Por fim, começaram a chegar a público as "más vontades" quanto à prestação de cuidados terapeuticos e realização de exames a pacientes mais “complicados”, mais dispendiosos, ou não prioritários nas novas linhas de gestão. Estes prontamente eram despachados para casa ou, na melhor das hipóteses, para os hospitais centrais ainda públicos engordando os seus défices, exacerbando assim a prova provada da sua ineficiência...

Tudo isto era previsível, tudo isto foi previsto. Havendo inteligência no topo, inverto o ónus constitucional: até prova em contrário, o governo está a agir de má fé. Usa o terrorismo para destruir o serviço nacional de saúde naquilo que ele tem de mais nobre e valioso.
Digam-me que estes exemplos não são verídicos, provem-me que tudo isto é mentira, que não há uma relação directa entre a mudança realizada e os casos que se avolumam. Ou então assumam que isto é uma opção política, que estes são os seus custos colaterais, que não temos dinheiro para manter o sistema de saúde e que temos de lhe fechar as portas. Se me disserem isto far-lhes-ei então outras perguntas. Falaremos do Banco Atlántico e dos aumentos de capital da CGD, falaremos dos submarinos, falaremos da "contenção" orçamental na Madeira, falaremos da aquisição de material de transporte em alguns ministérios, falaremos da dimensão da intervenção militar no exterior, falaremos das medidas preventivas de ataque a doenças infecto-contagiosas, falaremos da cruzinha nas receitas dos médicos, falaremos da ausência de regulação da relação banco-cliente, falaremos de perdões fiscais, falaremos de benefícios fiscais, falaremos das farmácias sociais, falaremos até do choque fiscal no IRC. Falaremos?

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dezembro 16, 2003

"Aborto: PP recusa alteração à lei"

A notícia é do Portugal Diário... As palavras citadas são de Luis Nobre Guedes:

«Dentro de um período que se estende no mínimo a esta legislatura não há nenhuma razão para questionarmos aquilo que soberanamente foi decidido pelos portugueses (...)Tenho a certeza absoluta que o PSD vai respeitar o acordo político que fez com o CDS-PP (...) neste, como noutros julgamentos, a posição do partido é que o poder político não deve condicionar as decisões judiciais. (...) A posição do CDS-PP em 1998 ao apelar ao »não« [no referendo pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 12 semanas] foi uma posição de tolerância e humanismo. Somos contra o flagelo social que é o aborto, um flagelo que não termina com a liberalização total. Se fosse hoje a posição do CDS-PP seria exactamente a mesma».

Polícias, Juízes, Estabelecimentos prisionais... Amigos, depois da hipocrisia patente aquando da votação do referendo onde quase ninguém se atrevia a considerar legítimo e desejável a detenção das mulheres que abortam, o PSD (através deste acordo e das palavras do outro subscritor) clarifica a sua posição. Encontrámos assim uma obsessão mais valiosa que a do défice. Não se olhe a meios para punir os assassinos que veêm em cada mulher que aborte. Houve alguns momentos de esperança de alguma razoabilidade nas últimas horas. Voltámos ao mesmo. Ou talvez não... Talvez da próxima vez seja mais fácil aos portugueses perceberem o que está em jogo nesta melindrosa questão.

Posted by Rui at 08:22 PM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 15, 2003

imagens mentirosas :

Subscrevo o alerta do João da Metamorfose e faço aqui a sua transcrição:

 Se a imagem desaparecer provavelmente o público mudou de posição tendo optado por retilá-la esta fotografia tem vindo a ser utilizada pelo público online, para ilustrar notícias relativas à discussão em torno da despenalização da interrupção voluntária da gravidez (ivg) até às 12 semanas.
acontece - como é perfeitamente visível - que a mulher fotografada está grávida de muito mais do que 12 semanas, pelo que a utilização neste contexto é profundamente abusiva. e não só é abusiva, como retrata muito bem a degenerescência a que tão importante questão está sujeita.
a ivg tem vindo a ser abordada por responsáveis políticos, jornalistas e figuras públicas com alguma intensidade e frequência. no entanto, a desinformação é generalizada, a politização extremada e a inacção confrangedora, o que ilustra bem a inconsequência da maior parte das discussões de fundo da sociedade portuguesa.
mostramos mulheres grávidas de mais de 20 semanas, quando nos referimos a gravidezes até às 12 semanas; damos atenção às palavras de um bispo, mas relativizamos a opinião de médicos e cientistas; escrevemos páginas e páginas de opinião, mas são muito poucos os que estão minimamente informados sobre as múltiplas dimensões do problema.
mostrar fotografias como a que o público mostra não é só irresponsável. é, também, um desrespeito imenso por todas as mulheres do mundo.

nr - no sábado passado, enviei um email ao josé manuel fernandes e ao josé vitor malheiros a chamar a atenção para o facto de a fotografia aparecer a ilustrar uma notícia do público online. hoje de manhã, recebi um e-mail de resposta, onde se afirma que a questão iria ser discutida em reunião de redacção e que também eles achavam que a fotografia era infeliz. o facto de a mesma aparecer esta tarde a ilustrar uma nova notícia, leva-me a concluir que ou a questão não foi discutida em reunião da redacção, ou não tendo ainda acontecido tal reunião, não foram activados os mecanismos que estou certo o jornal público tem ao seu dispôr para repôr a verdade dos factos em tempo útil. só pelo facto de se ter sido publicada uma segunda vez, é que me senti na obrigação de escrever este post.

Posted by Rui at 05:22 PM | Comments (4) | TrackBack

novembro 28, 2003

Auxiliar de Memória


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novembro 17, 2003

Queremos Paz!

ACA-M Uma homenagem a quem se mexe neste País, a quem faz pela vida.
A outra homenagem:

Em segundos
Se há anjos na terra, a minha avó foi um. Respirava bondade. Espalhava serenidade. Não sabia não sorrir. Mal escrevia e no entanto a sua sabedoria era milenar. Em sentimentos, em conselhos, em vida. A sua pequenez física escondia a luz incandescente de alguém maior. Era uma Senhora. A nossa Senhora. Católica de alma e coração, ia todos os dias à missa. Nessa noite, quando voltava, dirigiu-se como sempre à passadeira. Atravessou. Não chegou a casa.

A morte é um acontecimento demais estúpido. Adiantá-la não é preciso.

As distracções repetem-se. A vida não.

de Leite de Creme
Publicado no blogue Homenagem a 17 de Novembro de 2003

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novembro 04, 2003

O meu nome do meio

Comi um arrozinho de polvo que estava uma delícia e acompanhei com um sumo de laranja... Agora estou a comer bolachas gordurosas com pepitas de chocolate. São servidos?

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Saudades de ser Saudável

1º O Fumo
Muito se tem escrito sobre tabaco no blogoesfera e sinceramente por agora posso dizer que para esse peditório já dei, mas trago para aqui o apontamento que li no Resistência Islâmica onde se informa que é muito frequente o consumo de cigarros disparar entre os muçulmanos fumadores no mês do Ramadão. Determinismo religioso associado ao consumo de tabaco é uma perspectiva que confesso me passava ao lado. Haverá algo do género entre os cristão ou judeus em alguma época do ano? Haverá alguma Voz do Deserto, ou algum Aviz com dados estatísticos? Podem ser estatísticas pessoais :)

2º O Ginásio
Ainda da breve volta pela blogoesfera e ainda sobre "saúde" destaco um dos últimos textos de um dos nossos médicos de serviço. O Bisturi discorre sobre os hábitos alimentares clarificando, reforçando, repetindo mais uma vez a causa e efeito entre o que se come e como se vive. Deixa no ar a ideia que tudo seria diferente lá no seu ofício se a mesma determinação com que muitos de nós aderimos a um ginásio se aplicásse à qualidade da nossa dieta. O nosso nome do meio é Contradição o que é que se há-de fazer? Para quem queira saber mesmo o que fazer o Bisturi oferece algumas sugestões que reproduzo:

Fico triste por surgirem tantas doenças evitáveis em pessoas novas, com tanto para dar e de tal maneira importantes para os outros, apenas por não seguirem algumas regras simples:

- iniciar o dia com um pequeno almoço de pão e leite ou derivados, nos primeiros trinta minutos após se levantar;
- a meio da manhã e da tarde, comer ao menos uma peça de fruta;
- comer com prazer, sem cronometrar a refeição;
- beber ao menos 1,5 litro de água por dia (um lapso comum e grave);
- consumir muitos vegetais e frutos frescos;
- preferir o azeite (rico em gordura insaturada) para temperar os alimentos;
- consumir muito esporadicamente doces, charcutaria, óleos e comidas gordurosas saturadas (maioneses, molhos);
- proscrever o excesso de sal;
- realizar exercício físico moderado: basta até passear a pé com um amigo...

Posted by Rui at 09:50 AM | Comments (1) | TrackBack

outubro 29, 2003

Eutanásia

A propósito deste apelo:

Assassinar alguém deve ser sempre crime.
Condenar alguém à morte é sempre um crime.
Dito isto acrescento mais estas palavras.
Garantindo que a Eutanásia não é um assassinato mas um suicídio assistido só posso defender que se aceite essa prática.
O meu último reduto de liberdade hoje é o de poder decidir quando bem entendo por fim à minha existência. Acho que todos devemos ter esse direito.

Posted by Rui at 12:15 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 24, 2003

A propósito da Malária

A propósito da malária e do exemplo prático dado por Bill Clinton/Fundação Bill Clinton e aqui sublinhado pelo Terras do Nunca aproveito para deixar um grande abraço (e um beijinho) à Susana Campinas (pode ser que um dia algum motor de busca te traga a este blog). E saúdo-a por ter participado na equipa suportada pela Fundação Gulbenkian que tem conseguido alguns avanços assinaláveis na investigação dessa doença.

A Susana tem 28 anos, andou comigo na primária, não temos mantido grande contacto, vou sabendo dela indirectamente, mas sei que está por estes dias em reclusão total preparando a tese de doutoramento que irá defender nos próximos dias numa universidade do norte da Suécia.
O maior receio dela e de muitos outros investigadores é o futuro. O futuro profissional, a velha questão de não haver investimento na investigação científica. Mesmo com provas dadas, mesmo com um currículo brilhante não há nenhuma certeza de poder continuar a assegurar o seu sustento fisiológico e intelectual em Portugal.
O destino da Susana será muito provavelmente a Inglaterra, ou os Estados Unidos, outro que não o seu país.

Pode ser que um dia o trabalho dela e de muito outros investigadores nos venha a ser muito útil. Se-lo-á para as regiões onde a doença persiste e poderá sê-lo também por aqui. Falo de cor mas lembro-me de cenários de evolução climatérica que apontam para a possibilidade do regresso da malária à Península Ibérica. Assim subam as temperaturas médias, os níveis de humidade e o mosquito reaparecerá com a sua terrível carga.

Curiosidade: sabiam que há no concelho de Coruche portugueses com fortes resistências genéticas à infecção pela malária? Foram séculos de selecção natural, a conviver com a doença. Quando é que a malária foi erradicada de Portugal?

Posted by Rui at 02:42 PM | Comments (0) | TrackBack

outubro 22, 2003

Agora vou ser bonzinho

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Posted by Rui at 02:43 PM | Comments (1) | TrackBack

outubro 16, 2003

Dor de cabeça

Como minorar os efeitos quotidianos de uma dor de cabeça?

Há uma ONG de Chicago que se propõe ajudar pacientes e médicos...
Se alguém mais entendido ler por lá disparates avise ok?

Parece-me interessante, mas não me responsabilizo por quaisquer consequências provocadas pela leitura das páginas sugeridas.
Descrição de objectivos da NHF

Posted by Rui at 02:37 PM | Comments (1) | TrackBack

outubro 15, 2003

Leucemia

Em memória de Carl Sagan

símbolo sobre este dia, Autor: AAnesEstá a decorrer uma iniciativa na blogoesfera que visa debater, alertar consciências para uma doença "daquelas". Daquelas que em muitos casos surge sem se saber porquê e completamente a despropósito. Não olha a idade, sexo, condição social...
Muitos dos doentes têm a possibilidade de enfrentar a doeça se encontrarem um dador compatível. Somos tão parecidos e tão diferentes. A riqueza da espécie em promover a diferença funciona aqui, frente à Leucemia, como uma tragédia individual... Joga-se às probabilidades com a doença e com a nossa herança genética. Quantos mais se apresentarem, maiores as hipóteses de alguém ganhar uma vida. Mas para isso temos de tomar a iniciativa de nos rastrearmos. Dar-nos a conhecer.
Ainda não o fiz. Será desta? Aproveito com estas palavras para aumentar o peso na minha própria consciência e já agora na de quem me lê.
Mais detalhes aqui.

Os blogs que se juntaram à iniciativa de falarem sobre leucemia estão referidos, entre outros sítios, aqui.
Boas noites e bons sonhos.

Posted by Rui at 01:18 AM | Comments (2) | TrackBack

outubro 06, 2003

Águas

Noupe! A olhómetro a água recolhida do cano depois do meio-deia deixou de revelar depósito. A única alteração é que agora cheira e sabe significativamente a cloro...

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Água - Lisboa

Caros amigos,
Polémicas à parte recomendo a seguinte experiência que uma colega fez durante a manhã de hoje.
Encheu uma caneca de água da torneira (Lisboa- Freguesia de São João de Deus) e deixou-a repousar algumas horas. Para seu grande espanto a caneca ficou com um depósito sabe-se lá do quê. Um depósito bem visível a olho nu e bastante significativo, quase suficiente para cobrir o fundo de um misto de cor de barro e cinzento.

Neste prédio, pelo menos, a água dificilmente é recomendável. Não querem repetir a experiência? Eu vou experimentar em casa e se se repetir o cenário final estou a pensar perguntar ao senhor presidente da Epal se estou a ver coisas ou se é algum composto que faz bem aos ossos!
Como leigo não sei que mais fazer para me defender. Ferver a água não combate depósitos minerais pois não?

(não tenho nenhum interesse em nenhuma companhia de água engarrafada;
Logo à noite conto-vos o resultado da experiência).

Posted by Rui at 12:29 PM | Comments (11) | TrackBack